quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Palmares: Onde o Brasil aprendeu a liberdade


Onde o Brasil aprendeu a liberdade

Jagas
Jagas - primeiro grupo étnico Palmarino

Considerado o maior estado negro independente das Américas devido à sua extensão, organização e estrutura de comando, o Quilombo de Palmares pode ter surgido na Serra da Barriga, entre Alagoas e Pernambuco, em 1600, de acordo com alguns historiadores, entre eles, Ivan Alves Filho, que redimensionou diversos aspectos estratégicos da resistência negra ao colonialismo português, no livro "Memorial dos Palmares" ( Xenon, RJ, 1988).

Também não há precisão sobre o número exato de escravos fugitivos que formaram inicialmente os primeiros aglomerados palmarinos, mas especialistas no assunto acreditam que as diversas cidades quilombolas de Palmares - podem ter existido mais de 20 - abrigavam entre 20 a 30 mil pessoas, em geral, dissidentes da ordem colonial como escravos, mulatos, mamelucos, índios, brancos sem eira nem beira, que encontraram nestas comunidades oportunidades de serem reconhecidos como cidadãos com direitos.

O primeiro núcleo palmarino foi constituído por 40 escravos bantos que fugiram para a Serra da Barriga, no final do século XVI, após rejeitarem a crueldade do sistema escravista. Ali, com o passar dos anos, o núcleo foi sendo engrossado por outros fugitivos do sistema colônia - baseado no cultivo da cana-de-açúcar - e sendo movido através do férreo controle penal, constituído por castigos, torturas e punições mais diversas para arrancar produtividade do escravo.

Serra da Barriga
Serra da Barriga

Assim, já no primeiro quartel do século XVII, Palmares se constituía numa sociedade antagônica ao colonialismo português, e passou, assim, a enfrentar as diversas tentativas de destruição dos agrupamentos quilombolas que passam a ter vida própria, uma certa autonomia e se constituiu numa ameaça séria ao sistema escravista.

Segundo Freitas (1988: 157-158), os primeiros quilombolas de Palmares eram originários de Angola e pertencentes a tribo dos jagas. Para Freitas, tratava-se de um povo indomável e amante da liberdade que durante muitos anos - especialmente sob o reinado da famosa rainha Nzinga ou Ginga Bandi - deixou os portugueses em constantes sobressaltos durante o processo de colonização de Angola.

Em vista disso, segundo ele, os portugueses, por questões de segurança em Angola, acabaram exportando para a colônia brasileira, no século XVI, os jagas beliciosos, que, só admitiam a "liberdade absoluta" (1988: 159). Já, em meados do século XVII, Palmares toma corpo e se torna um estado negro dentro da colônia brasileira. Deste período, os historiadores só conseguiram reconstituir parte do governo de Ganga-Zumba, o rei palmarino de grande força, poder e capacidade militar.

O meio-ambiente de Palmares

A respeito da região privilegiada que ocupava Palmares, vejamos, neste sentido, como Carneiro (1966: 17-18) descreve esta grande local, entre os estados de Alagoas e Pernambuco, que, naquela época, formava apenas a capitania de Pernambuco:

Rios - meio ambiente de Palmares

"Extrema fertilidade caracterizava essas matas, cortadas por amplo sistema potamográfico, representando principalmente pelos rios Ipojuca, Serinhaém e Uma, em Pernambuco, e pelos rios Paraíba, Mundaú, Panema, Camarajibe, Porto Alvo e Jacuípe, em Alagoas, com os seus afluentes e tributários. Com as primeiras chuvas do inverno esses rios enchiam e, entre maio e julho, transbordavam. A terra era boa e até mesmo montanhas eram de barro vermelho e os vales e as grotas estavam recobertos de uma 'crosta de terra escura, rica em húmus e matéria orgânica', também comum nos rios, nos alagadiços e nas margens de rios e regatos - provavelmente de aluvião.

A floresta estava povoada de árvores frutíferas - e ali se encontravam jaca, laranja, manga, lima da Pérsia, lima de umbigo, laranja-cravo, fruta-pão, cocos de praia, abacate, pitanga, limão, melancia, mamão, ananás, abacaxi, araçá, jenipapo, trapiá, jaracatiá, pitomba, sapucaia...

Tamanduá - meio ambiente de Palmares
Tamanduá - meio ambiente Palmarino

Em meio a essa mata movimentava-se uma variada população animal, desde a suçuarana até a onça pintada; jaguaritica (gatos-do-mato), tanto os vermelhos como os maracajás; antas; guarás; gauxinis; raposas, veados, pacas, cotias, queixadas, caetitus, quandus, coelhos, preás, tatus(tatu-peba, tatu-bola), tamanduás-mirins, quatis, preguiças, cassacos, gambás... peixes de rio, traíras, carás, jundiás, caborges, carapós, piaba, muçus...Nos brejos do Paraíba, encontravam crustáceos como pitus, caranguejos e aruás. Por vezes, avistavam-se as faces dos jacarés. Por entre as matas, arrastava-se enorme variedade de cobras, desde a cobra coral (inclusive a cobra-rainha) até a cascavel, a surucucu, a jararacuçu (nas variedades pico-de-jaca e malha-de-fogo), a jararaca (até mesmo a chamada do rabo-branco), a jibóia, a caninana, a jericoá, a papa-ovo, a cobra verde...Passarinhos de vários cores e tamanhos enchiam com seu canto a solidão dessas matas - sabiás, bicudos, canários, curiós, brejais, papa-capim, cardeais, arumarás (chopins), xexéus, guriatãs... aves de maior porte, aquáticas como socó-boi, o carão, a jaçanã, a sericória, o pato mergulhão, o paturi; galináceas como a nambu, a pomba-três-cocos, a inhacupé, a juriti; aves de maior amplitude de vôo como as aracuãs, as acuãs, as xardigueiras...

Era essa região abençoada o valhacouto dos negros palmarinos.

Nas matas os negos encontravam todos os elementos necessários á sua vida. Das plumas das palmeiras, de três metros de comprimento, fabricavam coberturas para suas chopanas, faziam chapéus, esteiras, vassouras, cestos, abanos. Com a imbiriba, faziam imbiras. O canzenze, uma leguminosa de fácil ignição, mesmo quando verde, era usada principalmente como pau de fachear. Podiam utilizar-se também da pininga, cujo miolo, enterrado mesmo em lugares úmidos "dura mais de cem anos", para a fabricação das suas casas. Com a entre-casca das árvores, os negros faziam as suas vestimentas rudimentares, pelo que contavam os holandeses. Provavelmente essa vestimenta era muito sumária, cobrindo apenas os órgãos genitais. Quando a delegação de palmarinos foi prestar vassalagem ao governador Pedro de Almeida, em 1678, os negros traziam "cobertas" as partes naturais, como costumam, uns com panos, outros com peles, de acordo com um documento da época"

As cidades-quilombolas

Mocambo Quilombola

O quilombo de Palmares era formado por mais ou menos 10 povoações perfazendo um total de 30 mil habitantes de diversas etnias. As cidades tinham funções especificas, e muitas delas, duravam pouco tempo, em virtude da ação repressiva das tropas coloniais. Subupira, por exemplo, não era uma cidade-moradia, mas um território de treinamento militar, onde, ali, os jovens aprendiam técnicas de guerra destinadas a enfrentar as tropas portuguesas. Já Macaco, situada na região central de Palmares, era a capital do sistema quilombola, onde, geralmente, ficava o Grande Chefe ou Rei do quilombo. Macaco tinha funções administrativas e políticas. Assim, as principais cidades-quilombolas eram as seguintes:

  • MACACO, situada sobre a serra da Barriga. Tinha mais de 1.500 casas e 8 mil moradores. Era a capital do estado negro por ser estrategicamente inexpugnável.
  • AMARO, ficava a 54 Km a noroeste da cidade Serinhaém.
  • SUBUPIRA Distante 36 Km de Macaco, tinha 6km de extensão. Estava delimitada por três montes. Era a cidade militar, onde treinavam os futuros guerreiros do quilombo.
  • OSENGA. Situava-se entre os rios ribeirinhos Paraibinha e Jundiá. Distava cerca de 20 Km a oeste de Macaco.
  • ZUMBI. Situava-se a 96 km a noroeste da cidade colonial de Porto Calvo. 5.
  • ACOTIRENE. Estava a 30 km ao norte de Zumbi e 180 km a noroeste de Porto Calvo.
  • TABOCAS- Vizinha a Zumbi.
  • DANDRABANGA A 84 km de Tabocas.
  • DOIS IRMÃOS- Perto de Acotirene.
  • ANDALAQUITUCHE- . Ficava a noroeste de Alagoas, 150 Km, na serra de Cafuxi.

A religiosidade

Não há ainda pesquisas mais determinadas sobre o grau de religiosidade praticado nas terras palmarinas. Em geral, os pesquisadores tendem a reproduzir informações dadas em documentos pelas expedições militares, que, ao destruir os quilombos, encontraram, num deles, imagens católicas.

De acordo, então, com Carneiro, os palmarinos tinham uma religião mais ou menos semelhante à católica. No mocambo do Macaco, possuíam uma capela onde os portugueses encontraram três imagens: uma do menino Jesus, "muito perfeita", outra da Senhora da Conceição e outra de São Brás.

Essa casa de oração já tinha sido avistada pela expedição de holandesa de Blaer-Reijbach que tentou destruir Palmares em 1645. "Ensinavam nos Palmares algumas orações cristãs, mas secretamente as práticas religiosas deviam ser uma incrível mistura de catolicismo popular, tingido de todas as superstições da Idade Média, e de invocações de fundo mágico. Não era permitida a existência de feiticeiros no quilombo", de acordo com Carneiro (1966: 27).

Hierarquia/Governo

De acordo com Freitas, o título de "Rei" em Palmares, no início de constituição da sociedade quilombola, não era eletivo, mas hereditário, obedecendo costumes dos jagas (1988: 170). O Rei, cujo título nobilárquico era Zambi ou Zumbi, estabeleceu a capital do governo no centro do território quilombola, para facilitar a relação entre os seus régulos, também ficar próximo de Porto Calvo a fim de manter relações comerciais com as povoações de brancos distantes dos núcleos mais urbanizados da capitania que também era ponto central dos traficantes e negociantes de toda a orla marítima.

Assim, em Palmares, o governo era centralizado na figura do Rei ou Grande Chefe. Todos obedeciam a Ganga Zumba, um dos primeiros grandes líderes, ou a Zumbi, que o sucedeu. Zumbi, no entanto, foi o primeiro líder do quilombo cuja indicação não partiu da linhagem da casta dos jagas, já que era brasileiro e tomou o poder à força, descontente com as articulações de desarmamento e paz empreendidas por Ganga-Zumba, em 1678 (Freitas: 1988).

Desse modo, o Rei quilombola ou o Grande Chefe, era servido pela sua corte de dignitários que se reuniam em conselho todas as semanas para resolução de problemas que se apresentavam na vida coletiva, e também de preparação para a vida futura. Cada cidade tinha um governador ou chefe, e todos faziam parte do Conselho dos Chefes, que se reuniam com o Rei ou Grande Chefe para tomada de decisões importantes, como mudar a estratégia de enfrentamento das cidades-quilombolas.

No entanto, houve conjunturas históricas, nas quais, o quilombo preferiu ser "móvel", isto é, indo se instalar, de lugar em lugar, na fuga da repressão. Em outras circunstancias, o quilombo era "permanente", e por isso, tinha capacidade de enfrentar e domar os ataques das tropas coloniais.

Na visão de Filho (1988: 15-16) , o estado palmarino tinha também suas estruturas pouco democráticas. Sobre as bases materiais quilombolas, erguia-se, segundo ele, um conjunto de instituições, valores, normas e regras de comportamento que devia pautar o modelo de vida de todos aqueles que se abrigavam em Palmares, sob a pena de serem aplicadas duras lições simbólico-políticas nos rompedores das normas implantadas em Palmares.

Ou seja: o regime político palmarino, segundo ele, nada tinha de liberal. Neste caso, punia-se com pena de morte: a deserção, o roubo, o estupro, o homicídio, o adultério e a traição. Este fato, explicou Filho, refletia as contingências de uma comunidade em guerra continua contra o colonialismo.

Sobre a disciplina em Palmares, vejamos Freitas explica a questão (1988: 177-178):

Se não fosse a rígida disciplina implantada pelo soberano negro em todos os sobados , disciplina sem tirania, disciplina consciente em busca da ordem e da coesão coletiva, a federação palmarina teria se tornado um conglomerado de indivíduos madrastos e imorais, de salteadores e de ladrões, pela facilidade que a terra oferecia para a manutenção da vida sob todos os aspectos da fartura. O sistema de governo centralizado, a distribuição de justiça com organização de tribunais regulares, a assistência religiosa, a moralidade implantada pelos capitães de milícia, a proibição da feitiçaria, as penas de morte pelos crimes de roubo, de adultério, de deserção, tudo isso, evitou a fatal regressão das raças aquilombadas em terra tão amena e dadivosa e salubre.

E Filho, por sua vez, detalha (1988:17-18)

A opção pela coesão máxima do grupo já estava expressa desde a segunda etapa de existência do Quilombo dos Palmares, com a instituição de um Chefe, eleito com base numa avaliação de "reconhecimento", de maior valor experiência.

Estrutura militar

Não se sabe muito sobre Subupira, a capital militar de Palmares. Acredita-se que ela ficava numa montanha de difícil acesso para impossibilitar, neste sentido, sua invasão pelas tropas governamentais ao campo de treinamento de guerra quilombola.

Nesta cidade, se destacavam as oficinas dos ferreiros, que produziam os machados, foices, martelos, facas, lanças, arcos e flechas. Estas oficinas abasteciam com armas os exércitos palmarinos, beneficiados pela grande riqueza de ferro em suas terras.

A respeito deste fato, então, é possível recorrer mais uma vez a Filho:

O ferro existia em abundancia em certas partes do território palmarino. (...) A utilização do ferro, a partir dos primeiros anos da década de 1630, contribuiu para dividir caracteristicamente a sociedade em camponeses, artesãos, guerreiros e funcionários. (...) Além da fabricação de foices, martelos e facões do mato, ali se instalaram oleiros e cultores de madeira, cujos trabalhos teriam, objetivo ao mesmo tempo artístico e utilitário. Sabe-se que também se fabricavam utensílios domésticos. (1988:14-15)

Décio de Freitas ( 1978: 219), por seu turno, destaca que nos documentos oficiais a Corte se referia em diversas passagens a uma figura enigmática que estaria ao lado de Zumbi, organizando a defesa de Palmares, depois de 1678. Era um capitão mouro, que, não se sabe como, teria ido parar em Palmares e teria aderido aos propósitos políticos de Zumbi.

Assim, este mouro teria implantado em Palmares a concepção de defesa militar dos mouros, com o sistema de paliçada cercando o quilombo, e até uma espécie de sistema de fosso, para impedir que os atacantes se aproximassem das cercas dos quilombos.

Coincidentemente, assim, os quilombos palmarinos, com a gestão de Zumbi, deixaram de ser " móveis" para serem " fixos", ou seja, passaram a enfrentar com mais segurança e determinação as tropas portuguesas. Foi, dessa forma, impondo dezenas de derrotas aos portugueses, que se Zumbi se tornou uma figura ultra-comentada na Corte e se tornou um ser imortal para os habitantes da capitania de Pernambuco.

A contratação de espiões e de informantes foi uma tática persistente bastante empregada pelas lideranças de Palmares. Praticamente, em toda a capitania, os palmarinos dispunham de escravos, comerciantes ou moradores pobres que informavam ao quilombo quando estava sendo organizada uma expedição militar para destruição dos aglomerados quilombolas.

Em troca destas informações, em muitas oportunidades, os palmarinos deixavam os habitantes cultivarem o solo em determinados trechos da terra quilombola e trocavam as informações por armas, munições, roupas, entre outros quesitos de subsistência.

Desse modo, em diversas ocasiões, as tropas oficiais, antes de se aproximarem dos quilombos, já eram alvos de ataques, de desestimulo e de armadilhas montadas pelos quilombolas.

A surpresa do contra-ataque fora uma das armas mais vitais dos quilombolas, que, desse modo, se aproveitavam da desorientação dos soldados para impor derrotas doloridas.

Grandes lideranças

Embora tenha resistido durante 120 anos - versão de Ivan Alves Filho -, Palmares, no entanto, consagrou para a história duas grandes lideranças, GANGA-ZUMBA e ZUMBI, embora o estado negro tenha tido outros nomes de destaque que não apareciam nos documentos oficiais do colonizador. Depois da destruição de Palmares, a Corte ainda se viu em apuros para conter a continuação do quilombo, e neste momento, outra liderança se destacou, CAMOANGA, citado em diversos documentos como continuador da saga de Zumbi.

Segundo Freitas, o próprio Ganga Zumba dispunha de um conselho de chefes muito poderosos. O próprio nome dos quilombos - Amaro, Aqualtune, Andalaquituche etc - eram os próprios nomes dos governadores destas aglomerações. Freitas diz que Aqualtune era a mãe de Ganga-Zumba. O próprio Rei tinha outros irmãos que gozavam de grande prestigio guerreiro e administrativo no estado palmarino.

Quase nenhum estudo consegue estabelecer o momento no qual Ganga-Zumba se torna o Grande Chefe ou Rei de Palmares. A presença de Ganga-Zumba nos registros em documentos oficiais aparecem muito entre os 1677-1678, quando, ele, adere ao colonialismo português, com o fim de preservar as famílias quilombolas nascidas em Palmares. Ele e seus generais tinham ganho benesses do exercito colonial , o que deixou Zumbi inconformado.

Ganga-Zumba era filho da africana Aqualtune, cujo nome também denominava uma povoação palmarina, e que, segundo Carneiro, o líder palmarino pré Zumbi vivia com três mulheres, duas negras e uma mulata. As duas primeiras eram estéreis, explica Carneiro, mas com a mulata teve muitos filhos - quatro ou cinco, pelo que se sabe. Tinha dez netos. Um dos seus filhos, Toculo, tombou em combate, em 1677; dois outros - Zambi e Acaiene - foram presos por Fernão Carrilho na mesma ocasião. Em 1678, um outro filho do rei, chefiava a embaixada de paz junto ao governador da capitania de Pernambuco, Pedro de Almeida. Este filho de Ganga-Zumba liderara o staff de 12 negros escolhidos a dedo para formar a delegação que iria negociar a paz entre quilombolas e os portugueses, dali por diante.

Em 1678, Ganga -Zumba estava por volta de 65 a 70 anos, cabelos brancos, alto, forte, musculoso, cheio de cicatrizes produzidas pelas intermináveis guerras contra as tropas colonialistas. Tinha muitos filhos e netos, alguns deles, tombaram nas guerras palmarinas.

Carneiro é quem estabelece um perfil mais adequado da figura polêmica e impar de Ganga-Zumba (1966: 35-36):

Parece claro, por tudo isto, que o rei Ganga-Zumba já era homem idoso quando se resolveu a fazer a paz em 1678. Não muito idoso, porém, pois em 1677 o rei e escapou duas vezes, quando Fernão Carrilho assaltou as suas praças-fortes nos mocambos de Aqualtune e do Amaro, sendo que da última vez o chefe negro estava ferido de flecha. Eram idosos, igualmente, todos os auxiliares imediatos na ocasião com a exceção do negro Gaspar. Os filhos do rei já eram casados e os seus sobrinhos Andalaquituche e Zumbi já eram chefes de mocambo e este último com independência bastante para negar-se aceitar a paz, embora o governador lhe mandasse, como parlamentar, o tio Ganga-Zona. Ora, também o título de Gana ou Ganga (em língua quimbundo Ngana, senhor) sugere certa idade, tanto no rei como seu irmão e no comandante-em-chefe, Ganga-Muiça. E significativo que este título não ocorra no caso dos chefes mais jovens

Na verdade, Ganga Zumba é o primeiro grande general de Palmares. Foi ele quem estabeleceu as grandes táticas quilombolas, construiu a cidade-militar, impôs, em muitas ocasiões, ação do quilombo "móvel", rediscutiu o sistema de alianças com os agricultores das povoações próximas à Palmares e tinha derrotado as tropas colonialistas em diversas batalhas sangrentas, com saldo até muito negativo para os exércitos palmarinos.

De origem de uma tribo arda, tinha sido eleito Rei ou Grande Chefe pelos seus próprios méritos, capacidade de lutar, liderança e conhecimento. Há informações segundo as quais sabiam ler e escrever em português, ao contrário de outros milhares d/e quilombolas.

Em 1677, Palmares sofre uma derrota de grande impacto. A expedição de Fernão Carrilho destrói algumas povoações, mata dezenas de quilombolas e impõe uma mudança de estratégia no comando quilombola. Nestas batalhas, tombaram dois filhos e um neto de Ganga Zumba, que, mesmo assim, ainda dar continuidade a reorganização de Palmares.

Sabendo das fragilidades de Palmares, Pedro de Almeida, então governador da capitania de Pernambuco, propõe paz entre os quilombolas e o governo. Dali, por diante, os quilombolas não seriam mais perturbados pelo governo: iriam viver numa região denominada Cacaú, e poderiam manter " comércio e trato" com o moradores. Um das cláusulas mais polêmicas deste acordo é que Ganga-Zumba teria que devolver aos proprietários de terras os escravos que tinham se refugiado em Palmares e passaram a integrar seus exércitos regulares.

Foi por causa deste acordo que Zumbi divergiu de Ganga-Zumba, que, mais à frente, se torna alferes das tropas portuguesas, juntamente com os integrantes de seu estado-maior.

No entanto, Ganga-Zumba não tem tempo para gozar dos privilégios estabelecidos pelo governador Pedro de Almeida. Ele morre envenenado e seu cargo é ocupado por Zumbi.

Ao contrário de Ganga -Zumba, Zumbi não era africano escravizado e fugitivo das fazendas de cana-de-açúcar de Pernambuco. Ele nasceu, em 1655, em Palmares, possivelmente filho de pais africanos, que eram líderes de mocambos. Em alguns livros, Zumbi é dado como sobrinho de Ganga-Zumba, filho de um irmão deste.

Uma expedição portuguesa destrói o quilombo onde Zumbi nasceu e aprisiona homens, mulheres e crianças. Chama a atenção do chefe da expedição comandada por Brás da Rocha a presença um bebê que chora bastante. Este bebê é levado para Recife e entregue ao Padre Melo, que mostra carinho e atenção para com o bebê Zumbi.

Zumbi, então, passa 15 anos no convento, recebendo educação esmerada dado pelos padres, e ali aprende Latim, Português, musica e canto. Torna-se um auxiliar importante nas práticas litúrgicas do padre Melo. O padre o descreve como um jovem muito inteligente e aplicado.

Quando completa 15 anos, estranhamente, Zumbi, numa noite, foge do convento e retorna para Palmares, onde é acolhido por Ganga-Zumba. Ele se um integrante dos exércitos palmarinos, onde galga postos, e se torna, aos 23 anos, no comandante-geral das tropas quilombolas.

Quando assume o cargo de Rei ou Grande Chefe, em 1678, Zumbi leva Palmares a se sentir prospera e feliz, pois, vence inúmeras batalhas e cria dois postulados míticos. Em primeiro lugar, que ele era um guerreiro imortal, ninguém poderia vencê-lo ou matá-lo. Em segundo, que Palmares era inexpugnável, ou seja, era uma fortaleza-cidade incapaz de ser atingida pela ação colonialista.

Expedições antipalmares

De acordo com Carneiro, Palmares teria sofrido 17 tentativas para derrubar sua estrutura de poder e de organização. De acordo , então, com antropólogo, vejamos quais foram estas guerras contra Palmares:

I - Holandesas

  • Rodolfo Baro - 1644
  • João Blaer - 1645

II - Lusos-Brasileiras

  • Zenóbio Accioly de Vasconcelos - 1667
  • Antonio Jacome Bezerra - 1672
  • Cristovão Lins - 1673
  • Manuel Lopes - 1675
  • Fernão Carrilho - 1676
  • Fernão Carrilho - 1677
  • Gonçalo Moreira - 1679
  • André Dias - 1680
  • Manuel Lopes - 1682
  • Fernão Carrilho - 1683
  • João de Freitas Cunha - 1684
  • Fernão Carrilho -1686
  • Domingos Jorge Velho -1692
  • Domingos Jorge Velho -1694

Filho, no entanto, contabiliza, na guerra contra Palmares, cerca de 66 expedições portugueses e 31 ataques quilombolas em 120 anos de combate entre as duas partes.

Vejamos, então, seu esquema investigativo:

  1. 1ª. Fase - 1596-1630 - Os ataques coloniais visavam 4 a 5 quilombos na Serra da Barriga. Foram duas expedições e mais de seis ataques quilombolas aos povoados.
  2. 2ª. Fase - 1631-1654 - Fase da ocupação holandesa, com os ataques coloniais no quilombo de Macaco, nas proximidades de Porto Calvo e Serra da Barriga. Foram quatro expedições e quatro ataques negros.
  3. 3ª. Fase - 1695-1716 - Zumbi morre em 1695. A luta prossegue com a retomada da guerrilha, abandonada durante a defesa de Macaco. Foram 29 expedições e oito ataques palmarinos.

A queda de Macaco

As sucessivas vitórias dos palmarinos ensejou que a Corte se organizasse com mais afinco para combater o quilombo. Nomeado governador da capitania de Pernambuco, em 1693, Caetano de Mello e Castro, decide, então, exterminar os negros de Palmares de qualquer de maneira. Os habitantes da capitania são obrigados a doar parte de seus ganhos para bancar a super coluna repressora - mais de 3 mil homens. Os organismos públicos - como Câmara de Vereadores - são colocados aos pés do governador. Este, contrata o bandeirante Domingos Jorge, que estava descansando no Piauí, para com sua tropa de índios e mamelucos, comandar o exercito hibrido que deveria , de uma vez por todas, acabar com Palmares.

Velho selecionou os melhores e experimentados índios para batedores, formando a ponta da vanguarda da tropa em movimento, os quais foram descobrindo novos caminhos e tomando as precauções para evitar qualquer surpresa como da primeira entrada. Seus índios eram, segundo Freitas, homens acostumados a farejar na mata densa igual a cães perdigueiros. Além disso, viam e ouviam pelos seis sentidos, além da facilidade com que galgavam as árvores mais altas longe para observações (1988: 314-315)

O primeiro ataque de peso do exercito de híbridos comandados por Velho aconteceu em 23 de janeiro de 1694. Velho chegou a Macaco e percebeu as fortificações em torno do quilombo. No entanto, crente no número de homens acostumados com a guerra nos sertões brasileiros, o bandeirante ordenou o ataque a Macaco, a capital, onde ficava Zumbi, o líder máximo da confederação quilombola. Os soldados avançaram contra a cerca e galgaram-na por meio de escadas. Mas antes que atingissem o território inimigo, começaram a ser abatidos a flechadas e a tachos de água fervendo jogados pelas mulheres quilombolas, e também e pedaços imensos de madeira em brasa, que atingiram os atacantes, que soltaram gritos de dor e agonia. "A tropa atacante esmoreceu por um instante e retrocedeu bastante para não ser dizimada pelos negros vigilantes. Os mais afoitos caiam nos fojos, cavilosamente disfarçados, com estrepes de ferro e profundos o bastante para causar ferimentos", explica Freitas.

Segundo ele, Macaco, ao que, indica, parecia inexpugnável porque a fortificação era precedida pela parte de fora, em toda sua extensão, "de fojos, buracos, poços de água, paus de pontas aguçadas e trançados, enfim, toda sorte de empecilhos para os avanços. Duas quatrocentas e setenta braças craveiras mediam as fortificações de cerca contínua, com baluartes e todos os engenhos de morte possíveis que os palmarinos conseguiram arranjar na sua indústria rudimentar, posta á serviço da guerra." (1988: 314-315)

Em vista disso, o português Vieira de Melo, um dos comandantes das tropas, em resolução conjunta com o bandeirante Velho, resolveu construir uma cerca em torno de Palmares durante à noite para melhor posicionar seus homens. Os palmarinos tentaram intervir e não conseguiram impedir a construção da cerca.

O fato preocupou bastante Zumbi e seus generais, pois, através uma estratégia idêntica ao dos palmarinos, os atacantes pareciam querer encurralar Macaco com outra cerca, e assim, terem melhores condições para enfrentar as armadilhas e a fúria dos arqueiros palmarinos.

O segundo ataque a Macaco aconteceu em 29 de janeiro 1694, mas quilombolas resistem, matam diversos soldados e deixam centenas de feridos. Zumbi recompõe suas legiões e determina que os velhos, mulheres, inválidos e crianças, todos, empregassem seus esforços na indústria de guerra, isto é, na confecção de flechas e arcos, de estrepes de toda natureza, para a defesa do mocambo.

Pelo lado colonialista, a situação ainda não é boa. Os assaltos a capital quilombola nas noites de 23 e 29 de janeiro de 1694 deixaram nas tropas atacantes profundas feridas e a certeza de que a tomada da cidadela negra não poderia ser levada a efeito sem artilharia e sem longos preparativos, segundo Freitas ( 1988: 318)

O terceiro ataque, em 6 de fevereiro de 1694, no entanto, é mortífero. As tropas oficiais conseguem levar para próximo da cerca do quilombo seis canhões, arma mortífera que os palmarinos desconheciam. Os tiros de canhão penetram na cerca, abrem crateras e Macaco fica exposta à sanha do inimigo. Vieira de Mello e Velho ordenam o ataque geral ao baluarte quilombola. Os negros resistem, enfrentam cinco ou seis soldados de uma só vez, matam, e morrem. O chão de Macaco começa a ficar coalhado de corpos negros, perfurados a bala, golpes de sabre e espadas. Palmares começa perder a sua aura de cidadela difícil de ser assaltada.

Zumbi e dezenas de seus homens, no entanto, conseguem escapar do ataque, e se refugiam na floresta da Serra de Dois Irmãos, distante do conflito, que eles conheciam bem. Assim, se retoma um antigo processo de luta quilombola na Serra da Barriga: a guerra de guerrilha dos primeiros tempos de Palmares, já que, agora, tinham perdido sua principal cidade, homens importantes e a estrutura de comando dos quilombos, que se desfazem.

A morte de Zumbi

Num dia de setembro de 1694 - sete meses depois da queda de Macaco - um grupo de moradores de Penedo, povoação alagoana, captura o mulato Antonio Soares. Ele era um dos principais auxiliares de Zumbi. Ao reconhecê-lo, os moradores decidem enviá-lo sob escolta a Recife. No meio da viagem, o grupo ele topa com outro grupo, comandando pelo paulista André Furtado de Mendonça. Este, então, se apodera do prisioneiro e o tortura para que confesse o esconderijo de Zumbi. Antonio Soares acaba falando, aceitando guiar a tropa em troca de uma oferta de liberdade proposta em nome do governador.

O novo quilombo de Zumbi, naquela ocasião, se situava na Serra Dois Irmãos, banhada pelo Rio Paraíba. Furtado de Mendonça conhecia bem o local, onde no ano anterior Zumbi conseguira evitar travar um combate com os paulistas. Mas nesse dia Zumbi estava acompanhado apenas por seis guardas, pois os outros combatentes tinham saído para fazer um reconhecimento de rotina pelas redondezas.

A tropa de Furtado de Mendonça aproxima-se prudentemente do quilombo. Uma vez estabelecido o cerco, Antonio Soares se destaca do grupo e vai na direção de Zumbi. Sem hesitar, ele o esfaqueia, dando assim o sinal para o ataque. Aproveitando-se da surpresa provocada pelo seu gesto, Antonio Soares foge imediatamente. Zumbi, mesmo ferido, luta bravamente, mata alguns soldados, mas cai, ferido mortalmente. Era 20 de novembro de 1695. Vibrando com o troféu, Furtado de Mendonça corta a cabeça o líder palmarino, que é levada a Recife e colocada em cima de um poste de um praça, por orem do então governador Caetano Mello. O gesto servia para que a população pernambucana e alagoana não pensasse que Zumbi era imortal, como era apregoado pelas vilas e povoações do nordeste.

No entanto, a morte de Zumbi não desestimulou a continuidade do movimento quilombola em Palmares. Apesar de terem perdido suas cidades, os sobreviventes continuaram criando quilombos e as fugas das fazendas voltaram a acontecer. Como detalha Filho:

(...) os palmarinos tentavam exasperadamente reconstruir o seu movimento. Outros quilombos se formaram rapidamente nos pontos inacessíveis da floresta. De dimensões forçosamente reduzidas, esses quilombos, são, na essência, unidades de autodefesa. Vivendo da caça, da coleta e de pequenos roçados, os palmarinos, consideravelmente, enfraquecidos em termos demográficos, regridem a um nível que pode ser comparado àquele verificado antes de 1630. Contudo, a reestruturação relativa dos quilombos revela alguns novos dirigentes como Quissama, Ouvidor e Camoanga. Muito provavelmente, esses novos dirigentes estavam conscientes da amplitude do desmantelamento da organização social do quilombo e dificilmente poderiam acreditar no restabelecimento da antiga potencia.

Palmares ficcionada

"Os terríveis estrepes - precipícios de defesa ignorados na localização maliciosa até pelos espias de confiança maior - eram dos mais bárbaros engenhos inventados pelos bongos, bantos canibais da África central.

Armadilha cruel, os estrepes consistiam em longos fossos de três a quatro varas de fundo por oito ou de boca. As valas, serpenteando estrategicamente no limite dos quilombos reais e cubatas de mais importância, só deixavam uma passagem manhosa e, assim mesmo, tão estreita que não dava cabimento a mais de um passante de cada vez.

Daí, a precisão de guia sabedor sempre que alguém tomasse chegada para assunto de paz.

No fundo do engenho, em toda a extensão do sulco largo, os uantuafunos - escravos inteiros do soberano - usavam semear milhares de pontas de vinhático, sucupira branca ou maçaranduba, paus que, mergulhados no chão, ainda que dentro d'água, não apodrecem nunca mais!

Os pontaços, bem ocultos na vegetação barba, ficavam apenas dois palmos, se tanto, acima do fundo.

Depois, pronta aquela semeação do Tinhoso, todo o fosso era inundado até meia altura, lodo cobrindo o pescoço de um homem criado, onde mais planta rude dava de ficar boiando suas folhas e raízes.

Cena do Filme de Cacá Diegues

Cena do filme Quilombo de Cacá Diegues

Afundadas, ficavam só aquelas pontas peçonhentas....

Então, no disfarce do oco, os negros entrançavam por cima muitas embiaras e gravetos com bocados de pegados de terra seca ou uma camada fina de grama amarrando ao rés do solo suas artes tenebrosas.

Alguma cobra que aparecesse no desordenado das malocas ou na mata suja de redor era atirada também ao fundo do engenho mais traiçoeiro do mundo.

Então, o bicho só podia quentar um pouco de sol pelas frestas do chão e coisa feia era espiar dentro de uma fresta dessas!

Ora, assim quando acontecia um troço inimigo surgir para qualquer ofensa de guerra ou afronta de força, ouvia-se logo um toque triste, muito à feição de um grito de agouro, vindo dos mistérios do nada.

Esse mesmo toque, porém, rebolado nas alegrias, era ouvido quando se aproximavam comitivas amigas ou forasteiros que vinham negociar coisas com os da terra. Nessas ocasiões, guias de dentro saíam de suas locas para ensinar caminho seguro".

Capa do Livro Ganga Zumba

(Ganga Zumba, romance de João Felício dos Santos, págs.90-91)

Um dia, estava eu consultando alguns livros na Biblioteca municipal Mário de Andrade, de São Paulo, e entre os que havia pedido veio, por engano, uma obra manuscrita do século 17. Notei o engano ao folheá-la. Não me recordo o nome, mas trazia com especial destaque uma carta do então governador da Capitania de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, dirigida ao rei de Portugal. Falava de um certo mouro, construtor das fortificações do Quilombo de Palmares, a quem responsabilizava pelas dificuldades que as tropas reais encontravam para invadir e aniquilar o quilombo

Verificado o engano, devolvi o livro, mas nunca mais esqueci o mouro.

Quem seria ele? Como veio parar no Brasil? E ainda: que desígnios o levaram até as Alagoas (era parte da Capitania Pernambuco), quando se sabe que Salvador era a porta de entrada do Brasil naquela época? E o mais incrível de tudo: como foi parar no Quilombo de Palmares ?

Recuperar a história desse personagem, depois de trezentos anos, não seria uma tarefa nada fácil. Consultei dezenas, centenas de livros e nada. Nenhuma palavra sobre o mouro. Procurei nos arquivos oficiais ( sempre em péssimo estado de conservação, ou desorganizados) em São Paulo, Bahia, Pernambuco e Alagoas. Da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, recebi um microfilme, cujo conteúdo, depois de certa peripécia para copiar, não ajudou muito

Descendentes dos Palmarinos
Descendentes Palmarinos

Já que no Brasil o mouro era um fantasma, resolvi fazer o percurso inverso. Atravessei o oceano até Andaluzia e dali até Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia. Visitei bibliotecas, centros culturais e museus. Tive acesso a carta de emires que apelavam aos reis de Espanha e Portugal pelos seus filhos desaparecidos e que suponham estar escravizados em terras do Novo Mundo. Ofereciam, resgates

De tudo isso consegui extrair bom material, mas o melhor mesmo foram as conversas com os beduínos do deserto e os berberes das montanhas. Sob as tendas do deserto e das khaimas das montanhas ouvem-se as mais fascinantes histórias. Ali, a cultura oral ainda prevalece, o mundo da magia está presente e faz parte do dia-a-dia

E, graças às histórias contadas por essa gente, que as ouviu dos avós e estes avós de seus avós, foi possível entender como o mouro veio parar no Brasil e como se deu sua participação na Guerra de Palmares.

Ressalve-se que houve outros mouros que participaram de outros movimentos libertários, mas isso são outras histórias.

(A incrível e fascinante história do Capitão Mouro, romance de Georges Bourdakan)

Referências

  1. Bourdoukan, Georges. A incrível e fascinante história do Capitão Mouro. Sol e Chuva, São Paulo: 1997.
  2. Carneiro, Edison. O quilombo de Palmares. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro: 1966.
  3. Filho, Ivan Alves. Memorial dos Palmares: o movimento precursor da libertação negra no Brasil. Xexon, Rio de Janeiro: 1988.
  4. Freitas, Mário Martins de. Reino negro de Palmares. Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro: 1988.
  5. Glasgow, Roy. Nzinga. Perspectiva, São Paulo:1982.
  6. Santos, João Felício dos. Ganga-Zumba. Circulo do Livro, São Paulo: 1985.
Fonte: Questão Negras

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