segunda-feira, 16 de março de 2015

“É preciso uma reflexão mais profunda sobre o que são políticas públicas LGBT”

Vinicius Alves, que assume a Coordenação do Núcleo de Políticas LGBT da Bahia, afirma também que é preciso construir uma resposta sistêmica aos altos índices de violência contra a população de lésbicas, gay, travestis e transexuais
Por Marcelo Hailer
Foi nomeado, na semana passada, o novo gestor da Coordenação do Núcleo de Políticas LGBT da Secretaria da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do governo do estado da Bahia. Trata-se de Vinicius Alves, 26, estudante de Estudos de Gênero e Diversidade na Universidade Federal da Bahia (UFBA), que também já foi secretários de Relações com os Movimentos Sociais da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), e também é membro de sua executiva representando a entidade no Conselho Nacional LGBT (CND-LGBT) e no Conselho Nacional de Juventude (Conjuve).
Em entrevista à Fórum, Vinicius Alves fala das prioridades de sua gestão. “Acredito que temos três grandes desafios históricos hoje para as políticas públicas LGBT. O primeiro deles é de uma reflexão mais profunda do que são políticas públicas LGBT e o que elas representam”, avalia Alves, que também considera necessária a construção de políticas públicas que atuem no sentido de diminuir a evasão escolar e falta de oportunidade no mercado de trabalho para travestis e transexuais.
“Temos já estudado o Programa Transcidadania, proposto e executado hoje pela prefeitura de São Paulo, através da coordenação de Políticas LGBT da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, como um modelo de intervenção sistêmica do Estado para reverter este cruel quadro que mantém na margem da violência e do estigma um contingente enorme de cidadãs e cidadãos trans”, revela o novo coordenador de políticas LGBT do governo estadual da Bahia. Confira abaixo a entrevista.
Fórum – Com a sua trajetória política, você já consegue imaginar as principais pautas, em um primeiro momento, de sua gestão?
Vinicius Alves - Acredito que temos três grandes desafios históricos hoje para as políticas públicas LGBT. O primeiro deles é de uma reflexão mais profunda sobre o que são políticas públicas LGBT e o que elas representam. Considero urgente construir um processo mais contínuo de reflexão e síntese entre movimentos LGBT, universidades e gestão pública, sobre esse novo campo de disputa institucional por direitos e cidadania. Os outros dois desafios têm a ver com a atual política vigente e norteadora destas políticas pública, que diz respeito à dimensão de sua institucionalização através dos tripés da cidadania LGBT (coordenação, conselho e plano/programa de diretrizes e ações políticas), e à construção de uma resposta sistêmica aos altos índices de violência contra a população LGBT através de um pacto nacional de enfrentamento às homofobias, que co-responsabilize União, estados e municípios, numa resposta necessária à vida destas pessoas.
Fórum – Travestis e transexuais sofrem com evasão escolar e por falta de oportunidade no mercado de trabalho. Na sua opinião, como o Estado pode intervir no sentido de reverter este quadro?
Alves – A Bahia esboçou algumas iniciativas nos últimos anos que tentaram produzir respostas neste sentido. A aprovação e regulamentação do nome social em toda a rede educacional pública (por meio de resolução aprovada no Conselho Estadual de Educação) e algumas iniciativas de cursos de formação técnica com foco nesta população trans foram embriões do que precisa agora ser aprimorado. Temos já estudado o Programa Transcidadania, proposto e executado hoje pela prefeitura de São Paulo, através da coordenação de Políticas LGBT da secretaria municipal de Direitos Humanos, como um modelo de intervenção sistêmica do Estado para reverter este cruel quadro que mantém na margem da violência e do estigma um contingente enorme de cidadãs e cidadãos trans.
Fórum – Geralmente, as políticas em torno das coordenadorias de políticas LGBT se concentram nas regiões centrais. De que maneira levar estas políticas às regiões periféricas? 
Alves – A Bahia tem um forte e organizado movimento LGBT que compõe o Fórum Baiano LGBT, hoje formado por 84 grupos e organizações. Na sua composição, há entidades que atuam nas regiões periféricas da cidade de Salvador, mas também há uma presença forte de entidades do interior do estado. Além dele, sabemos da existência de lideranças, empresárias/os e pessoas que organizam, a sua maneira, a demanda desta população em regiões mais periféricas. Fui convidado pelo secretário Geraldo Reis, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social para assumir a coordenação de políticas LGBT no governo da Bahia. De início acredito que o papel é abrir o diálogo com todas que topem construir o que norteou o programa de governo e as propostas eleitas junto com o governador Rui Costa: uma Bahia que respeite a diversidade sexual e de gênero. Tenho certeza que no diálogo franco e preocupado com as pessoas encontraremos os caminhos necessários para que o Estado faça gestão de suas políticas a quem mais precisa delas.
 Fórum – Qual é a sua opinião sobre as leis estaduais que punem administrativamente atos homofóbicos?
Alves – De partida todas as leis são importantes. Na Bahia, o primeiro projeto de lei neste sentido foi apresentado ainda no final dos anos 90, pela então deputada estadual Moema Gramacho (PT-BA), na nossa Assembleia Legislativa. Até hoje não conseguimos este marco aprovado aqui. Pessoalmente, acredito que ele poderia contribuir como uma fonte (precária, mas real) de financiamento de políticas de promoção e defesa dos direitos LGBT, uma vez que as multas aplicadas poderiam ser destinadas a algum fundo social existente ou a ser criado para este fim. Esse desenho precisa ser melhor realizado em diálogo com o poder legislativo e executivo, a sociedade civil organizada e a universidade, mas não é algo a ser descartado como instrumento que responda institucionalmente às violações de direitos cometidas contra esta população.
Fórum – Cada vez mais temos produtos culturais (filmes, série e novelas) abordando a questão LGBT. O que você acha disso?
Alves - Acho que com o crescimento (e acirramento) das lutas por cidadania e direitos LGBT, assim como com o avanço das pesquisas no campo da diversidade sexual e de gênero e a atual compreensão da dimensão da sexualidade e do gênero de maneira mais cotidiana na dinâmica da vida das pessoas, criaram novas condições para essas discussões, seja na porta de casa ou a partir dos produtos culturais a que você se refere. Obviamente, seja o papo da porta de casa, ou o que é produzido e reproduzido por meio destes produtos, cultura é fruto, em boa medida, da disputa pelas diferentes perspectivas e formas de compreender e lidar com as questões LGBT, de gênero, sexualidade etc. O mercado disputa fortemente a narrativa desses produtos culturais, que por sua vez orientam a vida de milhões de pessoas e instituições. Acredito que o papel do Estado deve ser o de fortalecer iniciativas, no bojo destes produtos, que joguem luz sobre perspectivas que hoje pouco são colocadas ou positivadas, na compreensão destes produtos, como vivências possíveis das questões LGBT ou da construção de identidades sexuais e de gênero.
Foto: Marcelo Hailer

CLÁUDIA SILVA: NÃO ESQUECEREMOS


Faz um ano, nesta segunda-feira (16), que perdemos Cláudia Silva. Cláudia tinha 38 anos, mãe de quatro filhos, negra e moradora do Morro da Congonha, periferia do Rio. Cláudia foi baleada no peito e depois brutalmente arrastada pela viatura da Polícia Militar por 350 metros, em Madureira. Até hoje o inquérito não foi julgado e os seis policiais acusados estão em liberdade.

Não podemos esquecer esta barbárie. Não podemos naturalizar o genocídio da população negra. Esta data nos deve lembrar que a luta pela garantia da dignidade é diária e que esta não deve ter CEP. 
À época, a Comissão de Direitos Humanos da Alerj e Marcelo Freixo receberam o marido, irmão e filha de Cláudia para prestar solidariedade e disponibilizar assistência psicológica e jurídica. O nosso mandato segue na luta para que a justiça seja feita aos seus familiares.
A memória de Cláudia resiste, em nome de toda a população negra, pobre, moradora de favelas e periferias, que sangra diariamente. Cláudia, não esqueceremos! 
Arte: Aline Valek
#EquipeMarceloFreixo

terça-feira, 10 de março de 2015

Religiosos denunciam Igreja Universal a órgãos de direitos humanos

O babalorixá baiano Sivanilton Encarnação da Mata, o Babá Pecê, líder espiritual da Casa de Oxumaré, entregou nesta segunda-feira, 9, ao Coletivo de Entidades Negras (CEN), uma carta aberta contra o grupo paramilitar Gladiadores do Altar, da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd).

No documento, o babalorixá descreve a preocupação dos religiosos de matrizes africanas com as recorrentes ações de intolerância religiosa promovidas pela igreja neopentecostal e pede a investigação, pelas autoridades brasileiras e estrangeiras, dos objetivos do grupo criado pela Iurd. 

Segundo a coordenadora de Religiosidades do CEN, a ialorixá Jaciara Ribeiro – que recebeu a carta das mãos de Babá Pecê em reunião entre a entidade e o líder religioso –, o documento será protocolado em órgãos nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), o escritório do Alto Comissário das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, o Ministério da Justiça (MJ), a Secretária Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

“Durante muitos anos, essa igreja vem ferindo e deixando profundas cicatrizes nos religiosos e comunidades de matrizes africanas. Essa violência precisa ter fim. A luta pela liberdade de culto é nossa, povo negro. Temos o dever de proteger nossa ancestralidade e cultura”, afirma Mãe Jaciara. A ialorixá se disse honrada com a escolha do CEN para promover a defesa da comunidade religiosa junto aos órgãos competentes. “Entendemos o responsabilidade de estar à frente dessa luta”.

De acordo com Baba Pecê, “o Coletivo de Entidades Negras foi criteriosamente escolhido para receber a carta e promover as ações necessárias, em virtude do comprometimento histórico na luta por políticas voltadas à defesa e promoção da liberdade religiosa, da alta credibilidade na área dos Direitos Humanos e o desenvolvimento de ações com repercussão internacional”.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Brasil – No combate a Intolerância Religiosa

Ao analisarmos os conflitos entre Israel e Palestina, poderíamos pensar a realidade dos dois países como algo impossível de ocorrer em nosso país, considerando a laicidade do Estado brasileiro.
No entanto, é de extrema importância que atentemos para essa possibilidade, à luz de acontecimentos que, no Brasil, cada vez mais beiram a estupidez e o fanatismo.
A formação de um exército denominado Gladiadores do Altar pela Igreja Universal nos leva a rememorar situações semelhantes às protagonizadas pelo Nazismo de Adolf Hitler, que exterminou milhares de judeus e cristãos, e pelo fundamentalismo islâmico de Maomé, que em muito se assemelha ao populismo do líder da organização acima citada, principalmente pela defesa de uma estrutura de governo baseada em seus princípios e convicções religiosas, onde todos estejam subordinados à reprodução de uma suposta verdade absoluta apresentada nas escrituras chamadas de sagradas.
A expansão da bancada evangélica não seria preocupante se esta se baseasse nos princípios constitucionais desta grande nação – a saber, a defesa do respeito às diversas crenças e orientações religiosas presentes no Brasil, traço da nossa diversidade cultural resultante de nossa formação étnica. Mas, contrários a esse princípio de pluralidade, políticos brasileiros levados ao poder pelos fiéis de suas igrejas reproduzem o racismo de forma clara e perversa.
A expansão da Igreja Universal do Reino de Deus pelo território nacional e ao redor do mundo se dá na mesma velocidade com a qual se reproduzem suas práticas de intolerância religiosa e violação aos direitos humanos, traço marcante do racismo presente nesse fundamentalismo cristão neopentecostal, exercido mais diretamente contra as religiões de matrizes africanas e contra as comunidades LGBT – tendo como uma das mais emblemáticas a agressão que termina tragicamente na morte da Iyalorixá Gildásia dos Santos, a nossa Mãe Gilda de Ogum, definindo a data do óbito da líder religiosa como Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa. – Lei nº 11.625/2007 Presidência da República.
Precisamos atentar e discutir práticas como a formação desse Exército de Gladiadores do Altar, sem a ingenuidade cristã notória nos discursos de “Jesus Cristo é o Senhor”, que mascaram o ódio e a apologia ao extermínio das religiões de matrizes africanas, mas precisamente a Umbanda e o Candomblé.  Ódio veiculado em diversos canais da concessão pública de rádio e televisão, contrariando os critérios constitucionais.
Carregamos a espada de Ogum, o machado de Xangô e produzimos a luta em defesa do povo negro. Sob o alá de Oxalá, produzimos a paz e a fraternidade. Então, não podemos admitir que o fundamentalismo cristão naturalize ou normatize as diversas violações contra os direitos humanos, ferindo a Constituição da Republica Federativa do Brasil e rasgando a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

CEN - Coletivo de Entidades Negras

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Fim do carnaval: e agora, quantas mulheres negras estarão na TV?


No carnaval, uma maior quantidade de mulheres negras na televisão é perceptível  – a começar pela Globeleza, cujo papel é representar a suposta “hipersexualidade” da mulher negra. O carnaval midiático encontra na figura da “mulata” a imagem ideal para promover uma festa onde a sexualidade entra de carro chefe. No entanto, independente da representação dada às mulheres negras no carnaval, após o período festivo elas simplesmente somem da televisão.
É possível contar nos dedos de uma mão as atrizes negras que ganham papéis de destaque em novelas, séries e outros programas televisivos, ou mesmo as que marcam presença nos comerciais. Quando aparecem, os nomes são sempre os mesmos; as atrizes negras que conquistam destaque na televisão são as poucas conhecidas de sempre e quase todas atendem ao padrão de “mulata” vendido pela mídia. São todas jovens, com traços faciais finos e corpos magros, de modo que não “choquem” demais a supremacia branca brasileira. O difícil é vê-las em papéis subversivos, que desafiem a lógica racista.
Ao contrário do que muitos sugerem, a solução para essa situação não é o boicote. Desligar a televisão e ignorar a programação das emissoras racistas, sem sequer comentar a respeito, não é a atitude que vai resolver o problema. Mais de metade da população brasileira é constituída por pessoas autodeclaradamente negras, muitas das quais assistem televisão – até porque também possuem o direito de escolher o tipo de entretenimento que desejam consumir. Por isso, o protesto é a única via possível para que as personagens negras criminosas e subalternas não sejam a única representação que a população negra encontra na TV.
Não podemos permitir que continue havendo programações inteiras dedicadas a humilhar e discriminar pessoas negras; é preciso fazer muito barulho para lembrar os senhores brancos, donos desses impérios midiáticos racistas, que não poderão mais representar as mulheres negras como “mulatas hipersexuais” sem que enfrentem protestos severos. Essa reação pode começar pelo simples ato de questionar a escassez de atrizes negras na televisão e os papeis limitados que lhes são concedidos.
Que o racismo e o machismo contra as mulheres negras brasileiras incomode cada vez mais.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2015/02/18/fim-do-carnaval-quantas-mulheres-negras-estao-na-tv/

Mulheres de Axé (categoria literatura) é um dos finalistas do Press Awards USA 2015

387.000 votos definiram os finalistas aos Prêmios de Arte & Cultura, 2015

Depois de 60 dias de votação – recorde de 387.889 votos – foram definidos os finalistas em cada uma das 22 categorias de Arte e Cultura, da 18a. edição anual do Brazilian International Press Awards.
Agora é a vez do Colégio Eleitoral, formado por mais de 200 representantes de mídias e entidades culturais, definirem os ganhadores do troféu “Newspaper Boy”, que será entregue na cerimônia marcada para o dia 9 de maio, no Amaturo Theater do Broward Center for the Performing Arts.
Confira a lista dos Indicados que, abaixo, estão listados em ordem alfabética:
Artes Visuais

Antonio Oliveira – NY
Didi Marchi – FL
Margarette Mattos – MA
Marina Lisita – NY
Soco Freire – FL

Fotografia

Fabiano Silva – FL
Jade Matarazzo – FL
Martha Sachser – NY
Sissi Rodrigues – MA
Toddy Holland – FL

Folclore

Cordão de Ouro – GA
Gabriella Barrett – MA
Gil Santos – FL
Raízes – TX
Silva’s Dance Company – NY

Teatro

“Infinito enquanto Dure” – NY
“Lucicreide nos EUA” – MA
“Natal Muito Especial” – MA
“O Cordel do Abraço” – MA
“Paixão de Cristo” – MA

Ator

Alberto Danuzio – NY
Andrew Callahan – CA
Leo Tatara – MA
Marco de Ornellas – NY
Robson Lemos – MA

Atriz

Alana Rosa – NY
Ana Carolina da Fonseca – FL
Andressa Furtletti – NY
Edel Holz – MA
Sabine Villatore – NY

Cinema & Video

“Mídia da Saudade” – FL
“Night Lost” – NJ
“O Cordel do Abraço” – MA
“Separation Sonnet” – NY
“The Laughing mask” – FL

Literatura

“Comando Verde” – FL
“De Quissamã a Hollywood” – FL
“Mulheres de Axé” – NY
“O Rapto do Galo”- MA
“Pagando Mico na AMérica” – NY

Esportes

Anderson Varejão – Basquete
Fredison Costa – Maratona
Hélio Castroneves – Automobilismo
Ramyller Alves – Motociclismo
Thiago Splitter – Basquete

Celebração do Brasil

Brazilian Day Festival / Atlanta – GA
Brazilian Fest Pompano Beach / Pompano Beach – FL
Brazil Fest Seattle / Seattle – WA
Brazilian Parade Utah / Salt Lake City – UT
Festival da Independência / Boston – MA

Evento Comunitário

Arraial da FVFP – FL
Brazilian Expo Boston – MA
Festa Junina Brasileira de Boston – MA
Festa Junina do Apostolado Brasileiro – Boston – MA
Semana Farroupilha – CA

Evento Cultural

ArtBrazil at ArtServe – FL
Brazilian Film Festival of Miami – FL
Expo Beatriz Milhares – FL
LABRFF – Los Angeles Brazilian Film Festival – CA
Valencia Brazilian Film Festival – FL

DJ

Alex Carioca – NY
Bóris – MA
Chris Brazil – CA
Luis Paulo “Lupa” – FL
Kabrini Halls – MA

Cantora

Fernanda Noronha – GA
Monika Oliveira – NY
Rose Max – FL
Simone Rosa – FL
Tatiana Monteiro – NY

Cantor

Alexandre Rezende – MA
Eduardo Mendonça – WA
Franklin Menezes – MA
Roberto Trevisan – NY
Rodrigo Costa – NJ

Grupos Musicais

Banda Azaração – MA
Batuke Samba Funk – FL
Brazilian Voices – FL
Clube do Choro de Miami – FL
Samba RJ – FL

Instrumentistas

David Cordeiro – NY
Diogo Brown – FL
Ebinho Cardoso – MA
Ramatis Moraes – FL
Thiago Tibério – NY

CD

“Canto da Sereia” / Regina Benedetti
“Fernanda Noronha” / Fernanda Noronha
“Fusion Crush” / SHazan apresentando Michelle Amato
“Rio, Choro & Jazz” / Antonio Adolfo
“Toda Bossa” / Joana Nova Iorque

Duplas

Guilherme & Santiago – MA
Luiz & Marlon – MA
Mizó & Mizael – NJ
Paulo & Ézio – NC
William & Wilmar – MA

Shows Locais

“Dance Forró” / Eliano Braz – NY
“In Concert” / Trio da Paz
“MPB” / Monika Oliveira & The Brazilians – NY
“Samba da Rose”/ Rose Max – FL
“The Girl from Ipanema” / Beatriz Malnic – FL

Shows on Tour

Aline Barros
Caetano Veloso
Lucy Alves
Milton Nascimento
Roberto Menescal & Marcos Valle

Instituição Cultural

Brazilian-American Center – MA
Brazilian Voices Foundation – FL
Centro Cultural Brasil-USA – FL
Evanston Escola de Samba de Chicago – IL
Fundação Vamos Falar Português – FL

O Brazilian International Press Awards USA 2015 é apresentado pela LATAM Airlines, com patrocínio da TV Globo Internacional e Banco do Brasil, apoio do Consulado Geral do Brasil em Miami e Broward Center for the Performing Arts. Tem parcerias com a American Organization of Teachers of Portuguese e com a ABI Inter (Brazilian International Press Association).

Nós somos a essência do carnaval. Nós somos povo negro, unidos pela mudança.


O carnaval enquanto espaço de disputa política é algo que deixa caricaturado o debate racial no estado da Bahia. Existem muitas cordas que, para além do que se faz visível, tentam enforcar a cultura negra no carnaval da Bahia. A prevalência do poder econômico no carnaval tem tornado esse debate cada vez mais acintoso, permitindo a continuidade da lógica da “casa grande”  x  “senzala”, reproduzida pelos luxuosos camarotes e cordas recheadas de brancos em contraponto aos reduzidos espaços e apoios da essência negra da folia africana.

A luta dos blocos Afros pela afirmação da cultura negra no carnaval remonta a história de enfrentamento pela libertação de 1888. A história se repete! Os senhores das casas grandes, detentores do capital as custas da exploração da força de trabalho negra, imprimem a lógica de um carnaval que tenta, a todo tempo, invisibilizar a dimensão e importância da cultura negra da/para Bahia. Em que pese os avanços obtidos por meio do Carnaval Ouro Negro, o Poder Público precisa ter maior inserção no carnaval negro da Bahia, o que significa, inclusive, colocar mais ouro para os blocos negros.

Noutro giro, artistas surgem no cenário do carnaval com uma nova linguagem e que, tomando por base a dimensão quantitativa dos foliões que os seguem, representam uma parcela da sociedade que está sob disputa política franca e aberta.  Igor Kannario é exemplo emblemático destes novos artistas. Intitulado “Príncipe do Gueto”, Kannario canta numa linguagem que, apesar de contestada por muitos segmentos, foi repetida em coro por significativa parcela da sociedade. Parece que a sociedade e o Poder Público têm o dever de mergulhar neste “gueto”, diferente, inclusive, de outros guetos, para que possa debatê-lo com muito mais propriedade do que a fala simplória e reducionista de que as letras cantadas por Kannario incentivam a criminalidade. Ou será que toda a legião de seguidores da pipoca do “Príncipe do Gueto” são incentivadores da criminalidade? Temos uma sociedade em disputa e não podemos ignorar que parte dela aplaude o Kannario.

O debate sobre a criminalidade ganha a sua forma consumada (o racismo) nos elitizados camarotes. O advogado Leandro Oliveira acusa o Camarote Planeta Band de discriminação racial, porém os crimes cometidos pelos senhores de engenho, ou ainda, ao seu mando, por capitães do mato, não ganham relevância, uma vez que, no “nosso carnaval”, o que prospera é invisibilidade ou negativação daquilo que vem do Gueto e das periferias negras. Fica evidente que alguns setores – não por acaso entusiastas do carnaval branqueado – preferem pautar as letras do Kannario ao invés dos crimes de racismo cometidos por aqueles que detêm o capital.

Enquanto isso, outros símbolos do carnaval, a exemplo do cantor Carlinhos Brown, se distanciam um pouco mais da realidade baiana da folia momesca. Algo do carnaval carioca parece ter atraído mais o “Cacique Brown” do que aquilo que a folia baiana pode proporcionar. Terá sido o samba? Mas logo o samba? Mesmo com a aplaudida iniciativa dos movimentos de samba baianos, o Palco do Samba da Cruz Caída, que teve o importante papel de reafirmar a negritude do ritmo e resgatar o espírito do carnaval enquanto uma festa de reunião de amigos e de famílias que vivem em torno das manifestações culturais? Cremos que aqueles que saíram de Salvador atrás de samba, logo o nosso samba, perderam apresentações culturais muito valiosas desse ritmo negro.

O carnaval da Bahia sinaliza a necessidade de mudanças! Mudanças que o valorize enquanto uma festa popular de referências negras, que permitam que blocos afros alcancem apoios dignos da representatividade cultural que possuem. Mudanças que repudiem o racismo cometido pela “casa grande” e que permitam que os “kannarios” tenham seus cantos identificados dentro do contexto de onde eles vêm. Mudanças que signifiquem uma presença maior do Poder Público nestes lugares, com mais políticas de cultura, educação e menos truculência policial. Mudanças que façam com que os representantes do Poder Público, a exemplo do prefeito de Salvador e do governador da Bahia, ouçam a voz da sociedade, começando pela participação de ambos na tradicional “Mudança do Garcia”, marcada pela concentração de manifestações sociais mais questionadoras e menos passivas.

Enfim, não estamos aqui para ver o carnaval passar.

Nós somos a essência do carnaval. Nós somos povo negro, unidos pela mudança.

Coletivo de Entidades Negras

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