quinta-feira, 31 de julho de 2008

Livro mostra história de jovem africana que sobreviveu ao genocídio de Ruanda



Immaculée Ilibagiza era uma jovem ruandesa feliz e esperançosa. Adorava seu país, tinha uma família unida e respeitada e gostava de estudar. Praticamente não sabia dos conflitos étnicos ancestrais entre os tútsis e os hútus, principais etnias de Ruanda.


Em 1994, sua vida mudou completamente. Com a morte do então presidente Juvenal Habyarimana, a tensão entre tútsis e hútus descambou para um conflito generalizado, que provocou um dos eventos mais horrendos da história de Ruanda. Naquele ano, em apenas cem dias, mais de um milhão de ruandeses foram barbaramente assassinados. Os jovens hútus, que antes eram vizinhos, colegas de turma e até amigos de Immaculée Ilibagiza, tomaram o poder e se transformaram em caçadores, treinados para matar os inimigos "como baratas", violar mulheres, esquartejar crianças e torturar todos os rivais que encontrassem pela frente.

O livro "Sobrevivi Para Contar", da editora Fontanar, relata os horrores destes conflitos, além de trazer uma história de fé e esperança. Neste título, a jovem africana Immaculée Ilibagiza revela em uma narrativa dramática como sobreviveu ao massacre e conta como foram os três meses em que passou escondida em um banheiro da casa de um pastor com mais sete mulheres ouvindo as vozes dos homens que queriam matá-la e os gritos das vítimas.

Neste período em que ficou confinada, Imaculée viveu em condições extremamente precárias: não podia falar em voz alta, recebia pouca comida (emagreceu cerca de 10 kg), não podia tomar banho, adoeceu duas vezes e não tinha remédios. As notícias que recebia também não eram nada agradáveis. Volta e meia ela ouvia relatos impressionantes de crueldade, violência e abuso contra homens, mulheres, adolescentes e até crianças, como este:

"Eles agarraram uma mãe e todos se aproveitaram dela. Ela implorava que tirassem seus filhos dali, mas eles seguraram o marido e seus três filhinhos, ameaçando-os com facões encostados à garganta. Obrigaram todos eles a assistirem enquanto oito ou nove deles estupraram a mulher. No final, mataram toda a família".

Para superar as dificuldades, em todos os momentos, Imaculée rezou. Com uma Bíblia em mãos, ela orava por seus parentes, amigos e pelo seu povo, depositando toda a sua fé em Deus. E em muitos momentos do livro ela credita sua sobrevivência a Deus.

Immaculée Ilibagiza conseguiu emigrar para os Estados Unidos e obter um emprego na ONU. Com a ajuda do premiado jornalista e escritor Steve Erwin, ela escreveu "Sobrevivi Para Contar". Atualmente ela mantém uma instituição de caridade que ajuda as crianças da África.

Leia abaixo um trecho do primeiro capítulo do livro.

*

A Eterna Primavera

Nasci no paraíso.

Pelo menos era assim que me sentia a respeito da minha terra natal durante meus primeiros anos de vida.

Ruanda é um país pequenino, engastado como uma jóia na África Central. Sua beleza é tanta que é impossível não ver a mão de Deus no ondular de suas luxuriantes colinas, montanhas envoltas em névoa, vales verdejantes e lagos que cintilam. A brisa suave que desce das montanhas, por entre florestas de pinheiros e cedros, traz consigo o doce perfume dos lírios e dos crisântemos. E o clima é tão ameno o ano todo que os alemães, chegados no final da década de 1830, chamavam-na "terra da eterna primavera".

Durante a infância, jamais me falaram sobre a existência das correntes do mal que um dia dariam origem ao holocausto que inundou meu país num banho de sangue. A menina que eu era só conhecia do mundo a encantadora paisagem ao seu redor, a gentileza dos vizinhos e o amor profundo de meus pais e irmãos. Em nossa casa, racismo e preconceito eram totalmente desconhecidos. Eu não tinha consciência de que as pessoas pertenciam a tribos e raças diferentes e, até entrar para a escola, jamais havia escutado palavras como tútsi ou hútu.

Em minha aldeia, crianças caminhavam mais de 12 quilômetros, por trechos desertos de estrada, para ir e voltar da escola, mas seus pais não se preocupavam com a possibilidade de serem raptadas ou de alguma forma maltratadas. Meu maior medo nessa época era o de ficar sozinha no escuro - a não ser por isso, eu era uma menininha muito feliz, em uma família feliz, habitante do que me parecia ser uma aldeia feliz, onde as pessoas se respeitavam e eram amigas umas das outras.

Nasci em Kibuye, uma província de Ruanda Ocidental, na aldeia de Mataba. Nossa casa se erguia sobre o topo de uma colina, com vista para o lago Kivu, que parecia estender- se até o infinito diante de nós. Em manhãs claras eu podia avistar as montanhas na outra margem do lago, no vizinho Zaire, hoje República Democrática do Congo. Entre as cenas indelevelmente gravadas em minha memória está a arriscada descida da encosta íngreme que ia da nossa casa até o lago. Assim que os raios do sol dissipavam os derradeiros vestígios da neblina da madrugada, eu ia nadar com meu pai e irmãos. A temperatura da água era cálida, o ar que tocava nossa pele era fresco, e avistar nossa casa, muito acima da margem do lago, sempre me emocionava.

O caminho de volta era uma verdadeira aventura, porque a colina era muito íngreme, e a terra sob nossos pés, instável e traiçoeira. Eu muitas vezes escorregava e sentia medo de rolar ladeira abaixo até cair no lago. Meu pai sempre percebia quando eu estava com medo e me carregava em seus braços até em casa. Era um homem grande e forte, e, aconchegada naqueles braços vigorosos, eu me sentia amada e protegida. Causava-me grande emoção ser levada assim, de forma tão carinhosa, já que meu pai era antiquadamente reservado e raramente demonstrava emoção ou falava de seu amor por mim ou por meus irmãos - embora tivéssemos certeza desse amor.

Ao chegarmos da natação, encontrávamos minha linda mãe ocupada na cozinha, preparando o prato quente de arroz com feijão que costumava nos servir diariamente antes de nos despachar para a escola. Sua energia jamais cessava de me surpreender. Mamãe era sempre a primeira a acordar e a última a se deitar - levantava-se muito antes de todos para conferir se a casa estava em ordem, nossas roupas estendidas, nossos livros e lições separados, e os papéis do trabalho de papai organizados. Confeccionava todas as nossas roupas, cortava nossos cabelos e enfeitava a casa com objetos feitos à mão por ela mesma.

Os feijões servidos em nosso desjejum eram cultivados em nossas terras, que mamãe supervisionava todas as manhãs enquanto ainda estávamos dormindo. Inspecionava a lavoura, distribuía as ferramentas aos trabalhadores temporários e verificava se nossas vacas e demais animais estavam alimentados e com os bebedouros cheios. Então, findas as tarefas matinais e tendo nos mandado para a escola, se encaminhava para a escola primária local onde trabalhava como professora em tempo integral.

Meus pais eram ambos professores e acreditavam firmemente em uma boa educação como única defesa contra a pobreza e a fome. Apesar de ser um dos menores países da África, Ruanda - que tem aproximadamente a mesma extensão que o estado brasileiro de Alagoas - é um dos mais densamente povoados do continente e um dos mais pobres do mundo. Papai e mamãe foram os primeiros de suas famílias a obter um diploma de segundo grau e estavam decididos a fazer com que seus filhos fossem mais além. Papai ensinava pelo exemplo, trabalhou duro e estudou muito a vida toda. Recebeu muitas honrarias e promoções em sua carreira e ascendeu continuamente os degraus que o levaram de professor primário até o posto de diretor da escola secundária e, por fim, administrador-chefe de todas as escolas católicas em nosso distrito.

*

"Sobrevivi Para Contar"
Autores: Immaculée Ilibagiza com Steve Erwin
Editora: Fontanar
Páginas: 224
Quanto: R$ 29,90
Onde comprar: Nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 e na Livraria da Folha

Fonte: Notícias Bol

Para combater milícias, primeiro a sociedade tem que deixar de ser hipócrita, diz secretário

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil





Brasília - A primeira coisa que tem que ser feita no combate às milícias, como as existentes no Rio de Janeiro, é acabar com a hipocrisia das classes mais altas da sociedade brasileira, que condenam a violência somente quando se sentem ameaçadas por ela, disse hoje (30) o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri. Segundo ele, muitos segmerntos sociais apóiam o surgimento dessas organizações, ao criminalizar a pobreza.

“Temos que ser muito francos e contradizer toda hipocrisia social, que neste momento condena as milícias, mas se voltarmos um pouco atrás, veremos que no surgimento elas [milícias] foram aplaudidas. Os justiceiros que vinham para resolver problemas de segurança pública também foram aplaudidas, da mesma forma como todos os grupos de extermínio inicialmente são aplaudidos pelas classes formadoras de opinião”, afirmou ele, em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Um exemplo que ele trouxe em relação ao comportamento das classes formadoras de opinião no Brasil foi o da morte do garoto de três anos dentro de um carro, no Rio de Janeiro, no início deste mês. “Se, em vez daquela criança, tivéssemos três jovens - homens, pobres, negros, honestos e trabalhadores - provavelmente eles seriam uma estatística a mais e a sociedade inteira aplaudiria dizendo 'menos três bandidos mortos'”.

Balestreri destacou que é moralmente corrompido um grupo que surge se dizendo justiceiro, com o objetivo de exterminar criminosos. De acordo com o secretário, se criminosos decidem sobre a vida e a morte das pessoas de uma comunidade, é natural que eles se achem no direito de tirar dinheiro dessas pessoas.

“Quem é encarregado de tratar o fenômeno da segurança pública são as instituições de Segurança Pública. Quem quer que se apresente para fazer isso em nome da população é bandido, com certeza. Não há nenhuma diferença entre os narcotraficantes e as milícias e esse é o primeiro grande passo: perceber que não há diferença”, disse.

Além de educar a população para não reagir de forma emocional aos problemas de segurança - “para [as pessoas] serem mais racionais na análise que fazem” -, o secretário acrescentou a necessidade de educar também a polícia para que saiba combater esses grupos ainda no seu surgimento.

Fonte: Agência Brasil

Pacto quer garantir direitos da juventude negra

Da Agência Brasil






Brasília - O Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) lançou hoje (22) o Pacto pela Juventude. O texto contém 70 resoluções de Políticas Públicas para a juventude, sendo 22 prioritárias. Dentre as propostas principais estão a garantia e a visibilidade dos direitos dos negros, a ampliação dos investimentos na educação e a prática de esporte e da cultura como fundamentais para o desenvolvimento dos jovens.

De acordo com o presidente do Conjuve, Danilo Moreira, há mais de 50 milhões de jovens na faixa etária de 15 a 29 anos no Brasil, e a atenção aos negros é fundamental para resolver outros problemas, além do preconceito. “A maioria dos jovens que sofrem violência nas grandes periferias são negros. Eles são vítimas por causa de questões sociais, econômicas e raciais”, destacou o representante do Conjuve, em entrevista ao programa Revista Brasil da Rádio Nacional.

O presidente do Conselho Nacional de Juventude explicou que o acordo é um compromisso público para transformar em realidade as deliberações da 1ª Conferência Nacional pela Juventude, ocorrida em abril, em Brasília. Segundo Moreira, a partir de 12 de agosto, Dia Nacional da Juventude, o conselho fará uma caravana nacional para defender os direitos da juventude e apresentar as resoluções do Pacto pela Juventude.

obCENAS: Favela "in vritro"



Fonte: G1

McCain compara Obama a celebridades



Fonte: G1

Seminário “Atualização em DST/HIV/AIDS e Controle Social de Políticas Públicas em Saúde pelos Terreiros”


A Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde / Núcleo-RS, em parceria com a Comunidade Terreiro Ilê Axé Iyemonjá Omi Olodo e o Grupo de Pesquisa Processos e Organizações dos Pequenos Grupos da Faculdade de Psicologia - PUCRS, vem por meio deste, convidar Vossa Senhoria para participar do seminário intitulado “Atualização em DST/HIV/AIDS e Controle Social de Políticas Públicas em Saúde pelos Terreiros”, que realizar-se-á no dia 08 de agosto do corrente ano, na PUCRS (prédio 11, auditório 9º andar). Solicitamos a confirmação da presença de um representante de sua instituição até dia 01/08, através do e-mail oba.olorioba@gmail.com, indicando nome completo e função. Abaixo segue programação do evento.
Porto Alegre, julho de 2008.
Atenciosamente,
________________________
Comissão Organizadora

Atualização em DST/HIV/AIDS e Controle Social de Políticas Públicas em Saúde pelos Terreiros
Data: 08-08-2008
Local: PUCRS, prédio 11, auditório 9º andar
Público: lideranças religiosas de terreiros, militantes de movimentos sociais negros, gestores e trabalhadores em saúde, representantes de conselhos de saúde e pesquisadores.
Programação:
9:00h - Mesa de Abertura e Apresentação dos Participantes
9:30h - Religiosidade Afro-Brasileira, Corpo e Saúde
Facilitador: Babá Diba de Iyemonjá (Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde - Núcleo/RS)
10:30h - Os Terreiros e a Epidemia de HIV/Aids
Facilitador: José Marmo da Silva (Coordenador Executivo da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde)
11:30h - A Epidemia de HIV/Aids no Rio Grande do Sul
Facilitadora: Letícia Iquedo (Coordenação Estadual de DST/Aids do Rio Grande do Sul)
12:30h - Almoço
14:00h - O Plano Integrado de Feminização da Epidemia de Aids e outras DST
Facilitadora: Mirian Weber (Coordenação Municipal de DST/Aids de Porto Alegre)
14:40h - Movimento Social e Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e de Outras DST
Facilitadora: Simone Cruz (ACMUN – Associação Cultural de Mulheres Negras)
15:20h - Café
15:40h - Participação e Controle Social de Políticas Públicas em HIV/Aids
Facilitador: Oscar Paniz (Conselho Municipal de Saúde)
16:20h - Dados Epidemiológicos do HIV/Aids e Estratégias de Adesão ao Tratamento Anti-Retroviral (HAART) em Uganda.
Facilitador: José Carlos de Carvalho Leite (Pesquisador na área da Psicologia e Saúde da University of East Anglia - Inglaterra)
17:00h - Encerramento

Baba Diba de Iyemonja
Pùpó Àsé Àwá

Fonte:
Ìrohìn

Solano Trindade por sua filha Raquel

No dia 24 de julho de 1908, isto é, há cem anos, nascia Solano Trindade, um poeta de importância fundamental para a literatura afro-brasileira. Solicitamos à sua filha, Raquel Trindade, que falasse (ou melhor, escrevesse) um pouco sobre seu pai e ela gentilmente nos brindou com o texto a seguir, que desenha um rosto bem humano de um poeta que precisa ser lido sempre, especialmente pelas novas gerações.

SOLANO TRINDADE, MEU PAI
RAQUEL TRINDADE

Creio que é o sonho de toda criança: ter um pai como o meu. Na época em que os pais batiam muito nas crianças, ele era carinhoso e paciente com a gente: eu, Godiva, Liberto e Chiquinho. Em 1945, ele já falava no Direito da Criança, quando essa lei nem sonhava em existir.
Antes de sair para o trabalho, para vender seus livros e quadros (que trabalho, dirão meus irmãos trabalhadores, ele dizia quando entrava no trem da Leopoldina em Duque de Caxias, no Rio), ele brincava com a gente no quintal.
Um dia uma vizinha foi fazer queixa de mim, porque eu tinha batido no filho dela. Ela dizia: - Essa menina precisa de uma surra.
Meu pai, pra satisfazer a vizinha, disse pra mim: - Você não quer ser artista? Vamos fazer um teste, eu vou bater com o cinto na parede e você grita como se estivesse apanhando de verdade -. E assim foi... A vizinha ouviu os gritos de sua casa, e foi encontrar minha mãe Margarida no caminho: - Dona Margarida, estou morrendo de remorso, fiz queixa da Raquel e seu Francisco deu uma surra nela.

MARGARIDA - Francisco, você bateu em Raquel?

SOLANO - Que nada, essa menina é uma artista, eu batia na parede e ela gritava.

De tarde, a vizinha, ainda com remorso, me trouxe um bolo.

Quando eu tinha 8 pra 9 anos, meu pai arranjou um emprego no IBGE da Praia Vermelha (Rio), só que me levava junto, assinava o ponto e saía comigo, me levava na Pinacoteca, na Biblioteca Nacional, na Escola de Belas Artes, no Municipal do Rio de Janeiro para assistir óperas, balé e música clássica. Parávamos depois no bar Vermelhinho, na rua Araújo Porto Alegre, em frente à Associação Brasileira de Imprensa (Rio), onde ele se encontrava com Grande Otelo, a pintora Djanira, Aldemir Martins, o sociólogo Edson Carneiro, com quem, junto com a minha mãe, criou o Teatro Popular Brasileiro. Estava também o Barão de Itararé, Silveira Sampaio, Paschoal Carlos Magno, Aníbal Machado, a intelectualidade e os militantes de esquerda do Rio de Janeiro. E nessa, esquecia de assinar o ponto de volta no IBGE.
À noite, íamos assistir o Teatro Experimental do Negro, do Abdias Nascimento; outra noite, a Orquestra Afro-Brasileira e Abigail Moura; outra noite, o Ballet Afro de Mercedes Batista e o ensaio do grupo folclórico de Haroldo Costa, onde minha mãe ensinava dança.
Meu pai conversava muito comigo, me falava dos problemas raciais, da má divisão de renda do povo brasileiro. Me dizia do respeito que se devia ter com as diferenças, me falava da história da África, como eu devia me orgulhar de ser negra, sem discriminar qualquer outra raça. Enquanto minha mãe (Terapeuta Ocupacional, trabalhou no Museu da Imagem do Inconsciente, com Dra. Nice de Oliveira; era uma exímia costureira, bordadeira) me ensinou a fazer os serviços domésticos, a ser sempre honesta, a me afastar de vícios, como fumar e beber.
Ela, mesmo presbiteriana como era, me ensinou todas as danças folclóricas, com exceção das danças dos Orixás, que aprendi quando entrei no Candomblé.
Papai me orientava para as artes, me levando a ateliês de seus amigos, comprando livros, porque sabia que eu gostava de ler.
Fiz o primário gratuito porque tinha uma senhora, Dona Armanda Álvaro Alberto, que mantinha uma escola para as crianças pobres de Caxias, muito avançada, nos moldes europeus.
Mas o ginásio, não tinha público, papai pagava com dificuldade, pois ele vivia da arte. Aí eu atrasava o pagamento, passava abaixadinha na secretaria para que o Dr. Ely Combat (diretor do ginásio de Caxias) não me visse, aí ele ia até a sala de aula e falava:
- Quem não pagou a mensalidade não faz prova...
Falava com papai, ele dizia: - Filha, não vou lhe deixar nada material, só o que você estudar, vou pra cidade tentar vender um quadro ou livros, mas você não vai perder a prova.
Eu tinha uns 9 anos quando ele foi preso político. Policiais truculentos, armados até os dentes, invadiram à noite a nossa casa, ele estava de cueca "samba-canção", acalmava a gente, eu e minha irmã chorando, Liberto com sarampo na cama que os policiais reviraram dizendo que tinha armas escondidas. Logo papai, que era pacifista como Gandhi, mamãe ficou brava com os policiais.
Levaram ele... Mamãe ia de prisão em prisão com a gente, até que descobriu que ele estava preso incomunicável na Rua da Relação (Rio).
Depois, quando eu estudava o clássico, me levou para a Europa com o elenco do Teatro Popular Brasileiro, ele foi de avião, nós fomos de navio Louis Limiere, e voltamos no Provence.
Em 1961, convidados pelo escultor Assis, viemos para o Embu.
E hoje coloco em prática, com filhos e netos, todos os ensinamentos desse grande pai Solano Trindade.
Obrigada meu pai Francisco Solano Trindade e Maria Margarida da Trindade por terem existido.

Raquel Trindade, 26 de junho de 2008 - Embu das Artes, São Paulo - Brasil


Poema inédito de meu pai:

NEM SÓ DE POESIA VIVE O POETA

Nem só de poesia vive o poeta
há o "fim do mês"
o agasalho
a farmácia
a pinga
o tempo ruim, com chuva
alguém nos olhando
Policialescamente
De vez em quando
Um pouco de poesia
Uma conta atrasada
Um cobrador exigente
Um trabalho mal pago
Uma fome
Um discurso à moda Ruy
E às vezes uma mulher fazendo carinho
Hoje a lua não é mais dos poetas
Hoje a lua é dos astronautas

Solano Trindade
1969

CEN indica: Hotel Rwanda

Hotel Rwanda é um filme de 2004 dirigido por Terry George e estrelado por Don Cheadle, Nick Nolte, Joaquin Phoenix, Desmond Dube e Sophie Okonedo.

O filme é uma co-produção da Itália, Reino Unido e África do Sul, e relata a história real de Paul Rusesabagina, que foi capaz de salvar a vida de 1268 pessoas durante o genocídio de Ruanda em 1994. Logo depois das primeiras exibições, sua história foi imediatamente comparada com a de Oskar Schindler.


Enredo

A história se passa em Kengali, capital da Ruanda em 1994, no que ficou conhecido por Genocídio de Ruanda. Paul Rusesabagina (Don Cheadle) é gerente do Hotel des Mille Collines, propriedade da empresa belga Sabena. Relata um período de aumento da tensão entre a maioria hutu e a minoria tutsi, duas etnias de um mesmo povo que ninguém sabe diferenciar uma da outra há não ser pelos documentos. Tudo começa quando o presidente de Ruanda morre em um atentado quando iria assinar um acordo de paz. Imediatamente os hutus creditam o crime aos guerrilheiros tutsis, dando início ao genocídio de tutsis e hutus moderados. Neste instante, Paul tenta proteger sua família, mas com iminente massacre generalizado, compra favores para proteger seus vizinhos que haviam pedido abrigo em sua casa na primeira noite de atrocidades. Com a continuidade da tensão e mortes de governantes, os turistas partem enquanto que no hotel, aumentam a quantidade de vítimas que procuram abrigo e proteção (forças do EUA) fazem a segurança do mais novo "hotel de refugiados" . Pela compra de favores dos militares e da milícia Interahamwe, Paul consegue manter o hotel a salvo. O Coronel Oliver, interpretado por Nick Note, é um personagem fictício que representa os militares canadenses no comando das forças de paz das Nações Unidas da Missão de Assistência das Nações Unidas para Ruanda (UNAMIR), que tentam proteger vidas mesmo com a falta de tropas.

Um momento de esperança resplandece quando tropas belgas surgem, mas estas têm a única missão de resgatar os estrangeiros, não tendo como objetivo interromper o massacre de tutsis pelos hutus.

Com a saída dos estrangeiros do hotel, Paul inicia negociações com o General Bizimungu (Fana Mokoena) para conseguir proteção policial porém não consegue.

Tentam uma saída para alguns membros, mas entraram numa cilada que quase acabou com a familia de Paul. Na outra tentativa, escoltados pelas forças da Onu cruzam com rebeldes tutsis, e chegam até o campo de refugiados, "mais seguro" e que dali poderiam partir para a Tanzânia.



Fonte: Wikipédia

Núcleo de Religiões de Matriz Africana da PM-BA comemora três anos e CEN/BA recebe homenagem


Salvador, 21/07 - O povo-de-santo na Bahia celebrou uma conquista que há três anos se tornou realidade: a criação do Núcleo de Religiões de Matriz Africana da Polícia Militar da Bahia (NAFRO/PM-BA). Há 193 anos integrando a sociedade baiana, a Polícia Militar viu surgir, apenas em 2005, o NAFRO, uma iniciativa pioneira em todo país, trazendo como pauta a proteção dos cultos afros e a garantia do direito destes religiosos de professarem sua crença em meio à corporação.

O auditório do Ministério Público (Nazaré) ficou lotado, com uma forte presença de religiosos e líderes espirituais de diversas Casas de Axé, inclusive de São Paulo, em cuja Corporação Militar também já há um NAFRO, fruto originado do pioneirismo baiano. Presentes também oficiais e praças, alunos do Colégio da PM e 33 alunos do Curso de Formação para Soldado do Núcleo de Formação de Ondina.

Na Roda de Conversa, a presença do economista, prof. Dr. Helio Santos, o historiador Dr. Ubiratan Castro de Araújo, a doutora em Educação Vanda Machado, o antropólogo Dr. Vilson Caetano e o engenheiro e mestre Lázaro Passos, que falaram sobre o tema de 2008, Tecnologia e Religiões de Matriz Africana, celebrando o ano do Orixá Ogum. A tarde foi da História, de contos e de homenagens, dentre elas, ao Coordenador Geral do CEN - Marcos Rezende.
A existência deste Núcleo junto aos Núcleos das demais religiões nos permite ouvir a voz do povo-de-santo dentro da instituição, antes tida como instrumento de repressão e coerção do Estado às práticas espirituais de matriz africana. Que ela seja ouvida e respeitada, como foram ouvidos e respeitados os cânticos de louvor aos Orixás, Nkisis, Voduns e Caboclos, entoados durante toda a celebração por Ogans do Núcleo e de Terreiros de Salvador. Parabéns Sargento Eurico Alcântara (Coord. Geral do NAFRO) pela iniciativa, pela coragem, parabéns aos demais integrantes do NAFRO e Povo do Axé na Bahia.

Crédito: Jamile Menezes

Rwanda: Mundo não está livre "de um outro genocídio" - ministro

Kigali, 25/07 - O ministro rwandês da Cultura, Joseph Habineza, defendeu hoje, sexta-feira, em Kigali que a África e o Mundo continuarão estar sob a mira de um outro genocídio, enquanto as causas e as consequências da tragédia do Rwanda não forem descortinadas".

Essa declaração foi feita por Joseph Habineza quando intervinha, em Kigali, no encerramento de uma conferência sobre o genocídio.

"Se os investigadores não se mobilizarem para descortinar as causas e as consequências da tragédia rwandesa, não está garantida à África e ao Mundo que poderão escapar a um outro genocídio", sustentou Habineza, igualmente ministro dos Desportos.

Os participantes dessa conferência, a primeira do género no Rwanda, convieram em qualificar os massacres de 1994 naquele país da África Central como "genocídio de tutsis" exclusivamente.

Participaram nesse encontro trinta pesquisadores provenientes de vários países do mundo.

Essa conferência surge depois de os deputados rwandeses terem votado uma emenda à Constituição do país, com vista a qualificar os massacres de 1994 de "genocídio contra os tutsis".

"Essa decisão é em parte uma iniciativa para combater a ideologia de genocídio no país", explicou o ministro rwandês.

"Temos o dever de sermos os guardiões da memória para desafiar quem quer que tenda banalizar a tragédia de 1994", insistiu.

Pelo menos 800 mil pessoas, segundo a ONU, essencialmente entre a minoria tutsi e de hutus moderados, foram mortos durante o genocídio de Abril a Julho de 1994 no Rwanda, planificado e executado por extremistas hutus.

Fonte: AngolaPress

Congresso pede as primeiras desculpas pela escravidão nos EUA

Os parlamentares americanos pediram na noite de terça-feira, pela primeira vez em sua história, desculpas em nome do governo federal pela "fundamental injustiça, crueldade, brutalidade e desumanidade" da escravidão e segregação racial em relação aos negros americanos.

O texto, adotado pela Câmara de Representantes, "apresenta desculpas aos negros americnaos em nome do povo dos Estados Unidos pelo mal que lhes foi infligido" sob as leis de segregação conhecidas como "Leis Jim Crow" e "por seus ancestrais que sofreram a escravidão".

Os parlamentares também indicaram que se comprometem em agir para corrigir "as conseqüências persistentes" da escravidão e segregação.

O democrata Steve Cohen, autor do texto, comemorou sua aprovação. "É um momento histórico na luta pelos direitos civis neste país e espero que esta norma possa servir para iniciar o diálogo sobre as questões raciais e a igualdade para todos", indicou em um comunicado.

"As desculpas não são gestos vãos e sim uma primeira etapa necessária para toda a reconciliação entre os povos", disse Cohen, representante do Tennessee.

A escravidão foi abolida oficialmente nos Estados Unidos em 1865. O ex-presidente Bill Clinton chegou a expressar que lamentava o papel dos Estados Unidos no tratamento dos escravos e o atual presidente George W. Bush classificou a escravidão como "um dos maiores crimes da história", mas até agora não havia sido registrado um arrependimento oficial.

As "Leis Jim Crow" foram formalmente abolidas em 1964 pela lei sobre os direitos civis, a chamada "Civil Rights Act", que proíbe qualquer forma de discriminação em lugares públicos.

mac/aic/cn

Fonte: Último Segundo

Começa o V Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as

Por Diony Soares*

Começa nesta terça (29 de julho) à noite em Goiânia, na Universidade Federal de Goiás, o V Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as - Copene. O evento, que acontece até a próxima sexta-feira (01 de agosto), foi organizado pela Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, contando também com a parceria de instituições de ensino superior do estado de Goiás, órgãos governamentais nacionais, estaduais e municipais, entidades do movimento negro e empresas. Estão sendo esperados/as aproximadamente mil participantes vindos/as de todas as regiões do país.

O tema do congresso é Pensamento negro e anti-racismo – Diferenciações e percursos. O eixo central é Corporeidade, gênero e sexualidade. Segundo a coordenação, este eixo resulta de reivindicações apresentadas no IV Copene, que aconteceu em 2006, em Salvador (BA), na Universidade Estadual da Bahia e contou com a participação de aproximadamente 1500 pessoas. A primeira edição do Copene foi realizada na Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, em 2000. A segunda na Universidade Federal de São Carlos, em São Carlos (SP), em 2002. A terceira na Universidade Federal do Maranhão, em São Luis, em 2004.

Neste V Copene, as comunicações, pôsteres e mesas redondas abordam os seguintes eixos temáticos: 1) Intelectualidades, feminismos e movimentos negros; 2) Corporeidade, gênero e sexualidade; 3) Educação e hierarquias étnico-raciais; 4) África e diásporas africanas; 5) Ações afirmativas, Estado e racismo institucional; 6) Arte, ciência e tecnologia; 7) Trabalho, raça e gênero; 8) Territórios, religiões e culturas negras; 9) Saúde e racismo ambiental e 10) Juventudes e (re)existência. No total foram aceitos cerca de 430 trabalhos.

A Associação Brasileira de Pesquisadores Negros é uma associação sem fins lucrativos fundada no dia 25 de novembro de 2000, em Recife (PE), cidade onde está sediada. De acordo com o artigo primeiro do estatuto da entidade, a ABPN “destina-se à defesa da pesquisa acadêmico-científica e/ou espaços afins realizadas prioritariamente por pesquisadores negros, sobre temas de interesse direto das populações negras no Brasil e todos os demais temas pertinentes à construção e ampliação do conhecimento humano”.

O estatuto também explicita que “consideram-se pesquisadores todos os que realizam pesquisa científica seja em universidades, faculdades, centro de pesquisa, entidades, ou seja, indivíduos devidamente reconhecidos por sua contribuição para a produção do conhecimento”.

Temática Educação é a preferida dos/as pesquisadores/as negros/as

A temática Educação recebeu o maior número de trabalhos dos/as pesquisadores/as que se inscreveram no V Copene. Dos cerca de 430 aceites, entre comunicações e pôsteres, aproximadamente trinta por cento abordam diretamente aspectos ligados à educação.

Em praticamente todos os eixos temáticos do congresso podem ser encontrados trabalhos que enfocam a educação. O eixo Educação, gênero e hierarquias étnico-raciais recebeu o maior número de comunicações. São 87, divididas entre três grupos de discussão.

O grupo Relações étnico-raciais, educação e identidades apresenta 30 comunicações. O grupo é coordenado pela doutora em Ciências Sociais Marise de Santana, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), pela doutora em Educação Petronilha Beatriz Gonçalves, da Universidade Federal de São Carlos (SP), e pelo professor Washington Santos Nascimento, também da UESB. O grupo Educação, formação de professores e relações étnico-raciais, que apresenta 25 comunicações,é coordenado pela doutora em Educação Wilma Baia Coelho, da Universidade Federal do Pará, e pela doutora em Educação Amélia Vitória de Souza Conrado, da Universidade Federal da Bahia. Já o grupo Questões negras na educação é coordenado pela professora Lúcia Helena de Oliveira Silva, da Universidade Estadual de São Paulo (Assis-SP), e pela doutora em Sociologia Elena Maria Andrei da Universidade Estadual de Londrina (Paraná). O grupo aceitou 31 comunicações.

Destaca-se ainda que no eixo Ações afirmativas, Estado e racismo institucional o grupo temático de mesmo nome, coordenado pelo doutor em Sociologia Sales Augusto dos Santos, da Universidade de Brasília, e pelo mestre em Sociologia e Direito Carlos Alberto Medeiros, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, apresenta, entre os 24 trabalhos aceitos, nove sobre as cotas para negros no ensino superior.

Violência e Mídia: temas relevantes pouco abordados

Alguns temas que têm merecido destaque em discursos acadêmicos contemporâneos, bem como em agendas da sociedade civil e da grande mídia, foram pouco abordados pelos/as pesquisadores/as negros/as que se inscreveram no V Copene. A violência urbana e a midiatização das sociedades globalizadas são exemplos disso. O primeiro tema diz respeito a um dos dispositivos mais perversos do racismo brasileiro, por conta do genocídio da população negra. O segundo está relacionado, por exemplo, com complexas seqüelas subjetivas geradas na população negra a partir da incontestável sub-representação nas produções da grande mídia.

Ainda assim, na listagem dos trabalhos aceitos para o V Copene, a temática Violência policial aparece somente em um pôster, assinado pelo pesquisador Airton Edno Ribeiro e intitulado A relação da policia militar com a comunidade negra: a questão da abordagem policial.

Já a articulação dos temas Violência e Juventude negra pode ser encontrada em cinco trabalhos apresentados no grupo temático Juventudes e (re)existências, coordenado pela doutora em Comunicação Azoilda Loretto Trindade, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, e pela mestra em Ciências Sociais Ana Lúcia Silva Souza, da Universidade de Campinas (SP). Este grupo apresenta um total de 14 trabalhos.

Por sua vez, a temática Mídia, que integra o eixo Arte, ciência e tecnologia, foi abordada em dois grupos que apresentam juntos um total de 27 trabalhos. A maioria focaliza as produções literárias. Nenhum deles aborda a televisão, sites, blogs, jornais online ou veículos da mídia negra contemporânea. O primeiro grupo, intitulado Comunicação, mídia e representações: produções, sentidos e veiculação da imagem do negro é coordenado pela doutora em Comunicação Rosane da Silva Borges, da Universidade de São Paulo, e pela doutora em Comunicação Eliane Borges, da Fundação Cultural Palmares. O segundo se chama Relações raciais em discursos midiáticos e literários e é coordenado pelo doutor em Psicologia Paulo Vinicius Baptista da Silva, da Universidade Federal do Paraná, e pelo doutor em Comunicação e cineasta Joel Zito Araújo. Dos doze trabalhos deste segundo grupo, onze tratam sobre literatura e um sobre cinema.

Outros temas relevantes pouco abordados pelos/as pesquisadores/as foram Participação política partidária da população negra brasileira e Anemia falciforme. Sobre o primeiro, detectou-se o trabalho da pesquisadora Claudete Gomes Soares, intitulado Raça, classe e cidadania no partido dos trabalhadores: uma análise dos anos 1980 e 1990. O trabalho integra o grupo Os movimentos sociais negros brasileiros: do pós-abolição à contemporaneidade, coordenado pela mestra em Sociologia Flávia Rios, da Universidade de São Paulo, e pelo professor Márcio André dos Santos, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Também poderá ser classificado neste mesmo viés, o trabalho Uma análise de gênero e raça na lei 9504 sobre a reserva da vagas para mulheres nos pleitos eleitorais de Mato Grosso do Sul, apresentado pela pesquisadora Ana Lúcia da Silva Sena no grupo temático Ações afirmativas, Estado e racismo institucional.

Sobre a anemia falciforme detectou-se apenas o trabalho da pesquisadora Gisele Padilha Costa, intitulado Anemia Falciforme e a contribuição a terapia ocupacional no enfrentamento da doença. O trabalho integra o grupo Saúde da população negra e racismo ambiental, coordenado pela doutora em Saúde Pública Maria Inês Barbosa, da Universidade Federal de Mato Grosso, e pelo doutor em Sociologia Luis Eduardo Batista, da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. O grupo apresenta doze trabalhos, cinco dos quais articulam a questão ambiental e o racismo.

A menor quantidade de trabalhos foi encontrada no grupo Desenvolvimento econômico social e discriminação e no grupo Ritmos da Identidade: Música, Territorialidade e Corporalidade. Cada um deles apresenta, respectivamente, um total de oito e sete trabalhos.

* Diony Soares é mestra em Educação

Fonte: Ìrohìn

quarta-feira, 30 de julho de 2008

CEN indica: Pride



"Pride" é um filme baseado em fatos reais sobre a história inspiradora de Jim Ellis, um carismático professor da década de 70 que mudou algumas vidas para sempre quando fundou o time de natação afro-americano em uma das vizinhanças mais pesadas da Filadélfia. O ano é 1973, e Jim Ellis (interpretado por Terence Howard), um afro-americano com graduação universitária simplesmente não consegue encontrar um emprego. Levado por sua paixão pelas competições de natação, Jim conserta uma piscina em um ginásio abandonado em um bairro pobre na Filadélfia com a ajuda de Elston (interpretado por Bernie Mac), um servente local. Mas quando o local é marcado para demolição, Jim luta contra isso, criando o primeiro time de natação afro-americano da cidade. Recrutando adolescentes problemáticos das ruas, Jim luta para transformar o time de novatos em nadadores capacitados, tudo isso em tempo de inscrevê-los para a próxima competição estadual de natação. Mas o racismo, a violência bem como um oficial nada simpático da prefeitura ameaçam destruir tudo que foi construído, Jim tem que fazer de um tudo para convencer a seus nadadores que a vitória, as duas, dentro e fora da piscina, está ao alcance deles.





Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=V2QK0z0ilpg

Diony Soares entrevista Sueli Carneiro no V Copene

Sueli Carneiro fala sobre a violência: “Quem vai viver e quem pode morrer”

Por Diony Soares*

A doutora em Filosofia da Educação Sueli Carneiro, diretora do Geledés - Instituto da Mulher Negra, foi a conferencista da solenidade de abertura do V Copene, que aconteceu no começo da noite de terça, 29, no Teatro Goiânia, o mais tradicional da capital do estado de Goiás. A solenidade contou com a presença de várias autoridades, dentre elas, o ministro Edson Santos, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Sueli Carneiro concedeu entrevista exclusiva para o Ìrohìn, na manhã desta quarta-feira, 30.

D.S. – Qual é a sua avaliação da conjuntura de violência urbana que caracteriza o Brasil na atualidade?

Sueli Carneiro – Eu venho trabalhando o tema da violência, especialmente contra os jovens negros, no interior do conceito de biopoder proposto por Michel Foucault. É um conceito que tem um alcance explicativo muito grande das dinâmicas de vitalismo e de mortalidade no Brasil. Vitalismo daquilo que assegura uma condição privilegiada de reprodução das condições de vida para as populações brancas, o que cumpre uma dimensão do biopoder, aquela de assegurar a vida dos segmentos sociais que são considerados os prioritários, os eleitos como os grupos desejáveis, e na outra dimensão abandonar à morte populações consideradas indesejáveis. Para mim, o paradigma disso é o valor diferenciado que a vida tem de acordo com racialidade no Brasil. O que se percebe, por exemplo, na repercussão que se tem na opinião pública quando a violência urbana atinge pessoas brancas das classes médias e na indiferença, silêncio e conformismo com que são tratadas as mortes sistemáticas que ocorrem com a população negra em geral e com os jovens negros, em particular. Isso, a meu ver, acena para uma sociedade, na qual o Estado tem o agente executor da sua política com caráter eugênico. Uma visão eugenista na medida em que há evidentemente uma proteção superior para os grupos humanos que são considerados brancos e um desprezo pela vida de pessoas negras e não-brancas. Segundo algumas reflexões do antropólogo Luis Eduardo Soares, os padrões de assassinato que vitimam jovens negros já apresentam um déficit censitário. Então me parece que não dá para considerar esta matança impune de jovens negros e a indiferença que ela provoca a não ser como decorrente de uma política de Estado, que é aceita pela sociedade, segundo a qual há uma parcela de seres humanos que pode estar exposta ao extermínio. Ao fim e ao cabo, o que se processa é uma limpeza étnica. Ou seja, essa violência contra a população negra seria aquilo que Michel Foucault chamaria de um instrumento de assepsia social. É assim que opera o racismo institucional, realizando desejos de grande parte da sociedade de se livrar da “mancha negra”, como uma vez foi dito por Rui Barbosa.

D.S. - A despeito disso tudo, eu fiz uma breve revisão dos títulos dos trabalhos que receberam aceite para apresentação neste V Copene e detectei apenas cinco abordando a temática Violência. Como você analisa o tratamento da violência pelas/os intelectuais negras/os, bem como pela academia em geral?

Sueli Carneiro – Eu não tenho uma reflexão sistemática sobre este tema, mas percebo que isso é um fenômeno que você identifica tanto na sociedade civil quanto na academia. Certa resistência para lidar com a temática Violência. Acho que é um tema ameaçador que tem implicações muito profundas. Creio que são estas implicações que tem a ver com quem vai viver e quem pode morrer.

D.S. - Isso seria mais um dos dispositivos do biopoder. Algo do tipo: “não vamos nem pensar, nem falar nesse assunto”?

Sueli - Eu acho que há uma resistência entre nós para enfrentar o tema. È preciso estudar. É preciso pesquisa para perceber este silenciamento. É como se houvesse um acordo tácito de silenciamento em relação a esta dimensão genocida da sociedade brasileira que parece que nós mesmos, negros, intelectuais negros, pesquisadores negros, temos dificuldade de lidar. E talvez no campo acadêmico tenha a ver muito com a resistência para lidar com categorias que nós, negros, consideramos que expressam a nossa experiência histórica e que a academia se recusa. Uma parte constitutiva desta forma particular de tratar o problema racial na sociedade brasileira em que escamotear é um elemento fundamental. Então não se tem repertório conceitual teórico desenvolvido para trabalhar estes temas e quando isso é feito é descaracterizando a dimensão racial do fenômeno. Eu creio que há um processo de silenciamento. Por exemplo, eu só consegui trabalhar isso na minha tese com apoio no conceito de biopoder do Foucault. Não encontrei instrumentos teóricos conceituais para lidar com isso com autores nacionais ou com o pensamento nacional. Acho que as ciências humanas no Brasil refletem este esforço de camuflar toda a complexidade que a questão racial tem na sociedade brasileira. Isso se manifesta na ausência ou na restrição do uso de um conjunto de categorias que para nós dariam conta do fenômeno. Objetivamente, há uma restrição para trabalhar com a noção de raça, de racismo e outras noções que para nós, negros, são os termos que concretamente expressam as contradições sociais que nós vivemos e que são efetivamente cerceados pela academia sendo chamados de repertório ideológico e não categorias científicas de análise.

D.S. – Neste sentido, você poderia abordar sucintamente os percalços das/os intelectuais negras?

Sueli Carneiro – O desafio de constituir noções, conceitos, categorias e teorias que efetivamente expressam a experiência histórica dos negros na sociedade brasileira; a persistência das contradições com novas dimensões e com novas complexidades; e a resistência da academia em admitir a nossa ótica para a compreensão das relações raciais no Brasil. É um problema de hegemonia de uma ótica branca sobre a realidade das relações raciais. Essa ótica, esses saberes são poderes que se afirmam muitas vezes negando a possibilidade da emergência de interpretações e conceituações alternativas. Eu acho que este congresso busca dar resposta para essas coisas. O Copene tem sido um espaço fundamental e necessário de aprofundar esta reflexão sobre as aporias dos pesquisadores negros. Eu acho que as pessoas que estão aqui estão buscando caminhos alternativos para as suas pesquisas, para a afirmação das suas óticas e para a construção de um campo em que possa se afirmar um pensamento negro.

*Diony Soares é mestra em Educação
Fonte: Ìrohìn

Guerra suja na cidade intolerante

Marcelo Salles nos mostra como a política urbana do Rio, assim como a de São Paulo, trata pessoas como sujeira.
"Com o tempo, ficou fácil perceber que a política de “reestruturação urbana” voltada para despejos violentos em favelas atende aos interesses da especulação imobiliária.
Os despejos violentos conduzidos pela prefeitura costumam seguir um padrão: quando uma empresa se interessa por determinada área ocupada, funcionários da Secretaria de Habitação visitam a comunidade e negociam a saída dos moradores pelo valor mais baixo, geralmente insuficiente para se comprar outro imóvel na região – como determina o artigo 429 da Lei Orgânica do Município.
Quando há resistência, funcionários passam a ameaçar: “Se não aceitar, vamos demolir de qualquer jeito”, é a frase mais comum. Essa e outras histórias de arrepiar estão na reportagem sobre a reestruturação urbana do Rio de Janeiro."
Fonte: Caros Amigos.
Para ler reportagem na íntegra, clique aqui.

CDCN lança Plano de Ação 2008-2009 hoje

O CDCN - Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado da Bahia, convida para a celebração dos seus 21 anos.
Na ocasião será lançado o seu Plano de Ação 2008-2009.
Contamos com a sua presença.
30.07.08
Hórario: 18h.
Local: Rua Ribeiro dos Santos, nº 42Carmo - Pelourinho.
Tel.: (71) 3242 9794

terça-feira, 29 de julho de 2008

Chamada Pública: SEPPIR publica edital para seleção de projetos voltados para comunidades quilombolas


Edital prevê R$ 3 millhões para ações de desenvolvimento local e organização de arranjos produtivos em comunidades


Pela primeira vez a SEPPIR abre edital para apoiar projetos voltados para as comunidades quilombolas em 22 estados. Entidades que tenham no mínimo 3 anos de funcionamento podem apresentar projetos para atender, prioritariamente, as comunidades quilombolas inseridas nos 60 territórios que fazem parte do programa Territórios da Cidadania, de acordo com as seguintes linhas temáticas:

1. apoio ao fortalecimento da capacidade técnica e operacional das organizações e comunidades quilombolas

2. apoio ao fortalecimento institucional e ao controle social

3. apoio ao planejamento estratégico e organização comunitária

4. protagonismo das Mulheres e Jovens Quilombolas

5. intercâmbio de experiências


O valor mínimo financiado é de R$ 100 mil e o máximo de R$ 200 mil. Cada entidade só poderá apresentar uma proposta. O prazo de execução dos projetos é de 1 ano.

"Estamos prevendo o aporte de R$ 3 milhões para apoiar projetos voltados para o desenvolvimento de comunidades quilombolas em todo o país. Com isto, esperamos fortalecer a organização destas comunidades e sua sustentabilidade. O Programa Brasil Quilombola tem levado para as comunidades serviços públicos essenciais como energia elétrica e saneamento básico. Em parceria com ministérios, governos estaduais e prefeituras, garantimos ações na área de saúde e educação mas é fundamental dar as condições para que estas comunidades alcancem a autonomia. Por isso, o foco dos projetos a serem apoiados está no fortalecimento institucional e operacional. Decidimos pelo Edital por ser uma forma mais transparente e democrática de definir ações, com regras e prazos divulgados amplamente", afirma Alexandro Reis, subsecretário de Comunidades Tradicionais da SEPPIR.

Para mais informações acesse o edital e os anexos abaixo.

http://www.presidencia.gov.br.../.arquivos/edital_chamada_publica.pdf

http://www.presidencia.gov.br.../arquivos/anexo2chamada_publica.pdf

http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia. .. da_publica.pdf

Assessoria de Comunicação Social da SEPPIR/ PR

Fonte: SEPPIR

Educação intensifica atividades sobre diversidade étnico-racial

No dia 22 de agosto, será realizada a primeira reunião do Comitê Étnico-Racial, da Secretaria de Estado de Educação, com o objetivo de traçar as próximas diretrizes e intensificar o trabalho nas unidades escolares em cumprimento à Lei nº 10.639/03, que estabelece o ensino de História e Cultura Afro-brasileiras e africanas nas escolas.

O grupo, formado por representantes das 30 coordenadorias regionais, foi instituído pela secretária de Educação Tereza Porto, no dia 26 junho desse ano, com a proposta de acompanhar a formulação e o desenvolvimento de projetos e ações voltados para a valorização da cultura de afro-brasileiros e africanos na rede estadual fluminense.

- Encaminhamos para as escolas da rede estadual uma pesquisa sobre a abordagem étnico-racial realizada por professores de História, Língua Portuguesa, Literatura, Artes e Filosofia. Eles deverão responder como estão aplicando o conteúdo da Lei 10.639/03, para trabalharmos o currículo nas escolas sobre as questões raciais – informou Mariléia Santiago, da Superintendência Pedagógica da SEEDUC, que cuida da área de Diversidade e Inclusão Social.

O encontro no próximo mês também terá a participação de instituições públicas e particulares, organizações não-governamentais, movimentos negros e sociais, lideranças sindicais e políticas e comunidades remanescentes de quilombos.

Segundo Mariléia, o grupo se encontrará bimestralmente para avaliar o trabalho e trocar as experiências desenvolvidas nas escolas.

- Temos o compromisso político e institucional pela construção e elaboração de políticas públicas por uma educação que promova e valorize a igualdade étnico-racial e a diversidade – informa Mariléia.

Um exemplo bem-sucedido, e que já se tornou referência na aplicação da lei, é o Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra, do Colégio Estadual Sousa da Silveira, de Quintino. O programa organiza diversas palestras interdisciplinares e, no ano passado, foi tema de documentário produzido pelo Núcleo de Educação e Comunicação Comunitária (NECC), das Faculdades Integradas Hélio Alonso.

No Colégio Estadual Sargento Wolff, de Belford Roxo, o racismo, o preconceito e a política desigual também são discutidos pelos alunos durante as aulas e nas atividades do Programa Escola Aberta.

Em São João de Meriti, o tema foi amplamente abordado este mês, na Jornada Pedagógica, por educadores que apresentaram suas experiências e reflexões para outros professores do município de diferentes instituições de ensino.

Conheça as próximas atividades:


Projeto Cinemativa

No segundo semestre, terá continuidade o projeto Cinemativa nas Escolas, uma ação da Assessoria de Diversidade, em parceria com a ONG Estimativa, que leva produções audiovisuais sobre a cultura afro-brasileira para unidades de ensino que têm o nome de patronos negros.

A iniciativa acontecerá nos colégios estaduais Machado de Assis, em Belford Roxo, Reverendo Martin Luther King, no Rio de Janeiro (Praça da Bandeira), Gonzaga Junior, em Niterói, e ainda no CIEP Nelson Cavaquinho, em Mesquita.

No ano passado, foram contemplados o CE Luiza Mahin, na Ilha, e o Ciep Rainha Nizinga Angola, em Acari, ambos do município do Rio. As unidades assistiram aos filmes “Rap De Saia” e “O Que É Racismo?”, respectivamente. Já o Ciep Pixinguinha, de Nova Iguaçu, assistiu ao filme “Kiriku e a Feiticeira”.


Curso de capacitação



De 04 a 8 de agosto, a coordenadoria regional Metropolitana VI, de Itaguaí, em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, realizará um curso de Africanidade, para capacitação de professores das escolas estaduais. As aulas serão ministradas por professores da Uerj,UFRRJ e outras, com carga horária de 40h, no Ciep Nelson Antelo Romar, em Seropédica. A expectativa é que participem 100 professores da região e também da Zona Oeste, segundo a representante da coordenadoria e integrante do comitê, Ana Maria Soares da Silva.


Fonte: SEEDUC

CEN indica: PAX


Pax
Gênero Animação
Diretor
Paulo Munhoz
Ano 2005
Duração 14 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil
Quatro religiosos se reúnem para discutir a violência do mundo atual e encontrar uma resposta para isso. Será que encontram?
Ficha Técnica
Fotografia
Paulo Munhoz Roteiro Paulo Munhoz Edição Angelo Esmanhoto Som Direto Ayrton Scorsato Música Alessandro Maroca Trilha Sonora Valdemar Lacerda

Para assistir, clique aqui.

Periperi tem promessa de Delegacia da Mulher


segunda-feira, 28 de julho de 2008

Quilombo Educacional do CEN | Gabarito

sábado, 26 de julho de 2008

"Café com leite (água e azeite?)"

"Café com leite (água e azeite?)", 30 min., 2007
Direção, produção, roteiro: Guiomar Ramos
Co-produção: Tatu Filmes
Edição: Márcio Perez
"Café com leite" apresenta uma reflexão sobre o Mito da Democracia Racial no Brasil através de depoimentos dos professores da FFLCH-USP, Antonio Sérgio Guimarães, Kabengelê Munanga, a diretora do Geledés, Sueli Carneiro e o antropólogo Batista Félix.Alunos da pós-graduação da FFLCH como Mácio Macedo e Uvanderson da Silva também participam do debate.
Os cineastas Jeferson De, Noel Carvalho e a atriz Zezé Mottatraçam comentários sobre a Democracia Racial. O documentário apresenta ainda trechos de filmes adaptados da obra de Jorge Amado, como "Jubiabá" e "Tenda dos Milagres", de Nelson Pereira dos Santos e "Assalto ao trem pagador" de Roberto Farias e também imagens da luta do negro no Brasil através do arquivo de Abdias do Nascimento.














Tour europeu de Obama reforça seu favoritismo


Fonte: Globo.com

Desequilíbrio Ético


O carderno Equilíbrio, da Folha de S. Paulo, pôs na capa da ilustração de um homem negro ao do título "Chulé, ce-cê, bafo".
A matéria, nas páginas internas, com o título "Cheiro de corpo", mostrava a ilustração de uma moça branca borrifando perfume. Um exemplo do preconceito que precisa ser banido da imprensa - e da cabeça de muita gente.


ENTRELINHAS A MÍDIA COMO ELA É

Caros Amigos - hamilton octavio de souza

sexta-feira, 25 de julho de 2008

25 de Julho: Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha


Por Latoya Guimarães

A 25 de julho de 1992 durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana. As Mulheres Afro Latino Americanas e Caribenhas definiram que este dia seria o marco internacional da luta e resistência da mulher negra.
O 25 de Julho é uma data demarcatória de identidades e trajetórias invisibilizadas, é a contestação o rompante com o mito da mulher universal. Somos mulheres negras e somos diferentes trazemos em seus corpos, alma e espiritualidade a dimensão de gênero e raça. Nessa data queremos resgatar e reescrever nossa história, queremos falar de feminismo negro, queremos falar de nós mesmas de nosso cabelos, de nossas sexualidade, de nossas referências de nossos saberes e segredos herdados de nossas ancestrais e preservados por mulheres negras de coragem e auto- determinação.
O 25 de julho é um dia proposto para a sociedade, para o feminismo refletir as diferenças e as desigualdades entre as mulheres; um feminismo libertador para transformar as condições de vidas de todas as mulheres tem que se propor a trabalhar e valorizar as diferenças e combater as desigualdades entre as mulheres.
Nesse 25 de Julho nós negras jovens feministas, jovens feministas, saudamos as mulheres negras que no passado construíram o alicerce da luta negra feminista e cumprimentamos as mulheres negras no presente na contemporaneidade que prosseguem nos caminhos da desobediência da ousadia da coragem de lutar contra a opressão de gênero e raça.
”Eu Mulher Negra Resisto”

Pré-vestibular do CEN --- Inscrições até hoje 25 de julho de 2008!

Inscrições até hoje 25 de julho de 2008!



Estão abertas as inscrições para o Curso Pré-Vestibular Quilombo Educacional do CEN. O curso será intensivo e as aulas acontecerão no ICEIA – Instituto Central de Educação Isaías Alves, no Barbalho, durante a noite.

O Quilombo do CEN é um curso preparatório para os vestibulares, que tem como público alvo afro-descendentes que comprovem dificuldades financeiras para arcar com os cursos particulares.

A equipe de professores qualificados oferece aulas voltadas para o programa do vestibular da UFBA, além de aulas de campo, em laboratórios, sessão de vídeos, de Cidadania e Consciência Negra e Yorubá. O curso está fundamentado na valorização de saberes provenientes da população negra, importantes para a construção do país.

Onde:
ICEIA – Instituto Central de Educação Isaías Alves. Praça do Barbalho. S/N. Salvador-Bahia

Quando: 17 a 25 de julho de 2008

Horário: 09h às 21h

Documentação necessária: Cópia e original do:
  • RG;
  • CPF;
  • Comprovante de residência;
  • Certificado de conclusão do Ensino Médio ou Atestado que comprove que o estudante é concluinte do Ensino Médio em 2008.
  • Comprovante de renda.

Valor:
Gratuito

Telefone:
8762-3505 Luís Paulo Pinto
8858-4002 Taeli Nunes
8748-6211 Deise Queiroz

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Angela Davis


Angela Yvonne Davis (Birmingham, 26 de janeiro de 1944) é uma professora e filósofa socialistaafro-americana, que alcançou notoriedade mundial nos anos 70 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras, por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos e por ser personagem de um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da recente história americana.

Angela nasceu no estado do Alabama, um dos mais racistas do sul dos Estados Unidos e desde cedo conviveu com humilhações de cunho racial em sua cidade. Leitora voraz quando criança, aos 14 anos participou de um intercâmbio colegial que oferecia bolsas de estudo para estudantes negros sulistas em escolas integradas do norte do país, o que a levou a estudar no Greenwich Village, em Nova Iorque, onde travou conhecimento com o comunismo e o socialismo teórico, sendo recrutada para uma organização comunista de jovens estudantes.

Nos anos 60, Angela tornou-se militante do partido e participante ativa dos movimentos negros e feministas que sacudiam a sociedade americana da época, primeiro como filiada da SNCC de Stokely Carmichael e depois de movimentos e organizações políticas como o Black Power e os Panteras Negras.

Notoriedade e Prisão

Em 18 de agosto de 1970, Angela Davis tornou-se a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI, ao ser acusada de conspiração, seqüestro e homicídio, por causa de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga do tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, em São Francisco.

Durante o verão daquele ano, Angela estava envolvida nos esforços dos Panteras Negras para conquistar a apoio da sociedade a três militantes presos, George Jackson, Fleeta Drumgo e John Clutchette, conhecidos como os “Irmãos Soledad”, por terem sido aprisionados na Prisão de Soledad, em Monterey.

No dia 7 de agosto, Jonathan Jackson, o irmão de dezessete anos de George, em companhia de dois outros rapazes, interrompeu de armas na mão um julgamento num tribunal na tentativa de ajudar a fuga do réu do caso que estava sendo julgado, o amigo James McClain, acusado de ter esfaqueado um policial. Jonathan e seus amigos se levantaram do meio da assistência na sala do júri e renderam todos no recinto, conduzindo o juiz, o promotor e vários jurados para uma van estacionada do lado de fora. Ao entrar na van, Jackson gritou que queria os “Irmãos Soledad soltos até o meio dia e meia em troca da vida dos reféns”.

No tiroteio que se seguiu com a perseguição policial ao grupo, Jonathan e um amigo foram mortos pela polícia, não sem antes matarem o juiz Harold Haley com um tiro na garganta e o promotor raptado ficou paralítico com um tiro da polícia. As investigações que se seguiram identificaram a arma de Jonathan como registrada em nome de Angela Davis.

Com sua prisão decretada pelo estado da Califórnia e o FBI em seu encalço, Ângela fugiu do estado e desapareceu por dois meses, sendo alvo de uma das maiores caçadas humanas do país na época, acompanhada dia a dia pela mídia, até ser presa em Nova Iorque em outubro. O julgamento de dezoito meses que se seguiu, colocou uma mulher negra, jovem, bonita, culta e politizada, assessorada por uma equipe brilhante de advogados, no centro das atenções da imprensa americana num paralelo que só seria igualado décadas depois pelo julgamento de O.J. Simpson. Nos longos debates na corte, não apenas o caso criminal envolvido veio à tona, mas uma grande discussão sobre a condição negra na sociedade americana foi travada. Manifestações diárias por sua libertação e absolvição aconteciam do lado de fora do tribunal e por todo o país, transmitidos ao vivo pela televisão.

Dezoito meses após o início do julgamento, Angela foi inocentada de todas as acusações e libertada. John Lennon e Yoko Ono lançaram a música Angela em sua homenagem e os Rolling Stones gravaram Sweet Black Angel, cuja letra falava de seus problemas legais e pedia sua libertação.

Celebridade e liberdade

Finalmente livre, Angela foi temporariamente para Cuba, seguindo os passos de seus amigos,os ativistas radicais Huey Newton e Stokely Carmichael. Sua recepção na ilha pelos negros cubanos num comício de massa foi tão entusiástico que ela mal pôde discursar. De acordo com Carlos Moore, um escritor bastante crítico das relações raciais na Cuba comunista, sua visita ao país causou grande impacto entre a população negra num tempo em que expressões de identidadegoverno cubano. racial eram bem raras em Cuba. Suas credenciais revolucionárias permitiram aos nativos se identificarem de público com seus pensamentos, sem medo de serem taxados de contra-revolucionários pelo

Em 1975, fatos polêmicos também aconteceram, entretanto, como o discurso crítico feito contra Angela pelo dissidente russo Aleksandr Solzhenitsyn em Nova York, que lhe acusava de hipocrisiaUnião Soviética, ao não falar sobre as condições dos prisioneiros políticos em regimes comunistas e por ignorar uma carta de presos políticos tchecos perseguidos pelo Estado lhe pedindo ajuda, como celebridade comunista que era agora, para denunciar as condições em que eram submetidos na cadeia, sabendo-se, como ela, inocentes. A resposta de Angela, “eles merecem o que tiveram, que continuem na prisão”, foi bastante explorada pela imprensa na época. em sua simpatia pela

Posteridade

Angela Davis candidatou-se a vice-presidente dos Estados Unidos em 1980 e 1984 como companheira de chapa de Gus Hall, presidente do Partido Comunista americano, tendo votação irrisória. Continuou sua carreira de ativista política e escreveu diversos livros, principalmente sobre as condições carcerárias no país.

Se considera uma abolicionista, não uma reformista prisional. Em suas palestras sempre se refere ao sistema carcerário americano como um complexo industrial de prisões; aponta como um das soluções para o problema a extinção do cumprimento de penas em presídios e como fator determinante da maioria de prisioneiros americanos serem de negros e latinos a questão da raça e classe social.

Nos últimos anos continua a fazer discursos e palestras principalmente em ambientes universitários e se mantém como uma figura proeminente na luta pela abolição da pena de morte1977-1978 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz na Califórnia.

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