sexta-feira, 15 de maio de 2009

Maria Alice sai da Semur

Por Cleidiana Ramos

Conforme antecipei aqui ontem, a secretária municipal da Reparação, Maria Alice Pereira, deixou o cargo. A exoneração foi publicada no Diário Oficial de hoje. O sub secretário, Ailton Ferreira, vai responder interinamente.

Maria Alice foi a quarta secretária da pasta no governo João Henrique. Além dela passaram pela secretaria: Gilmar Santiago, Antonia Garcia e Sandro Corrêa.

A mudança seria uma manobra do Palácio Thomé de Souza para abrir uma vaga na Câmara para o suplente do PDT, Cristóvão Ferreira Júnior, o Cristovinho. Isso seria possível com a nomeação do vereador Odiosvaldo Vigas (PDT) para a Semur.

Vigas não confirmou a sua indicação, mas afirma que o PDT quer maior espaço na administração municipal. “A exoneração é uma prerrogativa do prefeito. Quanto à questão do PDT, o partido tem dialogado sobre a necessidade de ampliar o seu espaço na administração muicipal. Pode ser a pasta da Reparação ou uma outra”. Segundo Vigas, o presidente do partido na Bahia, o deputado federal Severiano Alves, deve ter um encontro com o prefeito amanhã para discutir o assunto.

Claro que o prefeito tem o direito de mudar o seu secretariado. Mas, numa cidade onde cerca de 85% da população é afrodescendente e já ficou mais do que provado por variados estudos que necessita de políticas públicas específicas em variadas áreas-saúde, educação, dentre outras- estas seguidas mudanças de gestão atrapalham o desempenho da Semur.

Uma amostra é que o período de maior vigor da secretaria foi exatamente durante a titularidade de Gilmar Santiago, o que ficou mais tempo no cargo. Durante este período era possível perceber a atuação da Semur em várias frentes, afinal se tinha um modelo definido de gestão.

Não estou aqui, e reitero isso, comparando as competências dos titulares, mas sabemos que as pessoas são diferentes e, como tais, imprimem ritmo e prioridades próprias. Além disso, tempo é necessário para tocar projetos. Maria Alice, por exemplo, ficou apenas quatro meses e meio à frente da Semur.

Quando há substituições deste tipo sabemos que muda tudo: assessores e estratégias. Ainda mais se a mudança acontece por uma questão de manobra em relação a uma outra instância, no caso a Câmara Municipal.

E tem mais: a mudança vem num momento em que mais uma polêmica ronda a pasta, que é o nó em torno da proposta de regularização fundiária dos terreiros. Foi por conta disso que a agora ex-secretária Maria Alice foi até a Câmara de Veredadores na última segunda-feira.

A confusão em torno da proposta de emenda à Lei Orgânica é reflexo de uma outra crise que teve a Semur, de certa forma, nos holofotes: a demolição parcial do terreiro Oyá Unipó Neto por prepostos da Sucom. Na época ficou patente o desencontro de tratamento dado a questões relacionadas à população negra- neste caso a sua religiosidade- dentro da própria administração municipal.

A mesma prefeitura que tinha realizado recentemente um mapeamento dos templos de matriz afro-brasileira na cidade para traçar políticas para eles, especialmente a regularização fundiária, era a mesma que colocava partes de um outro no chão alegando questões de irregularidade na ocupação do terreno.

Sem falar na cobrança de R$ 800 mil por conta de IPTU à Casa Branca, quando existia base legal para a isenção deste tributo. Até resolver tudo o desgaste tanto para o pessoal do terreiro foi enorme.

Essa troca de secretários, a meu vez, é mais um complicador na relação da prefeitura com as organizações do movimento negro tanto civil, digamos assim, como religioso. Ainda mais diante da explicação para a substituição:um arranjo político por uma cadeira na Câmara.
Fonte: Ìrohin

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