sábado, 25 de outubro de 2008

Personalidades Negras

O Brasil, país com a segunda maior população negra do mundo ( 75 milhões de pretos e pardos), em geral, ostenta, nos livros didáticos, as imagens e trajetórias de notáveis homens da elite branca.
Segundo estes livros, a construção da nacionalidade e da identidade nacional passaram fundamentalmente pelas mãos de descendentes de europeus, que, em terras tropicais, construíram uma nova civilização.
A história, no entanto, não é bem assim. O Brasil teve e tem grandes nomes negros que deram contribuição fundamental para o desenvolvimento da nação em diversos campos de estudos e ramos profissionais.
Em geral, eles, devido ao exemplo impar, não são apontados como negros, como homens sem cor. No entanto, são afrodescendentes, que guardam, no mais intimo de suas personalidades, ligações com o mundo de seus antepassados.
Na verdade, são homens e mulheres negros que se destacaram, num esforço familiar ou individual, para se tornarem cidadãos bem-sucedidos ou de especial destaque em suas áreas. Com isso, conquistaram a admiração dos demais brasileiros e tornaram-se exemplos para a sua e para as novas gerações.
Foram ou são políticos, escritores, médicos, engenheiros, advogados, músicos, cientistas, religiosos, jornalistas, atletas, militantes ou artistas pretos e mestiços que passaram pelas
tradicionais barreiras à ascensão social e conseguiram se firmar na sociedade brasileira.
Pensando nesta galeria de tipos humanos afros diferençiados, o jornalista e professor Carlos Nobre, da PUC-Rio, propôs ao editor Ary Roitman, da Editora Garamond, do Rio de Janeiro, a edição de uma coleção com a biografia de 25 grandes trajetórias de afrodescendentes que se notabilizaram na vida pública brasileira.
Roitman achou a idéia genial e os dois firmaram parceria para a produção da coleção.
Agora, com o patrocínio da Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro,
os três primeiros livros da Coleção Personalidades Negras, " Machado de Assis", de Dau Bastos, " Pelé", de Angélica Basthi, e " Aleijadinho", de Maria Alzira Brum Lemos, serão lançados, em 12 de novembro, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a partir das 19 horas.
A proposta, segundo Nobre e Roitman, é que a coleção possa atender aos anseios dos professores de História Afro-Brasileira, pois, as trajetórias selecionadas para biografias mostram ampla diversidade de relacionamento dos personagens biografados com a sociedade brasileira e com o racismo. E também revela para os leitores em geral uma história especifica de ascensão social de pretos e pardos numa sociedade muita antagônica a eles.
Neste sentido, é importante, neste caso, pensar, por exemplo, como no barroco mineiro surgiu a figura do Aleijadinho, que se tornou o mais talentoso e poderoso escultor desta escola artística, no Brasil.
Ou como Machado de Assis, um mulato que nasceu num morro, atrás da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, se tornou no maior escritor brasileiro de todos os tempos.
A proposta dos autores da coleção é criar e divulgar uma coleção de 25 livros, contendo perfis de importantes nomes da comunidade negra que marcaram o seu tempo, em diversas áreas de
atuação, com os resultados do seu esforço e do seu talento.
O surgimento de uma coleção de tal porte, pioneirismo e originalidade pode marcar uma nova forma de discutir a importância desses homens - suas idéias, seu percurso e seu trabalho - a partir de uma visão afro-brasileira. Esta coleção nasce com imensas perspectivas de consolidar uma síntese importante da contribuição negra à nossa sociedade.
Além disso, vai ao encontro das propostas, políticas e programas de resgate do papel do negro na nossa sociedade recomendadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e, especificamente, pelo Congresso Mundial contra o Racismo e formas Correlatas de Discriminação, ocorrido em Durban, na África do Sul, em 2001.
Na ocasião, o governo brasileiro assinou diversos documentos assumindo o compromisso de aplicar as recomendações desses organismos internacionais, sobretudo no que se refere à luta contra o racismo, à aplicação de ações afirmativas e à melhoria da imagem do negro na sociedade como um todo, mediante campanhas publicitárias, livros, revistas, cursos e seminários sobre as culturas negras.
Existe hoje, no Brasil, uma classe média negra, estimada em 8 milhões de pessoas - que também quer ser representada e ter acesso a informações qualificadas sobre negros importantes da história brasileira. Crescem ainda centros de estudos étnicos.
Somente no Rio de Janeiro, há centros deste quilate na UERJ, UFRJ, UFF, PUC e UCAM, que demonstram a discussão das culturas afro-brasileiras ganha importância no atual momento.
Para escrever o perfil o restante dos 22 grandes nomes serão chamados alguns escritores e intelectuais negros e brancos.
Os 22 futuros biografados sairão de uma relação de 40 nomes selecionados pela editora e pelo professor Carlos Nobre, autor do projeto.
Fonte: Recebido por email.

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