sexta-feira, 4 de setembro de 2009

‘Obama russo’ desafia o racismo no país


Um candidato às eleições locais russas está desafiando os conceitos de um país onde o racismo ainda é comum e pretende se tornar o primeiro negro a ser eleito para um órgão público no país.

Joachim Crima, um vendedor de melancias na cidade de Srednyaya Akhtuba, no sul da Rússia, e ex-estudante vindo da Guiné Bissau, está causando sensação na mídia ao se candidatar para a Câmara local e já foi apelidado de “Obama russo”.

A sugestão é de que os russos podem estar prontos para eleger um homem negro, mesmo que seja apenas para uma Câmara local.

O otimismo de Crima é marcante. “Primeiro as pessoas acharam que eu estava brincando”, disse o candidato à BBC.

“Me perguntaram se eu estava fazendo isso para promover meus negócios. Mas agora que sou um candidato registrado, eles me levam mais a sério.”

“Há uma chance de vencer, porque eu vejo como as pessoas reagem a mim”, disse ele.

Racismo

Mas Crima está ciente de que tem um longo caminho pela frente.

Em seu slogan, ele diz “Vou trabalhar como um negro pela Rússia”, adotando um termo normalmente usado como pejorativo no país.

Isso é um reconhecimento do que todos na Rússia sabem: o preconceito racial é tão comum no país como os carros da marca Lada.

Alguns até brincaram dizendo que seu slogan devia mudar para: “Não, não podemos” (em referência ao slogan de Obama: “Sim, podemos”).

Estudantes

Durante os anos da União Soviética, o país se apresentava como um amigo da África e dezenas de milhares de africanos foram encorajados a estudar na Rússia. Milhares ainda chegam ao país todos os anos.

Mas, desde a queda do comunismo, a atitude em relação aos imigrantes piorou e o movimento neonazista tomou força junto aos jovens russos desiludidos.

Agora, os africanos que vivem nas grandes cidades do país, que incluem refugiados de guerra e imigrantes econômicos buscando uma vida melhor, vivem sob o medo constante de serem atacados.

Uma recente pesquisa da Igreja Protestante de Moscou sugere que cerca de 60% dos africanos que moram na cidade já sofreram agressões físicas.

É difícil acreditar, mas a situação hoje é melhor do que 10 anos atrás. Na época, a ideia de um negro concorrendo às eleições no país seria impensável.

“Mais cedo ou mais tarde as coisas vão melhorar na Rússia”, disse Crima. “Eu agora sou um pioneiro neste novo caminho evolucionário. Vai chegar uma hora em que os racistas provavelmente vão se colocar diante de mim e dizer obrigado pelo que fiz.”

Mas, até lá, Crima não se descuida. Enquanto anda nas ruas de sua cidade pedindo votos, é acompanhado de perto por seu guarda-costas, um kickboxer enorme de braços tatuados.

Fonte: Relações Internacionais

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