quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bira Corôa quer políticas contra discriminação na Bahia


Por: Redação - Fonte: Afropress

Salvador - O presidente das Comissões de Educação e da Comissão Especial de Promoção da Igualdade Racial, e atual deputado estadual Bira Corôa, do PT da Bahia (13.613), afirma que quer se reeleger para dar continuidade as bandeiras de luta pela igualdade racial e contra a intolerância religiosa.

“Nosso objetivo é traçar políticas públicas para o combate a discriminação racial, a intolerância religiosa pela afirmação do povo negro, da nossa cultura e da prática das religiões de matriz africana com ações reparadoras para as nossas comunidades tradicionais.”, afirma.

Biólogo, professor e filho de ferroviário, Bira Corôa foi um dos parlamentares baianos que pediu a retirada do projeto do Estatuto da Igualdade Racial, por discordar do acordo que permitiu a sua tramitação e aprovação pelo Senado.

“Temos duras críticas ao Estatuto nacional, no tocante do que foi retirado do projeto. Posicionamo-nos, inclusive, com uma carta aberta ao presidente Lula, pedindo para que não sancionasse o projeto, porque da forma que foi “acordado” dentro do Congresso Nacional não atende a questões que, para nós, são de suma importância, como a questão das cotas raciais e das terras dos quilombolas”, acrescenta.

O Estatuto acabou sancionado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se tornou a Lei 12.288, que entre em vigor no mês que vem – 90 dias após a publicação no Diário Oficial, no dia 21 de julho.

Confira, na íntegra, mais uma entrevista da série e que faz parte do esforço de Afropress para estimular o voto em candidatos negros e antirracistas a deputados estaduais, federais e senadores, em todo o Brasil nas eleições de 3 outubro. O espaço é aberto a todos candidatos comprometidos com esta agenda, independente de partidos, às 5ªs feiras e aos domingos.

Afropress - Por que é candidato a Deputado Estadual e quais são suas principais propostas se eleito?

Bira Corôa – Nossa candidatura é para renovar um mandato que já existe, comprometido com as causas sociais, com as comunidades negras, índigenas, com os povos tradicionais, com as mulheres, com a juventude, com grupos LGBT, com os trabalhadores rurais e com a agricultura familiar.

Essa é a nossa base social, o compromisso com a classe trabalhadora. As nossas propostas estão inseridas nesta continuidade e no avanço das lutas desses segmentos.

Como presidente da Comissão Especial de Promoção da Igualdade em três períodos nessa legislatura, trabalhamos fortemente para ajudar a organizar nosso povo negro. Fizemos diversas audiências, sessões especiais e debates, também criamos um programa chamado “Revelando as comunidades afrodescendentes”, para que o povo negro quilombola, de todo o estado da Bahia, se reconheça como tal e com isso avancemos nas políticas públicas para o nosso povo.

Afropress - Como acompanhou o debate sobre o Estatuto da Igualdade Racial aprovado e qual a sua posição a respeito?

Bira Corôa – Defendemos que haja o Estatuto da Igualdade Racial, trabalhamos para que fosse aprovado no Congresso Nacional e trabalhamos fortemente para que o Estatuto aqui na Bahia seja aprovado e ainda não conseguimos levá-lo à votação.

Temos duras críticas ao Estatuto Nacional, no tocante do que foi retirado do projeto. Posicionamo-nos, inclusive, com uma carta aberta ao presidente Lula, pedindo para que não sancionasse o projeto, porque da forma que foi “acordado” dentro do Congresso Nacional não atende a questões que para nós são de suma importância.

Entre elas a questão das cotas raciais, a questão das terras dos quilombolas, que para nós é imprescindível e não poderia estar fora desse processo. Por isso pedimos ao presidente que não sancionasse e que fosse rediscutido para que esse projeto realmente atenda a nossa comunidade.

Afropress - Qual a sua posição em relação às cotas e ações afirmativas e se considera necessário o aperfeiçoamento do Estatuto aprovado e recém-sancionado pelo Presidente da República?

Bira Corôa – Nossa posição sobre as cotas não a enxerga como benefício e sim como uma política de reparação. Então se é reparação, a palavra diz que é por conta de um dano que já foi causado. Nós temos leis, não apenas postura, mas são leis no Brasil, que são discriminatórias contra o povo negro. As cotas vêm no sentido de reparar isso. Não é nenhum favor para o povo negro, é um dever do Estado em fazer as reparações das perseguições e traumas que o nosso povo sofreu durante esses 510 anos.

Em relação ao Estatuto da Igualdade Racial, já colocamos que ele não atende as expectativas e acreditamos que devemos continuar lutando para que este seja realmente aperfeiçoado, com as nossas bandeiras sendo contempladas. Se não conseguimos nesse exato momento, devemos trabalhar para avançarmos com essas questões que já foram colocadas.

Afropress - Como se posiciona em relação aos assassinatos de jovens negros nas periferias das cidades brasileiras pela Polícia Militar?

Bira Corôa – Os números são provas estatísticas do que acontece no Brasil, a maioria das mortes violentas são de jovens, homens negros, da periferia. São jovens na faixa entre 14 e 25 anos de idade. Então na realidade esses assassinatos são um extermínio dessa população negra. É preciso dar um basta nessa questão do assassinato da juventude negra, com políticas públicas para que esses jovens estejam presentes na vida social, sem essa violência que é colocada, não apenas pela polícia, mas pelos grupos de extermínio espalhados pela Bahia e por todo o Brasil.

Afropress - Fale um pouco de sua trajetória pessoal e política e na importância da eleição de candidatos negros e anti-racistas nestas eleições.

Bira Corôa – A nossa trajetória sempre foi pautada no tripé, da luta contra todo tipo de discriminação, contra a intolerância religiosa, na luta que é casada também com a questão ambiental, que tem haver com as nossas tradições religiosas. E a eleição de candidatos negros, não apenas por ser negros, mas que sejam candidaturas que além de negras sejam anti-racistas.

Por exemplo, na Assembleia Legislativa da Bahia, não enche em uma mão o número de deputados negros que fazem o debate das questões raciais nesta casa. Mesmo sendo a Bahia, o Estado mais negro fora da África, e sofremos com isso, imagine como ficam essas questões em todo Brasil.

Portanto é necessário termos a reeleição dos atuais deputados para mantermos a luta e ampliarmos com novas candidaturas que possam se juntar conosco para que somemos forças com diversos candidatos e candidatas, homens e mulheres negros na luta contra a discriminação racial e contra a intolerância religiosa.

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