quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pela Vida da Juventude Negra é tema da 6ª Caminhada contra a Intolerância Religiosa

Com a comemoração do dia da Consciência Negra, no dia 20 de novembro, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) promove em Salvador, pelo 6º ano consecutivo, a Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa. O evento pretende mobilizar participantes e representantes de entidades negras do estado da Bahia e conta na programação, além da caminhada, com uma Sessão Especial na Assembléia Legislativa, a Alvorada dos Ojás e um café da manhã. O tema é “Pela Vida da Juventude Negra” e tem o objetivo de promover a cultura do respeito, tolerância e do diálogo entre os diversos segmentos religiosos do país e, ao mesmo tempo, afirmar a identidade religiosa do povo-de-santo, no direito de professar a sua fé e crença religiosa.

Marcos Rezende, coordenador geral do CEN e organizador do evento, afirma que boa parte dos jovens, entre 16 e 24 anos, que morrem por homicídios ou por mortes violentas, são negros. “Precisamos mudar essa situação, pois essas pessoas são seres humanos que têm famílias, sonhos, vontades de viver e merecem respeito. Na maioria das vezes são mortos inocentemente”, diz Marcos, complementando que 73% desses jovens morrem por resistência ao ato de prisão.

Devido aos altos índices encontrados nas estatísticas, o CEN realiza, no dia 18 de novembro, às 15h, uma Sessão Especial na Assembléia Legislativa da Bahia para debater sobre o assunto. Estarão presentes na ocasião, jovens negros e representantes de entidades. Às 17h, acontece o pré-lançamento do livro “O exército contra o povo brasileiro”, do Capitão Marinho.

Para dar continuidade à programação, na madrugada do dia 19, serão colocados Ojás nas árvores do Dique do Tororó, da Vitória e do Campo Grande. Os Ojás, característicos do Candomblé, são panos brancos que simbolizam a paz. No mesmo dia, às 5h, acontecerá a Alvorada com Toques de Clarins e Ritual Religioso no Dique do Tororó e às 7h todos vão se reunir para um café da manhã, com música ao vivo.

Para finalizar o evento, vai acontecer a caminhada no dia 21 de novembro. A concentração será no Busto de Mãe Runhô, no final de linha do Engenho Velho da Federação. Terá início às 10h e prosseguirá em direção ao Dique do Tororó, onde artistas baianos estarão se apresentando durante o dia. “A organização irá disponibilizar alguns ônibus, que passarão nos bairros da capital e no interior do estado, com o intuito de reunir os representantes religiosos e das comunidades’, afirma Marcos Rezende.

Marcos Rezende é formado em História e pós-graduado em História e cultura Afro-brasileira. Para ele, o evento tem a importância de mostrar para a comunidade negra os seus direitos institucionais. “Temos que mostrar para a Bahia que as religiões de matriz africana não vão mais ficar dentro dos terreiros, observando todos os tipos de preconceito e intolerância religiosa”. Para Marcos, as religiões de matriz africanas são consideradas uma ameaça para as demais, pois vão de encontro aos dogmas estipulados pela sociedade. Ele afirma que deve sempre existir o diálogo entre as religiões. “Se lutamos contra intolerância religiosa, temos que respeitar e lutar contra a intolerância em todas as outras crenças”, completa.

O CEN é uma organização nacional do Movimento Negro que, na Bahia, tem seis anos de existência, agregando mais de 150 instituições, entre associações de moradores, culturais, blocos afros, de afoxés e de percussão, além de grupos de hip-hop e terreiros de candomblé. Durante esse tempo, a instituição realiza ações de inserções do povo negro, possibilitando um novo olhar da sociedade para essa comunidade. A organização está presente em 26 cidades da Bahia e em 10 estados brasileiros.


Fonte: http://www.bahiaemfoco.com/

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