quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Fim do carnaval: e agora, quantas mulheres negras estarão na TV?


No carnaval, uma maior quantidade de mulheres negras na televisão é perceptível  – a começar pela Globeleza, cujo papel é representar a suposta “hipersexualidade” da mulher negra. O carnaval midiático encontra na figura da “mulata” a imagem ideal para promover uma festa onde a sexualidade entra de carro chefe. No entanto, independente da representação dada às mulheres negras no carnaval, após o período festivo elas simplesmente somem da televisão.
É possível contar nos dedos de uma mão as atrizes negras que ganham papéis de destaque em novelas, séries e outros programas televisivos, ou mesmo as que marcam presença nos comerciais. Quando aparecem, os nomes são sempre os mesmos; as atrizes negras que conquistam destaque na televisão são as poucas conhecidas de sempre e quase todas atendem ao padrão de “mulata” vendido pela mídia. São todas jovens, com traços faciais finos e corpos magros, de modo que não “choquem” demais a supremacia branca brasileira. O difícil é vê-las em papéis subversivos, que desafiem a lógica racista.
Ao contrário do que muitos sugerem, a solução para essa situação não é o boicote. Desligar a televisão e ignorar a programação das emissoras racistas, sem sequer comentar a respeito, não é a atitude que vai resolver o problema. Mais de metade da população brasileira é constituída por pessoas autodeclaradamente negras, muitas das quais assistem televisão – até porque também possuem o direito de escolher o tipo de entretenimento que desejam consumir. Por isso, o protesto é a única via possível para que as personagens negras criminosas e subalternas não sejam a única representação que a população negra encontra na TV.
Não podemos permitir que continue havendo programações inteiras dedicadas a humilhar e discriminar pessoas negras; é preciso fazer muito barulho para lembrar os senhores brancos, donos desses impérios midiáticos racistas, que não poderão mais representar as mulheres negras como “mulatas hipersexuais” sem que enfrentem protestos severos. Essa reação pode começar pelo simples ato de questionar a escassez de atrizes negras na televisão e os papeis limitados que lhes são concedidos.
Que o racismo e o machismo contra as mulheres negras brasileiras incomode cada vez mais.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2015/02/18/fim-do-carnaval-quantas-mulheres-negras-estao-na-tv/

Mulheres de Axé (categoria literatura) é um dos finalistas do Press Awards USA 2015

387.000 votos definiram os finalistas aos Prêmios de Arte & Cultura, 2015

Depois de 60 dias de votação – recorde de 387.889 votos – foram definidos os finalistas em cada uma das 22 categorias de Arte e Cultura, da 18a. edição anual do Brazilian International Press Awards.
Agora é a vez do Colégio Eleitoral, formado por mais de 200 representantes de mídias e entidades culturais, definirem os ganhadores do troféu “Newspaper Boy”, que será entregue na cerimônia marcada para o dia 9 de maio, no Amaturo Theater do Broward Center for the Performing Arts.
Confira a lista dos Indicados que, abaixo, estão listados em ordem alfabética:
Artes Visuais

Antonio Oliveira – NY
Didi Marchi – FL
Margarette Mattos – MA
Marina Lisita – NY
Soco Freire – FL

Fotografia

Fabiano Silva – FL
Jade Matarazzo – FL
Martha Sachser – NY
Sissi Rodrigues – MA
Toddy Holland – FL

Folclore

Cordão de Ouro – GA
Gabriella Barrett – MA
Gil Santos – FL
Raízes – TX
Silva’s Dance Company – NY

Teatro

“Infinito enquanto Dure” – NY
“Lucicreide nos EUA” – MA
“Natal Muito Especial” – MA
“O Cordel do Abraço” – MA
“Paixão de Cristo” – MA

Ator

Alberto Danuzio – NY
Andrew Callahan – CA
Leo Tatara – MA
Marco de Ornellas – NY
Robson Lemos – MA

Atriz

Alana Rosa – NY
Ana Carolina da Fonseca – FL
Andressa Furtletti – NY
Edel Holz – MA
Sabine Villatore – NY

Cinema & Video

“Mídia da Saudade” – FL
“Night Lost” – NJ
“O Cordel do Abraço” – MA
“Separation Sonnet” – NY
“The Laughing mask” – FL

Literatura

“Comando Verde” – FL
“De Quissamã a Hollywood” – FL
“Mulheres de Axé” – NY
“O Rapto do Galo”- MA
“Pagando Mico na AMérica” – NY

Esportes

Anderson Varejão – Basquete
Fredison Costa – Maratona
Hélio Castroneves – Automobilismo
Ramyller Alves – Motociclismo
Thiago Splitter – Basquete

Celebração do Brasil

Brazilian Day Festival / Atlanta – GA
Brazilian Fest Pompano Beach / Pompano Beach – FL
Brazil Fest Seattle / Seattle – WA
Brazilian Parade Utah / Salt Lake City – UT
Festival da Independência / Boston – MA

Evento Comunitário

Arraial da FVFP – FL
Brazilian Expo Boston – MA
Festa Junina Brasileira de Boston – MA
Festa Junina do Apostolado Brasileiro – Boston – MA
Semana Farroupilha – CA

Evento Cultural

ArtBrazil at ArtServe – FL
Brazilian Film Festival of Miami – FL
Expo Beatriz Milhares – FL
LABRFF – Los Angeles Brazilian Film Festival – CA
Valencia Brazilian Film Festival – FL

DJ

Alex Carioca – NY
Bóris – MA
Chris Brazil – CA
Luis Paulo “Lupa” – FL
Kabrini Halls – MA

Cantora

Fernanda Noronha – GA
Monika Oliveira – NY
Rose Max – FL
Simone Rosa – FL
Tatiana Monteiro – NY

Cantor

Alexandre Rezende – MA
Eduardo Mendonça – WA
Franklin Menezes – MA
Roberto Trevisan – NY
Rodrigo Costa – NJ

Grupos Musicais

Banda Azaração – MA
Batuke Samba Funk – FL
Brazilian Voices – FL
Clube do Choro de Miami – FL
Samba RJ – FL

Instrumentistas

David Cordeiro – NY
Diogo Brown – FL
Ebinho Cardoso – MA
Ramatis Moraes – FL
Thiago Tibério – NY

CD

“Canto da Sereia” / Regina Benedetti
“Fernanda Noronha” / Fernanda Noronha
“Fusion Crush” / SHazan apresentando Michelle Amato
“Rio, Choro & Jazz” / Antonio Adolfo
“Toda Bossa” / Joana Nova Iorque

Duplas

Guilherme & Santiago – MA
Luiz & Marlon – MA
Mizó & Mizael – NJ
Paulo & Ézio – NC
William & Wilmar – MA

Shows Locais

“Dance Forró” / Eliano Braz – NY
“In Concert” / Trio da Paz
“MPB” / Monika Oliveira & The Brazilians – NY
“Samba da Rose”/ Rose Max – FL
“The Girl from Ipanema” / Beatriz Malnic – FL

Shows on Tour

Aline Barros
Caetano Veloso
Lucy Alves
Milton Nascimento
Roberto Menescal & Marcos Valle

Instituição Cultural

Brazilian-American Center – MA
Brazilian Voices Foundation – FL
Centro Cultural Brasil-USA – FL
Evanston Escola de Samba de Chicago – IL
Fundação Vamos Falar Português – FL

O Brazilian International Press Awards USA 2015 é apresentado pela LATAM Airlines, com patrocínio da TV Globo Internacional e Banco do Brasil, apoio do Consulado Geral do Brasil em Miami e Broward Center for the Performing Arts. Tem parcerias com a American Organization of Teachers of Portuguese e com a ABI Inter (Brazilian International Press Association).

Nós somos a essência do carnaval. Nós somos povo negro, unidos pela mudança.


O carnaval enquanto espaço de disputa política é algo que deixa caricaturado o debate racial no estado da Bahia. Existem muitas cordas que, para além do que se faz visível, tentam enforcar a cultura negra no carnaval da Bahia. A prevalência do poder econômico no carnaval tem tornado esse debate cada vez mais acintoso, permitindo a continuidade da lógica da “casa grande”  x  “senzala”, reproduzida pelos luxuosos camarotes e cordas recheadas de brancos em contraponto aos reduzidos espaços e apoios da essência negra da folia africana.

A luta dos blocos Afros pela afirmação da cultura negra no carnaval remonta a história de enfrentamento pela libertação de 1888. A história se repete! Os senhores das casas grandes, detentores do capital as custas da exploração da força de trabalho negra, imprimem a lógica de um carnaval que tenta, a todo tempo, invisibilizar a dimensão e importância da cultura negra da/para Bahia. Em que pese os avanços obtidos por meio do Carnaval Ouro Negro, o Poder Público precisa ter maior inserção no carnaval negro da Bahia, o que significa, inclusive, colocar mais ouro para os blocos negros.

Noutro giro, artistas surgem no cenário do carnaval com uma nova linguagem e que, tomando por base a dimensão quantitativa dos foliões que os seguem, representam uma parcela da sociedade que está sob disputa política franca e aberta.  Igor Kannario é exemplo emblemático destes novos artistas. Intitulado “Príncipe do Gueto”, Kannario canta numa linguagem que, apesar de contestada por muitos segmentos, foi repetida em coro por significativa parcela da sociedade. Parece que a sociedade e o Poder Público têm o dever de mergulhar neste “gueto”, diferente, inclusive, de outros guetos, para que possa debatê-lo com muito mais propriedade do que a fala simplória e reducionista de que as letras cantadas por Kannario incentivam a criminalidade. Ou será que toda a legião de seguidores da pipoca do “Príncipe do Gueto” são incentivadores da criminalidade? Temos uma sociedade em disputa e não podemos ignorar que parte dela aplaude o Kannario.

O debate sobre a criminalidade ganha a sua forma consumada (o racismo) nos elitizados camarotes. O advogado Leandro Oliveira acusa o Camarote Planeta Band de discriminação racial, porém os crimes cometidos pelos senhores de engenho, ou ainda, ao seu mando, por capitães do mato, não ganham relevância, uma vez que, no “nosso carnaval”, o que prospera é invisibilidade ou negativação daquilo que vem do Gueto e das periferias negras. Fica evidente que alguns setores – não por acaso entusiastas do carnaval branqueado – preferem pautar as letras do Kannario ao invés dos crimes de racismo cometidos por aqueles que detêm o capital.

Enquanto isso, outros símbolos do carnaval, a exemplo do cantor Carlinhos Brown, se distanciam um pouco mais da realidade baiana da folia momesca. Algo do carnaval carioca parece ter atraído mais o “Cacique Brown” do que aquilo que a folia baiana pode proporcionar. Terá sido o samba? Mas logo o samba? Mesmo com a aplaudida iniciativa dos movimentos de samba baianos, o Palco do Samba da Cruz Caída, que teve o importante papel de reafirmar a negritude do ritmo e resgatar o espírito do carnaval enquanto uma festa de reunião de amigos e de famílias que vivem em torno das manifestações culturais? Cremos que aqueles que saíram de Salvador atrás de samba, logo o nosso samba, perderam apresentações culturais muito valiosas desse ritmo negro.

O carnaval da Bahia sinaliza a necessidade de mudanças! Mudanças que o valorize enquanto uma festa popular de referências negras, que permitam que blocos afros alcancem apoios dignos da representatividade cultural que possuem. Mudanças que repudiem o racismo cometido pela “casa grande” e que permitam que os “kannarios” tenham seus cantos identificados dentro do contexto de onde eles vêm. Mudanças que signifiquem uma presença maior do Poder Público nestes lugares, com mais políticas de cultura, educação e menos truculência policial. Mudanças que façam com que os representantes do Poder Público, a exemplo do prefeito de Salvador e do governador da Bahia, ouçam a voz da sociedade, começando pela participação de ambos na tradicional “Mudança do Garcia”, marcada pela concentração de manifestações sociais mais questionadoras e menos passivas.

Enfim, não estamos aqui para ver o carnaval passar.

Nós somos a essência do carnaval. Nós somos povo negro, unidos pela mudança.

Coletivo de Entidades Negras

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Mulheres de Axé contra a intolerância

carmem
(Mãe Carmem do Gantois em cena do documentário)De vestido branco rendado e sorriso maroto no rosto, Mãe Carmem de Oxaguiã, a sucessora da célebre Mãe Menininha do terreiro do Gantois, na capital baiana, analisa o poder feminino na religião afro-brasileira: “As mulheres dão conta do candomblé. A mulher sabe mandar… Com carinho, ela manda”. E vai desfiando os nomes das matriarcas antes dela, antes de sua mãe, e antes ainda… Guardiãs dos segredos dos orixás.Lançado em 2013, o livro Mulheres de Axé reuniu perfis de mais de 200 ialorixás (mãe-de-santo) de Salvador, região metropolitana e Recôncavo. E foi transformado em um documentário que o Socialista Morena reproduz com exclusividade. No tom calmo de falar, no jeito doce, a sabedoria das mulheres do candomblé contrasta com a perseguição e a intolerância que até hoje sofrem no Brasil os seguidores das religiões de matriz africana.
mulheresdeaxé
Embora desde 1939 tenha sido garantida a liberdade de culto no País, não é mais a polícia quem pretende destruir os terreiros de candomblé e umbanda –mesmo com o decreto de Getúlio Vargas, até 1976 havia uma lei na Bahia que obrigava os terreiros de candomblé a se registrarem na delegacia. Atualmente, quem persegue os seguidores das religiões afro-brasileiras é gente dita “cristã”: fundamentalistas evangélicos que disseminam o preconceito e o ódio aos fiéis do candomblé e também da umbanda.No ano passado, o Disque 100, número disponibilizado pelo governo para denunciar agressões aos direitos humanos, registrou 149 casos de intolerância religiosa, quase todos relacionados às religiões de matriz africana. Em 2007, foi instituído o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro), em homenagem à mãe-de-santo Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, do Ilê Axé Abassá de Ogum, no bairro de Itapuã.Em outubro de 1999, Mãe Gilda teve sua imagem estampada na primeira página da Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, sob os dizeres: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. No dia seguinte, seu terreiro foi invadido e depredado. Mãe Gilda acabaria morrendo dois meses depois, vítima de um infarto. A família da mãe-de-santo acabou obtendo indenização na Justiça contra a Universal, condenada a pagar 145 mil reais por danos morais.Agora que temos um fundamentalista evangélico no poder na Câmara dos Deputados, é preciso ficar alerta. Que bom seria se todo mundo pensasse como a Mãe Jaciara de Oxum, herdeira de Mãe Gilda: “Não existe uma religião melhor do que a outra. Seja Deus, Olorum, Javé ou Buda”. Assistam ao documentário de Marcos Rezende, é muito bacana.



Fonte: http://socialistamorena.cartacapital.com.br/mulheres-do-candomble-contra-a-intolerancia/

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A “ENERGIA NECESSÁRIA” E A LEGALIDADE RACISTA


Na madrugada do último dia 06 de fevereiro, a Polícia Militar do Estado da Bahia matou 13 pessoas em uma ação na Estrada das Barreiras, bairro do Cabula, capital baiana. Autoridades do Estado, incluindo o chefe do Poder Executivo informam não haver qualquer indício de ilegalidade, razão pela qual entendem não haver motivo para se cogitar o afastamento dos policiais envolvidos na ação. Em um primeiro momento, sem qualquer pretensão punitiva para com os policiais, podemos notar que a morte, por si só, significa, ou ao menos deveria significar, um indício de ilegalidade. No caso, tem-se 13 indícios de ilegalidade.
Não esquecemos que existem possibilidades em que a lei autoriza, inclusive no cumprimento do dever legal, a retirada da vida de outra pessoa. Mas o que observamos é que, nas periferias, o que deveria ser exceção é a regra cotidiana. As vidas se esvaem, os corpos se amontoam e sentenças são proclamadas pelos mesmos tribunais policiais e/ou governamentais, afinal “bandido bom é bandido morto” ou, pior ainda, suspeito bom é suspeito morto.
A pena de morte está legalizada no Brasil e muitas pessoas não se deram conta de que os apenados são sempre jovens negros de periferia. A adjetivação de um indivíduo como suspeito confere ao aparato policial o direito de matá-lo.
A vida é banalizada em nome da propriedade e da manutenção do status por ela conferido, seja por meio da sedução do tráfico, do consumo, seja por meio do descaso do Estado para com os nossos jovens. A sociedade se constitui numa lógica de disputas políticas, da valoração dos diversos capitais que a compõem, e o jovem é um capital em disputa na sociedade.
Porém, percebemos que o Poder Público atribui ao capital “jovem negro de periferia” quase nenhuma valoração, o que significa dizer que o Estado não investe esforços na disputa dos nossos jovens negros e que parte significativa da sociedade acompanha esta mesma lógica do descaso racista.
Outras instituições (entenda-se como uma estrutura que segue determinado modelo de organização), dentre elas o tráfico de drogas, investem intensamente na cooptação dos jovens de periferia, de modo que, ao olhar de muitos, o indivíduo relegado pelo Poder Público e por parcela da sociedade se torna um potencial “suspeito”. E, como se pode constatar da chacina da madrugada do último dia 06, ocorrida na capital baiana, para os “suspeitos” a pena de morte decretada pelos tribunais policiais é tida como uma conduta legitimada pelo Poder Público sob os paradigmas da legalidade.
É esse o modus operandi que, baseado na limpeza étnica, todos os anos atinge nossa cidade no período anterior ao Carnaval, mas também vigora no resto do ano, fruto de uma política de Segurança Pública que despreza a vida do jovem negro e coloca a proteção aos bens privados como prioridade. Fruto da manutenção de uma polícia militarizada e longe do cidadão. Fruto do racismo que está impregnado na estrutura do Estado.
Mantido no cargo pelo governador Rui Costa, o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, já demonstrou, em cinco anos da sua gestão, que está longe de ser o nome que irá levar à frente o tão importante processo de construção de uma polícia cidadã e não militarizada. Ao contrário, Barbosa sempre se coloca solidário às atitudes violadoras dos direitos humanos praticadas pela tropa.
Posicionamento igualmente não condizente com o modelo democrático de polícia que defendemos tem o novo comandante-geral da PM, Anselmo Brandão, que publicamente defendeu os agentes envolvidos na chacina sem mesmo mandar apurar a fantasiosa versão apresentada pelos policiais. O que aponta na direção da evidente falta de boa vontade política para trazer avanços à Segurança Pública da Bahia.
Enquanto isso, nos bairros nobres da cidade, tudo ocorre muito bem. Vez ou outra um assalto, algo normal dentro da lógica da desigualdade capitalista. A parcela mais abastada da sociedade, de bases escravocratas, exibe seus “sorrisos brancos”. Os pequenos burgueses, que acreditam que estão a realizar um grande serviço para a sociedade, comemoram mais um corpo negro estendido no chão.
Filhos da Liberdade, contraditoriamente antidemocráticos, esquecem as suas raízes e se colocam a serviço dos seus sonhos reprimidos: o Poder, que hoje se revela de fato na face do poder econômico.
Acreditamos que a melhor decisão para o governo do estado seria a manutenção de uma série de políticas que beneficiaram a população negra, políticas essas que não foram dádivas, mas fruto das décadas de lutas do movimento negro. Entretanto, em que pese termos avançado em vários setores sociais nos governos do PT e na gestão Wagner na Bahia, a área de segurança Pública sempre se mostrou frágil desde o primeiro momento.
Há 8 anos atrás, logo no início do governo Wagner, um fotógrafo do Jornal A TARDE registrou um policial pisando na cabeça de um jovem negro na praia de Ondina. A cena, que imediatamente nos remete à violência da escravidão, ficou marcada. Pior, deixou a mensagem de autorização e permissividade do absurdo. Os oito anos de Segurança Pública do governo Wagner foram sem respostas frente às diversas violações -- de Mãe Bernadete, jogada no formigueiro por policiais, passando pelo garoto Joel, atingido na cabeça durante uma operação policial no Nordeste de Amaralina, até os casos Dona Almidinda, Pai Anderson e o desaparecimento do jovem Davi Fiuza.
Agora, no início de um novo governo, no discurso de posse o governador Rui Costa criticou os maus policiais, o que gerou insatisfações na corporação, demonstrando muito corporativismo e pouco civismo. Desde então, Costa moderou o seu discurso e, na última sexta-feira, nos deixou estarrecidos ao naturalizar 13 mortes. Fica nítida a ação da polícia, de manter o governo refém das suas práticas de execução e extermínio, e a tônica do posicionamento do governador, que pode ser aquela que o guiará nos próximos 4 anos.
A sociedade civil não pode (nem vai) se calar frente a um estado de exceção policialesca. A ONU já se posicionou pedindo o fim das polícias militarizadas, do mesmo modo que o Projeto de Lei dá fim aos Autos de Resistência precisa ser votado em caráter de urgência.
Sim, colocaram preço na vida dos jovens negros! O preço de ser considerado “suspeito”, de se perceber transformado em algoz, quando nunca sequer quis ser vítima. O preço de ser “a carne mais barata do mercado”, de ser objeto do julgamento instantâneo do gatilho. O preço de ter a manutenção de sua vida nas mãos de um “artilheiro em frente ao gol que tem que decidir em alguns segundos como é que ele tenta botar a bola para dentro do gol e fazer o gol”, onde a bola são as balas e o gol os corpos negros.
Aos técnicos de futebol do Poder Executivo, cabe o julgamento da torcida, que entre vaias e aplausos, assiste à utilização da “energia necessária” a serviço de uma legalidade racista.
Contra o extermínio do nosso povo, não podemos dar nenhum passo atrás! Assine esse documento!
Vamos juntos solicitar uma reunião conjunta com o governador Rui Costa, o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, e o comandante da Polícia Militar da Bahia, Anselmo Brandão.
COLETIVO DE ENTIDADES NEGRAS - CEN

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O livro e documentário ‘Mulheres de Axé’ concorrem ao prêmio Brazilian International Press Awards


O livro e documentário ‘Mulheres de Axé’, que registram a trajetória de vida de religiosas de matrizes africanas da Bahia, estão concorrendo à 18ª edição do Brazilian International Press Awards, nas categorias ‘Literatura’ e ‘Cinema & Vídeo’. A premiação é voltada para artistas, personalidades, entidades e iniciativas que representam e promovem o Brasil nas mais diversas regiões dos Estados Unidos. O voto popular pode ser realizado até o dia 15 de fevereiro pelo http//www.pressawards.com/votacao.
Lançada em 2013, a publicação ganhou tradução para o inglês e foi lançada na cidade de Nova York no ano passado. A obra conta a história de aproximadamente 200 ialorixás de Salvador, Região Metropolitana e Recôncavo Baiano, sendo fruto da parceria do Coletivo de Entidades Negras (CEN), responsável pela organização, e do Governo da Bahia, por meio das secretarias estaduais de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), da Casa Civil e de Políticas para as Mulheres (SPM), além da ONG Ação pela Cidadania.
‘Mulheres de Axé’ valoriza a história de luta das lideranças para manter viva a tradição do povo negro e das religiões de matrizes africanas. O material destaca o esforço das ialorixás para manutenção das suas comunidades frente às diversas perseguições e invisibilidade histórica das mulheres do segmento. A lista com os finalistas será anunciada no dia 17 de fevereiro. Já a cerimônia de premiação acontecerá no dia 9 de maio, nos Estados Unidos.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Nota de falecimento: Mãe Irenea Sowzer

Foto retirada do Livro Mulheres de Axé

É com grande pesar que o Coletivo de Entidades Negras informa a todos e a todas sobre o falecimento da matriarca da família Bambogsè, Irenea Sowzer. Iniciada por Mãe Aninha, Mãe Irenea leva consigo parte da memória do povo de Santo, memória da qual figurou capítulos importantes da nossa história de luta e afirmação em prol da sobrevivência das religiões de matriz africana no Brasil. O povo brasileiro é tributário da história de vida dessa mulher negra que teve os passos de sua vida dedicados ao povo de Santo da Bahia e de todo o país.
No alto dos seus 94 anos de idade, com toda a lucidez própria dos filhos de Xangô, Irinea sempre tinha uma palavra de conforto e aconselhamento para os que buscavam suas palavras de sabedoria, algo que fazia por caridade e amor a Orixá. Os Orixás e os ancestrais estão em festa para receber a sua dileta filha, que agora junto a outras Iyás faz parte do panteão de ancestrais da nossa memória.

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