domingo, 14 de setembro de 2008

Recesso branco atrapalha doação de terreno a ialorixá

Mãe Rosa, ialorixá do Terreiro Oyá Unipó Neto, no bairro do Imbuí, derrubado em fevereiro por agentes da Prefeitura de Salvador, acompanhou atenta a sabatina do prefeito João Henrique.

Ela protagonizou encontro inusitado com o prefeito e cobrou promessas ainda não-cumpridas pela prefeitura. Da platéia do auditório onde ocorreu o evento, no Hotel Fiesta, no Itaigara, a mãe-de-santo questionou o candidato à reeleição com uma pergunta sobre quando o município vai, finalmente, doar para ela o terreno público em que o terreiro está instalado.

João disse que a promessa só não foi cumprida até agora porque a Câmara Municipal, onde tramita o projeto de doação, está em recesso “branco” por causa das eleições, quando poucas sessões têm quórum para votação.

Na resposta à liderança religiosa, João disse ainda que mapeou quase 1.200 terreiros de candomblé em Salvador e tombou cerca de 50 como patrimônio municipal.

Mas Mãe Rosa não se deu por satisfeita. No intervalo entre o segundo e o terceiro blocos, abordou o político para cobrar o andamento do processo e dizer que tem ido à prefeitura com freqüência, mas ninguém a recebe.

“Os orixás estão lá no chão”, disse, sobre as imagens santificadas que se quebraram na derrubada do templo e até hoje não foram recolocadas nos seus devidos locais de adoração.

O prefeito encaminhou o problema para Fábio Mota, secretário municipal de Serviços Públicos, que o acompanhava. Mota recorreu às “amarras da lei” para justificar o lento andamento do processo e pegou o número do celular de Mãe Rosa, prometendo um retorno. “É sempre assim, eles dizem que vão resolver, mas não fazem nada”, disse a ialorixá quando saía do evento.

IDIOMAS – Numa resposta sobre as estratégias para o turismo, o prefeito João Henrique disse que, há 20 anos, quando visitou o município de Porto Seguro, as crianças de 5 anos de idade de lá já falavam inglês e outras línguas.

“Cadê as nossas crianças falando outros idiomas para (se comunicar com) nossos visitantes?”, questionou.

Para resolver o problema, disse que pretende investir em qualificação profissional como forma de preparar os moradores de Salvador para melhor receber o turista.

A resposta tocou Mãe Rosa.
Ela evocou as raízes culturais da Bahia para contestar a idéia do prefeito. “Quando os portugueses chegaram aqui, as crianças falavam iorubá (língua de origem africana), e não inglês. Essa sim é nossa cultura”, indicou.

Fonte: Ìrohìn

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons