quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Salvador sedia encontro de Mulheres africanas e da Diáspora em Colóquio Internacional

Por Jamile Menezes


De 6 a 9 de novembro, Salvador recebeu o I Colóquio África Diáspora: o Papel da Mulher Negra na Geopolítica, realizado pela Unegro (União dos Negros pela Igualdade), em celebração aos 20 anos de sua fundação. Com Auditório lotado na Reitoria da Universidade Federal da Bahia, em sua noite de abertura (sexta-feira), o Colóquio seguiu até domingo (9), com um público considerável participando dos debates sobre os desafios do combate à pobreza e o racismo no mundo. “Quisemos ampliar nossas discussões, sair de nosso meio e trocar experiências com as mulheres negras africanas e da Diáspora. Esse Colóquio nos trouxe muitas informações da realidade destas mulheres no mundo, que não está longe da nossa. Somos apenas 10% do Senado, 8% da Câmara Federal, 10% da vereança municipal (até janeiro de 2009), um quadro que precisa ser mudado”, afirma a coordenadora da Unegro, vereadora Olívia Santana.

O Colóquio reuniu mulheres que protagonizaram e ainda estão à frente de transformações em seus países, em áreas essenciais como as de Cultura, Educação, Saúde, Tecnologia, Direito, Ciência, Trabalho e Política. Esta, na opinião geral entre elas, uma área que, infelizmente, ainda carece da presença feminina. Dos seis bilhões da população mundial, cerca de quatro bilhões e meio são não-brancos e metade é constituída de mulheres. “Somos muitas e não estamos onde deveríamos estar, que é nos espaços de decisão em nossas cidades, nossos estados e países. Essa vontade política é que deve ser estimulada entre nós, mulheres negras”, aponta a mestra em Ciência Política e Relações Internacionais (Universidade de Yale/EUA), Jeannine Scott, vice-presidente da Africare (www.africare.org), organização afro-americana de ajuda à África. Seguem alguns depoimentos:

‘Temos ligações naturais umas com as outras e isso tem que ser potencializado. O que tratamos aqui deve ser levado para muitas outras mulheres negras, no Brasil e no mundo. Temos que tentar levar essas discussões até elas ou trazer muitas mais até os debates. Há muita coisa acontecendo com as mulheres negras no mundo todo e muitas poucas pessoas sabem disso. Muitas delas estão morrendo e levando consigo suas realidades, virando estatísticas. Então, temos que conhecer essas realidades e gritá-las para todos”. (Dolores Mohammed (Nigeria) - Diretora da Essence International School (Nigéria – www.essenceschool.com) e vice-presidente da Comissão de Imigrantes Africanos e Caribenhos da Municipalidade da Filadélfia (EUA).

Estamos na era da informação e temos que compartilhar entre nós o que está acontecendo em nossas comunidades, para que possamos identificar nossos inimigos e desafios. Não temos mais que lutar sozinhas e essa foi uma das grandes certezas que pude ter aqui. Estamos vivendo um momento de congraçamento, com a eleição de Obama nos EUA, o que foi resultado do que vimos fazendo ao longo dos anos, independente do que possam nos dizer. Michele Obama (sua esposa) e suas filhas representam essa nossa luta, das mulheres negras e isso deve nos servir de inspiração”. Vinie Burrows-Harrison (EUA) – Representante da ONU na Federação Democrática Internacional de Mulheres – FDIM.

“O Brasil precisa conhecer mais a África, acho que isto ainda está faltando O primeiro passo que temos que dar é nos conhecermos e funcionar em rede, estar em permanente contato. È importante que tenhamos mais intercâmbios internacionais e que demos seguimento aos primeiros contatos que aqui pudemos estabelecer. Talvez construir um elo mais forte com os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) seja um bom caminho.” Edeltrudes Pires Neves - Cabo Verde - ex-Secretária de Estado e Ministra da Reforma do Estado, Administração Pública e Poder Local.



“Em muitos países na Europa, temos mulheres negras vivendo na mais extrema pobreza e submetidas a todos os tipos de violência. O Brasil tem um grande potencial para ser um verdadeiro centro de luta em relação a esta questão e, neste Colóquio, acredito que muitas experiências passarão como referência de continuidade entre as mulheres que aqui estiveram.” Lily Golden (Rússia) – Professora das Universidades de Moscou e de Chicago; pesquisadora do Instituto de Estudos Africanos - Chicago;

“É a primeira vez que vejo tantas mulheres negras juntas debatendo assuntos que nos interessam e que nos afetam. Acho que se há soluções para nossa situação no mundo, elas devem vir de nós mesmas. É muito conveniente esperar por soluções que venham dos outros e da política que os outros fazem para nós, mas acho que precisamos deixar de ser vítimas e começarmos a trabalhar para nós mesmas. Temos que ter estratégias em uma rede internacional para trabalharmos juntas. Precisamos de mais encontros, mais intercâmbios, conhecermo-nos umas às outras e estarmos estimuladas pela política.” Tetchena Bellange (Haiti / Canadá) - produtora de cinema e teatro, documentarista e atriz; diretora da Bel Ange Moon Produções.

“Precisamos acabar com o racismo, definitivamente. Lutar contra ele em toda a Diáspora, e contra a violência que acomete nossas mulheres é vital pra nossa sobrevivência, para que possamos nos fazer ouvir e possamos ser vistas enquanto parcela imprescindível para o desenvolvimento do mundo. Precisamos ainda de muito trabalho para que tenhamos uma participação efetiva na política mundial. Não basta falarmos apenas, pois nada nos virá de graça, tão pouco com facilidade. Temos que estar à frente de todas as nossas batalhas”. Ângela Majaanti, deputada da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

O Colóquio encerrou com uma Caminhada das Mulheres até o Campo Grande, que contou com discursos e cânticos entoados pelas africanas durante o percurso, finalizado com apresentação da Banda Didá.
Fonte: Ìrohìn

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