quarta-feira, 15 de julho de 2009

Na videoteca do CEN: Mestre Galissa





O Mestre Galissá nasceu, cresceu e vive com um kora. "Djidiu" é o seu apelido de rua, Kora, seu instrumento de 22 cordas. Em Portugal Galissá defende a cultura musical Mandinga como Salif keita, Mory kante e muitos outros defendem mundialmente.

O Mestre Galissa foi compositor do Ballet Nacional da Guiné-Bissau, responsável Instrumental do mini Ballet Nacional e professor de Kora na Escola Nacional de Música José Carlos Schwarz durante 11 anos. Já participou em actividades culturais em vários países. Está em Portugal desde 1998, ano em que eclodiu a guerra civil, e neste momento permanece em Portugal a executar vários projectos culturais. Oriundo de uma família de "djidius" (músicos hereditários), o Mestre Galissá nasceu em 1964 em Gabú no Leste da Guiné-Bissau, capital do antigo império de Gabú (donde advém o próprio nome), sucessora do antigo império do Mali. Tem a música no sangue e sempre foi artista. Reside em Lisboa desde de 1998, cidade onde tem abraçado novas formas de música e conhecido músicos de outras culturas. É Filho de um músico de Kora nascido na Guiné-Bissau, no seio de uma família Mandinga, uma das etnias do país. Galissa é o nome de uma família de "djidius" que tocam Kora. Além dos Galissa há os Diabaté, Kouyaté, os Sissokhos outros apelidos. A música para o Mestre Galissá começou na infância no seio da sua família. Muito antes dos seus tetra-avós que todos na família são "djidius". Começou a aprender o Kora com 5 anos de idade pela mão do seu pai na região natal (Gabú) e em meados de 1979 iniciou a sua carreira, primeiramente com os pioneiros "Abel Djassi". Com os pioneiros teve acesso à escola e com eles participou em acampamentos da juventude na Guiné e no estrangeiro. Nesses eventos realizavam-se intercâmbios culturais com jovens de Cabo-Verde, Senegal, Guiné-Conacri e até com jovens de Portugal e outros países europeus. A partir dessa data foi mais difícil continuar em casa dos seus pais e por isso foi para Bissau onde começou a estudar música. O Kora envolve misticismo e simbologia. É o instrumento que o acompanha nos espectáculos e é o suporte principal do género musical que interpreta. Desde que começou a actuar em público houve um momento que o marcou, que foi quando com mais 11 crianças estava a representar a Guiné-Bissau num acampamento em Cabo-Verde em 1979. As pessoas gostaram porque o kora nunca tinha chegado ao arquipélago. As pessoas seguiam-no por todo o lado, faziam-no perguntas sobre o instrumento, queriam tocá-lo, queriam saber tudo. Nessa altura apercebeu-se do "peso" do Kora. A partir daquele momento em Cabo-verde decidiu que devia continuar nessa vida. Nos anos seguintes participou em vários eventos. Em 1988 esteve em Portugal onde participou no FITEI, e no ano seguinte na antiga FIL. Em 1997 participou no encontro “Cena Lusófona” em Évora onde encontrou artistas internacionais que se interessaram pelo instrumento que toca. Depois dessas experiências sentiu ter atingido um nível de maturidade que o permite trabalhar com qualquer artista. A sua evolução fez com que começasse a dar aulas de multi-culturalidade na Escola Superior de Educação. Em Portugal tem feito concertos em todas as regiões. Tem sido convidado por várias Câmaras do interior do país. Realizou vários cursos para alunos da Escola Superior de Educação de Lisboa e da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa sobre a música, literatura africana , cultura guineense e sessões musicais para crianças do 1º e 2º ciclo do ensino básico. Em 1999 trabalhou com o Teatro São João do Porto e no ano em que Coimbra foi a capital da cultura, foi contratado pela a companhia de teatro Tetrão Realizou concertos com o músico português Gil Nave, em Évora, Beja, Guarda, Covilhã, Famalicão, Proença a Nova, Caldas da Raínha e Alpedrinha e norte de Portugal. Participou em programas de rádio e televisão, nomeadamente na Antena 2, RTP Internacional, Rádio Renascença, RTA (Rádio Televisão de Angola, no programa Kandando) e RDP África.Participou em concertos realizados por iniciativa da EXPO98, e Porto 2001, e em trabalhos discográficos de João Afonso, Amélia Muje, Herménio Meno, na colectânea "Mon na mon", Blasted Mechanism, Chac, Sara Tavares e outros artistas guineeenses…

Kora

O kora foi inventado por Djali Mady Wulen em Gabú. Os primeiros Kora’s eram constituídos por 21 cordas feitas de pele de Gazela bem trançadas e finas. Com a chegada dos Europeus as cordas foram mudadas para os fios de pesca (nylon). Em Gabú os músicos de Kora são conhecidos pelo apelido Galissá. Os materiais que constituem o kora são: a cabaça, metal, as cordas, madeira, recortes de pano que servem para protecção do cavalete e rebites, sendo que antigamente, no lugar desses rebites se usavam pedaços afiados de canas de bambu que seguravam a pele à cabaça do instrumento. Kora no dialecto Mandinga significa o "instrumento que abrange tudo". Desempenha um importante papel na vida cultural da sociedade Mandinga e por outro lado tem associado a história do povo Mandinga, que são recitadas em ocasiões especiais. O Kora envolve tudo e todos, sejam trovadores ou historiadores. Implica a educação, a saúde e a cultura. Para o Galissá, abarca mesmo tudo. O Kora surgiu, segundo os familiares do Galissá, nos meados do século XIII. Sucedeu o "tonkoron" que evoluiu para o "bolonbata" e de etapas em etapas desenvolveu-se até aparecer o Kora que conhecemos com 21 (ou mais) cordas. O kora já há algum tempo que tem servido aos psicólogos na avaliação de doentes mentais. O kora actualmente é estudado por vários especialistas, quer educadores infantis, antropólogos, etnomúsicólogos, por muitas culturas nas universidades europeias, principalmente nas academias musicais e museus etnográficos.

Formação

A pedagogia tradicional era muito exigente. Primeiro o aprendiz tinha que saber ouvir o ritmo, conhecer o balanço da música para depois iniciar a prática e acompanhamento de voz. A seguir vem a afinação do instrumento e para finalizar, a aprendizagem da construção do aparelho musical. Até a conclusão dessas etapas decorre um período de doze anos. Para se ser um tocador de kora, uma pessoa recebe profunda formação em história Mandinga, história geral das outras nações africanas e seus ritos, historial genealógico dos Mansas (Reis), linguística, relações internacionais (nomeadamente, mediações inter-étnicas, assessores públicos, conselheiros estatais, mediadores…). Toda essa formação, conjuntamente com formação musical dura 15 anos em média. Além da educação musical é preciso ter uma educação moral. É necessário tê-la como algo que os sirva para o futuro, como uma profissão e é por isso que Galissá continua a respeitar essa tradição. Um tocador deve amar o instrumento, amar as pessoas, ser solidário com as pessoas, ser sincero e respeitar as pessoas.

Fonte: http://galissa.com.sapo.pt/

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