quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Empresária sofre agressão de cliente


Rosaneide Leão Teodoro saiu de casa na manhã deste domingo (12) para fazer a feira e terminou o dia na 6ª CP (Delegacia de Brotas), acusada de injúria qualificada, por ter usado expressões como “preta descompreendida” e ter dito que “preto tem que trabalhar no domingo mesmo porque é escravo”. Diversas testemunhas, entre elas uma garota de 11 anos, um carregador de supermercado e um funcionário de uma lanchonete afirmam que ela teria se referido à empresária Rita de Cássia Baraúna, de 45 anos, dessa forma.

O caso aconteceu por volta das 10 horas da manhã, na floricultura Cássia’s Flores, localizada na Rua Barros Falcão, 388, Brotas. De acordo com Rita de Cássia, proprietária da floricultura, Rosaneide estava apontando as pimenteiras com os pés e foi repreendida por ela.
“Disse ainda que não iria comprar mais e eu respondi que as flores agradeciam. Foi então que minha neta disse ter ouvido ela me chamar de preta descompreendida”, conta a empresária.
Ubirajara Baraúna, marido de Rita de Cássia, explicou que entrou na floricultura no momento da discussão. Depois disso, Rosaneide saiu da floricultura, atravessou a rua e se dirigiu ao Bompreço logo adiante. Minutos depois, o funcionário de uma lanchonete, que preferiu não se identificar, e o carregador de compras do Bompreço, identificado apenas como Noel, chegaram à floricultura dizendo que uma mulher estava difamando a dona da floricultura “dizendo que preto tinha que trabalhar no domingo mesmo porque é escravo”, relatou.

Recusa – Foi então que Ubirajara telefonou para a polícia para prestar queixa. Uma equipe da Rondesp, viatura 4116, liderada pelo sargento PM Beligari, estava de ronda pela área e chegou ao Bompreço minutos depois. “Ela negou o fato e se negou a entrar na viatura para ser conduzida à delegacia, tratando os policiais com muita arrogância. Informamos que ela seria conduzida de qualquer forma, mas preferimos não levá-la à força”, disse.
Rosaneide foi conduzida a pé do Bompreço até a 6ª CP, uma distância de cerca de 300 metros. “Disse a ela que, se tivesse dado voz de prisão, ela seria autuada por desobediência e desacato”, informou o sargento Beligari, ressaltando que recebeu ameaças da mulher.
De óculos escuros e roupas de marca, e acompanhada do filho adolescente, Rosaneide Leão não quis falar com a imprensa. Ela apenas negou que tenha cometido atos racistas, reclamou do constrangimento de ter sido abordada por quatro policiais e fez ameaças. Os depoimentos de Rita de Cássia, Ubirajara, Noel e Rosaneide (o funcionário da lanchonete não prestou depoimento, alegando medo de represálias) foram tomados pelo delegado Antonio Carlos Leão. Depois de ouvir os envolvidos, o delegado decidiu indiciar Rosaneide por injúria qualificada, em um inquérito regular. Ela responde ao processo em liberdade.
A família Baraúna promete entrar em contato com movimentos sociais ligados à luta pelos direitos dos afrodescendentes, como o Movimento Negro Unificado, e fazer protesto contra os constantes atos de discriminação dos quais são vítimas. “Tem gente que quebra vasos de flores e fala para a gente dizer ao nosso patrão que fomos nós”, reclama a empresária Rita de Cássia. A floricultura existe há sete anos, administrada pela família.
Fonte: A Tarde

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons