quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Comissão Organizadora do Fórum Mineiro define calendário de reuniões para 2010

Integrantes da Comissão Organizadora do Fórum Mineiro de Religiões de Matriz Africana se reuniram no Sindicato dos Jornalistas, em Belo Horizonte/MG, para avaliarem o lançamento do Fórum, no último dia 10 de dezembro, na Assembléia Legislativa, e definirem o calendário de reuniões para o ano de 2010.

A Doné Sandra de Vondun Jó sugeriu a data de 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, para ser oficializada como data do culto oficial da religiosidade de matriz africana, com o que não concordaram os presentes, que preferem uma data mais significativa com os cultos e divindades africanas.

Durante o lançamento do Fórum, um dos coordenadores de religiosidade de matriz africana da região metropolitana do Vale do Aço do CEN-MG, Tat'Etu Kamunan, de Ipatinga, sugeriu que a data estadual para o culto oficial da religiosidade de matriz africana fosse 27 de fevereiro, reportando-se à derrubada do Terreiro Oyá Onipó Neto, em Salvador/BA.

A Coordenadora Estadual do CEN-MG, Dikota Djanganga, foi questionada sobre sua atuação na coordenação do Fórum, tendo ela esclarecido que foi do Coletivo de Entidades Negras do Estado de Minas Gerais a iniciativa de abrir espaço no Estado para o lançamento do Fórum Mineiro, uma vez que havia uma grande resistência de alguns movimentos, mas que sua participação, a partir do lançamento, se limitará à Câmara Temática de Meio Ambiente, trabalhando com a implentação de Agendas 21, e que caberá, a partir de então, às sacerdotizas e sacerdotes integrantes da Comissão Organizadora, o caminho que o Fórum irá percorrer.

Na oportunidade, Dikota Djanganga informou que o CEN-MG estará iniciando a implementação de um projeto de sua Coordenação da Juventude LGBT Negra, de autoria de Cristiano Batista, no Ilê Axé Odé Omila, do Doté Anderson d'Logun Edé, que afirmou estar bastante entusiasmado com a idéia do trabalho estar sendo iniciado em sua Casa, e que seus filhos estarão empenhados em participar das atividades do projeto. Mãe Teresa D'Oxum, da Associação Espírita Pai Caetano, de Contagem/MG, estará participando da iniciativa.

Sérgio Yorotaman, Coordenador Estadual do Conselho Nacional da Umbanda do Brasil participou da reunião, e estará trazendo a Umbanda para dialogar no Fórum Mineiro.

A Comissão Organizadora definiu a próxima reunião do Fórum Mineiro para o dia 15 de janeiro de 2010, à noite, e que as próximas reuniões acontecerão nas últimas sextas-feiras de cada mês, no horário noturno, para estimular a participação dos religiosos após o horário de trabalho.

CEN-MG participa da reunião da CMGE de Belo Horizonte

O Jurídico do Coletivo de Entidades Negras do Estado de Minas Gerais participou, no dia 22 de dezembro, da reunião da Comissão Municipal de Geografia e Estatística de Belo Horizonte, na sede do IBGE, na bairro Cruzeiro.

Na oportunidade, a presidente da Comissão, Maria Antonia Esteves da Silva, abriu espaço para que a advogada Sandra Mara Albuquerque Bossio informasse sobre as entidades que estava representando na reunião. Sandra falou sobre o trabalho de conscientização, mobilização e engajamento de recursos humanos, em defesa dos recursos materiais e financeiros do Estado, que o Centro pela Mobilização Nacional em Minas Gerais vem desenvolvendo desde 2006, quando foi criado.

Relatou, também, sobre o trabalho do Coletivo de Entidades Negras do Estado de Minas Gerais, coordenado por Dikota Djanganga, principalmente junto ao segmento de religiosos de matriz africana, para que respondam corretamente ao Censo 2010, afirmando que, em todo o Brasil, o Coletivo de Entidades Negras está lançando a campanha "Quem é de Axé diz que é", e que, no Estado, já existe uma mobilização de integrantes da Entidade para participarem das reuniões das Comissões Municipais de Geografia e Estatística locais.

Maria Antonia Esteves apresentou o planejamento dos trabalhos censitários, e solicitou a ajuda de todos da Comissão na busca de espaços para funcionamento dos vinte e dois (22) Postos de Coleta de dados na capital - dois a três por regional administrativa. A principal dificuldade tem sido encontrar um local que possa ser cedido, com infra-estrutura, pelo período de março a dezembro de 2010, aos profissionais do IBGE, na região nordeste da cidade.

A CMGE de Belo Horizonte voltará a se reunir no final do mês de janeiro de 2010, em data a ser informada, quando serão apresentados os questionários censitários, que estarão passando por uma alteração para torná-los menos extensos.
Fonte: CEN-MG

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Encontro de Redes Jovens

por Maria Aparecida de Jesus Silva
(ex-coordenadora da Pastoral de Juventude do Meio Popular de Bonfim e atual integrante da Comissão Pastoral da Terra)


Nos dias 12 e 13 de dezembro, aconteceu em Senhor do Bonfim, Bahia, um encontro de Intercâmbio entre as redes do Projeto Juventude Cidadã de Salvador (Movimento de Cultura Popular, Fórum Entidade Subúrbio, Rede Reportagem, CAMMP) e a Pastoral de Juventude no Meio Popular (PJMP) de Bonfim. O encontro foi promovido pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE e contou com a participação de 60 pessoas das diferentes redes.

Com apoio da Kerkinactie, a CESE que tem apoiado diversas iniciativas de mobilização, formação social e organização de jovens. O principal objetivo do intercâmbio realizado em Senhor do Bonfim foi a troca de experiências e a articulação entre as redes, a partir da temática: juventude e cultura da paz, onde se destacaram elementos significativos do trabalho desenvolvido pelos grupos.

Além da apresentação de experiências no combate a violência e promoção da cultura da paz, houve um amplo debate sobre os avanços e desafios para a juventude com relação às políticas públicas e controle social, em nível municipal, estadual e nacional.

Como avanços, os grupos reforçaram os impactos positivos das ações da sociedade civil em relação à juventude. Ganhou destaque a percepção de uma maior participação da juventude no cenário político brasileiro em espaços de inclusão social (fórum de juventude, redes, conselhos e conferências), o plano nacional de juventude e CONJUVE (construção municipal, estadual e nacional) e a existência de espaço voltados para a reflexão e superação da desigualdade de raça e gênero.

Os desafios apresentados referem-se principalmente a superação da violência por meio de uma política de Estado que venha garantir os direitos humanos e universais: acesso à educação, cultura, lazer, saúde, meio ambiente sustentável, trabalho e renda dignas. Além disso, é preciso conhecer e se apropriar das políticas públicas existentes voltadas para a juventude (CMDCA, CECA, CEDECA, ECA) e, onde não existe, criar conselhos de juventude.

Três outros grandes desafios são: mobilizar a comunidade para participar das discussões que são levantadas sobre violência e sobre políticas públicas; desenvolver ações que promovam a valorização da mulher e o enfrentamento do conjunto de fatores que determinam a situação de vulnerabilidade, principalmente de meninas-moças; e dar maior visibilidade aos trabalhos realizados em prol da juventude.


Pistas de ação

Durante o intercâmbio, os integrantes das redes também levantaram algumas pistas de ação para 2010, que indicam:

- a realização de audiências públicas para discutir e propor políticas de combate ao extermínio da juventude, principalmente negra;
- se apropriar dos mecanismos de controle social, das políticas de juventude existentes e propor novas políticas condizentes com a realidade territorial;
- confeccionar uma cartilha sistematizando as experiências mais significativas de combate a violência;
- promover ações de enfrentamento a mídia sensacionalista, criando espaços de mídias alternativas;
- iniciar a discussão sobre raça e gênero como eixos estruturantes em todas as relações;
- realizar um encontro com os homens que fazem parte das redes, para discutir formas de desconstrução do machismo a partir do universo masculino.

Ao final do encontro, os/as participantes enfatizaram a importância de trocar experiências e articular as ações comuns: “Conhecer e trocar experiências fortalece o nosso trabalho e nos impulsiona a continuar na luta por melhores condições de vida para nós jovens”, assim se expressou um jovem participante do encontro.


(Texto produzido por Maria Aparecida de Jesus Silva)

Fonte: http://www.cese.org.br/index.php?prefixo=det&menu=projeto&id=33

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

I encontro nacional de tradições de matriz africana e saúde no RS



Rede Nacional de Religião Afro e Saúde - Núcleo RS

O Rio Grande do Sul Sediará o I ENCONTRO NACIONAL DE TRADIÇÕES DE MATRIZ AFRICANA E SAÚDE que promete reunir lideranças Afro-Religiosas mais expressivas do Brasil. O encontro Será promovido pela Rede Nacional de Religião Afro e Saúde – Núcleo – RS em parceria com o Ile Axé Iyemoja Omi Olodo, CEDRAB-RS e PUC-RS - Pontifícia Universidade Católica do RS com o Apoio do Ministério da Saúde e acontecerá durante o FSM2010 – Fórum Social Mundial – 10 anos de 26 a 29 de janeiro de 2010. Terá por abertura a II Marcha Estadual pela vida e liberdade religiosa do RS que acontecerá em 25 de janeiro.


Finalmente nossa Rede Nacional estará no RS!!! Iyemoja é mãe!!!!


Aguarde mais informações


Baba Diba de Iyemonja
Rede Nacional de Religião Afro e Saúde – Núcleo RS
Congregação em Defesa das Religiões Afro-Brasileiras –RS - CEDRAB
Comunidade Terreira Ile Axé Iyemonja Omi Olodo

“Quem tem Ori não baixa a cabeça”
Baba Diba de Iyemonja

“Quem é de Axé diz que é...”
CEN Brasil”
“Um mundo com Tolerância é Possível”
FORMA –RS
“A união nos levou a vitória, vamos continuar unidos!”
Mãe Norinha de Oxalá

“Sozinhos somos um, Unidos seremos uma legião”
CEDRAB-RS

Paz e não violência essa é a mensagem que a Marcha deixou em Salvador!



sábado, 19 de dezembro de 2009

TV Servidor: Marcha Mundial pela Paz e NÃO Violência!

video

Fonte: TV Servidor

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Nações de matriz africana unidas pela religiosidade


Representantes de bandeiras do candomblé e da umbanda de Minas Gerais lançaram, na última quinta-feira, o Fórum Mineiro de Religiões de Matriz Africana.

Na ocasião, foi apresentada a Carta de Minas Gerais, com algumas reivindicações e os objetivos que o fórum pretende implantar.

"O fórum é um espaço para discussões políticas das religiões de matriz africana. Observamos, por exemplo, um forte preconceito contra a religiosidade africana, e o combate a esse tipo de discriminação é uma de nossas diretrizes", diz Dikota Djanganga, coordenadora estadual do Coletivo de Entidades Negras de Minas Gerais (CEN/MG).

Segundo ela, outra questão importante que o fórum vai agregar em suas ações e reivindicações está relacionado à educação nas escolas, no sentido de cobrar o ensino da cultura e da religiosidade africana no currículo escolar. "Isso já se tornou lei, mas não foi discutido de que maneira esse ensinamento será transmitido. Para tanto, é preciso a experiência de vivenciadores para transmitir o conhecimento", avalia.

Sandra Bossio, diretora do Centro pela Mobilização Nacional e representante jurídica do CEN/MG, diz que o ensinamento da cultura e religiosidade de matriz africana nas escolas é uma questão fundamental que o fórum pretende trabalhar.

"A aplicação da lei não acontece, pois os professores não estão capacitados para transmitir a história da cultura e da religião. Há também a questão da intolerância. Existem educadores e diretores de escolas evangélicos que se negam a implementar a questão na grade curricular", afirma.

Um ponto positivo que Dikota Djanganga destaca na audiência de criação do fórum foi a grande participação de diversas bandeiras do candomblé e umbanda. "Fiquei muito feliz com a presença de diversos representantes. Tivemos a participação de gente do interior, o que demonstra uma forte intenção em reunir forças", avalia.

De acordo com ela, uma reunião já está agendada para a última semana do ano, para discutir ações e traçar estratégias e planejamentos para o próximo ano.

A coordenadora estadual do CEN/MG afirma que o Fórum Mineiro de Religiões de Matriz Africana será coordenado por representantes sacerdotais de todas as bandeiras e nações participantes. "O fórum é um espaço democrático, onde todos terão uma participação efetiva", conclui.

Alguns objetivos

Combate à intolerância religiosa
Fomento à construção e implementação de políticas públicas
Mapeamento das comunidades tradicionais de religiosidade africana de Minas Gerais
Instituição de Conselho Sacerdotal das diversas bandeiras e nações de matriz africana


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Proposta

Censo 2010 está na mira do fórum
De acordo com a coordenadora estadual do Coletivo de Entidades Negras de Minas Gerais, Dikota Djanganga, uma das primeiras ações que o Fórum Mineiro de Religiões de Matriz Africana adotará está relacionada ao Censo Demográfico 2010.

“Já estamos trabalhando em um planejamento sobre o Censo do ano que vem. Nossa ideia é uma modificação no questionário que possa abranger as religiões de matriz africana. Vamos abraçar essa proposta”, afirma.

Segunda ela, a ideia é realizar um amplo mapeamento para saber quantas pessoas adotaram a religião de matriz africana e qual delas seguem. “Temos a necessidade de identificar isso”, afirma. (FC)
Fonte: O Tempo

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Solidariedade ao Ilê Axé Opô Afonjá



O vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, esteve ontem no Ilê Axé Opô Afonjá. O professor Edvaldo, como é mais conhecido por conta da sua carreira na universidade e no âmbito do Direito, foi prestar solidariedade à comunidade do terreiro por conta dos atos de vandalismo contra o Afonjá, ocorridos no último dia 30.

Marginais invadiram o quarto de Oxalá e destruíram as instalações do espaço sagrado. O vice-prefeito, filho de Ogum do Gantois, onde ocupa o posto de Babá Egbé, um dos mais ilustres na hierarquia masculina da Casa, assegurou que a prefeitura vai realizar melhorias no terreiro,como reforço de iluminação em locais de circulação pública e execução de um projeto paisagístico.

Numa praça será colocado o busto de Mãe Anininha, fundadora do Afonjá, que comemora, no próximo ano, o seu centenário de fundação.

O professor Edvaldo foi recebido pela ialorixá do Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi, e pelo presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel.

O gesto do professor Edvaldo é emblemático não só por conta de demonstrar repúdio à agressão contra o Afonjá, mas também de mostrar uma ação do poder público em preservar um patrimônio que tem o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas que também é imaterial.
Fonte: Mundo Afro

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

CONHECIMENTO - CONTRADIÇÃO NO MEIO NEGRO

Yedo Ferreira
MNU-RJ/ 11/12/09


Uma frase usada, regra geral, por pessoa que com as idéias de Marx tem grande identificação fez emergir no meio negro uma das mais sérias contradições da militância de movimento negro.

Ao ser utilizado num seminário sobre Reparação Histórica a frase de que conhecimento é uma questão de ciência, a pessoa conhece ou não conhece, portanto conhecimento não admite mistificação e muito menos presunção, uma das participantes sentiu-se altamente ofendidas afirmando ainda que com esta frase estava sendo considerada burra pelo autor (?) e segundo ela, uma ofensa que seria extensiva a todos os participantes do seminário.

Um fato aparentemente de pouca importância, mas que na realidade expressa à situação na qual a militância negra se encontra do ponto de vista de formação política, situação que não tem sido levada em conta.

O que se constata a primeira vista é que o estágio do nível político da militância negra em geral, é baixíssimo, não sendo portanto surpresa alguma que tal fato ocorra na medida em que ausência de formação política é público, uma vez que formar militante para a luta política a ser colocada em prática não é prioridade no movimento negro.

Por conseguinte, pode-se afirmar que uma frase ilustrativa interpretada por uma pessoa como ofensa a sua inteligência, se torna evidente ou explícita, melhor dizendo, que existe no meio negro de forma aguçada a contradição entre o conhecimento e o não conhecimento.

O que se deve ressaltar porém que o caso é efetivamente de contradição, não contradição de contrários, entre conhecimento e desconhecimento, desconhecimento no sentido de ignorância, por não conhecer a matéria, mas explicitamente não ter nenhum interesse em conhecê-la, ignorando-a totalmente. A contradição é o não-conhecimento como afirmação de não conhecer (no presente) a matéria o que não se pode afirmar que não se venha (no futuro) a conhecê-la. A superação desta contradição está na formação de pensamento cientifico, ou seja, na ciência.

Uma vez que para aquela militante no seminário frase com a palavra ciência é ofensa a sua inteligência necessário se faz então definir ciência como conjunto metódico de conhecimentos adquiridos através da observação e da experiência ou mediante o estudo e a pesquisa.

O desenvolvimento da definição de ciência apresenta ainda,de que o pensamento cientifico coloca em campos separados, porém não opostos por não serem antagônicos, o adulto e o jovem e no conceito de Gramisc, o intelectual orgânico e o intelectual acadêmico.

No caso adulto/jovem o não-conhecimento do jovem pode ser superado com dedicação ao estudo e entre intelectuais, o orgânico e o acadêmico, a contradição do não-conhecimento é superado pelo intelectual orgânico através do estudo e da observação, a observação intuitiva.

Como pode-se observar a vantagem do adulto sobre o jovem - e esta é a única - reside na experiência por ser a mesma adquirida com o tempo de vida o que falta ao jovem. Ainda que o jovem se dedique com afinco ao estudo, a contradição do não-conhecimento só pode ser superada em parte apenas, pelo estudo.

O que se pode afirmar também é que o conhecimento como ciência tem estágios de diferentes níveis, três para ser mais preciso e neste caso é importante saber em qual dos níveis de conhecimento a militância negra, na sua maioria, se encontra.

Na Teoria do Conhecimento - e em Marx o conhecimento é desenvolvido teoricamente - o sujeito social, aquele que participa ativamente em todos os domínios da vida pratica da sociedade - opera intelectualmente usando conceitos, ao adquirir um número maior de conhecimento e desta forma acaba por se situar num determinado nível político como seu novo estágio.

O conhecimento como ciência se realiza como processo (processo do conhecimento) e neste processo o conhecimento da pessoa passa de forma ascendente por três importantes estágios ou graus.

Neste caso tem-se que no primeiro estágio o conhecimento de uma pessoa se realiza ainda no estágio das sensações ou percepções sensíveis. Ao melhorar seu conhecimento esse se situa como segundo estágio que é o das deduções lógicas, o terceiro estágio de conhecimento é a ascensão ao estágio do conhecimento racional.
Um fato importante a se ressaltar é que entre o estágio das sensações (o sentir) e percepções sensíveis (o perceber) e o das deduções lógicas (o uso de fatos e argumentos) a diferença não é somente qualitativa é também quantitativa, ou seja, há maior quantidade e melhor qualidade de pessoas que se situam em níveis políticos dos dois estágios.

Assim ao procurar situar em qual dos níveis de conhecimento encontra-se cada militante negro, observa-se que a militância na sua maioria está ainda no primeiro estágio, o das sensações/percepções, o de sentir/perceber o preconceito e a discriminação racial como manifestações concretas do racismo, isto é, se se admitir o racismo como ideologia racial e as duas como o racismo se manifesta na sociedade concreta, além das deformações ideológicas que produz como o paternalismo do branco.

Neste sentido observa-se que o militante negro, no processo de sua atividade prática, ao começo, não olha senão o aspecto exterior da ideologia racial (racismo), o aspecto isolado. Por conseguinte a percepção sensível (o sentir/perceber) do militante negro, é o sentir e perceber as manifestações e as deformações da ideologia racial. Assim o que o militante sente e percebe nada mais é do que a fisionomia exterior do racismo, que aparenta ser isoladas, mas que, externamente estão ligadas entre si.


Então o que se pode afirmar é que o militante negro encontrasse ainda no primeiro estágio do conhecimento que é o estágio da percepção sensível que também é o das representações, essas sendo idéias de como é a sua realidade como negro. Esta é uma das razões do militante negro não fazer do combate ao racismo, luta política, luta por poder de decisão na medida em que estando neste estágio de sensações/percepções não tem reflexão - esse é outro estágio - do desenvolvimento dialético da ideologia racial, portanto desconhece o seu elemento revolucionário, ou seja, a antítese que o racismo produz.

No estágio de sensações/percepções sensíveis as atividades praticas que implementa, são apenas respostas ao preconceito e discriminação que sofre na sociedade. Portanto as suas atividades práticas são respostas a fatos conjunturais como denúncias de discriminações e lamento dos preconceitos, além de se organizar pela ideologia dominante ou seja, se organizar apenas para reagir as ações do racismo.

Por conseguinte a militância negra neste estagio das sensações - ainda no estágio de ser conduzida pelo seu emocional - não reúne capacidade suficiente para formular conceitos profundos e muito menos proceder a deduções lógicas. Esta capacidade a rigor é o segundo estágio chamado também de estágio das conclusões lógicas.

O militante negro saber formular conceitos permite fazer juízos e relacionar metodicamente e com toda atenção fatos e argumentos na sua oração verbal e na produção intelectual, ou seja, permite ao militante julgar (o que é certo e o que é errado), mantendo relações entre julgamento, fatos e argumentos.

Desta maneira é que se pode afirmar, se o militante negro passar para o segundo estágio do conhecimento, vai operar intelectualmente formulando conceitos e aplicar os métodos de juízo e de deduções, resultando com certeza em conclusões lógicas.

No processo do conhecimento além do estágio de fazer juízo e proceder a deduções lógicas, também chamado de estágio dos conceitos, há um terceiro estágio, ainda mais importante, o estágio do conhecimento racional.

O conhecimento racional como o último estágio do conhecimento como processo, é ter capacidade para tornar compreensíveis as leis de ligação interna dos diferentes processos; os sociais, os políticos, os étnicos, os nacionais, os econômicos e os históricos. Esse último,como processo histórico da humanidade, é o desenvolvimento das diferentes formações sociais e econômicas na passagem de uma para a outra.

Uma melhor compreensão dos estágios do conhecimento como processo no militante negro - no sujeito social em geral também - é não esquecer que a tarefa do conhecimento consiste no militante em elevar-se, gradativamente, através da observação e do estudo, do seu estágio inicial, o estágio das sensações (o sentir), ao segundo estágio, o estágio dos juízos e das deduções lógicas (o pensar), que consiste na elucidação progressiva das contradições que são geradas pelas ações concretas da ideologia racial e que existem objetivamente. O terceiro e último estágio é o do conhecimento lógico, o conhecimento racional que corresponde à elucidação das leis de ligação interna dos diferentes processos.

Assim é o conhecimento como ciência e também como processo e antítese do não-conhecimento e somente aquela que ignora o conhecimento como ciência considera frase relacionada ao conhecimento uma ofensa a sua inteligência.

O fato de se ignorar o conhecimento reflexivo como pensamento cientifico não é de estranhar em vista que o Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil, com três anos de existência, os militantes que dele participam não conseguem formular o conceito de Reparação Histórica, um dos “eixos” do congresso. Há ainda outros que confundem projeto político com programa de ação por não conhecer o conceito de um nem de outro.

Na verdade no Conneb, há aqueles que dizem que projeto político - no caso em pauta o do povo negro - é para dialogar (?) com a sociedade e com o Governo, além de não fazerem distinção alguma entre congresso e encontro e se congresso é de pessoas ou de instituição, caracterizando desta forma ausência total de conhecimento.

O fato é que a militância que participa do CONNEB não percebeu ainda nos três anos que se passaram que, se o tema do Congresso é um tema político - e projeto político é tema político - o Congresso, em principio, é um congresso político e os seus participantes são forças políticas, ainda que desta condição não tenham nenhuma percepção.

Por outro lado, a militância que sempre se colocou fora do CONNEB, das ONGs negras, os pesquisadores e acadêmicos na sua associação e outros mais, esses nunca perceberam o CONNEB com tema político, como ator fundamental e principal espaço de debates políticos do processo de luta de libertação do povo negro no Brasil. Em razão desta falta de percepção nesses três anos de realização do CONNEB, se mantiveram voltados para si mesmo, por acreditar em luta política individual, a que acreditam realizar.

Em vista de que estão as margens do CONNEB não percebem que política não é atividade individual, sobretudo luta política e que a mesma se realiza de maneira concreta dentro de processo político e não fora dele, demonstram de forma plena que desconhecem - no sentido de ignorar ou não ter interesse algum - a função da ciência do conhecimento como processo, na luta política.

Assim, neste oceano do desconhecer e neste cipoal de contradições, não há como não reconhecer mais uma vez, que a militância negra em geral no Brasil ainda se encontra no primeiro estágio do conhecimento, com agravante de que no estágio das percepções sensíveis (no sentir e perceber) não consegue perceber e muito menos parar de sentir as ações da ideologia do racismo. Em decorrência não há como deixar de se organizar em relação ao racismo ou para reagir apenas as suas ações.

No meio negro, pode-se concluir que o não-conhecimento e muito próximo ao desconhecimento e a militante que se sentiu ofendida com a frase do conhecimento é a expressão de tudo isto.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

MPT participa de audiência para debater inclusão de negros e mulheres no setor supermercadista


O tema “As oportunidades para trabalhadores negros e mulheres no acesso, ascensão e remuneração nos supermercados” foi debatido em audiência pública realizada nesta terça-feira (15), no Senado Federal. A audiência pública, promovida pelo senador Paulo Paim e realizada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, atendeu a requerimento feito pelo procurador geral do Trabalho, Otavio Brito, que participou do evento.

Uma das metas da Gestão Estratégica do Ministério Público do Trabalho (MPT) é a promoção da igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. A audiência pública, que reuniu representantes de importantes grupos do setor supermercadista brasileiro, serviu para debater e expor propostas necessárias para a inclusão de negros e mulheres nas relações de trabalho e posições de chefia. “Nós temos que reconhecer o problema da discriminação racial e de gênero nas relações de trabalho e conclamar as empresas a trilharem o caminho da promoção da igualdade”, afirmou o procurador geral do Trabalho, Otavio Brito.

Otavio Brito ressaltou a bem sucedida experiência de inclusão de negros e mulheres nas relações de trabalho do setor bancário, com importante participação da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que se dispôs a executar ações fundamentais para a promoção da igualdade, como admissão de negros, ascensão de negros e mulheres a posições de chefia, e inserção de pessoas portadoras de deficiência.

A consultora jurídica do Grupo Pão de Açúcar, Ilza Aparecida, o gerente de relações institucionais do grupo Walmart, Airton Souza, e o diretor executivo do Grupo Carrefour, Moriel Landim se comprometeram a comparecer a outros encontros e firmar ações que promovam mais igualdade nas relações de trabalho dentro dos grupos que representam. Além disso, sugeriram que a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) seja mais uma vez convidada a participar de outros debates a fim de que as propostas do MPT incluam outras redes de supermercados, abrangendo todo o país.

O diretor executivo da Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), frei David Santos, o vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Lourenço do Prado, e o presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 10ª Região, Gilberto Augusto Leitão, também participaram da audiência pública.

Fonte: MPT

O Pelourinho que Salvador que não está nos cartões postais

A Bahia, sobretudo Salvador, geralmente é apresentada como um lugar de ritmo, comidas típicas, música, paisagens e alegria, enfim. Mas num breve passeio pelo Centro Histórico do Pelourinho, mundialmente conhecido, no coração da capital baiana, pode-se ver uma realidade que não está nos cartões postais. A própria estrada Rio-Bahia já denuncia, após os vastos campos de eucalipto das celuloses da Aracruz, no Espírito Santo: primeiro as casas de pau a pique na beira da estrada, em contraste com os latifúndios, e chegando a Salvador se é recepcionado com fábricas e favelas; eis a primeira impressão.
No Pelourinho, a pobreza, tirando os gringos que circulam todos os dias na região, é óbvia. A quantidade de pedintes nas ruas, principalmente em épocas de temporadas, é alarmante. Aliás, todos os nativos falam inglês, desde pequenos, o necessário para arrumar algo com os estrangeiros. O entorno do Pelourinho é abandonado e tem cor, a pobreza é negra nas comunidades, que não são poucas. Logo ao lado das igrejas históricas, da Casa de Jorge Amado, do Elevador Lacerda, pontos que os turistas registram em suas máquinas fotográficas quase que mecanicamente, existem a rua da Independência, da Liberdade e a 28, por exemplo, lugares onde funciona o tráfico varejista de drogas. O crack está devastando gerações, na rua, à luz do dia. Um flanelinha, viciado na droga, disse que à noite as vielas nos arredores ficam lotadas.
Hamilton Borges, membro da “Campanha Reaja ou será morto!”, grupo que luta contra o genocídio da população jovem, pobre e negra, em Salvador, mora na região e afirma que só existe tráfico ali graças à polícia local. Volta e meia, agentes da polícia civil aparecem, mas os guardas que permanecem no dia a dia são, no mínimo, omissos ou coniventes com a venda das drogas. Na Bahia, do ano passado para cá, foram mortas cerca de 2.300 pessoas, disse. As cadeias estão lotadas, o destino desses meninos são a morte, a seqüela das violações ou a prisão, milhares deles.
A pessoa que me atendeu no Juizado de Menores, que fica numa das ruas do Centro Histórico, no Pelourinho, afirmou que eles “não conseguem chegar às causas, trabalhamos só na conseqüência”, em referência às ocorrências que atende. Em geral são jovens que moram no bairro, o furto é a principal infração, muitas vezes para comprar drogas. A prostituição infantil também é problemática na região, em função da procura dos gringos. O agente disse que faz o papel de pai no juizado, pois muitos são bem jovens e vêm de famílias desestabilizadas ou tentam trabalhar em empregos humildes e não conseguem dinheiro suficiente para os seus desejos: o desemprego e o subemprego não são novidades.
Há um projeto de revitalização do Centro Histórico que está em andamento desde o governo de Antônio Carlos Magalhães, na década de 90. No processo, muitas pessoas foram retiradas de seus cortiços, em favor da especulação imobiliária no Pelourinho, local de atração turística. Jocelia Fonseca, coordenadora do Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB) naquela área, afirmou que o Centro Histórico “realmente precisava de uma reforma, mas deram uma pequena quantia a uns, mas outros esperaram moradia e não tiveram”.
“A gente ocupou considerando que nós também somos patrimônio, as pessoas fazem cultura na rua”, referiu-se a algumas ocupações que ocorreram em casas abandonadas e à cultura como a capoeira, pintura, música e artesanato, espalhados pelo Pelourinho. “Onde não interessa a eles fica abandonado”, complementou, denunciando que fora das ruas principais o que não está à vista ficou esquecido. De fato, a situação é crítica fora dos cartões postais.
No que se refere à cultura, G. Boli, artista que morava no Rio de Janeiro e hoje vive de sua arte no Pelourinho, criticou a falta de incentivo. Seu atelier é a rua, sua inspiração se dá no dia a dia ao retratar baianas, a capoeira, as vielas, etc., todas as pinturas diferentes umas das outras. Com a abertura de várias lojas, comentou, fica difícil concorrer com o preço, já que as obras são feitas em série. No seu caso, tudo é realizado na pechincha, para a subsistência.
A Bahia é também conhecida pelos seus orixás, sua cultura afro-religiosa. No Pelourinho há a Associação Cultural Filhos de Gandhi, longe das raízes da região, mais para turista, mas também diz respeito ao plano espiritual local. “Tio Souza”, diretor há 26 anos, disse ao Fazendo Media que “o pelourinho tem seu lado de espiritualidade com muito fundamento” e “é muito importante que as pessoas busquem a religiosidade da Bahia, mas é preciso que elas venham abertas para conhecer as falanges e ao se identificarem com alguma estejam abertas para entrar em sintonia”.
Souza também comentou sobre o processo de revitalização na década de 90, “um período de transformação e adaptação”, para ele. “Era interessante que tinha musicalidade, iguarias, alimentação e segurança”, lembrou, dando a entender que hoje as ruas estão mais perigosas, fruto do processo social. A imagem que nos vendem da Bahia de todos os Santos, que representou um papel fundamental na formação do nosso país, fortemente relacionada ao que há de pior nesse contexto, a escravidão, é sistematicamente produzida para inglês ver. Isso quando é mostrada, porque a omissão da mídia sobre Salvador, assim como as regiões fora do eixo Rio-São Paulo de um modo geral, é descarada.

Sua participação é fundamental!




A capital baiana recebe na quinta-feira (17/12/2009) a Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência formada por uma equipe internacional que percorre o mundo exigindo o desarmamento nuclear e o fim de todo tipo de violência. O encontro será às 15h00 na Praça do Campo Grande.

Esta é a maior mobilização da história, pelo fim das guerras, pelo desarmamento nuclear e pelo repúdio a todas as formas de violência. Os organizadores dessa campanha mundial (Mundo Sem Guerras e Sem Violência, organismo internacional do Movimento Humanista) conseguiram adesões dos mais diferentes setores e correntes do mundo.

Além das adesões de personalidades do campo da ciência, religião, artes, política e chefes de Estado milhares de pessoas comuns e organizações estão realizando as mais criativas iniciativas para “Criar Consciência de paz e de Não-Violência Ativa”, (oficinas, festivais, passeatas, cinema, simpósios, etc.) em bairros, escolas, universidades ver objetivos no site:
http://www.marchamundial.org.br/ .

Além dessas ações de conscientizaçã o um grupo de voluntários(as) de várias culturas estão percorrendo toda o planeta para pedir o fim das guerras e pelo desarmamento nuclear mundial. Essa “Equipe Base” da Marcha Mundial, como chamam os organizadores, iniciou sua viagem de volta ao mundo no dia 02 de outubro desse ano (dia internacional da Não-Violência em homenagem ao nascimento de Mahatma Gandhi).

A partida foi na cidade de Wellington capital de Nova Zelândia, a equipe já passou por vários países da Ásia, Oriente Médio, Ex-União Soviética, Europa e agora está na África, para depois seguir para o Continente Americano onde termina a jornada no dia 02 de janeiro de 2010 no Parque de Estudos e Reflexão Punta de Vacas, ao pé do Monte Aconcágua, Cordilheira dos Andes em Mendonza Argentina.

Pode-se acompanhar em tempo real a vigem da Equipe Base através do site http://www.theworldmarch.org/ e ver as fotos dos locais que a marcha já passou através do link abaixo:
http://picasaweb.google.es/imagenpressenzaspain?showall=true#100 .


Mais informações:
Comitê – Salvador
Ademir Santos (71) 9936-5046 – 9142-3132
Nilda – (77) 8827-1724
Lourdes (11) 8159-2347

Sites:

Cultne: O Brasil em Durban





Documentário sobre a presença da delegação brasileira na Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerâncias Correlatas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Inauguração do Memorial Mãe Betinha fomenta novos passos



No último dia 29 foi aberto ao público o Memorial Mãe Betinha, uma iniciativa do Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil que homenageia a falecida ialorixá Elizabeth de França Ferreira no dia que marca seu centenário. O evento que reuniu diversas gerações e nações do Candomblé pernambucano tornou-se muito mais que uma homenagem ao passado, mas uma porta para a articulação de grandes idéias.

A tarde de domingo reuniu pessoas ansiosas por pisar novamente o espaço que lhes abrigou por décadas. Aos poucos, filhos de santo de Mãe Betinha chegavam reconhecendo o ambiente, observando, analisando. Os familiares trouxeram com eles velhos amigos, vizinhos e admiradores desta ilustre senhora. Também tocados com o projeto, estiveram presentes representantes de diversos terreiros e nações do Candomblé de Pernambuco.

A mesa de apresentação foi presidida pelo babalorixá Marcelo Uchôa, sacerdote do Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô e coordenador geral do Polo Afro. Também compuseram Lindacy Assis, do Coletivo das Entidades Negras de Pernambuco, CEN/PE, que falou sobre a importância da abertura de espaços que guardam os saberes afrodescendentes, de forma responsável e estruturada para uma formação cultural e educacional sólida da sociedade. Lia Menezes, pesquisadora, escritora do livro As Yalorixás do Recife e diretora do premiado vídeo de mesmo nome, expôs sua obra que encantou o público presente. Investigando e tratando da importância das mulheres para a religiosidade de matriz africana em Pernambuco, As Yalorixás do Recife contém importantes registros de Mãe Betinha em entrevistas e imagens. Cristiane Prudenciano, da Marcha Mundial pela Paz e Não-Violencia em Pernambuco demonstrou a importância da união dos esforços de todos para uma sociedade mais justa e fraterna. Jorge Barreto, presidente do Centro Espírita Caminho do Bem fundado por Elizabeth de França e seu esposo, Sr.Antônio Castilho observou o valor da união, com a quebra de barreiras e implementação de ações complementa em prol da comunidade. Finalizando, Marta Ferreira, filha carnal de mãe Betinha nos trouxe tocantes testemunhos por seus olhos de filha, mas não adepta do Candomblé, sobre a grande mulher, mãe, avó, esposa, líder religiosa e comunitária que foi Elizabeth de França Ferreira, Mãe Beta de Iemanjá Sabá. Após esta etapa, o evento recebeu brilhantes apresentações do grupo de capoeira Projeto São Salomão e do Afoxé Omim Sabá.

Marta, abriu oficialmente o Memorial ao público. O espaço destinado à exposição é o quarto da mãe de santo quando em período de atividades no terreiro e também onde ela recebia seus filhos de santo e consulentes. Móveis, objetos pessoais e de decoração todos eram pertencentes a ela e foram doados pela família e por alguns filhos de santo, assim como dezenas de fotos de acervos pessoais e colhidas de pesquisas publicadas, reproduzem a aura de simplicidade, beleza e fé deste personagem. O encontro também trouxe sinais positivos para a articulação de outros projetos do Pólo Afro, como a Biblioteca Comunitária, alfabetização de adultos, reforço educacional infantil e oficinas de artes variadas.

Mãe Betinha - Para o Candomblé, Mãe Betinha representou a resistência da religião à intolerância no período do Estado Novo e a preservação de um formato de culto de origem iorubana, o xangô recifense ou nagô em sessenta e cinco anos de sacerdócio. Em sua atuação à frente da comunidade do Ilê Axé Yemanjá Sabá Abassamí, Mãe Betinha representou liderança, consciência e força na defesa dos direitos e da posição da mulher na sociedade. Seu exemplo ainda vai além da esfera religiosa, quando trouxe para um dos bairros mais populosos e carentes da Região Metropolitana do Recife, Casa Amarela, olhares nacionais e internacionais que transformaram o seu terreiro em uma reconhecida fonte do saber popular.

Memorial Mãe Betinha
Local: Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô (Rua Jose Rebouças, nº 160, Vasco da Gama)
Visitas individuais ou em grupo, podem ser agendadas através do telefone (81) 9728-4750 (Marcelo Uchôa)

Direitos humanos no século XXI

Não há nada para se comemorar com o 61º aniversário da declaração dos direitos humanos, que está em crise hoje, foi o destaque da palestra Direitos Humanos no século XXI, realizada no Instituto dos Advogados do Brasil (IAB). Aproveitando a data internacional da declaração (10/12), os direitos humanos foi o tema abordado por Siro Darlan (desembargador do Tribunal da Justiça – RJ), João Luiz Duboc Pinaud (membro da comissão nacional de direitos humanos), Miguel Baldez, (professor da Ucam e Ibmec), Leila Maria Bitencourt (mestre em direito) e Sergio Luiz Sant’ Anna (membro do IAB).



A professora Leila Maria iniciou sugerindo a inserção da disciplina direitos humanos nos cursos de direito e em todas as esferas institucionais, inclusive nas policiais. Para ela é preciso delimitar a disciplina, que hoje envolve direitos humanos internacionais ou fundamentais, nas universidades que trabalham o assunto. Dessa forma seriam contempladas as características nacionais nos estudos, capacitando as pessoas a tratarem as especificidades do Brasil com mais eficiência.

Antes de entrar na questão da terra, que é a sua especialidade, Baldez lembrou da denúncia feita recentemente pela organização Human Rights Watch apontando “o absurdo do grau de letalidade nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo nas atuações da polícia nas periferias”. “Direitos humanos, mas como? Sem a transformação da sociedade é impossível”, complementou. Contextualizando o problema da moradia no Brasil, ele recordou a Lei da Terra de 1850, código que vigorou até poucas décadas atrás. Alimentar-se e morar, graças à burguesia no século XIX, se tornou mercadoria: típico direito do modelo de produção capitalista, pontuou.

No Brasil há uma “cerca viva jurídica” pela magistratura, ministério público, polícia, etc, que viola o acesso a terra pelos trabalhadores, criticou Baldez, apoiado por Siro Darlan. Nesse ponto, defendeu o MST, que além de ser pressionado como uma figura criminal é atacado pela mídia que sustenta a especulação imobiliária nas cidades e o agronegócio no campo. “A única saída é a organização dos movimentos populares, porque a fala do povo é banida desde a origem do Brasil”, finalizou ressaltando que nossa sociedade jurídica é fundamentada no homem individual e não no coletivo.

O professor Sérgio Luiz, discorreu sobre o direito à soberania, e reforçou a necessidade da organização da sociedade para pressionar as instituições a implementar políticas públicas: “não é possível que exista ainda trabalho escravo, gente morando na rua, jovens sendo assassinados, quantidade absurda de presos numa cela”, destacou. Também pensando na dignidade humana, Siro Darlan ressaltou a interpenetração dos temas justiça, corrupção e direitos humanos, comemorados nos dias 08, 09 e 10 de dezembro, respectivamente: “a corrupção tem sido o gerador que vitimiza todos os cidadãos” observou, referindo-se aos privilegiados no desigual tratamento nos julgamentos da justiça brasileira.

“É um absurdo que julguemos de forma diferenciada os crimes, colocando crianças e adolescentes atrás das masmorras, que não têm fiscalização, do sistema sócio educativo”, afirmou. Para o desembargador, é prioritário assegurar os direitos humanos das nossas crianças. O que mais lhe preocupa, assegurou, é “o silêncio dos bons”: “calados ao verem fotos de jovens maltrapilhos, de chinelos, estampados nos jornais como os grandes responsáveis do crime no Brasil”. Pediu, também, o fechamento do educandário Santo Expedito em Bangu, que tem uma estrutura de presídio: “era a penitenciária Moniz Sodré e agora os jovens são jogados ali”.

Encerrando as palestras, João Luiz Pinaud, foi enfático ao dizer que os direitos humanos vivem uma crise com guerras e humilhações do mais fraco no sistema capitalista: “quem trabalha os direitos humanos está em defesa do direitos do mais pobre, em busca de outra sociedade”. Criticou a polícia militar carioca, que intimida e ameaça cercando os desprotegidos nas favelas graças à violência e omissão dos que detém o poder. Segundo Pinaud, “a criminalidade não é a grande ameaça, é o resultado das nossas omissões gerado pelas condições inerentes do capitalismo: estamos respondendo violentamente com um círculo vicioso que nunca vai cessar pela punição”, criticou.

Se referindo aos princípios dos direitos humanos, Pinaud disse que se trata de uma “tentativa de reconstrução do ser humano, projetar valores como pauta de comportamento social”. A “valorização da brutalidade do poder” só tem validado a repressão e a morte, garantido tudo aquilo que define o outro como criminoso feito acontece no tratamento com os movimentos sociais, concluiu.

Entrevistas: O Genócidio dos negros na Bahia


Por Eduardo Sá, publicado em 19.11.2009.

Hamilton Borges recebeu o Fazendo Media na portaria da Câmara Municipal de Salvador, ao lado do Pelourinho, onde ele desenvolve parte do seu trabalho, mas sem vínculo partidário. Atua também na campanha “Reaja ou será morto!”, cujo propósito é lutar pela vida das populações negras e pobres no estado da Bahia, hoje vítimas de um processo genocida instalado pela política de segurança pública. Na entrevista Hamilton fala sobre esse cenário, dando exemplos concretos, diz que não vê mudanças com a ascensão do PT ao poder, comenta sobre a atuação da mídia nesse contexto e explica a atuação da Reaja. Uma boa reflexão nas vésperas da consciência negra no Brasil.

Como é que você começou a se envolver com a militância nos movimentos sociais?

Eu nasci num bairro aqui chamado Curuzu, é o bairro mais negro do mundo, só perde para o Harlem. Ele fica na Liberdade, uma região de uma história de luta negra. A militância comigo se deu desde sempre, no bloco Ilê Ayê, recentemente perdemos até a sua matriarca que é Mãe Hilda. O bloco Ilê Ayê sempre teve uma perspectiva de dizer que nós éramos negros e tínhamos que ter orgulho disso. Depois eu ingressei no Movimento Negro Unificado (MNU), uma organização nacional que me formou, criada em 78. Saí do movimento no ano passado, mas devo a ele toda a minha formação e os princípios básicos de luta que eu congrego.

A minha experiência de vida dentro da comunidade do Curuzu, uma comunidade muito pobre, foi o fundamento para a radicalidade que a gente acha importante imprimir em qualquer luta: seja a luta racial, de gays e lésbicas, das mulheres, por moradia. Porque eu vi ao longo de mais de 40 anos vários irmãos meus serem destruídos, encarcerados e apodrecidos em vida dentro dessa cidade. Salvador é a pior cidade do mundo para mim, não tem alegria nenhuma, o que você tem aqui é um cheiro de xixi desgraçado e um abandono do poder público.

Essa cidade é um laboratório de luta, aqui é onde nós estamos nas piores condições. Você olha aquele homem ali carregando aquele fardo de papel, é como se não tivesse lapso temporal, é como se o avô dele estivesse presentificado nele. É uma cidade desigual demais e apresentada para o mundo inteiro como um lugar alegre, em que os negros dominam: porra nenhuma, a gente só ofereceu à classe dominante branca dessa cidade o capital simbólico, mas não tem nada de retorno para nós.

Você é muito ligado à questão do extermínio da população jovem aqui, que bate necessariamente na questão negra. Eu queria que você falasse sobre isso.

Na verdade a gente bate numa concepção que não é discutir extermínio. Pelos números, pelos dados e pelo método que o estado brasileiro utiliza contra a gente, seja no Rio de Janeiro, em Salvador, São Paulo, até no Paraná, a gente já está numa situação de genocídio. Temos uma consciência de que a juventude negra é uma das principais vítimas, mas não são as únicas. O genocídio não está só relacionado à morte por bala, tem outras questões que dizem respeito a esse processo como a falta de atendimento a saúde.

Relacionando a questão da violência letal das armas com a saúde, nós nos deparamos em 2007 com a morte de um companheiro nosso, o Mc Blue, Clodoaldo de Sousa, 22 anos, que foi assassinado por um grupo de extermínio tolerado pela polícia aqui. Logo no primeiro mês do governo Wagner em 2007, a gente se deparou com uma coisa: o sobrevivente da matança de Nova Brasília, Cleber Álvaro, foi para o hospital central daqui e os princípios do SUS não o atingiram. Ele não teve integralidade no atendimento, ficou submetido a uma equipe médica que depois mandou ele pra casa sem curar, não foi colocado numa fisioterapia e até hoje ele tem seqüelas desse PAF (Projétil de Arma de Fogo). Ele é uma pessoa, mas vários jovens estão ficando imobilizados. Quando a bala não mata, imobiliza. Então uma outra coisa: a polícia aqui nessa cidade quando chega para matar, a gente está praticamente morto.

“A POLÍCIA AQUI NESSA CIDADE QUANDO CHEGA PARA MATAR, A GENTE ESTÁ PRATICAMENTE MORTO… A POLÍCIA É O ÚNICO BRAÇO DO ESTADO QUE ENTRA NAS NOSSAS COMUNIDADES… TODO PRESO NEGRO É UM PRESO POLÍTICO”


Em que sentido?

A polícia é o único braço do estado que entra nas nossas comunidades. A gente não tem comida, não tem emprego, não tem acesso aos bens e serviços culturais, a gente vive como uma certa anomalia perambulando pela cidade. É uma coisa tão ruim que a gente às vezes até introjeta esses valores que são os do racismo, da baixa auto estima, quando vê uma pessoa da chamada classe superior.

Entramos no debate de segurança pública em 2007, mas mais organizado aqui em Salvador, porque antes a gente já na experiência do MRU disse lá atrás em 78 que todo preso negro é um preso político. Então a gente sempre teve certeza de que atuar dentro do sistema prisional é uma necessidade dos negros.

O Reaja nasceu porque foi assassinado um jovem, Robson Silveira da Luz, então a gente sabia que a brutalidade policial tinha que ser atingida. Só que entramos numa perspectiva de conquistas simbólicas, você vê aí as pessoas louvando o estatuto da igualdade racial, setores do movimento negro, setores pelegos, a gente pode dizer com toda tranqüilidade: capitularam, se acovardaram diante da luta. Abraçaram o PFL, o DEM, por um estatuto que na verdade é esvaziado, desmelinguido, um estatuto para dizer que o governo faz alguma coisa e para negar a centralidade do debate que nós estamos querendo colocar nesse país que é o racismo. Para nós da Campanha Reaja, o centro da contradição desse país é o racismo. Se a gente resolver todos os outros problemas e não resolver o problema racial, vamos continuar dentro dessa guerra.

Você tocou em alguns aspectos na política, essa mudança do ACM para o PT com o Jaques Wagner teve algum avanço aqui na Bahia?

Nós já enterramos tantos mortos durante esse governo que se teve avanço não vimos. Do ponto de vista de segurança pública, que é o tema que a gente mais se debruça, você não pode chamar avanço. Por exemplo: em 2005, no auge do governo carlista, nas mãos de Paulo Souto, morreram entre janeiro e setembro 635 pessoas. Em 2007 enquanto todo mundo estava soltando bomba e rojão para o governo Wagner, nós dissemos que ele tinha de mudar a lógica de política de segurança e dizer qual que é o projeto. Eles não disseram e muito menos mudaram a lógica, pelo contrário, eles mantiveram os coronéis que sempre serviram de cão de guarda da turma de ACM e faziam o serviço sujo dele – colocaram esses oficiais na polícia militar.

Dentro da polícia civil continuaram os mesmos delegados que sempre fizeram grandes truculências. Para você ter uma idéia, na Confêrencia Nacional de Segurança Publica (Conseg), que foi essa farsa armada pelo governo federal, teve um debate em que participava uma mulher conhecida aqui como a delegada “miseravona de Itapuã”, que sempre serviu aos interesses de ACM. Tem uma polícia aqui conhecida como “polícia do sertão” que, no primeiro momento, foi treinada pelo coronel Mulle: o grande nome de ACM na repressão, por exemplo, em Coroa Vermelha. Ele comandou todos aqueles ataques em Coroa Vermelha em 2000, quando os movimentos sociais fizeram um protesto contra os 500 e por um outros 500. Então nós tivemos no ano passado mais de 2.300 pessoas assassinadas, sendo que dessas mais de 40% no ano.

Quase o dobro do Rio de Janeiro…

O dobro do Rio. Nós temos a polícia que mais mata, porque 40% dessas pessoas foram vítimas dos chamados autos de resistência, confrontos seguidos de morte com a polícia. A gente tem na Bahia uma licença para matar odiosa, nós temos declarações do secretário de segurança pública, que é um homem citado na “operação navalha”, tratava da Gautama, daquele empreiteiro que ganhou muito dinheiro, o Zuleido Veras – esse cara é citado, é um corrupto.

No mês de agosto, numa operação policial em que pretensamente traficantes assassinaram um policial conhecido como Ohara, que tinha métodos de investigação com tortura, que pagava propina aos traficantes. Ele deixou de pagar o dinheiro dele e mataram esse traficante, uma guarnição de mais de cem policiais invadiram a comunidade Canabrava, retiraram do colo de uma mãe três filhos e assassinaram esses meninos. Foi ele quem disse numa chacina que teve no bairro da Paz “que nós vamos caçar esse bandido e se possível matá-lo”. Essa que é a lógica de segurança, não tem nenhuma diferença de Beltrame, é uma lógica nacional. Qual que é o problema? Aqui em Salvador não repercute, na Bahia.

“ESTÁ INSTALADA NO ESTADO DA BAHIA A PENA CAPITAL, AS PESSOAS ESTÃO MORRENDO, BASTA ESTAR VIVAS, BASTA SER NEGRO E SER POBRE PARA AS PESSOAS MORREREM AQUI NESSA CIDADE”.


Isso que eu ia te perguntar, como é a questão da mídia nesse cenário que você está contextualizando aqui na Bahia?

A mídia aqui tem uma assessoria especial dentro da secretaria de segurança pública. Você tem programas que são conhecidos nacionalmente, como o “Balanço Geral”. Aqui tem um programa “Na Mira”, que expõe os corpos de jovens negros assassinados, baleados, esquartejados todo o meio dia, então você tem uma lógica assim. Tem o negócio da política do medo e a secretaria de segurança pública faz isso com uma eficiência danada, hoje tudo é o traficante então tudo se justifica pelo tráfico de drogas.

Nós tivemos uma situação colateral dessa situação, esses incêndios (novembro/09) agora em Salvador, vamos por partes: a polícia invadiu uma comunidade em 2007, jovens estavam jogando futebol de madrugada na quadra, um deles saiu correndo e atiraram. Pegou na cabeça e matou, o jovem Djair, a comunidade de manhã pegou um ônibus e queimou, porque era a forma que ela tinha de se manifestar naquele momento. O governador disse assim: “não vamos permitir que se queime ônibus aqui em Salvador, porque aqui tem governabilidade”. Quer dizer, ele permite que matem pessoas inocentes, mas não permite que se vá para cima do patrimônio privado que são os ônibus. As pessoas ficam: ah o nosso ônibus… O ônibus não é público, ele é privado e é, inclusive, um péssimo ônibus.

Essa situação repercutiu, porque saiu na CartaCapital. A mesma coisa aconteceu agora, mataram um jovem de 13 anos em Águas Claras e a comunidade veio e queimou um ônibus. A partir daí se começou a queimar ônibus na cidade toda, se foi ou não facção criminosa, nós não sabemos: agora, não tem investigação para dizer se vão transferir ou não aquela pessoa, não tem o devido processo legal. Eles, por conta da política do medo, estão fazendo o que querem, matam as pessoas e dizem que tinham passagem. O fato de ter passagem pela polícia já significa que você pode ser morto: está instalada no estado da Bahia a pena capital, as pessoas estão morrendo, basta estar vivas, basta ser negro e ser pobre para as pessoas morrerem aqui nessa cidade.

É óbvio que isso está gerando um efeito colateral. As pessoas excluídas pobres que têm acesso a uma arma, afinal as armas e as drogas só chegam em nossas comunidades porque existem facções criminosas muito bem obrigado: acolhidas pelo DEM, pelo PFL e por pessoas que lutaram conosco durante tantos anos e quando ocuparam o poder estão fazendo pior. O presídio de Simões Filho, por exemplo, é a prova cabal de que este governo é um governo pelego que quem o encabeça negou toda a sua trajetória política. Todo o seu discurso foi por água abaixo, porque criar um presídio em área quilombola, de preservação ambiental, debaixo de mais de 16 dutos de gases que podem matar as pessoas que estão lá, e sem nenhum plano de contingência, isso é no mínimo um processo de fascismo; isso que nós estamos combatendo. Eu queria inclusive perguntar ao Tortura Nunca Mais qual é o diálogo que eles estão fazendo aqui na Bahia, porque o grupo deles está muito preocupado em garantir as indenizações para as vítimas de 64.

No Rio eles chegam junto no processo de segurança pública…

Mas aqui está querendo anistia para as vítimas de 64, enquanto várias famílias perderam seus entes queridos e precisam ser indenizadas, precisam ser reparadas pelo o que o governo faz. Essas organizações de brancos de direitos humanos aqui da Bahia se calaram diante do secretário de segurança pública na hora da abertura da Conseg. Diante de tantos mortos elas tinham a obrigação moral, ética, de escrever pelo menos uma nota sobre o que está acontecendo nesse país. Mas elas não falam nada, porque elas estão recebendo o seu dinheirinho lá no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

O racismo não foi pauta na Conseg?

Foi pauta, teve organizações do movimento que achavam que tinham de disputar, eles disputam porque estão todos pensando nos cifrões. Nós dissemos o seguinte: vamos fazer o Enposp, um Encontro Popular pela Segurança Pública, para discutir uma outra segurança pública. Nós não queremos reformar a segurança, a gente quer outra sociedade: uma outra segurança pública só será possível com uma outra sociedade.

Como é na prática a atuação da Reaja?

Ela é vasta, amanhã (22/09) mesmo a gente vai numa reunião com a defensoria pública com várias esposas de presos de várias unidades: Simões Filhos, Serrinha e presídio de Salvador. Tem oito presos baleados no presídio de Lauro de Freitas, a gente vai lá para pedir um ofício na defensoria pública porque a gente não acredita mais no Ministério Público: não dão respostas, as instituições que deveriam nos defender não atuam na prática.

A ação da gente é de formação, de ação dentro das comunidades. A gente acredita ainda nas denúncias, não podemos fazer outra coisa. Estamos num processo nesses últimos meses de formação e informação para preparar um material para divulgar ao mundo o que está acontecendo aqui na Bahia. Com todo o risco que a gente possa correr, não fazemos isso para salvar ninguém e sim para si salvar. Não temos uma visão cósmica de que o mundo está sofrendo e a gente vai salvá-lo: temos a consciência de que nós estamos nessa bolha e a gente quer estourá-la, somos desse jeito.

Seminário: O Olhar da Justiça sobre os Povos e Comunidades Tradicionais



1º Campeonato de Baleô do Nordeste de Amaralina

Encontro de Arte Negra


De 14 a 17 de dezembro a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) vai sediar o Seminário de Estética e Negritude no Brasil Contemporâneo. O encontro é uma promoção do Centro de Informação e Documentação do Artista Negro (Cidan), cujo propósito é reunir intelectuais e artistas afro-brasileiros numa série de palestras e debates sobre a presença estética do negro na cultura brasileira. Os temas apresentados pelos palestrantes serão publicados numa revista ao final do evento.

Segundo os seus organizadores, um dos principais objetivos do seminário é debater, mapear e apresentar a estética da negritude com base nos caminhos percorridos por este conceito que serão debatidos por estudiosos do tema, como Muniz Sodré, Helena Teodoro, Joel Rufino, Nelson Inocêncio, Jacques D´Adesky, Nei Lopes, Emanoel Araujo, Delcio Teobaldo, entre outros intelectuais com importantes produções acadêmicas e culturais sobre o assunto.

Programação:

Dia 14/12/09

Abertura
Horário: 18h – sessão de Abertura com a participação de autoridades e convidados.
Local: Auditório Oscar Guanabarino da ABI, na Rua Araújo Porto Alegre 71 – Centro (RJ).

Saudações e apresentação do evento pelo presidente do CIDAN – Antonio Pompêo

Convidados:
Edson Santos – Ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Zulu Araújo – Presidente da Fundação Cultural Palmares
Sergio Mamberti – Presidente da FUNARTE
Milton Gonçalves – Ator
Ricardo Vieiralves – Reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Zózimo Bulbul – Cineasta
Carlos Alberto Medeiros – Coordenador de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Prefeitura do Rio de Janeiro
Zezé Motta – Presidente de Honra do CIDAN

Dia 15/12/2009

Local: Auditório Belisário de Souza, no 7º andar da ABI
09h30 – 12h30 – Mesa I: Negritude (s) em trânsito e reapropriação do belo.

Coordenação:
Martivs Chagas – SEPPIR
Palestrantes:

Muniz Sodré – Presidente da Fundação Biblioteca Nacional
Helena Teodoro – Escritora
Jacques d`Adesky – Conselheiro Acadêmico da CLACSO

13h30 – 16h30 – Mesa II – Letras na Diáspora Temática: Poética e Política

Coordenação:
Ricardo Vieiralves – Reitor da Uerj

Joel Rufino dos Santos – Escritor
Elisa Lucinda – Atriz – Poeta
Éle Semóg – Escritor

Dia 16/12/2008

Local: Auditório Belisário de Souza, no 7º andar da ABI
09h30-12h30 – Mesa III – Reapropriação e legitimidade das expressões afro-brasileiras

Coordenação:
Antonio Molina – Vice-Presidente do CIDAN

Palestrantes:
Julio Tavares – Antropólogo UFF
Zulu Araujo – Presidente da FCP
Ronaldo Rêgo – Artista Plástico

13h30 – 16h30 – Mesa IV – Formas, pincéis e traços da mulher e do homem de cor, Imagens, folclorização e consumo: Quem faz e quem vende o “Produto Afro?”

Coordenação:
Renata Melo – SEPPIR

Palestrantes:
Nelson Inocêncio – Professor da Unb
Pestana – jornalista – Diretor da revista RAÇA
Januário Garcia – Fotógrafo

Dia 17/11/09

Local: Auditório Belisário de Souza, no 7º andar da ABI
09h30 -12h30 – Mesa V – Nós e os outros na m música negra contemporânea.

Coordenação:

Sergio Cabral – Jornalista e pesquisador

Palestrantes:
Haroldo Costa – Pesquisador
Carlos Negreiros – Músico e Pesquisador
Delcio Teobaldo – Escritor – Jornalista – Musicólogo
Augusto Bapt – Músico

13h30 – 16h30 – Mesa VI –Temática: Agência Negra e Grande Mídia: inserção e ativismo político

Coordenação:

Carlos Alberto Medeiros – Coordenador de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Prefeitura do Rio de Janeiro

Palestrantes:

Joelzito Araujo – Cineasta
Sandra Almada – Jornalista
Jeferson De – Cineasta
Luiz Antônio Pilar – Diretor de Novelas na Rede Globo

Fonte: Recebido por e-mail.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sucom interdita hotel onde Jorge Pedra foi assassinado

Redação CORREIO
O Hotel Democrata, localizado no Largo Dois de Julho, será interditado pela Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), nesta sexta-feira (4). No mês passado, uma ação da Gerência de Fiscalização e Segurança Urbanística do órgão constatou que o estabelecimento funciona como motel.
Além disso, o local não possui um alvará de funcionamento para atividade de hotel. Segundo informações do Ibahia, o estabelecimento foi notificado de que não deverá exercer atividade diferente do que foi licenciado e foi autuado por estar com desvio de atividade, além do embargo de atividade. Entretanto, ele continuou exercendo a função de motel, descumprindo a regra do órgão.

Crime
O apresentador do programa 'Fama e Sucesso' da TV Salvador, Jorge Pedra, foi assassinado a facadas no começo da noite do dia 1º de novembro dentro de um quarto do Hotel Democrata. O crime aconteceu no apartamento 316, e segundo funcionários, o apresentador costumava frequentar o local. Ele teria chegado ao local no começo da noite acompanhado por um rapaz chamado Rogério. A Delegacia de Homicídios (DH) procura pelo assassino.

Fonte: Correio da Bahia

A voz de Mãe Stella de Oxóssi


Os filhos e filhas de santo se aproximam de Mãe Stella de Oxóssi com os olhos vazando reverência. Ela os acolhe, ouve e aconselha a todos. Na verdade a presença da Ialorixá de 84 anos se impõe sobre a gente em redor, independente de crença, com uma firmeza suave. Mãe Stella não parece falar em nome de nenhuma religião, mas representar (encarnar) o sagrado de que a humanidade não pode abrir mão. Não há como permanecer incólume diante de seu apelo firme pelo respeito e o amor entre as pessoas. Nesta conversa ela reafirma uma vez mais as suas posições já bastante conhecidas, e por vezes polêmicas, com a sobriedade e o desassombro de quem, por saber o que diz, não precisa provar nada para ninguém. Presente de Dia da Consciência Negra.

James Martins – Eu quero que a senhora comece falando sobre a relação da religião com o poder, com a política, porque o candomblé, historicamente, teve uma relação conturbada com os poderes oficiais, com perseguição policial e tudo o mais, mas também, por outro lado a fundadora desta casa [Ilê Axé Opô Afonjá], Mãe Aninha teve uma boa relação com Getúlio Vargas, teve aquela lendária visita dela ao Palácio do Catete. E a Senhora, como é que tem se relacionado com...

Mãe Stella – A minha relação com Lula? (risos) Sim, porque se ela se relacionou com Getúlio Vargas eu posso me relacionar com Lula, não é? É a mais amena possível. Ele nunca nos perseguiu, e pelo gosto dele também ninguém é perseguido. E com os governantes de Salvador também, na atualidade, que aquelas coisas já passaram, de chefe de polícia e tudo o mais... Eu posso dizer que o candomblé resistiu àquelas opressões todas e por causa da força dos nossos orixás e do nosso merecimento, nós nos livramos delas. Agora, das maldades da atualidade fica difícil se livrar.

JM – Quais seriam essas maldades?

Mãe Stella – Maldades... filho matando mãe; outros matando por causa de uma camisa; outro querendo ofender algum outro; outro com conversas capciosas; tudo isso são ofensas que dão até para matar o sujeito. Mas, quando a gente tem compromisso com a verdade, compromisso com o bem, tudo isso é superado. A discriminação existiu e ainda existe mas a resistência do candomblé, do povo de axé, supera essas coisas todas. E nós não temos muito tempo para prestar muita atenção aos opressores, aos perseguidores. Nós estamos é trabalhando por uma causa que é a religião.

JM – E o candomblé tem essa relação de respeito aos mais velhos como um princípio, a relação com a ancestralidade. Isso tem faltado talvez hoje na vida cotidiana da sociedade?

Mãe Stella – É o sujeito não respeita mais o pai, nem a mãe, nem o mestre, não é? Todo mundo agora é muito igual. E o que segura a religião até hoje é a hierarquia, é o respeito pelo mais velho, pelo superior. E o superior, para nós, é o mais velho. E nós, mais velhos, que eu já sou uma senhora de 84 anos, temos a obrigação de trabalhar em prol da moral, dos bons costumes e das boas ações, para poder deixar plantado isso pra vocês que chegam depois, como um exemplo, para a gente poder viver feliz.

JM – E aí entra também a questão do ensino formal. Aqui no terreiro tem uma escola, batizada com o nome de Mãe Aninha, onde se ensina também a religião afro-brasileira, digamos assim, não é?

Mãe Stella – Nós não ensinamos a religião. Nós falamos sobre o candomblé de uma forma social, de uma forma didática, cultural... Não é ensinando propriamente candomblé, mas mostrando também que toda religião, como todo ser humano, merece respeito e consideração. Então, se o candomblé abriga uma escola, que é a Escola Eugênia Anna dos Santos, é evidente que nós também incrementamos aquele respeito para com a nossa religião, para com o povo de axé. E nós agradecemos também às autoridades constituídas que instituíram aquele decreto onde toda escola deveria ensinar alguma religião, sem ser forçado ensinar apenas tal religião, por que é a oficial. Não existe religião oficial. Toda religião é aceita, desde que não vá contra a moral, nem contra a humanidade.

JM – E quanto ao tombamento do Axé? Eu li uma declaração muito inteligente da senhora, argumentando com algum receio sobre o tombamento, porque, embora traga segurança, também tem o lado de manter as coisas estáticas, e a mudança também é necessária.

Mãe Stella – É, quando eu falei isso –e continuo dizendo- é porque, pra gente conservar qualquer coisa que tenha, até um simples anel, de vez em quando precisa dar um lustro não é? Se uma telha de sua casa cair você quer consertar. E o ‘Patrimônio’ [o IPHAN – Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional], ele gosta de conservar as coisas como eram no princípio. Eles acham aquilo de tal importância que não pretendem mudar. Mas quando a gente fala não mudar, não quer dizer que vai deixar cair porque não pode mexer. Se essa casa aqui, uma árvore cair em cima do telhado, é evidente que eu tenho que trocar o telhado. Isso não tá mudando, de maneira nenhuma, a arquitetura. E o meu receio era esse, que não pudesse mexer como a gente queria pra embelezar, pra conservar. Mas quando eu vi que não era isso, que era apenas para segurar o imóvel, então eu achei que seria uma coisa boa, principalmente por causa da especulação imobiliária, o lance das invasões e tudo e o IPHAN é um aliado.

JM – E falando nisso, teve aquele caso polêmico da derrubada de um terreiro pela prefeitura de Salvador.

Mãe Stella – É, eu soube pelos jornais... mas nem posso falar nada por que só soube pelos jornais mesmo.

JM – E ainda falando mais ou menos disso, segunda-feira eu estive aqui pro xirê de Iroko, e notei que vários trechos das cantigas sagradas foram estilizados e aproveitados por compositores em músicas profanas, da chamada indústria cultural. Qual é o limite que a senhora considera necessário para essa apropriação de símbolos sagrados no mundo profano?

Mãe Stella - Se for para o profano deixa de ser sagrado. Então, eu não sou contra que numa canção cite qualquer palavra, ou mesmo algum símbolo do candomblé, contanto que não vá mexer na profundidade do sagrado. Você vê que até com a igreja católica acontece isso... sambas de roda [cantarola] ‘oh minha nossa senhora (...)’ e não sei o que! Tá depreciando? Não tá. É a mesma coisa aqui com o candomblé. São palavras que eles tiram pra fazer rimas dentro de um sentido e também não acho que seja nada demais. Agora o que não deve ser é empregar do sagrado em festas profanas como escolas de samba, carnaval... vestidos de orixá – porque o orixá para nós é sagrado- em cima do trio elétrico, essas coisas é que nós não admitimos.

JM - O candomblé é muitas vezes abordado como um exotismo quase folclórico, o que, de certa forma atrai muita gente aos locais sagrados como se estivessem indo ao teatro. Como é que a senhora lida com a sociedade de consumo do candomblé?

Mãe Stella – Isso existe porque o mal informado às vezes quer bancar o sabido, não é (?), aí fala asneiras... mas a gente não pode perder muito tempo com essas coisas não, que aí é retrocesso. Se a gente tem certeza do que faz, tem uma coisa correta, deixe quem quiser falar e vamos ter consciência de que nós estamos no caminho certo. O demais é a ignorância. O ignorante acha que é sabido e passa por bobo (risos).

JM – Eu queria que a senhora falasse um pouco de sua mãe espiritual, que foi lendária Mãe Senhora de Oxum.

Mãe Stella – Senhora é insubstituível, por que não pode encarnar outra Senhora, não é? Mas a presença dela, os ensinamentos, para mim não existem iguais. Aprendi muita coisa com ela e pretendo conservar.

JM – Já é bem conhecida a sua posição, mas eu quero pedir que a senhora fale uma vez mais sobre a sua posição contrária ao sincretismo religioso nos dias de hoje.

Mãe Stella – Já está cansativo, mas é que se você acredita numa coisa, tem certeza do que faz, então para quê misturar com outra prática? Quem faz isso está misturando tudo e não está satisfazendo, nem agradando, nem valorizando ninguém. Fica como uma salada não é?

JM – E esse boom pentecostal, as igrejas evangélicas crescendo tanto em Salvador, temos um prefeito evangélico, chegamos a ter várias lideranças ligadas às igrejas evangélicas encabeçando as pesquisas na última eleição municipal. Isso incomoda de alguma forma, já que eles têm uma postura tão intransigente quanto às outras religiões?

Mãe Stella – Não rapaz, o sol nasce para todos. A política não exige que você para se candidatar a tal coisa tenha que seguir tal prática religiosa. Então a gente entrega ao divino que ele deixará vencer aquele que for o melhor para a humanidade. De repente o candomblé não é o melhor para a humanidade. De repente outra religião é o melhor. Então vamos pedir para que o melhor fique. Quando chega um candidato aqui e pedem para ser apresentados ao orixá, eu peço, na frente do candidato, que se for para o bem dele e da sociedade, que ele seja eleito. E se o orixá vir que ele é bom, ele vai ficar. Nós não temos preferência de religião, embora para nós a nossa seja a melhor, é claro, não tem outra. Mas não é que ela seja a verdadeira para a humanidade, nem seja boa para a humanidade. Já se ouviu tanta atrocidade em cima da religião católica, não é? A mesma coisa com outras religiões, o próprio candomblé, muita gente diz que a gente anda só pra maldade, tudo isso... e não é. Cada um faz a fantasia que quer em cima da coisa.

JM – Eu sei que a senhora gosta de ir ao cinema. Chegou a ver este filme novo, Besouro, sobre o capoeirista?

Mãe Stella – Não.

JM – Quais foram os últimos filmes que a senhora viu?

Mãe Stella – (risos) Agora com televisão ninguém vai mais ao cinema. Eu mesma não vou, porque é mais cômodo, ficar na televisão assistindo aos programinhas de tarde... Sou uma senhora de 84 anos, não dá muito tempo não. Prefiro ir, às vezes, num teatro, uma coisa assim mais diferente.

JM – Só para terminar eu vou falar os nomes de algumas pessoas e a senhora me diz o que elas te lembram. O primeiro: Pierre Verger.

Mãe Stella – Ah, foi um jornalista, um amigo do candomblé, que deixou muito trabalho pronto aí.

JM – Antonio Carlos Magalhães.

Mãe Stella – Uma figura política, baiana, inesquecível também.

JM – Dorival Caymmi.

Mãe Stella – Outro. Cantor inesquecível, filho da casa, nosso amigo, nosso irmão.

JM – Vivaldo da Costa Lima.

Mãe Stella – Ave Maria! Tá vivo aí e eu peço a Ogum todo dia que segure ele na terra, que ele é uma figura ímpar no candomblé e na sociedade, por que é um grande professor.

JM – Carybé.

Mãe Stella – Outra lembrança, assim de saudades mesmo, por que ele foi nosso irmão e nos ajudou bastante.

JM – E por fim Jorge Amado.

Mãe Stella – Outra figura interessante também, que era daqui do Axé também e ele botou, ao modo dele, de uma forma lúdica, as coisas da prática do candomblé nos livros, de uma forma interessante.

JM – Muito obrigado. E agora deixe uma mensagem para a Cidade do Salvador.

Mãe Stella – Que vocês continuem divulgando as coisas assim sempre de uma forma certa, corajosa, verdadeira... e que vá servir para tocar no coração dos homens, que eles sejam mais humanos, os filhos respeitem os pais, respeitem os mais velhos, respeitem a sociedade e a Deus. E a você também, que seja um bom jornalista.
Entrevista publicada em 20.11.2009

Vítima de racismo, homem de 55 anos apanha de alunos de medicina



Fonte: You Tube

Veja as adesões da Marcha Mundial no Brasil!





Nós já aderimos e você?
17 de Dezembro, às 15horas.
Concentração no Campo Grande
Salvador / BA

sábado, 12 de dezembro de 2009

Marcha Mundial pela paz e não violência em Salvador



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Fórum Pernambucano da Religiosidade de Matriz Africana - CONVITE PARA O COMITÊ PRÓ FÓRUM





O FÓRUM NACIONAL DA RELIGIOSIDADE DE MATRIZ AFRICANA, foi criado na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial ( II CONAPIR ), em cerimônia no Palácio do Planalto, sob coordenação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial ( SEPPIR ), pela necessidade de se discutir políticas públicas para as Religiões de Matrizes Africanas. O Fórum Nacional foi aprovado pelo Ministro Edson Santos, da Igualdade Racial. Para que o Fórum Nacional saia do papel é necessário que os estados iniciem as discussões. Até o momento, somente BA, RJ, SE e MG iniciaram as discussões.
O CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras de Pernambuco, a Casa Xambá, o Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô, o Kwé Cejá Sobô Adan, o Ilê Axé Osun Kemi, o Ilê Alá Obiketu Axé, o Ilê Oxum Gafunê, a Tenda Espírita Jesus, Maria e José, o Ilê Omoisu Oguian, o Centro Espirita Templo dos Deuses, o Templo Espirita Caboclo Rio Negro, o POLOAFRO - Pólo de Saúde e Saberes Afro Brasil, a Nação Maracatu Leão de Judá e a Assessoria de Direitos Humanos do Gabinete do Deputado Paulo Rubens Santiago, dão o ponta pé inicial na construção do Fórum Pernambucano da Religiosidade de Matriz Africana, tendo a honra de lhe convidar para participar da I Reunião do Comitê Pró Forum
Por entender a urgência do assunto, o CEN/PE tem feito diversas articulações com as representações religiosas do Estado e interior para que este espaço democrático não fique apenas no papel.
Fora a Sociedade Civil, diversos representantes estão sendo convidados para a I Reunião do Comitê Pró Fórum, tais como a Assessoria de Direitos Humanos, OAB/PE, CEPPIR/PE, UFRPE, UFPE, entre outras representações.
Segundo a Coordenadora Estadual do CEN/PE, Lindacy Assis, " O fórum é um espaço público, não governamental e apartidário. Não existe e nem existirá um dono que conduzirá o processo. Toda a Sociedade é chamada a discutir, organizar e encaminhar as propostas e para que se conheçam a fundo as demandas da População de Religiosidade de Matriz Africana. Todos os representantes de terreiros estão convidados a fazer parte do Comitê Pró Fórum, não existem cadeiras exclusivas".
O encontro realizar-se-á proximo dia 21 de dezembro as 18:30 na sede do SINTEPE, Rua General Semeão 51, Boa Vista ( próximo a Universidade Catolica de Pernambuco ).

Publicado no endereço: http://forumpedematrizafricana.blogspot.com/


Contatos:

Comitê PRÓ FORUM

Babalorixá Marcelo Uchoa
Babalorixá do Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô
Coordenador do POLOAFRO - Pólo de Saúde e Saberes Afrobrasil
Coordenador Estadual de Religiosidade do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras
Mediador do Curso de Cultura e Religiosidade Africana

Egbome Lourdinha de Oyá
Casa Xambá
Coordenador Estadual de Saúde do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras

Luciana Marins
Omorixá do Ilê Iyá Ori Axé Ogê Lawô
Coordenadora Estratégica para a Promoção da Igualdade do POLOAFRO - Pólo de Saúde e Saberes Afrobrasil

Lindacy Silva Assis
Bióloga Ambientalista
Coordenadora Estadual do CEN/PE - Coletivo de Entidades Negras
Membro da Articulação IST/AIDS

Adeptos do candomblé e umbanda lançam fórum e pedem respeito


Representantes do candomblé e da umbanda lançaram nesta quinta-feira (10/12/09), em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o Fórum Mineiro das Religiões de Matriz Africana. Na ocasião, eles apresentaram a Carta de Minas Gerais, com os objetivos do fórum e algumas reivindicações, entre elas o combate ao preconceito racial e à intolerância religiosa. A audiência, requerida pelo presidente da comissão, deputado Durval Ângelo (PT), discutiu a situação das religiões de origem africana em Minas, sobretudo a discriminação sofrida pelos praticantes.

Durval lembrou que a reunião foi realizada no Dia Internacional dos Direitos Humanos. O deputado disse que a comissão decidiu discutir nesta data a intolerância contra o candomblé e a umbanda porque as diferenças religiosas têm sido usadas como justificativa para a opressão e a exclusão de determinados grupos sociais. Segundo ele, a perseguição contra religiões de origem africana parte principalmente de evangélicos e católicos de orientação pentecostal. Durval defendeu a liberdade de culto e citou, como exemplo, uma frase do líder budista Dalai Lama: "A melhor religião é aquela que te faz melhor".

O deputado Padre João (PT) afirmou que uma religião verdadeira e autêntica "comunica o amor", e que o desdobramento disso é o respeito, a valorização e a promoção da vida. "Não é autêntica a religião que semeia a discórdia, a desavença, o ódio ou que nega a vida", acrescentou.

Mobilização nacional - O coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Marcos Rezende, disse que há um esforço em todo o País para o lançamento de fóruns estaduais que representem os interesses das religiões de matriz africana. O objetivo é reuni-los num fórum nacional, a partir do ano que vem. Na opinião de Rezende, a união dessas manifestações numa só entidade é um momento histórico.

O coordenador do CEN afirmou ainda que as religiões de matriz africana tradicionalmente valorizam o papel da mulher, dos negros, dos idosos e reconhecem a liberdade de culto. "Se há um segmento religioso que respeita a diversidade é o nosso", disse Rezende, que integra o terreiro de candomblé Ilê Axé Oxumaré.

Para o coordenador do Conselho Nacional da Umbanda em Minas Gerais, Sérgio Yorotaman, as religiões de origem africana devem lutar pela divulgação do seu trabalho, sua cultura e suas manifestações artísticas e religiosas. "Uma forma de combater o preconceito é divulgar. As pessoas criam mitos porque não nos conhecem", declarou ele, ao comentar associações equivocadas entre esses cultos e rituais macabros. "A falta de conhecimento é o que leva à discriminação. Nós temos a obrigação de informar as pessoas que o culto aos voduns, aos orixás, não é magia negra nem magia branca, é energia", acrescentou Sandra de Vodun Jó, representante da nação Jeje Mahin do candomblé.

Ruth de Aziri, que representou a Associação Espírita de Culto Afro-Brasileiro Ya Aboring, disse que o objetivo do lançamento do Fórum Mineiro das Religiões de Matriz Africana é que essas manifestações sejam respeitadas e reconhecidas. Tatetu Kamunan, dirigente de um terreiro de candomblé em Ipatinga (Vale do Aço), reivindicou ainda a criação de uma data comemorativa dedicada aos cultos afro-brasileiros em Minas.

Tatetu Aladei, que dirige um terreiro em Coronel Fabriciano (Vale do Aço), celebrou o lançamento do fórum, mas alertou que, muitas vezes, há intolerância dentro do próprio candomblé. Ele defendeu a união de todas as correntes das religiões de matriz africana para lutar por seus interesses.

Durante a audiência, adeptos do camdomblé fizeram uma apresentação de músicas associadas ao culto.

Presenças - Deputados Durval Ângelo (PT), presidente, e Padre João (PT).
Responsável pela informação: Assessoria de Comunicação - http://www.almg.gov.br/
Para saber mais sobre o Fórum e a sua construção em Minas Gerais, acesse: http://matrizafricana.mecamob.com/noticias

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