terça-feira, 4 de novembro de 2008

Salvador torce por Democrata

MARJORIE MOURA
Grupos de americanos e de brasileiros se reuniram em pontos diferentes da cidade para acompanhar a apuração e para torcer pela eleição do primeiro presidente afrodescendente

Duas comunidades diferentes ficaram reunidas em Salvador até a madrugada de hoje para conhecer o resultado da votação para presidente dos Estados Unidos. Uma delas era formada por norte-americanos que moram na Bahia e se reuniram numa das lanchonetes do Clube Espanhol; a outra, por integrante do Coletivo de Entidades Negras (CEN) que escolheram a Rua das Laranjeiras, no Pelourinho.

O candidato democrata Barack Obama unia os grupos.

“Let‘s freedom rock” (“Deixe a liberdade rolar”) era a faixa de boas-vindas da festa de clima tranqüila expectativa para quer fossem iniciadas as apurações, apoiada pela American Society International, uma associação informal que existe há 52 anos.

Representada pela coordenadora Mollie J. Cerqueira, tradutora e professora que mora no Brasil desde 1986, o objetivo da entidade é apoiar os EUA, ganhe quem ganhar. “Mas é claro que eu votei em Obama”, acrescentou com um sorriso.

Há seis anos no Brasil, o empresário Eric Taller, 47 anos, foi um dos organizadores do encontro e, animado, com um bottom de Barack Obama na camiseta, disse que seus país está mais aberto porque há 20 anos seria impensável ter um candidato negro concorrendo à presidência.

“Recebi minha cédula de voto pelo correio e sempre voto com os democratas. Obama é de minha geração e mostra que acompanhou as mudanças sociais e culturais pelas quais meu país vem passando”, argumentou Taller.

O músico e empresário Dougas Adair também apoiava Obama e lembrou que o novo presidente vai assumir um país que passa por uma grave crise financeira e, principalmente, de credibilidade.

“Agora todos devem se unir em torno do candidato vencedor porque, acabadas as eleições e diante dos problemas da América, somente os esforços conjugados poderão alterar esses difíceis problemas”, destacou .

PELO URINHO – Samba de raiz e uma farta feijoada em plena rua do Centro Histórico apoiando o provável primeiro presidente afrodescendente dos EUA organizada pelo CEN,

(www.cenbrasil.org.br), que funciona em dez estados do Brasil e em 29 municípios baianos reunido 400 entidades filiadas.

Um grande banner, faixas e balões ornamentavam a frente do casarão nº 14, e, na calçada e rua dezenas de pessoas sentadas em cadeiras conversavam e observavam o noticiário a partir de uma televisão .

Coordenador-geral da entidade, Marcos Rezende destacou a importância do momento histórico em quem um negro, que possui uma esposa e filhas negras, que respeita sua origem africana pode dirigir a maior potência econômica do mundo.

Para Rezende, esta possibilidade é ainda mais importante diante do quadro de que apenas 22% da população norte-americana é composta por negros e que para eleger seu candidato, esta comunidade precisa contar com os votos da população branca do país.

“Foram as políticas de ações afirmativas que permitiram o surgimento de um político como Barak Obama e de outras pessoas que estão mudando os Estado Unidos”, defendeu Marcos Rezende ao comentar o fato de Obama ser filho de branca e de ter sido apoiado ao longo de sua vida por sua avó materna, que morreu na última segunda.

Disse ainda que a eleição de Obama deverá servir como exemplo a países como o Brasil e cidades como Salvador, que possuem grandes contingentes de população negra e cujos integrantes dificilmente assumem um papel político de ponta.

“Nós batalhamos, mas, no final, só acabamos votando em candidatos brancos”, lembrou o coordenador geral da CEN.


Fonte: A Tarde

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