sexta-feira, 26 de junho de 2009

II CONAPIR é aberta com carta do presidente Lula e proteção de Tupã



A apresentação do Hino Nacional pela Filarmônica Afro-Brasileira (Filafro) e um ritual indígena pela proteção de Tupã foram algumas das atrações culturais que fizeram parte da abertura da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II CONAPIR), na noite desta quinta-feira (25/06). Discursos em favor das cotas raciais para o ingresso nas universidades públicas, da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e, também, a leitura de uma carta enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos cerca de dois mil participantes do encontro deram o tom do primeiro dia do evento, que acontece até domingo (28/06), em Brasília.

A carta foi lida pelo ministro da Igualdade Racial, Edson Santos. No texto, o presidente lembrou que mais de 700 mil alunos das universidades são originários de famílias pobres e que os bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) estão entre os melhores. “É preciso ações afirmativas, como estamos fazendo agora”, acrescentou o presidente. Ele lembrou que muitos torceram o nariz quando a SEPPIR foi criada, assim como ocorreu com a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e outros. No entanto, dados revelam que as políticas do governo têm dado certo: 20 milhões de brasileiros deixaram a base da pirâmide social. O presidente finalizou sua carta citando a criação do sistema de cotas nas universidades, a demarcação da área dos quilombolas e a edição da Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história da África e dos negros brasileiros nas escolas, como exemplos de ações afirmativas que estão dando certo.

Sob aplausos, o ministro Edson Santos ressaltou que a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), relatora do projeto que reserva vagas para estudantes originários de escolas públicas, negros e indígenas, em tramitação no Congresso Nacional, estava presente. Acrescentou que, apesar da política racial não ser sua área histórica de atuação, tem se dedicado de corpo e alma a essas causas e a esse direito do “nosso povo”. “Que façamos um bom debate. Que saiamos daqui unidos em defesa da igualdade racial. A Conferência dará uma contribuição inestimável a esse processo”, emendou.

Já o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, falou sobre o orgulho de estar presente: “Estamos aqui porque acreditamos naquilo que vocês estão fazendo. Não é apenas um evento de troca de ideias”. Acrescentou que as cobranças são muitos importantes para a sociedade e para o governo e concluiu com uma frase que fez questão de ressaltar não ser dele: “A libertação dos negros neste país liberta o conjunto de toda a sociedade”.

Kika de Bessen, integrante da Coordenação Nacional de Entidades Negras e do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), disse que a SEPPIR é a materialização da longa e contínua luta dos movimentos sociais contra o racismo e que os números provam que as ações afirmativas, como as cotas para negros nas universidades, estão no caminho correto. Citou como exemplo dados das universidades da Bahia e do Rio de Janeiro. Ela relatou que os estudantes cotistas dessas universidades têm rendimento igual ou superior aos demais, o que acaba com o discurso de que a política das cotas diminuiria a qualidade da educação.

A atriz Isabel Fillardis foi uma das apresentadoras do evento. Ela ressaltou acreditar nos resultados do encontro depois de lembrar ser vítima três vezes de preconceito: por ser negra, mulher e mãe de uma criança com deficiência. A atriz disse ainda que o Brasil tem capacidade de ser exemplo se cada um fizer a sua parte.

Entre os vários artistas e autoridades presentes estavam os ministros Fernando Haddad (Educação), Orlando Silva (Esporte) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), o secretário-executivo da União Africana e presidente da Academia de Línguas Africanas (Acalan), Adama Samasse Kou, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), a secretária estadual do Rio de Janeiro Benedita da Silva e atores Zezé Motta, Netinho de Paula e Leci Brandão.

Cultura - A diversidade cultural brasileira também marcou a abertura da II CONAPIR. Primeiro, subiram ao palco instrumentistas da Filarmônica Afro-Brasileira (Filafro), que apresentaram uma nova versão do Hino Nacional brasileiro. Mais tarde, o grupo indígena Zubukua, que com um ritual de canto e dança (toré) pediu proteção a Tupã para uma boa condução dos trabalhos e paz a todos os participantes da Conferência. Os povos ciganos e palestinos também apresentaram música e danças típicas. O bloco afro-baiano Ilê Ayê encerrou o evento.

Foto: Débora Amorim

Comunicação Social da SEPPIR /PR

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