segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Identidade africana é discutida em seminário

O cristianismo e a globalização têm sido responsáveis pela perda da identidade religiosa e cultural dos povos africanos. Wande Abimbola e Felix Omidire, professores universitários da Nigéria e estudiosos de línguas africanas, defenderam estas afirmações no último dia do seminário Criatividade, âmago das diversidades culturais – a estética do sagrado, na manhã de ontem, que também debateu a tolerância à diversidade cultural.
O evento foi uma homenagem aos 90 anos de mestre Didi, alto sacerdote do culto aos ancestrais africanos e filho único de Maria Bibiana do Espírito Santo, a mãe Senhora. Ela foi ialorixá do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, localizado em Salvador. Durante o seminário, foi exaltado o papel de mestre Didi na preservação e difusão dos valores culturais africanos na Bahia, principalmente em relação à língua.
“Mestre Didi é provavelmente o último remanescente afro-brasileiro que pode conduzir uma conversação fluente na língua yoruba”, afirmou Wande Abimbola. Após manifestações em sua homenagem, mestre Didi emocionou-se e abraçou os visitantes africanos.
As línguas africanas são de extrema importância para a difusão de seus valores culturais, afirmaram os palestrantes. Segundo Abimbola, a colonização do continente, que data do século XV, levou ao seu povo os costumes europeus, e hoje eles são mais assimilados pelos jovens locais do que a cultura de seus ancestrais africanos.
“Na maior parte do mundo, eles não aprendem a língua de seus pais. Os jovens usam as línguas européias, mesmo povo que nos colonizou e escravizou”, afirmou Abimbola, atribuindo à globalização a difusão de valores europeus e norte-americanos. O esquecimento das religiões africanas é outro problema. “A identidade religiosa de nosso povo está sendo mudada pelo cristianismo.
Em relação a isso, o Brasil está melhor do que os Estados Unidos, onde a maioria dos afro-americanos têm aderido às religiões cristãs e muçulmanas”, analisou Abimbola. Para ele, preservar a língua e a religião do povo africano é essencial à manutenção da sua cultura. PASSOS – Omidire considerou que o Brasil está dando importantes passos na difusão da cultura africana e citou a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de história e cultura da África nas escolas brasileiras.
“O Ministério da Cultura da Nigéria organiza anualmente a Conferência Global Africana. Em novembro deste ano, no Rio de Janeiro, será discutida a Lei 10.639 e sua implementação”, revelou Omidire.
No entanto, ele vê como um entrave as manifestações de intolerância religiosa, realizadas por igrejas evangélicas. “O mundo está se abrindo para todas as crenças, e esses grupos estão querendo se fechar cada vez mais”, criticou.
Para Omidire, é importante vigiar estas situações. “Os afro-brasileiros são corajosos ao enfrentar isso, através de passeatas e até na Justiça”, disse.
Fonte: Ìrohìn

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