sábado, 4 de outubro de 2008

Tradição afro é a maior vítima

A tensão entre religiosos das vertentes de matriz africana - candomblé e umbanda - e evangélicos das denominações neopentecostais, como a Iurd, tem sido constante nos últimos anos.
O doutor em antropologia e diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba (Ceao), Jocélio Teles, diz que a estratégia de ataque destas igrejas segue a linha do que ele chama de inquisição pós-moderna.

"A estratégia contra as religiões de matrizes africanas ocorre pela via da sua demonização através de recursos de mídia, como a TV e o rádio, além de panfletos e jornais", avalia Teles. Segundo o antropólogo, nos ataques são inclusive utilizados símbolos das religiões africanas. "Eles falam em sessão de descarrego, encosto, numa espécie de exorcismo pós-moderno. É uma tentativa da destruição simbólica do outro, usando o discurso do demônio que é o componente simbólico do mal, do que deve ser evitado, no pensamento cristão ocidental", acrescenta.

O estudo Mapeamento dos Terreiros de Salvador, coordenado por Teles (2007), mostra o trânsito entre as religiões e que houve aumento de 30% no total de pessoas de outras religiões que aderiram aos terreiros. Embora a origem religiosa anterior tenha sido diversificada, o maior contingente veio da Iurd, Testemunhas de Jeová e Assembléia de Deus. Já o percentual dos que saíram dos terreiros em direção a outras religiões foi de 23,5%.

"É que o antropólogo Vagner Gonçalves da Silva chama de transe em trânsito baseado nas relações estruturais entre os dois sistemas simbólicos", completa Teles. No caso da Iurd, há casos do uso de símbolos das religiões afro, como, por exemplo, a utilização de preparados para afastar infortúnio e trazer prosperidade. (C.R.)
Fonte: A Tarde

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