sábado, 31 de janeiro de 2009

Fórum Social Mundial defende povos da Amazônia



Fonte: O Globo

Religiões de matriz africana são tema de debate no Fórum Social Mundial

O mapeamento de terreiros de religiões de matriz africana foi o tema central do debate "Africanidade e religiões afrobrasileiras: mobilização, educação e meio ambiente", nesta quinta-feira (29/01), no Espaço Negritude, na Universidade Federal Rural do Pará, um dos locais onde acontece o Fórum Social Mundial, em Belém.

Acompanhadas da diretora de programas da SEPPIR, Ivonete Carvalho, as mães de santo Carmem, do Rio Grande do Sul, e Flávia, do Rio de Janeiro, foram convidadas para serem painelistas da mesa de debate. Mais de 300 pessoas participaram da discussão, que contou também com a presença de lideranças quilombolas.

De acordo com mãe Flávia houve grande interesse sobre a questão do processo de identificação das casas de candomblé e de umbanda. Ela ressaltou que os terreiros precisam ser legalizados para que haja o desenvolvimento de ações sociais.

No Rio de Janeiro, uma parceria da SEPPIR, da PUC e de lideranças das religiões de matriz africana do Estado vai permitir o mapeamento de cerca de 7 mil casas de candomblé e de umbanda.

Comunicação Social da SEPPIR/ PR

Ameaças contra fiéis e destruição de símbolos religiosos são a face mais cruel da intolerância

"Eu estava praticamente me prostituindo, cheguei a levar drogas na mochila. Hoje, sou um novo homem. O candomblé é tudo na minha vida". Nas memórias do jovem Carlos (nome fictício), de 20 anos, a adolescência é sinônimo de farras, promiscuidade e proximidade com o crime. Foi na religião que o rapaz conta ter encontrado equilíbrio. A escolha teve preço alto: a convivência com a família. Ao se iniciar, Carlos deixou o Complexo da Penha.

- Na Vila Cruzeiro, é uma gargalhada de pombagira e um tiro na cabeça. Roupas de santo, guias, tudo tem que ser muito escondido. Não posso morar lá - declara o jovem.

Os símbolos sagrados das religiões também são alvos da violência. Em junho, a depredação do centro umbandista Cruz de Oxalá, no Catete, causou comoção popular.

Quatro meses depois, a violência voltaria a se repetir. Dessa vez, a vítima foi Nádia Maria Correa Cursino, de 53 anos, a Mãe Nádia de Oyá.

Após 30 anos de vida religiosa, ela sentiu que estava na hora de abrir sua casa-de-santo. Alugou imóvel em Interlândia, Belford Roxo. O sonho durou apenas dois meses. Ao retornar de uma viagem, em outubro, foi até o terreiro. O cadeado havia sido trocado. Nádia só conseguiu entrar com a polícia. O cenário era desolador.

- Não sei dizer o que senti. Quebraram todos os meus santos, só ficaram meu Xangô, para que eu lutasse por Justiça, e a Iansã. Eram santos que estavam comigo a vida inteira. Tinha jóias de ouro em alguns assentamentos (esculturas e objetos sagrados reunidos em louvor aos orixás durante toda a vida religiosa). Nada foi devolvido. Eu chorei muito, muito - diz Nádia, que registrou o caso na 54 DP (Belford Roxo) e tem a primeira audiência marcada para março no Juizado Especial Criminal. Os agressores eram da família do proprietário.

- Não teria coragem de jogar uma Bíblia no lixo porque é sagrada para alguém. Onde nós vamos parar com essas agressões? - encerra.

Terreiros terão centro digital
De vítima da intolerância a palestrante no colégio. Ontem, o estudante Felipe Gonçalves Pereira, de 13 anos, foi recebido pelo secretário de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso. A melhor notícia dada pelo secretário ao menino será a realização de um seminário na Faetec para alunos e professores abordando assuntos como fé, cultura e tolerância religiosa.

- Será muito importante para que as pessoas aprendam e entendam a minha religião. Estou muito feliz e agora quero voltar à escola - diz Felipe, que cumpre os três meses de preceito do candomblé e foi discriminado ao mostrar um fio de conta escondido sob seu uniforme escolar.

Alexandre Cardoso também anunciou que serão instalados centros digitais em dez casas de santo. O objetivo é que os terreiros se tornem polos de produção de pesquisa sobre as religiões de matriz africana no Rio. O projeto foi discutido com o pedagogo Ivanir dos Santos, membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. Para o secretário, a história de Felipe se tornou um símbolo da luta contra a discriminação.

- Todos devemos desculpas a Felipe. Mas ele será um exemplo da posição do governo contra a discriminação - encerra o secretário.

Pai-de-santo é expulso

Eram 19h30m do dia 7 de maio de 2002. Dona Anita, de 75 anos, lembra que passava a novela na televisão. Dois homens armados - um deles com uma metralhadora - invadem o terreiro dirigido por seu filho, em Campo Grande. Encostam arma no rosto do pai-de-santo. A família pede pelo amor de Deus pela vida do religioso. Toca o telefone celular do agressor. O grupo interrompe a ação, vai embora e dá ultimato: a família deve se mudar em 24 horas.

Novo rumo

A família vive até hoje em uma cidade do interior do país. Nunca mais voltou ao terreiro desde aquela noite. E nem ao Rio.

- É um dia muito triste, a gente quer esquecer. O carro estava do lado de fora para levar o corpo do meu filho - conta Dona Anita.

O motivo das ameaças e da invasão ao terreiro nunca foi esclarecido. Mas a briga do pai-de-santo com líderes de outras religiões na área - a resistência ao candomblé começava a se tornar forte em áreas da Zona Oeste - é vista como provável causa da intimidação.

- Foi um desespero, nem podemos pegar nossas coisas. Foram amigos que voltaram para recolher tudo - lamenta Dona Anita.

Fonte: Jornal Extra

Partido Republicano dos EUA elege negro como líder

O Partido Republicano dos EUA elegeu pela primeira vez um negro como presidente nesta sexta-feira. Michael Steele, ex-vice-governador de Maryland, terá a missão de comandar a recuperação do partido após uma série de devastadoras derrotas eleitorais.

Steele, 50 anos, é visto como um hábil orador, que seria capaz de levar a mensagem do partido aos eleitores negros, hispânicos e suburbanos, que rejeitaram os republicanos nos últimos anos.

O novo dirigente da legenda argumentava que, sendo uma personalidade republicana em um Estado fortemente democrata, está habituado a falar a eleitores que não sejam apenas os do Sul do país, tradicional reduto do partido.

Como presidente do Comitê Nacional Republicano, Steele terá de buscar uma forma de se contrapor ao democrata Barack Obama, primeiro presidente negro dos EUA, e também aos líderes democratas que controlam ambas as casas do Congresso.

Mike Duncan, o atual presidente republicano, foi escolhido em 2007 pelo então presidente dos EUA, George W. Bush, e pretendia permanecer no posto - só desistiu quando ficou claro que não teria apoio das bases para isso.

Ex-seminarista católico e ex-advogado empresarial, Steele promete correr atrás dos democratas também na questão digital, já que a campanha de Obama demonstrou a grande capacidade do partido rival em angariar dinheiro e voluntários pela internet.

O Partido Democrata elegeu o seu primeiro presidente negro, Ron Brown, em 1989.

Fonte: Terra



sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Presidentes participam do Fórum Social Mundial

Política criminal do Brasil está ultrapassada, defende m ativistas do FSM

A reformulação da política criminal brasileira foi defendida por participantes da conferencia livre sobre segurança publica realizada na manha desta quinta-feira (29), na Universidade Federal do Pará, em Belém, durante o Fórum Social Mundial (FSM). Parte da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), o debate focou a aplicação de medidas alternativas à prisão. "A pena de prisão, tal como é aplicada, não traz beneficio algum para a sociedade", enfatizou o secretario de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (MJ), Pedro Abramovay, que acompanhou as discussões.

Diante de um publico formado por pessoas de todas as regiões do país, o Grupo Candango de Criminologia da Universidade de Brasília (UnB) instigou o dialogo a partir da apresentação de uma pesquisa sobre a eficácia das medidas alternativas no Distrito Federal. De acordo com o estudo, mais de 75% dos acusados da prática de furto são presos antes de serem considerados culpados pela Justiça. O resultado disso, argumenta a professora Ela Wiecko, que coordena o Grupo da UnB, é um sistema penitenciário falho, que não atende aos anseios da sociedade. "Há um senso comum muito forte de que a prisão é a única resposta para quem comete crimes. Temos que mudar esse paradigma", acredita.

O entrave, sustenta Wiecko, está na legislação. E quanto a isso, a professora é taxativa: "Para que as medidas alternativas sejam aplicadas sem que haja um sentimento de impunidade, é preciso mudar a Lei", considera, lembrando que as penitenciárias estão lotadas de infratores que cometem pequenos furtos. "Muitas vezes são pessoas que vão pela primeira vez para a cadeia e, em alguns casos, são obrigadas a se filiar a facções criminosas. Como essas pessoas vão retornar à sociedade", questiona Wiecko. A advogada Michele da Rocha, que participou da conferencia livre, concorda. "Temos que parar de reproduzir o sistema vigente, que prende os mais pobres e privilegia os mais ricos".

As propostas resultantes da conferencia livre serão enviadas para a etapa deliberativa da 1ª Conseg, marcada para ocorrer em Brasília (DF) entre os dias 27 e 30 de agosto. Na avaliação de Plauto Roberto Ferreira, que coordenada a Comissão Organizadora da Conferência no Ceará e foi a Fortaleza especialmente para contribuir com o debate, essa conferencia livre é uma amostra da mobilização que ganhará o país nos próximos meses. "A qualidade das intervenções feitas na atividade de hoje mostram que há uma demanda reprimida por parte da sociedade para discutir questões relacionadas à violência e à segurança".

Regras para participar – Entidades de qualquer natureza poderão realizar conferências livres e enviar contribuições diretamente para a etapa nacional da 1ª Conseg. No entanto, algumas regras precisam ser observadas. Uma delas é que as discussões devem seguir as orientações do Texto-base (leia ou baixe no portal www.conseg.gov.br) apresentado pelo Ministério da Justiça (MJ). "As conferências livres podem ser realizadas por grupos, a partir de duas pessoas, mas as discussões têm de respeitar princípios como democracia e horizontalidade", ressalta o coordenador de Metodologia da 1ª Conseg, Fábio Deboni. Além disso, as propostas que resultarem do e vento devem ser encaminhadas ao MJ por meio de um formulário padrão. O manual completo para a realização de conferências livres também pode ser lido ou baixado no portal da Conferência.

Fonte: Ìrohìn




quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Fórum Social pede punição rigorosa ao trabalho escravo



Fonte: O Globo

CEN/RJ convida:


O CEN/RJ tem o prazer de convidar para as atividades de sua mais nova organização filiada.

Obama aprova lei contra diferenças salariais


Fonte: O Globo

Convite: “Xangô Rezado Alto - Fomento a integração das casas de axé”


O Núcleo de Cultura Afro Brasileira Iyá Ogun-té, entidade filantrópica, sem fins lucrativos, de utilidade pública, Municipal e Estadual, hoje, Ponto de Cultura e Ponto de Leitura conveniado ao Ministério da Cultura -MINC em conjunto com as federações e o movimento das casas de axé tem a honra de convidá-lo para participar do ato “Xangô Rezado Alto - Fomento a integração das casas de axé”, que visa informar à população sobre as leis de combate à Intolerância Religiosa de Matriz Africana, com isto elevando à auto estima do cidadão afro descendente das comunidades tradicionais de terreiros que no dia 02 de fevereiro às 17:00h estarão concentradas na praça 13 de Maio no bairro do Poço (vizinho ao SESC) de onde realizarão um ato simbólico em nome de todos os que tombaram pela religião, seguindo com um cortejo afro religioso pelas ruas da cidade, contrapondo-se ao “QUEBRA DO XANGÔ”, fato histórico ocorrido em nossa cidade em 1912, quando uma milícia particular formada com intenções eleitoreiras decidiram não respeitar a cidadania da população e invadiram agressivamente os terreiros de Maceió, quebrando artefatos, humilhando os sacerdotes e sacerdotisas, destruindo espaços sagrados e levando um grande número de pessoas à morte.

A legitimação do dia 02 de Fevereiro como Dia Municipal e Estadual de Combate à Intolerância Religiosa é resultado de uma articulação do Ponto de Cultura, das casas de axé de Alagoas, Federações com os gestores Municipais e Estaduais.

Segue programação:

“Dia de Combate a Intolerância Religiosa de Matriz Africana”
17:00h – Concentração dos Religiosos na praça 13 de Maio no poço (ao lado do SESC),

18:00h – Ato Religioso com entrega de flores em memória a todos que sofreram com o QUEBRA de 1912

18:30 – Cortejo Afro Religioso em direção a Praça ao lado da Sinimbu

19;00h - Entrega simbólica da lei por autoridades aos sacerdotes e sacerdotisas de matriz africana e fala dos gestores e representantes religiosos sobre a importância da lei.

20:00h – Canto de aclamação a Paz com a revoada de Pombos e plantio de muda de árvore sagrada.

20:30h – Apresentações culturais – Afoxé Odô Iyá, Orquestra de Tambores, Omim Morewá, Baque Alagoano, entre outros.


Contatos: Professor: Amauricio (82) 8819-6762

Professor :Célio Rodrigues (82) 9908-0101
Fonte: Recebido por e-mail.

Governo federal apoiará projeto da Semur no Carnaval


Nos primeiros quinze dias de governo, Maria Alice, secretária municipal da Reparação trocou o seu gabinete, por uma agenda de compromissos em Brasília. Em viagem à capital brasileira, na última sexta-feira, a secretária, acompanhada da assessora Jussara Silva, esteve com o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo e com Giovanni Harvey, sub-secretário de Políticas Afirmativas da Secretaria Especial de Promoção de Política da Igualdade Racial (SEPPIR) e Anderson Brito Pereira, supervisor da Comissão de Raça e Etnia do Ministério do Trabalho e Emprego.

A viagem rendeu resultados positivos, entre eles, a garantia de apoio federal para o Observatório da Discriminação Racial e da Violência contra a Mulher. Durante os encontros, a secretária apresentou o projeto e explicou como é sua aplicação durante o carnaval, maior festa popular do planeta.

O Observatório Racial tem o objetivo de subsidiar e aperfeiçoar as políticas públicas e serviços destinados à população afrodescendente de Salvador. "A ênfase do projeto é a promoção da igualdade de raça, gênero e à partir deste ano, orientação sexual, tomando como base o período do carnaval", explicou Maria Alice.

Tanto na SEPPIR, quanto na Fundação Palmares, o apoio foi irrestrito. Os representantes dos órgãos confirmaram a importância da iniciativa e, ao receberem uma cópia do projeto, declararam a adesão institucional ao projeto, que completa este ano, quatro anos de criado.

O projeto é uma iniciativa implementada pela SEMUR desde 2006. Ele surgiu a partir da constatação de que, no carnaval do ano anterior na capital baiana, das quase 4.000 vítimas de violência por causas externas (agressões físicas, armas brancas e de fogo), mais de 70% eram negras. Além de ser a maior cidade negra fora da África, Salvador é predominantemente feminina, com uma população de 52% de mulheres. Mas a cidade ainda reserva para a população afrodescendente fortes conseqüências do racismo e da desigualdade.

No primeiro ano, era apenas o Observatório da Discriminação Racial, com estrutura montada, durante o carnaval, próximo à Praça Castro Alves e a função de, observando ações contra afrodescendentes, fornecer atendimento jurídico às vítimas de discriminação e acompanhar a intervenção dos órgãos responsáveis pela segurança e também pela fiscalização de vendedores ambulantes. No ano seguinte (2007), a SEMUR promoveu a segunda edição do Observatório, já ampliando sua ação para a Violência contra a Mulher.

Em 2009, a quarta edição do projeto prevê uma atuação ainda mais extensa, consolidando, na administração pública, a articulação entre órgãos e entidades governamentais, sociedade civil organizada e empresas privadas para agirem em conjunto, com base, sobretudo, na garantia do respeito aos direitos humanos.

Este ano, o projeto vai estimular a participação popular e a melhoria dos serviços públicos, com ênfase na equidade e não na discriminação. "Nosso desafio é fazer o enfrentamento do racismo institucional, começando a partir da nossa própria estrutura. A ação deve ser preventiva. Temos que atuar antecipadamente, na preparação da festa", afirmou a secretária .

Dessa forma, o objetivo é construir indicadores que subsidiem o planejamento das políticas governamentais de promoção, prevenção e enfrentamento das discriminações e desigualdades, em especial as de raça, gênero e opção sexual, durante o carnaval na cidade de Salvador.
Fonte: SEMUR

Na videoteca do CEN: Era Cristã




Fonte: acmestudio

Por que participamos do FSM

O Coletivo de Entidades Negras participa e acredita no Fórum Social Mundial (FSM) por entender que a Carta de Princípios do mesmo, está em conformidade com as nossas ações ao expressar em seu 1º artigo o seguinte posicionamento: “ O FSM é um espaço aberto... de entidades do movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital...”
Para nós do CEN, que temos como principal premissa a luta contra o racismo e toda e qualquer forma de discriminação e intolerância, o FSM torna-se um espaço vital para troca de experiências e informações que venham a manter acesa a chama do panafricanismo, como também a possibilidade de fortalecimento de uma frente internacional de diálogos contra o imperialismo, o posicionamento racista e não ecológico das grandes corporações internacionais e dos estados internacionais que através de falsas democracias e governos totalitário-reacionários vem sustentando o establishment capitalista e seu rastro de dor e desesperança.
Assim como o FSM, nós do CEN acreditamos que “um outro mundo é possível”.

Coordenação Nacional do CEN.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Procurador-geral considera inconstitucional feriado do Dia da Consciência Negra no Estado do Rio de Janeiro

O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, considerou inconstitucional a Lei Estadual de 2002 que institui o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, no estado do Rio de Janeiro. O parecer de Antonio Fernando se referiu ao pedido de ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Confederação Nacional do Comércio. A CNC sustenta que a legislação fluminense viola a Constituição por invadir a competência da União para editar normas sobre o direito do trabalho. O parecer agora será analisado pelo ministro da ação no Supremo Tribunal Federal (STF).

O secretário-adjunto da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo, lamentou a decisão, que atribuiu a uma “falta de compreensão sobre a importância do feriado, que além de homenagear a figura de Zumbi dos Palmares, único herói negro inscrito no Panteão da República, é uma data para a reflexão sobre a contribuição dos negros à construção de nossa nação”. O secretário-adjunto acrescentou que a matéria já foi analisada pelo STF, por ocasião da representação de inconstitucionalidade apresentada em 1995 pela Prefeitura do Rio de Janeiro contra o Feriado Municipal de Zumbi dos Palmares. A lei que criou o feriado municipal foi aprovada por iniciativa do então vereador Edson Santos, atual ministro da SEPPIR, e teve sua constitucionalidade confirmada pelo parecer do ministro Marco Aurélio de Mello.


Coordenação de Comunicação Social da SEPPIR/ PR.

Fórum Social Mundial foca 1º dia na Amazônia; quilombolas aparecem para a discussão

A questão amazônica domina o primeiro dia de atividades do FSM (Fórum Social Mundial), sediado em Belém (Pará), justamente pela proximidade com o tema. E o foco principal ficou por conta da denúncia de comunidades indígenas, tanto do Brasil quanto do Peru e do Equador, sobre a ação do agronegócio e das mineradoras na região.

Mas no meio dos representantes dos índios estava um líder de uma população da floresta muitas vezes ignorada: os quilombolas. Eles são remanescentes dos escravos que escaparam das fazendas e adentraram na mata para formar sociedades. "Nossos antepassados fugiram, mas nós temos que mostrar a cara e mostrar que somos um dos grandes especialistas em Amazônia", sentenciou Daniel Souza, líder dos quilombolas do Pará.

Segundo ele, há 302 comunidades de descendentes dos quilombos no Estado. "Quem destrói a região são as grandes empresas de agronegócio e as mineradoras. Eles têm que pagar pelo preço", aponta Souza.

Grandes impulsionadoras da Bolsa de Valores brasileira, a Vale e a Petrobras vão estar no olho do furacão. Além de mesas de discussão, já estão programadas manifestações contra essas empresas. Apesar de patrocinadora do Fórum, a Petrobrás já é alvejada por sindicalistas dos petroleiros, que montaram barracas vendendo camisetas pedindo o fim das parcerias da estatal com multinacionais estrangeiras.

"A Vale destrói muito mais a Amazônia que os povos que vivem por lá. Eles contribuem com algumas ações sociais, mas é pouco ainda", queixa-se Souza.

Além dos indígenas e quilombolas, os ribeirinhos (população cabocla que mora em comunidades à beira dos rios) também marcam presença no Fórum. A participação deles teve apoio estatal, bancando o deslocamento e a hospedagem na capital paraense. Várias atividades culturais mostraram o modo de vida dessas populações para os frequentadores do evento, idealizado em 2001 como contestação ao Fórum Econômico Mundial, que acontece anualmente em Davos (Suíça) e reúne empresários e governantes.

No começo de 2007, uma reunião dos organizadores em Berlim (Alemanha) escolheu a cidade de Belém como sede do Fórum de 2009. O tema do aquecimento global seria o foco com esse cenário. Entretanto, após a crise econômica dos EUA a partir de setembro, boa parte dessa agenda voltou-se para o capitalismo. Mesmo assim, o viés ecológico ficou forte no primeiro dia, com divulgações de pesquisas por parte de ONGs e institutos ligados ao tema ambiental.
Fonte: UOL

Com medo de sofrer preconceito, praticantes do candomblé não revelam a crença no emprego

RIO - O preconceito que deixa marcas profundas nas crianças do candomblé durante sua vida escolar acompanha os praticantes da religião no mercado de trabalho. Invisíveis nos processos de seleção, muitos se declaram "católicos" na hora de traçar seu perfil em entrevistas de emprego. Ou não declaram crença religiosa com medo da discriminação.

O técnico em telecomunicações João (nome fictício), de 30 anos, trabalha em uma grande empresa de telefonia celular. Ele é um pai-de-santo da nação ketu, mas, no trabalho, todos pensam que é católico.

- É triste porque você nunca pode dizer quem é. Tenho medo porque o preconceito é uma arma. Se descobrem que sou um sacerdote de religião afro, vão pensar que sou do mal - desabafa João.

Quem foi "descoberto" sabe o preço da revelação religiosa. A doméstica Sandra Maria da Cruz, de 36 anos, foi dispensada em março após cinco anos de trabalho na casa de uma família de italianos. No dia anterior à demissão, ela conta que o patrão a viu com suas roupas afro, obrigatória para quem cumpre sua "obrigação de sete anos", período de retiro espiritual, que corresponde à maturidade religiosa no candomblé.

- Meu patrão estava de férias, mas a casa é monitorada por câmeras da Itália. Ele já tinha me dito que "não gostava de macumba". Quando voltou para o Brasil, me viu com a roupa da minha obrigação de sete anos, e levou um susto. E me demitiu no dia seguinte. Depois disso, nem pude entrar no prédio - conta Sandra Maria, hoje a mãe-de-santo Mameto Monalumpanzo, que quer dizer "mulher de Xangô em nação Angola".

Sonhos adiados

Por causa do desemprego, ela teve que fechar sua casa, em Belford Roxo, onde sonha instalar seu barracão, no futuro. E deixar sua filha com a madrinha para morar em uma quitinete improvisada, em Campo Grande. Hoje, vive de bicos e sonha em reestruturar sua vida:

- Ninguém dá emprego a quem está de preceito no candomblé, só se pertencer à religião. É injusto porque somos iguais, trabalhamos igual a qualquer um e somos capazes - encerra.

Vítimas aprendem a denunciar
A história de Sandra é a mesma de tantas vítimas de preconceito religioso. Um roteiro comum que mistura mágoa, indignação e a total falta de informações sobre como lutar por seus direitos. Para Carlos Nicodemos, coordenador jurídico de atendimento às vítimas assistidas pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, nunca houve no Brasil estruturas preparadas para proteger e defender quem sofreu algum crime contra a liberdade de crença.

- Não há uma política de controle de violação de Direitos Humanos por intolerância religiosa. Agora, o poder público começa a pensar, mas por causa de um movimento criado pela sociedade civil - diz o advogado, organizador-executivo da ONG Projeto Legal.

Como denunciar
De acordo com a ouvidoria da secretaria estadual de Assistência Social, no segundo semestre de 2008, foram registradas 150 denúncias sobre preconceito religioso. O Disque Intolerância Religiosa da secretaria (2531-9757) dá informações às vítimas de intolerância e também presta assistência.

Fonte: Jornal Extra

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Marcha abre Fórum Social em Belém



Fonte: Globo

Famílias se distanciam quando o preconceito religioso se torna uma barreira para a convivência doméstica

RIO - A dona-de-casa Dulcinéia dos Santos, de 45 anos, não foi ao casamento de dois de seus cinco filhos. Jamais conversa com as noras e só conseguiu pegar a neta no colo uma vez, porque a encontrou por acaso na rua. Tamanha indiferença não foi causada por nenhuma briga ou disputa familiar. A intolerância religiosa desatou todos os laços que uniam a mãe aos filhos. Candomblecista, ela se magoa ao lembrar que a mulher de seu filho a acusa de carregar "77 demônios" por pertencer à religião de matriz africana.

- Ela diz que se eu for à casa dela, deixarei um demônio lá. Se a menina ficar doente, a culpa é minha. São mentes atrasadas, eles repetem o que escutam na igreja deles. Criticam porque não conhecem. Nossa religião não é macumba nem feitiçaria. - afirma a dona-de-casa.

Dulcinéia se iniciou na religião, por amor ao filho mais jovem que ficou doente de forma repentina. Condenado pela medicina tradicional, o garoto ficou curado dentro de um barracão de candomblé. A conversão lhe custou os mais velhos.

- No Natal e no meu aniversário, não recebo nenhum telefonema. Às vezes, minha neta acena para mim da janela. Ela nem me reconhece como avó. Meu maior sonho é recuperar minha família - desabafa Dulcinéia.

Veja fotos e vídeos exclusivos sobre o tema



Governo federal criará delegacias especializadas
Joana (nome fictício), 44 anos, também é mãe e sofre como Dulcinéia. Mas seu problema não é a distância da filha, de 11 anos. Mas o problema de saúde da menina, que sofre de síndrome do pânico desde que o pai a levou para uma cerimônia de exorcismo.

Na época do casamento, Joana tinha a mesma religião que o marido. Após a separação, um grupo de religiosos invadiu sua casa para "retirar o demônio". Ela os expulsou. Mais tarde, tornou-se umbandista e sua filha passou a fazer parte de um grupo de evangelização de um centro kardecista. O pai decidiu "exorcizá-la".

Pânico e trauma
- Minha filha acorda gritando e tem pesadelos. Ela ficou traumatizada porque o grupo de religiosos gritava pelo "capeta" com as mãos na cabeça dela. Na época da separação, também disseram que eu estava endemoniada, mas eu não podia delatar, porque era da religião e não podia levar "irmão em juízo" - diz Joana.

A partir deste ano, denunciar crimes de intolerância, como o vivido pela família, ficará mais fácil. A secretaria especial de políticas de promoção da igualdade racial firma uma parceria com o Ministério da Justiça para criação de delegacias especializadas em intolerância religiosa e crimes étnico-raciais no País. O objetivo é potencializar a unidade de São Paulo, que já existe, e implementar ainda esse ano no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.

Novas delegacias
Nas delegacias, trabalharão policiais especialmente treinados para identificar todo tipo de ofensa. E também psicólogos e assistentes sociais que possam ajudar nos casos. A secretaria trabalha na elaboração de uma lei específica sobre intolerância para apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é que ele apresente o projeto de lei no Congresso Nacional.

- O preconceiuto é pre-histórico, não coaduna com nosso tempo. É aberração, horror que um aluno sofra preconceito do professor na escola. Inquérito tem que seguir o curso, não pode ficar na gaveta - diz o secretário-adjunto do órgão Eloy Ferreira.


Fonte: Jornal Extra

Ao som de atabaques africanos, cerimônia dá início a encontro de movimentos sociais

Está aberta oficialmente a nona edição do Fórum Social Mundial. Sob o som de atabaques africanos, uma cerimônia que evocou orixás pediu a proteção dos deuses para o maior evento de movimentos sociais que acontece em Belém, no Pará, de hoje (27) até domingo.

Em cima de um carro de som, representantes das comunidades quilombolas e movimentos negros de Belém apresentaram músicas, leram poesias e pediram equidade entre os povos do planeta.

O babalorixá Edson Catendé espera que a cerimônia africana, na abertura do fórum, também contribua para reduzir a discriminação racial na capital paraense.

"Espero que a mobilização sirva para diminuir o racismo aqui em Belém. Os terreiros são vítima de intolerância religiosa e jovens negros são assassinados."

A marcha percorreu a avenida Presidente Vargas e o cortejo seguiu até a praça do Operário, num percurso de cerca de quatro quilômetros.

Choveu forte na capital paraense e os manifestantes aproveitaram para estender uma faixa com os dizeres: "A chuva que cai sobre a nossas cabeças é a chuva de um novo amanhã, de um outro mundo possível".

A programação oficial do Fórum Social Mundial começa amanhã (28) com a realização de
diversos painéis de debates na Universidade Federal do Pará e na Universidade Rural da Amazônia.
Fonte: UOL

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Fórum Social Mundial vai acontecer em Belém

Fonte: O Globo

Informações sobre a Assembléia do Congresso Nacional de Negros e Negras do Brasil "CONNEB" - Belém/PA - 29/30/31 de Janeiro


O local da Assembléia será no auditório do Gazômetro(Palácio da Residência) , onde funciona a Secretaria Municipal de Cultura de Belém.

Os alojamentos serão nas seguintes escolas:

Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Agostinho Monteiro
Cidade Nova II, We 16, S/N
Bairro Coqueiro - Ananindeua

Escola Estadual Zulima Virgulino Dias
Cidade Nova II, S/N 02, s/n
Bairro Coqueiro - Ananindeua

O CONNEB/PA solicita que os delegados levem colchonetes, roupa de cama e banho, produtos de higiene pessoal e repelente de mosquitos e almofadas.

Contatos com o CONNEB/PA: (091) 8222 3830/8241 9182 /8130 7626/8408 0813/ 8251-3134

TAXAS DE HOSPEDAGEM:

Diárias por pessoa nas escolas: R$ 5,00 (cinco reais). Exemplo, quem for ficar do dia 27 até o dia 1 de fevereiro, o valor total da hospedagem é de R$ 30,00 (trinta reais).

INSCRIÇÕES PARA DELEGADOS:

Valor da inscrição individual: R$ 30,00 ( TRINTA REAIS )

INSCRIÇÕES PARA OBSERVADORES:

Valor da inscrições individual: R$ 10,00 (dez reais)

Programação Final – Acordada entre representantes da Executiva do CONNEB e dos representantes do CONNEB/PA

Dia 29 de Janeiro às 18:00

15:00 – Concentração da Caminhada Contra a Intolerância Religiosa
Local: Praça do Operário São Brás em direção ao Teatro do Gazômetro

17:00 – Credenciamento de Delegados e Observadores do CONNEB

18:00 - Abertura com a presença de representantes do Governo Federal, do Governo do Pará e do Município de Belém outras autoridades e representantes de movimentos sociais presentes no FSM.

Dia 30 de Janeiro

Manhã

09:00 às 10 horas

- Apresentação e votação das alterações do regimento acordadas na reunião da Coordenação Política do CONNEB realizada em novembro de 2008, na cidade de Porto Alegre/RS

10:00 às 13:00 - Painel: Projeto Político do povo negro para o Brasil
Expositor: Dr. Raimundo Jorge, Prof da UFPA/Grupo de Estudos Afro-Amazônico.
Debatedores: CONEN, Círculo Palmarino, Fórum Nacional de Mulheres Negras e MNU.

12:00 – ENCERRAMENTO DO CREDENCIAMENTO

Almoço

Tarde

Das 15:00 às 18:00

Painel: Soberania Nacional e Resistência do Movimento Negro da Amazônia.
Expositores:
Dr. Eron Bezerra, Prof. da UFMA e Secretário de Agricultura do Estado do Amazonas
Dr. Domingos Conceição, sociólogo, escritor e Coordenador de Política de promoção da Igualdade/Rede Amazônia Negra
Debatedores: UNEGRO, APN´s



Dia 31 de Janeiro

Manhã

09 às 11horas

-Painel: Regularização Fundiária e a questão quilombola no Brasil.
Expositora: Dra. Zélia Amador de Deus, Prof. da UFPA
Debatedores: Casa de Cultura Negra do Maranhão, Malungu, CONAQ e ASCOMQ.

Das 11:00 às 13:00

-Painel: Juventude Negra
Expositores:
Coletivo de Entidades Negras/CEN
Fórum Nacional de Juventude Negras/FOJUNE

Almoço

Tarde

15:30 hs: Encerramento da assembléia com apresentação de atividades culturais.
Fonte: CONNEB

CEN Brasil alerta: alisamento não é recomendado para adultos, muitos menos para crianças

Entrevista: Ministra Nilcéa Freire



“Queremos não só o acesso ao poder, mas condições de tomar decisões e influir”

Ìrohìn - Como a senhora avalia as candidaturas femininas na última eleição e o resultado das urnas? O que falta para as mulheres terem mais representatividade política?
Nilcéa Freire - A participação das mulheres nos espaços de poder e decisão é uma questão fundamental para a democracia brasileira. Faz parte do processo democrático assegurar a representatividade política de todos os setores sociais, conforme sua presença na população, para que essas vozes tenham condições de influir efetivamente nos rumos políticos do país.
No ano passado, tivemos candidaturas fortes com possibilidade de eleição em 12 cidades com mais de 200 mil habitantes. As mulheres disputaram o segundo turno em 20% das capitais. Em todo o país foram eleitas 504 prefeitas, 230 somente no Nordeste. A região (12,83%) ficou acima da média nacional de 9,08% de prefeitas eleitas. O Nordeste também concentra 37,74% das mulheres eleitas para vereadoras em todo o Brasil: 2.458 das 6.512 eleitas em todo o país.
O desempenho das mulheres nas urnas é comprometido por diversos fatores, tais como investimento dos partidos políticos, preservação da identidade e autonomia das candidatas, viabilidade econômica, exposição nos meios de comunicação de massa, entre outros. No caso das eleições proporcionais, o efeito previsto pela chamada Lei de Cotas (Lei nº 9504/97), que prevê o percentual de 30% de candidaturas femininas, ainda não foi atingido. Em geral, as candidaturas femininas atingem cerca de 20%, mas somente cerca de 7 a 12% se efetivam em mandato.
A Reforma Política tende a colocar em discussão o tema mulher, poder e democracia e a estratégia de incentivar a participação política das mulheres poderá ser revista. Para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), essa discussão é central e faz parte do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (II PNPM). Queremos não só o acesso ao poder, mas condições de tomar decisões e influir nas diversas formas de exercício do poder seja no Executivo, Legislativo, Judiciário e em setores essenciais da vida social, política e econômica.
Sabemos que precisamos investir cotidianamente para uma efetiva alteração desse quadro de desigualdade. Foi com esse objetivo que a SPM, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e o Fórim Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos lançaram, em agosto de 2008, a campanha permanente Mais Mulheres no Poder: Eu assumo este compromisso (ver site http://www.maismulheresnopoderbrasil.com.br/).
Ìrohìn - A SPM, ao desenvolver políticas para as mulheres, tem aglutinado a questão racial. De que forma a senhora percebe as políticas de gênero e raça com foco nas mulheres negras?
Nilcéa Freire - É um desafio assumido pela SPM garantir a participação e o atendimento das demandas das mulheres brasileiras na sua diversidade. O II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (II PNPM) estabelece o enfrentamento ao racismo, sexismo e lesbofobia e o enfrentamento das desigualdades geracionais como eixos estruturantes. Isso se reflete nas 388 ações, que foram aperfeiçoadas pelo Comitê de Gestão em Monitoramento do PNPM cuja participação social se deu através de representantes do movimento de mulheres negras e de jovens feministas.
O Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra a Mulher também insere o componente racial para atendimento especial de mulheres negras e indígenas e de mulheres do campo e da floresta, em razão do somatório de vulnerabilidades e exclusão social a que esses grupos estão expostos. Essa diretriz também está presente no trabalho cotidiano da SPM, sobretudo em programas nas áreas de trabalho e educação. Neste ano, vamos atuar com mais força nas áreas de empreendorismo e de geração de trabalho e renda para mulheres em 15 estados, especialmente nas periferias e localidades para preservação da cultura local.
No ano passado, a SPM iniciou o programa Iyá Àgba de Apoio às Casas de Matrizes Africanas no Rio de Janeiro, em parceria com Criola e terreiros do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e São João do Meriti. Fazem parte deste programa 345 mulheres, com idades entre 17 e 84 anos, com formação em culinária, artesanato e aproveitamento de reciclados.
Na área de comunicação, as campanhas, peças publicitárias e materiais informativos da SPM têm incluido a dimensão racial para estabelecer e fortalecer o diálogo com a diversidade das mulheres brasileiras. Isso ocorreu, mais recentemente, na passagem dos 20 anos do Movimento de Mulheres Negras com publicação de anúncio em jornais de circulação nacional e regional e na campanha "Mulheres donas da própria vida" de enfrentamento à violência no campo e na floresta, dirigida a ribeirinhas, trabalhadoras rurais, quilombolas, indígenas, quebradeiras de coco e extrativistas.
Na interface com outros ministérios, a SPM está trabalhando no projeto de emenda constitucional para isonomia de direitos das trabalhadoras domésticas e na ampliação do Programa Trabalho Doméstico Cidadão, para qualificação, aumento da escolaridade e melhores condições de habitação das trabalhadoras domésticas.
Ìrohìn - Que programas e recursos as organizações que tratam da temática gênero e raça podem acessar? A senhora poderia citar algumas ações já desenvolvidas?
Nilcéa Freire - Todas as organizações sociais podem acessar os recursos da SPM. Ao longo de 2009, a Secretaria abrirá editais para estabelecer convênios e cooperação com organismos governamentais e não-governamentais para apoio de projetos para enfrentamento à violência contra as mulheres, promoção de ações educativas, ampliação da participação política das mulheres, incentivo à autonomia das mulheres e criação e fortalecimento de organismos de políticas para as mulheres em estados e municípios. À medida que os editais forem abertos, as informações serão disponibilizadas no site da SPM (
www.spmulheres.gov.br) Recomendo que as instituições interessadas monitorem e participem.
Fonte: Irohìn

Escola onde estudante sofreu discriminação religiosa pede desculpas ao aluno


RIO - A Faetec emitiu um comunicado oficial ontem pedindo desculpas publicamente ao aluno Felipe Gonçalves Pereira, de 13 anos. Em junho do ano passado, o adolescente foi expulso da sala de aula aos gritos de "filho do capeta" pela professora. Desde então, está em tratamento psicológico.
Assinado pela professora Maria Cristina Lacerda, vice-presidente educacional da Faetec, o documento afirma que a escola abrirá uma sindicância:
- Nós repudiamos qualquer tipo de preconceito. Incentivei a regulamentação do Núcleo de Estudos Étnico-Raciais e Ações Afirmativas. O fato ocorreu e a diretora tomou ações pedagógicas. Infelizmente, não tínhamos ciência que o caso não tinha sido resolvido. Preconceito na aula
A secretária municipal de Educação, Claudia Costin, afirmou que, durante suas visitas às Coordenadorias Regionais de Educação tem deixado claro o princípio de uma escola pública laica, em que não há pregação e intolerância religiosa.
- A religiosidade deve entrar em sala de aula como cultura geral, numa aula de história, por exemplo, e não como pregação. É condenável que pais, alunos e professores tenham preconceito. O professor que discriminar o aluno sofrerá sindicância, se ele for a vítima de discriminação deve enfrentar a situação como uma oportunidade educacional para orientar um aluno que, geralmente, repete atitudes aprendidas dentro de casa. O pai deve ser advertido e, em casos mais graves, a autoridade policial deve ser chamada.
A secretária estadual de Assistência Social, Benedita da Silva, repudiou os atos, mas decidiu aguardar a sindicância. A Secretaria estadual de Educação explicou que o ensino religioso é oferecido apenas aos alunos que desejam ter a disciplina e que as aulas são voltadas para cada fé.
'Agora está sendo feita Justiça'
Após sete meses lutando e remoendo o preconceito contra seu filho, finalmente Enedi Andréa Gonçalves Ranito, de 35 anos, pôde tirar um pouco do peso da discriminação das costas.
- Estou sentindo que começa a ser feita Justiça. Não é fácil ver um filho ser agredido e não poder fazer nada. Sabia que a discriminação era crime, mas não entendia as leis, não sabia o que fazer. Agora, não estou mais me sentindo sozinha. Estou protegida - disse Andréa.
Felipe, finalmente, também sentiu-se aliviado:
- Agora, estão fazendo Justiça. Sinto pena e raiva da professora. Ainda não esqueci. Crianças têm que denunciar a intolerância, isso fará bem à nossa religião.
Nota contra a intolerância
Leia, na íntegra, o comunicado da Faetec, assinado pela professora Maria Cristina Lacerda, vice-presidente educacional da Faetec:
"A Faetec vem de público pedir desculpas ao aluno Felipe Gonçalves Pereira, familiares e a toda comunidade religiosa do Candomblé, pelo fato ocorrido nas dependências de uma de suas unidades escolares. Devemos esclarecer que esta gestão adota, desde 2007 quando assumiu, uma política de reconhecimento e respeito a todos os grupos étnicos, raciais e religiosos, repudiando qualquer forma de preconceito/discriminação. Inclusive em 8 de agosto de 2007, através da Resolução Conjunta SECT/FAETEC n 03 foi regulamentado o Núcleo de Estudos Étnicos Raciais e Ações Afirmativas (NEERA) com o objetivo, dentre outros, de desenvolver valores éticos e ações para combater o racismo, o preconceito e outras formas de discriminação e Violações de Direitos Humanos na rede Faetec. Quanto ao caso do aluno Felipe Gonçalves Pereira, ações pedagógicas foram tomadas e uma sindicância irá apurar administrativamente a questão".

Adeus: Corpo de Tia Doca da Portela é sepultado





Fonte: O Globo

domingo, 25 de janeiro de 2009

O Rio e a Igualdade

Rio - O cientista social, Carlos Alberto Medeiros, assumirá a Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial, criada pelo prefeito Eduardo Paes, e já definiu metas: implantar a Lei 10.639, enfrentar a anemia falciforme, apoiar os quilombos e combater a discriminação no mercado de trabalho. Leia Mais.

Ativista do movimento negro desde os anos 70, um dos fundadores do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio, Medeiros, 60 anos, é presidente do Centro Brasileiro de Informação do Artista Negro (Cidan), fundado em 1.984, pela atriz Zezé Mota e foi um dos subscritores do documento entregue ao STF em defesa das cotas e ações afirmativas.

A nomeação de Medeiros para a Coordenadoria criada por Paes, e que terá status de Secretaria, foi precedida de uma polêmica entre lideranças negras por conta de um documento sem assinaturas lançado por negros ligados ao PMDB carioca e endereço a Paes, expresssando decepção por “absoluta falta de comunicação com aqueles que não medeiram esforços para organizarem esse segmento na sua campanha”. O documento nunca teve a autoria assumida.

A indicação de Medeiros, segundo se sabe, foi feita pelo ministro chefe da Secretaria da Igualdade Racial (Seppir), deputado Edson Santos, que integra o grupo político da ex-governadora Benedita da Silva e o ex-deputado cassado José Dirceu.

A posse de Medeiros ainda não foi marcada, mas deve acontecer até o final deste mês.

Leia, na íntegra, a entrevista de Medeiros para a Afropress

Afropress - Quais serão as suas prioridades à frente da Coordenadoria Especial da Igualdade Racial, com status de Secretaria criada pelo prefeito Eduardo Paes?
Carlos Alberto Medeiros - Trata-se, na verdade, de uma Coordenadoria Especial com status de Secretaria. Nossas prioridades são: a implementação da Lei 10.639; o enfrentamento da anemia falciforme; o apoio aos remanescentes de quilombos do Sacopã, Marambaia e Pedra do Sal; o combate à discriminação no mercado de trabalho, incluindo a realização de pesquisas capazes de comprová-la, como os chamados "testers"; a luta contra a intolerância religiosa; a revitalização do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro (Comdedine) e do Centro Cultural José Bonifácio. Tudo isso será feito em parceria com órgãos dos governos municipal, estadual e federal (particularmente com a SEPPIR), com organismos internacionais e também com organizações da sociedade civil.

Afropress - Como será a interlocução com a sociedade, em especial com os Movimentos Sociais Negros - suas entidades e articulações?
Medeiros - Sou, antes de tudo, um militante do movimento social, com o qual pretendo manter um diálogo constante.

Afropress - Qual a estrutura da Secretaria e o orçamento do novo órgão?
Medeiros - Minha nomeação se deu sexta-feira última, e estamos num feriado prolongado devido ao Dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, de modo que ainda desconheço orçamento e estrutura. Só sei que serão enxutos.

Afropress - Faça as considerações que julgar pertinentes.
Medeiros - Encaro o cargo que me foi oferecido como um imenso desafio. Espero vencê-lo, fazendo dessa Coordenadoria uma referência positiva para todo o Brasil. O Rio tem essa característica de caixa de ressonância, o que aumenta a responsabilidade, ao potencializar os resultados. O primeiro passo é a montagem de uma equipe competente e comprometida, sem o que a tarefa se torna impossível. Depois, vamos seguir nossas prioridades e estabelecer uma aproximação com nossos potenciais parceiros. Teremos de vencer prevenções mostrando trabalho.

Fonte: Afropress

Na videoteca do CEN: Atlântica Biodivertida: Kapivarismo: Piracicaba



Episódio do Barão do Pirapora, da série Atlântica Biodivertida destacando os impactos ambientais e recursos hidricos de Piracicaba, numa história de uma comunidade socialista criada por uma capivara.
Fonte: acmestudio

Especialistas divergem sobre cotas raciais na educação

BRASÍLIA - A aprovação de uma política de cotas na área de Educação pela Câmara dos Deputados, em novembro passado, não foi suficiente para acabar com a polêmica sobre o assunto. O Projeto de Lei 73/99 foi aprovado em votação simbólica, depois de um acordo entre os líderes, mas deputados, pesquisadores, professores e alunos discordam sobre as cotas de ingresso nas universidades e escolas técnicas federais.

A proposta voltou para o Senado por causa da inclusão, pelos deputados, de critérios econômicos para a seleção dos alunos, e ainda está em análise pelos senadores da Comissão de Constituição e Justiça. A Câmara aprovou o projeto em 20 de novembro passado, Dia da Consciência Negra.

Cotas sociais

O texto aprovado determina que 50% das vagas das instituições federais sejam destinadas a alunos provenientes da escola pública. Dessas vagas, 50% serão preenchidas por estudantes de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo (R$ 622,50) por pessoa. Além das cotas sociais, a proposta exige que as vagas sejam destinadas a negros, pardos e indígenas em proporção igual a dessas populações no total de habitantes de cada estado.

O texto estabelece ainda que a seleção dos alunos que terão direito ao ingresso na universidade por meio das cotas será feita a partir de um coeficiente de rendimento, obtido pelo cálculo da média aritmética das notas ou menções recebidas pelos alunos durante o Ensino Médio. As instituições privadas de ensino superior também poderão adotar as cotas para ingresso dos alunos.

Caráter paliativo

Para o sociólogo Demétrio Magnoli, que é contrário ao projeto, são aceitáveis apenas cotas provisórias para os alunos da escola pública. Segundo ele, isso deve ser feito em caráter emergencial, por causa da disparidade atual entre a qualidade do ensino público e privado. Entretanto, o sociólogo afirma que somente o investimento na melhoria da qualidade da escola pública e a ampliação no número de vagas das universidades públicas podem democratizar o acesso ao ensino superior.

Sobre as cotas raciais, ele considera que elas representam a "introdução do conceito de raça na lei, um conceito que não existe na biologia, mas que pode ser incluído na legislação por motivos políticos". Magnoli teme que a inclusão do conceito de raça na legislação possa estimular "processos de ódio racial de massa".

Desigualdade histórica

Já o antropólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB) José Jorge de Carvalho considera as cotas raciais necessárias para corrigir a desigualdade histórica entre brancos e negros no Brasil. "As cotas são necessárias porque os negros no Brasil são 48% da população. Enquanto isso, o número de professores negros na universidade pública não chega a 1%. Ou seja, nós vivemos uma realidade de exclusão que é, provavelmente, uma das mais severas do planeta."

Para Carvalho, as cotas sociais não alteram o perfil racial da desigualdade brasileira e, por isso, cada um dos aspectos precisa ser tratado separadamente. "Mesmo entre os pobres, leva vantagem quem é branco", afirma. O professor ressalta que, mesmo que sejam aprovadas, as cotas incidirão apenas sobre 3% das vagas do ensino superior.

Na opinião de Carvalho, o sistema atual não será corrigido se as condições não forem modificadas. "Pelas projeções, mesmo com as cotas, levaremos 60 anos para alcançar um patamar igualitário", afirma. Além disso, ele destaca que as cotas não deixam de lado a meritocracia do acesso ao ensino superior, porque há poucas vagas em disputa. "As vagas não podem é ser plutocráticas como agora, ou seja, não podem estar ao alcance somente de quem tem dinheiro e pode pagar um cursinho."
Fonte: Ìrohìn

Hédio Jr.: Obama desarma racistas brasileiros

Diego Salmen

Militante notório do movimento negro, o advogado e professor Hédio Silva Jr. comenta, nesta conversa com Terra Magazine, a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos. Para ele, a presença de Obama no cargo tem um efeito pedagógico "extraordinário".

- Com Obama, nós podemos, neste plano tão importante que é o simbólico, educar a humanidade para que aprenda definitivamente que os negros, como qualquer outro agrupamento humano, são capazes e criativos.

Ex-secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Silva Jr. aponta outro benefício ao se ter um negro no comando da maior potência econômica e militar do planeta: a desarticulação de argumentos racistas no Brasil. Explica:

- Os americanos são tão racistas, conseguem eleger um presidente negro; aqui, onde não há racismo, não se elege um prefeito - ironiza. - Desse ponto de vista, tem um impacto real na luta contra o racismo no Brasil.

Confira a seguir a entrevista com Hédio Silva Jr.:

Terra Magazine - Qual o impacto da eleição de Obama para o movimento negro como um todo?
Hédio Silva Jr. - É um impacto extraordinário, não só em termos da diáspora africana e da população negra, mas também dos diferentes grupos que são vítimas de discriminação. As democracias contemporâneas foram incapazes de preparar as pessoas para valorizar a diversidade. Veja que no dia 11 de fevereiro de 2001 encerrou-se a última conferência da ONU contra o racismo. E a conferência perdeu importância, obviamente, por conta dos atentados ao World Trade Center. Agora, passados oito anos, o mundo volta os olhos para o aparentemente interminável conflito árabe-israelense. Então um dos grandes problemas da humanidade neste século 21, que começou no 11/9, é a questão da diversidade. O Obama representa essas novas identidades políticas. É só ver as preocupações, na posse, com homossexuais, com grupos religiosos... É um alento o fato de que uma pessoa que encarna a diversidade seja a grande esperança do mundo no século 21.

Então nesse sentido a eleição de Obama transcende essa questão da raça...
Transcende no sentido de que, como negro, como vítima de discriminação, ele está perfeitamente preparado para captar o impacto que isso tem na vida das pessoas e dos outros. Está muito nítido agora na posse e estará presente na forma como ele vai tocar o governo.

A eleição dele é um sinal de fim do racismo nos Estados Unidos ou ainda estamos longe disso?
É um passo importante contra o racismo, é uma vitória significativa dessa luta, mas em absoluto significa o fim do racismo. São Paulo já teve um prefeito negro e isso não alterou em absolutamente nada as condições raciais e a intolerância. Eu não creio (que seja o fim do racismo), mas que é um passo significativo, sem dúvida.

Obama evitou fazer uma campanha calcada em questões raciais. Justamente por isso, o senhor acha que ele dará atenção especial a essa questão da negritude?
O problema do racismo é uma questão nacional nos Estados Unidos, e é um dos problemas - como outros graves que ele terá de enfrentar. Agora, a questão do racismo tem merecido por parte dos diferentes governos, desde Kennedy, medidas ousadas. E não é um problema que se resolve por decreto ou em uma gestão. Eu não tenho nenhuma dúvida de que ele vai dar prosseguimento a essas políticas, do ponto de vista da legislação, do governo norte-americano e por parte dos incentivos do setor privado, que existiam muito antes da posse dele, e vão continuar existindo depois que ele sair do governo.

O presidente Lula disse que gostaria de conversar com Obama antes "que o aparato do Estado" da Casa Branca o transformasse. O senhor acha que Obama irá se transformar?
Eu não temo isso, não, se você considerar os dados preparatórios da posse, o discurso que ele fez no memorial Lincoln, a presença de figuras negras de ponta como oradores nas cerimônias de posse e o fato dele indicar o Martin Luther King como um de seus dois grandes símbolos. Certamente que o presidente de uma nação como os Estados Unidos não tem como fazer que prevaleçam pontos de vista pessoais e paixões acima dos interesses da nação. Mas que ele irá passar por cima da história dele por conta do poder... Eu não tenho nenhuma dúvida de que ele não fará isso. Quem lê os livros dele com atenção, quem viu o discurso da vitória e quem está acompanhando a posse sabe muito bem que o homem negro que prega a crítica ao racismo, que prega a tolerância e a diversidade, é esse o homem que vai estar na Casa Branca.

E se Obama decepcionar durante sua presidência?
Eu creio que não. Do ponto de vista simbólico, qualquer que seja o desfecho.... Eu não tenho nenhuma dúvida que ele enfrentará com grandeza essa crise e mostrará a vocação que a África tem para produzir estadistas, como foi Nelson Mandela. Ele vai ser um estadista e vai retomar a trilha do desenvolvimento interno. Agora, mesmo que haja frustração, no plano simbólico a presença dele lá tem um significado muito forte; eu tenho certeza que as lideranças políticas do movimento contra o racismo compreenderão que não é porque se tem um negro no poder que será possível atender a todas as demandas (do movimento negro). Mas, obviamente, não é a panacéia, não é a solução.

De que maneira o movimento negro no Brasil encarou a eleição de Obama?
Foi uma surpresa positiva. Primeiro porque parte dos racistas brasileiros, que sempre utilizavam os EUA como muleta para dizer que lá, sim, era um exemplo de racismo e aqui não, perderam esse argumento. Os americanos são tão racistas, conseguem eleger um presidente negro; aqui, onde não há racismo, não se elege um prefeito. Desse ponto de vista, tem um impacto real na luta contra o racismo no Brasil. Depois, o fato de que a história contemporânea conhece poucos estadistas; um dos maiores do século 20 foi o presidente Mandela. E agora, com Obama, nós podemos, neste plano tão importante que é o simbólico, educar a humanidade para que aprenda definitivamente que os negros, como qualquer outro agrupamento humano, são capazes e criativos. Tem um efeito pedagógico extraordinário.

O Brasil está preparado para eleger um presidente negro?
Eu creio que sim. Nós já temos nosso Obama brasileiro, que certamente já nasceu e está cimentando um futuro para isso. Eu sou otimista em relação ao Brasil.

Terra Magazine
Fonte: Irohìn

Barack Obama toma decisões importantes para a saúde americana



Fonte: O Globo

Os desafios de Obama



Fonte: O Globo

Especial: Intolerância Religiosa

Clique na imagem para acessar.
Fonte: Jornal Extra

Na videoteca do CEN: Axé do Acarajé

Cartilha em defesa da liberdade de crença religiosa disponível aqui para download




A liberdade de crença é um direito assegurado na Constituição Federal. É com base nesta lei, que o CEERT - Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades - em parceria com o SESC SP e INTECAB - Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira (Coordenação São Paulo) - com o apoio de lideranças religiosas, lançou em 2004 a campanha Em defesa da liberdade de crença e contra a intolerância religiosa.
O Estado brasileiro é laico, não sendo autorizado a eleger qualquer manifestação religiosa como verdadeira ou falsa. A constituição vigente, de 1988, diz que todas as crenças e religiões são iguais perante a lei e devem ser tratadas com igual respeito e consideração.
Com base nestes direitos impressos na Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos a Campanha tem como ação principal a divulgação e conscientização das pessoas, e da sociedade, acerca destes direitos. O lançamento de uma cartilha cujo conteúdo é baseado numa reconstrução da história das leis brasileiras sobre intolerância religiosa - além de um anexo com indicações das leis mencionadas -, é o primeiro passo deste projeto.
Embora a Constituição Brasileira assegure os direitos de expressão das diversas confissões religiosas, práticas intolerantes ainda estão presentes no cotidiano brasileiro, sobretudo, quanto às religiões afro-brasileiras. Nesse sentido, é importante esclarecer que a discriminação religiosa é crime e que o respeito para com a diversidade religiosa é também um exercício de respeito para com a diversidade étnico cultural, que caracteriza o povo brasileiro.
Clique aqui para fazer o download e imprimir a cartilha da campanha Em defesa da liberdade de crença e contra a intolerância religiosa.
Fonte: Sesc/SP

SEPPIR no Fórum Social Mundial da Amazônia

A SEPPIR prepara sua participação no Fórum Social Mundial (FSM) da Amazônia, que será realizado entre os dias 27 de janeiro e 1º de fevereiro em Belém (PA). O evento mais significativo promovido pela Secretaria durante o encontro será uma oficina sobre o Programa Brasil Quilombola (PBQ), que em 30 de janeiro vai mobilizar no Espaço Saúde/ Cultural pessoas interessadas em debater a questão das comunidades remanescentes de quilombos brasileiras e seus congêneres na América Latina.

A exposição Olhares Cruzados, patrocinada pela SEPPIR, deverá ser o maior evento cultural do FSM. A mostra trará o resultado do projeto homônimo que tem por objetivo promover o conhecimento recíproco entre o Brasil e os países da África lusófono, por meio da troca de cartas e fotografias produzidas por crianças brasileiras e africanas entre 8 e 14 anos de idade. Durante o FSM, utilizando a mesma metodologia do Olhares Cruzados, haverá oficina de desenho e
fotografia para os participantes mirins.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Combate à Intolerância no calendário oficial de Alagoas

O Dia de Combate à Intolerância Religiosa passará a ser comemorado anualmente em Alagoas. Lei neste sentido foi sancionada pelo governador Teotonio Vilela Filho, garantindo a inclusão do dia dois de fevereiro no calendário civil para efeitos de comemoração oficial. O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa já existe e é comemorado no dia 21 de janeiro. O objetivo é enfatizar a importância do diálogo entre as religiões para a busca da paz entre os povos e incentivar a sociedade a discutir o assunto para possibilitar novos instrumentos de inclusão em todas as instâncias.
Fonte: SEPPIR

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Cartilha contra intolerância religiosa e racismo é lançada no Rio

Desabafo: dor da intolerância

O que é para uma filha perder a sua mãe? É antes de tudo uma dor que não sara nunca, é algo de uma complexidade imensa pois você sente que rompeu-se um vínculo anterior, o que te ligava ao passado, pois quando se olha para um filho, para uma filha, só se vê o presente, mas a referência ao passado está na mãe, está no pai, no avô e na avó.

Agora imagine perder a mãe num caso extremo de agressão. Pior ainda, agressão por questão religiosa, por simples desrespeito, pela não aceitação da fé do outro? Pois foi assim que num belo dia vi minha partir do Ayê para o Orun, da vida terrestre para a vida espiritual, pelo simples fato de ter se tornado vítima preferencial das agressões religiosas da dita "Igreja" Universal do Reino de Deus.

A morte de Mãe Gilda de Ogum, minha mãe, provocou muita dor, mas teve o efeito benéfico de transformar a dor em ação. Pessoas do país inteiro se mobilizaram. A solidariedade foi se avolumando e o que era para se tornar uma data triste virou um momento de afirmação e de luta em torno da nossa religiosidade quando, o dia 21 de Janeiro, dia do falecimento de minha mãe, se transformou no Dia Nacional de Luta Contra a Intolerância Religiosa.

Essa data, que começou aqui na Bahia, já se expandiu para o restante do país e agora rompe as fronteiras do Brasil e ruma para tornar-se uma data oficial do Mercosul, pois países como Argentina e Uruguai realizarão também no dia 21, atividades de afirmação das religiões de matrizes africanas.

Essa é uma grande vitória. É uma vitória, antes de tudo, dos nossos Orixás que nos permitiram lutar e vencer cada etapa deste combate. É uma vitória de Mãe Gilda, que do Orun nos acompanha a cada passo que damos. É uma vitória de pessoas e organizações do movimento social que confiam em nossa causa e conosco somam forças. Enfim, é uma vitória de todos nós que acreditamos num mundo melhor onde a palavra tolerância seja substituída por respeito, pois não queremos que ninguem nos tolere, mas exigimos que nos respeitem, a nós e à nossa fé.

Axé

Mãe Jaciara de Oxum
Ialorixá do Terreiro Abassá de Ogum/CEN
Publicado em 21/01/08 na coluna Opinião / Jornal A Tarde.

Posse de Barack Obama é celebrada em vários países

Confira videoclipe da posse de Barack Obama

Discurso de Barack Obama lembra os desafios que os EUA vão enfrentar



Fonte: G1

Leia a íntegra do discurso de posse de Barack Obama



Democrata assumiu nesta terça (20) como o 44º presidente dos EUA.
Leia texto em inglês e em português e ouça tradução da Globo News.

.

Abaixo da versão em inglês, leia tradução em português feita para o G1.
"My fellow citizens: I stand here today humbled by the task before us, grateful for the trust you have bestowed, mindful of the sacrifices borne by our ancestors. I thank President Bush for his service to our nation, as well as the generosity and co-operation he has shown throughout this transition.
Forty-four Americans have now taken the presidential oath. The words have been spoken during rising tides of prosperity and the still waters of peace. Yet, every so often the oath is taken amidst gathering clouds and raging storms. At these moments, America has carried on not simply because of the skill or vision of those in high office, but because We the People have remained faithful to the ideals of our forbearers, and true to our founding documents.
So it has been. So it must be with this generation of Americans.
That we are in the midst of crisis is now well understood. Our nation is at war, against a far-reaching network of violence and hatred. Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some, but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age. Homes have been lost; jobs shed; businesses shuttered. Our health care is too costly; our schools fail too many; and each day brings further evidence that the ways we use energy strengthen our adversaries and threaten our planet.
These are the indicators of crisis, subject to data and statistics. Less measurable but no less profound is a sapping of confidence across our land - a nagging fear that America's decline is inevitable, and that the next generation must lower its sights.
Today I say to you that the challenges we face are real. They are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this, America - they will be met.
On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord.
On this day, we come to proclaim an end to the petty grievances and false promises, the recriminations and worn out dogmas, that for far too long have strangled our politics.
We remain a young nation, but in the words of Scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.
In reaffirming the greatness of our nation, we understand that greatness is never a given. It must be earned. Our journey has never been one of short-cuts or settling for less. It has not been the path for the faint-hearted - for those who prefer leisure over work, or seek only the pleasures of riches and fame. Rather, it has been the risk-takers, the doers, the makers of things - some celebrated but more often men and women obscure in their labour, who have carried us up the long, rugged path towards prosperity and freedom.
For us, they packed up their few worldly possessions and travelled across oceans in search of a new life.
For us, they toiled in sweatshops and settled the West; endured the lash of the whip and ploughed the hard earth.
For us, they fought and died, in places like Concord and Gettysburg; Normandy and Khe Sahn.
Time and again these men and women struggled and sacrificed and worked till their hands were raw so that we might live a better life. They saw America as bigger than the sum of our individual ambitions; greater than all the differences of birth or wealth or faction.
This is the journey we continue today. We remain the most prosperous, powerful nation on Earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions - that time has surely passed. Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America.
For everywhere we look, there is work to be done. The state of the economy calls for action, bold and swift, and we will act - not only to create new jobs, but to lay a new foundation for growth. We will build the roads and bridges, the electric grids and digital lines that feed our commerce and bind us together. We will restore science to its rightful place, and wield technology's wonders to raise health care's quality and lower its cost. We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars and run our factories. And we will transform our schools and colleges and universities to meet the demands of a new age. All this we can do. And all this we will do.
Now, there are some who question the scale of our ambitions - who suggest that our system cannot tolerate too many big plans. Their memories are short. For they have forgotten what this country has already done; what free men and women can achieve when imagination is joined to common purpose, and necessity to courage.
What the cynics fail to understand is that the ground has shifted beneath them - that the stale political arguments that have consumed us for so long no longer apply. The question we ask today is not whether our government is too big or too small, but whether it works - whether it helps families find jobs at a decent wage, care they can afford, a retirement that is dignified. Where the answer is yes, we intend to move forward. Where the answer is no, programs will end. And those of us who manage the public's dollars will be held to account - to spend wisely, reform bad habits, and do our business in the light of day - because only then can we restore the vital trust between a people and their government.
Nor is the question before us whether the market is a force for good or ill. Its power to generate wealth and expand freedom is unmatched, but this crisis has reminded us that without a watchful eye, the market can spin out of control - and that a nation cannot prosper long when it favours only the prosperous. The success of our economy has always depended not just on the size of our Gross Domestic Product, but on the reach of our prosperity; on our ability to extend opportunity to every willing heart - not out of charity, but because it is the surest route to our common good.
As for our common defence, we reject as false the choice between our safety and our ideals. Our Founding Fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake. And so to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman, and child who seeks a future of peace and dignity, and that we are ready to lead once more.
Recall that earlier generations faced down fascism and communism not just with missiles and tanks, but with sturdy alliances and enduring convictions. They understood that our power alone cannot protect us, nor does it entitle us to do as we please. Instead, they knew that our power grows through its prudent use; our security emanates from the justness of our cause, the force of our example, the tempering qualities of humility and restraint.
We are the keepers of this legacy. Guided by these principles once more, we can meet those new threats that demand even greater effort - even greater cooperation and understanding between nations. We will begin to responsibly leave Iraq to its people, and forge a hard-earned peace in Afghanistan. With old friends and former foes, we will work tirelessly to lessen the nuclear threat, and roll back the spectre of a warming planet. We will not apologise for our way of life, nor will we waver in its defense, and for those who seek to advance their aims by inducing terror and slaughtering innocents, we say to you now that our spirit is stronger and cannot be broken; you cannot outlast us, and we will defeat you.
For we know that our patchwork heritage is a strength, not a weakness. We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus - and non-believers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this Earth; and because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation, and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.
To the Muslim world, we seek a new way forward, based on mutual interest and mutual respect. To those leaders around the globe who seek to sow conflict, or blame their society's ills on the West - know that your people will judge you on what you can build, not what you destroy. To those who cling to power through corruption and deceit and the silencing of dissent, know that you are on the wrong side of history; but that we will extend a hand if you are willing to unclench your fist.
To the people of poor nations, we pledge to work alongside you to make your farms flourish and let clean waters flow; to nourish starved bodies and feed hungry minds. And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to suffering outside our borders; nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.
As we consider the road that unfolds before us, we remember with humble gratitude those brave Americans who, at this very hour, patrol far-off deserts and distant mountains. They have something to tell us today, just as the fallen heroes who lie in Arlington whisper through the ages. We honor them not only because they are guardians of our liberty, but because they embody the spirit of service; a willingness to find meaning in something greater than themselves. And yet, at this moment - a moment that will define a generation - it is precisely this spirit that must inhabit us all.
For as much as government can do and must do, it is ultimately the faith and determination of the American people upon which this nation relies. It is the kindness to take in a stranger when the levees break, the selflessness of workers who would rather cut their hours than see a friend lose their job which sees us through our darkest hours. It is the fire-fighter's courage to storm a stairway filled with smoke, but also a parent's willingness to nurture a child, that finally decides our fate.
Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends - hard work and honesty, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism - these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths. What is required of us now is a new era of responsibility - a recognition, on the part of every American, that we have duties to ourselves, our nation, and the world, duties that we do not grudgingly accept but rather seize gladly, firm in the knowledge that there is nothing so satisfying to the spirit, so defining of our character, than giving our all to a difficult task.
This is the price and the promise of citizenship.
This is the source of our confidence - the knowledge that God calls on us to shape an uncertain destiny.
This is the meaning of our liberty and our creed - why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent mall, and why a man whose father less than sixty years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath.
So let us mark this day with remembrance, of who we are and how far we have travelled. In the year of America's birth, in the coldest of months, a small band of patriots huddled by dying campfires on the shores of an icy river. The capital was abandoned. The enemy was advancing. The snow was stained with blood. At a moment when the outcome of our revolution was most in doubt, the father of our nation ordered these words be read to the people: "Let it be told to the future world...that in the depth of winter, when nothing but hope and virtue could survive...that the city and the country, alarmed at one common danger, came forth to meet [it]."
America. In the face of our common dangers, in this winter of our hardship, let us remember these timeless words. With hope and virtue, let us brave once more the icy currents, and endure what storms may come. Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations."

(Por Luiz Marcondes)
"Meus co-cidadãos: estou aqui na frente de vocês me sentindo humilde pela tarefa que está diante de nós, grato pela confiança que depositaram em mim e ciente dos sacrifícios suportados por nossos ancestrais. Agradeço ao presidente Bush por seu serviço à nação, assim como também pela generosidade e cooperação que ele demonstrou durante esta transição.
Quarenta e quatro americanos já fizeram o juramento presidencial. As palavras já foram pronunciadas durante marés crescentes de prosperidade e nas águas tranqüilas da paz. Ainda assim, com muita freqüência o juramento é pronunciado em meio a nuvens que se aproximam e tempestades ferozes. Nesses momentos, a América seguiu em frente não apenas devido à habilidade e visão daqueles em posição de poder, mas porque Nós, o Povo, continuamos fiéis aos ideais de nossos fundadores e aos documentos de nossa fundação.
Tem sido assim. E assim deve ser com esta geração de americanos.
Que estamos no meio de uma crise agora já se sabe muito bem. Nossa nação está em guerra contra uma extensa rede de ódio e violência. Nossa economia está muito enfraquecida, uma conseqüência da ganância e irresponsabilidade por parte de alguns, mas também de nossa falha coletiva em fazer escolhas difíceis e em preparar a nação para uma nova era. Lares foram perdidos; empregos cortados; empresas fechadas. Nosso sistema de saúde é caro demais; nossas escolas falham demais; e cada dia traz mais provas de que a maneira como utilizamos energia fortalece nossos adversários e ameaça nosso planeta.
Esses são os indicadores da crise, sujeitos a dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profunda é a erosão da confiança em todo nosso país – um medo persistente de que o declínio da América seja inevitável e de que a próxima geração tenha que baixar suas expectativas.
Hoje, eu digo a você que os desafios que enfrentamos são reais. Eles são sérios e são muitos. Eles não serão encarados com facilidade ou num curto período de tempo. Mas saiba disso, América – eles serão encarados.
Neste dia, nos reunimos porque escolhemos a esperança no lugar do medo, a unidade de propósito em vez do conflito e da discórdia.
Neste dia, nós viemos proclamar um fim aos conflitos mesquinhos e falsas promessas, às recriminações e dogmas desgastados que por muito tempo estrangularam nossa política.
Ainda somos uma nação jovem, mas, nas palavras da Escritura, chegou a época de deixar de lado essas coisas infantis. Chegou a hora de reafirmar nosso espírito de resistência para escolher nossa melhor história; para levar adiante o dom preciso, a nobre idéia passada de geração em geração: a promessa divina de que todos são iguais, todos livres e todos merecem buscar o máximo de felicidade.
Ao reafirmar a grandeza de nossa nação, compreendemos que a grandeza nunca é dada. Ela deve ser conquistada. Nossa jornada nunca foi feita por meio de atalhos ou nos contentando com menos. Não foi um caminho para os de coração fraco – para aqueles que preferem o lazer ao trabalho, ou que buscam apenas os prazeres da riqueza e da fama. Em vez disso, foram aqueles que se arriscam, que fazem, que criam coisas – alguns celebrados mas com muito mais freqüência homens e mulheres obscuros em seu trabalho, que nos levaram ao longo do tortuoso caminho em direção à prosperidade e à liberdade.
Foi por nós que eles empacotaram suas poucas posses materiais e viajaram pelos oceanos em busca de uma nova vida.
Foi por nós que eles trabalharam nas fábricas precárias e colonizaram o Oeste; suportaram chicotadas e araram terra dura.
Foi por nós que eles lutaram e morreram em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn.
Muitas e muitas vezes esses homens e mulheres se esforçaram e se sacrificaram e trabalharam até que suas mãos ficassem arrebentadas para que nós pudéssemos viver uma vida melhor. Eles viram a América como sendo algo maior do que a soma de nossas ambições individuais; maior do que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção.
Esta é uma jornada que continuamos hoje. Nós ainda somos a mais próspera e poderosa nação da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando esta crise começou. Nossas mentes não são menos inventivas, nossos produtos e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada ou no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade permanece inalterada. Mas nossa época de proteger patentes, de proteger interesses limitados e de adiar decisões desagradáveis – essa época com certeza já passou. A partir de hoje, temos de nos levantar, sacudir a poeira e começar de novo o trabalho para refazer a América.
Porque, em todo lugar que olhamos, há trabalho a ser feito. O estado da economia pede ação ousada e rápida, e nós iremos agir – não apenas para criar novos empregos, mas para estabelecer uma nova fundação para o crescimento. Iremos construir as estradas e as pontes, as linhas elétricas e digitais que alimentam nosso comércio e nos unem. Iremos restaurar a ciência a seu lugar de direito e utilizaremos as maravilhas tecnológicas para melhorar a qualidade da saúde e diminuir seus custos. Nós iremos utilizar a energia do sol e dos ventos e do solo para impulsionar nossos carros e fábricas. E iremos transformar nossas escolas e faculdades para que eles estejam à altura dos requisitos da nova era. Nós podemos fazer tudo isso. E nós faremos tudo isso.
Agora, existem algumas pessoas que questionam a escala de nossas ambições – que sugerem que nosso sistema não pode tolerar muitos planos grandiosos. A memória dessas pessoas é curta. Porque eles esquecem do que este país já fez; do que homens e mulheres livres pode conquistar quando a imaginação se une por um propósito comum e a necessidade se junta à coragem.
O que os cínicos não compreendem é que o contexto mudou totalmente – que os argumentos políticos arcaicos que nos consumiram por tanto tempo já não se aplicam. A questão que lançamos hoje não é se nosso governo é grande ou pequeno demais, mas se ele funciona – se ele ajuda famílias a encontrar trabalho por um salário justo, seguro-saúde que possam pagar, uma aposentadoria digna. Se a resposta for sim, iremos adiante. Se for não, programas acabarão. E aqueles dentre nós que gerenciam o dólar público serão cobrados – para que gastem de forma inteligente, consertem maus hábitos e façam seus negócios à luz do dia – porque só então conseguirmos restabelecer a confiança vital entre as pessoas e seu governo.
Nem a questão diante de nós é se o mercado é uma força positiva ou negativa. Seu poder para gerar riqueza e expandir a liberdade não tem paralelo, mas esta crise nos lembrou de que, sem um olho vigilante, o mercado pode perder o controle – e a nação não pode mais prosperar quando favorece apenas os prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho de nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance de nossa prosperidade; em nossa habilidade de estender a oportunidade a todos os corações que estiverem dispostos – não por caridade, mas porque esta é a rota mais certa para o bem comum.
Quanto à nossa defesa comum, nós rejeitamos como falsa a escolha entre nossa segurança e nossos ideais. Os Fundadores de Nossa Nação, que encararam perigos que mal podemos imaginar, esboçaram um documento para assegurar o governo pela lei e os direitos dos homens, expandidos pelo sangue das gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e nós não desistiremos deles por conveniência. Assim, para todos os outros povos e governos que estão assistindo hoje, da maior das capitais à pequena vila onde meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de cada nação e de todo homem, mulher e criança que procura um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar mais uma vez.
Lembrem-se de que gerações que nos antecederam enfrentaram o fascismo e o comunismo, não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças robustas e convicções duradouras. Eles compreendiam que o poder sozinho não pode nos proteger e nem nos dá o direito de fazer o que quisermos. Em vez disso, eles sabiam que nosso poder cresce pro meio de sua utilização prudente; nossa segurança emana da justiça de nossa causa, da força do nosso exemplo, das qualidades temperantes da humildade e do auto-controle.
Somos os guardiões desse legado. Mais uma vez, guiados por esses princípios, podemos encarar essas novas ameaças, que exigem esforços ainda maiores – ainda mais cooperação e compreensão entre nações. Nós começaremos a deixar o Iraque para seu povo de forma responsável, e forjaremos uma paz conquistada arduamente no Afeganistão. Com velhos amigos e ex-inimigos, trabalharemos incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear e afastar a ameaça de um planeta cada vez mais quente. Nós não iremos nos desculpar por nosso estilo de vida, nem iremos vacilar em sua defesa, e para aqueles que buscam aperfeiçoar sua pontaria induzindo terror e matando inocentes, dizemos a vocês agora que nosso espírito não pode ser quebrado; vocês não podem durar mais do que nós, e nós iremos derrotá-los.
Porque nós sabemos que nossa herança multirracial é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus – e de pessoas que não possuem crenças. Nós somos moldados por todas as línguas e culturas, trazidas de todos os confins da terra; e porque já experimentamos o gosto amargo da Guerra Civil e da segregação e emergimos desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos evitar de acreditar que os velhos ódios um dia irão passar; que as linhas que dividem tribos em breve irão se dissolver; que, conforme o mundo fica menor, nossa humanidade em comum irá se revelar; e que a América deve desempenhar seu papel nos conduzir a essa nova era de paz.
Para o mundo muçulmano, nós buscamos uma nova forma de evoluir, baseada em interesses e respeito mútuos. Àqueles líderes ao redor do mundo que buscam semear o conflito ou culpar o Ocidente pelos males da sociedade – saibam que seus povos irão julgá-los pelo que podem construir, não pelo que podem destruir. Àqueles que se agarram ao poder pela corrupção, pela falsidade, silenciando os que discordam deles, saibam que vocês estão no lado errado da história; mas nós estenderemos uma mão se estiverem dispostos a abrir seus punhos.
Às pessoas das nações pobres, nós juramos trabalhar a seu lado para fazer com que suas fazendas floresçam e para deixar que fluam águas limpas; para nutrir corpos esfomeados e alimentar mentes famintas. E, para aqueles cujas nações, como a nossa, desfrutam de relativa abundância, dizemos que não podemos mais tolerar a indiferença ao sofrimento fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem nos importar com o efeito disso. Porque o mundo mudou, e nós temos de mudar com ele.
Enquanto pensamos a respeito da estrada que agora se estende diante de nós, nos lembramos com humilde gratidão dos bravos americanos que, neste exato momento, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos contar hoje, do mesmo modo que os heróis que tombaram em Arlington sussurram através dos tempos. Nós os honramos não apenas porque são os guardiões de nossa liberdade, mas porque eles personificam o espírito de servir a outros; uma disposição para encontrar um significado em algo maior do que eles mesmos. E ainda assim, neste momento – um momento que irá definir nossa geração – é exatamente esse espírito que deve estar presente em todos nós.
Por mais que um governo possa e deva fazer, é em última análise na fé e na determinação do povo americano que esta nação confia. É a bondade de acolher um estranho quando as represas arrebentam, o desprendimento de trabalhadores que preferem diminuir suas horas de trabalho a ver um amigo perder o emprego que nos assistem em nossas horas mais sombrias. É a coragem de um bombeiro para invadir uma escadaria cheia de fumaça, mas também a disposição de um pai para criar uma criança que finalmente decidem nosso destino.
Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com os quais as enfrentamos podem ser novos. Mas os valores dos quais nosso sucesso depende – trabalho árduo e honestidade, coragem e fair play, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo –, essas cosias são antigas. Essas coisas são verdadeiras. Elas foram a força silenciosa do progresso ao longo de nossa história. O que é exigido então é um retorno a essas verdades. O que é pedido a nós agora é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento por parte de todo americano, de que temos deveres para com nós mesmos, nossa nação e o mundo, deveres que não aceitamos rancorosamente, mas que, pelo contrário, abraçamos com alegria, firmes na certeza de que não há nada tão satisfatório para o espírito e que defina tanto nosso caráter do que dar tudo de nós mesmos numa tarefa difícil.
Esse é o preço e a promessa da cidadania.
Essa é a fonte de nossa confiança – o conhecimento de que Deus nos convoca para dar forma a um destino incerto.
Esse é o significado de nossa liberdade e nosso credo – o motivo pelo qual homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as fés podem se unir em celebração por todo este magnífico local, e também o porquê de um homem cujo pai a menos de 60 anos talvez não fosse servido num restaurante local agora poder estar diante de vocês para fazer o mais sagrado juramento.
Por isso, marquemos este dia relembrando quem somos e o quanto já viajamos. No ano do nascimento da América, no mês mais frio, um pequeno grupo de patriotas se reuniu em torno de fogueiras quase apagadas nas margens de um rio gélido. A capital foi abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado de nossa revolução estava mais incerto, o pai de nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo: “Que seja contado ao mundo futuro... Que no auge de um inverno, quando nada além de esperança e virtude poderiam sobreviver... Que a cidade e o país, alarmados com um perigo em comum, se mobilizaram para enfrentá-lo.
América. Diante de nossos perigos em comum, neste inverno de nossa dificuldades, deixe-me lembrá-los dessas palavras imortais. Com esperança e virtude, vamos enfrentar mais uma vez as correntes gélidas e suportar as tempestades que vierem. Que os filhos de nosso filhos digam que, quando fomos colocados à prova, nós nos recusamos a deixar esta jornada terminar, que nós não demos as costas e nem hesitamos; e com os olhos fixos no horizonte e com a graça de Deus sobre nós, levamos a diante o grande dom da liberdade e o entregamos com segurança às gerações futuras.”
Fonte: G1

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons