quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Calendário Histórico - 1990: Nelson Mandela é libertado



Por Rachel Gessat

No dia 11 de fevereiro de 1990, Nelson Mandela foi libertado. O líder do Congresso Nacional Africano (ANC) passara 28 anos na prisão pelo seu engajamento contra o apartheid
Todos reconheceram que o país estava diante de uma virada histórica, quando o então chefe de governo Frederik Willem de Klerk anunciou, a 2 de fevereiro de 1990, a libertação de Nelson Mandela. Símbolo da luta da população negra contra o racismo, ele se tornara, ao longo dos 28 anos que passou na cadeia, o prisioneiro mais famoso do mundo.

Nelson Rolihlahla Dalibhunga Mandela nasceu a 18 de julho de 1918. Seu pai era chefe da tribo Thembu, do povo Xhosa. Nelson Mandela começou a estudar Direito na Universidade de Fort Hare (para negros), mas foi expulso por liderar uma greve estudantil. Em Joanesburgo, estagiou num escritório de advocacia e fez um curso de Direito por correspondência. Em 1942, graduou-se pela Universidade de Pretória.

Mandela ingressa no ANC

Já nos tempos de estudante, Mandela era engajado politicamente e ingressou cedo no Congresso Nacional Africano. O ANC era uma associação empenhada em reivindicar direitos e melhorar a qualidade de vida da maioria negra oprimida pelos brancos na África do Sul. A princípio, através de contatos com lideranças políticas e cartas com pedidos de apoio; mais tarde, organizando greves e manifestações.

Em 1952, Mandela abriu o primeiro escritório de advocacia para negros em Joanesburgo, uma tremenda ousadia num país em que o regime estava diminuindo a cada dia os direitos da população negra. A situação política interna escalou de tal maneira que, em 1960, a polícia abriu fogo contra os que participavam de uma grande manifestação em Shaperville. Saldo da violência: 69 mortos e centenas de feridos. O governo decretou estado de exceção e mandou prender vários militantes, entre os quais Nelson Mandela.

Organização clandestina

O Congresso Nacional Africano e outros partidos e associações que criticavam o regime foram proibidos. Em dezembro de 61, Mandela ajudou a criar a ala militante "Lança da Nação" e se tornou o primeiro comandante da organização clandestina especializada em sabotagens. Em 62, Mandela saiu escondido do país para pedir apoio, principalmente financeiro, à sua causa.

Ao retornar à África do Sul, ainda em 62, foi preso e condenado a cinco anos de prisão por ter participado da organização de protestos. Em outubro de 63, Mandela e outros sete réus foram condenados à prisão perpétua, sob acusação de terem organizado 150 atos de sabotagem. Até 1981, esteve na temida prisão em Robben Island, perto da Cidade do Cabo. Mais tarde, foi transferido para o presídio de alta segurança de Pollsmoor.

Depois de se tratar de uma tuberculose durante algumas semanas numa clínica, Mandela passou a viver numa casa, no pátio de outra prisão perto da Cidade do Cabo. Nos 28 anos em que ficou preso, a resistência dos negros sul-africanos contra o Apartheid foi se tornando cada vez maiz violenta. A comunidade internacional também aumentou a pressão contra o governo sul-africano através de sanções e boicotes.

Início das reformas na África do Sul

Ao assumir o governo em 1989, Frederik de Klerk reconheceu que as reformas eram inevitáveis para que o país não submergisse na guerra civil e no caos. Em fevereiro de 90, cancelou a proibição do ANC, revogou algumas leis racistas e libertou Mandela. Os anos seguintes ainda foram bastante confusos, com a minoria branca tentando manter a supremacia, semeando a discórdia entre os grupos negros.

Até que, nas primeiras eleições democráticas em 1994, o ANC recebeu 60% dos votos e Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul, cargo que ocupou até 1999. Em 1993, Mandela e Frederik de Klerk receberam o Prêmio Nobel da Paz, "por seu engajamento em prol da conciliação e por sua coragem e integridade".

Fonte:
Ìrohìn

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