domingo, 7 de dezembro de 2008

Jornal A Gaxéta: 4ª Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa


Realizada, em Salvador – Bahia, no dia 23.11.2008, a Caminhada que teve como objetivo principal, manifestar a “resistência” do povo do santo contra a Intolerância Religiosa, na cidade-mãe, dos cultos africanos no Brasil. A “resistência” que se pretendeu mostrar, é também um dos legados dos ancestrais, que de forma mais cruel, foram violentados e violados em seus direitos, como pessoas. Não há o que se discutir: fé e brio foram deixados aos descendentes que, hoje cultuam os Deuses Africanos em todo País. Toda a opressão política e religiosa, violentamente direcionada às comunidades negras, afro-descendentes e brancas que “veneram os Orixás”, durante séculos consecutivos, não conseguiu apagar de suas dignidades, a determinação em defender os africanos nas suas visões de vida, mundo e de homem. Um contexto religioso, mas que acima de tudo é um direito intrínseco à dignidade humana.
As atividades da 4ª Caminhada foram divididas em 4 dias, iniciadas no dias 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, com uma sessão Especial em homenagem às Religiões de Matrizes Africanas, na Assembléia Legislativa do Estado da Bahia. Dias 21 e 22 de Novembro, foram realizados Seminários que abordaram temas ligados a exclusão social, ao racismo e ao grave esquema político de perseguição aos terreiros de Salvador e de todo País, estrategicamente esboçado por bancadas compostas por fundamentalistas, ou mais explicitamente por fanáticos. Foi lançado o vídeo: Até Oxalá vai a Guerra – um documentário sobre a destruição do Terreiro de Mãe Rosinha de Oyá, pela Prefeitura de Salvador.
Dia 23 de novembro, o grande dia: A EXTRAVAGANTE CAMINHADA que cortou a cidade de Salvador, com estilo, postura, respeito e, o mais importante, semeando a Paz: uma demonstração de humildade, aprendida com o Culto a Oxalá e que, portanto está diretamente ligada à religiosidade do povo do santo. A verdadeira Religião é isso: Fé, Resistência e a promoção da Paz.

A JUSTIFICATIVA E OS ORGANIZADORES
O CEN – Coletivo de Entidades Negras vem encabeçando a manifestação, há 4 anos consecutivos, por entender que a INTOLERÂNCIA RELIGIOSA está amparada em alicerces racistas sendo, portanto criminosa. Sob o comando do Ogán Marcos Rezende (da Casa de Oxumarê), o CEN tomou a iniciativa e com esforços vem protestando, mas a meta é tornar a Caminhada Nacional, agregando todos os Terreiros, Nações e Estados da Federação. O CEN contou com grande apoio do Babalorixá Pecê de Oxumarê (foto ao lado) , da Casa de Oxumarê e da SEPPIR – Secretaria Especial da Promoção e Políticas da Igualdade Racial, cujo Ministro é o Ilmo Sr. Edson Santos.

A CAMINHADA
A concentração se deu na Praça, onde foi erguido o Busto de Mãe Runhó, no Bairro da Federação, uma Iyalorixá ligada ao tradicional Terreiro do Bogun. O ‘povo-do-santo’, todo vestido a caráter, foi se encontrando. O Afoxé Filhos de Gandhi, foi animando o encontro dos indignados. Os atabaques cantaram para todos os Deuses do Olimpo Africano, em várias Nações. Até os “caboclos” foram lembrados. A Polícia Militar do Estado da Bahia, deu o seu indispensável apoio e segurança aos manifestantes. O Comandante Geral da PM da Bahia, Coronel Nilton Régis Mascarenhas esteve presente, numa clara demonstração de apoio, da Instituição Militar. O NAFRO-PM da Bahia, através de seus representantes: Sargento Eurico, Major Peixoto e Soldado Evilásio, e o NAFRO-PM de São Paulo, representado por seu presidente o CB PM Alexandre, também apoiaram a realização do evento. O Deputado Estadual Bira Coroa (PT), Presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Serviço Público, da Assembléia Legislativa Baiana acompanhou toda a manifestação.
A Caminhada percorreu da Praça de Mãe Runhó, até do Dique de Tororó, tendo como ‘abre alas’ 4 (quatro) estandartes dos Orixás seguidos por mais de 5.000 pessoas, orientadas por 3 carros de Som. Tudo debaixo de muito sol e muito axé. Para encerrar, uma corrente de ‘irmãos de fé’, de mãos dadas, cercaram o Dique dedicado aos Orixás.

OS DESRESPEITOS E AFRONTOS
No início da Caminhada, fanáticos jogavam água e óleo ungidos nos manifestantes, outros mostravam a Bíblia e outros gritavam salmos e dizeres bíblicos, tudo numa tentativa de impedir a manifestação, em nome de um Profeta! (foto acima)
A população alheia ao evento buzinava e, impaciente atravessava a multidão com seus carros, muitas vezes em alta velocidade. Mas, como Orixá é Poderoso, nada aconteceu que pudesse comprometer ou impedir o evento.

AS MANIFESTAÇÕES DE CARINHO
Durante o percurso, milhares de pessoas saudavam a manifestação com gritos de axé, palmas e até chuva de arroz. A Caminhada, saudou, com o tocar dos atabaques e com cantigas, todas as Casas de Tradição e suas lideranças, que ficavam no trajeto: Casa Branca, Casa de Oxumarê, Tumbajussara, entre outras. Saudou também as outras Casas, numa demonstração de respeito e amizade, como: Axé Opo Ofonjá, Candomblé do Cobre e Gantois.
Por todo o trajeto a população foi coberta de pétalas de rosas e com muita água cedida pelo NAFRO-PM/BA.

A CAMINHADA IGNORADA PELO PODER PÚBLICO.
A Prefeitura de Salvador, nada fez para contribuir com o sucesso da 4ª Caminhada pela Vida e pela Liberdade Religiosa, não enviando ônibus para o transporte dos integrantes do evento, que mesmo assim compareceu em massa. A Superintendência de Engenharia de Trânsito – SET, foi indiferente e não organizou o tráfego, para evitar transtornos a população. A ANAC, Agência Nacional de Aviação Civil proibiu que o helicóptero da PM jogasse pétalas de rosas sobre o Dique de Tororó, conforme estava combinado. Resta saber os motivos da indiferença e das proibições. Estas respostas a Comunidade das Religiões Afro-brasileiras quer saber, até mesmo, por um direito democrático.

AS REIVINDICAÇÕES
Como toda manifestação pública, as reivindicações foram apresentadas:
Que as ruas que tivessem os nomes dos Orixás, não fossem mudados para outros nomes;
Que as vendedoras dos acarajés, não fossem impedidas de trabalhar;
Que os terreiros de Salvador e de toda Bahia tivessem seus espaços sagrados e seus direitos respeitados.
A abertura da CPI DA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA no Congresso Nacional;
A CARTA DE SALVADOR: um documento aprovado unanimemente, cuja meta principal é um Encontro Nacional de Entidades que discutem os Terreiros a nível Nacional;

ALGUNS PARTICIPANTES
Alguns Estados já se envolveram no manifesto religioso: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerias, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Sergipe.
Autoridades Religiosas: Mãe Norinha de Oxalá de Porto Alegre, Babalorixá Flávio de Yansan de São Paulo, Egbomy Conceição Reis do Ogun do INTECAB de São Paulo, Pai Ivo de Xambá de Pernambuco, Babalorixá Pecê de Oxumarê - da Casa de Oxumarê, Mãe Jaciara de Oxum, Egbomy Bete de Oxalá, Egbomy Valquíria de Oxun, Makota Valdina, Mãe Rosinha de Oyá, Raimundinho Kewanze, Mãe Índia do Bogun, Pai Raimundo Trocolli da Umbanda – BA;
Entidades: CETRAB , através de seu Presidente Marcelo Monteiro- RJ; AFA, através do seu Presidente Ogán Leonel Monteiro - BA; Jornal A GAXÉTA - SP; CEDRAB, através de sua Presidente Mãe Norinha de Oxalá – RS; INTECAB; FENACAB; CENARAB; MONABANTU; MNU/BA; NAFRO-PM/BA; NAFRO-PM/SP.

Fonte: A Gaxéta

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