terça-feira, 30 de setembro de 2008

Hagamenon Brito: Eu preciso tomar vergonha na cara

Texto publicado no Correio da Bahia em Março de 2008. Salvador 459 anos.
Vale a pena conferir...
Anoiteço, amanheço em homenagem a vocês, meus 2.892.625 filhos. Completo 459 anos dia 29, mas, mesmo ainda bonita, estou triste. Capital da alegria? Tenho minhas dúvidas. Não renego as minhas enormes festas populares e, tampouco, o fato de ser a metrópole mundial com maior número percentual de negros localizada fora da África, o continente-mãe do homem.

Mas estou blue, muito blue. E tenho vários motivos. A começar pelo massacre diário dos meus rebentos negros e pobres, abatidos por grupos de extermínio e esquecidos como meros números estatísticos. Garotos de periferia que crescem na mira desconfiada da polícia. Quem vai pagar por isso? Quem se importa realmente? Os vereadores? O prefeito? Jaques Wagner?

O sangue e as lágrimas parecem comover apenas os parentes dos mortos. A axé music, por exemplo, o gênero musical com maior influência sobre a minha população, nem sequer consegue perceber a importância que teria se os seus principais artistas se manifestassem sobre o assunto em entrevistas, se fizessem um grande show de desagravo. São celebridades ocas?

Artistas não precisam emitir opiniões sobre tudo, é verdade, mas às vezes é necessário. O extermínio dos meus filhos negros e a impressionante escalada da violência na cidade são assuntos urgentes. Diante deles, exige-se atitude. Não sou um paraíso tropical, nunca fui, embora a propaganda oficial diga o contrário. Atualmente, contudo, a violência é maior.

Gosto de ver Caetano se posicionar contra o aumento dos gabaritos na orla, uma estupidez aprovada em tempo recorde pela Câmara e sancionada pelo prefeito João Henrique Carneiro para atender a interesses de empresários e imobiliárias. Com o novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, hotéis de até 18 andares podem ser erguidos em trechos da orla.

Em 1982, o velho tropicalista já cantava: “A mim me bastava que o prefeito desse um jeito/ Na cidade da Bahia...” (Ele me deu um beijo na boca). Se nenhum deu jeito antes, não será o atual alcaide que vai dar. O seu maior talento é chorar de modo constrangedor em discursos e outras situações públicas, feito um adolescente diante de grandes pressões.

Tom Zé fez uma canção cujos versos traduzem a minha revolta contra o novo PDDU: “Doce suave Salvador Bahia/ Que Caymmi deu à luz um dia/ Ameaçada está pela usura/ De construir torre de toda altura/ Beira da praia, Praça Cayru/ Orla da Barra, Mercado Modelo/ Nada escapa desse aperta-cu...”. Aperta-cu? Não só ele meu caro, mas todos os buracos do corpo.

É, coisas estranhas têm acontecido. O que leva um órgão da prefeitura municipal a mandar seus fiscais demolirem um terreiro de candomblé construído há três décadas, como o que fizeram com o Oyá Unipó Neto, no Imbuí, dia 27 de fevereiro? Ignorância cultural? Racismo em plena Roma negra? Intolerância religiosa? Burrice política? Todas as alternativas.

Irmã Dulce e Mãe Menininha do Gantois, rogai por todos os meus filhos, brancos, negros, pardos... Até quando a maioria deles será tratada com negligência pelos (podres) poderes públicos? Quando chegará ao fim a idéia de que andar de ônibus é coisa de quem não tem grana para comprar um carro? Quando minhas ruas e bairros terão um transporte público do bem?

Autoridades e políticos não são os únicos responsáveis pela minha melancolia. Os meus filhos também não são santos – sei disso desde 29 de março de 1549, quando Tomé de Sousa me fundou. Eles não sabem viver em coletividade, são barulhentos, folgados, não respeitam a intimidade do outro, não lutam muito pelos seus direitos e prestam serviços de modo ruim.

***

Esqueço minha beleza, praias, calor humano, Carnaval, baianas, museus, fortes, igrejas, terreiros... Esqueço Iemanjá, Bonfim, Pelou-rinho, os personagens de Jorge Amado, as canções de Caymmi, os versos de Gregório de Mattos... Esqueço o berço do samba, o acarajé, o bobó de camarão, a água-de-coco, a brisa no final da tarde... Esqueço a luminosidade, os santos, os orixás... Esqueço tudo.

Terreiro de candomblé ganha Centro Digital de Cidadania

Um Centro Digital de Cidadania (CDC) funciona no terreiro Oia Deji, da nação Ketu, que fica na invasão de Nova Canaã, em Paripe, Subúrbio Ferroviário.
O local de culto religioso passou também a ser uma alternativa de inclusão digital. Moradores das comunidade de Paripe e Fazenda coutos agora utilizam o espaço, equipado com dez computadores e impressoras. Cerca de duas mil pessoas fazem cursos profissionalizantes como telemarketing, recepcionista e telefonista.
Qualquer membro da comunidade pode utilizar os serviços do CDC, desde que efetue cadastro na unidade. Crianças menores de 10 anos necessitam estar acompanhadas dos pais ou responsáveis para acessar o serviço.
Pais ou responsáveis também devem cadastrar os filhos entre 10 e 18 anos. Cada usuário tem um tempo de 30 minutos para permanecer nos computadores. O CDC funciona de segunda a sexta-feira das 8 as 18 horas.
Os Centros de Cidadania Digital integram o Programa de Cidadania Digital, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Quilombolas ganham direito a propriedade de senzalas no Norte Fluminense

Rio de Janeiro - Os descendentes de escravos que habitam as senzalas da Fazenda Machadinha, em Quissamã, no Norte do Estado do Rio, ganham nesta quinta-feira a propriedade definitiva dos imóveis onde vivem. Foi publicado no Diário Oficial o decreto que regulamenta o procedimento para o reconhecimento das terras ocupadas por remanescentes da comunidade quilombola.
Assinado pelo prefeito Armando Carneiro, o decreto é regulamentado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A Fundação Palmares já cadastrou Machadinha como uma comunidade quilombola. O local foi transformado em pólo de turismo cultural, com destaque para a culinária típica dos escravos africanos que foi preservada pelos seus descendentes.
O decreto leva em conta o fato de Machadinha ter uma trajetória histórica própria, com relações territoriais e ancestralidade negra. Todo o conceito legal está baseado na própria Constituição Federal de 1988, nos artigos 216 e 78, que atribuem reconhecimento de propriedade para locais considerados patrimônios formadores da sociedade.
Segundo a procuradora da Fundação Municipal de Cultura e Lazer, Ana Cláudia Paranaguá, este novo aspecto garante mais dignidade aos moradores, como uma compensação de resgate histórico. Ainda segundo Ana Cláudia, o fato de o Complexo Cultural da Fazenda Machadinha ter sido tombado pelo Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural) não impede que as terras daquela área possam ser reconhecidas. Diante deste cenário, representantes do Incra já estão tratando do encaminhamento de uma equipe técnica para Quissamã, para fazer o cadastramento das famílias de Machadinha.

I Curso de Metodologia de Pesquisa em Saúde da População Negra





De 17 a 28 de novembro próximo, será realizado em Campinas (SP) o Curso de Metodologia de Pesquisa em Saúde da População Negra. A idéia surgiu quando o Comitê Técnico Saúde da População Negra e a Área Técnica Saúde da População Negra, do Grupo Técnico de Ações Estratégicas (GTAE/SES), propuseram organizar o curso, em parceria com o Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp. O Nepo possui experiência acumulada com a formação de profissionais e integrantes dos movimentos sociais por meio do "Programa de Saúde Reprodutiva e Sexualidade" e "Programa Interinstitucional de Treinamento em Metodologia de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Saúde Reprodutiva".
O objetivo do curso é qualificar a coleta do quesito cor, formar, treinar profissionais para melhorar a cobertura e qualidade da coleta, aprofundar a investigação sobre saúde da população negra e subsidiar a elaboração de políticas públicas para populações em situação de vulnerabilidade. Vale destacar que desde 2004 a Secretaria de Estado da Saúde investe na melhoria e qualidade da informação raça/cor nos sistemas de informação e na qualificação dos profissionais do SUS-SP, por meio do "Projeto implementação do quesito cor/raça/etnia no Estado de São Paulo". É crescente o número de municípios, profissionais, gestores e movimentos sociais envolvidos com o tema saúde da população negra.
Estudos evidenciam a interface entre desigualdades sociais, de gênero, raça/cor, e o processo saúde, doença, cuidado e morte. Todavia, o campo saúde da população negra carece ainda de estudos explicativos sobre o porquê dos diferenciais nos indicadores de morbidade, mortalidade e cuidado da população negra (mortalidade infantil, materna, acesso ao cuidado no pré-natal, parto, puerpério, DST/Aids). Por que mulheres e homens negros merecem menos cuidados e morrem mais? As respostas a esta pergunta podem subsidiar a formulação de políticas públicas que reduzam as iniqüidades deste segmento populacional.
Informações: http://www.nepo.unicamp.br

Fonte: AldeiaGriot

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Governo estuda cotas também nos Cefets


O Governo Federal estuda estender a política de reserva de cotas para estudantes negros às instituições públicas de ensino técnico-profissionalizante, como os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets). A questão está sendo discutida pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Presidência da República. A informação foi dada, na última quarta-feira (24/09), pelo subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas do órgão, Giovanni Harvey, ao participar de debate sobre a democratização do acesso ao ensino superior na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

Atualmente, a reserva de vagas é adotada somente no ensino superior. As primeiras grandes instituições a implantarem as cotas foram a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade de Brasília (UnB), em 2002. Hoje, a reserva vigora em quase 60 instituições públicas, que também contemplam egressos de escolas públicas, portadores de deficiência e indígenas.

O subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas ressalta que, com as novas tecnologias e o crescimento de alguns ramos industriais, vêm surgindo muitas vagas de perfil técnico, citando como exemplo a indústria petrolífera. Por outro lado, ele salienta que as oportunidades de emprego "são inacessíveis para as populações excluídas, porque essas pessoas não têm oportunidade de qualificação".

Fonte: SEPPIR

Ciclo de debates sobre empreendedorismo negro, dia 2 de outubro, na Esplanada dos Ministérios


No âmbito da VIII Semana de Extensão da Universidade de Brasília (UnB), acontece na próxima quinta-feira (2/10) o ciclo de debates EMPREENDEDORISMO AFRO-BRASILEIRO. O evento será realizado das 14h às 18h, no auditório do Bloco A da Esplanada dos Ministérios, onde funciona a SEPPIR. O objetivo é debater as atuais condições para o empreendedorismo de negros no Brasil, além de estratégias para enfrentar os obstáculos, experiências de sucesso e o estímulo à formação de redes de apoio.
A atividade é gratuita e serão aceitas inscrições no próprio local, com certificados de participação emitidos pelo Decanato de Extensão da UnB. Contatos pelos telefones 3307-2612, ramal 30 (Juliana) ou 8136-4210 (Jaques).


Programação:


14h – Empreendedorismo afro-brasileiro: Qual é o diferencial?
Debatedores: João Batista de Almeida Sérgio (CDDN-DF), João Bosco de Oliveira Borba (ANCEABRA), Edson Lopes Cardoso (Irohin) e Mário Nelson Carvalho (ANCEABRA).


15h30 – Cultura afro-brasileira e mercado de trabalho
Debatedores: Maria das Graças Santos (Afro Nzinga), João Bosco de Oliveira Monteiro (Espaço 35), Adriana Lopes dos Santos Prado (UnB) e Flávia Helena Portela de Carvalho (Cara e Cultura Negra).


17h – Mídia negra: Midia de negros?
Debatedores: Michael Laiso Felix (Tribuna Afro-Brasileira), Roberto Rodrigues (COJIRA) e Sionei Ricardo Leão (COJIRA).

Fonte: SEPPIR


domingo, 28 de setembro de 2008

4ª Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa... Atenção cidades vizinhas...


As pessoas com mais de 60 anos, que ganham até dois salários mínimos, têm gratuidade em viagens interestaduais.
O Estatuto do Idoso estabelece a reserva de duas vagas por veículo para idosos com renda igual ou inferior a dois salários mínimos, além do desconto de 50% no valor da passagem para os idosos que excederem as vagas gratuitas.
Saiba como fazer...
§ 2o O idoso, para fazer uso da reserva prevista no caput deste artigo, deverá solicitar um único “Bilhete de Viagem do Idoso”, nos pontos de venda próprios da transportadora, com antecedência de, pelo menos, três horas em relação ao horário de partida do ponto inicial da linha do serviço de transporte, podendo solicitar a emissão do bilhete de viagem de retorno, respeitados os procedimentos da venda de bilhete de passagem, no que couber.
§ 5o No dia marcado para a viagem, o idoso deverá comparecer ao terminal de embarque até trinta minutos antes da hora marcada para o início da viagem, sob pena de perda do benefício.
§ 6o O “Bilhete de Viagem do Idoso” e o bilhete com desconto do valor da passagem são intransferíveis.

Art. 4o Além das vagas previstas no art. 3o, o idoso com renda igual ou inferior a dois salários-mínimos terá direito ao desconto mínimo de cinqüenta por cento do valor da passagem para os demais assentos do veículo, comboio ferroviário ou embarcação do serviço convencional de transporte interestadual de passageiros.
Parágrafo único. Para fazer jus ao desconto previsto no caput deste artigo, o idoso deverá adquirir o bilhete de passagem obedecendo aos seguintes prazos:
I - para viagens com distância até 500 km, com, no máximo, seis horas de antecedência; e
II - para viagens com distância acima de 500 km, com, no máximo, doze horas de antecedência.

Art. 5o O “Bilhete de Viagem do Idoso” será emitido pela empresa prestadora do serviço, em pelo menos duas vias, sendo que uma via será destinada ao passageiro e não poderá ser recolhida pela transportadora.
§ 1o A segunda via do “Bilhete de Viagem do Idoso” deverá ser arquivada, permanecendo em poder da empresa prestadora do serviço nos trezentos e sessenta e cinco dias subseqüentes ao término da viagem.
§ 2o As empresas prestadoras dos serviços de transporte deverão informar à ANTT e à ANTAQ, na periodicidade definida em seus regulamentos, a movimentação de usuários titulares do benefício, por seção e por situação.
Art. 6o No ato da solicitação do “Bilhete de Viagem do Idoso” ou do desconto do valor da passagem, o interessado deverá apresentar documento pessoal que faça prova de sua idade e da renda igual ou inferior a dois salários-mínimos.
§ 1o A prova de idade do idoso far-se-á mediante apresentação do original de qualquer documento pessoal de identidade, com fé pública, que contenha foto.
§ 2o A comprovação de renda será feita mediante a apresentação de um dos seguintes documentos:
I - Carteira de Trabalho e Previdência Social com anotações atualizadas;
II - contracheque de pagamento ou documento expedido pelo empregador;
III - carnê de contribuição para o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS;
IV - extrato de pagamento de benefício ou declaração fornecida pelo INSS ou outro regime de previdência social público ou privado; e
V - documento ou carteira emitida pelas Secretarias Estaduais ou Municipais de Assistência Social ou congêneres.
Art. 7o O idoso está sujeito aos procedimentos de identificação de passageiros ao apresentarem-se para embarque, de acordo com o estabelecido pela ANTT e pela ANTAQ, em suas respectivas esferas de atuação.
Art. 8o O benefício concedido ao idoso assegura os mesmos direitos garantidos aos demais passageiros.
Parágrafo único. Não estão incluídas no benefício as tarifas de pedágio e de utilização dos terminais e as despesas com alimentação.
Para ler na íntegra o Decreto 5.934 estabele o beneficio, clique aqui.
Veja abaixo a distâncias de Salvador/Ba para outras cidades brasileiras e cidades baianas:
Clique na imagem para ampliar

"...vamos caminhar, sim!... muita coisa ainda tem que ser conquistada!"
Makota Valdina - Terreiro Tanuri Junçara

Para reflexão...




Fonte: You Tube

Fonte: Canal TV UFBA

sábado, 27 de setembro de 2008

Na Estante do CEN... Edição Especial do Informativo "CEN Brasil informa"






Pegue agora seu exemplar na Estante ao lado
e tenha uma boa leitura.

Até a próxima!

CEN Brasil Comunicação.

Universidade Federal da Bahia: Bolsa de Francês


PÚBLICO-ALVO
Alunos de graduação da Universidade Federal da Bahia que estejam em situação de vulnerabilidade sócio-econômica.

DURAÇÃO
O curso será realizado no decorrer de 09 (nove) meses, com aulas de segunda a sexta das 18:30 às 21:00h., perfazendo a carga horária total de 293h, tendo início em 06 de outubro de 2008.

SELEÇÃO DOS ALUNOS
Para participar do curso os alunos deverão atender aos seguintes critérios:
a) Ser estudante em situação de vulnerabilidade sócio-econômica (renda per capita familiar igual ou inferior a um salário mínimo);
b) Ser cadastrado na Pró-Reitoria de Assistência Estudantil;
c) Ter disponibilidade para investir 12 horas semanais num curso intensivo (2 h e meia por dia) durante 09 meses;
d) Ter disponível, de 2ª. à 6ª. feira, o horário das 18:30 às 21:00h;
e) Estar de acordo com a concessão de apenas três recessos durante os 09 meses de duração do curso: Festas de final de ano, Carnaval e Semana Santa;
f) Comprometer-se em manter freqüência igual ou superior a 75% durante todo o curso;
g) Preferencialmente, não ter outro curso de graduação;
h) Não ser beneficiário de outra bolsa de estudos em língua estrangeira pela UFBA.

INSCRIÇÕES
As inscrições serão realizadas entre os dias 26 de setembro e 03 de outubro, das 13 às 16h, na Coordenadoria de Ações Afirmativas, Educação e Diversidade.
Maiores informações, entrar em contato através dos telefones 3283-7015/7020.

Fonte: Blog Fazer valer a lei 11.645/08

Porta Curtas: Visita Íntima


Gênero Documentário

Diretor Joana Nin

Ano 2005

Duração 15 min

Cor Colorido

Bitola 35mm

País Brasil

O que faz uma mulher livre escolher um presidiário para desenvolver um relacionamento amoroso? Visita Íntima é um filme sobre amor nesta condição especial. Entre as personagens, algumas conheceram o companheiro na penitenciária, outras visitam o marido há décadas. Elas sentem-se valorizadas por eles e dizem-se bem amadas. São mulheres que insistem num relacionamento cheio de constrangimentos e privações, mesmo sofrendo no dia a dia várias conseqüências desta opção. Neste filme o universo carcerário está presente quase que exclusivamente no relato das mulheres, e nunca sob o ponto de vista dos maridos.




Também mulher, imagem de deus

Parte de um repertório pontuado de imagens negativas da mulher está na frase-feita "mulher tem arte do diabo", em alusão à figura da mulher concebida como a do "diabo em forma de gente", de acordo com outra expressão popular bastante conhecida no Brasil. Em nível menos explícito de preconceito sexista, que motivou o tema "Homem e Mulher - Imagem de Deus", promovido pela Campanha da Fraternidade (CNBB), em 1990, a expressão é ainda reveladora de papéis e lugares atribuídos à mulher e à pessoa do negro, esse último associado eventualmente à figura do diabo pela discriminação da cor.

IMAGEM PROJETADA
Mulheres e negros, no processo de produção social, cada qual é apresentado como trabalhador menos qualificado e menos produtivo, em razão, logo a princípio, da preguiça inerente atribuída ao negro em geral, além da possibilidade, em particular, da ocorrência de gravidez na mulher. Caso contrário, quem quer que tenha conseguido ascender socialmente, foi sempre no interior dos canais tidos como apropriados para um tipo determinado de mobilidade social. Isso, em outros termos, equivale a dizer que cada um "conhece o seu lugar", ou seja, a mulher, em ofícios domésticos (as chamadas "prendas domésticas") ou atividades afins no campo profissional (entre outras, secretária, enfermeira, assistente social), enquanto o negro é visto como elemento objeto de diversão ou no âmbito meramente folclórico ou lúdico, ora na condição de jogador de futebol, ora de sambista, compositor e cantor popular.
Essa configuração da imagem cultural da mulher e do negro projetada na estrutura ocupacional da sociedade brasileira, no caso mais específico da mulher negra vem ampliada por outro componente que se condensa nos atributos corporais: exuberância e sexualidade. Dela, eram atributos exigidos pelo mercado comprador de escravos e hoje exaltados no estereótipo das "mulatas tipo exportação" que figuram em espetáculos musicais de casas noturnas, em grupos folclóricos e folhetos de propaganda de órgãos governamentais e empresas de turismo.

A ESCRAVA
Exemplo significativo, veiculado em várias partes do mundo pelo cinema e televisão produzidos no Brasil, está na dicotomia maniqueísta "pecado x virtude" da imagem idealizada para a escrava Xica da Silva face à da escrava Isaura. Essa última, personagem título do romance de Bernardo Guimarães (1827-1885), um dos clássicos da literatura brasileira transformado em novela de televisão pela Rede Globo e exibida em outros países com grande sucesso, entre eles, Cuba e China, simboliza a escrava virtuosa, "quase branca", por ser filha de pai português. Graças à essa paternidade, ela é visualizada como uma beleza sem características negras, ou seja, cabelos pretos e longos, compleição clara, "traços finos", porte frágil, perfil de ninfa ocidental, interpretada por Lucélia Santos, uma das mais conhecidas atrizes brasileiras no gênero naïve.
No extremo oposto a esse tipo que assim transpira inocência e desperta tanta compaixão diante das injustiças da escravidão - o que não ocorreria com uma escrava negra como personagem -, a mulher negra é vista como escrava de prazeres sexuais, com notável poder de volúpia e sedução, simbolizada na lendária Xica da Silva, personagem levada para o cinema pelo filme do mesmo nome, de Cacá Diegues, com grande sucesso de bilheteria.
No filme, também produzido nos anos 80, Xica da Silva é apresentada pela elegância das formas esguias da atriz negra Zezé Mota como a "heroína-sexo" do tempo da escravidão no Brasil, ou seja, o símbolo da exageração da lascívia, o que lhe valia todo o formalismo punitivo da sociedade àquela época. Mesmo assim, consegue fama e fortuna vivendo em Vila Rica, cidade de Minas Gerais do século XVIII. Seu desempenho chega às raias da ninfomania, extrapolando uma concepção racista e de falsa moral burguesa sobre a mulher negra africana, que, sem o ensinamento do cristianismo, desconhece, a priori, a noção do "pecado original" e não sente vergonha de mostrar o corpo nem exibir a sua sexualidade, num despreendimento que a tornava presa fácil do apelo sexual provocado pela sua nudez ante os olhos do colonizador europeu. (1)
A MÃE-PRETA
Ainda sob essa ótica realista de interpretação está a imagem que ficou da mulher negra no papel de dublê, silente e anônimo, que lhe coube representar, episodicamente, na condição de escrava servindo de "mãe-preta", Em outros termos, vista como "bem de uso" no mundo dos brancos pelo aconchego de corpulência e seios fartos de uma maternidade bem sucedida que determinaria a sua escolha para os cuidados e a amamentação dos filhos herdeiros da família colonial no Brasil.
Por sua vez, nesse ambiente doméstico e conservador onde ela interagia, com aquela passividade quase irracional que apenas aparentava, sua personagem teve oportunidade de exercer uma influência socializadora em família, incorporando-se à vida cotidiana do colonizador, fazendo parte de situações realmente vividas e interferindo no comportamento da criança através de seu processo de socialização linguística e de determinados mecanismos de natureza psicossocial e dinâmico. Entre eles, o dengo devotado ao caçula, alimentado no aconchego do embalo do seu canto de acalanto pelos componentes símbólicos do seu universo cultural e emocional (entes fantásticos, expressões de afeto), que tem como testemunho vivo o ditado popular "o caçula é o dengo da família", da voz africana de quem o criou. (2)

A SACERDOTISA
Subjacente ao desenrolar desses acontecimentos, a atuação da mulher negra na condição de sacerdotisa dos cultos que fundaram no Brasil foi também um fator essencial para o avanço na modelação do perfil da cultura nacional e da própria formação da "estrutura mental" do brasileiro. Ela assumiu a liderança das comunidades sócio-religiosas afro-brasileiras como personalidade mestra e veneranda, detentora do poder de lidar com força divinas e sobrenaturais. Ao mesmo tempo temida e respeitada pelo seu mistério, esse poder é sustentado por uma sabedoria inviolável de códigos e símbolos africanos ancestrais e sagrados que a intitula a práticas médicas e psiquiátricas através da sua vidência inata e do seu conhecimento adquirido de medicina tradicional.
Essa geração de mulheres sobreviveu ao rigor da escravidão, à discriminação racial e sexual, bem como ao preconceito religioso e a perseguições de toda a ordem a que foi submetida e eventualmente ainda tem que enfrentar. Mais do que ninguém, elas são vítimas da acusação de ter "arte com o diabo" ou de ser o próprio "diabo em forma de gente", ou seja, imaginadas como supostas criaturas de forças contrárias ao ideal de bem e virtude do mundo cristão. No entanto, de sua parte, confrontando essa concepção, elas acataram o cristianismo e a mítica indígena com que entraram em contacto desde cedo no Brasil, tendo em vista também o respeito à fé do outro, como forma de resistência cultural e em defesa da continuidade de seus valores religiosos, éticos e estéticos na opressão.
Ao longo dos séculos, a aceitação ou resistência face a essas influências múltiplas ocorreu em vários graus de assimilação ou superposição, por meio de um processo que os estudiosos de formação ocidental denominaram de "sincretismo religioso", mas que, em síntese, deve ser entendido como o resultado daquele confronto histórico que se produziu com o catolicismo, sobretudo a nível de equivalência de atributos e traços míticos comuns a divindades do panteon africano e a santos da Igreja Católica, sem conflito de fé. Cada qual matém a sua identidade assinalada por planos diferentes de adoração, com apelações próprias e práticas rituais em espaços adequados a cada um, a partir do princípio universal de que se a essência de Deus é única, independente do nome pelo qual Ele costuma ser invocado por qualquer grupo humano que seja e em que língua for, santos católicos e divindades africanas não passam de expressões culturais da Sua Vontade Suprema. Essa lição de vida não é nova, os brasileiros aprenderam daquelas mulheres através de ensinamentos como este da iolorixá Olga de Alaketu: "Não se pode, ao mesmo tempo, partir um obi para Ogum e rezar uma ave-maria para Santo Antônio, pois cada favor tem seu merecimento".
O RESGATE
Presentemente, uma geração de mulheres negras desponta nesse cenário com uma produção literária que resgata a imagem da mulher afro-brasileira do âmbito folclórico de um enredo em que foi colocada como protagonista omissa e à margem do processo. A exemplo da Bahia, onde o negro, sem dúvida nenhuma, tem uma vivência cultural maior, destaca-se Stella Azevedo, ialorixá-cronista do seu terreiro Axé Opô Afonjá, em "E daí aconteceu o encanto" (3) e "O meu tempo é agora" (4); Aline França com a universalidade do seu romance "A mulher de Aleduma" (5); Valdina Pinto, com a poesia mística do seu mundo afro-religioso "Maaza ma Leemba" e "Recebendo Gunzo" (6); Nivalda Costa com os poemas dramáticos "Da cor da noite", segundo ela, "os primeiros passos de uma nova poética onde o drama direciona acordes para um futuro no que a dor caiba apenas como uma lembrança remota" (7)
E isso é só o começo. À medida em que a mulher vai se libertando do cativeiro secular para assumir um papel ativo na sociedade face àquele sentenciado pelo provérbio "atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher", ela conquista uma densidade existencial própria, com direitos e vantagens do lugar que lhe é devido ao lado do homem, também imagem de Deus.

Notas e referências bibliográficas
1) Cf. o ponto de vista de Gilberto Freyre na sua obra magistral Casa Grande & Senzala.
2) Cf. CASTRO, Yeda Pessoa de. No canto do acalanto. Salvador: CEAO/ UFBA., 1990 (Ensaio)Pesquisa, n. 10). Observar que dengo e caçula são termos de origem africana, e esse último substitui no Brasil a palavra benjamim, seu equivalente em português que, aqui, tomou outro significado, ou seja, o de conector de eletricidade.
3) Salvador, 1988, em co-autoria com Cléo Martins.
4) São Paulo, Editora Odudwa, 1993
5) Salvador, Ianamá, 1985.
6) In Poetas Baianos da Negritude. Salvador, CEAO/UFBA, 1982 (Arte/ Literatura, n. 2).
7) Salvador, CEAO/UFBA, 1983 (Arte/ Literatura, n. 3)

Liberdade Religiosa! Nós temos Fé!

Em 21 de Setembro de 2008, mais de 10 mil pessoas estiveram reunidas na Caminhada contra a intolerância religiosa, realizada pela Comissão de Combate a Combate à Intolerância Religiosa*, na Praia de Copacabana.
Representantes de várias religiões deram sua opinião sobre o que pode ser feito para combater a intolerância religiosa.


Fonte: You Tube


* A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa é composta pela seguintes entidades:
Congregação Espírita Umbandista do Brasil - Ceub
Centro de Integração da Cultural Afro-Brasileira - Ciafro
Ilê Axé D´Ogum-Já
ABL Afro
Centro de Tradições Afro-Brasileiras - Cetrab
Templo A Caminho da Paz
Kwe Axé Vodum Obé Killey
Ilê Axé Opô Afonjá
Ilê Axé Oxalufan
Irmandade Religiosa e Cultural Afro-Brasileira
Centro Espírita São João Batista
Axé Idasile Odé
Centro de Articulação das Populações Marginalizadas - Ceap
Casa Brasileira
Coletivo de Entidades Negras - CEN
Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro - Fierj
Conselho Estadual dos Direitos do Negro - Cedine
IUPOL - Universidade Cândido Mendes


Porta Curtas: O Homem da Árvore


Gênero Documentário

Diretor Paula Mercedes

Ano 2006

Duração 18 min

Cor Colorido

Bitola indisponível

País Brasil

Ex-presidiário e evangélico, Mário instalou sua moradia no alto de uma árvore em Brasília, de onde se avistam o Palácio do Planalto e vários ministérios. Ali, ele busca provar sua inocência enquanto sobrevive catando latinhas nos lixos das embaixadas.



sexta-feira, 26 de setembro de 2008

SEPPIR reativa a Ouvidoria


A SEPPIR volta a oferecer ao público o serviço de ouvidoria. A função básica será receber denúncias de racismo e discriminação racial e encaminhá-las aos órgãos responsáveis nas esferas federal, estaduais e municipais. Além disso, o novo ouvidor da SEPPIR, Dr. Carlos Moura, pretende realizar ações preventivas e educativas para reduzir a ocorrência de casos de preconceito. Seu primeiro projeto neste sentido será a criação de um manual para orientar os órgãos estaduais/ municipais de promoção da Igualdade Racial no trato de questões desta natureza.
Dentre outras funções públicas, Carlos Moura foi presidente da Fundação Cultural Palmares por dois períodos (1989-90 e 2001-2003), diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Cabo Verde, e representante da Comunidade de Países de Língua Portuguesa na
Guiné-Bissau (2005-2006), contribuindo para a pacificação política daquele país africano.
O telefone da Ouvidoria da SEPPIR é o (61)3411-3695.
Fonte : SEPPIR

Curso do projeto Delegacia Legal apresenta estereótipo do negro traficante e o branco usuário de drogas



RIO - O negro traficante com cara de mau e o branco usuário de drogas. Um estereótipo comum na sociedade brasileira, que foi incorporado pelo curso de atualização do programa Delegacia Legal , da Polícia Civil, chocou alguns especialistas ouvidos pelo EXTRA e o próprio subchefe da instituição, delegado Ricardo Martins ( clique aqui para comentar no Casos de Polícia ). O quadro, que apresenta ainda a corporação como órgão repressor e mostra as drogas nessa relação, é usado como lição no módulo sobre tráfico de entorpecentes. Criado pelo Grupo Executivo, o curso é obrigatório para quem quiser trabalhar numa delegacia legal.
- É um racismo expresso. Lamentável que isso parta de um órgão público, que tem o dever de estimular o oposto. Vivemos num país misturado, onde não poderia haver esse tipo de preconceito, social e racial - disse o advogado Michel Assef, explicando quais são as prováveis conseqüências:
- Estimula o profissional da segurança pública a agir com truculência nos menos favorecidos, porque o negro e o mestiço estão nas comunidades mais pobres. Acho que o Ministério Público deveria atuar, pedindo punição.
Apesar de elogiar o desenvolvimento da polícia desde a criação da Delegacia Legal, a cientista social Sílvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, vê o quadro como um retrocesso. Para a cientista, ele representa um preconceito que a sociedade está superando.
- Achei chocante e inaceitável. Estou perplexa como a Polícia Civil ainda não percebeu que produzir este tipo de estereótipo é ruim para a própria polícia. É uma imagem totalmente acrítica, impensada, quase automática dos estereótipos que ainda estão muito presentes na sociedade brasileira - disse.
Entre os traficantes mais procurados, muitos são brancos. Antônio José de Souza, o Tota, do Complexo do Alemão, que teria morrido semana passada, é um deles. Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho, do Morro do Dendê, Pitbull da Mangueira, e FB, da Vila Cruzeiro, são outros que não seguem o estereótipo apresentado. Em compensação, também é cada vez mais comum jovens ricos envolvidos com tráfico.
Suspeito padrão
A antropóloga Ana Paula Miranda, que foi presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP), também elogiou a criação do programa Delegacia Legal, mas classificou como "terrível" o quadro usado em um dos módulos do curso. Segundo ela, o pior problema é o policial achar que apenas esses três personagens - polícia, traficante e usuário - têm relação com a venda de drogas.
- Esse quadro mostra apenas os traficantes de drogas. Ele esquece de falar sobre as grandes redes que estão por trás, comandando tudo. Não cita a fonte das drogas - frisou a antropóloga.
Para Ana Paula, a imagem divulgada no curso serve apenas para reforçar o preconceito racial e social que o policial já carrega.
- A polícia deveria ter um cuidado maior com o produto que está sendo apresentado. Essa imagem reproduz um senso comum na população, mas não acrescenta em nada para as investigações - disse.
Segundo a cientista Silvia Ramos, o quadro serve apenas para que os policiais continuem pensando sempre que o negro é o traficante.
- Não estimula o preconceito, mas reproduz o senso comum. E o policial deveria ser o primeiro a sair do senso comum, escapar do elemento suspeito cor padrão. Senão, ele estará reproduzindo o que a sociedade tem como conservadorismo - garante.
Subchefe: 'Curso precisa de atualização'
O subchefe da Polícia Civil, delegado Ricardo Martins, disse ontem que o curso precisa de algumas atualizações. Segundo o delegado, que ainda nem tinha visto o quadro da lição, integrantes do grupo executivo devem fazer um novo estudo do curso ainda este ano. O treinamento para as delegacias legais foi criado na administração passada. Ele já tem seis anos e constantemente novos módulos são lançados no sistema interno da polícia.
- É algo que pode ter passado desapercebido. Até porque, as coisas hoje estão se invertendo. Minha primeira atitude amanhã (hoje) será ver o que aconteceu. Seria melhor não usarmos imagem nenhuma - disse ele.
O subchefe de Polícia não falou se os cursos em andamento continuarão.
Para o advogado criminalista Nélio Andrade, o quadro representa algo que não existe mais na sociedade.
- É uma tremenda discriminação. Por que o negro aparece de forma diferente? O grande financiador hoje não é negro, é o traficante brancão, que compra a droga. O negro está nessa ponta como o vendedor. É a sardinha, porque o grande tubarão quase não aparece? - questionou o advogado, que costuma tocar no assunto quando faz palestras:
- Os policiais negros vão para cima dos negros. Se passar um negro em um carro importado, eles são parados. Isso é discriminação - disse Nélio Andrade.
Fonte: Extra

Porta Curtas: Maracatu, Maracatus


Gênero Documentário, Ficção
Diretor
Marcelo Gomes
Elenco
Aílton Guerra, Jofre Soares, Meia-Noite
Ano 1995
Duração 14 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil
As
diferenças culturais entre as várias gerações de integrantes do maracatu rural, ritual afro-indígena que tem suas origens nos engenhos de açúcar de Pernambuco.
Fonte: Porta Curtas


Justiça ouve vítimas de agressões de skinheads na Rua Augusta


SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo ouviu na quarta-feira, os depoimentos sobre as agressões de grupo de skinheads a um policial e a um jovem negro. O crime ocorreu na Rua Augusta, em junho deste ano. Três agressores foram presos e são acusados de dupla tentativa de homicídio. A primeira audiência do caso, no Fórum da Barra Funda, zona oeste da capital, teve 10 depoimentos. Foram ouvidas oito testemunhas de acusação e as duas vítimas do crime.
Um dos depoimentos foi do delegado que decretou a prisão em flagrante dos acusados. Ele contou que teve que esperar vários dias até que o policial tivesse condições de falar e que, apesar dos anos de experiência na polícia, ficou chocado com a brutalidade da agressão. O policial Wilson Vasconcelos tentou ajudar o jovem que era agredido, mas acabou atacado pelo grupo. O rosto dele ficou desfigurado.
Na quarta-feira, o policial disse que lembra de pouca coisa porque foi agredido pelas costas.
- No que eu caí, eu senti uns chutes, mas já meio atordoado, desfalecido, aí já não lembro mais - disse Wilson Vasconcelos.
- Eu espero que haja uma resposta adequada no tocante à existência de grupos de intolerância na cidade de São Paulo - disse o promotor Carlos Roberto Talarico, responsável pelo caso.
O cabo teve o rosto desfigurado e precisou ser submetido a cirurgia plástica após ser agredido com soco inglês e barra de ferro.
A confusão começou quando um rapaz negro estava em um ponto de ônibus e foi avistado pelos skinheads. O grupo passou a intimidá-lo e agredi-lo com expressões racistas. O policial, que estava fora de serviço, tentou intervir e recebeu um golpe pelas costas, caindo no chão. O grupo passou a espancá-lo.
Um ciclista viu a gangue ao redor do policial, caído no chão, e avisou uma equipe da Força Tática da PM, que estava 500 metros à frente do local. Os agressores tentaram fugir com a chegada da polícia, mas foram apontados por testemunhas indignadas com a ação.
A tenente Jaqueline Ferraz de Paiva, do 7º Batalhão, que atendeu a ocorrência, afirmou na ocasião que dois dos detidos resistiram à prisão mesmo com a presença de cerca de 20 PMs e de seis seguranças de boates que resolveram ajudar a polícia. Somente um dos acusados, Cley dos Passos Costa, de 28 anos, portava documentos no momento da prisão. Todos os acusados de integrar o grupo de skinheads foram indiciados por tentativa de homicídio e injúria. Dois deles já tinham passagem pela polícia.
Fonte: O Globo

Na Videoteca do CEN... The Awful Truth



Episódio da The Awful Thuth em que Michael Moore satiriza a "dificuldade" de que os policiais têm em diferenciar um negro portando "carteira preta", a um negro portando uma arma (e logicamente, no beneficio da dúvida, eles acabam matando...) , e a partir disso o mesmo propõe que os afro-americanos troquem suas carteiras pretas por carteiras laranja!
Enfim...Mesmo sem legendas, para os que não dominam o idioma, vale à pena conferir!

Fonte: You Tube

À mesa com os orixás

Sincretizado com os santos Cosme e Damião, Ibêji é celebrado neste sábado com o "caruru dos meninos'; veja quais são as predileções alimentares dos orixás do candomblé

JANAINA FIDALGO
DA REPORTAGEM LOCAL

Dizia Jorge Amado que os Ibêji, orixá duplo do candomblé sincretizado com os santos Cosme e Damião, são amigos da boa mesa da culinária baiana.
Quando se observa a fartura do "caruru dos meninos", celebrado neste sábado, a gourmandise desse orixá fica evidente. Aos gêmeos protetores da infância oferenda-se caruru e também acarajé, abará, vatapá, xinxim de galinha, farofa, rapadura, cana-de-açúcar...
"O candomblé é uma religião de antepassados. E, segundo as antigas tradições, quando se cultua os antepassados, oferece-se tudo que é necessário à vida, sobretudo comida e bebida", diz o sociólogo Reginaldo Prandi, professor aposentado da Universidade de São Paulo e autor de "Mitologias dos Orixás". "Cada orixá tem predileção por um alimento."
No dia de Ibêji, o caruru (prato à base de quiabo, camarão seco e dendê) é oferecido ao orixá e depois a sete crianças, que o recebem em uma grande tigela. Quando terminam, só então os adultos são convidados a compartilhar o alimento.
"A comida é elo entre a comunidade e os ancentrais", diz o antropólogo Vilson Caetano de Sousa Júnior, professor da Uneb (Universidade do Estado da Bahia) e autor de "Banquete Sagrado", com publicação prevista para o final deste ano.
"Uma coisa é o cortado de quiabos, outra é a oferenda de caruru que se faz a Ibêji", diz. "Diferentemente da comida do dia-a-dia, a comida ritual, votiva, é preparada de acordo com preceitos que pressupõem da abstinência sexual à exigência de que o corpo esteja limpo."

Dos terreiros para a rua
Na Bahia, as promessas feitas a Ibêji, do termo iorubá para gêmeos, são pagas com um grande caruru e com a distribuição de doces e presentes para as crianças. O tamanho do prato é medido em quiabos: caruru de mil, de 5.000 quiabos.
"Com o tempo, a festa de Ibêji foi além dos terreiros. Atinge até quem não é do candomblé. Assim como a festa de 31 de dezembro, nas praias, era uma festa de terreiro para Iemanjá e hoje é de todos", diz Prandi.
Um traço importante das comidas de orixá é o uso, quase onipresente, do dendê -quase porque há orixás que têm o ingrediente como um tabu alimentar, caso de Oxalá.
"A palmeira de dendê foi aclimatada ao Brasil para suprir a região de um óleo que é essencial nesta culinária sagrada", diz Prandi. "As comidas [de terreiro] nada mais eram que as comidas do dia-a-dia, que acabaram sendo trazidas para o Brasil pelo tráfico de escravos. Com a restauração da religião negra no Brasil, essas receitas se mantiveram vivas. Claro que sofreram adaptações, porque nem todos os ingredientes de lá estavam disponíveis aqui."
A culinária sagrada, porém, não ficou limitada aos terreiros. "É certo que a culinária baiana saiu dos terreiros. O acarajé é uma comida sagrada que passou a ser vendida nas ruas de Salvador", diz o antropólogo Rodnei William Eugênio, autor do livro "Acaçá, Onde Tudo Começou - Histórias, Vivências e Receitas das Cozinhas de Candomblé". "Muitas mães-de-santo ganharam sua vida e muitas negras compraram sua alforria vendendo quitutes feitos nos terreiros."
Para o professor da Uneb, os terreiros de candomblé preservaram as técnicas africanas. "No fundo, o sagrado come o que os homens comem", diz. "É extremamente positiva a popularização de tais comidas. Isso mostra o poder que a cultura de matriz africana teve de se disseminar, de se espalhar."

As iabassês e os tabus
A preparação das comidas de oferenda, chamadas de ebós, cabe a uma mulher, a Iabassê. "No candomblé, a cozinha é um templo, é um espaço sagrado e cheio de interdições", diz Eugênio. Oxalá, por exemplo, é um orixá cheio de tabus (leia no quadro à direita). Tem, por isso, uma cozinha exclusiva, onde não entram dendê nem sal.
"Os tabus são formas de criar a sua identidade através de uma exclusão", explica Prandi.

SP TAMBÉM TEM "CARURU DOS MENINOS"
Em São Paulo, o dia de Ibêji pode não ser tão popular quanto é em Salvador. Ainda assim, a festa não passará despercebida. Domingo, a partir das 14h, o terreiro Ilê Alaketu Axé Airá, em São Bernardo do Campo (r. Antonio Batistini, 226, Batistini, tel. 0/ xx/11/ 4347-0134), fará uma festa para os gêmeos. Capitaneado por pai Pércio de Xangô, o "caruru dos meninos" é aberto ao público -a doação de doces, brinquedos e bexigas é bem-vinda.
No Soteropolitano (tel. 0/ xx/11/3034-4881), na Vila Madalena, a tradição do caruru se mantém há 13 anos e volta a acontecer neste sábado. "Apesar de eu não participar do candomblé, está no sangue", brinca Júlio Valverde, dono do restaurante.
Fonte: Ìrohìn

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Lei que amplia licença-maternidade para seis meses é publicada no Diário Oficial

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A nova lei que amplia a licença-maternidade de quatro para seis meses foi publicada no dia de 10/09 no Diário Oficial da União. De acordo com o texto, sancionado em 9/09 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as empresas podem, facultativamente, estender o direito à licença por mais dois meses para suas funcionárias.
Caso optem pelo prazo maior, as empresas deverão pagar o salário e a contribuição previdenciária dessas funcionárias durante todo o período de afastamento, mas poderão descontar o valor do Imposto de Renda.
A empregada que gozar do novo direito não poderá exercer trabalho remunerado durante o tempo em que estiver licenciada e o filho não poderá ser mantido em creche ou organização similar. O mesmo direito também vale para as empregadas que adotarem uma criança.




Fonte: O Globo

Cota para afrodescendente em universidade pública é bem aceita, indica pesquisa

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Em vigor há cinco anos, as cotas para alunos afrodescendentes nas universidades públicas não acirraram nenhum tipo de relação social no ambiente acadêmico. Nas universidade onde existem ações afirmativas, 62% dos alunos aprovam a medida e acham que a universidade esta até mais "cordial" que a própria sociedade.
A avaliação foi apresentada hoje (24) no Monitoramento das Políticas de Ação Afirmativa, divulgado pela Pontifica Universidade Católica (PUC) Rio. Cerca de 2,5 mil alunos de diversas raças foram ouvidos em dez universidades públicas do país que adotam algum tipo de ação afirmativa como as cotas.
Segundo o levantamento, a maior parte dos alunos entrevistados avaliou como boa a relação entre os colegas oriundos de ações afirmativas (57,5%), com os outros alunos, em geral, (60,4%), com professores (67%) e funcionários da escola (64,4%).
As opiniões ficaram um pouco divididas quando a pergunta era sobre o tratamento dado a negros e brancos na universidade. Cerca de 40% respondeu que às vezes existe tratamento diferenciado e outros 43,6% contaram que nunca ou quase nunca há desigualdade.
A divergência, no entanto, apareceu quando os alunos foram perguntados sobre as formas como negros e brancos são tratados na sociedade. A maior parte (46,7%) disse que sempre ou quase sempre há diferenciação e outros 47,6 % informaram que isso ocorre às vezes.
Para uma das coordenadoras da pesquisa, a antropóloga Elielma Machado, o monitoramento esclarece que os alunos percebem mais racismo fora do que dentro das faculdades.
"Eles tendem a ver mais [racismo] na sociedade que na faculdade. Em outras pesquisas também vimos que os casos mais comuns de racismo acontecem em comércio, shoppings ou mesmo na rua. Realmente, na universidade não aparecem tantas queixas de racismo" afirmou.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Na estante do CEN: Primeira edição do "CEN Brasil informa"



Saudações a todos os leitores amigos, que recebem agora esta primeira edição de nosso informativo "CEN Brasil informa".
Esta publicação (pegue sua cópia na Estante do CEN, vide ao lado) surgiu para que você acompanhe periodicamente o que acontece de mais importante em nosso site
por meio de um noticiário variado.
IMPORTANTE SABER, CEN Brasil informa foi criado para você! Opiniões e sugestões de matérias para o informativo devem seguir para
cenbrasil.comunicacao@gmail.com .

Boa leitura e até a próxima edição.

Um forte abraço!
Marcos Rezende Coordenador Geral CEN Brasil.
Realização: CEN Brasil Comunicação.

Liberdade para escolher



Fabiana Oliveira

Cerca de 10 mil representantes de diversas religiões e povos historicamente discriminados se reuniram nas ruas de Copacabana, Zona Sul, para mostrar que quando há respeito é possível sim haver diálogo. O movimento que culminou na “Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa” teve início ainda em janeiro, após publicação no portal Viva Favela da reportagem
“Liberdade Religiosa”, denunciando a discriminação sofrida por adeptos de religiões de matriz africana em comunidades do Rio.
Segundo o coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Marcos Rezende, a matéria serviu como um elo de ligação entre os diversos casos de intolerância religiosa ocorridos no Brasil, que vão desde ofensas de todos os tipos à depredação e derrubada de templos. Além disso, foi base para um dossiê encaminhado ao governo federal pelo CEN.
“Essa matéria cir
culou entre os adeptos de religiões de matriz africana e fez com que as pessoas começassem a perceber que o que acontecia não eram atos isolados. Começamos a sentir a necessidade de juntar, de fazer uma mobilização que serviu para pautar a solicitação de uma CPI de combate à intolerância religiosa“, lembrou Marcos Rezende.
Membro da Congregação em Defesa das Religiões Afro-Brasileiras do Rio Grande do Sul (Cedrab), Baba Dija de Iemanjá, veio de longe para denunciar as freqüentes perseguições sofridas pelos adeptos do batuque - o mesmo que candomblé aqui - no Sul. Segundo o sacerdote, criar leis que defendam os cultos religiosos pode ser uma saída para o fim das violações:
“Em Porto Alegre é comum jogarem sal na porta dos terreiros, sofrermos com abordagens agressivas. Temos que vencer esta situação por meio das leis”.
Além da discriminação, os adeptos das religiões de matriz africana enfrentam outras dificuldades. No ano em que se comemora 100 anos de Umbanda no Brasil, o morador da Comunidade Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul do Rio, Antônio Guedes, 45 anos, não tem muito a comemorar. Ele conta que dos cinco centros existentes no Santa Marta, atualmente não há mais nenhum.
“As pessoas responsáveis pelos centros da comunidade foram falecendo, as igrejas evangélicas, que normalmente associam nossa religião a coisas ruins foram crescendo e com isso, aos poucos, eles acabaram aqui. Normalmente esses centros enraízam mais nas Zonas Norte e Oeste e na Baixada Fluminense”, lamenta.
E parece que não só os centros têm mais espaço no interior do Rio. O povo cigano, cuja maior concentração está na Baixada Fluminense, juntamente com adeptos do Movimento Hare Krishnas também estiveram presentes na caminhada.
“Os ciganos são uma nação dentro de outras nações por isso sempre fomos discriminados”, diz a advogada Mirian Stanescom, primeira cigana a ter diploma universitário no Brasil. E completa: “Atualmente estou no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial. È a primeira vez que o governo está olhando para o nosso povo”.

Unindo religião e cultura
Reunindo diversos elementos da cultura afro-brasileira, mensalmente o pároco da cidade de Rio Novo, em Minas Gerais, Guanair da Silva Santos, 46 anos, celebra o que convencionou chamar de missa afro:
“Quando celebramos a missa, a partir da experiência cultural, usamos o atabaque, agogô, o colorido, muita folhas e a partilha da comida, todos elementos da cultura africana”.
O padre da Paróquia Nossa Senhora da Conceição é o único da cidade, que tem cerca de 8500 habitantes, e segundo ele, antes de começar a celebrar as missas afros, foi necessário toda uma preparação com os católicos do local. Para ele, estar presente na caminhada teve um motivo todo especial.
“Embora já tenha 120 anos do fim da escravidão no Brasil, ainda temos muito preconceito. O que me motivou estar aqui é o trabalho que há 20 anos realizamos por meio do instituto Mariama, sobre estudo das tradições afro-brasileiras no contexto da ação pastoral da igreja católica no Brasil”.
A caminhada também teve espaço para os grupos de dança. Maria Isabel, 21 anos, é católica e há cinco anos participa de um grupo de afoxé em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A jovem acredita que é possível aprender a respeitar e conviver harmoniosamente com diferentes religiões.
“Gosto muito do afoxé. No grupo cada um tem a sua religião. Mas já fui discriminada porque as pessoas acham que dança afro é macumba, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Inclusive tem uma moça evangélica que sempre participa das apresentações do grupo e adora”.
Confira mais fotos na galeria
"Juntos contra a intolerância".
Fonte : Viva Favela

Ato em solidariedade as mulheres condenadas por aborto


Invasão de privacidade, atentado à autonomia e dignidade das mulheres, exposição a execração pública, são alguns dos termos com os quais os movimentos de mulheres qualificam o processo judicial sobre aborto provocado, em andamento na cidade de Campo Grande. Na semana do Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe, mulheres de todo o Brasil se encontram na capital paulista para debater sobre o tema e participar de um ato público, que acontece na próxima sexta-feira, dia 26.
Na capital do Mato Grosso do Sul cerca de duas mil mulheres foram indiciadas por prática de aborto. Algumas aceitaram prestar o serviço comunitário de cuidar de crianças em creches, para se verem livres do processo. Vivemos no Brasil uma onda de estouro de clínicas clandestinas que praticam aborto, e muitas mulheres vivem sob o risco de se verem também perseguidas, em outros estados. De modo geral, as mulheres submetidas a esse tipo de constrangimento são pobres e carentes de assistência jurídica e psicológica.
“Nenhuma mulher deve ser perseguida, humilhada, condenada ou presa pela prática do aborto”
Em torno dessa idéia, delegações de redes e organizações de mulheres se reúnem esta semana na capital paulista, para participar de um ato público no qual será lançada a Frente pelo fim da criminalização das mulheres e pela legalização do aborto. A convocação abrange entidades e movimentos democráticos e populares favoráveis a esta causa.
O Ato será no dia 26, sexta-feira, com concentração na Praça Ramos a partir das às 13:30, de onde manifestantes seguirão em caminhada até o Tribunal de Justiça.
Seminário internacional precede o Ato – Nos dias 24 e 25 (quarta e quinta-feira) acontece uma reunião internacional em que serão discutidas “Estratégias Latino-Americanas pela Legalização do Aborto e Autonomia Reprodutiva das Mulheres”. Esta atividade será no Auditório da Ação Educativa, na Vila Buarque. O evento está sendo organizado por seis organizações da sociedade civil (SOS Corpo, Ipas Brasil, CFEMEA, Instituto Patrícia Galvão, Católicas pelo Direito de Decidir, Comissão de Cidadania e Reprodução), e cinco redes de mulheres (Articulação de Mulheres Brasileiras, Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, Marcha Mundial de Mulheres, CLADEM/ Brasil e Rede Feminista de Saúde).
Feministas do Peru, Uruguai e Nicarágua foram convidadas para relatar suas lutas. Para falar da realidade nacional, além das organizações já citadas, está convidada uma representante da União Nacional dos Estudantes.
Na noite do dia 24 haverá uma exibição especial do filme “O aborto dos outros”, de Carla Gallo, na Sala Aleijadinho do HSBC Belas Artes.
Manifesto contra a criminalização das mulheres que praticam aborto – No
blog da Frente pelo fim da criminalização das mulheres e pela legalização do aborto encontra-se o texto do Manifesto, com link para assinaturas de adesão. Para ler e aderir clique aqui.
Informações para a imprensa:IPAS Brasil - 21-2532-1930 / 11-8468-0910 (Evanize Sydow)
Angela Freitas/ Instituto Patrícia Galvão
Fonte: Mulheres de olho

Convite: 1º Encontro Polícia, Direitoas Humanos e Diversidade Religiosa


terça-feira, 23 de setembro de 2008

Taxa de aborto ainda é maior entre negras e hispânicas nos EUA

Washington, 23 set (EFE) - A taxa de aborto nos Estados Unidos diminuiu nas últimas três décadas, mas, segundo um estudo publicado hoje, as mulheres negras e hispânicas são as que mais estão recorrendo à interrupção voluntária da gravidez.
"Muitas pessoas vêem como boa notícia que haja menos abortos, particularmente entre adolescentes, e que uma proporção maior dos abortos ocorra agora nos períodos mais adiantados da gravidez", disse Sharon Camp, presidente do Instituto Guttmacher, que realizou o estudo.
"Mas, ao mesmo tempo, os abortos estão se concentrando entre as mulheres de cor e as mulheres com baixa renda", acrescentou.
O relatório do Instituto encontrou grandes diferenças entre as mulheres brancas e as negras e hispânicas.
Apesar de os negros serem aproximadamente 12% da população americana, as mulheres negras representam 37% dos abortos no país.
Os brancos são quase 62% da população, e as mulheres brancas fizeram quase 34% dos abortos. Já as hispânicas realizaram 22%, embora seu grupo racial represente apenas 14% da população.
"Por trás de cada aborto, há uma gravidez não desejada", disse Rachel Jones, pesquisadora principal do Instituto Guttmacher.
"Como as mulheres de cor têm mais chances de ter uma gravidez não desejada, são as que têm mais probabilidades de buscar e fazer abortos", completou.
Outros estudos anteriores do Instituto Guttmacher, segundo Jones, "mostraram que as taxas de gravidez não desejada e as de abortos também aumentam entre as mulheres pobres e de baixa renda".
Para este relatório sobre aborto, o grupo de estudo analisou números do Escritório do Censo e das autoridades de saúde entre 1973 e 2005.
Segundo a pesquisa, depois da decisão da Corte Suprema de Justiça em 1973, que, de fato, legalizou o aborto, as taxas de interrupções voluntárias da gravidez aumentaram rapidamente, depois se estabilizaram no anos 80 e, desde então, diminuíram continuamente.
Fonte: G1

Ipea: Brasil precisa de 18 anos para acabar com desigualdade



Fonte: O Globo

Jornal A Tarde: Opinião

Clique na imagem para ampliar.



Jornal A Tarde
Opinião
23.09.08

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

TV Senado : Debate sobre matrizes religiosas.



video

Em 29 de abril, aconteceu a Audiência Pública que discutiu a relação entre as diversas religiões no Brasil e, em especial, o preconceito sofrido pelas religiões de matriz africana.

Saiba mais aqui.

Ministro defende punição mais rigorosa para religiosos que preguem a intolerância

RIO - O ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, defendeu uma punição mais rigorosa para quem defende a intolerância religiosa. O ministro, que participou da Caminhada pela Liberdade Religiosa, defendeu a criação de um dispositivo "claro", que criminalize o preconceito por parte de outras religiões. ( Veja fotos da caminhada )

- As religiões de matriz africana são as mais vulneráveis ao preconceito, principalamente por parte de outras religiões. Talvez seja necessário um dispositivo legal, que criminalize de forma muito clara essas manifestações religiosas, punindo seus responsáveis - disse. Na maioria das situações, os lideres não aparecem, mas seus seguidores são instrumentalizados e orientados a ofender e agredir as religiões, em especial, as de matriz africana - afirmou o ministro.

Em entrevista à imprensa, antes de participar da Caminha pela Liberdade Religiosa, em Copacabana, no Rio, o ministro Edson Santos disse que a legislação atual não é aplicada com rigor. Mas, ponderou que a intolerância é praticada por uma pequena parte da população.

- Tenho certeza de que a sociedade de vários matizes se coloca de forma contrária e dura contra a discriminação - disse.

A caminhada, que reuniu dez mil pessoas, segundo os organizadores, na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, tinha como objetivo mostrar que pessoas que têm visões diferentes sobre Deus podem conviver em harmonia. A idéia, é que a discriminação religiosa seja punida de acordo com a lei Caó, uma lei federal que determina pena de um a três anos de prisão para quem praticar o preconceito de raça, cor, etnia ou religião.

Atualmente, a maioria dos crimes de preconceito religioso no país são enquadrados no Artigo 208 do Código Penal, que estabelece detenção de um mês a um ano, ou multa - que pode ser aumentada em até um terço, no caso do emprego da violência -, para os casos de intolerância, como o dos jovens que destruíram um centro espírita no Rio, em junho passado.

Fonte: Extra

domingo, 21 de setembro de 2008

Rio terá caminhada contra a intolerância religiosa



Fonte: O Globo

A TARDE On Line : FOTOS - Ato contra a intolerância religiosa




Para ver essas e outras fotos do ato através das lentes de Fernando Vivas, clique aqui.

Fonte: A Tarde

sábado, 20 de setembro de 2008

Terreiros lançam a 4ª Caminhada do Povo de Santo em Salvador

Por Jamylle Menezes

Terreiros de Salvador e municípios do interior do estado já se mobilizam para a 4ª Caminhada do Povo de Santo - Pela Vida e Liberdade Religiosa, que este ano acontece no dia 23 de novembro (domingo). A programação de 2008 foi lançada nesta sexta-feira (19), no Memorial das Baianas, em Salvador, com a participação de lideranças de diversas Casas de Candomblé e da Umbanda, esta última que, este ano, completa 100 anos.

Como na edição anterior, a Caminhada será precedida de uma Sessão Pública na Assembléia Legislativa do Estado, no dia 20 de novembro. Na ocasião, serão apresentadas demandas dos inúmeros Terreiros na Bahia e dos adeptos de religiões de matriz africana, que, a cada ano, renovam as forças no combate à intolerância religiosa em uma luta ininterrupta pelo respeito à fé nos Orixás, Inkicis, Voduns, Caboclos e Encantados, afirmam os organizadores. Nos dias 21 e 22 de novembro, o II Seminário Pela Vida e Liberdade Religiosa reunirá representantes de outros estados, estudantes, artistas e religiosos de Salvador, além de autoridades do poder público na Bahia e no Brasil.

No dia 23 de novembro, será a vez da 4ª Caminhada do Povo de Santo, que sairá do Busto de Mãe Runhó (Engenho Velho da Federação), em direção ao Dique dos Orixás, onde os participantes tentarão formar o Abraço ao Dique, espaço considerado sagrado aos adeptos do Candomblé.

Em 2007, cerca de cinco mil pessoas formaram o chamado Tapete Branco do Axé na terceira edição da Caminhada, que contou com a participação de religiosos de 28 municípios baianos e estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão.


  • Lançamento da 4ª Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa



Fonte: Ìrohìn

Correio da Bahia: Resposta à intolerância


Clique na imagem, para fazer download da matéria.


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

STJ condena Igreja Universal a indenizar herdeiros de mãe-de-santo


Por unanimidade, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta sexta-feira (19), manter a obrigação de a Igreja Universal do Reino de Deus pagar indenização aos filhos e ao marido da mãe-de-santo Gildásia dos Santos e Santos. Uma foto da líder religiosa foi usada num contexto ofensivo no jornal Folha Universal, veículo de divulgação da igreja.

Em 1999, a Folha Universal publicou uma matéria com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes” e utilizou uma foto da ialorixá como ilustração. Em 2000, Gildásia faleceu, mas seus herdeiros e espólio começaram uma ação de indenização por danos morais.

A 17ª Vara Cível da Estado condenou a Igreja Universal ao pagamento de R$ 1,4 milhão como indenização, com base na ofensa ao artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal (proteção à honra, vida privada e imagem). Além disso, a Folha Universal também foi condenada a publicar, em dois dos seus números, uma retratação à mãe-de-santo.

No recurso ao STJ, a Universal alegou que a decisão da Justiça baiana ofenderia os artigos 3º e 6º do Código de Processo Civil (CPC) por não haver interesse de agir dos herdeiros e que apenas a própria mãe-de-santo poderia ter movido a ação. A defesa argumentou que a “suposta” ofensa não teria efeitos neles. A Igreja Universal também não seria parte legítima, já que a Folha Universal é impressa pela Editora Gráfica Universal Ltda., que tem personalidade jurídica diferente daquela da igreja.

A Igreja Universal ainda alegou que o espólio não poderia entrar com a ação, e que já havia sido condenada a publicar duas retratações, quando a ofensa teria ocorrido apenas uma vez, violando, com isso, os artigos 128 e 460 do CPC. Por fim, afirmou ainda ser exorbitante o valor da indenização e propiciar enriquecimento sem causa. Informou que o jornal não teria fins lucrativos, tornando o valor ainda mais desproporcional.

No seu voto, o juiz convocado Carlos Fernando Mathias considerou que, mesmo que a gráfica e a Igreja Universal tenham pessoas jurídicas diferentes, elas obviamente pertencem ao mesmo grupo, como atestam os estatutos de ambas e são co-responsáveis pelo artigo, logo, a Universal poderia ser processada pela família.

Quanto à questão do espólio, o juiz Fernando Mathias admitiu que a questão não poderia ser transmitida por “herança”. O espólio, portanto, não seria legítimo para começar uma ação. Entretanto, o magistrado considerou que a ofensa à mãe-de-santo seria uma clara causa de dor e embaraço aos herdeiros e que o pedido de indenização seria um direito pessoal de cada um. Ele apontou que a jurisprudência do STJ é clara nesse sentido.

O relator considerou ainda que o valor fixado pela Justiça baiana seria alto, o equivalente a 400 salários mínimos para cada um dos herdeiros. Assim, pelas peculiaridades do caso, reduziu a indenização para um valor total de R$ 145.250,00 ficando R$ 20.750 para cada herdeiro.

Fonte: A Tarde

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