sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Justiça ouve vítimas de agressões de skinheads na Rua Augusta


SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo ouviu na quarta-feira, os depoimentos sobre as agressões de grupo de skinheads a um policial e a um jovem negro. O crime ocorreu na Rua Augusta, em junho deste ano. Três agressores foram presos e são acusados de dupla tentativa de homicídio. A primeira audiência do caso, no Fórum da Barra Funda, zona oeste da capital, teve 10 depoimentos. Foram ouvidas oito testemunhas de acusação e as duas vítimas do crime.
Um dos depoimentos foi do delegado que decretou a prisão em flagrante dos acusados. Ele contou que teve que esperar vários dias até que o policial tivesse condições de falar e que, apesar dos anos de experiência na polícia, ficou chocado com a brutalidade da agressão. O policial Wilson Vasconcelos tentou ajudar o jovem que era agredido, mas acabou atacado pelo grupo. O rosto dele ficou desfigurado.
Na quarta-feira, o policial disse que lembra de pouca coisa porque foi agredido pelas costas.
- No que eu caí, eu senti uns chutes, mas já meio atordoado, desfalecido, aí já não lembro mais - disse Wilson Vasconcelos.
- Eu espero que haja uma resposta adequada no tocante à existência de grupos de intolerância na cidade de São Paulo - disse o promotor Carlos Roberto Talarico, responsável pelo caso.
O cabo teve o rosto desfigurado e precisou ser submetido a cirurgia plástica após ser agredido com soco inglês e barra de ferro.
A confusão começou quando um rapaz negro estava em um ponto de ônibus e foi avistado pelos skinheads. O grupo passou a intimidá-lo e agredi-lo com expressões racistas. O policial, que estava fora de serviço, tentou intervir e recebeu um golpe pelas costas, caindo no chão. O grupo passou a espancá-lo.
Um ciclista viu a gangue ao redor do policial, caído no chão, e avisou uma equipe da Força Tática da PM, que estava 500 metros à frente do local. Os agressores tentaram fugir com a chegada da polícia, mas foram apontados por testemunhas indignadas com a ação.
A tenente Jaqueline Ferraz de Paiva, do 7º Batalhão, que atendeu a ocorrência, afirmou na ocasião que dois dos detidos resistiram à prisão mesmo com a presença de cerca de 20 PMs e de seis seguranças de boates que resolveram ajudar a polícia. Somente um dos acusados, Cley dos Passos Costa, de 28 anos, portava documentos no momento da prisão. Todos os acusados de integrar o grupo de skinheads foram indiciados por tentativa de homicídio e injúria. Dois deles já tinham passagem pela polícia.
Fonte: O Globo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons