quarta-feira, 14 de março de 2012

DESRESPEITO AGORA É COMÉDIA COM AUTORIZAÇÃO DO PÚBLICO



Uma das coisas que eu gosto de ser brasileiro é o fato de saber que nosso povo é capaz, quase que literalmente, de dar nó em pingo d’água. Se não temos transporte público de qualidade, achamos uma forma sem qualidade mesmo de chegar ao trabalho. E se não temos trabalho, tudo bem: a gente “se vira honestamente” e compra as coisas que queremos mesmo assim. E se fevereiro já passou, não importa: carnaval só no ano que vem, mas a ressaca da festa pode durar até o fim do ano. E, o mais normal, se existe uma lei que nos impede de fazer algo, não tem problemas, damos um “jeitinho” e fazemos o tal algo assim mesmo.

De fato, essa liberdade de agir, culturalmente elaborada, é uma das coisas que faz do Brasil um país tão interessante – tanto para pesquisar, quanto para viver. Agora, o problema é quando a gente usa disso para conviver com nossa falta de educação e de compreensão, de que, certas coisas, são proibidas por uma razão que deveria ser levada em conta. Esse é o caso das piadas racistas. Racismo é crime, como todos sabem, mas muitos contam e riem dessas piadas, dizendo: “que mal há?, a gente não é racista, só está se divertindo!”. Mas, vamos pensar sobre isso: racismo se trata de uma estratégia de dominação utilizada pela classe dominante, de cor branca, para dizer que a classe dominada, de cor negra, deveria ser dominada, pois sua cor – sua “raça” é o reflexo e comprovação de uma condição “naturalmente inferior”. Trabalhos de cunho científico, arrojados, foram escritos ao longo dos últimos séculos para comprovar tal tese da inferioridade da “raça negra” e, com isso, reafirmar que a estratégia de dominação classicista do branco sobre o negro era legítima. Agora, isso sim, parece piada.

Sabendo disso, eis que me deparo com a seguinte notícia na folha.com: “Show com piada racista termina em confusão na zona sul de SP” (ver notícia em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1061675-show-com-piada-racista-termina-em-confusao-na-zona-sul-de-sp.shtml). Esse artigo conta a história de um show de “stand-up” em que os espectadores, ao entrar no local de sua realização, assinavam um termo de compromisso dizendo que não se sentiriam ofendidas pelo conteúdo do espetáculo. E daí, lá dentro, tome piada racista! O conteúdo foi tão “divertido”, que um dos músicos da banda que acompanhava o espetáculo, o “único que não assinou o termo de compromisso”, se sentiu ofendido por ser negro e chamou a polícia. Agora, pensemos bem, se isso é mesmo piada.

O racismo é um dos piores problemas da humanidade de todos os tempos. A mera ideia de dizer que alguém é inferior porque sua cor reflete isso não deveria nunca ter sido tomada como séria, e o mero pensamento de se fazer piada em cima disso é o reflexo de uma falta de senso de fraternidade e consideração do próximo incrível! E, já que a pauta da falta de senso foi aberta, o mesmo pode ser dito de todo tipo de descriminação: contra LBTS, pobres, ciganos, populações rurais, mulheres em geral etc. Aceitar como lógica a ideia de que um ser humano é inferior a outro por expressar características físicas ou opções de vida distintas das nossas não tem lógica a princípio. E, novamente, utilizar desse tipo de lógica ilógica para dizer que tais grupos devem ser dominados não é comédia – é manipulação política, e quem faz precisa investir em sua própria formação e desenvolvimento como pessoa e como membro de uma sociedade.

Nosso país está, atualmente, em franco crescimento econômico. Mas, enquanto não melhorarmos nossa condição de pessoas; enquanto não investirmos de verdade na construção de uma sociedade que trate a todas e todos com o devido respeito, e proporcione qualidade de vida sem ofensas para seus cidadãos e visitantes; enquanto aceitarmos que piada racista é divertida; enquanto não encararmos nossas mazelas sociais; enquanto, finalmente, não investirmos na construção de um país verdadeiramente melhor para se viver, longe estaremos de poder dizer que o Brasil está se desenvolvendo e se tornando um lugar melhor para se viver.

Guilherme Nogueira | Coordenador Nacional da Juventude do CEN.

Rio do Macaco: Assembléia Legislativa realiza audiência pública

Da Ascom do deputado Bira Coroa
As comissões de Promoção da Igualdade e da Mulher do Legislativo baiano formarão uma comissão conjunta com a Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (SEPROMI) para acompanhar o andamento do processo que envolve a Marinha do Brasil e a comunidade de Rio dos Macacos. A decisão foi tomada na manhã dessa terça-feira (13) durante a audiência pública sobre o assunto, proposta pelos deputados estaduais Bira Corôa e Luiza Maia.
Durante o evento, marcado por opiniões divergentes, a Marinha do Brasil, representada pelo vice-almirante Carlos Autran Amaral, disse que as ações da entidade estão pautadas pela lei, e apresentou relatórios de órgãos como a Embasa, que teria atestado “inviabilidade técnica para abastecimento de água devido às condições topográficas e pressões na rede próxima”, informa o documento. Segundo Amaral, “mesmo que o Incra conclua se tratar de comunidade quilombola, as famílias não poderão conviver no local por questões ambientais e impossibilidade de melhorar as condições de vida delas no local”, advertiu.
Carlos Eduardo Lemos, coordenador da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais do Estado da Bahia (AATR) questionou as inviabilidades e os documentos apresentados pelo vice-almirante. “É estranho que não possa ter água ali naquela comunidade e existam outras pessoas morando naquela região, e que os registros de poluição não atestem que a comunidade é culpada”. Segundo Rosimere dos Santos Silva, moradora da comunidade, “os problemas existentes hoje são em decorrência das próprias dificuldades impostas pela Marinha”.
Jaime Guilherme, superintendente adjunto regional do Incra , informou que o órgão está concluindo a medição da área,e que já foram identificadas 75 famílias, e adiantou. “É uma região com características quilombolas. Há registro da existência da comunidade antes da chegada da Marinha. Digo isso a partir de antropólogos e estudos feitos na área”, pontuou. Para o secretário estadual de Promoção da Igualdade, Elias Sampaio, o relatório a ser apresentado pelo Incra terá caráter mandatário e será crucial para o andamento do caso. “O papel do Estado é minimizar os conflitos entre as partes envolvidas, e não há intenção de que essa tensão entre a Marinha e a comunidade continue”.
Segundo o deputado Bira Corôa, o objetivo era transformar a audiência é um instrumento para pautar o diálogo e buscar uma solução que contemplasse ambas as partes. “Todas as denúncias serão apuradas. Nós queremos compreender as razões da comunidade e também as da Marinha, buscar os aspectos de convergência e, certamente, discutir as divergências”, informou.
Vilma Reis, presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado da Bahia, protestou contra a forma como a Marinha vem conduzindo a situação. “Nós estamos aqui tratando de violação de direitos. O tratamento que a Marinha deu para empresas que estão instaladas naquela região, em agressão total ao meio ambiente, não está sendo dado à comunidade quilombola”. A deputada Luiza Maia cobrou uma mudança de postura da Marinha. “Não dá para continuar como está, impedindo as pessoas de plantarem, de ter acesso às coisas básicas”. Participou também a Defensoria Pública da União, representantes de movimentos sociais e deputados, dentre outros.

terça-feira, 13 de março de 2012

Por um Direito de resposta...

Resposta do Ilê Aiyê sobre Acusação de Machismo
Texto retirado do perfil oficial do bloco Ilê Aiyê no Facebook
Eles pensam que podem apagar nossa memória, mas a força do Ilê nos conduz nessa trajetória...
(Jocilee e Toinho do Vale)
Acredito que muitos já saibam da história de luta e resistência do Ilê Aiyê e que este nasceu dentro de um terreiro de candomblé, onde a figura feminina é mais que importante e muito respeitada. Desde a sua primeira saída no carnaval de Salvador, em 1975, o Mais Belo dos Belos, como ficou conhecido o Ilê, sempre teve a preocupação de levar a história do povo negro para as ruas e reafirmar sua força e beleza sendo este o primeiro bloco a expor exclusivamente as caras pretas na rua. Importante ressaltar que aqueles 120 pretos e pretas foram escoltados pela polícia, que questionava o que eles queriam, afinal, vivíamos naquela época o final da Ditadura Militar no país.
Liberdade? Igualdade? Justiça? Educação? O Ilê Aiyê nasceu em um período em que eram poucos os negros que tinham acesso a essas quatro palavras... Éramos minoria, e entre esta, estava Fernando Ferreira Andrade Filho, que enquanto fundava o primeiro bloco afro do Brasil, era o único negro da turma de medicina de 1975, na Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública, se formando em 1980.
Os temas do Ilê não são escolhidos aleatoriamente e nem são levados desta forma para a Avenida. É feita uma pesquisa meses antes, nossas diretoras, isso mesmo DIRETORAS, e nosso Presidente, viajam, pesquisam, colhem informações, convivem com as pessoas, para passar da melhor forma este tema para os associados e admiradores do Ilê. A entidade possui muitos associados fundadores, podemos chamá-los assim, e estes se orgulham em vestir a fantasia do bloco.
De fato, os dirigentes do Ilê se indignam ao ver as modificações que alguns associados fazem na fantasia, assim como os associados antigos culpam os dirigentes por não terem uma posição mais rígida com estes. O fato é que nosso diretor foi questionado por uma associada por conta da roupa transformada de uma foliã, afinal de contas o bloco sempre prezou pela uniformidade das suas fantasias. Fernando então, perguntou a esta foliã se ela não sentia vergonha de modificar a fantasia daquele jeito. Até por que quem é associado sabe que pedimos para evitar alterações que venham descaracterizar o modelo da fantasia. Para quem conhece o diretor Fernando Andrade sabe o quão educado ele é, mas falar baixo ao lado de um trio em pleno carnaval, já é pedir demais.
Não queremos calar a sua voz, mas não é justo que a trajetória de uma entidade tão séria seja atingida por suas palavras, e por mais que você desmereça a importância dos dirigentes, são estes que lutam anualmente para colocar o bloco na rua, e você não sabe o trabalho e desgaste que isso causa.
É um desrespeito com o Ilê Aiyê, com os associados e principalmente com as associadas que respeitam a entidade e não modificam suas fantasias. É um desrespeito também à memória de Mãe Hilda, que inclusive foi citada no texto da foliã.
O que mais nos surpreende é a quantidade de instituições sérias que publicaram o texto em seus sites e portais, sem o mínimo de apuração. Acreditamos que qualquer denúncia merece investigação, e sabemos que ninguém é culpado até que se prove o contrário. Nem mesmo uma entidade como o Ilê está imune de ser julgada e condenada por toda a sociedade. Esperamos que reflitam sobre o fato e analisem a nossa conduta nesses 38 anos de história.
Vale salientar que este foi um dos nossos melhores carnavais, tivemos uma ótima visibilidade na mídia, pois, de acordo com a pesquisa da MidiaClip, que calcula o tempo de exposição na TV durante o carnaval de Salvador em 24 emissoras locais e nacionais, o Ilê Aiyê figurou em terceiro lugar, atrás apenas do EVA e do Coruja de Ivete Sangalo. Fomos também o sétimo colocado em exposição no quesito artista/banda, provando que bloco de negão tem muito a oferecer a seus patrocinadores. Conseguimos também consolidar a segurança de corda, problema que vínhamos tentando resolver a algum tempo. Vimos nossos associados e associadas felizes, cantando e dançando com a nossa nova ala de canto formada por Jauncy, Iana Marucha, Iracema Kiliane e Marcos Costa, este último com uma estréia em grande estilo no nosso bloco.
As portas do Ilê Aiyê estarão sempre abertas para quem quiser chegar. Venha conhecer os nossos projetos educacionais, sejam voluntárias e voluntários, pois talvez a sua voz tenha mais força assim e mais pessoas possam ouvi-los.
Lá nos anos 70 ainda se ouvia
Que o negro era feio
Sem direito a alegria
Dete Lima aparece, junto ao Ilê então
Fazendo o corpo e a cabeça e a transformação
(Rita Mota)

Fonte: O Diário


Clique aqui. para entender o caso.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Audiência Pública na ALBA discute situação da comunidade Rio dos Macacos


As comissões de Promoção da Igualdade e da Mulher do Legislativo baiano realizam, nesta terça-feira (13), uma audiência pública para “tratar do litígio entre a comunidade quilombola de Rio dos Macacos e a Marinha do Brasil”. A comunidade está situada entre Salvador e Simões Filho, na Baía de Aratu, ao lado da Vila Militar da Marinha do Brasil, que reivindica a posse do terreno onde vivem cerca de 50 famílias.

“Vem acontecendo muita tensão na localidade. Junto com a presidente da Comissão da Mulher, deputada Luiza Maia, queremos resguardar o acordo feito com o governo federal, de garantia dos direitos dos moradores e da suspensão da ordem de reintegração de posse por cinco meses até a conclusão do relatório final do Incra”, disse o presidente da Comissão da Igualdade, deputado Bira Corôa (PT). O debate acontece no Plenarinho da Casa, às 9h:30, e já tem representação confirmada da Marinha, através do vice-almirante Carlos Autran Amaral.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Homenagem do CEN às Coordenadoras e a toda as mulheres


quarta-feira, 7 de março de 2012

Convite Oficial - Seminário do CEN em Pernambuco


Rio de Janeiro, 07 de março de 2012

Amigas e amigos,

É com muito prazer que o Coletivo de Entidades Negras convida as organizações nacionais do Movimento Negro, os movimentos afro-partidários, universidades, grupos culturais e sociais entre outros a participar do Seminário Nacional "Racismo, preconceito, discriminação e intolerância religiosa - Uma agenda fundamental para a política brasileira", que será realizado em Recife, PE, no dia 24 de março deste ano.

Em anexo segue o convite e pedimos que confirmem a participação junto à Coordenadora do CEN em Pernambuco, Lindacy Assis, cujo email é: lindacysilvaassis@yahoo.com.br 
Marcio Alexandre M. Gualberto 
Coordenador Geral do Coletivo de Entidades Negras - CEN/www.cenbrasil.org.br

terça-feira, 6 de março de 2012

Viva!!!

Oficinas gratuitas de audiovisual - Inscrições abertas!!!

Os estudantes e demais interessados em aprofundar os conhecimentos sobre produções audiovisuais têm de 5 a 12 de março para inscrever-se nas oficinas gratuitas do 2º Festival de Cinema Universitário da Bahia. Para participar basta preencher o formulário no site do evento: (http://www.cineuniversitariodabahia.com.br/).

As atividades contarão com a presença de profissionais renomados da área, a exemplo da diretora Cecilia Amado; a atriz, roteirista e produtora de elenco Cecilia Homem de Mello; o crítico Francis Vogner; o videomaker Igor Souto e do professor José Augusto de Blasiis, referência em Cinema Digital no Brasil.

O 2º Festival de Cinema Universitário da Bahia, que tem como objetivo estimular a discussão, produção e difusão do cinema universitário brasileiro, acontece em Salvador de 15 a 18 de março, com programação variada entre o Cine Cena Unijorge, Saladearte Cinema do Museu, Centro Cultural da Aliança Francesa e Centro Universitário Unijorge.

Promovido pela Multi Planejamento Cultural, o evento tem como patrocinadores a  Vivo (através do Programa Vivo Arte.Mov), o Governo do Estado da Bahia  (por meio da lei de incentivo Fazcultura) e o Banco do Nordeste (através da Lei Rouanet); e conta com o apoio da Unijorge.


Programa Vivo Arte.Mov

O Programa Vivo Arte.Mov reúne um conjunto de iniciativas em torno da chamada “cultura da mobilidade”, estimulando a criação, pesquisa, reflexão e difusão da arte em mídias móveis e mídias locativas. São projetos, eventos, colóquios, mostras, exposições, e o Vivo arte.mov - Festival internacional de arte em mídias móveis, o maior e mais importante do Brasil no gênero. Suas atividades acontecem em várias cidades do Brasil, valorizando a diversidade cultural brasileira e suas especificidades."

Fonte: http://comunikapress.blogspot.com/2012/03/oficinas-gratuitas-de-audiovisual.html

segunda-feira, 5 de março de 2012

QUILOMBO RIO DO MACACO

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