sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A anemia que atinge negros

Conhecida como falciforme, a doença hereditária é detectada em uma criança a cada 1,4 mil nascidas na PB


Lucilene Meireles /lucilenemeireles.pb@diariosassociados.com.br


Uma em cada 1,4 mil crianças que nascem na Paraíba tem anemia falciforme, doença hereditária com maior incidência na população negra, que causa a má-formação das hemáceas e se caracteriza por provocar fortes dores nos pacientes. Os números fazem parte de uma estimativa da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias. De acordo com o presidente da Associação dos Portadores de Anemias Hereditárias na Paraíba, Dalmo Oliveira, existem hoje cem pessoas em tratamento no Hospital Universitário Lauro Wanderley, enquanto no Hemocentro da Paraíba este número salta para 300. Na Bahia, onde a população negra é maior, a proporção é de um caso em cada 700 nascimentos.

Há cerca de uma semana, um jovem de 16 anos, morador do bairro Valentina Figueiredo e portador da deficiência falciforme, morreu em conseqüência de uma pneumonia. Para Dalmo, que considera a taxa de incidência alta, a doença representa o maior problema de saúde da população negra daParaíba. “Fico me perguntando até quando esse tipo fatalidade ainda vai se repetir até que tomemos providências efetivas para evitar que fatos como esse se repitam”, disse.

A anemia falciforme foi tema, ontem (Dia Nacional da Doença Falciforme), de uma sessão especial na Assembleia Legislativa proposta pelo deputado Rodrigo Soares (PT). O objetivo foi aprofundar uma agenda de saúde para a população negra no Estado e trabalhar para melhorar a situação destas pessoas. Hoje, como lembrou Dalmo Oliveira, é o Dia Nacional da Saúde da População Negra, e uma das metas é também unificar a data.

Para a representante do movimento negro, mãe Renilda, que participou da audiência, além dos problemas de saúde que as pessoas negras sofrem, elas são tratadas com preconceito e discriminação. “É preciso que algo seja feito para que a saúde de negros e negras tenha maior visibilidade”, observou.

A associação, no entanto, quer mais benefícios. Por isso, foi protocolado um ofício para que sejam criados programas de atenção integral, com o treinamento de médicos e enfermeiros para realizar atendimento específico. “Queremos também que a fase dois do teste do pezinho seja implantada na Paraíba e estamos cobrando isso das três esferas do poder”, ressaltou Dalmo. Uma das conquistas é que a doença passou a ser de notificação compulsória, ou seja, os casos, internações e óbitos serão computados pela Secretaria Estadual de Saúde, o que ajudará a fazer um balanço da doença e saber como está sua evolução.

Triagem da doença é desafio

Na Paraíba, de acordo com a hematologista pediátrica Joacilda Nunes, houve avanços, mas ainda há muito para ser feito. “O serviço público de saúde precisa dar maior atenção a este problema, cuidando do bem estar e saúde destas pessoas”, ressaltou.

A médica afirmou que há um esforço da Secretaria Estadual de Saúde para implantar a segunda fase do teste do pezinho, e lembrou que em vários Estados ele já existe. “Aqui, por enquanto, contamos apenas com a fase um”. A fase dois tem como objetivo implementar a triagem para a doença falciforme, e quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais chances o paciente terá de ter uma vida normal. “É possível conviver com a doença se o paciente contar com os cuidados de saúde necessários”, declarou a médica.

Até os seis meses de idade, a criança com anemia falciforme não apresenta nenhuma manifestação. Somente após este período é que surgem os primeiros sintomas observados no exame de sangue. As hemáceas adquirem o formato de uma foice, têm vida mais curta e vão sendo destruídas, gerando anemia crônica e obstruindo a circulação.

A doença é marcada por dores intensas, infartos, causando também a destruição do baço, o que acaba gerando problemas de imunodeficiência. O paciente necessita de vacinas especiais para fazer o controle da anemia.

Um simpósio realizado no Brasil este mês reuniu representantes de 9 países africanos. Durante o encontro, uma das informações que mais chamou a atenção foi que na África a prevalência da anemia falciforme é de 98% entre crianças com menos de 5 anos.

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