sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Movimento Negro no FSM 2009

O Fórum Social Mundial (FSM) se encerrou no domingo (1/2) e reuniu mais de 100 mil pessoas, em Belém (PA). Considerada uma arena cultural e política, o FSM possibilita o fortalecimento de algumas agendas políticas e a articulação do Movimento Social. Para o Movimento Negro não foi diferente, embora a concentração da militância negra tenha sido, em maior número, em torno da reunião do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil (Coneb). Segundo as informações que circularam no FSM, o evento ainda terá ainda uma plenária final no mês de março, em São Paulo (SP). Já o congresso deve sair em julho, em Porto Alegre (RS).
Fora dos espaços de grande transitação do FSM – Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) – a reunião do Conneb pode ter fragmentado e diluído a intervenção negra nas milhares de atividades do FSM. Pelo menos essa foi a percepção de algumas negras e negros, que passaram pela UFPA e pela UFRA.
“Destacamos dois representantes das religiões de matriz africana para participar da reunião do Conneb. Aqui no FSM participamos do Fórum de Teologia, do Fórum de Saúde e das várias atividades do FSM. Nosso objetivo é denunciar a intolerância religiosa, especialmente no Rio Grande do Sul. Percebemos que a intolerância religiosa cresce, em todo o País. Há um acirramento de forças contra os cultos africanos”, apontou Baba Dyba de Yemonjá, da Comunidade Terreiro Ilê Axé Yemonjá Omi Olodô.
Conforme Baba Dyba, que promoveu uma oficina juntamente com o terreiro da Casa Branca do Engenho Velho no FSM, a delegação de religiosos de matriz africana contava cerca de 30 pessoas. Na avaliação do babalorixá gaúcho, essa edição do FSM foi marcada pela “segregação econômica” devido à diferença de infraestrutura entre os dois locais de funcionamento do FSM e aos transtornos de deslocamento entre as universidades. Da entrada principal da UFRA até as tendas do FSM, o deslocamento de 5km só era possível a pé ou na garupa de uma bicicleta. Na outra entrada, o transporte de barco encurtava o trajeto. Mas a caminhada continuava, 3km sob calor escaldante.

Quilombolas
Participante de outras edições do FSM, Jô Brandão, da Coordenação Nacional de Quilombos (Conaq), ficou com “a sensação de que este Fórum estava fechado. Parece que as outras edições eram mais livres, mais abertas. Mas isso não impediu as trocas”. As discussões dos quilombolas tiveram base na UFRA - local em que também era percebida a presença expressiva do Movimento Social e dos espaços negros, como tendas e exposições.
Para Jô Brandão, o debate de interesse dos quilombolas estava refletido nos eixos centrais do FSM, como territorialidade, conhecimentos tradicionais, titulação e áreas de conflitos. “O foco do debate sobre territórios não atinge só quilombolas. Houve convergência entre grupos étnicos da Guiana, Suriname e Argentina. Negros e indígenas têm os mesmos problemas e isso possibilita a formação de alianças”, disse ela, uma das 100 lideranças quilombolas presentes no FSM.
A jornalista Taís Zimbabwe também esteve no FSM e conciliou a participação em mesas e rodas de conversa sobre juventude negra. Foi dela que tivemos o relato da presença das mulheres negras nas diversas atividades propostas pelo FSM.

Olhares da juventude
A jovem pernambucana Damiana Júlia, do Movimento Comunitário de Cultura e Arte (Mocca), classificou como “fragilizada” a presença do Movimento Negro no FSM. O comentário se baseou na quantidade de militantes negros anunciados – cerca de 400 – e na presença na programação do FSM. A entidade da qual faz parte compõe a coordenação regional do Conneb. Damiana avaliou como importante a participação da juventude e a interação com as redes presentes no FSM. “A juventude está sob a própria coordenação”, disse ela.
Integrante do Movimento gay Leão do Norte, Marcone Costa demonstrou o envolvimento da sua rede na construção e no fortalecimento do espaço da juventude negra. “Estivemos no Enjune e agora estamos trabalhando para estruturar o Fórum Estadual da Juventude Negra”, afirmou Costa. Na percepção dele, o movimento LGBT segue para a reivindicação de mais espaço no FSM. “Não queremos ser participantes, queremos construir o FSM para ter uma participação realmente efetiva”, completou.
Na área de comunicação e mídia, José Alberto, da Rede Blogs, a fragmentação ainda é a tônica desse setor. “Acho que cada um faz o seu e não há uma junção, uma reivindicação política conjunta. Muitas rádios comunitárias e jovens fizeram comunicação, mas é preciso a gente pensar se é esse o caminho”.
Fonte: Ìrohìn

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