sábado, 31 de outubro de 2009

Morre Neguinho do Samba, inventor do samba-reggae

Carine Aprile, do A TARDE e A TARDE On Line

Morreu no início da tarde deste sábado, 31, por volta das 14 horas, o baiano criador do samba-reggae, Antonio Luís Alves de Souza, mais conhecido como Neguinho do Samba, 54 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. O músico deixou sete filhos e uma legião de admiradores e alunos.

O corpo do artista, que foi um dos fundadores do Olodum e criador da Escola Didá, está sendo velado na Câmara dos Vereadores. O local e horário do enterro ainda não foram definidos, pois a família aguarda a chegada de um dos filhos, que mora na Itália.

Segundo informações da família, Neguinho já vinha reclamando da saúde nos últimos 15 dias. Nesta madrugada, por volta das 3 horas, o músico sentiu um mal estar e foi de táxi ao posto médico de Pernambués. No local, ele foi medicado e retornou à sua residência, no Pelourinho, voltando a se sentir mal no início desta tarde, quando veio a falecer.

Neguinho do Samba era fumante, diabético e cardiopata. Há três meses perdeu uma irmã. Pessoas próximas afirmaram que, em virtude disto, andava triste. Mas ele morreu onde queria: em sua residência, um casarão no Pelourinho, onde também funciona a Escola Didá.

"Ele deixou um legado, uma marca de como se faz samba na Bahia. Eu acompanhei o processo de desenvolvimento do Olodum e ele já experimentava as novas fusões do reggae com o samba. Depois, acompanhei o trabalho cultural que ele fez com a Banda Didá. E por ironia do destino faleceu dentro da própria escola", declarou Gerônimo.

Perda irreparável - A Secretaria da Cultura suspendeu toda a programação cultural do Pelourinho, nestes sábado e domingo. Uma faixa preta permanecerá hasteada no Largo do Terreiro de Jesus, durante três dias, simbolizando o luto.

"A dor é enorme. Foi uma perda irreparável. Não perdemos somente um músico excepcional, mas uma personalidade. Ele foi muito generoso com todos à sua volta. Não dá para acreditar. É um astro que vai continuar vivo aqui com a gente“, declarou, emocionado, João Jorge, presidente do Olodum.

Neguinho do Samba - Fundador da escola de percussão do Olodum e do bloco Didá, ele também foi o inventor do ritmo "samba-reggae", modificando tambores para conseguir afinações e sonoridades diferentes, criando um ritmo musical único, com a cara da Bahia.

Filho de um tocador de "bongô" e de uma lavadeira, Neguinho desde cedo treinava percussão tocando nas bacias de alumínio de sua mãe. Foi eletricista, ferreiro e camelô. Sua música chegou a ser internacionalmente reconhecida. Maestro do Olodum, tocou com David Byrne, Paul Simon e Michael Jackson. Com Simon, o Olodum gravou o CD The Rhythm of the Saints, em 1990. Feliz com o resultado do trabalho, Simon procurou o músico e lhe ofereceu um carro importado como forma de agradecimento. Neguinho agradeceu a oferta, mas preferiu mudar o presente, e, em vez de um carro, escolheu uma casa no Pelourinho, no mesmo valor, onde fundou sua escola.

Neguinho do Samba aparece no clipe de Michael Jackson They Don't Care About Us, vestido nas cores do pan-africanismo (verde, amarelo e vermelho) regendo os percussionistas do Olodum.

Didá - O projeto nasceu pelas mãos de Neguinho, que via a necessidade de oferecer para as mulheres, principalmente as negras, um espaço para expor suas idéias e desenvolver atividades. Didá é uma associação cultural e sem fins lucrativos fundada em 1993 e que atua promovendo gratuitamente atividades educativas com base na arte e nas manifestações populares criadas e mantidas pelos africanos e por seus descendentes.

Atualmente, a instituição oferece 11 cursos - percussão, dança afro, teatro, capoeira, artesanato, canto, bateria, violão, cavaquinho, teclado e sopro, e chega a atender entre 600 a 800 crianças e adolescentes por ano.

Além dos cursos, o projeto se estende ao bloco afro carnavalesco, loja de artigos Didá e o projeto Sòdomo, centro de aprimoramento feminino Didá Banda Feminina.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Somos, sim, racistas


As universidades têm adotado critérios distintos de políticas afirmativas e contemplado outros grupos, como índios. Mas só o benefício a negros incomoda

Phydia de Athayde

Em 2000, entre os 50 calouros de Direito na Universidade Federal de Sergipe, havia quatro negros, dos quais apenas dois se formariam. Ilzver de Matos Oliveira era um deles. Os quatro anos de curso não foram suficientes para que uma professora aprendesse a distinguir Ilzver de outro colega.

“Ela não conseguia perceber que tínhamos um rosto peculiar e próprio, além da pele negra comum. Só depois percebi o quanto ela destruía a minha identidade e autoestima”, diz o hoje professor substituto na mesma universidade. “A discriminação no Brasil quase nunca é explícita. Somos culturalmente trabalhados para evitar conflitos.” A trajetória de Ilzver, 29 anos, teria sido como a de muitos garotos nascidos em famílias pobres.

Por sorte, um tio o apadrinhou e custeou dois anos de escola particular quando ele tinha 8 anos. Aos 18, prestou vestibular para Medicina na Universidade Federal de Sergipe. Não passou. Aos 19, novo fracasso. Na terceira tentativa, optou por Direito e entrou em 18º lugar. “A primeira ação afirmativa da minha vida foi a ajuda desse tio”, diz. Formado, ele concorreria a uma bolsa de pós-graduação da Fundação Ford.

Oliveira cumpria os pré-requisitos necessários e, aprovado, tornou-se mestre em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia e em Sociologia (pela Universidade de Coimbra). Além da função na universidade federal, hoje leciona na Faculdade Pio Décimo, também em Aracaju, e milita pelos direitos dos negros em Sergipe.

Em 2010, pela primeira vez a Universidade Federal de Sergipe reservará metade de suas vagas para alunos vindos do sistema público de ensino. Destas, 70% serão destinadas aos que se declararem negros, pardos ou indígenas. Além disso, em cada curso haverá uma vaga para portadores de necessidades especiais.

O programa de ação afirmativa foi aprovado pelo Conselho da universidade e ficará em vigor durante dez anos. Assim tem sido até hoje nas instituições públicas de ensino superior, onde os conselhos de ensino discutem os termos e aprovam o sistema de cotas – ou de bonificação – para grupos desfavorecidos. Facilitar o acesso a quem tem menos condições é o cerne das ações afirmativas.

Nos últimos 14 meses, o total de universidades que adotam algum tipo de ação afirmativa saltou de 69 para 93. Dentre elas, as que utilizavam algum recorte racial passaram de 55 para 67. Por recorte racial entenda-se a ação afirmativa dirigida não apenas a negros, mas também a indígenas (estranha e providencialmente suprimidos do debate “racial” das cotas).

Este levantamento, atualizado até agosto de 2009, é resultado do trabalho de grupos da UERJ, da PUC-Rio, da Universidade de Brasília (UnB) e do CNPq, que monitoram as ações afirmativas no País. João Feres Junior, coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa, ligado ao Iuperj, detalhou ainda mais quais são e como se dividem os critérios das ações afirmativas nas universidades brasileiras (quadro à página 36).

“Alguns programas têm por objetivo a promoção de somente um grupo de pessoas desfavorecidas, outros beneficiam dois, três, quatro ou até cinco categorias diferentes. E as categorias são também de natureza heterogênea: etnia, raça ou cor da pele, origem regional, renda e educação pública”, comenta.

Em meio a tantos critérios, moldados pelas características próprias dos locais onde estão essas universidades, um único aspecto tem sido capaz de, sozinho, dividir a comunidade acadêmica, gerar discursos inflamados, acirrar ideologias e ser questionado na Justiça: a identificação dos negros entre os beneficiados.

Este é o ponto central da ação movida pelo DEM, o ex-PFL. O DEM quer que a Justiça proíba a matrícula dos alunos que entraram usando as cotas na UnB (a instituição usa apenas o critério etnorracial) e, mais que isso, declarar inconstitucionais quaisquer iniciativas que utilizem o critério de raça negra para conceder qualquer tipo de benefício.

A advogada Roberta Kaufmann, autora da ação, disse ter procurado diversos partidos políticos até encontrar eco a sua causa. Pupila de Gilmar Mendes, foi orientada pelo próprio presidente do Supremo Tribunal Federal no mestrado em que questiona a necessidade de ações afirmativas no Brasil.

Conclui que é melhor ficar tudo como está. Pelo menos, no que diz respeito aos negros. Pobres, argumenta, ainda poderiam receber algum auxílio. O presidente do STF redigiu a apresentação do livro de Roberta, que trabalha no Instituto de Direito Público (IDP), do qual Mendes é sócio.

Apesar de ter negado a suspensão das matrículas dos cotistas, Mendes elogiou o trabalho da pupila e, em seu despacho, indicou concordar com a tese do DEM. O próximo passo será a discussão, em plenário, do mérito da ação, que dificilmente ocorrerá neste ano.

“Há um descompasso entre a prática das ações afirmativas e o estardalhaço quanto a elas na mídia e em algumas instâncias da Justiça”, avalia Fúlvia Rosemberg, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e responsável pelo programa de bolsas de pós-graduação da Fundação Ford. “O Brasil oferece acesso preferencial e benefícios a muitos grupos, mas esperneia-se nas universidades públicas porque são um reduto das elites.”

No debate contra ou a favor das cotas para negros, diz a pesquisadora, não se discute o racismo de hostilidade e ofensas, mas um processo sutil de discriminação baseada em desigualdades com base étnica e social. Um padrão de segregação racial informal, mediado pelo nível socioeconômico. Entre os 25 mil alunos da UnB, há 3.225 cotistas.

No vestibular, 20% das vagas são destinadas a negros, independentemente de terem vindo de escolas públicas ou privadas, que concorrem entre si. Como em todas as demais universidades, a adesão às cotas é voluntária. “Em alguns cursos, a nota de corte dos cotistas é mais alta que a dos demais e a maioria é de baixa renda.

Para a UnB, as cotas são um ato político”, defende o professor de antropologia José Jorge de Carvalho, que ajudou a implantar as cotas na universidade. Em termos de desempenho acadêmico, não há grande diferença no rendimento anual dos alunos da UnB em geral. Na Universidade Federal da Bahia, onde as cotas foram criadas em 2005, os alunos negros já representam 75% do total.

A Unicamp tem uma experiência diferente. Não existem cotas e, sim, bônus na pontuação do vestibular. Numa prova que vale 500 pontos, alunos oriundos da escola pública ganham 30 e se forem negros, mais 10 pontos. A ideia surgiu da observação do desempenho desses alunos na vida acadêmica. “Os pontos de bônus apenas corrigem as distorções do vestibular. Tornam mais competitivos os alunos que, lá na frente, terão melhor desempenho”, explica Leandro Tessler, assessor da reitoria.

Em mais da metade dos cursos, os alunos que receberam os bônus têm médias melhores. “É importante unir inclusão social a desempenho acadêmico. Tudo o que eu não quero é uma lei me obrigando a implantar cotas, pois elas não consideram as demandas dos cursos.” Como a experiências são recentes, ainda é cedo para dizer qual será o futuro das ações afirmativas no País. Nos Estados Unidos, duraram cerca de 50 anos.

Até hoje é legal o uso da etnia como critério para ações afirmativas, mas desde 1976 não há mais cotas nas universidades, ainda que a raça possa ser considerada na seleção. Na Califórnia, desde 2003 os bônus são analisados caso a caso.

“As cotas têm o fator positivo de dar um tratamento de choque ao forçar a sociedade a pensar em um tema real, a discriminação e o racismo. Mas não deixam de ser uma forma de discriminação, mesmo que positiva”, ressalva o educador e psicólogo da USP, Yves de La Taille. “É sempre delicado separar as pessoas pelo que for, fere a ideia de igualdade, por isso as cotas poderão gerar inclusão ou reforçar a discriminação.” Para além dos corredores das universidades, há outra mudança em curso no Brasil no que diz respeito à raça e cor. É o que defende o pesquisador do Ipea e do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdade da UFRJ, Sergei Soares.

Ele analisou recortes de população da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, e notou que, entre 1996 e 2001, começou um processo de mudança em como as pessoas se veem e como se declaram para os pesquisadores (quadro à página 35). “Elas passam a ter menos vergonha de dizer que são negras. Isso antecede as cotas e continua até hoje.” Soares argumenta que o impacto numérico das cotas é muito pouco relevante na população brasileira, comparado ao do ProUni, o programa federal que dá isenção fiscal a faculdades privadas que oferecerem bolsas a estudantes de baixa renda inscritos no programa.

Para o ministro da Secretaria Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial, Edson Santos, os principais temores daqueles que se diziam contras as cotas nas universidades caíram por terra. “Não caiu o nível da produção acadêmica, não gerou confrontos nem conflitos de raça, e não há desvantagem para os não-negros, pois as cotas são sociais, com um recorte racial.” Antes de chegar ao STF, a Justiça dos Estados onde há cotas tem lidado com questionamentos.

Muitas vezes, alunos alegam ter sido injustiçados ao perder a vaga para um cotista. Um levantamento publicado no Estado de S.Paulo mostrou que na maioria dos casos o Judiciário tende a rejeitar as alegações e a considerar o sistema constitucional. Exceções têm ocorrido no Rio Grande do Sul, onde o critério de renda tem dado vitórias aos opositores da ação afirmativa.

Edição: Prof. Christian Messias Fonte: Carta na Escola, Edição 40

A anemia que atinge negros

Conhecida como falciforme, a doença hereditária é detectada em uma criança a cada 1,4 mil nascidas na PB


Lucilene Meireles /lucilenemeireles.pb@diariosassociados.com.br


Uma em cada 1,4 mil crianças que nascem na Paraíba tem anemia falciforme, doença hereditária com maior incidência na população negra, que causa a má-formação das hemáceas e se caracteriza por provocar fortes dores nos pacientes. Os números fazem parte de uma estimativa da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias. De acordo com o presidente da Associação dos Portadores de Anemias Hereditárias na Paraíba, Dalmo Oliveira, existem hoje cem pessoas em tratamento no Hospital Universitário Lauro Wanderley, enquanto no Hemocentro da Paraíba este número salta para 300. Na Bahia, onde a população negra é maior, a proporção é de um caso em cada 700 nascimentos.

Há cerca de uma semana, um jovem de 16 anos, morador do bairro Valentina Figueiredo e portador da deficiência falciforme, morreu em conseqüência de uma pneumonia. Para Dalmo, que considera a taxa de incidência alta, a doença representa o maior problema de saúde da população negra daParaíba. “Fico me perguntando até quando esse tipo fatalidade ainda vai se repetir até que tomemos providências efetivas para evitar que fatos como esse se repitam”, disse.

A anemia falciforme foi tema, ontem (Dia Nacional da Doença Falciforme), de uma sessão especial na Assembleia Legislativa proposta pelo deputado Rodrigo Soares (PT). O objetivo foi aprofundar uma agenda de saúde para a população negra no Estado e trabalhar para melhorar a situação destas pessoas. Hoje, como lembrou Dalmo Oliveira, é o Dia Nacional da Saúde da População Negra, e uma das metas é também unificar a data.

Para a representante do movimento negro, mãe Renilda, que participou da audiência, além dos problemas de saúde que as pessoas negras sofrem, elas são tratadas com preconceito e discriminação. “É preciso que algo seja feito para que a saúde de negros e negras tenha maior visibilidade”, observou.

A associação, no entanto, quer mais benefícios. Por isso, foi protocolado um ofício para que sejam criados programas de atenção integral, com o treinamento de médicos e enfermeiros para realizar atendimento específico. “Queremos também que a fase dois do teste do pezinho seja implantada na Paraíba e estamos cobrando isso das três esferas do poder”, ressaltou Dalmo. Uma das conquistas é que a doença passou a ser de notificação compulsória, ou seja, os casos, internações e óbitos serão computados pela Secretaria Estadual de Saúde, o que ajudará a fazer um balanço da doença e saber como está sua evolução.

Triagem da doença é desafio

Na Paraíba, de acordo com a hematologista pediátrica Joacilda Nunes, houve avanços, mas ainda há muito para ser feito. “O serviço público de saúde precisa dar maior atenção a este problema, cuidando do bem estar e saúde destas pessoas”, ressaltou.

A médica afirmou que há um esforço da Secretaria Estadual de Saúde para implantar a segunda fase do teste do pezinho, e lembrou que em vários Estados ele já existe. “Aqui, por enquanto, contamos apenas com a fase um”. A fase dois tem como objetivo implementar a triagem para a doença falciforme, e quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais chances o paciente terá de ter uma vida normal. “É possível conviver com a doença se o paciente contar com os cuidados de saúde necessários”, declarou a médica.

Até os seis meses de idade, a criança com anemia falciforme não apresenta nenhuma manifestação. Somente após este período é que surgem os primeiros sintomas observados no exame de sangue. As hemáceas adquirem o formato de uma foice, têm vida mais curta e vão sendo destruídas, gerando anemia crônica e obstruindo a circulação.

A doença é marcada por dores intensas, infartos, causando também a destruição do baço, o que acaba gerando problemas de imunodeficiência. O paciente necessita de vacinas especiais para fazer o controle da anemia.

Um simpósio realizado no Brasil este mês reuniu representantes de 9 países africanos. Durante o encontro, uma das informações que mais chamou a atenção foi que na África a prevalência da anemia falciforme é de 98% entre crianças com menos de 5 anos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A defesa de Requião



Segue carta recém-divulgada do governador Roberto Requião (PMDB) sobre o episódio dos gays e câncer de mama:

O tom lúdico que usei no lançamento da campanha de prevenção do câncer de mama, entre mulheres e homens, acabou provocando uma onda de recriminações. Quando me referi às paradas da diversidade, ocorriam-me os riscos que o abuso de hormônios femininos, com fins terapêuticos ou estéticos, representam para a saúde. Entre os riscos, o câncer de mama. Em razão disso, estou sendo impiedosamente criticado.

Só conheço um gênero de pessoas — o gênero humano. O mais são opções e escolhas, que sempre respeitei, como cidadão ou governante. A minha vida pública tem sido uma teimosa, insistente luta em favor da
liberdade e das minorias, cuja defesa é a essência do processo democrático. Como primeiro prefeito eleito de Curitiba pelo voto popular, depois do fim da ditadura militar, fui também um dos primeiros governantes brasileiros a tirar da sombra a questão da diversidade.

O combate ao preconceito e à discriminação nos levou, por exemplo, a avanços na área da saúde. Com o meu então secretário da Saúde, Nizan Pereira, estabelecemos com o movimento GLTB vínculos de respeito,
colaboração e de parcerias. Da mesma forma, quando assumi o Governo do
Paraná pela primeira vez, em l991, com Nizan Pereira novamente na Secretaria da Saúde, intensificamos as ações tanto dirigidas ao combate ao preconceito quanto as ações na área da saúde pública. Para
escândalo de muitos, para a censura dos conservadores, trouxemos a questão da diversidade para a esfera da administração pública.

Agora, em meus segundo e terceiro mandatos, essa política avançou
ainda mais. Temos, por exemplo, uma Secretaria de Estado voltada inteiramente às demandas das minorias e da diversidade, a Secretaria de Assuntos Estratégicos, comandada por Nizan Pereira. Logo, não posso entender que orquestrem contra mim e meu Governo uma campanha tão forte, atirando-nos à vala dos preconceituosos e dos homófobos. A tolerância tolera tudo, menos a intolerância. E esta intolerante
manifestação ao uso de humor, para chamar a atenção ao lançamento da campanha contra o câncer de mama, é inaceitável.

De todo modo, uma coisa é certa: nunca uma campanha de saúde chamou tanta atenção como esta, especialmente entre os homens, boa parte deles ignorantes de também serem vítimas potenciais do câncer de mama.
Aceito sem desagrado as intervenções dos bem-intencionados. É a eles que dirijo este esclarecimento. E repudio as intervenções dos mal-intencionados, daqueles que buscam aproveitar-se do ocorrido para extorquir vantagens políticas e eleitorais.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os Gays vão à Escolinha


O governador Roberto Requião (PMDB) pegou pesado ontem na Escolinha de Governo ao associar câncer de mama masculino a homens gays. Ao comentar uma ação da Secretaria Estadual de Saúde, soltou a seguinte pérola: “a ação do governo não é só em defesa do interesse público, é da saúde da mulher também. Embora hoje câncer de mama seja uma doença masculina também, né? Deve ser consequência dessas passeatas gay (sic).”

Obviamente, o movimento gay não achou graça nenhuma da piadinha. Tanto que já enviou ao governador um pedido para participar da Escolinha da próxima terça-feira. A carta foi escrita pelo presidente da Associação Paranaense da Parada da Diversidade, Márcio Marins.

Ainda não se sabe se Requião vai aceitar. Particularmente, aposto que sim. Se não vai amenizar a gafe, pelo menos vai aumentar a audiência da TV Educativa.

Em pouco tempo, a Escolinha pode encostar, por exemplo, na popularidade do programa da Luciana Gimenez. Os dois podem até não ser no mesmo horário, mas o nível está cada vez mais parecido.

domingo, 25 de outubro de 2009

Forum Nacional da Religiosidade Afro-Brasileira é um marco na história político-religiosa do país

Criado em Brasília, durante a II Conapir, o Forum buscará agregar lideranças religiosas de todo o país e organizações nacionais que lidam com o tema para a discussão de grandes agendas.
A IV Caminhada do Povo-de-Santo, ocorrida em Salvador em novembro de 2008 e organizada pelo Coletivo de Entidades Negras – CEN, foi marcada por uma mudança de rumos quando, um conjunto de organizações nacionais que lidam com o tema da religiosidade de matriz africana decidiu, em conjunto com o CEN, lançar uma carta, a “Carta de Salvador”*, apontando a necessidade de atuarem juntas nas seguintes frentes: tornar a Caminhada do Povo-de-Santo em Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religiosa e realizar em 2010 uma grande campanha de resgate da auto-estima do povo-de-santo chamada, “Quem é de Axé diz que É!”.

O passo seguinte foi a proposta da criação do Forum Nacional da Religiosidade Afro-Brasileira que surgiu durante a consulta religiosa promovida pela Seppir e só foi se constituir como algo real e concreto na histórica reunião conduzida por Mãe Beata de Yemonjá e Mãe Sylvia de Oxalá, com todas as lideranças religiosas presentes à II Conferência Nacional da Igualdade Racial, em Brasilia, no mês de junho de 2009.

O terceiro passo agora é consolidar este Forum como um espaço da religiosidade, liderado e controlado pelas pessoas que são referência na esfera religiosa. A idéia original é que este Forum se constitua por um Conselho Superior, responsável por discutir e definir posições sobre temas tais como o aborto, o casamento entre homossexuais, questões referentes à teologia, doutrina e normas. A segunda estrutura do Forum, seria um Comitê Executivo composto pelas entidades nacionais que lidam com a dimensão da religiosidade, sem disputas, sem vetos, fazendo com que todas atuem juntas, visando construir falas e olhares únicos sobre a política que envolve as casas de matrizes africanas em todo o Brasil.


Caminhada Nacional e Campanha sobre o Censo de 2010

A I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa ocorrerá em fins de novembro, em Salvador, BA. No entanto, a previsão é que a II Caminhada Nacional já ocorra em Brasilia, em 2010, provavelmente na mesma data, já visando constituir diálogos com o novo ou nova presidente eleito ou eleita.

A idéia é que este Forum já coordene esta II Caminhada e, concomitantemente, seja o grande impulsionador também da campanha “Quem é de Axé diz que É!”, que buscará incidir diretamente sobre o Censo de 2010, fazendo com que a auto-declaração em torno da religiosidade de matriz africana tenha um crescimento significativo.

Desde que Mãe Aninha conseguiu de Getúlio Vargas a assinatura do decreto que estabeleceu a liberdade de culto, muitas foram as vitórias conseguidas pelo povo-de-santo. O surgimento do Forum Nacional da Religiosidade de Matriz Africana, já chamado por muitos de a CNBB Afro, é antes de tudo um tributo às velhas e velhos que antecederam as gerações atuais e sempre lutaram em defesa da religião de matriz africana em nosso país.
Nos próximos meses haverá uma convocação ampla, feita pelas principais lideranças religiosas do país para a primeira reunião deste Forum e, com isso, efetivamente, veremos surgir um espaço de afirmação da fé daqueles que cultuam Voduns, Inquices, Caboclos, Orixás e Encantados e acreditam na convivência possível entre todas as manifestações de crenças.
* Assinaram a Carta de Salvador as seguintes instituições: Coletivo de Entidades Negras – CEN, Instituto de Tradições da Cultura Afro-Brasileira – INTECAB, Movimento Nação Bantu – MONABANTU, Federação Nacional de Culto Afro-brasileiro – FENACAB, Associação de Preservação da Cultura Afro e Ameríndia – AFA, Centro de Tradições Religiosas Afro- Brasileira – CETRAB, Centro de Desenvolvimento das Religiões Afro-Brasileira – CEDRAB, Rede Ecumênica do Nordeste, Conselho Nacional de Juventude/CONJUVE. Rede Religiões Afro–Brasileiras e Saúde, Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira – CENARAB, Centro de Integração da Cultura Afro-Brasileira - CIAFRO

Marcio Alexandre M. Gualberto
Jornalista, Coordenador Nacional de Política Institucional do CEN

sábado, 24 de outubro de 2009

CEN/MG participa de debate sobre a Conseg e a reestruturação do CONASP

No dia 21 de outubro de 2009, às 16:00 horas, foi realizado, na Radio Web da Associação dos Praças Policiais Militares e Bombeiros Militares, o terceiro debate sobre Conseg e Reestruturação do CONASP, tendo como convidadas Dikota Djanganga - Coordenadora do CEN/MG, Mãe Tereza de Oxúm - Contagem/MG, e Sandra Mara Albuquerque Bossio - Diretora de Ética do Centro pela Mobilização Nacional em Minas Gerais.

A gravação do debate foi disponibilizado pela Radio Web Aspra no endereço: Aspra debate: Conseg e reestruturação do conasp

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ministro visita Templos Afro Brasileiros









O Babalorixá do Oxumaré, Silvanilton da Mata, disse que a visita do Ministro representa um marco histórico. " O governo está aqui para conhecer a nossa realidade, o que é muito positivo."

Jornal A Tarde

22/10/2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Praça Castro Alves será palco da celebração













"As comemorações vão prosseguir até o dia 22 de novembro, quando acontece a 1ª Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religiosa, que sai do Engenho Velho da Federação em direção ao Dique do Tororó. O show de encerramento será feito por Aloísio Menezes e Lazzo Matumbi."
Jornal A Tarde
20/10/2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Informes do CEN/MG...


Aconteceu nos dias 16, 17 e 18 de outubro de 2009, na Escola Municipal Marconi, a II Conferência Municipal de Cultura, que é um espaço aberto para participação social, articulação entre Estado, governos municipais, sociedade civil, organizações culturais e seguimentos sociais, análise da conjuntura da área cultural no âmbito municipal, proposta de diretrizes para a formulação de políticas públicas para o Plano Municipal de Cultura, contribuição para os Planos Estadual e Nacional de Cultura e a construção participativa e democrática doSistema Nacional de Cultura.

Tendo como tema central “Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento”, a Conferência abordou as políticas públicas culturais em suas dimensões Simbólica, Cidadã e Econômica, por meio dos eixos temáticos: Produção Simbólica e Diversidade Cultural; Cultura e Economia Criativa; Cultura, Cidade e Cidadania; Cultura e Desenvolvimento Sustentável; e Gestão e Institucionalidade da Cultura.
No último dia da Conferência de Cultura de Belo Horizonte, foram aprovadas diretrizes e eleitos 25 delegados, tendo sido a Coordenadora da Religiosidade de Matriz Africana do Coletivo de Entidades Negras do Estado de Minas Gerais, Mamentu Monasinaguê, única representante das roças de candomblé da cidade, a terceira pessoa mais votada para representar a capital na Etapa Estadual de Minas Gerais.
Fonte: CEN/MG

Mercado de Trabalho: Guias de Turismo por Tobossis

Curta mineiro Barbara motiva discussão sobre diversidade sexual no Odeon Café e Cia‎‏‎‎‎‎‎‎‏‏‏‏‎‏‏‎‎‎‏‎‎‏‎‎‎‏‏‏‏‏‏‏‏‏‎‏‎‏‎‎‏‎‎‏‎‎‏‎‎‏‏‏‎‎‏‎‎‎‏‏‎‎‏‎‏‏‎

No último domingo, o Coordenador da Juventude Negra LGBT do Coletivo de Entidades Negras do Estado de Minas Gerais, Cristiano Silva Batista, participou da atividade do Grupo Teatral ODEON Café e Cia, apresentando e comentando o curta-metragem mineiro "Bárbara", dirigido por Carlos Antônio da Silva Gradim, que foi exibido no segundo dia da mostra competitiva da segunda edição do For Rainbow - Festival de Cinema da Diversidade Sexual, na cidade de Fortaleza/CE, em setembro de 2008.

Narrado em primeira pessoa, Bárbara é uma travesti interpretada pelo premiado ator Vandré Silveira, que se vê em delicada situação quando tem de assumir sua orientação sexual diante de seu pai, hospitalizado e impossibilitado de falar.

A apresentação do curta-metragem foi um improviso, uma vez que o ator Alexandre Cioletti, que faria a última apresentação da peça "Olá, Pessoa", também dirigida por Carlos Gradim, teve de sair às pressas para gravar a novela das 7.

A conversa que se seguiu à exibição do video, envolvendo os diferentes pontos de vista dos heteros e homossexuais presentes, foi tão interessante e empolgante, que o grupo só deixou o Odeon Café e Cia às 22:00 horas.
CEN/MG Comunicação.

Brasil e Estados Unidos se reúnem em Salvador (BA) em torno do combate à discriminação racial



A cidade de Salvador (BA) vai sediar nos dias 22 e 23 de outubro a III Reunião para Implementação do Plano de Ação Conjunta Brasil – Estados Unidos para a Eliminação da Discriminação Étnico-Racial e Promoção da Igualdade. O encontro será aberto pelo ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, pela subsecretária-geral de Política I do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Vera Lúcia Barrouin Machado, e pelo subsecretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, Thomas Shannon.



A reunião marcará mais uma etapa da cooperação bilateral, que envolve a sociedade civil e os setores públicos e privados. Conforme documento assinado em 13 de março de 2008 pelo ministro Edson Santos e pela então secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, o Plano visa a estabelecer parcerias de longo prazo no combate à desigualdade racial, a partir de cinco eixos temáticos: educação; trabalho e desenvolvimento econômico; saúde; direitos humanos; e segurança pública e comunidades remanescentes de quilombos.



A primeira reunião plenária do Grupo Diretor foi realizada em outubro de 2008, em Brasília. A segunda aconteceu em abril deste ano, em Washington. No encontro de Salvador, o Grupo Diretor – que se reúne a cada seis meses – divulgará as diretrizes para apresentação de propostas de projetos, além de estimular o intercâmbio de experiências e formas de atuação da iniciativa privada.



A reunião terá espaço para a participação de aproximadamente 80 lideranças de movimentos sociais de todo o Brasil, que estarão reunidas desde a véspera (21/10) em Salvador, quando receberão esclarecimentos sobre as metas do Plano e indicarão seus representantes nas futuras discussões dos eixos temáticos.



Comunicação Social da SEPPIR /PR



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mobilização Pró-Saúde da População Negra ganha os Estados brasileiros

Redes da sociedade civil, governos e movimentos sociais promovem no próximo dia 27 de outubro o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. Esta semana, uma série de atividades já serão realizadas para envolver a sociedade na luta contra o racismo no setor saúde e pela implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (veja no mapa).O tema da Mobilização Nacional é “Racismo faz mal a saúde: Política de Saúde da População Negra Já!”.

Em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e com o apoio do Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia – Nações Unidas, Brasil e do MDG F – Fondo para el Logro de los DOM , a mobilização inicia em 20 de outubro e termina em 20 de novembro, tendo como principais protagonistas as Redes Nacionais de Controle Social e Saúde da População Negra, Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, Lai Lai Apejo: População Negra e Aids e de Promoção e Controle Social da Saúde das Lésbicas Negras (Sapatá).

“Queremos chamar a atenção da sociedade civil e dos poderes públicos para o racismo institucional que existe no SUS e para a defesa do sistema. É fundamental que a política seja efetivada para que a população negra seja atendida e acolhida a partir dos princípios de universalidade”, destaca Verônica Lourenço, representante da Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra, em João Pessoa (PB).

A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra/PNSIPN foi criada em 2006, para melhorar o trabalho de profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde na promoção do direito de negras e negros à saúde integral. A PNSIPN aponta dois caminhos principais:

- Enfrentar o racismo e sua presença no SUS: por meio de formação e treinamento de todas as pessoas que trabalham na saúde.
- Dar atenção à prevenção e ao tratamento dos problemas de saúde que mais atingem a população negra: por meio da reorganização dos serviços, da formação, educação permanente e qualificação de profissionais, da disponibilização de equipamentos, exames, medicamentos e tudo o que for necessário.

Médica, representante do movimento negro no Conselho Nacional de Saúde e coordenadora da organização não governamental (ONG) Criola, Jurema Werneck chama a atenção para as deficiências no atendimento das mulheres negras, que sofrem com os maiores índices de morte materna por causas que poderiam ser evitadas.

“A mulher negra por ínumeras razões, inclusive pelo impacto do racismo institucional, está mais vulnerável a ter pressão alta na gravidez, o que pode provocar a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia. Quando as mulheres negras conseguem fazer o pré-natal, não conseguem o número de consultas mínimas necessárias e, quando conseguem, nem sempre recebem atendimento adequado, como a medição da pressão arterial, ou seja, várias mortes poderiam ser prevenidas, evitadas, caso não houvesse negligência, omissão, ou mesmo inferiorização destas mulheres”, destaca Jurema.



Mais informações:

Blog: http://redesaudedapopulacaonegra.blogspot.com/
Email: redesaudenegra@gmail.com

Contatos:

Imprensa – Griô Produções (61) 7814-2907
Sociedade civil - José Marmo da Silva: (21) 2518 7964 ou 2518 6194

Saiba mais:

De acordo com dados no Ministério da Saúde

- A hipertensão arterial específica da gestação (eclâmpsia e pré-eclâmpsia) e o aborto são as causas mais frequentes de morte materna em todo o país, sobretudo entre as mulheres negras.

- O risco de morte por tuberculose foi 63% maior entre pretos e pardos (negros), quando comparados aos brancos.

- Para as crianças pretas e pardas (negras) com menos de 1 ano de idade, o risco de morte por doenças infecciosas foi 43% maior que o apresentado para as crianças brancas.

- Independente da região do país, o risco de um homem negro de 15 a 49 anos ser vítima de homicídio é 2,18 vezes superior àquele apresentado por um homem branco na mesma faixa etária.

- Mais de metade das mulheres grávidas referiram ter feito 7 ou mais consultas de pré-natal, contudo mães indígenas, negras e adolescentes apresentam um menor percentual de consultas de pré-natal quando comparadas às mães brancas ou àquelas com 20 anos ou mais de idade.


Fonte: Rede Nacional Controle Social e Saúde da População Negra

I Fórum Dança e Cultura Afro-Brasileira

Gostaríamos de convidá-los a participar do I Fórum Dança e Cultura Afro-brasileira a ser realizado no período de 18 a 20 de Novembro de 2009, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro. O evento público e gratuito promoverá palestra, oficina prática, mostra de vídeo, mostra coreográfica e lançamento de livros. O Fórum tem como objetivo fomentar discussões relativas às construções artísticas desenvolvidas na contemporaneidade por afros-descendentes ou por criadores e educadores autores de pesquisas focadas no corpo negro em suas tradições, modos de ser social e cultural. Através destas discussões propomos um olhar sensível e poético, sem amarras e preconceitos, gerando um novo espaço de convivência da dança, pertinente a todos os interessados pela investigação da dinâmica dos processos culturais: espectadores, professores, pesquisadores, intérpretes, coreógrafos e brincantes.


A EQUIPE DO FÓRUM

Kiko Dinucci, Rui Moreira, Carmem luz, Euzébio Lobo, João Carlos Ramos, Eliete Miranda, Carlos
Laerte, Tânia de Iansã, R. M. Cia. De Dança Charles Nelson, Bia Lagos e José Izquierdo,
Júlio Tavares, Victor Mello, Aline Valentim, Cia Dança do samba Andréa Jabor,
Inaicyra Falcão, Gustavo Mello, Helena Teodoro, Cia de Dança Afro Daniel Amaro
de Pelotas, Cia de Dança Contemporânea da UFRJ, Grupo de Dança do SESC de São
João de Meriti, Hilton Cobra, Fabio Batista, Alsonia Bernardes, Geração D’Rua,
Bacharelado em Dança da UFRJ,

REALIZAÇÃO
Prefeitura do Rio/ Cultura
Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro
Departamento de Arte Corporal da UFRJ

LOCAL
Centro Coreográfico da Cidade do Rio de
Janeiro
Rua José Higino, 115 – Tijuca.


INFORMAÇÕES
Gabrielle Domingues
(21) 76005967
Renata Azevedo
(21) 7666-1083
E-mail: forumculturaafrobrasileira@gmail.com


Departamento de Arte Corporal - 2562-6821
Programação completa:
http://ciadedancaufrj.wordpress.com


Inscrições:
30 minutos antes, no local.
N° de vagas limitadas
Certificado de participação



Agradecemos desde já,
Equipe do Fórum.
Rio de Janeiro / 2009.
Fonte: Recebido por e-mail.

domingo, 18 de outubro de 2009

Convocatória da Plenária de Mobilização da I Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religiosa

Convidamos à tod@s religios@s de Matriz Africana, de Umbanda e Candomblé, para a plenária de mobilização da I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa

Data: 19/10/2009
Horário: 17 h
Local: Rua Drumond, 65 - Olaria - Rio de Janeiro - RJ


Conforme carta de Salvador, a caminhada nacional foi deliberada na plenária de Salvador de 2008, formalizada por este documento pelas entidades, dela signatárias.

A programação esta prevista para acontecer de 18 à 22 novembro de 2009, em Salvador e contempla a o preparo da cidade para receber a caminhada com a cerimônia dos ojas(amarra àrvores da cidade com ojas), dois dias de seminário e a caminhada.

A caminhada deste ano tem como meta preparar a carta da caminhada nacional a ser levada, na programação da caminhada de 2010, rumo à Brasília, um documento reivindicatório do povo de santo à/ao proxim@ chefe da nação brasileira.

Nosso cordial Axé!

Pela Comissão Organizadora Nacional
Dolores Lima
CETRAB

CEN/MG: Aprovado o Pacto de Convivência do Fórum‎‏‎‎‏‎


A segunda reunião do Fórum Mineiro de Religiões de Matriz Africana, realizada na sala de Conselhos do 3º andar da Avenida Afonso Pena, 372, no centro de Belo Horizonte, cedida pelo Conselho Nacional de Entidades - CONNACEN, concluiu mais uma importante etapa no processo de construção e estruturação desse espaço de interesse das comunidades tradicionais de religiosidade afro brasileira. Sob a coordenação da Mam'etu Monasinanguê, foi aprovada a minuta do Pacto de Convivência, elaborada pelo Jurídico do Coletivo de Entidades Negras do Estado de Minas Gerais.

A Associação Espírita de Culto Afro Brasileiro Ya ABoring - Jeje Mahim, presidida pela Sacerdotiza Doné Ruth de Aziri, com 43 anos de iniciação, foi representada por sua vice-presidente, Sra. Veranice Conceição da Costa Leite, filha da Doné Ruth;

A Doné Sandra de Vodun Jó (Sandra Maria Rodrigues Teixeira), da Nação Jeje Mahim, integrante da Comissão Organizadora do Fórum, falou em nome da(o):

- Sociedade da Guarda de São Sebastião do Reino de Nossa Senhora do Rosário, cuja Rainha Conga Perpétua é a Senhora Efigênia Ward, fundada em 1952 e presidida por Antonio Cesar Ward;

- Ylê Alaketu Ya Oxum - Ketu, presidida pelo Babarorixá Hélio Pereira Lacerda, sacerdote há 39 anos;

- Kue de Oya - Mãe Lia de Oia - Jeje Mahim, fundada em 1964, que tem como responsável o Huntó Nein de Otolu;

- Aje Axé ABé Huntó, fundada em 1981, presidida pelo Sacerdote Hugan Jorge de Agué (Jorge Luiz da Silva);

- Humkpame Ayono Huntologi, que tem como responsável o Hugan Doca de Odé (Aristoteles Nery Soares);

- Doné Ogunssi (Deusdedit Lourdes da Conceição Domingues) e Huntó Aldair de Otolé.

Durante a apresentação da minuta do Pacto de Convivência, a Ekeji Juliana Pereira, do Ilê Axé Pilão Odara, da cidade de Santa Luzia/MG, demonstrou bastante preocupação com a criação do Conselho Sacerdotal, principalmente se ele teria a função punitiva de religiosas(os) de matriz africana, e quanto a sua composição, uma vez que o mais velho de uma nação pode não ser assim considerado pelas outras.

O Ogan Paulo Afonso Moreira, do Ilê Oju Onirê, contribuiu com a discussão, sugerindo que o Fórum não deveria excluir a política partidária de sua formatação, e informou sobre a composição de um Conselho formado por representantes de três nações de candomblé, eleitos entre seus pares.

O Jurídico do CEN-MG esclareceu que o Conselho Sacerdotal, cujo nome foi aprovado na reunião que criou o Fórum Mineiro de Religiões de Matriz Africana, não tem a função punitiva, mas sim representativa do espaço e das pessoas e entidades que dele farão parte, e em sua composição haverá assento para o mais velho de cada uma das diferentes nações, vertentes e ternos, ou para a(o) religiosa(o) por ele indicada(o), sempre e em tudo respeitada a hierarquia.

A Doné Sandra de Vodun Jó, sobre a composição do Conselho Sacerdotal, informou que, em relação à Nação Jeje Mahim, não haverá qualquer dificuldade em se respeitar a hierarquia e colocar na cadeira a religiosa com mais tempo de iniciada.

Mauricio Moreira dos Santos, do Quilombo de Mangueiras e Willer Alves Ferreira, presidente da Frema de Santa Luzia/MG, estiveram entre aqueles que prestigiaram a reunião.

Fonte: http://matrizafricana.mecamob.com/

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Experiência Audiovisual: I Caminhada das Comunidade de Terreiro do DF e Entornos



Experiência audiovisual sem texto realizada para a disciplina Telejornalismo sob orientação da profª. Drª Célia Ladeira Mota, na UnB.

O vídeo foi feito durante a I Caminhada das Comunidade de Terreiro do DF.

Equipe: Clara Araújo, Gustavo Aguiar, Marcela Mattos, Mateus Rodigues, Naiara Lemos e Raíssa Gomes.

Fonte: You Tube

Afropress entrevista: Presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo





Publicado em: 22/8/2009 Entrevista

Fonte: Afropress

Intolerância religiosa é tema de caminhada


No último fim de semana, a cidade de Salvador (Bahia) foi sede de um encontro que serviu de preparação para a I Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religiosa, que será realizada nos dias 21 e 22 de novembro, também na capital baiana.

Durante dois dias, cerca de 350 pessoas ligadas ao candomblé debateram sobre os detalhes do evento e a programação. Após finalizadas as reuniões, ficou confirmado que a manifestação nas ruas será no dia 22 e que o dia 21 será inteiramente dedicado para debates. Além disso, atividades na Assembleia Legislativa e a lavagem da imagem de Zumbi dos Palmares também estão programadas.

"A Caminhada já ocorre há quatro anos, mas, até então, era apenas local. Neste ano é que teremos caráter nacional e vamos acolher religiosos de todo o Brasil. A expectativa é de termos conosco entre 30 mil e 50 mil pessoas", comenta Marcos Rezende, um dos coordenadores nacionais da caminhada.

De acordo com Rezende, a intenção é de dar visibilidade para a questão da intolerância religiosa, algo que, até hoje, ainda acontece com frequência, principalmente contra as religiões de Matriz africana.

"Durante esse fim de semana fizemos um ato simbólico para a preservação das árvores: colocávamos panos brancos nos troncos remetendo ao cuidado que devemos ter com elas. Muitas pessoas, ao verem nosso trabalho, xingaram, ridicularizaram. É um pequeno exemplo de tudo que sofremos", diz ele.

Outro tema importante no evento de novembro será voltado para o Censo 2010. Com o slogan Quem É do Axé, Diz que É: Quando o Censo Chegar, Assuma sua Fé, a intenção é de incentivar quem tem o candomblé como religião que admita o fato perante todos.

"Uma das formas de combater o preconceito sofrido é assumir nossa religiosidade e mostrar para a população que somos uma parte considerável da sociedade", defende.
Fonte: O Tempo

Religiosos discutem a criação do Fórum de Religiões de Matriz Africana

clique na imagem para ampliar

publicado no Jornal A Tarde 13/10.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Tarso empossa integrantes do Conselho Nacional de Segurança Pública

Brasília, 13/09/09 (MJ) – Criado em 1997, o Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp) será, pela primeira vez, um órgão efetivamente democrático. O ministro da Justiça, Tarso Genro, dá posse nesta quarta-feira (14), às 9h30, no Salão Negro do MJ, aos 48 integrantes do novo Conasp. Reformulado, ele agora é formado por representantes da sociedade civil e dos trabalhadores da área, além de indicados do poder público.

A reestruturação do Conselho foi um dos objetivos da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), encerrada no fim de agosto. A necessidade de reativar o colegiado, que não se reúne desde 2002, e de garantir assento para as ONGs e os profissionais esteve presente ao longo das etapas da Conferência e tornou-se compromisso do Ministério da Justiça.

Em 26 de agosto, um dia antes do início da etapa nacional da Conferência, foi publicado o decreto presidencial nº 6.950, que determinou a instalação de um Conasp transitório. Com mandato de um ano, os conselheiros empossados nesta quarta-feira (14) terão a missão principal de definir regras para a escolha dos órgãos e entidades que farão parte do Conselho permanente, que funcionará a partir de 2010.

Os 48 integrantes ocupam 39 cadeiras com direito a voto, divididas entre representantes da sociedade civil (40%), do poder público (30%) e dos trabalhadores da área (30%). A composição é a mesma da Comissão Organizadora Nacional da 1ª Conseg e a presidência fica a cargo do ministro da Justiça.

O decreto 6.950 também define a estrutura, competências e funcionamento do Conasp definitivo. Entre suas atribuições estão: controlar a execução da Política Nacional de Segurança Pública, sugerir alterações na legislação e acompanhar a aplicação dos recursos.

A coordenadora geral da 1ª Conseg, Regina Miki, aponta que, ao contrário de áreas como educação e saúde, a segurança pública ainda não havia experimentado a participação popular. “O Conasp representa a garantia de que a participação democrática na elaboração de políticas públicas continuará após a Conferência”, afirma.
Fonte: MJ

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Vamos caminhar juntos?


Depoimento de Mãe Stella de Oxóssi
Lançamento da 1ª Caminhada Nacional do Povo de Santo


Caminhar significa dar um passo além do outro. Mover-se de um ponto e, seguindo em frente, apontar outra direção, outro rumo, outro caminho. Quando caminhamos juntos fortalecemos a lógica da solidariedade, afirmamos o desejo de estar com outra pessoa ao lado e partimos para construir novas trilhas, novas estradas, outros caminhos...
Há quatro anos caminhamos juntos.
Há quatro anos caminhamos pela vida e pela liberdade religiosa. Há quatro anos caminhamos com o CEN, com a Bahia, com as casas de Axé.
Agora, em 2009, caminharemos juntos com novos parceiros. Parceiros do país inteiro que, junto conosco, transformaram nosso caminhar na I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa. Caminharemos juntos com o Movimento Nacional Bantu (Monabantu), o Centro de Tradições Afro-Brasileiras (Cetrab), o Instituto Nacional da Tradição Afro-Brasileira (Intecab)..AFA, NAFRO, Fórum de Religiosos do Estado da Bahia e do Rio Grande do Sul.
Para nos dar força e Axé, nossos mais velhos e nossas mais velhas estarão conosco.

E assim caminharemos contra o desrespeito que gera intolerância religiosa. Assim daremos os primeiros passos para dizer que somos de Axé e temos orgulho disso. Assim avançaremos no sentido de construir a unidade entre nós e, mais que tudo, afirmaremos nossa identidade, reforçaremos nossa auto-estima e nos fortaleceremos de fé para seguir adiante construindo um país democrático onde ninguém precise se envergonhar em afirmar sua própria religiosidade.


Dia 22 de novembro temos um encontro marcado!

domingo, 11 de outubro de 2009

Faixas brancas divulgam ação contra intolerância religiosa

Redação CORREIO


Foto: Reprodução
Diversas faixas brancas foram espalhadas nesta sexta-feira (9) em vários pontos de Salvador, como na Avenida Paralela, orla, Lagoa do Abaeté e Dique do Tororó. A ação contra a intolerância religiosa foi chamada de Alvorada dos Ojás.


A ação faz parte das atividades da 5ª Caminhada Pela Vida e Liberdade Religiosa, que vai ser realizada neste fim de semana na capital. A Alvorada foi lançada oficialmente na sede da Associação das Baianas de Mingau e Acarajé (Abam), que fica na Praça da Cruz Caída, no Centro Histórico de Salvador.
Fonte: Correio da Bahia

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Salvador sedia preparativos para caminhada


De hoje até sábado, Salvador é a sede do lançamento da I Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religosa, que será realizada nos dias 21 e 22 de novembro.

A caminhada vem sendo realizada desde 2005, mas pela primeira vez ganhou uma dimensão nacional. Estes três dias de encontro são para o acerto dos detalhes finais para a organização do evento.

Um dos temas, dentre os que serão debatidos neste período preparatório, é a campanha Quem é de Axé diz que é !, que pretende estimular a afirmação como religiosos de matrizes africanas nas perguntas do Censo 2010. Os números da profissão religiosa com estas características costumam ficar subdimensionados, pois o histórico de repressão ainda faz com que muitos religiosos de candomblé e umbanda não declarem sua real opção religiosa.

Hoje, a atividade é direcionada aos religiosos, com a realização de um ritual para Iroko e instalação de ojás ( panos brancos usados para demarcar território sagrado ) em árvores espalhadas por vários bairros de salvador.

Amanhã, durante a manhã e a tarde, ocorrerão os debates, abertos à participação de quem se interessar, a partir das 9 horas, no Memorial das Baianas, Centro Histórico de Salvador. No sábado, as atividades serão apenas pela manhã, a partir das 9 horas.

A caminhada está sendo organizada pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), apoiado por outras instituições como a Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab), Núcleo Afro da Polícia Militar (Nafro), dentre outras.


Fonte: Mundo Afro

09/10 – Lançamento da “1ª Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religosa

Nesta sexta-feira (09), às 09h, será realizado um debate aberto no Memorial das Baianas – Praça da Sé, com objetivo de lançar a I Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religosa, que será realizada nos dias 21 e 22 de novembro, na cidade do Salvador.

A caminhada acontece desde 2005, mas desta vez ganhou uma dimensão nacional, com a participação de 17 estados brasileiros, com seus representantes das religiões de matriz africana.Este evento contará com a presença do Ministro da Cultura – Juca Ferreira e está sendo organizado pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), com apoio da Secretaria Municipal da Reparação (SEMUR), e por outras instituições como a Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab), Núcleo Afro da Polícia Militar (Nafro), ABAM – Associação das Baianas de Acarajé e Mingaus.
Fonte: SEMUR

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Salvador prepara-se para o lançamento da I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa

Lideranças do país inteiro chegam a Salvador nesse fim de semana para as atividades de lançamento.

Salvador será nesse fim de semana, 8, 9 e 10 outubro a capital brasileira da religiosidade de matriz africana. De Norte a Sul do país, lideranças das mais distintas tradições religiosas que conformam o universo religioso de matriz africana em nosso país, se encontrarão em Salvador para definir os detalhes finais da I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa que ocorrerá em nos dias 21 e 22 de novembro deste ano, também em Salvador.

Durante o seminário de lançamento da I Caminhada Nacional muitos serão os temas debatidos e as lideranças religiosas também conhecerão a campanha "Quem é de Axé diz que é!', voltada para o Censo de 2010.

Além de lideranças religiosas, estarão presentes lideranças políticas seculares, acadêmicos, personalidades entre outros representantes de segmentos significativos.

Atenção: No dia 9 serão distribuidos os kit de mobilização, bem como 250 cópias do DVD Até Oxalá vai a guerra (Apoio CESE) para os representantes de Terreiros diversos.

Maiores informações: Marcos Rezende 71 8868 4598 / Lindinalva 7199334033.

Em tempo informamos que essa é uma caminhada nacional, desdobramento da Carta de Salvador, uma construção coletiva e que a mesma conta com o apoio e participação de organizações diversas na sua concepção e organização!
Participe! Mobilize!

Semur visita Terreiro Ilê Axé Oyá Onipo Neto

Devido às solicitações e o chamado de Mãe Rosa, líder religiosa do Terreiro Oyá Onipo Neto, localizado na Avenida Jorge Amado – Imbuí, a Semur deslocou-se até o local para atender a demanda e identificar, in loco, a atual situação do templo religioso.
A mãe-de-santo do terreiro, Rosalice do Amor Divino, conhecida como Mãe Rosa, explanou as suas necessidades e relatou cada objeto pessoal e sagrado do templo que foi perdido. A Semur, por sua vez, mostrou-se a disposição e pronta para apoiar a líder religiosa na solução de suas demandas e no acompanhamento do processo administrativo de regularização do imóvel.
Acompanhado do subsecretário, Edmilson Sales e da assessora de gabinete e advogada Silene Maria e do líder comunitário do Imbuí, Daniel, o secretário municipal da Reparação, Ailton Ferreira tratou sobre o ressarcimento equivalente às peças do acervo religioso e alguns bens que foram estragados. Nesta ocasião também prometeu tomar as providências cabíveis para solução das dificuldades enfrentadas por Mãe Rosa.
Fonte: SEMUR

domingo, 4 de outubro de 2009

Você pode participar de várias maneiras. Junte-se a nós e faça a diferença!

clique na imagem para ampliar


Vamos caminhar juntos?
Caminhar significa dar um passo além do outro. Mover-se de um ponto e, seguindo em frente, apontar outra direção, outro rumo, outro caminho. Quando caminhamos juntos fortalecemos a lógica da solidariedade, afirmamos o desejo de estar com outra pessoa ao lado e partimos para construir novas trilhas, novas estradas, outros caminhos...
Há quatro anos caminhamos juntos.
Há quatro anos caminhamos pela vida e pela liberdade religiosa. Há quatro anos caminhamos com o CEN, com a Bahia, com as casas de Axé.
Agora, em 2009, caminharemos juntos com novos parceiros. Parceiros do país inteiro que, junto conosco, transformaram nosso caminhar na I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa. Caminharemos juntos com o Movimento Nacional Bantu (Monabantu), o Centro de Tradições Afro-Brasileiras (Cetrab), o Instituto Nacional da Tradição Afro-Brasileira (Intecab)..AFA, NAFRO, Fórum de Religiosos do Estado da Bahia e do Rio Grande do Sul.
Para iniciar esta caminhada, daremos o primeiro passo neste fim de semana, 9, 10 e 11 de outubro, quando realizaremos o seminário de lançamento da I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa, no Memorial das Baianas, na cidade de Salvador.
Participarão deste primeiro passo o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, importantes lideranças políticas do estado da Bahia, personalidades do mundo artístico e cultural tais como Lazzo Matumbi entre outros.
Para nos dar força e Axé, nossos mais velhos e nossas mais velhas estarão conosco. Mesmo impossibilitada de estar presente fisicamente por problemas de saúde, Mãe Stella de Oxossi estará conosco via depoimento áudio-visual. Mãe Beata de Yemonjá, do Rio de Janeiro, estará conosco saudando nossos orixás. Babalorixás e Yalorixás de todos os estados da Federação, bem como ogans, ekedis e filhos-de-santo de casas religiosas do país inteiro se farão presentes neste início de caminhada.
E assim caminharemos contra o desrespeito que gera intolerância religiosa. Assim daremos os primeiros passos para dizer que somos de Axé e temos orgulho disso. Assim avançaremos no sentido de construir a unidade entre nós e, mais que tudo, afirmaremos nossa identidade, reforçaremos nossa auto-estima e nos fortaleceremos de fé para seguir adiante construindo um país democrático onde ninguém precise se envergonhar em afirmar sua própria religiosidade.
Contatos:
Marcos Rezende - 8868 4598
Lindinalva de Paula 9933 4033

Junte-se a nós e faça a diferença! Participe!

Informações: 71 8868-4598 / 71 9933-4033

Estatuto – A vitória da elite fundiária, por Yedo Ferreira

Por Yedo Ferreira*

Os que desde a muito são contra o Estatuto de Promoção da Igualdade Racial e agora com sua aprovação mais ainda, não podem deixar passar este momento que de maneira negativa entra para a história do povo negro no Brasil.

Quando a aprovação deste malfadado Estatuto é recebida com cantoria e demonstração de alegria por negros – e negras também - de mãos dadas com representantes da elite fundiária este fato lastimável não pode ficar sem registro, afinal a história sempre severa há de julgar todos nós; os contra – que muito embora sejam contra são omissos – e os a favor, sobretudo aqueles que antes defendiam o Estatuto, mas hoje medindo a dimensão desta aprovação às custa das aspirações dos quilombolas, se escondem no silêncio dos covardes.

Como se deu a aprovação deste Estatuto?

O deputado Federal do DEM/RJ, Índio da Costa, responde:

Mudamos o Estatuto da Igualdade Racial. Prossegue; “... chegamos ao limite de atrasar a votação... Por isso, nesta terça-feira, me reuni com o Ministro Edson Santos, ao lado do relator Antônio Roberto PV/MG e do deputado Onyx Lorenzoni, DEM/RS.”

O que resultou desta reunião?

A resposta ainda é do deputado federal Índio da Costa: “Conseguimos retirar do Estatuto as cotas de negros para empresas, escolas, FACULDADES, mestrados e doutorados”;

Limitar o poder dos Quilombolas de escolher terras sem que haja prova de que os pertencem histórica e atualmente e ajustar o texto para que a justiça não tenha dúvida quanto ao interesse do legislador de que as produções de TV e cinema não tenham que ter 50% de negros e de brancos.”

O Estatuto aprovado, portanto é um Estatuto concedido pelos brancos latifundiários racistas que o seu preposto Índio da Costa com arrogância – sempre familiar aos seus iguais da UDR – ainda afirma que “nós democratas não votaremos favorável ao Estatuto” e mais adiante conclui com desmedida prepotência que “retiramos do texto os absurdos.”

Desta afirmação de Índio da Costa, pode-se prevê que o DEM, mesmo impondo o seu ponto de vista – aceito todos eles pelos (as) negros (as) que festejaram esta aberração – ainda assim, se preciso for não votam aprovação do Estatuto, mesmo agora moldado a seu feitio.

Neste sentido há de reconhecer que a grande vitória alcançou os brancos latifundiários e racistas do DEM em cima do lombo preto dos (as) negros (as) pró-Estatuto presentes na Câmara dos Deputados.

A vitória não ficou apenas sobre os (as) negros (as) que compareceram ao festim de Crono, onde os convivas eram comidos – por via oral evidentemente – pelo anfitrião, mais uma vitória imposta a todos os pró-Estatuto espalhados pelo Brasil, porem em particular a todos (as) negros (as) do Partido dos Trabalhadores juntos com os do PC do B, que desejam ardentemente que no 20 de novembro, o Presidente da República sancione este Estatuto – mesmo com os absurdos impostos pelo DEM como política de Estado para negro do Governo Lula.

A verdade é que Estatuto aprovado na Comissão da Câmara dos Deputados com demonstração explícita de alegria de negros (as) é derrota dos anseios dos quilombolas, dos negros cotistas – os favoráveis a cotas e os que delas se beneficiam diretamente – e dos artistas negros, sem contar que aspirações de outros negros não estão previstas neste Estatuto, como os que têm as favelas, mocambos e alagados como moradia e os subempregos que encontram na “camelotágem” um meio para sua sobrevivência.

A pergunta aos negros pró-Estatuto é o que pensam de um Estatuto que – segundo eles – vai fazer a igualdade entre todas as “raças”, mas no momento em que é aprovado estabelece a divisão entre os indivíduos de uma delas, justamente da “raça negra” que o Estatuto se propõe fazer iguais as demais.

Aceitar como imposição do DEM, a retirada das aspirações dos quilombolas do texto do Estatuto – Índio da Costa parlamentar do DEM impôs esta condição – para a _qualquer custo_ aprovar este Estatuto como proposta dos negros do PT, agravou mais ainda, entre a militância do Movimento Negro a divisão ideológica cuja existência é antiga. A divisão entre os Integracionistas – os que desejam a integração do negro na sociedade de classes (apenas alguns negros é evidente) e, portanto são subordinação do povo negro a um Estatuto, retirando-o da tutela da Constituição Federal e os que lutam pela libertação do povo negro, libertação do subemprego no qual se encontram e entre outras a libertação das condições de moradia em que vive.

Mas afinal o que fizeram os (as) negros (as)presentes na aprovação deste Estatuto que agora é do DEM e não mais do PT? – As “pérolas” que disseram falam por si mesmo.Para a presidenta do Conselho de Comunidade Negra de São Paulo; “sem sombra de dúvida _foi um grande avanço_ para nós, ativistas.” – Será que Elisa Rodrigues pensou no que falou?

Se existe avanço com este Estatuto, com certeza não é para a militância negra e sim para o Partido Democrata que com o acordo feito, este Estatuto troca de dono, deixa de ser dos (as) negros (as) do PT e passa a ser dos ruralistas do DEM. O Estatuto como política de Estado para negro do Partido Democrata. Elisa! Que belo avanço.

O senador do PT, Paulo Paim que como a Elisa considera um avanço se do projeto original foram retirados tudo o que demais importante o Estatuto tinha. Como o Fundo Financeiro e agora os direitos dos quilombolas e dos jovens negros que acreditam nas cotas como formas de integração na sociedade de classes.

As melhores “pérolas” faladas por aqueles (as) que não querem aceitar a realidade tem-se a da Cida Abreu, da Secretaria de Combate ao Racismo do PT que considera a aprovação deste Estatuto de fancaria, como “reconhecimento da história de luta do movimento negro brasileiro”.

A Cida Abreu sem sombra de dúvidas pela sua participação efetiva,embora invisível no processo de combate o racismo empreendido pela militância negra, é pessoa altamente qualificada para dizer que este Estatuto é “o reconhecimento da História de luta do movimento negro brasileiro. Cida! Entre frase de ocasião e prática de luta há uma distância considerável. Por exemplo, entre as cidades de Rio de Janeiro e Miracema.

Neste festival de canto e dança, com negros e negras de mãos dadas com ruralistas da UDR/DEM, alegres cantando o “Sorriso Negro”, parlamentares do Partido dos Trabalhadores não se fizeram de rogados. A deputada federal pelo PT/SP, Janete Pietá, sacou que “queremos elogiar as políticas públicas que este Estatuto ampliará” e Carlos Santana,deputado federal pelo PT/RJ, não ficou atrás, com “considero o momento de festa e de muita esperança para o nosso povo negro”.

A atitude eufórica dos filiados do PT – dos parlamentares e dos (as) negros (as), os presentes ao ato e os ausentes em todo o Brasil – é devido o Estatuto da “Igualdade Racial” ser da autoria do senador do PT, Paulo Paim. Mas, por exemplo, se o projeto do Estatuto fosse do deputado Índio da Costa DEM/RJ, com as mudanças que ele introduziu e ainda, sem o fundo financeiro, a mesma atitude com toda certeza não aconteceria, a alegria seria substituída por esgar de raiva e muitos impropérios proferidos.

Não há como negar que esta atitude atesta que entre as aspirações da massa negra da população definida povo negro e o corporativismo partidário petista, negros e negras filiados do Partido, indistintamente ficam com o partido. Que lástima, diriam, certamente nossos antepassados.

Mas o deplorável nesta aprovação do Estatuto está na declaração de três militantes negros que se fizeram presentes no coro de vozes cantando “Sorriso Negro” e de mãos dadas com os representantes da elite fundiária, um deles, o deputado federal pelo DEM/RS; Ônix Lorenzoni que elogiou o texto aprovado e ainda, com certa arrogância afirmou que “o DEM lutou para que o Estatuto fosse mestiço como é o Brasil. Não há espaço para racionalização ou para uma nação bicolor.”

Como pode ser deduzido, mesmo com um Estatuto agora apropriado pela UDR/DEM, ainda assim para Edson França, Coordenador Nacional da UNEGRO, “a decisão (aprovação do Estatuto) reafirma a vanguarda do Brasil no ordenamento jurídico par a promoção de igualdade racial”. Uma frase como esta expressa a visão estreita de negros/negras que por não reconhecer a luta dos negros em África e na Diáspora, tem olhar que nunca vai além de seu umbigo preto. Assim, acreditam que aprovação de Estatuto por si só coloca negros (as) do Brasil como os mais conscientes e combativos do mundo. Edson!Presunção é incompatível em atividades políticas e ser pretensioso não é uma atitude inteligente.

Os outros militantes não foram diferentes. O representante dos Agentes Pastoral do Negro (APNs), Nuno Coelho, a aprovação do Estatuto com as propostas do DEM/UDR, “foi um golaço do ministro Edson Santos” e para Eduardo Oliveira da CONEN, “ a aprovação (do Estatuto) é uma grande vitória da luta negra”.

A nosso juízo porém, o golaço do ministro feito na “rede do povo negro” é gol de “bola murcha” e a “vitória da luta negra” é uma vitória de Pirro.

Os negros (as) que ficaram alegres e felizes com a aprovação deste Estatuto que acintosamente por ordem dos parlamentares do DEM/UDR discriminou os quilombolas, sem dúvida que a história com eles será severa no seu julgamento.Voltaremos ao assunto.

*Militante e dirigente do MNU - Movimento Negro Unificado.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Jardim das Folhas Sagradas

Por Cláudia Santos*



Se você ainda não ouviu falar sobre um filme brasileiro chamado “Jardim das Folhas Sagradas”, tenha mais alguma paciência. Até novembro - mês previsto para estréia - certamente essa publicidade vai chegar até você. Foi isso o que explicou o diretor do filme, Póla Ribeiro, para representantes de organizações do movimento negro na noite de 17 de setembro, tendo como cenário a Casa do Benin.

Para saber mais sobre o filme que estréia em novembro o melhor caminho é visitar o site www.jardimdasfolhassagradas.com. Lá você pode ler a sinopse, saber sobre atores e personagens, fazer um balaço da mídia gerada até agora, ver o portfólio dos produtores, saber de patrocínios e parceiros, por fim entender a trajetória da carreira do diretor.

E se, pelo nome, você ainda não ficou empolgado para acessar o site para entender o enredo, tenha em mente alguns aspectos: o protagonista é negro, candomblé é parte fundamental do enredo, três terreiros foram usados como locação, e outros tantos convidaram, por solicitação do diretor, suas filhas e filhos de santo a participar voluntariamente, cederam objetos e equipamentos. Há ainda cenas realizadas durante a Caminhada da Liberdade realizada no dia 20 de Novembro, em homenagem a Zumbi dos Palmares e locações no Curuzu/Liberdade, maior bairro negro de Salvador.

Segundo Póla Ribeiro, “Para fazer esse filme foi necessário pedir licença a muitas divindades, mesmo não sendo um filme sagrado. Ainda que a arte tenha uma certa sacralidade, o cinema é uma arte coletiva e, de todas, a mais profana”. O diretor afirmou ainda que não pretende dar conta da cultura afro no Brasil e esse é um momento de afirmação da película. “Só vou saber sobre o que é o filme quando tiver retorno das pessoas”, acrescentou ao responder uma pergunta sobre a presença de rastafáris, já que uma das conversas que rondam o filme é o fato de o ator Antonio Godi, protagonista da trama, ter cortado os dreadlocks que usava há trinta anos em função do roteiro.

Esse processo explica a relação respeitosa do diretor com o movimento negro, especialmente as lideranças e comunidades religiosas. Explica também a reunião para compartilhar com esse conjunto o que já foi feito e os planos para o futuro. Ao analisar o contexto político-cultural brasileiro acerca do cinema, Póla não tem ilusões. Para ele “Jardim das Folhas Sagradas” é um filme normal, com orçamento médio, mas precisa de estratégias para competir a algum número entre 80 e 150 mil espectadores, como imagina o diretor e sua equipe.

Afinal, estamos falando de um terreno em que a Globo Filmes é a maior produtora, e o filme “A mulher invisível”, que tem Luana Piovani e Selton Mello, dois atores projetados através das novelas do mesmo grupo, responde pela maior bilheteria de filme brasileiro em 2009. Dois milhões de pessoas já viram a história nos cinemas.

Os profissionais nesse campo também souberam como indicar ao diretor os percalços do caminho, ele relatou no encontrou o que ouviu de distribuidores: “seu filme é muito segmentado”, “há negros demais no seu filme e negros não vão ao cinema”, “claro, não estamos falando de racismo”. Póla Ribeiro repetiu a resposta que deu aos distribuidores: “Sim, o filme é segmentado. Em Salvador negras e negros correspondem a 85% da população”. O diretor explicou ainda que a primeira semana de um filme nos cinemas é crucial, se não há bilheteria o filme não permanece, sai logo do cartaz. Daí a criação de um formato diferenciado de publicidade e aquisição de ingressos antecipados para fazer o filme chegar mais as pessoas negras.

Na minha avaliação, o encontro com movimento negro é a grande novidade e tem mesmo um caráter respeitoso além de corresponder a uma primeira etapa de um ambicioso plano de divulgação. Póla Ribeiro cineasta já tarimbado, que conta no seu currículo com a experiência de gestão do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia (IRDEB) considera que nós, pessoas negras, somos um mercado consumidor. Pensa uma estratégia que nos atraia, considerando as nossas especificidades em todo o país. Conta com a ajuda de João Silva, publicitário negro, e sua empresa, a Maria Publicidade.

As outras partes do plano correspondem a uma exibição exclusiva para equipe e elenco; seminários em 5 capitais; exibição pública na rua, para agradar também às entidades da comunicação; exibição em bairros populares; aquisição antecipada e por patrocinadores para distribuição gratuita antecipada de convites pelas instituições do movimento negro. Exibição em canais de TV abertos e fechados, assim como a reprodução em DVD igualmente estão no foco do cineasta: “Algo que custou 2 milhões não pode ser visto apenas por dez mil pessoas”, justifica. Outros produtos também estão previstos, a platéia deverá responder a um questionário que vai gerar dados para uma pesquisa e posterior publicação sobre cinema brasileiro.

No fim do encontro, levei três questionamentos a Póla Ribeiro. Primeiro perguntei se ele não temia a intolerância religiosa dos tempos de agora. Ele respondeu que “quando alguém decide fazer um filme é necessário exercitar o lombo para esperar as críticas e manifestações que podem vir”, em sua perspectiva isso não diminui o potencial do filme, pelo contrário até aumentaria.

Em seguida, perguntei em que medida o filme colabora para combater o racismo. Ele respondeu que o filme é respeitoso, em alguns momentos desmistifica circunstâncias religiosas, mas não há defesa de nenhuma tese. E explica que “O filme não se define por si só, mas pelo acolhimento que tem da platéia e pelo processo de exibição da história. Se o movimento negro pegar o filme pra si, é meu sonho, vai dar outra dimensão à história”.

Por fim, perguntei a Póla Ribeiro se isso, o filme, seria sua conversão religiosa. “Fiz um pacto comigo de que não haveria conversão enquanto o filme não saísse”, sentenciou com suavidade enquanto eu olhava o discreto fio de contas que teimava em escapar do colarinho da camisa.

Não tenho dúvida de que vamos ver nas telas talentos negros, alta sensibilidade artística e qualidade técnica. Torço, junto com Póla Ribeiro, assim como seu elenco e equipe, para que o filme tenha boa bilheteria. Para além do encontro com representantes de movimento negro na Casa do Benin, observei ainda que estamos diante de um novo modelo de promover e comercializar filmes, em que as boas intenções e idéias são fundamentais, tanto quanto patrocinadores e recursos. Mas tem também nossa participação – somos considerados enquanto participantes e mercado.

Contudo, fico me perguntando por que chego ao fim desse texto com a sensação de que falta algo... Temos excelentes atores, diretores, escritores e roteiristas negras e negros. A vida de um estudante que acessa a universidade pela via das ações afirmativas ou de outro cuja família paga uma instituição privada daria um ótimo filme. A dramática saga do estatuto e sua debilitada aprovação poderia ser uma novela de TV. O racismo e preconceito atiçado contra nós todo dia é um épico. Mote não nos falta. Ah! Já sei! É o recurso! Para terminar o pensamento e o texto, só mesmo uma pergunta para os que apóiam filmes e para nós negros: quando e quanto teremos patrocínio para as nossas boas idéias e intenções? Por que nosso patrimônio cultural, todo mundo já sabe – é bilheteria garantida.


Acesse: www.jardimdasfolhassagradas.com


*Professora, mestra em Estudos Étnicos e Africanos (UFBA).
klaudiasantos8@yahoo.com.br

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