terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Um ano depois, alunos da Palmares não viram cor do diploma

S. Paulo - Concebida para servir como modelo de inclusão de negros na Educação e exaltar a Unipalmares – a primeira Faculdade majoritariamente negra no país – a cerimônia de formatura da primeira turma da Universidade, que teve como patrono o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e como paraninfos, o ex-governador de S. Paulo, Geraldo Alckmin e o atual José Serra, transformou-se menos de um ano após, numa enorme frustração: até hoje os 126 alunos da turma – 90% dos quais negros - não viram a cor dos seus diplomas e já começaram a sofrer prejuízos porque alguns tiveram de abandonar cursos de pós-graduação nos quais estavam matriculados.

A cerimônia de formatura da primeira turma de Administração aconteceu no dia 13 de março do ano passado e se transformou em um mega show no Ginásio do Ibirapuera - uma espécie de celebração ecumênica que, além de Lula, Alckmin e Serra, reuniu o prefeito de S. Paulo Gilberto Kassab, seis ministros do Governo Federal, um ex-presidente (José Sarney), dois ex-governadores (Alckmin e Benedita da Silva) e um governador – o tucano Anchieta Jr., de Roraima.

A festa, aberta pela atriz Isabel Filardis e o cantor Simoninha, como apresentadores, teve ainda show de Martinho da Vila e apresentação do ator, Milton Gonçalves, da novela A Favorita, da Rede Globo, recitando, em tom épico, um texto em que ao final conclamava a platéia a gritar: “livres, livres, livres!”.

Ninguém sabe

Segundo a presidente da Comissão de Formatura, Sônia Maria da Silva, na direção da Faculdade ninguém informa as razões para a não entrega dos diplomas aos formandos. “Alguns pretendiam fazer pós-graduação e não puderam pela falta dos certificados de conclusão do curso. Outros tiveram de abandonar a pós-graduação, porque não tiveram como comprovar a conclusão da graduação na Palmares”, conta.

A Afropress tentou contato com o reitor da Universidade José Vicente, pouco antes do Natal, ligando para o seu próprio celular. Quando perguntado sobre as razões do problema, a ligação caiu. O jornalista tentou por mais cinco vezes falar com o reitor, sem sucesso. Vicente também não retornou posteriormente as ligações. Na direção da Unipalmares, ninguém dá explicações.

Normalmente quando se trata de cursos ainda não reconhecidos o período aceitável para a entrega dos certificados de conclusão é de três meses. No caso da Palmares, entretanto, o Curso de Administração já havia sido reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).

Segundo a presidente da Comissão, a entrega dos certificados vem sendo adiada desde março. Como se trata do primeiro certificado de conclusão de turma, o documento, segundo ela, terá de ser emitido pela USP. “Ninguém explicou oficialmente o porquê”, afirmou. Ela disse suspeitar que a Unipalmares tenha problemas fiscais e contábeis que estariam entravando a liberação do documento. “Eu não acredito mais que vá sair logo. Em minha opinião, o problema é que, fiscalmente, a Unipalmares não está em situação de regularidade com órgãos do Governo”, acrescentou.

Justiça

Sônia disse que ela própria teve problemas porque, como funcionária da Caixa Econômica Federal, foi beneficiada por uma Bolsa de Estudos da instituição, porém, deveria apresentar o diploma de conclusão do curso, sob pena de descontos nos salários. “Felizmente, consegui que a Caixa aceitasse como prova da conclusão do curso uma declaração da Palmares”.

Decepcionados com o desdobramento da formatura que, além da presença do presidente da República, do governador e prefeito de S. Paulo, teve grande destaque no telejornalismo da Globo como exemplo de inclusão, os estudantes da Palmares, estão dispostos até mesmo a ir a Justiça, se for o caso. “Se não sair até fevereiro, vou a Justiça”, diz Sônia.

Fonte: Afropress

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