quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Povos de Terreiro em São Francisco do Conde unem forças por Valmir Assunção


O trabalho pioneiro voltado aos povos e comunidades tradicionais na Bahia, quando esteve à frente da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), confere a Valmir Assunção a aposta de diversas comunidades de terreiro na sua candidatura e no projeto político que vem protagonizando. Foi o que ficou evidente em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano. Em seu comitê e de Bira Corôa, com quem faz dobradinha no município, foi recebido por diversos sacerdotes e sacerdotisas de matriz africana. Todos eles estão somando esforços na comunidade para levarem Valmir ao Congresso Nacional.
No mesmo dia, Valmir visitou o Terreiro Onilê, Oní Araaiyê, ministrado pelo babalorixá Pai Tero. Ele conheceu uma das sedes onde se manifesta a religiosidade mais presente no Recôncavo. Segundo o presidente da Associação de Povos de Matriz Africana de São Francisco do Conde, Josué dos Santos, 95% da população do município é negra e mais da metade cultua alguma religião de matriz africana. “Temos mapeados 24 terreiros nessa cidade de 31 mil habitantes”, disse. Valmir ressaltou a importância da aprovação do Projeto de Lei, de sua autoria, que deve instituir o Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa no Estado.
Segundo ele, o Estatuto deverá ser um instrumento que obrigará o Estado a reparar o atraso histórico a que foi submetido o povo negro. Quanto ao aspecto religioso, Valmir ataca: “O que não podemos aceitar é que o estado brasileiro, que é teoricamente laico, coloque recurso, apoio, visibilidade, estrutura pra uma ou duas religiões. É muito difícil para nós, negros, fazermos uma retrospectiva de nossas raízes e depois encararmos as religiões européias sem ficar abalado, transformado”, desabafou Assunção.
Edson Costa, do Coletivo de Entidades Negras, disse que o Estatuto representa a conquista de uma construção institucional a favor da negritude.
Durante o encontro, Assunção revelou que, numa visita ao Terreiro Ilê Axé Opó Ofonjá, em Salvador, “saiu mais negro do que era”. “Se a gente puxar as raízes, vamos chegar na história dos nossos avós, bisavô, tataravós, que eram escravos. E nas raízes dos brancos, vamos ver que eles eram os donos da gente. E a elite ainda tem essa mesma cor, a branca. Ela continua querendo ser os nossos donos até hoje, donos da nossa consciência, dos espaços públicos, da religião, de tudo. Por isso precisamos conquistar espaços no legislativo, no executivo, em todas as instâncias de poder para fortalecer os nossos iguais”, disse.
O babalorixá Pai Tero destacou que foi a primeira vez que seu terreiro recebeu um deputado. “Valmir foi o único que nos prestigiou”, disse. Ele ainda revelou a Valmir: “Todo seu sofrimento político que você teve na sua trajetória política até o dia de hoje será recompensado. Você é muito iluminado”.

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