sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Entrevista com a Yalorixá Iva de Oxum


Dando prosseguimento as entrevista das casas de matrizes africana a entrevistada de hoje é a Yalorixa Iva de Oxum, que foi iniciada em 07 de maio de 1977, na nação angola com a Mameto Taitangue de Ogum (roxomucumbo), no bairro de Sarapuí em Bangu.

Ela vem desenvolvendo suas atividades espirituais atendendo clientes e filhos-de-santo a Travessa Narceja nº 59 casa 101- Lins de Vasconcellos.

Gaiaku Deusimar - Na entrevista foi perguntado como ela via os ensinamentos dados pelos seus mais velhos nos dias de hoje:

Yalorixa Iva de Oxum - Na caminhada de iniciada até os dias atuais tudo está muito mudado, antigamente tínhamos que nos manter atrelados às vontades dos pais e mães-de-santo: ficar abaixado, não olhar para o nosso zelador, aprendia por só uma via que eram as obrigações que vínhamos evoluindo. Hoje é muito rápido pois a tecnologia e a internet, fazem acelerar um pouco o ensinamento oferecido aos filhos e filhas.

Na minha casa ainda estou equilibrando essa etapa, pois vou administrando e aumentando aos poucos a sabedoria de cada um, com seus respectivos tempos, ou seja conforme sua idade de santo, agora sou mais flexível, não deixando de exigir que temos que saber entrar e sair das casas de culto religioso.

Gaiaku Deusimar - Então foi atrelada a essa questão que veio a exposição da intolerância religiosa que sofreu em no trabalho em uma empresa de grande porte? Fica emocionada ao falar mais não quis entrar em detalhe, falando da grande discriminação religiosa sofrida, por parte de sua chefe, que passou a persegui-la , tendo que trocar de setor, de tão forte que foi a descoberta de que era candomblecista, pois havia tomado sua obrigação, e foi com suas contas e seus contra-egum. Sendo assim a intolerância religiosa e o racismo caminham juntos. Nesse tempo por não ter os recursos jurídicos que hoje se oferecem, como sociedade civil mobilizada, movimento negro, comissão contra a intolerância religiosa, Lei Caó, lembra:

Yalorixá Iva De Oxum - Hoje quando uma procissão do dia 02 de fevereiro passa nas ruas da cidade do Rio de janeiro, todos abrem a janela e homenageiam a Yemonjá, muitos hoje não escondem a religião que são, fazem até questão que as pessoas saibam; coisa que antigamente não se via.

Gaiaku Deusimar - Ela conclui que as mães de santo atual não só fazem jogos, ebós, ou raspam as cabeças, elas são algo mais, estão se aprimorando, fazendo cursos, têm faculdade, muitas vezes trabalham e é uma demonstração que as mulheres estão avançando cada vez mais, ocupando o seu lugar na sociedade, conhecendo assim novos valores, lutando sempre contra o racismo e a intolerância religiosa.

E finaliza dizendo que ela fica feliz em perceber, que o candomblé esta com cara nova, não deixando de trazer todas as sua ancestralidade, como também o respeito aos mais velhos de forma mais carinhosa e admirável, por ver que tudo que foi passado não ficou perdido, só que a transmissão dessa sabedoria esta se dando de uma forma mais bonita, sem quebrar a tradição.

E roga a Oxum, senhora das águas doces, que mantenha as mentes claras e férteis dessa nova geração, que só assim veremos a integração de todo nosso povo, sendo mais respeitado, sendo cada vez mais integrado à nossa sociedade e que só assim poderemos em uma grande corrente de mão dadas abraçar a terra. Olorum modupé!

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