quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ascensão social pode mudar auto-determinação racial, diz estudo

Pesquisa monitorou mais de 12 mil pessoas por 19 anos nos EUA.Resultados reforçam idéia de conceito de raça é social, não biológico.

Há alguns anos, estudos do genoma humano vêm demonstrando que o conceito de "raça", para os seres humanos, não se sustenta biologicamente. Ainda assim, velhos hábitos custam a cair, e o conceito de dividir as pessoas racialmente é usado ainda hoje até para políticas governamentais, como o sistema de cotas aplicado na educação. Mas um novo estudo vem para abalar ainda mais esse já combalido meio de categorizar pessoas: está demonstrado que uma pessoa pode trocar de raça ao longo da vida.
Os resultados, obtidos pelos sociólogos Andrew Penner, da Universidade da Califórnia em Irvine, e Aliya Saperstein, da Universidade do Oregon, ambos localizados nos EUA, jogam luz sobre a questão. Eles usaram informações coletadas por uma pesquisa de escopo nacional conduzida naquele país ao longo de 19 anos (de 1979 a 1998). A cada ano, o entrevistador indicava qual era, na percepção dele, a raça de cada um dos entrevistados. Em algumas oportunidades, o próprio entrevistado também tinha oportunidade de dizer qual era sua "raça" -- a famosa auto-determinação.
E a surpresa: dos 12.686 indivíduos que participaram da sondagem, cerca de 20% tiveram pelo menos uma classificação diferente da usual ao longo das sondagens anuais. E, em alguns casos, a pessoa começava a pesquisa consistentemente classificada como negra e terminava, ao cabo de 20 anos, sendo consistentemente classificada como branca. O caminho inverso também acontecia. E a flutuação ocorria não só com a resposta do entrevistador, mas também com a auto-determinação.
Intrigados, Penner e Saperstein procuraram um elo entre as "mudanças de raça" e suas condições sociais. Graças aos dados coletados, podiam verificar se os entrevistados estavam encarcerados ou em liberdade ao longo dos anos, se estavam empregados ou desempregados e se eram classificados como pobres ou não (segundo critérios adotados pela ONU).
A correlação apareceu: "Por exemplo, entre os entrevistados que eram classificados como brancos num ano anterior, 96% dos que não estavam encarcerados foram classificados como brancos no ano seguinte, enquanto só 90% dos entrevistados presos ainda eram vistos como brancos", escreveram os pesquisadores, em artigo publicado na edição desta semana da "PNAS", publicação da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
Para os cientistas, isso motiva a repensar o que chamamos hoje de "raças". "A variação ao longo do tempo na classificação racial e na identificação vai contra a visão de que a raça é um atributo dos indivíduos que seja fixado no nascimento", escreveram. "Em vez disso, devíamos pensar nos indivíduos como tento propensões a ser classificados ou se identificarem com diferentes grupos raciais. Mudanças nessas propensões refletem, em parte, a imprecisão de dividir variações humanas contínuas em poucas categorias distintas."
"Entretanto, nossos achados também apóiam a idéia de que propensões raciais podem ser alteradas por mudanças na posição social, do mesmo modo que uma mudança na dieta ou no nível de estresse pode alterar a propensão de uma pessoa de morrer do coração, em vez de câncer. Isso sugere que os estereótipos raciais podem ser profecias que se auto-realizam", concluem.
Fonte: G1

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons