sexta-feira, 26 de junho de 2009

Trabalho: negros melhoram participação no mercado mas continuam em situação de desigualdade

Os negros estão entre os brasileiros com menores salários, mais baixo nível de escolaridade e a maioria da mão-de-obra informal. Estudos do economista Mário Theodoro, diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Ipea, apontam que principalmente durante o Pós-Guerra, o país teve taxas de crescimento superiores a Japão e Alemanha, enquanto manteve grande parte desse público abaixo da linha de pobreza. De acordo com estatísticas do Dieese, apresentadas pelo economista Ademir Figueiredo, coordenador de Estudos e Desenvolvimento, 60,4% dos negros estão ocupados em atividades agrícolas, 60,8% em serviços domésticos e 59,5% na construção civil.

Durante o painel “As políticas públicas de emprego e renda e a promoção da igualdade racial no mercado de trabalho”, Theodoro destacou que a População Economicamente Ativa (PEA), definida pelo Ipea, é de 98,8 milhões de pessoas. Deste total, 49,8% são negros e 8,2% estão desempregados. “Não significa que o país é pobre, mas que divide mal a sua renda”, destacou Theodoro, ao salientar que “o informal é o negro” e essa condição surge da falta de marco regulatório de algumas profissões e da carência de capacidade de articulação. “Isso só vai acabar quando ninguém mais puder comprar o comércio de rua (engraxates, guardador de carro), mas quando precisar entrar e um estabelecimento e encontrar ali o profissional regulamentado”.

Ademir Figueiredo comprova que, de 1997 a 2007, o emprego formal cresceu de 245 mil para 38 milhões de postos de trabalho. A massa salarial também cresceu no período, principalmente o salário mínimo que, graças à ação eficiente do movimento sindical, teve ganho de aproximadamente 50%. “O mínimo atinge cerca de 60 milhões de trabalhadores, a maioria negros que estão na base da pirâmide social Foi essa recuperação do mercado interno que sustentou a economia durante a crise”, explicou.

Ainda assim, apenas 2,3% dos negros têm escolaridade superior, contra 8,8% dos não negros. Na categoria faixa salarial, eles são 60% dos que recebem de 0,5 a 2 salários e 0,2% dos que ganham de 10 a 20. Entre os que abriram um negócio, são empregadores, negros são apenas 26,7%, contra 73,3% dos não-negros, segundo pesquisa do Dieese. O Ministério do Trabalho, afirmou Anderson Brito, Coordenador Nacional da Comissão de Combate à Discriminação Racial, tem desenvolvido várias políticas de emprego e renda, como planos de qualificação, integração de políticas públicas e privadas, com preferência de acesso a pessoas com maior vulnerabilidade social.

De acordo com Valdir Moysés Simão, presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a previdência social no Brasil tem apenas 86 anos de história, 26,5 milhões de beneficiários com rendimento médio de R$ 664,80 e já retirou, de 2003 a 2007, mais de 20 milhões de pessoas da linha da pobreza. A partir de 1º de julho, com a criação do microempreendedor individual, espera-se que pelo menos 1,5 milhão de pessoas entrem na formalidade até o ano que vem. O Instituto também está ampliando a rede de atendimento, com investimento de R$ 911 milhões, para facilitar o acesso principalmente dos segurados especiais (negros, índios, trabalhadores rurais e aposentados e pensionistas).

Foto: Moreira Mariz

Comunicação Social da II CONAPIR

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