sexta-feira, 28 de março de 2008

Intolerância Religiosa - Ação vitoriosa do povo-de-santo no RJ

Após uma série de reportagens publicadas pelo jornal Extra relatando casos de expulsão de religiosos do Candomblé e da Umbanda dos morros do Rio de Janeiro por traficantes convertidos ao Evangelho, várias organizações e lideranças religiosas mobilizaram-se para um protesto realizado ontem, dia 27, nas escadarias da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

Antes da manifestação ocorreu uma audiência na Comissão de Combate às Discriminações e aos Preconceitos de Raça, Etnia, Cor, Religião e Procedência Nacional, presidida pela deputa estadual Beatriz Santos. Na audiência estiveram presentes várias lideranças religiosas da Umbanda e do Candomblé, como também organizações como o Cetrab, o CEN, além do Subsecretario Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Dr. Perly Cipriano que lá esteve a nosso convite.

Durante a audiência vários casos foram relatados e tanto a presidente da Comissão quanto os deputados ali presentes, Jorge Babu e a representante da deputada estadual Inês Pandeló, comprometeram-se a chamar uma audiência pública com o Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Dr. José Mariano Beltrame, representantes dos Correios e, por sugestão do Dr. Perly Cipriano, representantes do Ministério Público do Estado.
Durante a manifestação, um grupo de representantes das tradições religiosas reuniram-se com o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani, que reforçou o compromisso assumido pela Comissão e, foi mais além, marcou para o dia 11 de abril esta audiência pública.


Manifestação nas escadarias
Um conjunto composto por um número variável de 100 a 150 pessoas postou-se nas escadarias da Alerj e ao som dos atabaques e de cantos de louvor aos Orixás, manifestou-se contra a intolerância religiosa e seus desdobramentos sobre a vida das pessoas e sobre o comportamento dos religiosos na cidade do Rio de Janeiro.

Várias falas destacaram a ação empreendida pelo CEN em Salvador, na defesa do Terreiro Oyá Onipo Neto, como um modelo de ação rápida e enérgica do povo-de-santo em defesa de sua religiosidade.

A manifestação contou com a participação de vários parlamentares que, ao destacarem ser praticantes de outras religiões como o catolicismo, igrejas evangélicas ou até mesmo não ter prática religiosa alguma, se colocavam na linha de frente na luta contra a intolerância, fazendo desta manifestação um momento de grande vitória tanto para a Umbanda, quanto para o Candomblé.

A manifestação terminou como começou, ao som dos atabaques, de músicas de louvor aos Orixás e deixou em cada pessoa ali presente a certeza de que, com unidade, humildade e desejo de construir junto, não há força que se levante contra as religiões que possa ser vitoriosa.
Foi, sem sombra de dúvida, um belo dia para os religiosos e as religiosas mas, antes de tudo, um belo dia para a cidade do Rio de Janeiro que viu nascer um movimento de resistência e de defesa das tradições dos nossos ancestres.

Fotos: Mãe Fomo de Iansã

quinta-feira, 20 de março de 2008

Convite

O CEN/PE (Coletivo de Entidades Negras em Pernambuco) tem a honra de lhe convidar para o seu I Seminário de Formação, a realizar-se dias 04 e 05 de abril de 2008.

Segue a programação.
::Data 04 de abril::
15:00 - Abertura na Casa Xambá (Quilombo Urbano / Portão do Gelo - Sapucaia - Olinda/PE)
Mesa de abertura:
Lindacy Assis-CEN/PE, Marcos Rezende-Coordenador Geral do CEN, Marcio Alexandre-Coordenador do CEN/RJ, Deise Queiroz - Coordenadora de Juventude do CEN, Representante da CEPIR, Ivo de Xambá (Babalorixá da Casa Xambá), Representantes das Prefeituras, Secretarias ou parceiros que colaboraram com a realização do evento.
17:00 Palestra o Movimento Negro na Atualidade (Marcos Rezende)
18:00 Coquetel
19:00 Encerramento

::Data 05 de abril::
8:30 - Café da manhã
9:00 - A Construção de um Projeto Político Para o Povo Negro (Marcio Alexandre CEN/RJ)
10:00 - Debate
10:30 - Intervalo
10:45 - O Movimento Negro e a Religiosidade (Babalorixá Ivo de Xambá)
11:30 - Debate
12:00 - Almoço
13:30 - Grupos de Trabalhos
-CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS (ALAN KARDEK- ADVOGADO)
-GÊNERO E ETNIA (DEISE QUEIROZ -CEN/BA)
-HISTÓRIA DA AFRICA (SAMUEL DA LUZ-ESPECIALISTA EM HISTÓRIA)
-SAUDE DA POPULAÇÃO NEGRA (CEÇA SILVA-COORDENADORA DO PROGRAMA DE SAUDE DA POPULAÇÃO NEGRA DO MUNICIPIO DE OLINDA)
16:00 - Lanche
16:30 - SOCIALIZAÇÃO DOS GRUPOS
17:30 - ENCERRAMENTO COM ENTREGA DE CERTIFICADOS.
SEJAM BEM VINDOS!
Lindacy Assis.
(Coordenadora CEN/PE)

quarta-feira, 12 de março de 2008

Negras Jovens Feministas escrevem carta aberta

No marco do I Encontro Nacional de Jovens Feministas e resgatando a trajetória história dos movimentos de mulheres negras e feminista, as Negras Jovens feministas escrevem carta que traz, entre outras coisas: recomendações, exigências e principais agendas defendidas pelas jovens negras. Confira a carta e não deixe de discuti-la nos seus espaços de atuação e no I Encontro Nacional de Jovens Feministas.

Fonte: Diálogo Jovem

terça-feira, 11 de março de 2008

Jovens feministas sim, com muito orgulho!



De 13 a 15 de março em Maracanaú (CE), rolou o I Encontro Nacional das Jovens Feministas. Participaram dele 100 mulheres jovens de todo Brasil, negras, lésbicas, indígenas, quilombolas, rurais e da periferia. Vários grupos foram representados em meio à diversidade presente, que partiram de algo que todas têm em comum - ser mulher jovem e feminista - para suas demandas e necessidades específicas. Rolaram altas discussões, e é evidente que a Viração tinha que estar presente neste encontro!

Na ocasião, as garotas resgataram a importância desse evento e seu propósito, que é consolidar a criação da Articulação Brasileira de Jovens Feministas. A realização desse evento e mais a Conferência Livre, que ocorreu no domingo, dia 16 de março, em Fortaleza (CE), são frutos dessa articulação entre jovens mulheres que vinham se mobilizando desde 2004, no 10° Encontro Latino Americano e do Caribe, quando já pautavam as demandas das mulheres jovens.

Desde então, nos anos sucessivos ao encontro, houve uma mobilização nacional com atividades, oficinas, discussões virtuais, etc. A principal atividade realizada até então foi o Fórum de Jovens Feministas no Fórum Social Brasileiro em 2006, que enfatizou a necessidade de participar de espaços importantes de discussão de políticas públicas para mulheres e juventude.

"Mas foi na II Conferência de Políticas para Mulheres, em agosto de 2007, que a consolidação dessa articulação ficou mais que evidente e necessária, quando as jovens levaram um pré-documento de demandas e abriram um diálogo com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres sobre a importância de uma representação jovem feminista no Conselho Nacional das Mulheres. E a resposta que obtivemos foi que essa Articulação tinha que sair de vez para que isso tornasse possível. Saímos então com a demanda deste encontro", disse Latoya, de São Paulo (SP), do movimento das negras jovens feministas.

"Nós, mulheres jovens, temos o desafio duplo, que é estarmos presentes nos espaços de juventude pautando a questões das mulheres e nos espaços de mulheres pautando a juventude", diz Monaliza, do Coletivo de Jovens Feministas - CE e do Fórum

Cláudia
Cláudia Vasconcelos
Cearense de Mulheres. "Por isso também a importância da consolidação da Articulação, que está fortalecendo os coletivos de jovens feministas existentes. Muitas vezes esses coletivos encontram dificuldades por não terem uma grande infra-estrutura, ou mesmo uma sede própria, sem contar os diversos desafios que eles enfrentam para se manterem e realizarem ações. Diante dessa realidade não queremos deslegitimá-los e sim fortalecê-los", acrescenta Cláudia Vasconcelos do Coletivo de Jovens Feministas - PE.


Feminismo x lesbianidade

Dentre as principais discussões levantadas o destaque é a situação das mulheres negras e mulheres lésbicas, nas quais os grupos falaram da dificuldade que as pessoas têm em assumir estas identidades.

Luanna Marley do Grupo Lamce de Fortaleza - CE, perguntou: "Por que há tanta resistência com a palavra lésbica? Por que nessa relação com o feminismo muitas vezes é negada uma das identidades que também faz parte do movimento, que é a lesbianidade?"

Sobre isso Andréa do Coturno, de Vênus de Brasília (DF), complementa: "Acho que o receio do movimento feminista em reconhecer a lesbianidade como uma das identidades que o compõe, é o medo de reforçar o estereótipo de que toda feminista é lésbica."

Com discussões diversas e específicas, saíram reflexões tidas como prioritárias pela articulação. Entre elas, uma ganhou destaque e foi consenso como a mais importante no momento - a descriminalização e legalização do aborto. Também foi defendido como desafio a popularização do feminismo, uma vez que muitas mulheres atuantes nos movimentos, ou não, têm de se reconhecer como feministas. Essa dificuldade vem dos estereótipos, que fazem com que as pessoas vejam o feminismo como um bicho-de-sete-cabeças, "machismo ao contrário" ou mesmo a visão de que é um movimento atuante no passado.

"Eu militei na Pastoral da Juventude em Manaus por 11 anos, onde comecei a conhecer outros movimentos, entre eles o

Roseane
Roseane Forito
Feminista e comecei a me identificar. A princípio eu queria "acabar" com
os homens, mas porque ainda não tinha muita informação, depois conheci o
que de fato é o feminismo... Daí me apaixonei", contou Roseane Ribeiro do Forito, da Liga Brasileira de Lésbicas, São Paulo (SP).

O encontro também recebeu a visita ilustre da Maria da Penha, ex-farmacêutica vítima de violência doméstica, que nomeia a lei 11.340. "Fico muito feliz em ver também as mulheres jovens se reunindo e sugerindo políticas públicas específicas", comentou.

O primeiro Encontro Nacional das Jovens Feminista teve o apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Secretaria Nacional de Juventude e Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ambas do governo federal. Além da Prefeitura de Fortaleza e Fundação Friedrich Ebert Stiftung.

Fonte: Revista Viração

quinta-feira, 6 de março de 2008

TV Band: Membros de terreiro de candomblé demolido protestam na porta da prefeitura

video

Data 05/03/2008
Hora 19:12:00
Duração 00:01:45
Emissora TV Band
Programa Band Cidade

quarta-feira, 5 de março de 2008

TV Itapoan: Promotoria de Combate ao Racismo e representantes do camdomblé procuram responsáveis pela demolição do terreiro

video

Data 04/03/2008
Hora 19:54:00
Duração 00:01:38
Emissora TV Itapoan
Programa Bahia Record

terça-feira, 4 de março de 2008

BandNews faz matéria sobre a demolição do terreiro

TV Band: Terreiro derrubado



video

Data 04/03/2008
Hora 12:28:00
Duração 00:01:44
Emissora TV Band

Para quem nao viu as fotos



O ato de VANDALISMO que atingiu o Terreiro Oyá Onipo, em Salvador, atingiu a todos os Terreiros do País e a alma de cada um de nós. Nossos Orixás estão, com Oyá, em estado de alerta. A contra-ordem e a apuração dos fatos não eximem o órgão de responder por perdas e danos.

O Terreiro Oyá Onipo Neto, localizado na Avenida Jorge Amado - Imbuí, foi parcialmente destruído na manhã desta quarta-feira, dia 27, por agentes da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom). A ação foi feita sem que o órgão apresentasse documento de autorização para a derrubada da casa religiosa. A mãe de santo Rosalice do Amor Divino, Mãe Rosa, 50 anos, já havia denunciado intolerância religiosa por parte de um vizinho dela, engenheiro do órgão municipal que teria manifestado o desejo de derrubar seu imóvel.

A ação de demolição teve início por volta das 8h30, quando moradores e filhos de santo do terreiro ainda estavam dentro do prédio. Segundo vizinhos que assistiram a ação do órgão, os agentes da Sucom mal chegaram começaram a demolição. Também não permitiram que os moradores retirassem seus pertences ou os objetos de culto de dentro da casa. Para tentar resolver o impasse foram chamados representantes de entidades de direitos humanos e de defesa do culto afro-brasileiro. Quando parte do terreiro já havia sido derrubada, um representante da Secretaria de Governo do prefeito João Henrique Carneiro chegou ao local, no meio da manhã, com uma ordem direta do prefeito para suspender a demolição. Segundo esse representante da secretaria, "houve falha na Sucom que ainda será apurada". O representante disse também que o único documento apresentado pelos agentes é um comunicado assinado por um engenheiro do órgão. Esse documento porém, não validaria a demolição da casa religiosa. Os representantes do Terreiro, da Sucom e da prefeitura vão se reunir para apurar o ocorrido e tomar as providências cabíveis.

FONTE: A TARDE On Line
Fotos: Fernando Vivas/ Agência A Tarde

Prefeito descarta se retratar por terreiro demolido

Correio da Bahia
4/3/2008
Prefeito descarta se retratar por terreiro demolido

Greve de fome anunciada pelo coordenador do Coletivo de Entidades Negras não convence João Henrique a se desculpar



Flávio Costa e Alexandre Lyrio

O prefeito João Henrique recusou-se ontem a fazer qualquer retratação pública sobre a demolição do terreiro Oyá Unipó Neto, realizada por agentes da Superintendência de Manutenção, Conservação e Uso do Solo (Sucom). Desde a noite de sexta-feira, o coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras, Marcos Resende, diz estar em greve de fome para obrigá-lo a pedir desculpas aos adeptos do candomblé. A reconstrução da casa de candomblé, no Imbuí, garantida pela prefeitura, ainda não tem data para iniciar.

“Da parte da prefeitura nós fizemos tudo o que foi possível. Nós já reparamos os excessos cometidos pelo fiscal da Sucom que cumpriu a ordem de demolição. Não vejo necessidade de fazermos uma retratação”, declarou à tarde João Henrique, que é evangélico. Ele falou sobre o assunto após cerimônia de posses do secretário de Educação, Carlos Soares, e do novo superintendente da Sucom, Cláudio Silva, e do presidente do IPS, Ricarte Passos, no Palácio Thomé de Souza.

O prefeito, através do secretário de Comunicação, André Curvello, já havia dito que nenhum outro templo de religioso seria demolido na cidade. Exonerada da Sucom, mas ainda à frente da Secretaria de Planejamento, a qual a Sucom é subordinada, Kátia Carmelo engrossou o coro contrário a um pedido de desculpas do chefe do executivo municipal. “A decisão do órgão foi respaldada pelos processos fiscais do órgão”.

Não é esta a opinião de Resende e outros representantes de entidades ligadas ao culto afro, a exemplo da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA). “Não adianta apenas prometer a ressarcir o prejuízo material. João Henrique tem que se dar conta da gravidade do erro da prefeitura e se retratar pessoalmente, e não através de intermediários”, disse Resende.

Ele dorme no Unipó Neto desde a sexta-feira à noite, quando diz ter iniciado o jejum. No período diz ter ingerido apenas água, soro, e acaçá - pequeno alimento feito a partir do milho, considerado adeptos do candomblé. “Tem a mesma importância do que a hóstia para os católicos”.

Filho de Xangô, Marcos Resende freqüenta o terreiro Ilê Axé Oxumarê, no Engenho Velho da Federação. Antes de ser levado para depôr no Ministério Público Estadual (MPE), que apura o caso, ele foi medicado por uma equipe do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu), no início da tarde. “É preciso que a prefeitura inclua o Unipó Neto no programa de regularização fundiária, para evitar que depois de erguido, o terreiro venha a ser destruído novamente”.

***

Receio nos templos afros

Além de revolta e medo, a demolição do terreiro Oyá Unipó Neto, na Avenida Jorge Amado (Imbuí), pela Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), deixou receosos os pais e mães-de-santo de inúmeros templos de candomblé espalhados por Salvador. Como a maioria também se encontra em situação fundiária irregular, há o temor de que o mesmo aconteça com suas casas e barracões, onde desenvolvem o culto de matriz africana. O último mapeamento da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), realizado em 2007, aponta que, dos 1.236 terreiros catalogados na capital, apenas 39,3% possuem escritura registrada.

Solidários com a tragédia vivida pelos colegas de seita e unidos contra a ação da Sucom, representantes dos terreiros situados em áreas irregulares esperam que a destruição do Oyá Unipó Neto não tenha sido em vão. A indignação vem acompanhada de uma forte cobrança por mais agilidade na regularização fundiária dos casarões. “Vivemos na clandestinidade e a prefeitura fecha os olhos. Tenho medo de que o que aconteceu com mãe Rosa se repita com a gente”, admite o babalorixá Jessé Mota de Carvalho, conhecido como pai Jardel de Oxóssi.

Líder religioso do Centro do Caboclo Arariboia, instalado há mais de dez anos na Fazenda Grande do Retiro, pai Jardel apresenta alvará e certificado concedidos pela Federação Nacional do Culto Afro-brasileiro (Fenacab), mas lhe falta ainda a escritura do terreno.

“Moro aqui há 37 anos. Quando o pessoal do mapeamento nos visitou e deu a garantia de que havia o interesse de nos regularizar. Até agora nada”, conta. A situação é semelhante a do terreiro Azer de Obaluaiyê, no Curuzu. Fundado há 12 anos, o templo tem como sacerdote o babalorixá Everaldo Campos, o pai Everaldo. “Só nos resta a posse. Temos receio que a intolerância da prefeitura bata em nossa porta”.

O mapeamento da Semur também revela que boa parte dos terreiros (24,6%) apresenta apenas contrato de compra e venda do imóvel. Já o percentual de templos sem qualquer documentação ultrapassa os 20%. Caso do terreiro Ylê Axé Musi Boyá, no bairro do Retiro. Edificado numa rua de pouco mais de 50m, onde se instala outras três casas de candomblé, sequer tem alvará. Para cada culto realizado no local, a ialorixá Conceição Costa Silva, a mãe Conceição, paga licença da Fenacab. Com “20 anos de santo”, é mais uma que espera pela regularização. “A gente mantém isso aqui com muita dificuldade. Mas vamos lutar pra não desmoronar como mãe Rosa”, avisa.

***

Ialorixá diz que templo foi profanado

“Não é uma questão de brincadeira. O templo religioso foi profanado. Ele está sofrendo o sacríficio da carne pela honra do orixá”, diz a ialorixá Roselice do Amor Divino, mais conhecida como mãe Rosa. A casa da nação angola, referenda a Iansã. Ela considera que a responsável pela execução, a ex-superintendente Kátia Carmelo, merecia maior castigo que a exoneração do cargo. Ela é ainda titular da Secretaria de Planejamento, à qual a Sucom é diretamente subordinada.

Durante o fim de semana, a casa de candomblé passou por uma série de ritos para o recolhimento dos objetos sagrados quebrados durante a demolição feita pela Superintendência de Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), na quarta-feira. Em 1997, mãe Rosa já havia passado pela mesma situação, quando o Unipó Neto foi demolido durante a gestão de Antonio Imbassahy. Amanhã, às 14h, as entidades ligadas ao culto de religiões de matrizes africanas realizam uma passeata entre o Campo Grande e a Praça Municipal.

A reconstrução do barracão do terreiro ainda não começou. O presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal), Euvaldo Jorge, esteve no lugar, na sexta-feira, para fazer uma análise do que precisa ser feito para recuperar a estrutura da casa de candomblé. “Nós entregamos o relatório ao secretário de Governo, Gilmar Santiago, para decisão de qual forma a obra será realizada e quando ela vai se iniciar”.

***

Situação fundiária sem solução

Apesar da garantia da prefeitura de que não vai haver mais destruição de terreiros na cidade, não existe uma solução definitiva à vista para a situação fundiária dos templos construídos em áreas públicas. O próprio subsecretário municipal da Habitação (Seab), Édson Pita Lima, diz que não é feita qualquer distinção durante os processos de ordenação. Empossado ontem, Pita Lima explica que a regularização de terreiros se dá junto com as moradias que os cercam, sem qualquer beneficiamento dessa ou daquela habitação.

“Trabalhamos com núcleos habitacionais e não com grupos específicos. Um terreiro de candomblé só será incluso num processo de regularização se durante o levantamento ele for identificado como daquela área”. Mas entre os projetos governamentais há duas exceções. No universo de 1.236 terreiros, dois programas anunciam a regularização de algumas dezenas de imóveis onde se realiza o culto a religiões de matriz africana. A própria Seab realiza atualmente um estudo piloto sobre os 23 terreiros localizados no bairro do Engenho Velho da Federação.

Ali, a intenção não é somente regularizá-los, mas promover melhorias de infra-estrutura. “O Engenho Velho é um caso à parte, devido à grande quantidade de templos de candomblé e a importância que têm para a comunidade”, justifica o subsecretário. Além desse, há outro projeto de revitalização de terreiros, com investimento da ordem de R$2,2 milhões do Ministério da Cultua (Minc), em parceria com o estado e o município.

Assinado em dezembro do ano passado, vai beneficiar 55 templos de 26 bairros, reconhecidos recentemente em decreto do prefeito João Henrique como terreiros de patrimônio histórico e cultural de origem afro-brasileira. Mesmo entre esses, a maioria não possui escritura e está em processo de regularização. Sete deles foram construídos em área pública. Mas o próprio prefeito comprometeu-se em regularizar sua situação fundiária.

Colaborou Osvaldo Lyra

***

Mutirão jurídico analisa os casos de 95 detentos

Carmen Azevêdo

Começou na manhã de ontem e termina no fim desta semana um mutirão jurídico para analisar casos de 95 detentos do Centro de Observação Penal (COP) do Complexo Penitenciário da Mata Escura. Três advogados e 16 estagiários de direito estão analisando caso a caso e elaborando pedidos de livramento condicional e progressão de regime.

A ação faz parte do Mutirão Jurídico Penitenciário e resulta de uma parceria entre a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) e o Ministério da Justiça. No segundo semestre do ano passado, a iniciativa atendeu mais de 2.500 internos da Penitenciária Lemos Brito (PLB) e Colônia Lafayete Coutinho (CLC). O resultado foi a obtenção de 497 livramentos condicionais e 519 progressões de regime.

O objetivo este ano é atender quatro mil detentos no estado. A garantia de assistência jurídica permanente aos reclusos dos presídios baianos integra o Plano Diretor do Sistema Penitenciário do Estado. A realização do plano está vinculada ao Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).




Gays, travestis e transexuais apóiam decisão do SUS de aceitar o nome social dos pacientes

Maria Vianna, especial para O Globo Online

RIO - Os grupos que defendem os direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais (GLBTT) comemoraram a divulgação de uma série de medidas do Sistema Único de Saúde (SUS) para diminuir o preconceito no atendimento médico desta população. Entre outras medidas, agora é possível usar o nome social nos prontuários de atendimento. Ou seja, um travesti pode usar o nome de uma mulher mesmo que na carteira de identidade o nome seja masculino. Além disso, o Ministério da Saúde vai capacitar os profissionais da saúde sobre conteúdos a respeito desse grupo populacional.

Para Julio Moreira, diretor sócio-cultural da organização não-governamental Arco-Íris de Conscientização Homossexual, a decisão do SUS é um grande avanço, em especial para transexuais e travestis, que costumam sofrer com constrangimentos e preconceito nas consultas médicas.

" Muitos médicos não estão preparados para lidar com pacientes de diferentes realidades (Majorie Marchi) "

- Esta é uma luta que já vem sendo travada há muito tempo, uma reivindicação que precisava ser atendida. Não são poucos os relatos de pessoas que sofrem com piadas machistas e preconceito quando decidem procurar um médico - avalia Julio.

O travesti Majorie Marchi, presidente da Associação de Travestis e Transgêneros do Rio de Janeiro, acredita que a decisão de treinar profissionais de saúde para lidar como esse público também é de fundamental importância:

- Muitos médicos não estão preparados para lidar com algumas questões, ou não entendem como cuidar de pacientes de diferentes realidades, o que faz com que muitos acabem deixando de procurar ajuda médica. Todos merecem um tratamento igualitário. Vejo essas decisões do Ministério da Saúde como uma atitude de bom senso e recebo a notícia com muita felicidade - diz Majorie.

Já Yone Lindgren, coordenadora geral do movimento D'Ellas, ressalta que nenhuma medida do governo estará completa enquanto o Supremo Tribunal Federal não aprovar o projeto de lei que torna crime a homofobia.

" O tratamento igualitário só vai existir quando a homofobia se tornar crime no país (Yone Lingren) "

- O tratamento igualitário a gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais só vai existir quando a homofobia se tornar crime no país. É claro que essas medidas representam avanços, mas elas só vão ser eficazes se forem adotadas em todo o território nacional. Se forem percebidas como fatos isolados, não vão mudar muita coisa - acredita Yone.

Sergio Cabral quer garantir mesmos direitos a casais homossexuais

A decisão do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, de garantir que os mesmos direitos dados a casais heterossexuais sejam aplicados aos casais homossexuais em relação a dispositivos do Estatuto dos Servidores Públicos Civis do Estado do Rio de Janeiro que tratam sobre concessão de licença, Previdência e assistência, também agradou.

- Esta decisão do governador é bastante interessante porque mostra que existe um reconhecimento aos casais do mesmo sexo. Nos últimos anos, temos visto grandes avanços no campo do judiciário e nas empresas estatais sobre essas questões - acredita Julio Moreira, da Arco-Íris.

Leia mais:

Homossexuais poderão usar o 'nome social' em prontuários do SUS

Manual com as novas medidas do Ministério da Saúde

domingo, 2 de março de 2008

Pedindo Respeito ao Candomblé, Coordenador-Geral do CEN entra em greve de fome

No Terreiro Oyá Onipó Neto, Marcos Rezende entra em greve de fome e recebe apoio das organizações do Movimento Negro.

Já entra no segundo dia a greve de fome de Marcos Rezende, coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras e Ogan do Ilê Oxumaré. Depois de uma semana de intensas ações em apoio ao Terreiro Oyá Onipó Neto, que foi parcialmente derrubado pela prefeitura de Salvador, Marcos Rezende entrou em greve "pelo desrespeito às religiões de matriz africana, que são perseguidas graças à intolerância religiosa". Rezende diz, ainda, que, antes de tudo "queremos a reparação pelo dano causado, través de compromisso de que não mais serão destruidos templos religiosos na cidade de Salvador".

A greve de fome de Marcos Rezende não é um ato isolado. Conta com o apoio de todo o Coletivo de Entidades Negras, não só na Bahia, como também, nos outros 8 estados onde o CEN está constituído e, mais que isso, conta também com o apoio das organizações que na Bahia estão à frente do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil (Conneb), tais como a Uniao de Negros pela Igualdade (Unegro), o Movimento Negro Unificado (MNU), a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), a Pro-Homo entre outras.

Gerusa Santos, coordenadora do Centro Feminino da Diáspora Negra, diz que "não podemos deixar esse momento histórico fugir das nossas mãos somente porque houve apologia, demissão, e reconstrução do terreiro. Que uma nova historia do racismo, da intolerância etc., seja escrita a partir desse fato". Já Renildo Barbosa, coordenador da Pro-Homo e Diretor Nacional de Diversidade do CEN, reclama da indiferença de outros setores do MN e da sociedade civil ao fato de um terreiro de candomblé ter sido derrubado "Só quero manter meu compromisso que, se acontecer qualquer coisa a nós, do CEN ou a qualquer pessoa que atinja nossos direitos, estarei protestando, mesmo que a melhor saida seja a omissão, seja não participar, nem se envolver", ele diz.

Poucos meses atrás o país inteiro acompanhou a greve de fome de Dom Luis Cappio, bispo católico que fez isso em protesto contra a transposição do Rio São Francisco. Nesse momento, e pela primeira vez na história do país, um religioso do candomblé, um líder político do Movimento Negro, usa do mesmo instrumento para denunciar ao Brasil e ao mundo que a intolerância religiosa, o desrespeito às religiões de matriz africana e, por conseguinte, à toda população negra brasileira, ainda é uma realidade constante no país.

É o momento para que todos reflitam sobre que sociedade é essa que está sendo construída e que tipo de país queremos no futuro. Afinal, a tolerância e o respeito à diferença não podem apenas ser discursos mas, sim, praticas cotidianas na construção de uma sociedade mais justa.

Histórico

Uma semana atrás a prefeitura de Salvador resolveu que era chegada a hora de demolir o terreiro Terreiro Oyá Onipó Neto. Segundo a Superintendência Controle e Ordenamento do Uso do Solo da prefeitura de Salvador (Sucom), o terreiro estava em situação irregular e já havia sido notificado e não havia regularizado a situação.

Nos ultimos dias uma várias movimentações foram feitas para proteger o terreiro da demolição. Mesmo assim, quatro dias atrás a Sucom começou o processo de demolição que só foi interrompido por uma ordem direta do prefeito de Salvador que, vítima do desgaste provocado pela situação resolveu demitir a superintente Katia Carmelo da função, mas a manteve na Secretaria de Planejamento, cargo que ela acumulava com a Sucom.

sábado, 1 de março de 2008

Informativo CEPI / CEN


Março 2008 / Ano 1- Nº1

Para ter acesso ao seu exemplar, clique aqui.

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