sexta-feira, 24 de abril de 2009

Movimento Negro de parabéns !

Parabenizamos as forças do Movimento Negro pela demonstração de maturidade e pelas estratégias elaboradas na ocupação de espaços para a Conferência Municipal e Estadual da Igualdade Racial. Na 2a. Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial realizada pela Prefeitura Municipal do Salvador, através da Secretaria da Reparação, nos últimos dias 14, 15 e 16, as diversas manifestações religiosas de matrizes africanas articularam-se muito bem, a juventude esteve linda e brigona como sempre deve ser, as mulheres inteligentes e dando um banho de maestria política, os quilombolas falando por eles, os pescadores e as marisqueiras bem representadas pelo povo das Ilhas, as pessoas com deficiência, firmes na atuação, os movimentos históricos, os grupos GLBTT,as associações de bairros, os evangélicos reivindicando o espaço na condição de cristãos de matrizes africanas e falando de Cristo africanizado, enfim o povo negro chamado de incompetente e acusado de não saber fazer consensos, deu uma aula de política com ética, compreendendo o processo político, fazendo alianças com um pé atrás, mas olhando para frente, para os novos desafios. O maior deles: um pacto de não agressão entre nós, uma estratégia pelo nosso empoderamento e em nossa defesa acima de tudo. Assim nos ensinou a lucidez do inspirado professor Jaime Sodré. Êpa Babá!!!
Nessa 2a. Conferência de Promoção da Igualdade Racial convocada oficialmente pelo prefeito João Henrique, (a primeira foi em 2005), depois de cinco anos e alguns meses de criação da Secretaria Municipal da Reparação e da Secretaria Nacional com status de Ministério para promover a igualdade racial em nosso País, e após quase três anos de instalação da Secretaria Estadual - SEPROMI, tendo o mesmo objetivo , anunciado pela Conferência de Durbam, na África do Sul, vale registrar as sábias lições dos irmãos dos blocos carnavalescos na promoção do grande diálogo costurado nos bairros populares desta cidade negra, do diálogo possivel que tratou da diversidade quando essa palavra sequer frequentava os ambientes políticos e pouquíssimo os ambientes universitários da vanguarda. Diálogos construídos fora da institucionalidade de poderes estatais.
Vamos celebrar o diálogo interreligioso e da diversidade produzido pelos Blocos de Índios Apaches do Tororó, pelo Cacique do Garcia, pelo Tamoyo do Engenho Velho, pelos Guaranys, pelos Tupys (era assim mesmo com "Y"), que pavimentaram a estrada para Os Desajustados da Liberdade, dos Commanches, dos Barrabas, dos Estudantes da Liberdade, do Come-cana, do Alvorada ( ainda no tempo dos lençóis brancos), do Uruguai Zero Hora. Vamos lembrar dos carnavais dos Filhos da Resistência, do Vai Levando, do Rítmo da Liberdade, dos Filhos da Liberdade, dos Filhos do Fogo, do Mar, da fartura de nomes e cores alegóricas nascidas das mãos negras do artista plástico e músico Nelson Maleiro (1909-1982), ao qual devemos ainda uma justa homenagem, e das suas agremiações Marcadores de Bagdá e Cavalheiros de Bagdá que partiam garbosamente da Baixa dos Sapateiros para encontrarem-se no bairro da Liberdade com a refinada escola dos Diplomatas de Amaralina. Cumpre-me, registrar que os povos indígenas foram contemplados pelas plenárias da Conferência com todo o apoio dos seus filhos e filhas de hoje nascidas do Ilê, no Olodum, no Malê, no Okambi, no Muzenza, no Olorum Baba Mi e em todos os cantos que cantam a liberdade nesta cidade mulher.
Na Mesa eu disfarçava uma alegre inveja e saudades do meu tempo de liderança na sociedade civil, passados quase trinta anos de militância nesta Cidade da Bahia de Todos os Santos, época em que brigávamos até para segurar o microfone (quando existia), brigávamos para compor a Mesa. Mas Tempo quis que os novos tempos chegássem para Uila Aparecida, para Larissa, minhas filhas. Para Rebeca, outro tipo de filha que vejo crescer fazendo a luta, o exemplo do protagonismo juvenil possível no novo tempo do Movimento Negro e Social, um exemplo, outras palavras, outros olhares. Seguindo a máxima de que precisamos ser mais afetivo com o outro, com a outra que caminha ao lado, que devemos entender que o nosso adversário não está em nossas conferências, mas, principalmente, longe de nós a conspirar contra o nosso objetivo, vamos agradecer a seu Albertino Francisco Ferreira, a dona Lelêta, a Apolônio de Jesus, a Lino de Almeida, a Manoel Almeida Cruz, a mãe Marinalva Boaventura, a Albérico Paiva, a Mãe Nilzete, a Mãe Simplícia, a Cecé, a Jeovah de Carvalho, a Mário Gusmão, a Milton Santos,a Jônatas Conceição, a Gey Espinheira,Mãe Senhora, Mãe Menininha, Mãe Mirinha e ao produtor Jurassol (do Badauê, do Amigos de Jurassol), ao compositor Itamar Tropicália e a todos e todas, apressados e apressadas, que correram na frente, com os olhares dos seus momentos e valores da época, empunharam a bandeira contra o racismo e a discriminação. Aqueles e aquelas chamados de "malucos", com "mania de perseguição", com "complexos de inferioridade", aquelas que "viam coisas que não existiam". E como viam coisas! Obrigado meu povo, pois sem vocês não haveria secretarias de reparação, nem conselhos da comunidade negra, nem planos e nem estatutos de igualdade.
Obrigado pelo empreendedorismo e pela desconfiança cuidadosa de vocês.
Ailton Ferreira, sociólogo, subsecretário municipal da Reparação - Salvador

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