domingo, 8 de março de 2009

Dissidentes da Educafro lançam nova entidade em SP

S. Paulo – O grupo de jovens ativistas ex-integrantes da direção política da EDUCAFRO, a maior rede de Cursinhos Pré-Vestibulares para negros e carentes, que no mês passado rompeu com o Frei David Raimundo dos Santos, seu fundador e diretor executivo, saiu nesta quinta-feira (05/03) às ruas de S. Paulo em uma manifestação que marcou o nascimento de uma nova entidade – a UNEAFRO - União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora.

O grupo, formado por cerca de 100 manifestantes ocupou por alguns minutos as dependências da Faculdade de Medicina da USP, na Avenida Dr. Arnaldo, e depois seguiu até o Vão do MASP, na Avenida Paulista, onde o protesto foi encerrado no início da noite com discursos das lideranças.

Na Faculdade manifestantes picharam o chão do estacionamento com palavras de ordem contra o racismo e estenderam bandeiras à entrada da escola, que foi recentemente reformada. No caminho, os manifestantes chegaram a bloquear a Avenida Dr. Arnaldo por alguns minutos.

Segundo os dirigentes da entidade recém criada – Douglas Belchior, Heber Fagundes e Clayton Borges – que ocupavam, respectivamente, a coordenação geral, política e jurídica da EDUCAFRO, a nova entidade nasce com 42 núcleos. A maior parte desses núcleos é constituída por Cursinhos Pré-Vestibulares, mas também há grupos teatrais e esportivos.

Rompimento

O rompimento com o Frei David foi tornado público por meio de Carta Aberta em que os ex-dirigentes da EDUCAFRO disseram não concordar com os métodos e o modelo de gestão impostos pelo religioso. Segundo os dissidentes, o Frei “além de inquestionáveis talentos e liderança carrega vícios como a centralização, o apego à hierarquia nas relações, e visão de que a democracia e os embates de idéias causam os conflitos e divisões de poder”.

Num primeiro momento, Frei David reagiu com desdém ao anúncio da saída da direção política da EDUCAFRO. “Estou priorizando outros assuntos”, respondeu lacônico à Afropress. Depois do protesto, porém, procurado por veículos da grande mídia, preferiu não passar recibo. "A cada meia hora tem alguém da esquerda brigando com outro para arranjar o seu espaço. Eu acho que a criação de uma entidade é algo positivo desde que seja para atender a uma demanda da sociedade e é algo negativo se for para saciar o ego de alguém", afirmou. "Torço para que dê certo”, concluiu.

Igreja

A Educafro é uma entidade ligada ao Sefras – Serviço Francisco de Solidariedade, Departamento da Província da Imaculada Conceição do Brasil, organismo da Igreja Católica. Criada há 11 anos, mantinha, até o surgimento da dissidência, só em S. Paulo, 184 Núcleos de Base, sendo 100 deles na Capital e região metropolitana e outros 84 em cidades do interior de S. Paulo.

Também há Núcleos no Rio e em Minas não vinculados a sede central, que fica na Rua Riachuelo, em S. Paulo. O principal elo que mantém a maioria dos membros da entidade, são as Bolsas de Estudos, distribuídas pela sede e conseguidas junto às instituições de ensino privadas.

Segundo se calcula, cerca de 7 mil estudantes já foram contemplados com essas bolsas, sendo que 5 mil estudantes já formados e mais 2 mil cursando vários cursos. Além das Bolsas, a EDUCAFRO manteve nos últimos anos uma forte corrente de ativistas responsável por mobilizações que ganharam espaço no Congresso e na mídia, a maioria dos quais passou a integrar a nova entidade.

A proposta da UNEAFRO, segundo seus dirigentes, é discutir políticas afirmativas, como as cotas raciais e ampliar a inserção dos negros na sociedade por meio da Educação.
Fonte: Afropress

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