terça-feira, 14 de abril de 2009

Entrevista - Rebeca Tárique





Diretora do CEN/BA fala sobre extermínio da juventude negra

Acompanhe agora a entrevista concedida, especialmente para o Correio Nagô, pela diretora nacional de juventude do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Rebeca Tárique. A jovem fala sobre as ações desenvolvidas pelo Coletivo no estado e sobre o extermínio da juventude negra.

Quais são as ações politicas do CEN para a juventude negra de Salvador?
Rebeca Tárique: O Coletivo de Entidades Negras vem atuando na valorização, formação, capacitação e fortalecimento do protagonismo juvenil, visando formar novas lideranças juvenis emponderadas que emerge a sociedade, sendo multiplicadoras na formação de outros agentes não os restringindo apenas aos espaços do Movimento negro, sobretudo com o objetivo de ampliar e fortalecer os diálogos e parcerias com as demais juventudes organizadas. A juventude do CEN tem priorizado suas ações sob seguimentos que julgamos importantes para esses primeiros passos, dentre eles, a nossa inserção na comissão Organizadora da Primeira Conferência Nacional de Segurança Pública, por entendermos que o tema de segurança pública é importante para nós, afinal, quem ocupa a posição de exclusão e está na situação de vulnerabilidade social, somos nós, jovens negros e negras desta cidade, leia-se país, e sabemos bem o rastro da violência que sofremos, portanto essas marcas deixadas a todo tempo em nossos espaços é a forma explícita do nosso extermínio então é preciso, sobretudo reconhecê-lo para que se possa saber a causa e assim procurarmos evitar que continue sendo produzido. Este é nosso papel, se portar enquanto sinalizador, interlocutor e combatedor da realidade desigual que nos restringem. Fazemos parte também da REDLAC que é uma Rede Latino-americana e caribenha de jovens pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos e defendemos o direito a liberdade e decisão da mulher sobre o seu corpo. Temos hoje a representação de nossa juventude em outro País buscando o diálogo pan-africanista na sua diáspora num intuito de fortalecer estas ações cultivando os elementos essenciais para um bem comum, direitos iguais como assegura a própria constituição deste País. Estamos no Conselho Estadual de Juventude no intuito de criarmos estratégias que garantam a ocupação da juventude negra nesses espaços bem como monitorar os processos de implementação de políticas públicas para a juventude negra.

Recentemente o Cen lançou um pré-vestibular gratuito, explica como funciona o cursinho?
RT: Além das nossas ações, agora estamos também nas escolas públicas com o cursinho pré-vestibular que é um cursinho gratuito gerido por professores voluntários que fazem parte da entidade para atendermos aos alunos/as da comunidade, seja ele militante ou não; trabalhamos com juventudes de comunidades tradicionais: Juventude de Terreiros e Juventude Quilombola. Nesses espaços fazemos o recorte de gênero, afinal, a realidade da jovem mulher negra tem suas peculiaridades, e a conjuntura da pirâmide social nos mostra isso. Somos nós, jovens mulheres negras as mais discriminadas em todas as esferas socioeconômicas abaixo dos homens negros e os homens negros estão abaixo das mulheres brancas na ocupação dos espaços de prestígios e na remuneração. Adentramos na Articulação Brasileira de Jovens Feministas (ABJF), pois precisamos mais do que nunca estabelecer o feminismo negro e o primeiro Encontro das Negras Jovens Feministas nos dará um grande subsidio para isto, este encontro está sendo construído por jovens pertencente ao movimento social negro e nós do CEN estamos a frente deste processo junto com as demais jovens de MN.

Qual é o posicionamento do coletivo de entidades negras com relação ao projeto de exterminio da juventude negra no estado da Bahia?
RT: A violência social hoje é uma das maiores problemáticas enfrentadas pela população baiana, sabemos que esta violência nada mais é que um processo sistemático fruto da desigualdade social, filho do racismo, portanto o extermínio da juventude negra é o rastro da destruição que a discriminação racial deixa para a sociedade, este extermínio está se dando de diversas formas, enquanto agente social; na negação de direitos básicos que assiste ao cidadão; na exclusão de ocupação de espaços de uma determinada população em detrimento e monopólio da outra, e a forma direta de eliminação física do individuo. Entendemos o programa de extermínio da juventude negra como uma grande “limpeza” étnica e nosso papel enquanto pessoas orgânicas de movimento social negro, enquanto cidadãos negros/as deste Estado é o de combater estas ações, não permitindo que o racismo nos destrua que a intolerância acabe com as nossas vidas. Somos maioria desta população, não podemos nos permitir que a minoria decida pela nossa vida, a vida é um direito que deve ser garantido a todos/as, mais cabe ao Estado este papel de zelar pela nossa integridade moral e física, entretanto, para que de fato isso seja real temos que realmente cobrar, interceder, lutar para viver bem como os nossos antepassados fizeram para garantir o nosso nascimento e a nossa vida.

Fonte: Você Repórter - Ana Paula Fanon

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