quarta-feira, 13 de maio de 2009

Lima Barreto, o escritor imortal


O 13 de maio, o pré-modernismo e a literatura combativa
Dia 13 de maio de 1888 foi assinada pela princesa Isabel, a Lei Áurea. A partir daquele dia "aboliu-se a escravidão no Brasil”. Logo após a assinatura da lei tudo ficou bem no país e os chamados ex-escravos ficaram livres para sempre, como um conto das mil e uma noites muitos pensaram que seria desta forma que iríamos reagir nesta data, que nós iríamos aceitar passivamente sem questionar sobre este projeto forjado e excludente ao qual homens e mulheres negros e negras não se submeteram.
Na época ,abolicionistas que de fato não tinham interesse pela real libertação do povo negro, queimaram registros históricos dos nossos ancestrais, a exemplo de Rui Barbosa e esqueceram de dar destaque a nomes importantes na luta abolicionista como André Rebouças, Luis Gama dentre outros(as).
Nesta mesma data no ano de 1881 na cidade do Rio de Janeiro nasce um combatente do movimento pré-modernista brasileiro, Afonso Henrique de Lima Barreto. Filho de um tipógrafo da Imprensa Nacional e de uma professora pública, foi iniciado nos estudos pela própria mãe, que veio a falecer quando ele tinha apenas 7 anos de idade.
Fez seus primeiros estudos e pela mão de seu padrinho de batismo, o Visconde de Ouro Preto, ministro do Império, completou-os no Ginásio Nacional (Pedro II), entrando em 1897 para a Escola politécnica, pretendendo ser engenheiro. Teve, porém, de abandonar o curso para assumir a chefia e o sustento da família, devido ao enlouquecimento do pai, em 1902, almoxarife da Colônia de Alienados da Ilha do Governador. Nesse mesmo ano, estréia na imprensa estudantil.
O escritor publicou importantes obras como: A Nova Califórnia, Bruzudangas, Clara dos Anjos, O Cemitério dos Vivos, O Homem que sabia javanês, Recordações do escrivão Isaias Caminhas, Triste Fim de Policarpo Quaresma , O Subterrâneo do Morro do Castelo, além de diversos contos, crônicas e correspondências.
Lima Barreto desde muito cedo sabia que o racismo seria uma das barreiras que iria encontrar na sua trajetória de vida, tanto pessoal quanto profissional. “Eu sou Afonso Henrique de Lima Barreto. Tenho vinte e dois anos. Sou filho legitimo de João Henrique de Lima Barreto. Fui aluno da escola Politécnica. No futuro escreverei a história da escravidão negra no Brasil e sua influência na nossa nacionalidade”.(Diário intimo p.33)
Mesmo com todas os obstáculos encontrado, o escritor não recuou e decidiu fazer do código escrito, através da literatura, um instrumento de denúncia e posicionamento sobre o racismo e a falsa idéia do projeto de modernização na sociedade brasileira.
Porta voz do povo negro Lima Barreto abordava de forma crítica nas suas obras, questões ligadas a movimentos históricos, relações sociais e raciais, transformações políticas, sociais, econômicas e culturais, ao cotidiano urbano e suburbano dentre outros temas.Talvez essa seja a explicação que gerou a recusa da indicação do seu nome para ser membro da Academia Brasileira de Letras .
Porém, o escritor sabia da missão da literatura enquanto representação de um momento histórico social e da relevância da sua atividade intelectual. “A minha atividade excede em cada minuto o instante presente, estende-se ao futuro. Eu consumo a minha energia sem recear que esse consumo seja uma perda estéril, imponho-me privações, contando que o futuro as resgatará- e sigo o meu caminho". (Lima Barreto, O destino da literatura)
No dia 13 de maio de 2009, dia nacional de denúncia contra o racismo, reverenciamos a todos os(as) pretos(as) velhos(as), relembramos a importância de Lima Barreto e demais negros e negras que pagaram o preço da resistência com as suas próprias vidas para que hoje possamos andar de cabeça erguida.
Dessa forma não entramos pela porta do fundo, pelo elevador de serviço, sentamos na segunda classe, não incorporamos os estereótipos, não aceitamos passivamente a humilhação policial e dos meios de comunicação. Cobramos educação pública de qualidade, não desenvolvemos atividades subalternas, exigimos constantemente nossos direitos.
É assim que nos tornamos os/as protagonistas da nossa história e não silenciaremos jamais.

por Ana Paula Fanon
Juventude Coletivo de Entidades Negras-CEN

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