sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Akomabu comemora 30 anos do Centro de Cultura Negra do Maranhão

Entrevista com Ana Amélia Bandeira (CCN-MA)
Juliana Nunes - Estamos aqui com Ana Amélia Bandeira, coordenadora geral do Centro de Cultura Negra do Maranhão. Ana Amélia, como o Centro de Cultura Negra (CCN) organiza o carnaval? Quais as atividades que vocês devem promover nos dias de carnaval?

Ana Amélia - A gente tem o Bloco Afro Akomabu e a Banda Afro Akomabu. Temos apresentações nos circuitos, patrocinados pelo governo do Estado, e tem também o desfile na Passarela do Samba. Já a partir de sábado (dia 21), a gente tem a bênção do bloco aqui na sede do CCN, prevista para as 15 horas. Logo que termina a bênção tem o ritual afro, que vai ser feito pelo Pai Euclides da Casa Fanti-Ashanti. Após a bênção, o bloco vai se deslocar até a praça João Lisboa e participa do circuito às 16 horas. Logo em seguida o circuito Vila Gracinha/ Beco da Turma do Quinto, e às 22 horas a gente vai estar no Viva Anjo da Guarda, que é um bairro que tem um grande número de população negra. Esta é a programação do bloco. No domingo a gente vai utilizar a fantasia estilizada de 2009. Vai ter a bênção na Casa das Minas, que é das casas mais antigas de culto de religião de matriz africana aqui do Maranhão. Depois da bênção a gente vai escolher algum bairro para fazer o desfile do bloco. No dia 23 (segunda-feira), o bloco vai desfilar na Passarela do Samba às 18 horas. Na terça-feira, a gente tem uma programação interna aqui na nossa sede, uma brincadeira que a gente faz, intitulada “Mocotó das piranhas e moleques”. À tarde a gente sai com o bloco no espaço onde o CCN está localizado, no bairro de Barés e João Paulo. Em relação à Banda Afro, a banda faz show na sexta-feira, dia 20, às 18 horas, na Praça Deodoro, que é uma praça localizada no centro da cidade, onde fica o comércio, rede bancária, biblioteca, escola.

Juliana Nunes - Como o Centro de Cultura Negra do Maranhão se prepara ao longo do ano em busca de apoios, parcerias, pra poder chegar no carnaval e fazer essa afirmação da cultura negra? Quais são as dificuldades que vocês encontram e como é realizado e desenvolvido esse projeto?

Ana Amélia - No Bloco Akomabu, a gente trabalha o ano inteiro. Após o término do ano anterior vem o que a gente chama de confraternização, que geralmente é uma feijoada e daí a gente faz essa feijoada bem próximo ao carnaval, depois que encerra o período carnavalesco. Em seguida a gente faz um seminário para avaliar o que foi o ano anterior e programar as ações para o ano seguinte. A gente tem todo um calendário e os ensaios do Akomabu começam geralmente no mês de outubro. Nós temos dificuldades, inclusive financeiras, porque pra colocar o bloco - que tem um número bem grande de componentes, em torno de 700 pessoas – enfrentamos várias dificuldades, inclusive deslocamento, porque a gente faz ensaios externos neste período antes do carnaval. Já no período de carnaval, a gente tem uma colaboração do governo, que dá pra remediar um pouco os nossos gastos. Mas existem também muitas pessoas que contribuem voluntariamente para que o bloco e a ação cultural aconteçam.

Juliana Nunes - Qual a importância que você vê hoje, para a comunidade, nesse carnaval que exalta as raízes africanas, os ritmos africanos? O CCN, como ele avalia esse impacto? É possível observar o aumento da auto-estima da comunidade afro no Maranhão e mesmo algum impacto no combate ao racismo no Estado?

Ana Amélia - Com certeza, para nós o bloco é um espaço político do Centro de Cultura Negra do Maranhão, já que todos os anos a gente trabalha um tema. O tema desse ano é “CCN 30 anos, Omoobá, pretas velhas e as ervas medicinais”. A gente está comemorando os 30 anos do Centro de Cultura Negra do Maranhão, 25 anos do Bloco Afro Akomabu e também resgatando a história das ervas medicinais, que hoje já quase não são mais utilizadas, que vêm de nossos antepassados, das nossas avós, que faziam tratamentos com a medicina alternativa, com ervas. E a gente trabalha também dentro da organização a questão da auto-estima da população negra. Então, para nós, o bloco tem sido um veículo de mobilização, para mostrar às pessoas a nossa importância enquanto negros nessa sociedade.

Juliana Nunes - Estamos conversando com Ana Amélia Bandeira, que coordena o Centro de Cultura Negra do Maranhão, que tem uma extensa programação no carnaval e também com várias ações em São Luís e em muitas outras cidades. E, durante o ano, vocês desenvolvem oficinas de música afro?

Ana Amélia – Sim, nos preparamos. A gente faz as oficinas, na organização também tem um grupo de dança que trabalha o ano todo com os vários ritmos de religião de matriz africana, o bumba-meu-boi nos três sotaques. Nas oficinas a gente está sempre fazendo este trabalho de conscientização, para não deixar a nossa cultura morrer. O tema do Akomabu é “A cultura não deve morrer”. É o significado de Akomabu em língua Fon.

Juliana Nunes - E desses ritmos que vocês levam pra rua, de toda essa musicalidade, o que você destacaria das novidades que o bloco tem levado para as ruas do Maranhão?

Ana Amélia - O nosso ritmo é diferenciado dos outros blocos afros. Nós utilizamos muito o ritmo vindo dos terreiros de religião de matriz africana, através dos nossos atabaques, cabaças e agogôs.

Juliana Nunes - E já tem uma nova geração aí, como é que vocês conseguem envolver os jovens nessas atividades?

Ana Amélia - De 2007 pra cá a gente tem tido um número bastante expressivo de crianças e adolescentes, principalmente em nossa bateria. Eles vêm, ficam bastante empolgados, e alguns que vieram o ano passado pra sair mesmo no cordão de criança, hoje se integram à bateria e, de uma forma bem gratificante, tem aumentado a adesão de meninas, de garotas. Já tivemos um número muito maior de meninos. Hoje, a gente tem um número bastante expressivo do público feminino na bateria.

Juliana Nunes - Ana Amélia faça um convite para os nossos ouvintes que estão agora no Maranhão, ou mesmo para aqueles que não estão, mas podem comparecer ao carnaval do Maranhão em outras ocasiões, dizendo-lhes o que eles podem encontrar.

Ana Amélia - Aqui o nosso espaço está sempre aberto para visitação. Este ano de 2009 a gente vai ter uma vasta programação, com o aniversário de 30 anos do CCN que acontece dia 19 de setembro. Só que durante todo esse período a gente vai fazer programações, vamos ter exposições, inclusive a gente já fez uma exposição em Belém, no Fórum Social Mundial. Fizemos uma exposição dos nossos materiais, e a gente vai fazer aqui em São Luís e em outros espaços, em algumas comunidades de remanescentes de quilombos que o CCN tem trabalho. Vamos fazer durante todo esse ano um trabalho e queremos atingir o maior número possível de cidades do Maranhão.

Juliana Nunes - Conversamos com Ana Amélia Bandeira, coordenadora geral do Centro de Cultura Negra do Maranhão. Muito obrigada pela participação, pela entrevista para a Radiobrás e agora é levar os blocos para as ruas, não é Ana Amélia?

Ana Amélia - Com certeza. O Centro de Cultura Negra do Maranhão agradece, através do Bloco Afro Akomabu, essa oportunidade e a gente espera contribuir com o movimento negro em nível de Brasil também.

Fonte: Ìrohìn

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons