terça-feira, 25 de novembro de 2008

IV Caminhada pela Vida e pela Liberdade: Evento mobilizou Povo de Santo em Salvador


Representantes de terreiros das diversas nações do Candomblé, de vários cantos do Brasil, estiveram presentes neste domingo, 23, da IV Caminhada pela Vida e pela Liberdade Religiosa. Centenas de pessoas, vestidas de branco e adornando elementos ritualísticos como contas e ojás, se concentraram no final de Linha do Engenho Velho da Federação, mais especificamente, ao redor do busto em homenagem à falecida Mãe Runhó, mãe-de-santo de um dos terreiros mais tradicionais do Brasil, o Bogum, da nação Jeje Mahi.

De lá, partiram em direção ao Dique do Tororó, passando por templos de matriz africana como a Casa Branca, o mais antigo candomblé de nação Ketu em funcionamento no Brasil, a Casa de Oxumarê, também Ketu, e o terreiro de nação Angola, Tumba Junsara, entre outros. Todas as casas foram saudadas com fogos, palmas e cânticos aos Orixás, Inquices, Voduns, Caboclos e Encantados.

Durante o percurso, representantes de outros estados brasileiros revelaram a situação de perseguição e intolerância religiosa que o Candomblé tem sofrido. Em São Paulo, por exemplo, a discriminação contra a religião afro-brasileira foi institucionalizada através de uma lei que quer regular os bairros nos quais os terreiros podem ou não funcionar. Um babalorixá paulistano denunciou o fechamento de seu terreiro por está localizado em um bairro considerado residencial pela Prefeitura, que não oferece o mesmo tratamento a templos de outras religiões, como as igrejas católicas e evangélicas, existentes em qualquer bairro da cidade.

Também participando da caminhada a Associação de Baianas de Acarajé, Mingau, receptivos e similares reclamaram da perseguição que vem sofrendo da Prefeitura de Salvador, desde que recusaram ceder a Praça da Cruz Caída, administrada pela ABAM, para que um grupo de evangélicos realizassem uma atividade religiosa. A partir daí a Prefeitura teria passado a impedir a cobrança de ingressos nos eventos realizados na praça, impossibilitando o aluguel do espaço para shows e eventos, uma fonte de sustentação da associação, que reúne cerca de 2700 associadas. A alegação da Secretaria de Segurança Pública da Prefeitura de Salvador é que a Praça, localizada no Pelourinho, é tombada como patrimônio histórico e cultural e não possui estrutura adequada para realização de grandes eventos.

Os participantes da IV Caminhada pela Vida e pela Liberdade Religiosa destacaram como um avanço deste ano a realização de um seminário com representantes de diversos estados do Brasil, que debateram temas essenciais para o Povo do Axé. Entre as decisões tomadas foi a de transferir a organização da V Caminhada, em 2009, para uma comissão organizadora nacional. Este ano, a IV Caminhada foi organizada pelo Coletivo de Entidades Negras e o Terreiro de Oxumarê, com diversos apoios e parcerias.

No encerramento, às margens do Dique do Tororó, houve shows de músicas e mais cânticos aos Orixás com pedidos de paz e respeito ao povo do Candomblé.

Fonte: Correio Nagô

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