quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Personalidades Negras: Aleijadinho (1730–1814)


Antônio Francisco Lisboa nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, em 1730, filho da escrava Isabel com seu senhor, o mestre de obras português Manuel Francisco Lisboa. Antônio Francisco cresceu na oficina do pai, onde começou a aprender desenho, arquitetura e ornamentos, demonstrando especial interesse por escultura e entalhes. Lá aprendeu o ofício que o imortalizou. Na ocasião do falecimento do pai, ele já era um profissional reconhecido na sociedade.

Seu trabalho era disputado entre as várias confrarias religiosas da região. Aleijadinho fazia projetos de igrejas, imagens, púlpitos, portas e vários outros trabalhos, alguns mais complexos, contando com o auxílio de vários operários. Havia três escravos que o auxiliavam em sua enfermidade – no transporte, cuidados pessoais e adaptação das ferramentas aos seus membros deformados.

Foi em 1777 que a misteriosa doença degenerativa, da qual foi vítima, começou a se manifestar. Sem diagnóstico preciso na época, hoje se supõe que se tratasse de hanseníase. O artista perdeu os dedos das mãos e dos pés, teve deformações na face, ficou quase cego no fim da vida, além de sofrer dores terríveis. Por conta delas, ele mesmo amputou partes de seus dedos em momentos de crise. Andava de joelhos ou carregado, mas mesmo assim não deixou de trabalhar. O mal lhe rendeu o apelido pelo qual é conhecido até hoje.

Aleijadinho é considerado um dos maiores expoentes do Barroco Mineiro e o maior artista brasileiro do século XVIII. Foi escultor, arquiteto e entalhador. Sua obra se distribui por cidades como Ouro Preto, São João del Rey, Mariana, Tiradentes e Congonhas. Seus mais importantes trabalhos – como os 12 profetas esculpidos em pedra sabão e as 66 figuras em cedro que reproduzem os passos da Paixão de Cristo, da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos – estão em Congonhas do Campo.

O artista iniciou os Profetas em 1799, finalizando-os em 1805, com algumas interrupções, pois já estava muito doente e idoso. Alguns acreditam que Aleijadinho utilizou-se das figuras dos Profetas para retratar indiretamente os inconfidentes mineiros. Ele vivenciou este período histórico turbulento em Vila Rica (atual Ouro Preto), transformando-o em arte.

Apesar de não ter se casado, teve um filho a quem deu seu nome. Foi sua nora Joana que cuidou dele no fim de sua vida. Dos seus últimos anos, tem-se notícia de algumas obras como os altares de São João e Nossa Senhora da Piedade (1807) e de Santa Quitéria e Santa Luzia (1808-1809) para a capela de Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto, e o risco da fachada da Matriz de Tiradentes de 1810.

Aleijadinho faleceu em 18 de novembro de 1814, em Ouro Preto, com 84 anos.

Assista ao vídeo

Fonte: www.cordacultura.org.br

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