sábado, 28 de fevereiro de 2009

Na videoteca do CEN: Clandestinas




















Fonte: You Tube

Programação do 8 de Março do Fórum de Mulheres de Lauro de Freitas - BA

01/03 - 9h .Café da manha e Roda de conversa: Violência contra a mulher em debate
Local: Quingoma

04/03 – 15h. Sessão Especial: Legalizar e Descriminalizar o Aborto.
Local: Câmara de Vereadores

06/03. Apresentação Teatral: “Pó... Compacto” -
Tema: Lei Maria da Penha (Direção: Renato Lima / Atuação: Mayra Gotichald)

- Exposição do Fórum de Mulheres no Hall de entrada
Local: Cine Teatro

07/03 – 9h III Caminhada “Varias Faces, uma luta”
Local: Concentração Shopping Feira

11/03 – 19h Telão na Praça: Discussão sobre raça e gênero
Local: Largo do Caranguejo

14/03 – 9h -Encontro das Mulheres do Fórum de Mulheres de Lauro de Freitas
Local: Centro de Referencia Mãe Mirinha de Portão

18/03 – 9 h Oficina Gênero e sexualidade
Local: CAPS

27,28 e 29/03 - II modulo da Formação em Orçamento Publico para as mulheres do Fórum LF
Local: Centro de treinamento de lideres – Itapuã

Obama diz que EUA sairão do Iraque até 2011

Convite: Março Mulher


Fonte: Recebido por e-mail.

Saiba o que é a CONAQ

O movimento nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas é hoje um dos mais ativos agentes do movimento negro rural no Brasil.
Unidos pela força da identidade étnica, os quilombolas construíram e defendem um território que vive sob constante ameaça de invasão. Realidade que revela como o racismo age no país. Impede que negros tenham o direito à propriedade, mesmo sendo eles os donos legítimos das terras herdadas dos seus antepassados: negros que lutaram contra a escravidão e formaram territórios livres.
Ainda hoje, os descendentes diretos de Zumbi dos Palmares, símbolo máximo da luta do povo negro por liberdade, travam no dia-a-dia um embate pelo direito a terra. É uma história de resistência que garantiu a continuidade da existência de centenas de quilombos.
Sem dúvida uma sobrevivência sofrida, mas com vitórias. Diante da resistência tornou-se
impossível para o governo brasileiro não responder às demandas desse movimento.
Essa situação foi consolidada a partir da afirmação da ação coletiva expressa na realização do I
Encontro Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, realizado em novembro de 1995. As Comunidades Negras Rurais Quilombolas alteraram a capacidade de mobilização regionalizada exercitada nas últimas décadas colocando a problemática do negro do meio rural como questão nacional.
Como mecanismo de organização constituíram a Coordenação Nacional de Quilombos /CONAQ. A CONAQ foi criada em maio de 1996, em Bom Jesus da Lapa/Bahia, durante reunião de avaliação do I Encontro Nacional de
Quilombos. É uma organização de âmbito nacional que representa os quilombolas do Brasil. Dela participam representantes de comunidades de 22(vinte e dois) estados da federação.

TV Povos do Mar: Quilombos Urbanos







Fonte: You Tube

Na estante do CEN: Guia de Políticas Públicas de Juventude



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Fonte: juventude.gov.br

Conjuve: Boletim eletrônico da Juventude - Edição nº 005/01



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Fonte: juventude.gov.br

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Aberto o curso de Jornalismo de Políticas Sociais da UFRJ

Inicia no próximo dia 09 de Março, ocorrendo sempre às segundas, das 9h30m às 13h, o Curso de Extensão Jornalismo de Políticas Públicas Sociais-JPPS, criado em 2007/1 pelo Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON.ECO.UFRJ em convênio com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância-ANDI, e que ocorre no Auditório da Central Multimídia da Escola de Comunicação da UFRJ, no Campus UFRJ da Praia Vermelha.

Formado por palestras, mesas-redondas e dinâmicas presenciais (classe e extra-classe) e virtuais de agregação solidária de rede, este curso de ponta é gratuito e objetiva contribuir para o salto qualitativo do ensino de Jornalismo e de Comunicação, bem como formação continuada de jornalistas e comunicadores profissionais e lideranças, através de profunda e diversificada reflexão e prática pró-ativas sobre os diversos aspectos que envolvem e fundamentam a cobertura das políticas públicas sociais em geral e de políticas para a infância e adolescência em particular, de maneira a fazer avançar em rede, e portanto de maneira coletiva, o vigor das políticas públicas.

São os seguintes os palestrantes e participantes das mesas-redondas desta quinta edição: Heloísa Buarque de Hollanda, Marcus Vinicius Faustini, Giuseppe Cocco, Gustavo Barreto, Rita Freire, Adriano Belisário, João Roberto Ripper, Guillermo Planel, Renata Souza, Cláudia Santiago, Maurício Hora, Oona Castro, Ronaldo Lemos, BNegão, Cláudia Verde, Flávia Oliveira, Antonio Góis, Carmen Lozza, Evandro Vieira Ouriques, Veet Vivarta (a confirmar), Jacinta Rodrigues, Guilherme Canela, Bia Barbosa, Leonardo Mello, Cristina Rego Monteiro da Luz, Sandra Korman, Isabella Henriques, Regina de Assis, Lia Diskin (a confirmar), Deodato Rivera, Giancarlo Summa, Ladislau Dowbor, Lúcia Araújo (a confirmar), Suzana Blass e Rosa Alegria.

As pessoas interessadas em participar do Curso precisam ser jornalistas, comunicadores, lideranças sociais e organizacionais e estudantes de áreas conexas, como Ciências Humanas e Sociais, bem como cidadãos dedicados a aprofundar suas experiências de vida e carreira, desde que comprometidas com o vigor do "espírito público", de maneira a que aprofundem a contribuição que já vêm dando através da sua atual preatica profissional e/ou social para a construção responsável, no presente, de um futuro sustentável para este País e para o mundo.
Os interessados podem escrever para o Prof. Evandro Vieira Ouriques, coordenador-geral do Curso e do NETCCON.ECO.UFRJ (evouriques@terra.com.br), com cópia para monitora do mesmo, Deborah Rebello Lima (deborahrebellolima@hotmail.com) solicitando a Ficha de Inscrição, que deverá ser devolvida, para estes dois e-mails, preenchida, juntamente com cópia do Curriculum Vitae. Haverá uma seleção com base nas informações prestadas. Os selecionados participam do Curso e passam a integrar a Rede JPPS, perene, colaborativa e solidária, que continuará a trocar experiências, conhecimentos e experiências e que hoje já com cerca de 450 jornalistas, comunicadores e lideranças sociais e organizacionais.

Maiores informações podem ser obtidas diretamente com o Prof. Evandro Vieira Ouriques pelo cel. 21.9205.1696.

Programação do Curso de Extensão
Jornalismo de Políticas Públicas Sociais-JPPS

Uma realização do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON.ECO.UFRJ e da
Agência de Notícias dos Direitos da Infância-ANDI
Coordenador-geral: Prof. Dr. Evandro Vieira Ouriques
Coordenador do Núcleo de Qualificação e Relações Acadêmicas da ANDI: Fábio Senne
Assistente de Mediação para a Rede JPPS: Luiz Fernando Dudu Azevedo
Monitora: Deborah Rebello Lima
Horário: Segundas-feiras, das 10h às 13h
Local: Auditório da Central de Produção Multimídia-CPM-Escola de Comunicação-UFRJ, Campus UFRJ da Praia Vermelha
Gratuito


09.03
Palestra e Dinâmica da Rede JPPS
1. Interesse, Poder e Dádiva: a Questão dos Estados Mentais e da Generosidade no Vigor das Políticas Públicas Sociais
Evandro Vieira Ouriques (Coordenador do NETCCON. ECO.UFRJ)
2. Primeira Dinâmica de Rede


16.03
Palestras
1. A Palavra como Inclusão: o Caso da Literatura Marginal
Heloísa Buarque de Hollanda (Coordenadora do PACC.UFRJ)
2. A Rua como Espaço de Comunicação e de Educação: a Experiência no Território de Nova Iguaçu
Marcus Vinicius Faustini (Secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu)


23.03
Palestra e Dinâmica da Rede JPPS
1. A Nova Relação entre Cidadania e Trabalho
Giuseppe Cocco (Professor da UFRJ)
2. Segunda Dinâmica de Rede


30.03
Mesa-Redonda e Dinâmica da Rede JPPS
1. Como Construir uma Mídia Livre Aliada das Políticas Públicas
Gustavo Barreto (Consciencia.Net e Fazendo Media),
Rita Freire (Ciranda Internacional de Informação Independente) e
Adriano Belisário (Coletivo Submidiologia)
2. Terceira Dinâmica de Rede


06.04
Mesa-Redonda
Comunicação Popular e Anti-hegemônica e Políticas Públicas
João Roberto Ripper (Fotógrafo, Observatório de Favelas),
Guillermo Planel (Documentarista, Ponto de Equilíbrio Imagens),
Renata Souza (Coordenadora do Jornal O Cidadão, Maré),
Cláudia Santiago (Coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação) e
Maurício Hora (Fotógrafo, Morro da Providência)


13.04
Mesa-Redonda e Dinâmica da Rede JPPS
1. A Conferência Nacional de Comunicação e a Construção Coletiva de Políticas Públicas
Oona Castro (Coordenadora-executiva, Instituto Overmundo),
Ronaldo Lemos (Diretor, Centro de Tecnologia e Sociedade-FGV),
BNegão (Músico, Bnegão e os Seletores e Frequência e ex-Planet Hemp) e
Cláudia Verde (ComunicAtivistas)
2. Quarta Dinâmica de Rede


27.04
Palestras
1. O Paradigma do Desenvolvimento Humano como Orientador da Cobertura
Flávia Oliveira (Colunista, O Globo)
2. A Cobertura das Políticas Públicas Sociais na Área da Educação no Brasil
Antonio Góis (Repórter, Folha de São Paulo)
3. O Jornal na Educação: limites e possibilidades
Carmen Lozza (Diretora, Leitores e Leituras)


04.05
Palestras
1. Título a definir
Veet Vivarta (Secretário-executivo, ANDI) a confirmar
2. Jornalismo e Transformação da Realidade: a Questão da Comunicação como Projeto Social
Jacinta Rodrigues (Coordenadora de Mobilização Comunitária, Canal Futura)
3. Comunicação, Palavra e Políticas Públicas: a Importância do Conceito Envolvimento para a Construção da Cidadania
Sustentável
Evandro Vieira Ouriques (Coordenador do NETCCON.ECO.UFRJ)


11.05
Palestras
1. A Mídia e as Políticas Públicas Sociais
Guilherme Canela (Coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO-Brasil)
2. O Direito à Comunicação e o Avanço da Democracia no Brasil
Bia Barbosa (Intervozes)


18.05
Palestras
1. Orçamento Nacional e a Formulação das Políticas Públicas Compensatórias
Leonardo Mello
2. Pauta Jornalística: um Espelho a ser Desembaçado
Cristina Rego Monteiro da Luz (Coordenadora do Ciclo Básico-ECO.UFRJ e pesquisadora do NETCCON.ECO.UFRJ)
3. Projetos Profissionais de Jovens de Classe Média Alta e a Possibilidade de um Destino Comum
Sandra Korman (Coordenadora da Graduação em Comunicação Social-PUC.Rio e pesquisadora do NETCCON.ECO.UFRJ)


25.05
Palestras
1. Porque a Publicidade para Crianças deve ser Proibida
Isabella Henriques (Coordenadora Geral do Projeto Criança e Consumo, Instituto Alana)
2. Mídia e Educação: Responsabilidades Compartilhadas na Avaliação das Políticas Públicas
Regina de Assis (Professora da PUC.Rio e da UERJ)


01.06
Palestra e
Dinâmica da Rede JPPS
1. A Força Política da Não-Violência e a Responsabilidade dos Comunicadores
Lia Diskin (Diretora da Associação e Editora Palas Athena) a confirmar
Interlocutores
Deodato Rivera e Evandro Vieira Ouriques
2. Dinâmica de Rede


08.06
Palestras
1. A Responsabilidade Pessoal e Coletiva dos Comunicadores diante das Mudanças Climáticas
Giancarlo Summa (Diretor do Centro de Informação das Nações Unidas-Rio)
2. A Gestão da Mente Sustentável e o Futuro da Responsabilidade Socioambiental na Mídia
Evandro Vieira Ouriques (Coordenador do NETCCON.ECO.UFRJ)


15.06
Palestra e Dinâmica da Rede JPPS
1. A Crise Financeira sem Mistérios: Convergência dos Dramas Econômicos, Sociais e Ambientais
Ladislau Dowbor (Presidente do Conselho Deliberativo do Núcleo de Estudos do Futuro-NEF.PUC.SP)
2. Quinta Dinâmica de Rede


22.06
Palestras
1. Perspectivas para as Políticas Públicas e o Desenvolvimento Socioambiental no Novo Currículo de Jornalismo
Lúcia Araújo (Gerente-geral do Canal Futura) a confirmar
2. A Responsabilidade Social do Jornalista no Exercício da Profissão
Suzana Blass (Presidente do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro)


29.06
Palestra e Dinâmica da Rede JPPS
1. Jornalismo Prospectivo: o Futuro das Políticas Públicas como Pauta
Rosa Alegria (Millenium Project-WFUNA; NEF.PUC.SP e NETCCON.ECO.UFRJ)
2. Sexta Dinâmica de Rede e Recomendações Finais
Evandro Vieira Ouriques (Coordenador do NETCCON.ECO.UFRJ)

Fonte: Revista Viração

Na videoteca do CEN... Vídeo Aula da FTU sobre Religiões Afro-Brasileiras



Vídeo Aula 017
Tema: Religiões Afro-Brasileiras - Interação das três matrizes formadoras do povo brasileiro e da Umbanda. Prof. F.Rivas Neto (Pai Rivas - Fundador da FTU - Faculdade de Teologia




Fonte:

Miriam Leitão comenta as prioridades de Obama no orçamento de 2010

II Espelho Atlântico: Mostra de cinema da África e da Diáspora - Caixa Cultural / RJ

Em parceria com o African Film Festival, de Nova York, a mostra traz um panorama contemporâneo de filmes que refletem a herança do continente africano.

A II Espelho Atlântico - Mostra de cinema da África e da Diáspora, com direção geral da cineasta Lilian Solá Santiago, traz mais uma vez ao Rio de Janeiro sua primorosa seleção de filmes africanos e da diáspora negra.

A mostra proporcionará uma abordagem atual e significativa tanto da produção cinematográfica africana contemporânea quanto a realizada fora do continente, mas que dialoga diretamente com a herança cultural do continente africano.

Para a curadoria dos filmes internacionais a Mostra conta com a parceria da organização sem fins lucrativos AFF - African Film Festival, que contribui para a realização de importantes eventos culturais internacionais, todos de divulgação do cinema africano e da diáspora. Entre esses eventos, podemos destacar a realização do festival de cinema FESPASCO - Festival PanAfricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou, o mais importante do continente africano, em Burkina Faso, e do Sidney African Film Festival, na Austrália.

A II Espelho Atlântico - Mostra de cinema da África e da Diáspora será uma oportunidade única de assistir a importantes títulos de um acervo praticamente inédito no Brasil, capaz de fomentar discussões e ampliar nosso conhecimento da diversidade cultural do vasto continente africano e de seus descendentes pelo mundo, propondo um novo caminho para a leitura e identificação com a identidade africana por parte do público brasileiro.

SINOPSES

Dia 03

O jardim de outro homem (ficção)
Direção: João Luis Sol de Carvalho (Moçambique/ Portugal/ França, 2006, 80 min.) Maior produção cinematográfica moçambicana realizada até agora, "O Jardim de outro homem" retrata o cotidiano de uma jovem estudante que enfrenta muitas dificuldades para realizar seu maior sonho: tornar-se médica. Na trama, Sol de Carvalho também denuncia a presença da Aids na sociedade local. Indicado ao 3º Cineport, em 2007, na categoria melhor filme.

Cabo Verde, meu amor (ficção)
Ana Lisboa (Portugal/ França/ Cabo Verde, 2007, 76 min.)
A condição feminina em Cabo Verde na atualidade é o foco principal deste primeiro longa metragem da cineasta Ana Lisboa. Falado em crioulo cabo-verdiano, foi totalmente rodado na Cidade da Praia com um vasto elenco de atores amadores. Primeiro filme realizado e produzido em Cabo Verde, por cabo-verdianos.

Dia 04

Bafata Blues (documentário)
Direção:Babetida Sadjo (Guiné Bissau, 2007, 26 min)
Em dezembro de 2004, Babetida volta ao país pela primeira vez desde 8 anos, após viver 13 anos em vários lugares da África, 4 anos no Vietnã e residir na Bélgica, desde 2000. Ela reencontra uma aldeia, um passado, uma família. O filme retrata de modo intimista esse reencontro com seu país de origem, comentado sobre a forma de um livro de viagens.

O Comboio da Canhoca (ficção)
Direção: Orlando Fortunato (Angola/ Portugal / França/ Tunísia/ Marrocos, 2005, 90 min.)
O filme descreve a luta pela sobrevivência de um grupo de angolanos detidos pelas autoridades coloniais portuguesas na província de Malanje. Durante cinco dias, os homens detidos são esquecidos no vagão e chegam a se acusar de traição e morte.

Dia 05

Ossudo (animação)
Direção: Júlio Alves (Portugal, 2007, 14 min.)
Baseado no conto "Ossos", do famoso escritor moçambicano Mia Couto, este filme é uma história de amor entre duas pessoas desamparadas. Participou de mais de vinte festivais pelo mundo. Recebeu, entre outros, o Troféu de Melhor Filme Português e o Troféu Ouro Animação no 36º Festival Internacional do Algarve.

Cinderelas, lobos e um príncipe encantado (documentário)
Direção: Joel Zito Araújo (Brasil, 2008, 107 min.)
O filme vai do nordeste brasileiro a Berlim, buscando entender os imaginários sexuais e raciais de jovens, que se arriscam num caminho até a Europa, para mudar de vida ou encontrar seu príncipe encantado, e que compõem uma realidade de 900 pessoas traficadas para fins de exploração sexual e 1,8 milhões de crianças vítimas de pornografia e turismo sexual.

Dia 06

O som e o resto (ficção)
Direção: André Lavaquial (Brasil, 2007, 23min)
Jahir é um virtuoso baterista carioca que toca numa banda evangélica. Ao se indispor com o pastor da igreja, se vê sozinho na rua com seu instrumento e inicia uma jornada existencial rumo à sua música. Participou de importantes festivais internacionais e, em 2008, foi o único curta-metragem brasileiro a conquistar uma vaga do Festival de Cannes, na seção Cinéfondation.

Cariocas (documentário)
Direção: Ariel de Bigault (França, 1989, 57 min.)
"Cariocas" mostra diversas facetas do samba no Rio de Janeiro. Grande Otelo, nos guia ao encontro dos grandes músicos da cidade. Realizado originalmente para a TV francesa, conta com importantes depoimentos de Martinho da Vila, Paulo Moura, Velha Guarda da Portela, Nelson Sargento, Wilson Moreira, e Joel Rufino dos Santos.

Dia 07

Doze discípulos de Nelson Mandela (documentário)
Direção: Thomas Allen Harris (EUA/ África do Sul, 2005, 75 min.)
O filme mostra o encontro de 12 amigos que deixaram a cidade de Bloemfontein (África do Sul) nos anos 60 para montar o Congresso Nacional Africano com Nelson Mandela. Com entrevistas, material de arquivo e reconstituições dramáticas, Harris recria essa importante história. Vencedor do Festival de filmes de Pan Africanos de Los Angeles, na categoria melhor documentário, em 2006.

Adeus, até amanhã (documentário)
Direção: Antonio Escudeiro (Portugal/ Angola, 2007, 60 min.)
Antonio Escudeiro é conhecido com diretor de fotografia. Forçado a sair de Angola contra sua vontade, a volta só acontece trinta e dois anos mais tarde. O filme é uma viagem pelo tempo, pelas belas paisagens da África e pelas recordações do diretor. Selecionado para a competição o último DocLisboa - Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa.

Dia 08

Graffiti (ficção)
Direção: Lílian Solá Santiago (Brasil, 2008, 10 min.)
São Paulo é a cidade mais grafitada do mundo. "Graffiti" acompanha o rolê solitário de Alê numa das noites mais sinistras que essa cidade já viveu. O que o move a enfrentar as ruas nessa noite? Ganhador do Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem (2006), do Governo do Estado de São Paulo, o filme é a estréia na ficção desta premiada documentarista. Com Sidney Santiago e Chico Santo.

Esperando os homens (ficção)
Direção: Katy Lena Ndiaye (Senegal/ Mauritânia/ Bélgica, 2007, 56 min.)
Em Hassania, no abrigo de Oualata, uma cidade vermelha na fronteira distante do deserto de Sahara, três mulheres praticam pintura tradicional decorando as paredes da cidade. Em uma sociedade dominada pela tradição, pela religião e pelos homens, estas mulheres expressam-se livremente, discutindo o relacionamento entre homens e mulheres. Presente em mais de 20 festivais internacionais.

CONCEPÇÃO E COORDENAÇÃO GERAL

Lilian Solá Santiago, cineasta premiada no Brasil e no Exterior, têm entre seus trabalhos mais recentes o filme curta-metragem "Graffiti" (2008), ganhador do Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem de São Paulo, que também está presente na Mostra. Seu documentário "Balé de Pé no Chão - a dança afro de Mercedes Baptista" (2006, com Marianna Monteiro) recebeu, entre outras importantes premiações, o prêmio de Melhor Documentário no I Festival de Cinema Brasileiro de Hollywood (fev/2009). Lilian também produziu e dirigiu o premiado filme documentário "Família Alcântara" (2004, com Daniel Santiago) e, como produtora executiva e assistente de produção, colaborou em vários filmes da retomada do cinema brasileiro, como "Latitude Zero", de Toni Venturi, "Ed Mort" de Alain Fresnot, "Os Matadores", de Beto Brant, entre outros.

Historiadora e Mestre em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo, têm atuado como docente de produção e direção audiovisual em importantes instituições educacionais.

Em 2006, ganhou o prêmio "Zumbi dos Palmares", conferido pela Assembléia Legislativa de São Paulo e o "Prêmio Cooperifa", da Cooperativa Cultural da Periferia, por sua destacada atuação artística em projetos que resgatam e revelam importantes facetas da cultura afro-brasileira e da diáspora.
Fonte: Ìrohin

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Músico Duke Ellington é o primeiro negro em uma moeda americana


O músico americano Duke Ellington, um dos grandes nomes da história do Jazz, terá sua figura estampada nas moedas de US$ 0,25, tornando-se o primeiro negro retratado no dólar.

O diretor da Casa da Moeda dos Estados Unidos, Ed Moy, apresentou hoje em entrevista coletiva no Museu de História Americana, em Washington, a nova moeda de US$ 0,25 dólar, em que o astro do jazz aparece ao lado de seu inseparável piano.

"Assim como outros grandes americanos que tiveram sucesso no que fizeram com dedicação, Duke Ellington se destacou pelo talento, trabalho duro, paixão e perseverança", comentou Moy.

A moeda de US$ 0,25 (conhecida como "quarter" nos Estados Unidos) representará os cidadãos do Distrito de Columbia, que fizeram uma votação para definir quem estaria nela. Além disso, será colocada a frase "justiça para todos".

Na verdade, os cidadãos do Distrito queriam que fosse o termo "impostos sem representação", protestando porque o Distrito não tem um representante no Congresso com direito a voto.

Edward Kennedy Ellington nasceu em 29 de abril de 1899 na cidade de Washington. Ele viveu a época dourada do jazz, dividindo palco com outros grandes nomes como John Coltrane, Louis Armstrong e Ella Fitzgerald.

Na carreira, ele levou 13 prêmios Grammy e compôs mais de 3000 músicas, sendo algumas das mais famosas "It Don't Mean a Thing if It Ain't Got That Swing", "Sophisticated Lady", "Mood Indigo", "Solitude", "In a Mellotone" e "Satin Doll".

O músico recebeu prêmios como a Medalha da Liberdade, em 1969, das mãos do presidente Richard Nixon, e a Legião de Honra, mais alta distinção do Governo francês. Ele morreu em 24 de maio de 1974 em Nova York, vítima de um câncer de pulmão e pneumonia.
Fonte: Yahoo

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"A gente precisa democratizar a alegria"


O pesquisador Jaime Sodré sabe tudo de Carnaval e fala com gosto sobre a tema. Leia o que ele pensa sobre alguns dos artistas que comandam a festa:

ILÊ AIYÊ
Quando o Ilê Aiyê adota uma estratégia de fazer com que para sair no bloco tem que ter vinculação etnica, durante esse período que ninguém acreditava no Ilê como esse sucesso, nenhum branco se atreveu a sair no Ilê Aiyê. Quando o Ilê passou a ser uma vitrine, aí o branco quer participar. Mas vai participar num momento em que não ajudou a construir. Na hora que tá chupando osso, ninguém tá apoiando. Na hora que vira uma referência, todo mundo quer estar de braço dado com o negão. Quando o Ilê fez essa opção por epiderme, é que eles utilizam temas africanos. E é uma pantomima pública. Ficaria muito difícil um branco representar um escravo africano. É uma aberração histórica. O Ilê procurou coerência e abrir espaço para um grupo que estava excluído. Aí diz que é racismo ao contrário. E se um negão, um tinta forte, sair no chamado bloco de gente bonita? Só tem duas razões pra ele sair ali. Ou o bloco quer dar uma demonstração de que democracia racial, numa relação vergonhosa de 100 contra 1 - mas tem um ali! - ou sai aquele que tem maior poder aquisitivo. Vamos deixar de ser cínicos. Nas sutilezas, cada um procura sair com seu igual. E o Ilê chamou atenção para isso, mas os que criticam, não apresentaram nenhuma solução. Continua tendo escola particular, condomínio fechado, festa privê, arquibancadas e camarotes. E a gente tá onde? Tá embaixo. O Ilê se defende dessa forma. E não é racista porque o próprio Caetano saiu no Ilê. Agora vamos pra Central do Carnaval e determinado sujeito quer comprar uma fantasia de bloco sai do chão. O cara que comprar dois abadás do bloco tal tem direito a um do Ilê. Será que o pessoal vai querer? E o contrário. Quem comprar do bloco afro vai ter direito a um sai do chão. Você vai ver que não vai dar certo. Se morar na Sussuarana ou no Nordeste de Amaralinha, dizem logo que está tudo cheio. A grande habilidade do outro lado é ainda botar o racismo como se fosse coisa nossa. Além de a gente tomar chicotada, ainda é altamente auto-suicida.

FILHOS DE GANDHY
No tempo que eu saí tinha uma unidade que era a dos lanceiros. Eram senhores já idosos que iam com uma lança, uma vara, e se você cometesse qualquer tipo de indisciplina ele batia com a vara e falava "saia". Rasgava sua carteira, tirava sua roupa e você não entrava mais no bloco. Não tinha cachaça nem tinha mulher. Eu tocava em cima do trio, era alabê, mas olhava as meninas que eu não sou de ferro. [Lúcia, sua mulher, interrompe: "Isso foi no passado"]. E os colares que se usava não era para dar pra senhor ninguém, porque os colares eram de santo, cada um com sua religiosidade ali. O que aconteceu? O Gandhy começou a ter uma característica diferenciada: a dignidade do seu traje, o torso bem feito na cabeça, que todo negão ficava bonito. Antes saia com uma tamanquinha, não era sandália. Quando chegava em casa os pés estavam todos estourados. Não era o torso, era um lençol na cabeça, como uma cebola... Depois que mudou. Sabe como é que saía no Gandhy? Se eu, associado, te convidasse. E se essa pessoa se portasse mal, nós dois saíamos. Então qual era o número que Gandhy saía? Mil pessoas, setecentas, mil e quinhentas. Quase todo mundo se conhecia. E se você se portasse mal, ainda vinha a queixa pra sua casa de candomblé. E a casa chamava. Era uma representação da dignidade do povo de santo, que mostrava que podia sair na rua. De repente, o Gandhy começou a atrair pessoas que não são da religião. Essas pessoas não têm disciplina. Alguns velhos fundadores começaram a discordar disso. Mas como negar de uma pessoa sair no bloco? Porque já não era mais aquela história de um apresentar o outro. Aí o conjunto foi inchando, o bloco virou um mito. Tem estrangeiro que pega um avião, sai no Gandhy e volta pra sua terra. Quem saía no Gandhy era uma faixa etária mais coroa, e depois veio o fascínio da juventude, porque as mulheres começaram a ficar [gesticula indicando alvoroço]. O perfil étnico do Gandhy começou a mudar. Artista de televisão, estrangeiros saiam no Gandhy... Os lanceiros foram extintos, muitos morreram, as pessoas mais antigas deixaram de sair... Começou a ter uma juventude que se integrou no carnaval moderno. E a concepção do carnaval moderno é clientela. Tem que pagar os custos. Quanto mais associados tiver, melhor... Nesse momento se abriu a porta. Aí saem pessoas que não têm consciência do que o Gandhy representa como agente da paz e como representatividade das casas de candomblé, mostrando que temos dignidade. Aí as meninas ficam trocando beijo por colar.
Clique aqui para ler na íntegra.

Fonte: A Tarde

Em Recife, Noite dos Tambores Silenciosos renova compromisso com luta dos negros


Recife - O silêncio e a escuridão marcaram a meia-noite da terça-feira de carnaval, quando os tambores das 23 nações de maracatu de baque virado calaram-se para homenagear os antepassados negros do povo pernambucano. Apagaram-se as luzes no pátio da Igreja do Terço.

O espaço é simbólico. Foi usado para a comercialização, castigo e até mesmo sepultamento dos que foram escravizados na África e trazidos para Pernambuco. Hoje, reis, damas e batuqueiros recriam a corte real em um dos momentos mais especiais do carnaval de Recife: a Noite dos Tambores Silenciosos.

Nem a chuva torrencial que alagou as ruas do bairro São José afastou foliões, religiosos, líderes sociais e políticos. No Pátio do Terço, em meio a construções coloniais e abandonadas, eles renovaram o compromisso com a luta dos negros, que ainda enfrentam preconceito e segregação.

Cerca de 20 mil pessoas se uniram à meia-noite para ouvir o babalorixá Raminho de Oxóssi reger o coro de mães-de-santo que rezam com ele aos antepassados, evocando ancestrais das nações nagô. Robson Oliveira recebe a benção do babalorixá há 10 anos. Ele faz parte do Maracatu Axé da Lua e representou este ano as baianas no bloco da nação.

“Os maracatus de baque virado se reúnem e fazem uma louvação evocando a alma desses ancestrais para que eles tenham o descanso eterno e nos abençoem pelo restante do ano. Todo ano eu venho, não perco por nada nesse mundo. Tenho uma sensação de dever cumprido por estar reverenciando os antepassados. Isso também é uma forma de demonstrar respeito, além de participar da cultura”, disse ele.

O pátio onde se realiza a Noite dos Tambores Silenciosos, durante o carnaval, recebe o nome de Pólo Afro Luiz de França, em homenagem a um babalorixá de Olinda que liderou até 1997 a Nação Maracatu Leão Coroado, criada há 146 anos. França lutava contra o racismo em Pernambuco.
Para Vera Barone, da Sociedade de Mulheres Negras de Pernambuco Uiala Mukaji, essa luta ainda faz muito sentido. Na noite dos tambores, ela rezou, mas também denunciou casos de intolerância em Recife.

“A gente aqui em Recife e em Olinda vive muitos casos de intolerância. Seja cultural, seja racial, seja religiosa. Então, agora mesmo, estou sabendo que em uma igreja católica do bairro da Mangueira, aqui em Recife, tem uma missa chamada Missa dos Anjos, e o padre, de uma certa maneira, impede que as pessoas vestidas de branco participem, por entender que aquela missa é só para cristão e não para quem é do candomblé”, afirmou Vera.

“Nós entendemos que todos os templos religiosos devem estar abertos para quem tem fé e para quem não tem. Vai ser mais uma ação que precisaremos fazer nos próximos dias para fazer valer a liberdade de crença e culto.”

Segundo o prefeito de Recife, João da Costa, o governo local tem atuado no sentido de garantir a promoção da igualdade racial. Uma diretoria para tratar do assunto funciona na Secretaria de Assistência Social.

Políticas de combate ao racismo institucional na saúde, por exemplo, têm sido elogiadas pelo movimento social negro, que também reivindica a criação de uma secretaria específica de políticas de promoção da igualdade racial. O prefeito afirma que essa estrutura pode ser discutida.

“Nossa preocupação é formular políticas e que essas políticas sejam transversais e tenham eficiência e produzam resultados na melhoria de qualidade de vida do povo. A estrutura para isso funcionar é sempre uma possibilidade que pode ser discutida”, disse João da Costa.

As nações de maracatu atuam não apenas no carnaval. Elas são ponto de referência para as comunidades. Promovem cultos religiosos e oferecem cursos de música para jovens e crianças. Os integrantes das nações são considerados exemplos a serem seguidos. Que o diga o artista popular Sandro José Feitos, rei da nação de maracatu mais antiga, a Maracatu Elefante. Ele lidera uma nação de 209 anos.

“Ser o rei da nação é seguir a tradição. Essa noite dos tambores representa uma celebração muito importante contando a história dos negros, dos africanos, que não tinham direito a uma igreja, nem para tomar banho, dormir e descansar em paz. Por isso ficou marcada essa data. Para mim é uma honra estar aqui.”

Fonte: Agência Brasil





Nos bastidores do carnaval da Bahia nada é festa

Escrito em Fev/2007...

É carnaval em Salvador! Hoje as chaves da cidade serão entregues ao Rei Momo que, por quase uma semana, comandará os festejos carnavalescos que reforçarão a imagem da cidade como a capital nacional da alegria e das festas de rua. Os bastidores, no entanto, mostram que a coisa não é bem assim.
Chegar a Salvador nestes dias é, antes de tudo, realizar uma grande imersão na tão louvada, cantada e propalada negritude da primeira capital do país. De fato, é em Salvador que se concentra a maior população negra do Brasil. Do aeroporto até o subúrbio, em prédios, placas de anúncio, postes e outros espaços o que se vê são as belíssimas fotos de Sérgio Guerra homenageando negras e negros do candomblé, do campo popular, as baianas, os trabalhadores. De fato uma bela homenagem. Para realizá-la Sérgio Guerra contou com o apoio de quase três milhões de reais da empresa pública Petrobrás. Os negros, sem dúvida, agradecem a bela homenagem.
Um olhar um pouco mais atento, entretanto, perceberá que tirante o fato de os negros estarem retratados nestes e noutros espaços eles não se encontram nas chamadas esferas de poder da capital baiana. Visitar secretarias, participar de programas de televisão, realizar reuniões com representantes do poder público me fizeram perceber que os negros na Bahia não decidem por si. Os brancos fazem isso.
A Bahia é um estado interessante. Contando com a maior população negra do país este que é o quarto maior estado da Federação em importância política e econômica elegeu apenas um parlamentar negro para a Câmara dos Deputados. Este, no entanto, movido por razões tão sofisticadas que fogem completamente à minha compreensão preferiu, no entanto, deixar a possibilidade de, no parlamento tornar-se uma voz nacional dos negros brasileiros, para assumir uma secretaria de pouca visibilidade política, nenhum recurso e com pouquíssimo poder de ação.
É a negra Bahia que elege aquele que talvez seja o único governador de olhos verdes no país. É a sincrética Salvador que elege um prefeito evangélico enquanto a Igreja Universal comanda ataques a terreiros de candomblé. É neste lugar que é mais visível o apartheid sócio-racial brasileiro e se percebe o quanto o racismo é institucionalizado e as relações verticalizadas.
Mas é carnaval e é dele que estamos falando! Eu não estou em Salvador à toa e nem mesmo a passeio. Pela primeira vez em minha vida uma organização do Movimento Negro me convidou para trabalhar com ela e é pela sua proposta e concepção política que não só aceitei o trabalho como, pela primeira vez, estou tendo a possibilidade de assistir e participar do nascimento de uma nova forma de se fazer militância política no campo das relações étnico-raciais brasileiras.
O Coletivo de Entidades Negras (CEN) surgiu dois anos atrás com a perspectiva de agregar em torno de si a juventude, as mulheres, as religiões de matriz africana e grupos culturais distintos tais como os blocos, afoxés entre outros. O CEN é entidade de base. Realiza semanalmente uma bagunçada assembléia onde, freqüentemente, gritos e manifestações de apoio ou censura podem soar ao incauto como a iminência de uma batalha física entre seus membros. Mas não é! Na verdade o que ocorre é que ao dar voz àqueles que não tem voz, o Coletivo de Entidades Negras é o espaço para o surgimento das mais distintas demandas. É onde aqueles que nunca puderam nem mesmo olhar para cima são tratados com extrema dignidade e respeito. Isso faz a diferença na postura, na forma de ver o mundo e na atuação política. Dois anos atrás algumas das entidades membros do CEN não tinham perspectiva alguma. Hoje, a noção de pertencimento fortalece umas as outras e isto causa grande temor nos brancos e verdadeiro terror em negros que se acostumaram a ser os porta-vozes da negritude baiana nos últimos 30 anos.
As camadas formadoras do carnaval da Bahia
É carnaval em Salvador! O carnaval em Salvador é formado por muitas camadas. As mais visíveis são aquelas que fazem a alegria dos paulistas e cariocas endinheirados; são transmitidas ao vivo e em cores pelas emissoras de TV mundo afora; reforçam a noção de país dividido racialmente quando de um lado das cordas estão os brancos festivos que compram seus abadás por até dois mil reais, e do lado de fora os pobres pretos, pardos, mulatos, cafuzos e confusos foliões que enfrentam a truculência dos cordeiros (homens e mulheres que trabalham para ganhar em média 15 reais por dia, para garantir a tranqüilidade momesca dos brancos endinheirados) e a violência gratuita da Polícia Militar ? uma das mais violentas do país ? dirigida sempre aos negros.
A outra camada é formada por gente comum e não celebridades artificiais ou não. São pessoas que há 20, 30, 40 anos e até mais que isso, realizam os carnavais de rua, mobilizam suas comunidades, embutem nesta ação uma série de trabalhos sociais e atingem o ápice de sua atuação no período das festas carnavalescas. Para estas pessoas e grupos o carnaval não é festa pura e simplesmente. É um pouco da projeção dos desejos e sonhos. É a coroação de um ano inteiro de trabalho que é todo canalizado para este momento. Este povo, no entanto, que atua cotidianamente com os negros e as negras pobres de Salvador que os homenageiam diuturnamente não recebem um tostão furado da Petrobrás. Na verdade, muitos deles nem sabem que a Petrobrás costuma financiar algumas atividades, principalmente aquelas que são realizadas por amigos que têm amigos nos lugares certos.
Estas pessoas e grupos ? e quando falo pessoas e grupos é que porque muitas das vezes as histórias se confundem, em alguns casos estabelece-se uma relação dinástica em que os filhos herdam dos pais os trabalhos sociais que eram desenvolvidos e sua manutenção passa a ser uma atividade da família -, realizam grande parte de suas atividades sem nenhum tipo de apoio durante todo o ano. No entanto, ao aproximar-se o carnaval todos sabem que a prefeitura e o governo do estado irão aportar algum tipo de recurso para que o carnaval de Salvador se realize. É neste momento que começam uma série de movimentos.
O carnaval de Salvador é diferente do restante do país! Não só por suas características musicais e estruturais, mas também da forma com que ele se relaciona com a cidade e com suas bases sociais. O carnaval não é apenas um evento. Ele é ao mesmo tempo ponto de partida e de chegada. Ele é início e fim de vários processos. Para os movimentos sociais é o momento de cumprir compromissos assumidos e começar a pensar nos próximos. Ao sinalizar com alguns recursos a prefeitura e o governo do estado autorizam estas entidades a contratarem fornecedores, projetarem custos, planejar atividades. Há décadas isto é feito. E há décadas as organizações de base sofrem cotidianas humilhações para realizar seu carnaval.
A liberação dos recursos não é coisa fácil. Á medida em que o carnaval se aproxima os acordos vão sendo sistematicamente alterados. Os interlocutores do poder publico alternam-se em explicações ? sempre uma diferente da outra ? e ao término de tudo, os recursos quase sempre são menores do que o previsto e as entidades já partirão da quarta-feira de cinzas endividadas e com isso fortalecerão o círculo vicioso que faz desta prática uma das maiores indecências nas relações políticas constituídas no país, mas que é pensada para ser exatamente assim. Afinal enquanto os miseráveis se mantiverem miseráveis, disputarão entre si as migalhas que lhes forem atiradas.
O pesado jogo de disputa e poder
O carnaval de Salvador não é brincadeira para crianças pequenas. É um jogo poderoso, pesado e até mesmo violento. Ao fim de um dia de negociações com o poder público onde o cinimo, o mau-caratismo e a sensação de que eles tudo podem porque são os brancos lidando com os negros semi-analfabetos, empobrecidos e desesperados, você acaba moído física e emocionalmente. Parece que três brutamontes lhe deram uma sova e um comando torturador de Guantánamo lhe interrogou durante todo o dia. Você fica acabado. Se além disso você é uma pessoa que reflete, que lê as entrelinhas, que envergonha-se de negros que vendem outros negros, a violência então lhe atinge como um soco no estômago, um chute na costela e um monte de tapa na cara.
De fato, o carnaval em Salvador é antes de tudo violento. Mas à noite os artistas brancos e negros estarão pulando como pipoca, animando a maior festa popular da terra, sem saber ou se sabem, ignorando, o verdadeiro massacre pelo qual passam determinados grupos, grupos estes, inclusive, que fazem parte da história pessoal de muitos desses artistas.
Hoje é carnaval em Salvador. Quando o Rei Momo assumir o poder na cidade todas as negociações que foram feitas até aqui para que se liberassem recursos para as entidades de base estarão praticamente suspensas. Quando os recursos forem liberados após o carnaval (se forem) as organizações terão problemas não só para honrar seus compromissos mas também para justificá-los em prestações de contas já que legalmente terão recebido recursos depois que o evento já aconteceu. E à fria luz da lei as mumunhas políticas, as maldades de determinados indivíduos e o racismo subjacente não contam. Mas é disso que estamos falando.
O Coletivo de Entidades Negras até a terça-feira, véspera de carnaval, não tinha um tostão em sua conta, nem mesmo os mais de cem mil que a prefeitura devia do carnaval de 2006, prometeu depositar, mas não havia depositado. O CEN neste processo representa 46 grandes entidades carnavalescas. Outros grupos menores encontram-se na mesma situação e até o momento em que este texto é escrito não haviam visto nem mesmo um documento assinalando a possibilidade de liberação de algum tipo de recurso.
Outros grupos, no entanto, encontram-se em situação privilegiadíssima. Segundo o jornal A Tarde, o Fórum de Entidades Negras (que agrega os grandes e tradicionais blocos afro da cidade), recebeu um milhão da prefeitura mais um milhão e duzentos mil reais da Petrobrás (sempre ela!!). Ou seja, recursos públicos municipais, estaduais e federais que somam 2,2 milhões de reais, vieram para um conjunto de sete blocos. O outro grupo, que congrega 46 grupos nada recebeu. Como diria Caetano Veloso, alguma coisa está fora da ordem.
O jogo é pesado no carnaval da Bahia! O Coletivo de Entidades Negras foi acusado de estar ameaçando determinadas pessoas para obter recursos. Isto foi dito por uma procuradora do Ministério Público quando os representes do CEN foram assinar o Termo de Ajustamento de Conduta. Que por sinal foi exigido ao CEN e não a outros grupos. O que era, na verdade, uma negociação política com a Fundação Palmares, o Ministério da Cultura e o Fórum de Entidades Negras virou, para o denunciante à promotora pública, um caso de extorsão e só não teve conseqüências mais sérias porque ela mesma achou risível que tal tipo de leviandade de um representante deste Fórum fosse levantada de tal maneira. Táticas de espionagem dignas do Agente 86 também são usadas. Tentativas artesanais de gravação de conversas telefônicas, fofocas, disse-me-disse, maledicências de todo o tipo e depois propostas as mais espúrias e feitas na surdina, fazem parte deste enredo.
E para finalizar...
É triste o carnaval em Salvador. É triste e humilhante. Mas não é isto que está posto. O que está posto é que há claramente uma disputa hegemônica. Aqueles que há quase trinta anos colocaram a negritude baiana em outro patamar ao valorizá-la em sua cultura não conseguem perceber a urgência de dar um segundo salto. Se lessem um pouco Charles Darwin saberiam que o processo evolutivo é gradual, mas que em vários momentos ocorrem determinados saltos. É o que está se dando agora na negríssima Salvador. Um segundo salto é necessário e está sendo preparado. Ao invés de apoiarem, estes setores se vêem ameaçados. Ao invés de tornarem-se parceiros tornam-se inimigos. Ao invés de se somarem juntam-se ao real inimigo para evitar que tal salto se dê. Ora, o inimigo do meu inimigo é meu amigo, logo se o meu potencial amigo se junta com meu inimigo, só posso pensar que não tenho amigo nenhum. E é isto que está posto.
O carnaval de Salvador é a ponta do iceberg. É muito mais que festa, trio elétrico, beijo na boca e violência policial. O que ocorre hoje nos bastidores do carnaval da Bahia é uma clara sinalização do que se está construindo no país no momento em que os negros e as negras articulam-se para daqui um ano dizer que projeto político e que projeto de nação querem para o Brasil. Algo de muito sério está ocorrendo em Salvador. Negar este fato é não conhecer a realidade. Torcer o nariz é preconceito e bobagem! Salvador, tal como um farol está apontando caminhos, tanto para o retrocesso quanto para o avanço.
O micro espaço do carnaval da Bahia reflete em síntese como as relações sociais se estabelecem e como é difícil sair da mesmice, apontar caminhos e construir novos paradigmas. Não é fácil. No entanto, o dado da realidade é que o que está acontecendo não é a vontade de meia dúzia de pessoas. Mas uma manifestação de base, com características populares que está tomando forma e que, oxalá, avance no sentido de se constituir como força política transformadora. E, quem sabe, daqui a trinta anos quando outros vierem para sucedê-la, sejam recebidos de braços abertos e não sob a perspectiva cruel e massacrante de outros, como temos visto neste momento.
É carnaval em Salvador. Que 2007 seja o último carnaval da humilhação dos negros. Nelson Mandela diz que o princípio da liderança é ter claro que nada que favoreça o indivíduo pode beneficiar a nação. Este tipo de pensamento é o que deve permear as ações políticas. Não a lógica do favorecimento, dos círculos de amizade, dos acordos subterrâneos. É necessário ter em mente que o carnaval de 2008 será diferente, afinal, inspirados que somos no Fórum Social Mundial, podemos dizer que um outro carnaval é possível. E ouso ir além afirmando que outra Salvador será possível quando os negros saírem da subserviência, da miserabilidade e assumirem o papel que lhes cabe de fato nesta cidade: a condução do seu próprio destino.

Marcio Alexandre M. Gualberto

Coordenador de Política Institucional do CEN.
Marcos Rezende
Coordenador Geral do CEN


De lá para cá, será que alguma coisa mudou?
Que fique a reflexão...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Grupos afro fazem a festa em Salvador

Desfile bem organizado chama atenção para comunidade quilombola


Cavalcante (GO) - Apesar da carência material na área do quilombo Kalunga, o líder da comunidade, Joaquim Moreira Santos, o Mochila, de 65 anos, se diz satisfeito com a visibilidade pública obtida com o movimentado carnaval deste ano na cidade. Com 6 mil habitantes, o Kalunga é o maior quilombo (antiga comunidade formada por escravos fugitivos) do país.

“Até hoje [ontem à noite] nunca tínhamos sido apresentados, agora vamos mais para a frente. Os kalungas estão aprendendo a caminhar com as próprias pernas”, afirmou Mochila, prometendo para o próximo ano um desfile com mais de 200 componentes. O Alegria Kalunga, bloco da comunidade, saiu ontem à noite com 120 foliões.

O agente comunitário Juraci Moreira dos Santos, o Jura, também vibrou com a grande visibilidade que o carnaval proporcionou aos kalungas. “A gente tem qualidade, depende de oportunidade. É a primeira vez que a gente tem oportunidade e tem que aproveitar para mostrar”, contava Jura, que desfilou como mestre-sala do bloco.

Chamou a atenção de Jura e de outros foliões a inédita organização do carnaval de Cavalcante, fruto da colaboração do mais famoso carnavalesco brasileiro, Joãosinho Trinta. Aos 75 anos, Joãosinho Trinta, além do prestígio, emprestou seu talento e orientou os blocos sobre a concepção do desfile, os enredos e alegorias, a decoração da cidade e as fantasias dos passistas.

“Inclusive a minha [fantasia], orgulhava-se a funcionária da prefeitura Uly Freire, porta-bandeira do Bloco Unidos do Lava-Pés, que venceu o carnaval, idealizado pelo vencedor de vários desfiles nos últimos anos no Rio de Janeiro.

O município de Cavalcante, no nordeste de Goiás, foi fundado em 1831 e fica a 300 quilômetros de Brasília. Cerca de 3 mil pessoas foram passar o carnaval na cidade, lotando hotéis e pousadas.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Líder do movimento negro da Bahia alerta para desaparecimento de blocos afro



Salvador - Em meio à grandiosidade do carnaval baiano e à comemoração dos 60 anos do Afoxé Filhos de Ghandy, muitos grupos tradicionais de afoxés, blocos de índios e agremiações de comunidades tradicionais de Salvador desapareceram ou correm o risco de desaparecer, por falta de condições para se sustentar.

Quem faz o alerta é Hamilton Borges, liderança do Movimento Negro da Bahia, que afirma ter visto muitos afoxés se perderem. “Os afoxés, com raríssimas exceções, estão se acabando. Esses grupos não estão suportando a imposição do comércio, do capital investido no carnaval. Mesmo os afoxés que se mantêm por força da comunidade, não estão dando conta de se manter”, alertou.

“Os grupos se mantêm dentro de uma perspectiva comunitária e até os anos 1980 eles se sustentavam com dinheiro dos associados. Saíam com 400 ou 600 pessoas e até com 3 mil pessoas”, destacou Hamilton, que lembrou o Afoxé Badauê, cantado por vários artistas, inclusive na letra de Caetano Veloso: “No Badauê, vira menina, macumba, beleza, escravidão. No Badauê. Toda grandeza da vida no sim/não. No Zanzibar. Uma menina bonita pegou amor em mim. No Zanzibar. Os orixás acenaram com o não/sim”, cantarolou Hamilton, morador do Engenho Velho de Brotas, casa do afoxé que teve um papel revolucionário perante os blocos afro da Bahia, ao afirmar os valores da cultura negra ao descer a Ladeira de Nanã.

O Badauê foi criado em 1978, no dia 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura. “Ele fez 30 anos, mas já não desfila. Agora, as pessoas estão novamente se juntando e vão fazer uma série de eventos para tentar reanimar o bloco”, destacou.

Da mesma forma que o Badauê deixou de desfilar, Hamilton se lembra do Obaxirê, no bairro São Caetano, e o Ébano, que também acabaram se perdendo no tempo. “São afoxés tão importantes quanto esses que fazem sucesso hoje”, ressaltou. Já os afoxés Filhos do Korin Efan e Filhos do Congo, por exemplo, ainda resistem, mas com dificuldades. “Todos os anos eles saem mas de forma precária, com a pior fantasia que se possa imaginar, sem apoio do governo ou de empresas privadas”, lamentou.

A prosperidade experimentada pelos Filhos de Ghandy, na opinião de Hamilton, ocorre pelo fato de o bloco estar ligado aos grandes terreiros de Candomblé da Bahia (Gantois, Casa Branca, Ilê Axé Opo Afonjá). Nesses terreiros havia figuras eminentes, como Jorge Amado, Pierre Verger, Antônio Carlos Magalhães, entre outros, que davam essa legitimidade, esse suporte político para os terreiros e também para os blocos.

Crítico do carnaval voltado exclusivamente para turistas, Hamilton destaca a falta de contrapartida social dos grandes trios elétricos, que pagam uma taxa mínima para desfilar nos circuitos, entre eles o mais badalado, que recebe o nome de Dodô, localizado na orla Barra/Ondina. “Não existe uma contrapartida social dos grande trios que lucram milhões com o carnaval da Bahia. Temos um carnaval que exclui”, destacou.

“Os negros criaram todo o capital simbólico que faz o carnaval da Bahia ser uma festa com caráter internacional. O principal movimento do carnaval de Salvador, que é o Axé, vem de uma referência religiosa, que é o Candomblé. Mas a música que virou marca do carnaval baiano não tem nada a ver com essas referências. Existem comunidades que perderam o conhecimento dos blocos que se formaram. Já estão caindo no esquecimento. E como não há mais esse conhecimento, essas comunidades não se inserem mais no carnaval a partir de uma leitura própria, de um código próprio. Ela não vai se reinserir no carnaval de shortinho e abadá”, criticou.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Show Carnaval Hip Hop: EUA, Bahia, Ceará

A banda Simples Rap’ortagem, uma das precursoras do Movimento Hip-Hop organizado na Bahia, protagoniza o maior show de rap na história do carnaval de Salvador. No dia 22 de fevereiro, as 19h na Praça Tereza Batista, Pelourinho, o público baiano e demais turistas e visitantes da cidade, além do show inédito da Simples Rap'ortagem que abrirá temporada de eventos em comemoração dos seus 15 anos, poderão desfrutar da discotecagem do DJ Afrika Bambaataa (Nova York – Estados Unidos) considerado um dos grandes precursores do Hip-Hop mundial e do show da maior revelação do rap nacional, o MC Rapadura (Ceará - Brasil).
Afrika Bambaataa é o pseudônimo de Kevin Donovan (Bronx, Nova York), DJ estado-unidense líder da Zulu Nation, maior organização hip-hop de todos os tempos, com representação em mais de 50 países. Bambaataa é reconhecido oficialmente como um dos fundadores do Hip-Hop. Usando sons, que iam desde James Brown (o mestre da Soul Music) até o som eletrônico da música “Trans-Europe Express” (da banda européia Kraftwerk), e misturando ao canto falado trazido pelo Dj jamaicano Kool Herc, Bambaataa criou a música “Planet Rock”, que hoje é um clássico. Bambaataa também foi um dos líderes do Movimento Libertem James Brown, criado quando o mestre da Soul Music estava preso e, anos depois, foi o primeiro ‘Hip-Hopper’ a trabalhar com James Brown, gravando “Peace, Love & Unity”. Bambaataa criou as bases para surgimento do Miami Bass, Freestyle (gênero musical), ritmos que influeciam Dj’s em todo mundo.

Francisco Igor Almeida do Santos, mais conhecido como RAPadura Xique Chico, nasceu em Lagoa Seca no Ceará, desenvolve um trabalho voltado para o universo do canto falado. Uma mistura arrojada de Rap com a tradição da cultura popular brasileira, que tem suas raízes matriciais com a Embolada e o Repente. O MC (Mestre de Cerimônias) também mistura seus versos com jazz, funk, soul, valsa, marchinha de carnaval, bossa nova, samba rock e outros ritmos urbanos. Suas letras são contundentes e exalam uma linguagem poética sem perder a identificação com o povo. A intimidade de RAPadura com a música é natural. Prova disto foi sua conquista em 2007 do Prêmio Hútuz (RJ) como melhor artista do Norte-Nordeste.

A Simples Rap’ortagem é um das precursoras do Movimento Hip-Hop organizado na Bahia, e completará 15 anos em 22 de abril de 2009. Integra a banda o único representante da organização Zulu Nation no estado. Incorporando elementos regionais da cultura afro-baiana e nordestina a Simples, como é conhecida, vem se destacando no gênero pelo profissionalismo e pela produção musical que valoriza a criatividade poética. A arte do asfalto dialoga com a arte do campo onde o canto falado revive a força da oralidade africana. Traz canções que ressaltam o respeito aos valores regionais nordestinos, o fortalecimento dos referenciais de negritude, a valorização de um hip-hop brasileiro e a necessidade de emancipação feminina. Ritmo com poder de sensibilização, aliado a um conteúdo forte, reflexivo, agraciado com a irreverência, eis a Simples Rap’ortagem.


O quê: SHOW CARNAVAL HIP-HOP: EUA, BAHIA e CEARÁ
Data: 22/02/09 – Domingo de Carnaval
Horário: das 19h às 23h
Local: Praça Tereza Batista - Pelourinho
Obs.: aberto ao público

Akomabu comemora 30 anos do Centro de Cultura Negra do Maranhão

Entrevista com Ana Amélia Bandeira (CCN-MA)
Juliana Nunes - Estamos aqui com Ana Amélia Bandeira, coordenadora geral do Centro de Cultura Negra do Maranhão. Ana Amélia, como o Centro de Cultura Negra (CCN) organiza o carnaval? Quais as atividades que vocês devem promover nos dias de carnaval?

Ana Amélia - A gente tem o Bloco Afro Akomabu e a Banda Afro Akomabu. Temos apresentações nos circuitos, patrocinados pelo governo do Estado, e tem também o desfile na Passarela do Samba. Já a partir de sábado (dia 21), a gente tem a bênção do bloco aqui na sede do CCN, prevista para as 15 horas. Logo que termina a bênção tem o ritual afro, que vai ser feito pelo Pai Euclides da Casa Fanti-Ashanti. Após a bênção, o bloco vai se deslocar até a praça João Lisboa e participa do circuito às 16 horas. Logo em seguida o circuito Vila Gracinha/ Beco da Turma do Quinto, e às 22 horas a gente vai estar no Viva Anjo da Guarda, que é um bairro que tem um grande número de população negra. Esta é a programação do bloco. No domingo a gente vai utilizar a fantasia estilizada de 2009. Vai ter a bênção na Casa das Minas, que é das casas mais antigas de culto de religião de matriz africana aqui do Maranhão. Depois da bênção a gente vai escolher algum bairro para fazer o desfile do bloco. No dia 23 (segunda-feira), o bloco vai desfilar na Passarela do Samba às 18 horas. Na terça-feira, a gente tem uma programação interna aqui na nossa sede, uma brincadeira que a gente faz, intitulada “Mocotó das piranhas e moleques”. À tarde a gente sai com o bloco no espaço onde o CCN está localizado, no bairro de Barés e João Paulo. Em relação à Banda Afro, a banda faz show na sexta-feira, dia 20, às 18 horas, na Praça Deodoro, que é uma praça localizada no centro da cidade, onde fica o comércio, rede bancária, biblioteca, escola.

Juliana Nunes - Como o Centro de Cultura Negra do Maranhão se prepara ao longo do ano em busca de apoios, parcerias, pra poder chegar no carnaval e fazer essa afirmação da cultura negra? Quais são as dificuldades que vocês encontram e como é realizado e desenvolvido esse projeto?

Ana Amélia - No Bloco Akomabu, a gente trabalha o ano inteiro. Após o término do ano anterior vem o que a gente chama de confraternização, que geralmente é uma feijoada e daí a gente faz essa feijoada bem próximo ao carnaval, depois que encerra o período carnavalesco. Em seguida a gente faz um seminário para avaliar o que foi o ano anterior e programar as ações para o ano seguinte. A gente tem todo um calendário e os ensaios do Akomabu começam geralmente no mês de outubro. Nós temos dificuldades, inclusive financeiras, porque pra colocar o bloco - que tem um número bem grande de componentes, em torno de 700 pessoas – enfrentamos várias dificuldades, inclusive deslocamento, porque a gente faz ensaios externos neste período antes do carnaval. Já no período de carnaval, a gente tem uma colaboração do governo, que dá pra remediar um pouco os nossos gastos. Mas existem também muitas pessoas que contribuem voluntariamente para que o bloco e a ação cultural aconteçam.

Juliana Nunes - Qual a importância que você vê hoje, para a comunidade, nesse carnaval que exalta as raízes africanas, os ritmos africanos? O CCN, como ele avalia esse impacto? É possível observar o aumento da auto-estima da comunidade afro no Maranhão e mesmo algum impacto no combate ao racismo no Estado?

Ana Amélia - Com certeza, para nós o bloco é um espaço político do Centro de Cultura Negra do Maranhão, já que todos os anos a gente trabalha um tema. O tema desse ano é “CCN 30 anos, Omoobá, pretas velhas e as ervas medicinais”. A gente está comemorando os 30 anos do Centro de Cultura Negra do Maranhão, 25 anos do Bloco Afro Akomabu e também resgatando a história das ervas medicinais, que hoje já quase não são mais utilizadas, que vêm de nossos antepassados, das nossas avós, que faziam tratamentos com a medicina alternativa, com ervas. E a gente trabalha também dentro da organização a questão da auto-estima da população negra. Então, para nós, o bloco tem sido um veículo de mobilização, para mostrar às pessoas a nossa importância enquanto negros nessa sociedade.

Juliana Nunes - Estamos conversando com Ana Amélia Bandeira, que coordena o Centro de Cultura Negra do Maranhão, que tem uma extensa programação no carnaval e também com várias ações em São Luís e em muitas outras cidades. E, durante o ano, vocês desenvolvem oficinas de música afro?

Ana Amélia – Sim, nos preparamos. A gente faz as oficinas, na organização também tem um grupo de dança que trabalha o ano todo com os vários ritmos de religião de matriz africana, o bumba-meu-boi nos três sotaques. Nas oficinas a gente está sempre fazendo este trabalho de conscientização, para não deixar a nossa cultura morrer. O tema do Akomabu é “A cultura não deve morrer”. É o significado de Akomabu em língua Fon.

Juliana Nunes - E desses ritmos que vocês levam pra rua, de toda essa musicalidade, o que você destacaria das novidades que o bloco tem levado para as ruas do Maranhão?

Ana Amélia - O nosso ritmo é diferenciado dos outros blocos afros. Nós utilizamos muito o ritmo vindo dos terreiros de religião de matriz africana, através dos nossos atabaques, cabaças e agogôs.

Juliana Nunes - E já tem uma nova geração aí, como é que vocês conseguem envolver os jovens nessas atividades?

Ana Amélia - De 2007 pra cá a gente tem tido um número bastante expressivo de crianças e adolescentes, principalmente em nossa bateria. Eles vêm, ficam bastante empolgados, e alguns que vieram o ano passado pra sair mesmo no cordão de criança, hoje se integram à bateria e, de uma forma bem gratificante, tem aumentado a adesão de meninas, de garotas. Já tivemos um número muito maior de meninos. Hoje, a gente tem um número bastante expressivo do público feminino na bateria.

Juliana Nunes - Ana Amélia faça um convite para os nossos ouvintes que estão agora no Maranhão, ou mesmo para aqueles que não estão, mas podem comparecer ao carnaval do Maranhão em outras ocasiões, dizendo-lhes o que eles podem encontrar.

Ana Amélia - Aqui o nosso espaço está sempre aberto para visitação. Este ano de 2009 a gente vai ter uma vasta programação, com o aniversário de 30 anos do CCN que acontece dia 19 de setembro. Só que durante todo esse período a gente vai fazer programações, vamos ter exposições, inclusive a gente já fez uma exposição em Belém, no Fórum Social Mundial. Fizemos uma exposição dos nossos materiais, e a gente vai fazer aqui em São Luís e em outros espaços, em algumas comunidades de remanescentes de quilombos que o CCN tem trabalho. Vamos fazer durante todo esse ano um trabalho e queremos atingir o maior número possível de cidades do Maranhão.

Juliana Nunes - Conversamos com Ana Amélia Bandeira, coordenadora geral do Centro de Cultura Negra do Maranhão. Muito obrigada pela participação, pela entrevista para a Radiobrás e agora é levar os blocos para as ruas, não é Ana Amélia?

Ana Amélia - Com certeza. O Centro de Cultura Negra do Maranhão agradece, através do Bloco Afro Akomabu, essa oportunidade e a gente espera contribuir com o movimento negro em nível de Brasil também.

Fonte: Ìrohìn

Charge que teria comparado Obama a macaco gera polêmica


Afro-americanos qualificaram na quarta-feira de racista uma charge do jornal New York Post que teria comparado o presidente Barack Obama a um macaco - uma imagem forte em meio a uma longa história de racismo contra os negros.

A charge, que o jornal disse ser uma paródia da política norte-americana, mostra um policial baleando um macaco - aludindo ao caso real de um chimpanzé de estimação que foi abatido a tiros nesta semana em Connecticut após atacar uma mulher. Na versão do Post, um dos policiais envolvidos diz: "terão de encontrar outra pessoa para escrever a próxima lei de estímulo econômico".

Na terça-feira, Obama sancionou um pacote de estímulo econômico de US$ 787 bilhões, por cuja aprovação ele havia se empenhado diretamente. Críticos da charge interpretaram o chimpanzé morto como uma referência a Obama, que se tornou o primeiro presidente negro dos EUA em 20 de janeiro.

"A charge no New York Post de hoje é na melhor das hipóteses perturbadora dado o histórico de ataques racistas nos quais os afro-americanos são sinônimos de macacos", disse o ativista dos direitos humanos Al Sharpton.

Qualificando o desenho como "ofensivo e divisivo", ele prometeu realizar uma manifestação na quinta-feira diante da redação do Post.

O vereador Leroy Comrie disse ter recebido numerosos telefonemas de cidadãos indignados.

"Publicar uma charge tão violenta e racista é um insulto a todos os nova-iorquinos. (O caso real) foi um incidente lamentável no qual um ser humano ficou gravemente ferido, não uma oportunidade para lançar uma retórica perigosa", disse Comrie em nota.

O chimpanzé de 90 kg foi morto por policiais na segunda-feira em Stamford depois de ferir gravemente uma amiga de sua dona e atacar um carro da polícia. O animal, chamado Travis, chegou a estrelar comerciais de TV e atualmente tomava uma medicação.

Em nota, o editor-chefe do Post, Col Allan, disse que a charge era "uma clara paródia". "Ela zomba em termos gerais dos esforços de Washington para ressuscitar a economia. Novamente, Al Sharpton se revela como nada mais do que um oportunista (em busca de) publicidade", disse Allan.

Mas a Associação Nacional dos Jornalistas Negros disse que o desenho é "o mínimo denominador comum em termos de gosto e classe". "O 'publisher' e os editores do New York Post devem uma explicação aos seus leitores", disse a presidente da entidade, Barbara Ciara, em nota.

O Post, de tendências direitistas, pertence ao conglomerado internacional da mídia News Corp,
propriedade do magnata Rupert Murdoch.
Fonte: Terra

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A Benção: Parabéns a Cidália de Iroko

Cleidiana Ramos

Quando criou a comunidade no Orkut intitulada "Eu Conheço Ebomi Cidália", o taxista Romilson Costa foi extremamente feliz na escolha do nome. Isso porque conhecer ebomi Cidália é privilégio. Filha de Iroko, a quem foi consagrada pelas mãos de Mãe Menininha do Gantois, é uma detas personalidades que fazem o candomblé tão especial.

Simpatia, bom humor, irreverência- por que não?- um jeito delicioso de contar os mitos que ensinam sobre a sua religião e sabedoria são algumas das muitas qualidades da ebomi.

Uma certa feita eu presenciei ebomi Cidália explicar a alguém porque os orixás tem que chegar até nós por meio dos elementos ou das pessoas.

-Se um homem alto, forte, negro, falando em iorubá chegasse aqui dizendo para você que era Ogum, você ia aguentar?

Diante do silêncio perplexo da criatura, ela continuou:

-Pois então. A cabeça da gente, os olhos da gente não estão acostumados para os enxergar como eles são. Por isso eles vem na água, no fogo, nas pessoas.

Cada bate-papo com ebomi Cidália é "palestra". Ouvi-la contar as histórias do Iroko, acompanhada por canções- que o professor Jaime Sodré costuma insistir para que ela cante- é programa para se dedicar um dia inteiro sem que o cansaço chegue.

Para deixar a sua companhia é preciso que ela mesma dê a deixa, afinal a filha de Iroko tem a dimensão dos mistérios do tempo que nós, seus discíplos, conhecemos apenas superficialmente.

Axé e muita saúde para este patrimônio da Bahia: Cidália de Iroko, que está festejando o aniversário lá no Rio de Janeiro em companhia de Pai Robson de Oxaguian.




Fonte: Mundo Afro / You Tube

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Oxalá vai à Guerra emociona e mobiliza no Rio de Janeiro

Numa sexta-feira 13, chuvosa e ainda em horário de expediente, cerca de 60 pessoas assistiram ao lançamento do vídeo "Até Oxalá vai à Guerra", produzido pelo CEN, na Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

Na mesa estiveram presentes a Yalorixá Márcia de Oxum, Centro de Tradições Afro-Brasileiras (Cetrab), o ogan José Marmo, coordenador da Rede Afro-Brasileira de Saúde, Jorge Mattoso, representando Mãe Fátima Damas, da Congregação Espírita Umbandista do Brasil (Ceub), e o Babalorixá José Flávio Pessoa de Barros.

À frente de todo o trabalho esteve a coordenadora do CEN/RJ, Aduni Benton, com o apoio de Luiz Eduardo, Negrogun e de Gaiacu Deusimar, que está assumindo a coordenação de religiosidade do CEN/RJ.

Abaixo, algumas fotos do evento:

Em primeiro plano, Babalorixá José Flávio e Jorge Mattoso


Luiz Eduardo (Negrogun), da Barravento, nova filiada ao CEN/RJ, vestindo a camisa.


Yalorixá Márcia de Oxum (Cetrab) e Zé Marmo (Rede Afro-Br de Saúde)


Ministro critica 'intransigência' de quilombolas

O ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Sérgio Rezende, disse hoje que está havendo "intransigência" por parte de movimentos sociais envolvidos na demarcação de terras de remanescentes de quilombos na região de Alcântara, no Maranhão. Rezende afirmou que o movimento quilombola está sendo inflado por líderes que são movidos por "outros interesses". "Está havendo uma certa intransigência", disse. Ele manifestou preocupação com a situação, observando que o movimento "tem impedido ou dificultado a evolução do programa espacial".

"Temos de ter um diálogo. Nesse momento eles estão impedindo o trabalho que nós estamos procurando fazer", afirmou o ministro, que esteve em Belo Horizonte, onde assinou convênios com o governo de Minas Gerais. "Muitos desses movimentos sociais são liderados por pessoas que até têm outros interesses", disse, sem citar quais seriam essas pretensões.


O trabalho de demarcação realizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) destinou 78,1 mil hectares aos quilombolas e 8,7 mil para o programa de lançamentos de foguetes. Rezende disse que tem discutido internamente a questão junto ao Ministério da Igualdade Racial, ao Incra e ao Ministério do Meio Ambiente. Segundo Rezende, a estratégia é convencer os movimentos quilombolas de que as comunidades locais poderão ser beneficiadas com a expansão do programa espacial. Logo após o Carnaval, uma equipe do MCT deverá visitar a região.
Fonte: Estadão

Carnaval de Salvador terá serviço para denúncias de racismo e violência

A uma semana do carnaval, as cidades brasileiras estão a todo vapor com os preparativos para a festa. Salvador, cidade que sedia uma das maiores comemorações da data no Brasil, aproveita a oportunidade para promover a igualdade de raça e gênero entre a população. Para isso, o governo local vai disponibilizar aos foliões, pelo quarto ano consecutivo, o Observatório da Discriminação Racial e da Violência contra a Mulher.

O projeto, uma iniciativa implementada pela Secretaria Municipal de Reparação (SEMUR), da Prefeitura de Salvador, tem o objetivo de receber denúncias sobre atos de racismo ou de violência e, dessa forma, aumentar o acesso aos serviços disponíveis para a população da cidade.

"O enfrentamento da discriminação racial e da violência contra mulheres é um compromisso de toda a sociedade. Iniciativas como a do observatório ajudam a subsidiar e aperfeiçoar as políticas públicas nessas questões, daí a importância de se estender essa iniciativa para além do período de carnaval", afirmou Fernanda Lopes, responsável pela área de direitos no UNFPA.

O observatório surgiu em 2005, a partir da constatação de que, no carnaval do ano anterior na capital baiana, das quase quatro mil vítimas de violência por causas externas (agressões físicas, armas brancas e de fogo), mais de 70% eram negras. Além de ser a maior cidade negra fora da África, Salvador é predominantemente feminina, com uma população de 52% de mulheres.

Para colocar o trabalho em prática, a Semur conta com parceria da Defensoria Pública da Bahia, da Fundação Cultural Palmares, da Secretaria de Estado de Promoção da Igualdade (SEPROMI) e do Fundo de População das Nações Unidas, UNFPA, entre outras instituições. Em 2009, como parte do projeto de cooperação entre o governo local e o UNFPA, foi incluído o tema "saúde sexual e reprodutiva e direitos" na capacitação dos profissionais que vão atuar durante o carnaval.

Serviço

A partir do dia 17 de fevereiro, se presenciar algum ato de racismo ou violência, denuncie pelo Disque 156 ou um dos postos do Observatório da Discriminação Racial e da Violência contra a Mulher, cuja sede fica no prédio da Secretaria Municipal de Reparação, Ladeira de São Bento, nº 74.

www.unfpa.org.br

Um negro no comando do imperialismo decadente

Por Mara Onijá

Explosão da bolha imobiliária, quebra de bancos, recessão, níveis de desemprego subindo assustado
ramente. Reprovação do ex-governo Bush por 80% da população, marcado por uma guerra que colocou os Estados Unidos num atoleiro, expressando a decadência da maior potência imperialista do mundo.
Foi neste cenário que emergiu Barack Obama, não apenas como a esperança para a população dos Estados Unidos, mas demonstrando- se também como um ícone internacional. Ao longo de sua campanha, Obama buscou se diferenciar, propagando as promessas de retirada das tropas do Iraque, o fechamento da prisão de Guantánamo, e outras medidas mais. Mas é principalmente a expectativa de que Obama consiga dar uma resposta à crise econômica – através de uma suposta ação “mais responsável” por parte do Estado – que move milhões de pessoas em apoio ao novo presidente dos Estados Unidos.
Sem dúvida, a comunidade negra dos Estados Unidos – e de muitos outros países, como o Brasil – comemorou a vitória de Barack Obama. Entre os negros, os votos para o democrata foram quase absolutos. Entre o público presente em Washington no dia 20 de janeiro, eram muitos os negros que se emocionaram e choraram ouvindo as palavras de Obama e as canções de Aretha Franklin.
Não é mesmo um fato qualquer: há cerca de quarenta anos atrás, os pais ou avós dessas mesmas pessoas viviam submetidos à segregação racial que se manifestava nos bancos de ônibus, nos restaurantes, nas escolas, nas empresas. Até os dias de hoje, apesar de ações afirmativas de porte considerável por parte do Estado, como política para amenizar o conflito racial latente, terem formado uma espécie de classe média negra, as condições de vida da maior parte da população negra ainda estão marcadas por uma história de opressão. Não são necessários muitos exemplos. Basta lembrar do Katrina em New Orleans há poucos anos atrás: enquanto os brancos saíram da cidade antes do furacão, os negros permaneceram ali por dias esperando socorro, e quando a Guarda Nacional chegou, seu papel foi de reprimir os moradores, fazendo com que saíssem de suas casas com armas apontadas para suas cabeças. Outra demonstração de como o racismo persiste na sociedade estadounidense está na gritante disparidade de renda: em 2004, a renda de uma família negra equivalia a 58% da renda de uma família branca. Hoje, nos marcos de uma crise histórica do capitalismo, a burguesia não demora em atacar os trabalhadores, começando pelos terceirizados e precarizados – onde os negros ocupam grande parte dos postos de trabalho. A equiparação dos salários de homens e mulheres, medida anunciada nos primeiros dias de governo, não atinge os setores precarizados, que além de destituídos dos mais elementares direitos, são agora os primeiros nomes nas listas de demissões.
O discurso de Obama, proclamando a união acima das raças e religiões, ao contrário de ser uma declaração que afirme a necessidade de que o povo negro se organize e lute contra o racismo, está na verdade baseada na concepção que expressou em sua campanha de que os Estados Unidos devem deixar para trás as velhas marcas do passado. Como um verdadeiro defensor da ordem capitalista, Obama não pode escancarar a realidade em que vive o povo negro. Por isso, durante a campanha, ele rompeu sua relação de anos com o pastor Jeremiah Wright, por este ter declarado que os negros deveriam julgar os Estados Unidos por suas injustiças raciais.
Obama é hoje o maior símbolo da possibilidade de que os negros podem ascender ao poder. Condollezza Rice, talvez o maior ícone nesse sentido antes da aparição de Obama como candidato à presidência, ajuda a ilustrar o papel que cumprem aqueles que Solano Trindade chamava em sua poesia de “negros senhores na América”: tornam-se algozes do seu próprio povo e dos povos oprimidos no mundo. Assim foi Rice, comandando a ofensiva no Iraque.
Mas Obama traz consigo mudanças, dirão muitos. Sem dúvida, a política de Obama não é a mesma unilateral adotada por Bush ao longo dos últimos anos. Muita coisa mudou nos últimos meses e a resposta que Obama precisa dar é justamente como retomar a força de seu país como principal potência, o que exige uma relocalização na arena internacional, que seu discurso “cooperativista” simboliza. “Nós estamos prontos para liderar mais uma vez”. Essas foram suas palavras no dia 20. E “liderar mais uma vez” significa liderar um mundo capitalista em crise, que para se recuperar jogará sobre as costas dos trabalhadores e dos povos oprimidos as mais brutais violências. Afeganistão e Paquistão seguem na lista de Obama... A ocupação do Haiti pelas tropas da ONU, que já dura quatro anos após o golpe orquestrado pelos Estados Unidos, vai permanecer, e Obama nem pensa em mudar isso. O imperialismo não deixará de ser imperialismo, não deixará de ser opressor pelo fato de contar com um homem negro em sua linha de frente...
Se por um lado a eleição de Obama proporcionou que os negros aumentassem as expectativas por um mundo onde não mais exista racismo, por outro lado, a crise capitalista e as saídas que os imperialismos buscarão significam o aprofundamento da opressão e exploração daqueles que há séculos constroem riquezas e vivem subjugados, primeiro sob o colonialismo e hoje sob o imperialismo. Não resta outra saída para nós, negros e negras de todo o mundo: Malcolm X já havia dito que “sem racismo não existe capitalismo”. Um negro que ocupa o posto de mais alto poder no mundo, em defesa da sobrevivência do imperialismo, não poderá nunca combater de fato o racismo. Esta tarefa deve estar nas mãos dos milhões de negros numa luta anti-imperialista e anti-capitalista.
Fonte: Recebido por e-mail.

1º Seminário de Etnicidades / Brasil

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Fonte: Recebido por e-mail.

UNE e Juventude Negra: Novas perspectivas para a luta anti-racista no ME

*Hellen Barcellos
Este texto busca, entre outras coisas, trazer a reflexão sobre a história recente dos negros(as) na universidade, vindos de um processo de adoção de políticas de promoção da igualdaderacial, avaliar a relação destes estudantes organizados com a União Nacional dos Estudantes –UNE, alem de levantar observações e proposições de atuação nesse espaço político.A escolaridade é um fator importante para a ascensão socioeconômica dos indivíduos quecompõem as sociedades. O ensino superior ocupa o mais auto grau nessa escala, tornando se então, o elemento responsável por definir os papéis sociais mais importantes, intelectualizados, e separá-los dos demais desempenhados numa estrutura social, atuando em consonância comoutros agentes, hierarquiza e aprofunda as desigualdades.Neste sentido, é possível ver o quão determinas áreas do conhecimento ocupam posiçõesacadêmicas mais relevantes, ou seja, com maior prestígio que outras, geralmente essas áreas sãoreconhecidas pela equação matemática relação candidato / vaga dos vestibulares dasuniversidades públicas do país.A luta ante racista para muitos é uma prática cotidiana, que simboliza a possibilidade devida segura ou de morte de muitos(as) jovens, estudos provam que os jovens negros(as) são asmaiores vítimas de violência das cidades. Para a mídia este assunto que não possui granderelevância. Mas acredito que não seja difícil para o(a) leitor(a) lembrar do dentista negro de SP quemorreu assassinado pela Polícia Militar do Estado de SP, será que ele teria tanto espaço midiáticose não fosse um dentista? Ferir um jovem negro(a) no país ainda é hoje uma certeza deimpunidade, e se o pai desse(a) jovem fosse uma juiz(a)? E se essas pessoas não tivessem tantacerteza que esses(as) jovens não possuem uma boa colocação na sociedade?A população negra brasileira foi posta a margem de todo o sistema educacional no país,até a década de 70 era comum que esta estudasse até a 4° série do ensino primário, hojechamado 5° ano. O saber ler e fazer as quatro operações eram tidos como suficiente para essesindivíduos. Fruto de uma educação em que era comum ouvir-se nas salas de aulas deprofessores(as) que os negros(as) eram feitos para trabalhos braçais e físicos devido a suaestrutura corporal e sua resistência a dor e as pessoas brancas eram feitas para o trabalho maisacadêmico, já que eram mais inteligentes.Um currículo que não se proponha a expressar a pluralidade dos agentes sociais presentesracialmente nessas turmas, e que tem como premissa colocar o negro enquanto alguém quesimplesmente veio, de uma terra arrasada e sem contribuições históricas para a humanidade,passivamente, e que tem como condição natural ser escravo. Até hoje é corriqueiro encontrarmateriais didáticos e falas que colocam a população negra como descendente de “escravos”, nãoutilizando o termo correto, que deveria ser “descendente de pessoas escravizadas”.
A lei 10639/03, que institui o ensino de história da África e Afro-brasileira nos ensinosfundamental e médio, vem no sentido de tentar dirimir a invisibilidade do povo negro na educaçãobrasileira, colocando-o como agente ativo na construção estrutural, simbólica e cultural do Brasil.Essa medida não só permite corrigir as injustiças do pensamento brasileiro com relação àsquestões supra citadas, mas também é responsável por elevar a estima destes estudantes aoincluir suas raízes na historiografia oficial, dando os um novo prisma sobre sua possibilidade deatuação cidadã.Durante anos, a inclusão de negros na universidade se dava de forma bem isolada, empequenos números e em cursos menos glamurosos, geralmente os de licenciatura, estesprovinham grande parte de cursos pré-vestibulares comunitários e/ou recebiam ajudas de terceiros,como por exemplo, um patrão da mãe, um tio que conseguiu um bom trabalho, etc, casos comoestes, podemos chamar de ações afirmativas individuais, ou seja, o ato de promover o acessopessoal feito por meio da caridade de outrem.A partir de 2003 foi possível perceber uma mudança significativa no ensino superiorbrasileiro no que tange a questão da inclusão dos negros (as). Derivada da luta histórica domovimento social negro, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) protagoniza a históriae adota a política de reserva de vagas no vestibular do corrente ano.Em 6 anos, as políticas de ação afirmativa se espalharam pelo país, muitas universidadesadotaram os diferentes sistemas, seja de reserva de vagas, a abertura de cursinhos pré-vestibulares ou de acréscimo na pontuação final do vestibular. Atualmente cerca de 83universidades públicas no Brasil já as adotaram. Essas ações beneficiam, diretamente em seutexto, não só jovens negros(as) mas também, mulheres, portadores(as) de deficiência física,estudantes oriundos de escolas públicas e privadas com bolsas de estudos, jovens carentes ejovens indígenas. Tramita ainda no senado, já aprovado na câmara de deputados federais, o PLC180/08 que institui reserva de vagas nas universidades federais do país.Não se pode deixar de citar ainda, a adoção do Programa Universidade para Todos –PROUNI, do governo federal, que reserva metade das vagas do programa nas universidadesparticulares conveniadas para jovens negros(as), estima se que já são aproximadamente cerca320 mil bolsas entre os anos de 2005 e 2008 para esse grupo.Estas pessoas hoje ocupam os mais diversos cursos nas universidades em que estudam,quebrando assim com a lógica de que os negros (as) não deveriam estar em determinadascarreiras, essas medidas atendem horizontalmente aos mais diversos anseios e sonhos deformação.Muitos foram os contra tempos e percalços, e no meio de todas as tentativas desesperadasde sustentação do estatus quo de uma elite que não abre mão de seus privilégios, surgem oscoletivos de estudantes negros, grupos de universitários oriundos do sistema, que militavam e/oumilitam nas suas universidades seja, atuando contra as discriminações vindas de colegas de curso,técnicos administrativos, seguranças e professores, por assistência estudantil séria, que permita a permanência desses alunos(as), organizando grupos de estudos que discutem questões socio-raciais e que os ajudem a superar as dificuldades na sua formação acadêmica, como por exemplo,a falta de orientação, dados e bibliografias apropriadas para temas de pesquisa relevantes apopulação negra e pobre.Em 2004, fundou se no Congresso de Pesquisadores Negros(as), em São Luis - MA, aAssociação Nacional de Estudantes Negros e Negras (ANENN), para muitos poderia ser apenasmais um movimento surgido a partir de um encontro/ congresso/ seminário, como acontece comtantos outros, mas para os(as) graduandos(as) que ali estavam era um ponto de apoio mútuo naluta nacional, em que a história de suas trajetórias acadêmicas se confundiam tamanha eram assemelhanças.A questão principal nesse contexto é: Onde estava a União Nacional dos Estudantes(UNE) nesse processo? Era corrente ouvir frases como: “A UNE não nos representa!”, “A UNE nãofala por nós!”. O que não era de se espantar, até então, poucos ou até mesmo nenhum, eram osapontamentos da entidade com relação à juventude negra na universidade e a formulação depolíticas de combate ao racismo nas universidades.Com esse crescimento acentuado de negros(as) nas universidades, esses grupos sedividiam em três tipos basicamente: os que não admitiam sua participação de forma alguma nomovimento estudantil tradicional; os que seguiam disputando espaços no ME, mas em chapascompostas apenas por estudantes negros(as), para fomentar o debate racial de forma maisenérgica e impactante; e outro que atuava nas instancias do movimento estudantil de formaintegrada com as forças políticas, disputando a direção de centros acadêmicos, diretóriosacadêmicos, diretórios centrais de estudantes, conselhos universitários e etc;Apenas este ultimo grupo, chega aos Congressos da UNE e elaboram, formulam edialogam de forma mais ampla. Neste momento a UNE começou, embora lentamente, a colocar aquestão racial como tema dos Grupos de Trabalhos (GTs), e as forças políticas começam a colocara questão, mesmo que de forma bem sucinta e precária, em suas teses.Em agosto de 2005, na ocasião do 49°Congresso da UNE, realizado em Goiânia – GO, foicriada as diretoria de Combate ao Racismo da UNE, juntamente com a de Gays, Lésbicas,Bissexuais, Transexuais e Travestis (GLBTT). Um importante passo, a partir desse momento haviaum espaço específico de representação e de busca da entidade pela igualdade social destesgrupos, estas cadeiras tem a partir de sua criação a incumbência de protagonizar o pensamentosistematizado desses grupos organizados neste espaço inédito a eles.No 11° Conselho Nacional de Entidades de Base da UNE (Coneb da UNE), realizado nacidade de Campinas-SP, em abril de 2006, a entidade aprova 4 resoluções com relação a atuaçãodestas diretorias, num grupo de trabalho de opressões, sendo elas: a criação de um grupo detrabalho, incentivo aos programas de extensão voltados a questão racial, todo o apoio a luta doMovimento Negro e GLBTT, e pela aplicação da lei 10.639/03.
Em Janeiro de 2007, realizou se a 5° Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE, cujo temaera “Brasil-África: Um rio chamado atlântico”. Nesse momento a UNE dá sua maior contribuiçãocom relação à questão racial, houve a discussão exaustiva o tema através de debates, letras demusica do festival, bem como estilos musicais de origem afro-brasileira, a seleção de publicaçãode trabalhos acadêmicos e literários privilegiando a temática, dentre outras medidas.Este evento contou com atores importantíssimos no cenário político e acadêmico brasileiro,formuladores como Ivanir dos Santos, Milton Gonçalves, Joel Zito Carlos Moore, Abdias doNascimento e Elisa Larkin. Que ocupavam mesas com temas como: “Juventude Negra e DireitosHumanos”, “Cinema e ações afirmativas”, “Diáspora e Panafricanismo”, e etc, pelo menos, ametade das atividades das áreas eram relativos à temática racial. Havia uma Coordenação deQuestão Racial, ocupada por uma militante do movimento negro e estudantil, responsável por todaa transversalidade temática das outras coordenações.Infelizmente a diretora de combate ao racismo, na época, não teve participação nesteprocesso de construção da Bienal, a gestão caminhava mal, a falta de apoio político e financeiro daentidade fez com que, a única realização, o I Encontro de Estudantes Negros Negras e Cotistas daUNE – I ENUNE, realizado em abril de 2007 em Salvador – BA, quase não se concretizasse.Nenhum apoio veio da UNE. Tal foi a indignação dos participantes quando o presidente, passoupelo evento e fez uma fala de 10 minutos no penúltimo dia do encontro, nem mesmo se sentou amesa de debates.Os alunos que pretendiam participar do evento enfrentaram problemas em suasuniversidades, muitos não conseguiram transporte para chegarem ao evento, pois não eraprioridade para seus DCEs. Num período muito próximo a data do encontro, estudantes africanosda Universidade de Brasília – UNB tiveram seus alojamentos destruídos em um incêndio criminoso.Assim, a delegação da UNB conseguiu chegar de forma maciça e contribuir grandemente nosdebates. Com todas essas dificuldades o I ENUNE cumpriu o seu papel, foi o primeiro, “a duraspenas”, aconteceu!De lá pra cá, a representação na UNE dobrou, as Diretorias de Combate ao Racismo agorasão duas. Excelente notícia, politicamente se expressa numa vitória importantíssima! Mas napratica pouco tem contribuído para o exercício do combate ao racismo efetivo nas universidades,existe um pensamento, nada velado, de que este espaço serve apenas para construir ao final dagestão o próximo Encontro Nacional de Estudantes Negros(as) e Cotistas.Recentemente, por exemplo, aconteceu um caso de racismo muito sério na UniversidadeFederal de São Paulo – UNIFESP, a atlética do curso de medicina da Universidade publicou umjornal que continha, nada mais nada menos, que 29 piadas racistas, sem contar as homofóbicas emachistas. Os diretores de combate ao racismo não se pronunciaram sobre isso, a UNE tão pouco.Infelizmente esse não é um caso isolado, embora a agressividade do mesmo espante a qualquerum que tenha acesso ao jornal, todos os dias estudantes negros(as) vivem situaçõesconstrangedoras na sua vivencia acadêmica.
A elaboração e execução de uma Campanha Contra a Discriminação Racial nasUniversidades urge. Embora seja imperativo que a UNE atenda esta demanda internamente eapóie politicamente e financeiramente ações desse porte, muitos são os canais de diálogo.Estamos num momento próprio para esse tipo de iniciativa, em que temos uma Secretaria Especialde Políticas Para a Igualdade Racial (Seppir) do governo federal e algumas instituiçõesfinanciadoras que se colocam a disposição para custear projetos de combate ao racismo comrecortes de juventude.Fortalecer os laços políticos com os coletivos de jovens negros(as) existentes, citadosacima, seria uma atitude fundamental para a elaboração de políticas pro igualdade racial nasuniversidades, a ramificação desta luta entre os mais diversos atores do movimento estudantil,utilizando CAs, DAs e DCEs como ponto de partida dessa atuação nas universidades, seria oprimeiro passo para a formação de profissionais anti racistas.Passamos pela reformulação dos currículos acadêmicos, mas acreditamos que é possívelainda atuar na elaboração de propostas que visem a formação mais apropriada de futurosprofessores, que incluam, não só na pratica pedagógica a igualdade de tratamento aos seualunos(as), mas a reformulação do conteúdo dado em sala se aula, incorporando os princípios dalei 10.639/03. Isso pode se fazer, não só na luta pela inclusão nos currículos, mas através deeventos organizados pelos discentes, como seminários, simpósios, grupos de estudos e etc. AUNE deve fomentar e apoiar esse tipo de iniciativa.As diretorias devem atuar em consonância, a questão da permanência dos alunos de cotasnas universidades públicas, por exemplo, ultrapassa a questão racial, na maioria das universidadesque adoram o sistema, não basta ser negro, tem que ser carente para ser contemplado com aação afirmativa, é o momento de interação.Assim como, as lutas do movimento negro não se furtaram apenas a reserva de vagaspara estudantes negros(as), aumentando o leque de contemplados, a luta pela assistênciaestudantil deve ser plural, abarcando, na medida do possível, as mais diversas peculiaridades,quando falamos de assistência estudantil nos referimos de forma inegável a seres humanos comproblemas reais de permanecia e a luta pela continuidade de seus estudos. Procurar os diretores epropor ações e parcerias é uma boa iniciativa, que pode acontecer de forma individual ou coletiva.Não podemos esquecer dos estudantes negros(as) beneficiários pelo Prouni, há relatos deatitudes discriminatórias por parte de universidades particulares com relação a estes alunos, quemuitas vezes são expostos perante outros. A UNE pode auxiliar e incentivar a formação políticasnesses espaços, e ajudar na divulgação de informações sobre direitos destes alunos, que muitasse vêem calados perante algumas situações por serem bolsistas e com medo de represarias.Outra parceria importante que a UNE pode ter com relação ao movimento social negro, emespecial ao movimento de juventude negra é com relação a sua representação no ConselhoNacional de Juventude. A juventude negra organizada, com o apoio de outros movimentos, teve asua proposta aprovada em primeiro lugar na lista de prioridades da Conferencia Nacional de
Juventude do Governo Federal, realizada em abril de 2008, a UNE como uma das participantes doconselho pode incorporar na sua ação interna o apoio a real ao cumprimento devido destaresolução.Por fim, muitos são as possibilidades de atuação conjunta entre UNE e juventude negrabrasileira organizada, basta que canais de dialogo possam ser abertos e que esses canais assimpossam permanecer, não existindo apenas em momentos específicos e de forma sazonal.
*Hélen Barcellos é estudante cotista do curso de Geografia (UERJe Integrante da Juventude Negra 13.

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