quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Da Bahia para o Brasil


No maior país católico do planeta, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) surgiu como um contraponto à hegemonia de uma única crença religiosa e como alternativa de luta organizada encontrada por um grupo de pequenas entidades que, mesmo com vários anos de práticas, não conseguiam um diálogo proveitoso com o Estado em suas várias instâncias. As dificuldades motivaram a aglutinação dessas entidades culturais negras, dos segmentos de Terreiros de Candomblé (religiões de matrizes africanas), associações de bairros de periferia (bairros de população negra), blocos afros, afoxés, grupos de reggae, hip-hop, entidades formadas por poetas e poetisas negros, entre outros grupos. “Os recortes dessas entidades são diferentes, mas em comum existem as formulações raciais, o que permitia sentir que boa parte da sua invisibilidade era proposital e fruto do racismo”, explica o coordenador nacional do CEN, Marcos
Rezende.
O Coletivo nasceu na Bahia, em 2005, e hoje está estruturado em 12 estados brasileiros, com a promessa de continuar se expandindo. Membro do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos, direciona suas ações preferencialmente ao fortalecimento das religiões de matriz africana e às áreas de gênero e juventude.
“Entramos para o Fórum como uma entidade que poderia contribuir na discussão racial e interiorizar o debate da Conferência Nacional dos Direitos Humanos dentro dos terreiros de Candomblé, comunidades quilombolas e movimento negro. Fomos ouvidos.
Participamos, então, da construção da Conferência fazendo parte da Comissão Nacional e também ajudamos a construi-la em diversos estados onde temos atuação”, complementa. Segundo Rezende, além de auxiliar no debate preparatório à 11ª CNDH, o movimento trabalhou para eleger
delegad@s com um olhar voltado para a questão etno-racial e de valorização das religiões de matriz africana.
Expectativas
Rezende espera que os participantes da CNDH observem, no âmbito do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), a questão racial com a seriedade que o assunto necessita e merece ser tratado. “Como sabedores que somos de todas as agruras e de violações de direitos humanos possíveis, speramos um olhar atento para a perseguição sofrida e, ao mesmo tempo, para a resignação, obstinação e resistência do povo negro e de candomblé”, enfatiza, ao justificar que o PNDH necessita de espaços de garantias para os religiosos de matrizes africanas, juventude negra, mulheres negras e quilombolas.
“Queremos contribuir na revisão do plano e vê-lo funcionar de maneira mais efetiva e concreta, não para o benefício de um ou outro segmento, mas por ter a certeza de que trará benefícios para o crescimento do país enquanto uma nação que luta para não violar direitos, mas sim para colocá-los em prática e torná-los eficazes.”
Para ler na íntegra o Boletim informativo - Número 10 - Novembro 2008, clique aqui.

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