sexta-feira, 30 de abril de 2010

Experiências em novos espaços de comunicação para os afrodescendentes foram discutidas no Colegiado da Igualdade


O debate sobre espaço alternativo de comunicação para o povo negro foi discutido em Audiência Pública na Assembléia Legislativa, nesta terça (27). O espaço livre para divulgação de produções de texto, imagem ou audiovisual independente pontuou diversos fatores no entendimento do uso de ferramentas de mídia alternativa. Marcaram presença no evento presidido pela Comissão de Promoção da Igualdade, Paulo Rogério, Diretor do Instituto Mídia Ética, Marcos Rezende, Coordenador do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Hebert Florence, Secretário de Comunicação do PT, Fernando Conceição, professor da Escola de Comunicação da Ufba e coordenador da Campanha Afirme-se, André Actis da TV Pelourinho e Mel Adún representando o Tobossis. Após abrir a sessão, o deputado Bira Corôa expôs a estruturação da comunicação como uma construção das grandes elites, sendo afirmada para uma minoria de pele negra. Ele ainda enfatizou a macro política de interiorização, existente nas grandes mídias, dispondo os negros em papeis terciários, como figurantes, sem expressão e sem autonomia. As contribuições deram seguimento ao debate pautando as ações pela cidadania, através de projetos de produções audiovisuais construídos por jovens negros. O projeto da TV pelourinho apresentado por André Actis traz programas televisivos, pesquisados, editados, produzidos e finalizados por estes jovens, muitos deles, vindos da periferia. Existem 200 jovens que estão se especializando em audiovisual, no projeto da TV Pelourinho, com equipamentos de ponta e alta tecnologia. A internet esteve no centro das discussões trazendo uma polêmica que tratava do aproveitamento desta nova mídia poderosa em contrapartida da exclusão, tanto digital como social, que enxerga a plataforma como ferramenta ditada pela elite capitalista. Paulo Rogério do Instituto Mídia Étnica apresentou a sua experiência na comunicação alternativa, com a internet como principal veículo de comunicação, usando como exemplo o portal Correio Nagô. Rogério afirma que a internet é por si só anárquica e descentralizada. Para o Professor Fernando Conceição a internet apresenta alguns questionamentos em relação a sua utilização como nova mídia alternativa. “Nos apropriamos de uma tecnologia onde a produção está relacionada a um centro elitista, o processo se dá a partir de um império visando apenas interesse econômico”, disse Fernando Conceição. O Professor entende que a web traz uma ilusão da democracia como uma fábula do capitalismo e afirma que não estamos presenciando uma aldeia global, onde todos estão conectados. O secretário de comunicação do PT, Hebert Florence, construiu sua fala discutindo o domínio das elites nos meios de comunicação, seguido do Coordenador do CEN que questionou a necessidade de desenvolvimento de atividades de órgãos, que tragam oportunidades aos jovens negros para produção e participação de mídias de comunicação. A representante do Tobossis, Mel Adún declarou que a internet é um meio de comunicação ainda muito vasto e pouco aproveitado e enxerga o veículo como uma ferramenta muito atrativa no auxilio da comunicação. As idéias, polêmicas e experiências de cada representante que estiveram presentes, foram de grande contribuição na construção do debate, expondo pontos da realidade da grande mídia excludente e trazendo um questionamento importante de como transformar ou enfrentar essa estrutura implementada desde o Brasil colônia sendo consolidado nas idéias neo-liberais da contemporaneidade. “O estado foi estruturado para atender os dominantes, desde o imperialismo refletido nos dias de hoje”, disse o deputado Bira Corôa.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons