terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Personalidades Negras: José do Patrocínio

José do Patrocínio (1853-1905)

José Carlos do Patrocínio nasceu em Campos, no estado do Rio de Janeiro, em 9 de outubro de 1853. Era filho natural do padre João Carlos Monteiro, orador sacro de grande fama na capela imperial, membro da maçonaria, vereador e deputado de sua cidade. Sua mãe era Justina Maria do Espírito Santo, uma escrava entre os 92 cativos do padre João Carlos. José do Patrocínio passou a infância na fazenda paterna, onde pôde observar, desde cedo, a crueldade da escravidão.

Aos 14 anos, tendo recebido a educação primária, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como servente de pedreiro na Santa Casa de Misericórdia, para pagar o próprio estudo. Formou-se em Farmácia, mas sua verdadeira vocação estava no jornalismo. Em 1875, começou a escrever no jornal satírico Os Ferrões.

Em 1881, com dinheiro emprestado de seu sogro, comprou o jornal Gazeta da Tarde, começando nele a batalha pelo abolicionismo. Em maio de 1883, fundou a Confederação Abolicionista e lhe redigiu o manifesto, assinado também por André Rebouças e Aristides Lobo. Por intermédio da Confederação, promovia debates públicos sobre o fim da escravidão, além de apoiar fugas de escravos. A Confederação ajudou a manter o Quilombo do Leblon, que cultivava camélias e acolhia os escravos fugidos.

Conhecido como o patrono da abolição, José Carlos do Patrocínio foi orador, poeta, romancista e considerado o maior de todos os jornalistas que defendiam o fim da escravidão. O Tigre do Abolicionismo foi um articulista famoso em todo o país.

Em 1886 e 1887 foi eleito para a Câmara Municipal. Deixou a Gazeta da Tarde em setembro de 1887, para dirigir a Cidade do Rio, vibrante órgão abolicionista. Ali circulavam os melhores nomes das letras e do jornalismo brasileiro da época.

Com a República, opôs-se abertamente a Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro. Por conta disso, em 1892 foi deportado para Cacuí, no Amazonas.

Também foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, sentando-se na cadeira 21, que tem como patrono Joaquim Serra. Patrocínio escreveu três romances: Mota Coqueiro, Os Retirantes e Pedro Espanhol.

Casou-se com Maria Henriqueta de Sena, companheira de toda a vida. Teve um filho, também jornalista, chamado José Carlos do Patrocínio Filho. Zeca, como era conhecido, era extremamente criativo, sendo o primeiro brasileiro a fazer um script para o cinema no país.

Em 1901, por meio de seu filho que acabara de chegar de Paris, Patrocínio mostrou ao Rio um dos primeiros automóveis. Já no final de sua vida, interessou-se pela navegação aérea. Construiu um balão “Santa Cruz”, que não vingou. Durante uma homenagem a Santos Dumont, realizada no Teatro Lírico, foi acometido por uma hemoptise enquanto saudava o inventor. Patrocínio estava tuberculoso e faleceu no dia 30 de janeiro de 1905, aos 51 anos. Compareceram ao seu funeral figuras proeminentes da sociedade, como o Barão do Rio Branco, Machado de Assis e Joaquim Nabuco.


Referências bibliográficas:
Moura, Clóvis. História do Negro Brasileiro .São Paulo Editora Ática.1992
Oliveira, Eduardo (org). Quem é quem na negritude brasileira. São Paulo, Congresso nacional, 1998.
Lopes, Nei. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo, Selo Negro, 2004.


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