sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Sessão especial da Câmara Municipal lembra os 30 anos do MNU

Por Anderson Sotero
Na última quarta-feira (27), em comemoração ao trigésimo aniversário do Movimento Negro Unificado, foi realizada, na Câmara Municipal de Salvador (BA), uma sessão especial com a participação de representantes do próprio movimento nos setores do governo, juventude, religião e trabalhista, entre outros. Dentre os presentes, Marcus Alessandro, coordenador nacional do MNU, Sandro Correia, da Secretaria Municipal da Reparação, Makota Valdina Pinto, do Terreiro Tanuri Junssara, o historiador Ubiratan Castro (Secretaria de Cultura), a secretária estadual da Promoção da Igualdade, Luiza Bairros, Marinalva Barbosa, do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos de Salvador, Suelen Araújo, do Fórum de Juventude Negra da Bahia, o deputado federal Luiz Alberto (PT), além da vereadora Vânia Galvão, proponente da Sessão.

Reflexões - A idéia de que no Brasil todas as etnias viveriam pacificamente, com direitos e oportunidades iguais serviu para a construção do mito da democracia racial. Para a educadora Ana Célia da Silva, uma das fundadoras do 1º Grupo de Educação do MNU, esses 30 anos de atuação do movimento serviram justamente para desmontar a ideologia que sustentava o mito da democracia racial. "Desde 1981, nós já trabalhávamos com o ensino da história e cultura afro-brasileiras nas escolas, até que a Lei 10.639 tornou isto obrigatório. Foi uma das conquistas do MNU. Apesar disto, a reação ainda é muito forte. O racismo não deixa de mostrar a sua cara e é muito cruel", afirmou Ana Célia.

A fundação do MNU representou um marco na história da luta contra as práticas de discriminação racial no país. Para Marcus Alessandro, coordenador nacional do movimento, o MNU "cumpriu uma tarefa importante de desmascarar o mito de que negros e brancos teriam igualdade de direitos e oportunidades. Construímos e participamos de projetos de ações afirmativas, mas não dá mais para suportar a chacina que a juventude negra vem sofrendo, principalmente em Salvador", ressaltou. O coordenador se referiu ao que militantes do movimento denominam de genocídio da juventude negra. "São negros e negras, sobretudo jovens da periferia, que são brutalmente assassinados diariamente. A campanha “Reaja ou será morta! Reaja ou será morto!”, implementada desde o ano de 2004, por exemplo, tem justamente como função mobilizar a sociedade para denunciar e exigir o fim do genocídio da comunidade negra no estado." Em suas considerações, já foi anunciado que, em Salvador, o dia 2 de novembro (mês da Consciência Negra) será lembrado como o Dia Nacional de Combate ao Extermínio da Juventude Negra. Em todo o país, as coordenações estaduais do MNU já se mobilizam com atividades voltadas para o resgate da história do Movimento e sua trajetória em cada região. Na programação, também já se articula a organização de um seminário internacional sobre o tama da reparação.

História - Em combate ao racismo e às seqüelas dos anos de escravidão, surgia, no Brasil, em meados de 1978, ainda sob os efeitos da ditadura militar, um movimento socialmente organizado com o nome inicial de Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial (MNUCDR). Hoje, o movimento que teve a sigla reduzida para MNU, completa 30 anos (18 de junho) de história e permanece como uma das principais organizações na defesa dos direitos da população negra
Fonte: Ìrohìn

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