terça-feira, 31 de agosto de 2010

Confira o resultado da eleição do CONASP

Brasília, 30/08/10 (MJ) – O resultado da primeira eleição direta para escolher os integrantes do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp) foi divulgado na tarde desta segunda-feira (30). Pessoas de todo país, cadastradas antecipadamente, puderam participaram da votação via Internet que foi decidida em primeiro turno.
Foram escolhidos
nove representantes dos trabalhadores de segurança pública (policiais, agentes penitenciários, peritos e outros), e doze da sociedade civil sendo seis para entidades e seis para fóruns, redes e movimentos sociais.
As nove vagas restantes serão preenchidas pelos gestores que serão designados pelo presidente do Conselho, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto. Dos 113 pedidos de inscrições para concorrer às vagas, somente 52 atenderam completamente aos requisitos do edital.
Além do voto pela Internet, participaram presencialmente em Brasília nove entidades dos trabalhadores (ADPF / ADEPOL, AMEBRASIL, SINDAPEF, ANASPRA, FENAPRF, COBRAPOL, FENAPPI e ABC/APCF). Participaram, ainda, seis representantes de Fórum, Redes e movimentos sociais (MNDH, ABONG / FENDH, ABGLT, FONAJUNE, Rede Desarma Brasil e CEN-Brasil). Também estiveram presentes na votação as seguintes entidades da sociedade civil: OAB, Guayí – Democracia, Participação e Solidariedade, Grande Oriente do Brasil – GOB, Fundação Cidade da Paz – UNIPAZ – DF e Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM.
A primeira colocada na votação, Cíntia Luz, representante da sociedade civil, afirmou que a participação de todos os segmentos dá legitimidade às decisões do Conselho. “Tendo em vista que fomos a entidade mais votada, estamos contentes com a entrada de outros segmentos apresentados no conselho, como a Pastoral Carcerária e a ABGLT. Acreditamos que nesse próximo Conasp, teremos uma cara mais próxima da população brasileira, discutindo as questões práticas dos problemas de segurança pública que tivemos ate aqui”, destacou.
Para a secretária Executiva do Conasp, Regina Miki, a eleição trouxe grandes novidades. “Nós pacificamos de uma vez por todas um processo que foi iniciado em dezembro de 2007, quando o Ministério da Justiça idealizou a Conferência Nacional de Segurança Pública quando um dos principais produtos era reestruturação de um conselho eleito democraticamente”, ressaltou.
“Quero crer que a sociedade civil, hoje, se apresente tal qual o cenário brasileiro. Se pegarmos as entidades e as redes que irão compor esse novo conselho, teremos exatamente o que estamos precisando. A minoria está representada. Eu creio que o viés da nova política que se apresenta daqui para o futuro está totalmente contemplada dentro dos excluídos”, concluiu Regina.
Fonte: CONASP

XVI Festa de Marujo "Olho Vivo"


A Festa de Marujo “Olho Vivo” realizará pelo décimo sexto ano consecutivo a Marujada, que vem crescendo e tendo aceitação positiva entre os envolvidos neste evento de caráter religioso.
E um dos nossos inúmeros propósitos, continuar a fortalecer os laços afros descendentes, inclusive tratando-se de atos religiosos que envolvem os orixás que tanto tem contribuindo para o crescimento desta cidade chamada Salvador.
Homenagear a entidade Marujo, promovendo uma grande movimentação cultural Afro Religiosa junto ao povo de axé da Bahia e membros de entidades culturais, além dos demais segmentos da sociedade civil. Atrair menbro da Religião de Matriz Africana e em especial da entidade Marujo.
A XVI Festa de Marujo "Olho Vivo" com oferendas em meio ao Sagrado Mar da enseada da Bahia de Todos os Santos. Bem localizada na Costa Marítima da Cidade de Salvador e próxima a Feira de São Joaquim. E como é tradição, o evento sempre acontece no 1ª (primeiro) domingo de setembro, e neste ano será realizado no dia 05, e a partir das 11:00 da Manhã. O cortejo estará saindo em procissão do antigo prédio da Petrobrás "Jequitáia" em direção a Avenida Oscar Pontes e adentrando nas principais ruas da Feira do São Joaquim. A preparação da cerimónia é feita por filhos e filhas de santo.
Fonte: Recebido por e-mail

domingo, 29 de agosto de 2010

CEN Brasil indica: FLOR DO DESERTO


Baseado no best seller Desert Flower, é autobiografia da modelo somali Waris Dirie (Liya Kebede), circuncidada aos cinco anos e vendida para um casamento arranjado aos 13 anos. A garota fugiu, atravessando o deserto por dias até chegar a Mogadishu, capital da Somália, onde passou o resto da adolescência sem ser alfabetizada. Ao trabalhar em um restaurante fast food, foi descoberta pelo fotógrafo Terry Donaldson que a levou para os Estados Unidos, onde se tornou uma modelo mundialmente conhecida, além de ser embaixadora da ONU no combate à mutilação genital feminina.
Para maiores informações: http://www.waris-dirie-foundation.com/en/

sábado, 28 de agosto de 2010

Saiba como substituir as tradicionais sacolas plásticas

Bule-Bule apóia Valmir Assunção

Eu nunca tive um amigo negro

Nunca se discutiu tanto a questão racial no Brasil como na época da aprovação da lei das cotas para negros em nossas universidades públicas. Também foi esclarecedora a percepção de nossas limitações nesse assunto. Subitamente, fomos brindados com as mais sofisticadas teorias sobre a inexistência do conceito de "raça", que seriam muito bem vindas caso não estivesse totalmente deturpadas pelo nosso "racismo cordial".

Ao pensar em um suposto "conflito racial", algumas pessoas foram a público denunciar a inconstitucionalidade, a aberração e a inutilidade de uma política de cotas para negros, visto que não existe racismo no Brasil. Daiane dos Santos, Neguinho da Beija-Flor e tantos outros foram "branqueados" e alçados a sua genética condição europeia que lhes excluiria de uma vaga especial pelo sistema de cotas. Ao lermos o livro de ficção científica de Monteiro Lobato, "O presidente negro", somos capazes de entender o que pode significar tais asserções e os aspectos políticos nelas envolvidos. Branqueamos os nossos negros, paradoxalmente, para mantê-los afastados de nós e de qualquer compensação reparatória, mesmo que mínima.

O fato é que somos racistas até a medula nesse país. Isso não significa que, em nossa história, queimamos negros vivos como muitas vezes aconteceu nos Estados Unidos na época da Klu-Klux-Klan ou que nossos negros fossem impedidos de sentar ao lado de brancos nos ônibus. Isso é tecnicamente incompatível com o nosso caráter cordial-lusitano, até mesmo porque é desnecessário quando os negros "sabem o seu lugar". E onde é esse lugar a qual designamos historicamente os nossos negros?

Basta pensar em qualquer garoto (a) de classe média branco (a) no Brasil em relação ao seu círculo próximo de amigos para se ter uma resposta muito rápida e precisa. Quase ninguém tem ou teve qualquer amigo negro. Quando falo em amigo não estou me referindo a conhecidos, mas sim, aqueles a quem dividimos nossos sucessos, alegrias, fracassos ou angústias. Aqueles que são convidados para dormir ou almoçar em nossas casas, bem como aqueles que podem se tornar objeto de nosso interesse amoroso. Eu jamais tive um amigo negro e tampouco alguma negra pela qual
pudesse me apaixonar, pelo simples motivo que não convivi com eles na minha infância e adolescência como estudante em uma escola privada de Porto Alegre. Eles simplesmente não existiam.

Quando veio ao Brasil em agosto de 1960, o filósofo Jean Paul Sartre percebeu com perplexidade a ausência de negros em suas concorridas palestras. "Onde estão os negros?", perguntou ele a certa altura para o constrangimento dos universitários ali presentes. Alguém responderia a Sartre que não havia negros no recinto tão somente por causa da falta de mérito dos mesmos em conquistar um lugar no espaço universitário? Nesse período, o dramaturgo Nelson Rodrigues também se perguntava: "Onde estão os negros do Itamaraty? Procurei em vão um negro de casaca ou uma negra de vestido de baile. O Itamaraty é uma paisagem sem negros."
Os negros estão nas periferias, nas favelas, nas escolas públicas mais suburbanas, nos presídios e em subempregos pelo país afora. É hipocrisia nossa imaginarmo-nos, por um instante que for, que vivemos em uma sociedade multicultural, inter-racial, ou qualquer coisa desse tipo. É urgente que nossos negros comecem a desenvolver certa consciência racial e a problematizar o lugar que ocupam dentro de uma sociedade racista como a nossa. Que exijam serem reconhecidos para além dos estereótipos e que ocupem os lugares reservados à elite branca. Que exijam a compensação por séculos de escravidão e exclusão a que foram obrigados pelo escravocrata branco. Se bem que, se a reação causada por um reles ensaio de ação afirmativa se deu em um nível histriônico, poderíamos esperar coisas piores de nossos alvos cidadãos em face de ações mais contundentes.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Bira Corôa participa de sessão especial em homenagem ao centenário do Ilê Axé Opó Afonjá em Brasília


A Câmara dos Deputados em Brasília sediou audiência pública, proposta pelo deputado federal Zezéu Ribeiro, em comemoração aos 100 anos do Ilê Axé Opó Afonjá. Bira Corôa (13613) esteve na capital federal para prestar homenagens a Mãe Stella de Oxossi, quinta sacerdotisa do Candomblé de São Gonçalo, que desde junho de 1976 dirige o Opó Afonjá. Segundo Bira Corôa (13613), esta comemoração é extremamente importante não apenas para o povo de santo da Bahia e do Brasil, mas também para a consolidação da nossa sociedade.

“Na construção de uma sociedade igualitária não se pode perder de vista a contribuição dada pelos terreiros de candomblé. Os 100 anos do Ilê Axé Opó Afonjá marcam a presença determinante de 5 sacerdotisas, que, além de cultuarem a religiosidade, foram capazes de afirmar uma sociedade e uma cultura”, pontuou Bira Corôa (13613).

Zezéu Ribeiro destacou a influência religiosa e cultural do Ilê Axé Opó Afonjá na disseminação do Candomblé da Bahia para todo País além da importância da Iyalorixá Mãe Stella. “A luta da Mãe Aninha pela afirmação e independência do culto foi da maior importância, tendo conseguido demonstrar a grandeza e a complexidade de uma religião da qual era ela grande representante, numa época de preconceitos e perseguições”, conclui Zezéu.

No dia 11 de junho, Bira Corôa também promoveu audiência pública na Assembleia Legislativa em comemoração aos 100 anos do Ilê Axé Opó Afonjá que reuniu parlamentares, representantes da sociedade civil, de terreiros e do Estado, em meio a tambores, tecidos brancos de Oxalá, orações e canções em yorubá.


Mais informações acesse:

http://www.twitter.com/biracoroa

Jovem militante do CEN é morto na Barroquinha



Às 03h00min da madrugada de ontem, faleceu o jovem Railson Nonato Nascimento Santos. A vitima foi esfaqueada na barriga enquanto tentava trocar o dinheiro no Hotel Yes localizado na Barroquinha. O funcionário do hotel teria se recusado a realizar a troca do valor de R$ 100,00 (cem reais), dando início a uma briga, seguida de homicídio.

Nonato, como era conhecido, começou a militância muito cedo ainda no Pelourinho ao participar dos projetos sociais do Olodum, também fez parte do grupo de apoio da Escola Criativa Olodum e depois se filiou ao Coletivo de Entidades Negras. Sempre disposto a ajudar e com a tranqüilidade que sempre regia as suas relações, Nonato participou do 1º Encontro Estadual da Juventude do CEN em Alagoinhas no ano de 2008. Também foi delegado do CONNEB (Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil) nas etapas de Minas Gerais e São Paulo, além de estar ao lado da construção da Caminhada dos Religiosos de Matrizes Africanas em todos os seus 5 anos de realização. Na política, participou de campanhas de candidatos negros e comprometidos com a causa racial a exemplo de Bira Corôa, Luis Alberto, Gilmar Santiago e Valmir Assunção. No último ano fixou residência em São Paulo onde trabalhou como holding em shows de bandas locais, retornando para Salvador para fazer campanha para os candidatos que foram deliberados pela plenária do CEN.

Ontem amigos como Marquinhos Marques do Cortejo Afro, Lazinho (ex cantor do Olodum), Guiguio cantor do Ilê Aiyê, Arayê integrante da Banda Olodum e amigo de infância, Albino Apolinário da Instituição Alzira do Conforto e Coordenador da Praça do Reggae e o Coordenador-Geral do CEN, Marcos Rezende estiveram na delegacia, assim como cuidando do enterro. Nonato deixará muitas saudades aos amigos a quem sempre esteve ao lado e presente nas horas mais difíceis.
Nonato, descanse em paz!

O enterro será às 16h00min no Campo Santo (Velório na Capela 1).


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ei, psiu, presta atenção! É ano de eleição

Qual será o papel da juventude nestas eleições? Em Brasília, por exemplo, não há expectativa de quando haverá tantos eleitores de 16 e 17 anos. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o total de votantes no país será de 132.629.575; destes, 1.989.444 são jovens.


Artur Ribeiro*

Lógico que isso traz oportunistas e aqueles que pensam na juventude como massa de manobra, mas isso também acarreta as seguintes reflexões: quem deve estimular o debate? Em que ambiente ele se desenvolveria melhor? A resposta não é tão simples, mas deve ser analisada com cuidado.

O principal papel é dos(as) educadores(as). Estimular o debate do voto consciente e conversar sobre as propostas dos(as) candidatos(as) – focadas, por exemplo, na educação – é o mais importante. Além da escolha do presidente, teremos eleições para senadores, deputados federais e distritais, e para governadores.

Em Brasília, não havia ainda um panorama 100% certo das eleições no DF até o fechamento desta edição, até porque a coisa toda mudaria de figura se, de uma hora para outra, Cristovam Buarque resolvesse se candidatar. Há também a sombra do criticadíssimo – e possivelmente envolvido no escândalo de corrupção nas instituições do DF – Roriz (só para constar, a Operação Caixa de Pandora não era para investigar Arruda, mas sim o Roriz, só que acabaram pegando o que tem menos cabelo). Além disso, há o candidato que saiu da disputa interna de metralhadoras e tanques do PT, Agnelo, que travou um embate duríssimo contra Magela, que será candidato a deputado federal.

Como dizia Raul Seixas: “Ah! Mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado...”. PSDB, PT, PMDB, DEM... e, completando a letra, posso até dizer que acho tudo isso um saco, mas é um "saco" necessário. Afinal, sou um jovem de 18 anos (pois é, agora para mim é obrigatório, que m#$%@!) e tenho o dever de checar o que os(as) candidatos(as) têm a propor, principalmente para a educação.

Sei que tenho de colocar saúde, segurança e outros pontos de campanha em consideração, mas o principal é rever a política de educação pública, que ficou destruída após oito anos de governo Fernando Henrique, que empurrou dinheiro público para instituições privadas. Atualmente, a educação também não é lá essas coisas (melhorou um pouquinho com o Lula, mas ainda não é a ideal), uma vez que o governo gasta rios de dinheiro com o Prouni (Programa Universidade para Todos), que dá bolsas de estudo integrais e parciais para cursos de graduação de instituições privadas e, em troca, oferece isenção de tributos, que enriquece donos de faculdades particulares em detrimento do crescimento da faculdade pública. Nós, como jovens, devemos cobrar avanços na educação! Este, sim, deve ser o principal foco nestas eleições.

* Integrante do projeto "Onda: adolescente em movimento pelos direitos", escreveu artigo sobre as eleições.

As Elizas do Brasil e Suas Mortes Anunciadas

Cecilia Maria Bacellar Sardenberg*


Neste mês de agosto, quando se comemora o quarto aniversário da promulgação da Lei11.340/2006 - denominada Lei Maria da Penha em homenagem a Professora Maria da Penha, uma vítima da violência doméstica que denunciou o Brasil por negligência às cortes internacionais - vários casos de mulheres brutalmente assassinadas por seus companheiros ocupam as principais manchetes dos jornais do país e da nossa mídia televisiva, demonstrando a relevância e pertinência dessa nova legislação.

Dentre esses casos, tem chamado atenção especial o da jovem Eliza Samúdio. Além do suposto mandante do crime ser um jogador de futebol de certa projeção, a forma em que a jovem foi assassinada e o corpo “desovado” vem chocando a opinião pública. Seu corpo ainda não foi encontrado, mas depoimentos colhidos pela polícia indicam que Eliza foi esquartejada, seus restos mortais jogados a cachorros e os ossos posteriormente cimentados.

Sem dúvida, esse nível de brutalidade é de causar arrepios, principalmente quando se constata que atinge várias outras mulheres, sem que suas histórias ganhem espaço na mídia por não envolverem gente dita “famosa”. O que já nos revela o quanto a violência contra as mulheres no Brasil ainda é banalizada. Além disso, no caso de Eliza, como vem acontecendo também com tantas outras vítimas, estamos diante de mais uma “morte anunciada”– isto é, de mais um caso de negligência por parte dos órgãos do Estado no enfrentamento à violência contra mulheres, mesmo quando as mulheres vitimadas buscam justiça. Senão vejamos:

De acordo com as investigações tornadas públicas, Eliza Samúdio viveu uma relação passageira com o goleiro Bruno do Esporte Clube Flamengo, mas que resultou em uma gravidez por ele rejeitada. Pior que isso, em outubro de 2009, quando estava grávida de cinco meses, Eliza foi seqüestrada por ele e seus comparsas e mantida em cárcere privado, sendo agredida física e verbalmente, ameaçada de morte e forçada a uma tentativa de aborto, conforme queixa registrada pela vítima na Delegacia Especial de Atendimento a Mulher - DEAM de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Nessa ocasião, a delegada de plantão, reconhecendo o risco que a jovem corria e a pertinência da Lei Maria da Penha ao caso, solicitou ao Judiciário a aplicação de uma medida protetiva contra o goleiro Bruno, que o proibiria de se aproximar de Eliza por menos de 300 metros. No entanto, a juíza responsável negou o pedido da DEAM, alegando a não existência de um relacionamento entre as partes envolvidas, e acusando a vítima de "tentar punir o agressor" (...) "sob pena de banalizar a finalidade da Lei Maria da Penha". Desconsiderando o fato de Eliza estar grávida de cinco meses do agressor, e desconhecendo que a Lei Maria da Penha foi criada para proteger as mulheres, essa juizaafirmou, equivocadamente,que a referida Lei "tem como meta aproteção da família, seja ela proveniente de união estável ou do casamento , bem como objetiva a proteção da mulher na relação afetiva, e não na relação puramente de caráter eventual e sexual".

Esse tipo de interpretação nos revela o quanto no pensar Judiciário – mesmo quando expresso por mulheres - permanece em pauta uma ideologia patriarcal, machista, que categorizaas mulheres como “santas” ou ”putas”,resguardando as primeiras na “família” e tratando as outras como casos de polícia que “banalizam” a Lei. Não é, pois, ao acaso que a cidadania feminina no Brasil ainda é uma cidadania pela metade, já que os direitos das mulheres continuam a ser subjugados aos da “família”, o que contribui para a reprodução das relações patriarcais entre nós e, assim, para o crescimento da violência contra mulheres.

Foi o que aconteceu com Eliza Samúdio. A interpretação da Lei a partir de um viés patriarcal, por parte da juíza fluminense, implicou no envio do processo em questão para uma vara criminal, trazendo consequências ainda mais desastrosas. Ali, por descaso da polícia, que deveria ter levado as investigações adiante com a necessária urgência, só recentemente houve algum avanço nesse sentido. Na verdade, só depois do desaparecimento de Eliza se tornar público e ganhar as manchetes, a polícia deu o devido andamento às investigações.

Em janeiro deste ano, em Belo Horizonte, outra jovem, a cabelereira Maria Islaine, também foi brutalmente assassinada pelo ex-marido, que disparou nove vezes contra ela, a despeito das várias queixas registradas na DEAM. Aliás, tem-se conta de que Maria Islaine fez oitoregistros de crime de ameaça, que resultaram em três prisões preventivas decretadas contra seu ex-marido, sem que nenhuma delas fosse cumprida. Por isso, apesar de medida protetiva ter sido expedida, ele continuou a procurá-la, ameaçando-a e agredindo-a em sua casa, uma situação registrada em ligações feitas por Maria Islaine para a polícia pedindo ajuda e socorro – mas tudo em vão. Num desses telefonemas, que foi gravado, a vítima reclama: “Tenho uma intimação que a juíza expediu por causa do meu marido, que me agrediu. Eu o levei na Lei Maria da Penha. Era para ele ser expulso de casa. O oficial veio, tirou de casa, só que ele está aqui e ainda está me ameaçando”. Em uma outra gravação, que foi anexada ao inquérito policial, o ex-marido ameaça: “Não vou aceitar perder minha casa. Se perder, você vai estar debaixo da terra. Está decidido isso. Já não vou trabalhar mais. Vou tocar uma vida de vagabundo. Se eu perder minha casa, vou te matar”.E cumpriu a ameaça, porque não foi preso como deveria ter sido.

Estudos e pesquisas sendo desenvolvidos pelo OBSERVE-Observatório da Aplicação da Lei Maria da Penha, em quase todas as capitais do país, dão conta de que, apesar dos pactos selados com o Governo Federal,são muitas as instâncias semelhantes de descaso e mesmo negligência por parte dos estados da União no enfrentamento à violência contra mulheres.São juizados e varas de violência doméstica e familiar ainda por serem criados ou em funcionamento precário,DEAMs fisicamente mal equipadas e valendo-se de pessoal sem o treinamento e capacitação necessárias, e autoridades que interpretam e aplicam a lei a seu bel prazer, sem o devido preparo e esclarecimentos cabíveis em prol da proteção de mulheres em situação de violência, como no caso de Eliza.

Embora este ano celebramos quatro anos de Lei Maria da Penha, nosso levantamento revelou quealgumas capitais pesquisadas – João Pessoa, Aracaju e Terezina no Nordeste, e Palmas, Boa Vista e Porto Velho na Região Norte, por exemplo – ainda não dispõem de nenhuma vara ou juizado especializado em violência doméstica e familiar contra mulheres, descumprindo assim o que rege a Lei. E em muitas das que já criaram esses juizados, não existem as equipes multidisciplinares para prestar o necessário apoio às mulheres, tampouco uma articulação eficaz com os demais órgãos que devem compor a rede de atendimento às mulheres em busca do acesso à justiça.

Esse descaso se verifica mesmo no tocante às delegacias especializadas – que constituema mais antiga política pública de enfrentamento à violência contra as mulheres no país e que, figuram, ainda hoje, como principal referência para as mulheres em situação de violência.Embora aLei Maria da Penha tenha trazido novas atribuições para essas delegacias – com destaque para a retomada do Inquérito Policial como procedimento eas medidas protetivas de urgência – ampliando sua competência e também as demandas que lhe são encaminhadas diariamente, não parece haver um empenho real por parte da maioria dos estados – apesar dos “pactos” - em criar condições para que as DEAMs cumpram seu papel.

A precariedade das delegacias contribui para que as delegadas titulares criem suas próprias normas, deliberando, por exemplo, pelo não atendimento de casos de violência de gênero contra mulheres que não se incluam na Lei Maria da Penha. Ou então, para que ofereçam resistência a sua implementação, procurando mediar entre vítimas e agressores e fazer uso das malfadadas “cestas básicas” como pena, tal qual se fazia quando a Lei 9.099/95 – responsável pela criação dos JECRIMs,Juizados Especiais Criminais,que banalizavam a violência contra mulheres ao extremo - permanecia em vigor. Identificamos, também,uma prática preocupante:a exigência de duas testemunhas que atestem a veracidade dos fatos relatados pela mulher. Sem a presença das testemunhas, o Boletim de Ocorrência não é registrado. E se exige o agendamento para comparecimento das vítimas e das pessoas para testemunharem a seu favor, o que incorre na desistência de algumas mulheres, por falta de testemunha.Afinal, casais não costumam levar “testemunhas” para o interior dos seus quartos e para o leito conjugal onde ocorrem, em grande medida, os atos de violência doméstica.

Malgrado essa situação, consultas realizadas nas principais cidades do país com mulheres que registraram queixas nas delegacias têm revelado que, em sua maioria, essas queixantes vêem as DEAMs como porta de entrada na sua busca por justiça e proteção frente às ameaças e maus tratos sofridos.Contrário ao que se propaga em relação às vítimas, são poucas as que buscam as delegacias apenas como “mediadoras” de conflitos entre casais. Como Eliza, também essas queixantesbuscam medidas protetivas na aplicação da Lei e uma ação imediata como a situação demanda -mas não têm sido atendidas. Algumas têm sido até aconselhadas nas delegacias a voltarem dali a seis meses, quando se sabe que a queixa perde sua validade jurídica quando registrada fora desse prazo. Outras, como Maria Islaine, conseguem as medidas protetivas e até mesmo a decretação da prisão dos agressores. Mas, lamentavelmente, por negligência das nossas autoridades, eles continuam à solta, colocando a vida das mulheres em sério risco. Como bem concluiu uma de nossas entrevistadas: “Por isso que muitas mulheres estão morrendo”.

Por certo, as muitas Elizas do nosso Brasil e suas mortes anunciadas, dia após dia, nas DEAMs e juizados de todo o país, demandam de todos e todas nós muito mais do que arrepios. É mais do que necessário e urgente que exijamos dos nossos governantes e legisladores – e dos candidatos e candidatas a esses postos – o compromisso com a implementação e cumprimento da Lei Maria da Penha nos moldes e normas previstas, denunciando no “Ligue 180” e nas respectivas corregedorias todas as instâncias contrárias. Quando a negligência persistir, sigamos o exemplo da Professora Maria da Penha, apelando para as cortes internacionais. Ademais, é imprescindível que nos organizemos para que se processe uma verdadeira reforma no Sistema Judiciário e nos órgãos de segurança pública – que deve começar com os cursos de Direito -de sorte a livrá-los, de vez, das ideologias patriarcais que acalentam a violência contra nós, mulheres, em nome da “família”.
Precisamos, sim, fazer valer nossa cidadania por inteiro o quanto antes: uma vida sem violência é um direito de todas nós, Elizas, Maria Islaines e Marias da Penha!


*Professora e Pesquisadora do NEIM/UFBa e Coordenadora Nacional do OBSERVE- Observatório de Monitoramento da Aplicação da Lei Maria da Penha

Terreiros de candomblé da BA pedem que filhos-de-santo se declarem ao Censo 2010

A pouco mais de dois meses para o encerramento do Censo 2010, os terreiros de candomblé e umbanda da Bahia intensificaram uma campanha para que seus filhos-de-santo declarem aos pesquisadores serem adeptos dos cultos.

Segundo dados do último censo geral do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), realizado em 2000, apenas 0,49% da população de Salvador (aproximadamente 9.000 pessoas, à época) declarou pertencer a uma religião de matriz africana. Esse número é, proporcionalmente, bem menor que em capitais como Porto Alegre (2,5%) e Rio de Janeiro (1,2%).

“Levando-se em consideração que Salvador é considerada a cidade com o maior contingente negro fora da África, os dados confirmam que o sincretismo religioso no Estado acabou favorecendo, historicamente, religiões majoritárias, como a católica”, observou Joílson Rodrigues, coordenador de informação do IBGE na Bahia.

A campanha que pretende desvendar o real número de adeptos do candomblé e da umbanda na Bahia é feita pela internet, principalmente pelas redes sociais, além de mensagens por telefone, mala direta, contatos pessoais e distribuição de panfletos.

“Faço questão de conversar pessoalmente com meus filhos-de-santo, pedindo que eles não tenham vergonha da nossa indumentária, das nossas músicas, das nossas danças, ao contrário, que sintam orgulho de nossa cultura. Além disso, estou usando a internet e outros meios digitais para divulgar a campanha fora da Bahia”, afirmou o babalorixá Sivanilton Encarnação da Mata, mais conhecido como Babá Pecê de Oxumarê. Líder do terreiro Ilê Axé Oxumarê, fundado no século 19 e um dos mais tradicionais do Brasil, o babalorixá é o coordenador da campanha na Bahia.

No ano passado, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) lançou a campanha “Quem é de axé diz que é” para estimular os filhos e filhas-de-santo a divulgarem que são adeptos dessas religiões. Com o início do Censo 2010, os terreiros da Bahia resolveram ampliar a iniciativa. O movimento popular conta com o apoio da Federal Nacional do Culto Afro-Brasileiro e outras associações ligadas à causa da intolerância religiosa.

“Queremos conscientizar o povo-de-santo sobre a importância de assumir a sua identidade religiosa com orgulho e, assim, chamar atenção da sociedade para a necessidade de criação de políticas públicas para nós, adeptos de religiões afro-brasileiras”, disse Marcos Rezende, coordenador-geral do CEN.

Um levantamento feito entre 2006 e 2007, pelas Secretarias Municipais de Reparação (Semur) e da Habitação (SMH), em parceria com o Ceao (Centro de Estudos Afro-Orientais, órgão da Universidade Federal da Bahia), revelou que existem 1.165 terreiros na capital baiana. Contudo, de acordo com estimativas do antropólogo Jocélio Teles, diretor do Ceao e coordenador da pesquisa, esse número é ainda maior. Na Bahia, a Federação do Culto Afro estima a existência de cerca de 4.000 terreiros.

“A campanha dos terreiros é importante porque, depois do Censo, teremos informações mais precisas para caracterizar o povo brasileiro”, acrescentou Joílson Rodrigues.
Fonte: UOL

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Por que Valmir Assunção?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Papel dos Deputados

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Por que Valmir Assunção?

Eleições 2010

Bule Bule


Antônio Ribeiro da Conceição, nome artístico Bule Bule, nascido em 22 de outubro de 1947, na Cidade de Antônio Cardoso no Estado da Bahia, musico, escritor, compositor, poeta, cordelista, repentista, Ator e cantador.Ao longo dos seus mais de trinta e oito anos de carreira gravou seis Cd’s (Cantadores da Terra do Sol, Série Grandes Repentistas do Nordeste, A fome e A vontade de Comer, Só Não Deixei de Sambar, Repente Não Tem Fronteiras e Licutixo), quatro livros editados (Bule Bule em Quatro Estações, Gotas de Sentimento, Um Punhado de Cultura popular, Só Não Deixei de Sambar), mais de oitenta cordeis escritos, participação em vários seminários como palestrante, varias peças teatrais e publicitárias agraciadas pelo Prêmio Colunista. Milhares de apresentações durante a sua carreira. Atualmente ocupa o cargo de Gerente de Cultura da Prefeitura Municipal de Camaçarí, diretor da Associação Baiana de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia e da Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel. Recentemente foi premiado com o Prêmio Hangar De Música no Rio Grande do Norte junto com Margaret Menezes e Ivete Sangalo.




domingo, 22 de agosto de 2010

Na videoteca do CEN: Bule-Bule vai ao Cinema (Parte 1, 2, 3, 4 e 5)









Bule Bule vai ao cinema (Parte 6, 7, 8, 9 e 10)









Professor Ranulfo Ferreira apóia Valmir Assunção

sábado, 21 de agosto de 2010

Uma viagem do jongo ao samba nas ruas do Rio

Diferentes matizes sonoras celebram 22 anos da Fundação Palmares
Por Sal Freire

Pedra do Sal. Tombada em 20 de novembro de 1984, Dia Nacional da Consciência Negra, pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac). É neste sítio histórico, localizado aos pés do Morro da Conceição, no coração do bairro carioca da Saúde, que o Centro Cultural Cartola brindará, neste domingo (22), o público da Cidade Maravilhosa com um não menos maravilhoso encontro-show musical.

Samba Carioca. Instituído Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, em 2007, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). É com este ritmo, reverenciado em todo o País e mundialmente consagrado, que começa o festivo ritual para celebrar o encontro da Velha Guarda da Mangueira e do Império Serrano, com o convidado de honra da solenidade, matriz poderosa do samba do Rio: o tradicional jongo do Pinheiral.

E a confluência de personagens, ritmos e sons não param por aí. Para exaltar ainda mais esta afroliturgia, surgem na roda as baianas do jongo, do santo e do samba, colorindo, com suas saias rodadas, a memorável Pedra do Sal. O projeto Do jongo ao samba é uma iniciativa cultural simbólica do Rio de Janeiro, que pretende enfatizar dois dos seus mais relevantes patrimônios culturais: a Pedra do Sal e o Samba, em sua ancestralidade.

A louvação começa com exibição do vídeo Matrizes do Samba no Rio de Janeiro e degustação de quitutes dos ricos tabuleiros da culinária afro-brasileira; vai para o encontro musical; e, para fechar a cerimônia, segue o cortejo, com as baianas em seus trajes típicos, sua dança e sorrisos; os músicos com seus sons e instrumentos; e o respeitável público, com a certeza de que, ao menos pela arte que aqui se preserva e se cria, vale a pena ser brasileiro!

Do jongo ao samba, elaborado para ser uma genuína e ilustre festa popular, foi um dos seis projetos vencedores do Edital 22 anos da Palmares, que privilegiou, em sua seleção, os trabalhos que apresentaram um diálogo cultural com outras formas de expressões artísticas.

SERVIÇO
Data: 22 de agosto
Local: Rua Sacadura Cabral, 154 (The Week), com cortejo para a Pedra do Sal
Horário: a partir das 14h
Entrada franca: confirmar presença pelo e-mail aniversariopalmares.rj@gmail.com


Fonte: www.palmares.gov.br

O memorável encontro de sete divindades negras


Por Suzana Varjão

Yèyé significa mãe, em yoruba; yèyé omó ejá[1], mãe cujos filhos são peixes; mãe d´água - ou Iemanjá. Mito africano, reverenciado em quase todo o mundo, Iemanjá nasceu negra, mas foi embranquecendo, na esteira do mimetismo dos negros escravizados com a cultura de seus dominadores. Para reafirmar as origens desta bela lenda, sobem ao palco do Teatro Nacional de Brasília, nesta sexta-feira (20), sete grandes intérpretes negras da Música Popular Brasileira.

Mães D´Água - Yèyé Omó Ejá, o concerto produzido pela Fundação Cultural Palmares para celebrar seus 22 anos de criação, promove um inédito encontro entre Alaíde Costa, Daúde, Luciana Mello, Margareth Menezes, Mart´nália, Paula Lima e Rosa Marya Colin, que, sob a regência do maestro Ângelo Rafael Fonseca, executarão um repertório composto por canções que saúdam a rainha das águas. Como linha-guia do concerto, os sete mais conhecidos arquétipos da iyabá (feminino de orixá) das águas.

O MITO - Reza a mitologia yoruba que o(a) dono(a) do mar é Olokun - deus masculino em alguns países africanos, feminino em outros. Yemojá (yèyé + omó + ejá) é saudada como odò (rio) ìyá (mãe) pelo povo Egbá (subgrupo dos Yoruba da Nigéria), de onde ambas as divindades são originárias. Mas o mito correu mundo, e Yemojá instalou-se em lagos doces e salgados, enseadas, quebra-mares e junções entre rio e mar, assumindo diferentes formas, etnias, vestes, nomes, temperamentos, poderes.

Numa das mais recorrentes versões da lenda africana, Yemojá é considerada a mãe de todas as divindades yorubas. Nascida da união de Obatalá (o Céu) com Odudua (Terrestre), desposa o irmão, Aganju, com quem tem um filho, Orungã. A representação africana de Édipo apaixona-se pela mãe, que, ao fugir de sua perseguição, cai de costas e morre. Seu corpo dilata-se. Dos grandes seios brotam duas correntes de água, que formam um grande lago; do ventre rompido, nascem os deuses e deusas.

Celebrada em vários países, notadamente nos da Diáspora africana, Yemojá (Yemojá/ Iemojá) é quase sempre representada como uma divindade branca, sendo chamada, também, de Yemayá (Yemaya) e de Iyemanjá (Yemanjá/Iemanjá), como é mais conhecida no Brasil. Uma das poucas nações que assumem a etnia original da iyabá é Cuba. Na ilha de Fidel, Iemanjá é negra, governa os mares, usa as cores azul e branca, assume o nome cristão de la Virgen de la Regla e é a padroeira dos portos de Havana.

BRASIL - Em nosso País, Iemanjá também é considerada a rainha do mar, mas sua representação simbólica é predominantemente branca. É festejada em vários estados, mas as datas diferem de um para outro. No Rio de Janeiro, por exemplo, o culto ocorre em 31 de dezembro, na passagem de ano, quando os devotos oferecem presentes à iyabá, na esperança de que ela carregue os problemas para o fundo do mar e faça emergirem dias melhores.

Na Bahia, a celebração ocorre em 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora de Candeias, uma das santas católicas com as quais a divindade africana foi camuflada, para a sobrevivência do culto. Além de Nossa Senhora de Candeias, Iemanjá foi também sincretizada com a Virgem Maria, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Piedade. Entre as oferendas que a vaidosa iyabá mais gosta estão espelhos, pentes, flores, sabonetes e perfumes.

O ESPETÁCULO - Sob direção artística de Fábio Espírito Santo e regência do Maestro Ângelo Rafael Fonseca, o concerto Mães D´Água - Yèyé Omó Ejá irá exaltar as qualidades das sete representações mais conhecidas de Iemanjá, por meio do cancioneiro popular brasileiro, reunindo uma gama de compositores que vão de Dorival Caymmi a Lenine, passando por Vinícius de Moraes, e sete grandes intérpretes negras do Brasil, de diferente estilos e gerações.

Reunidas em blocos temáticos, solando ou em dueto, as intérpretes enfocarão a iyabá (o mito, a mulher); e sua morada (os mananciais), uma e outra sob ameaçada de extinção. Mas o mimetismo entre divas e divindades não será linear, ou óbvio. Estará expresso nas canções, nos "climas" visuais (iluminação, figurino, adereços...) e em vídeos, que exibirão ritos ligados a Iemanjá e trechos de uma entrevista com uma mãe de santo, filha de Iemanjá.

É um mimetismo, enfim, tão criativo quanto a idéia geral da programação que comemora os 22 anos de luta em defesa da cultura afro-brasileira. Como se fizesse uso das sete anáguas com as quais a rainha das águas protege seus filhos, A Fundação Cultura Palmares lançou incentivos culturais e interconectou sete capitais brasileiras, formando uma corrente simbólica que expressa a necessidade, o desejo e o empenho em preservar um dos maiores tesouros deste País - seu patrimônio imaterial.

[1] Encontra-se yèyé omó ejá grafado, ainda, como yèyé omo ejá; yeyê omo ejá; yeyé omó ejá ou ainda yeye omo ejá.


Os arquétipos


1. YEMOYO (Awoyó/ Yemowô/ Iemowô/ Iyemoyo/ Yemuo/ Yá Ori/ Ayio/ Bosá/ Odo).
É a Yemanjá mais velha da terra de Egbado. Seu fundamento está no ori (representação do inconsciente humano), podendo curar doenças "da cabeça". Veste verde-claro e suas contas são brancas e em tom cristal. Na África, é a mulher mais velha de Oxalá (criador do homem). Usa os trajes mais ricos e protege-se com sete anáguas para guerrear e defender seus filhos. Vive no mar, repousa na lagoa, come carneiro e, quando passeia, usa as jóias de Olokum (rei dos mares) e coroa-se com Oxumaré (deus do arco-íris).


2. OGUNTÉ (Ogunte).
Sob este nome, é a mulher de Ogum (Ògún Alagbedé / Ogum Alay Bebé), orixá da guerra, e mãe de Ogum Akorô e Oxóssi. Vive perto das praias, no encontro das águas com as pedras. Veste branco, azul-marinho, branco-cristal, ou verde e branco. Vive nos recifes próximos da praia e é a guardiã de Olokum. Amazona terrível, traz, pendurados na cintura, um facão e outros instrumentos de ferro de Ogum. É severa, rancorosa, violenta. Detesta pato e adora carneiro.


3. YEWA (Ewa / Euá / Tuman/ Aynu/ Iewa/ Yemaya Maylewo / Maleleo/ Maiyelewo).
Yewa é, na verdade, o nome de um rio africano, paralelo ao rio Ògún, freqüentemente confundido, em algumas lendas, com a rainha das águas. E de acordo com essas versões, a iyabá Iemanjá vive no meio do oceano, no lugar de encontro das sete correntes oceânicas. Como Oxum (deusa do amor, da fecundação), tem relação com feitiçarias. É tímida, reservada, e incomoda-se quando alguém toca o rosto de sua iaô (iniciada), retirando-se imediatamente da festa.


4. ASABA (Assabá/ Saba/ Sabá/ Asdgba/ Soba).
Aquela cujo olhar é insustentável. Altiva, rabugenta, voluntariosa e dada a feitiçarias, escuta apenas virando-se de costas ou de perfil. Mulher de Orunmilá (ou Ifá, testemunha do destino), foi por ele expulsa, por ter usado, em sua ausência, seus instrumentos de adivinhação. Usa uma corrente de prata no tornozelo e manca de uma perna, devido a uma luta com Exu (mensageiro dos orixás). Tem afinidade com Nanã (orixá das chuvas), representa o fundo do mar, está sempre fiando algodão e veste branco.


5. YAMASSÊ (Iamassê/ Iya Masemale/ Iamasse/ Akura/ Akurá/ Akuara/ Ataramogba/ Iyáku).
Mãe de Xangô (deus andrógino, senhor do trovão e da justiça) e esposa de Oranian (rei da cidade de Ifé, Nigéria), foi quem cuidou de Oxumaré. Vive nas espumas do mar, cobre-se de lodo e algas marinhas, e, apesar de muito rica, é pouco vaidosa. Adora carneiro e é muito festejada durante as festas consagradas a Xangô. Suas contas são branco-leitosas, com rajadas em vermelho e azul, sendo cultuada nos rituais de cura da mortalidade infantil.


6. OLOSSÁ (Olossa/ Apara).
Olossá nomeia uma lagoa africana, na qual deságuam os rios Yewa e Ògún. E à semelhança do arquétipo Yewa, é associada à iyabá Iemanjá. Nesta versão do mito, a divindade africana vive na água doce, na confluência de dois rios, onde se encontra com sua irmã Oxum. Muito feminina e vaidosa, ela dança alegremente e com bons modos, cuida dos doentes e prepara remédios. Come com Oxum e Nanã. Veste verde-claro e suas contas são branco cristal.


7. YASESSU (Asesu/ Asèssu/ Assessu /Sesu / Sessu /Susure).
Voluntariosa, séria e respeitável, é a mensageira de Olokum. Vive em águas agitadas e sujas; esquece o que se lhe pede e põe-se a contar, meticulosamente, as penas do pato que lhe foi sacrificado. Caso erre os cálculos, recomeça a operação, que se prolonga indefinidamente. Ligada à gestação. Veste branco e verde-água e suas contas são em branco-cristal.



As divas


1. ALAÍDE COSTA
Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide é uma das grandes referências da Bossa Nova, por sua contribuição, como intérprete, para a definição do gênero musical, quando de seu surgimento, em 1957. Nascida no Rio de Janeiro, em 1935, consagrou-se, em 1964, com Onde está você, de Oscar Castro Neves e Lucevercy Fiorini. Seu canto incomparavelmente suave embalou o romance de muitos casais. Tem quinze discos gravados e cinqüenta anos de carreira, salpicada de prêmios e homenagens internacionais.
Contato:
Nelson Valencia
Tel.: (11) 3451-7764 / 9913-5410
nvalenci@uol.com.br


2. DAÚDE
Uma das expressões mais evidentes de nossa herança musical africana, Daúde começou a carreira cantando em casas noturnas e peças teatrais, onde desenvolveu sua forte presença de palco. Nascida em Salvador, aos 11 anos de idade mudou-se para o Rio de Janeiro, onde vive. Passeia, sem sobressaltos, por vários estilos musicais - do samba ao rap, do jongo à MPB. Já com o primeiro disco, de 1995, conquistou o público e a crítica especializada, ganhando os prestigiosos prêmios Sharp de Música e APCA (Associação dos Críticos de Arte de São Paulo).
Contato:
Tel: (11) 3079-4399
falecomdaude@uol.com.br - andre@babelproducoes.com.br


3. LUCIANA MELLO
Aos 31 anos de idade, a paulista Luciana Mello é considerada uma das grandes intérpretes da MPB, surpreendendo pela espontaneidade nos palcos. Começou a cantar e gravar aos seis anos de idade, ao lado do pai, Jair Rodrigues, com quem fez um célebre dueto no disco Dois na bossa, gravado por Jair e Elis na década de 60. Com cinco discos e vasto repertório, passeia pela black music, pelo samba e pela baladas dançantes que compuseram as trilhas do filme Sexo, amor e traição e da novela Da cor do pecado.
Contato:
Tel: (11) 4612-0711
clo.rodrigues@uol.com.br


4. MARGARETH MENEZES
Cantora, compositora, produtora, atriz e empresária baiana, Margareth Menezes é uma das divas da axé-music, da MPB e do samba-reggae. Com 21 anos de carreira, correu todos os continentes, contabilizando 20 turnês mundiais e 12 álbuns lançados, sendo muito bem acolhida pela imprensa internacional - foi capa do The New York Times, Le Monde e Washington Post, apelidada de "Aretha Franklin brasileira" pelo Los Angeles Times. Atualmente apóia o (necessário) Movimento Afropopbrasileiro, patrocinado pela Fundação Cultural Palmares
Contato:
(71) 3237-0066
assessoria@margarethmenezes.com.br


5. MART´NÁLIA
Além de cantora e compositora, é uma grande percussionista. Seu talento chamou a atenção de Caetano Veloso, que assinou a direção artística do disco Pé de samba, e de Maria Bethânia, que produziu Menino do Rio. Tem dois DVDS e sete CDs gravados, sendo que os três últimos foram lançados em Portugal. Carioca de Vila Isabel, Mart´nália começou a cantar profissionalmente aos 16 anos, com o apoio do pai, Martinho da Vila. Mescla, freqüentemente, suas interpretações com humor, arrebatando o público.
Contato:
Márcia Alvarez
(21) 2210-1924
alvarezmarcia@uol.com.br


6. PAULA LIMA
Formada em piano clássico, dona de um swing e de uma potência vocal inigualáveis, a diva negra marcou sua entrada no mundo da música com o grupo Unidade Bop. Já no primeiro disco, É isso aí (2001), conquistou crítica e público. Sinceramente (2006), o terceiro disco da carreira, teve a primeira tiragem esgotada em menos de um mês. É considerada a "menina dos olhos" de Jorge Ben Jor, tendo, no decorrer de sua trajetória, cantado ao lado de ícones da música brasileira, como D. Ivone Lara, Milton Nascimento, Rita Lee e Zélia Duncan.
Contato:
(11) 2183-8383
marcia@agenciaproducao.com.br


7. ROSA MARYA COLIN
Cantora e atriz mineira, Rosa Maria iniciou a carreira musical no Rio de Janeiro, cantando jazz e Bossa Nova, no Beco das Garrafas, local consagrado como ponto de partida do movimento musical que ganhou o Brasil e o mundo. Nos anos 80, conquistou grande popularidade com uma versão cool e despretensiosa de California dreaming, para um comercial de TV. Sua voz potente e grave destacou-se, ainda, na primeira montagem brasileira do musical Hair. Na década de 90, mudou o nome para Rosa Marya Colin, por influência da numerologia.
Contato:
(21) 9604-5942
sioux_213@yahoo.com.br



REPERTÓRIO

- Caminhos do mar (Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Dudu Falcão);
- Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes);
- Pedra e areia (Lenine e Dudu Falcão);
- Quem vem pra beira do mar (Dorival Caymmi);
- Canto de Iemanjá (Badem Pawell e Vinícius de Moraes);
- Conto de areia (Romildo S. Bastos e Toninho Nascimento);
- O mar serenou (Candeia);
- Rainha do mar (Dorival Caymmi);
- Na beira do mar (Mateus e Dadinho);
- Agradecer e abraçar (Vevé Calazans e Gerônimo);
- Lenda das sereias (Vicente, Dionel e Veloso);
- Dois de fevereiro (Dorival Caymmi).

Fonte: http://www.palmares.gov.br/

Cota social na UFRJ: Educafro ameaça recorrer ao Ministério Público


A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) definiu ontem o percentual de vagas para a cota social do vestibular 2011, aprovada na semana passada. A política de inclusão atingirá 20% (ou um quinto) dos candidatos. A iniciativa beneficia estudantes das redes municipal e estadual do estado do Rio e da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec).

Coordenador da ONG Educafro, frei David afirma que a restrição ao estado do Rio é inconstitucional e que recorrerá ao Ministério Público Federal para derrubá-la:

— A Educafro comunica que, em 30 dias, entrará no MPF contra essa restrição. Quer dizer que o rico pode vir de qualquer lugar do país e o pobre de outros estados não pode ser incluído?

A proposta vencedora, do reitor Aloisio Teixeira, foi aprovada por 20 votos a 18 — a outra sugeria 35%. Os alunos serão classificados pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As demais vagas serão assim preenchidas: 40% pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), também baseado na nota do Enem; e 40% pelo vestibular, que na primeira fase levará a nota do Enem e na segunda terá uma prova discursiva.

Federais ficam de fora


Na sessão extraordinária desta quinta-feira, o conselho universitário (Consuni) decidiu não estender a cota aos estudantes de colégios federais (como o Militar e o Pedro II) e de aplicação (incluindo o da própria UFRJ), que já apresentam bom desempenho nos vestibulares. O critério de corte por renda (de até um salário mínimo) também foi retirado da proposta.

O ministro da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araújo, demonstrou insatisfação com a aprovação.

— Esse percentual não tem base científica. A menos que haja 20% de pretos, pardos e pobres no estado.

Para Aloisio Teixeira, a UFRJ usou de cautela.

— Não depende de nossas decisões acabar com o racismo ou com a desigualdade. Temos de ser responsáveis. Temos de saber como a universidade reagirá à medida.

Na próxima semana, o Consuni decidirá detalhes da ajuda financeira que a UFRJ destinará aos alunos da cota social.

Fonte: Jornal Extra

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

UFRJ avalia manter cotas apenas para alunos de escolas estaduais

Para ampliar o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior, a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) avalia a proposta de excluir das recém-criadas ações afirmativas para ingresso na instituição estudantes de colégios federais, universitários, militares e de aplicação, mantendo as cotas somente para alunos de escolas públicas estaduais.

Com grandes chances de aprovação, a proposta é da reitoria e foi encaminhada na última segunda-feira (16) para o Consuni (Conselho Universitário). Na reunião da semana passada, questões específicas, como o percentual de vagas para as cotas e as ações de assistência estudantil para permanência dos estudantes, não obtiveram consenso e voltam a ser discutidas.

Dessa vez, a reitoria sugere que 20% do total das vagas de cada curso sejam preenchidas por candidatos selecionados pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e que tenham cursado integralmente o ensino médio na rede pública. Do restante, 40% seriam preenchidas por meio do vestibular tradicional e 40% por estudantes aprovados pelo Sisu. A UFRJ oferece 8.000 vagas anualmente.

Com essa medida, a reitoria põe fim à discussão das cotas sociais, que selecionariam estudantes com base na renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio. Na proposta original, 10% das vagas seriam distribuídos a candidatos oriundos de escolas públicas com esse perfil. O restante seria dividido entre candidatos aprovados pelo Sisu e pelo vestibular tradicional.

"Prevaleceu a ideia de que era mais importante demonstrar a necessidade de requalificação do ensino público na rede estadual ao mesmo tempo em que se atende, indiretamente, o estudante de baixa renda", explicou o representante da reitoria, Carlos Levi, sobre a nova proposta.

Embora concorde com a exclusão dos colégios federais, universitários, militares e de aplicação das ações afirmativas, o professor Marcelo Paixão, integrante do Conselho Universitário, avalia que 20% de cotas não mudam o perfil da universidade. Atualmente, dos cerca de 40 mil alunos da UFRJ, 68% são provenientes da rede privada e 32% da rede pública.

"A proposta da reitoria traz um avanço para os cursos mais prestigiados, mas, mesmo nesses cursos, a diferença atual para o quadro que a reitoria propõe é muito baixo", disse Paixão.

Na reunião desta quinta-feira, Marcelo Paixão apresentará a proposta de destinar 25% das vagas para o sistema de cotas raciais e 25% para estudantes com renda familiar per capita inferior a um salário mínimo. A ideia tem apoio de parte da comunidade acadêmica.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes), que conta com representantes no Consuni, também avalia que o percentual de 20% é "muito modesto". Mesmo assim, pondera que nos cursos mais concorridos, como direito e medicina, a cota provocará uma "revolução".

"Alguns cursos já têm percentual superior a esse, mas há outros, mais elitizados, nos quais as cotas fariam a diferença. Apesar disso, o ideal seria 50% das vagas gerais para cotas", afirmou o coordenador de Cultura do DCE, Kenzo Soares.

Outra proposta que será apresentada hoje é a da Comissão de Acesso do Conselho de Ensino e Graduação. A representante Ana Maria Ribeiro defende que as cotas devem ser de 10% do total de vagas para estudantes aprovados por meio do Sisu, mas com recorte de renda.
Fonte: Folha.com

Quando o CENSO vier, "Quem é de Axé diz que é"!


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Valmir recebe comunidades de terreiros

Em busca de oportunidades. Esta foi a mensagem que as comunidades de terreiro de Salvador deixaram numa reunião com os candidatos a deputado estadual e federal, Bira Corôa e Valmir Assunção. O encontro aconteceu no comitê central de Valmir, nesta quarta-feira (18), no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.
Buscar visibilidade sempre foi um longo caminho percorrido pelos povos de terreiros e este foi um dos temas do debate. Outras reivindicações foram expostas como apoio financeiro para reformas e festividades nos terreiros, assessoria a projetos, respeito ao meio ambiente, cursos para jovens negros e a garantia de representatividade nos espaços de poder.
O coordenador geral do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Marcos Rezende, ressaltou a importância de debater política para os povos tradicionais. “Não é comum os religiosos de matrizes africanas debaterem com políticos, mas este é um exercício que precisamos fazer para cobrarmos os nossos direitos”, comenta.
E continuou: “Hoje viemos aqui para dizer a Bira e Valmir que precisamos deles para que proponham mais políticas públicas para o nosso segmento”.
Valmir Assunção também falou da necessidade de ter representantes de comunidades tradicionais em cargos representativos do Governo. “Eu acredito que o meio político precisa de pessoas comprometidas com a causa, por isso que em minha gestão à frente da Sedes busquei integrar pessoas negras e de terreiro”, disse.
Na Sedes, Valmir Assunção criou o Programa de Desenvolvimento Social de Povos e Comunidades Tradicionais, que integra as comunidades e povos de terreiros.
O Programa – O Programa Povos e Comunidades Tradicionais tem o objetivo de garantir a inclusão social das comunidades tradicionais a partir do incentivo à produção de alimentos e geração de renda. Um dos principais parceiros é o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e contempla a população que se encontra em evidente situação de exclusão social e precariedade de vida.

Coordenador Geral do CEN apóia Valmir Assunção

Café da manhã reúne candidatos e líderes de religião de matriz africana


O café da manhã no comitê de Valmir Assunção (1310), candidato a deputado federal, reuniu líderes religiosos de matriz africana, membros do coletivo de entidades negras (CEN) e contou com a presença do candidato a reeleição a deputado estadual, Bira Corôa (13613). No evento foram discutidos os compromissos dos candidatos com as ações políticas pelas lutas em defesa das religiões de Candomblé.

De acordo com Marcos Rezende, coordenador do CEN e mediador do debate, os grupos religiosos de matriz africana devem estar inseridos nas discussões para que agreguem visibilidade, espaço e poder político nas ações do Estado para os terreiros de Candomblé como reconhecimento da religião no contexto baiano. “Quem quer saber e conhecer de política define e dita os rumos da situação”, disse Marcos Rezende.

Bira Corôa e candidato a reeleição, falou das ações de seu mandato e de seu companheiro de luta Valmir Assunção em prol da promoção da igualdade e intolerância religiosa, a exemplo do Estatuto Estadual da Igualdade que aguarda aprovação. Também completou a fala de Marcos Rezende afirmando que poucas vezes as discussões políticas reuniram os grupos religiosos de matriz africana. “A negação dos debates políticos dá o direito a outros grupos se manisfestarem neste sentido”, pontuou Bira Corôa.

O candidato a deputado federal, Valmir Assunção lembrou de uma fala de Bira Corôa que diz que o trabalho deve ser coletivo. “Temos que dá visivilidade aos invisíveis, precisamos fazer este esforço, completa Valmir Assunção”. Disse também que apesar de não ser de candomblé, respeita a causa e propôs o cargo de Secretario de Desenvolvimento Social de Combate a pobreza a Arani Santana, mulher negra e religiosa de matriz africana. “Eu acredito que os terreiros precisam de mais políticas sociais”, conclui Valmir.

As discussões definiram como estratégia a tentativa de reforçar a posição de Jaques Wagner e Pinheiro em um debate entre o governo do Estado e os religiosos de matriz africana. Definiram também pontos a serem trabalhados pelos candidatos após as eleições.
Fonte: Assessoria de Comunicação Bira Corôa

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Miriam Leitão fala sobre as polêmicas sacolas plásticas

Na videoteca do CEN: Programa A Liga sobre Discriminação



A palavra “discriminação” é forte e pode ser manifestada de diversas maneiras. Seja pela escolha sexual, religiosa, racial pela cor, idade, social ou simplesmente pela estética, qualquer um pode virar alvo de atos discriminatórios.

Tal postura está ligada à distinção de uma pessoa (ou sua atitude) em relação à outra. A partir disso, o indivíduo não só fica à mercê de uma situação indesejada, como também pode acabar excluído de um grupo ou do meio social em que vive.

No Brasil, a discriminação é crime. Conforme a Convenção 111, da Organização Internacional do Trabalho, a discriminação é toda e qualquer forma de distinção, exclusão ou preferência que tenha por fim alterar a igualdade de oportunidade ou tratamento.

A legislação brasileira considera crime o ato discriminatório. Ele é combatido por meio de leis anti-discriminação contra pessoas portadoras de deficiência e anti-discriminação de origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, idade e sexo.

A repressão a qualquer tipo de discriminação é incentivada pelo Ministério Público do Trabalho. Através de procedimentos investigatórios e inquéritos civis públicos, sua atuação é feita de forma preventiva e repressiva, especialmente no que tange ao ambiente de trabalho.














Fonte: You Tube

XII Caminhada Azoany festeja Omolu

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O candidato Valmir Assumção participou nesta segunda-feira, 16 de agosto, da XII Caminhada Azoany em homenagem a Omolu, que no sincretismo religioso representa São Lázaro. A caminhada saiu no início da tarde, percorrendo as ruas do Pelourinho. Valmir se encontrou com os militantes do movimento negro, que organizou o evento. No percurso foi saudado pelos que assistiam, nas calçadas, à caminhada, que reuniu centenas de participantes.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O público escolheu Mãe Neide, Chica Xavier e Alaíde do Feijão


Por Suzana Varjão

Numa disputa emocionante, que envolveu 21 mil votantes, foram escolhidas as três personalidades femininas que receberão o Troféu Palmares 2010: Mãe Neide Oyá D' Oxum (campo religioso), Chica Xavier (campo cultural) e Alaíde do Feijão (campo social). As homenageadas foram escolhidas entre as 15 mulheres selecionadas a partir de uma ampla consulta, envolvendo todo o quadro funcional da Fundação Cultural Palmares - servidores, funcionários e terceirizados.

- Todas as indicadas merecem o prêmio. Se dependesse de nossa vontade, daríamos a todas. São mulheres fantásticas!

A frase do presidente da Palmares, Zulu Araújo, expressa o sentimento dos que indicaram os nomes das concorrentes e acompanharam a votação, dada a grande representatividade das lideranças envolvidas no processo. São mulheres notadamente dedicadas à causa afrodescendente - portanto, à causa da maioria da população brasileira -, em seus respectivos campos de reflexão e ação, o que se pode observar pelo breve perfil das candidatas e vencedoras.

AS HOMENAGEADAS - Chica Xavier, atriz de cinema, teatro e televisão, é figura emblemática da luta pela igualdade racial e do combate ao preconceito religioso, tendo recebido, em 2009, o título de Cidadã do Estado do Rio de Janeiro e o diploma Zumbi dos Palmares, da Assembléia Legislativa do Rio. Dentre os trabalhos que marcaram sua carreira, destacam-se o filme "Assalto ao trem pagador" (1962), dirigido por Roberto Farias, e a novela "Os Ossos do Barão" (1973), de Jorge Andrade (Rede Globo).

Alaíde da Conceição, a Alaíde do Feijão, é especialista na culinária afro-baiana, grande conhecedora da cultura ancestral africana, e mantém um pequeno restaurante no Centro Histórico do Salvador, de onde acompanha e participa, ativamente, do desenvolvimento da luta contra o racismo na cidade. Viu nascerem algumas das principais entidades negras da Bahia, como o Ilê Aiyê e o Olodum, alimentando, com seu suculento feijão, idéias e ações de boa parte das lideranças baianas.

Mãe Neide Oyá D´Oxum, a Mãe Neide, iniciou-se no Kardecismo aos 16 anos, passando, posteriormente, a participar de cultos afro-brasileiros, até fundar o Grupo União Espírita Santa Bárbara (GUESB), hoje uma ONG de auxílio material e espiritual de comunidades desassistidas. Dentre outras ações sociais que desenvolve, destaca-se a contribuição diária para a alimentação das comunidades quilombolas de União dos Palmares, que foram devastadas pelas últimas enchentes no estado de Alagoas.

O TROFÉU - Esta é a terceira edição do Troféu Palmares, instituído em 2008 para homenagear personalidades da sociedade brasileira que contribuem para o exercício do respeito à diversidade e à cidadania, com especial atenção à causa afro-brasileira. No primeiro ano de realização, receberam a estatueta a atriz Zezé Mota, a Yalorixá Mãe Stella de Oxóssi e o ministro da Cultura, Juca Ferreira. No ano passado, os agraciados foram Mãe Beata de Iemanjá, Esther Grossi e Haroldo Costa.

Outro diferencial deste ano, além do processo eletivo, é a ênfase na questão de gênero: somente mulheres concorreram ao prêmio, que será entregue na sexta-feira (20/08), no Teatro Nacional de Brasília. Aliás, as homenagens da Palmares ao sexo feminino não se resumem à entrega do Troféu. Fechando a noite do dia 20, acontecerá o show Mães D´Água, protagonizado por sete talentosas cantoras negras do Brasil: Alaíde Costa, Daúde, Luciana Mello, Margareth Menezes, Mart´nália, Paula Lima e Rosa Maria.

O PROCESSO - A escolha das homenageadas começou em julho último, com a indicação de mais de 30 candidatas, pelo corpo funcional da Fundação Cultural Palmares. Desta primeira lista, o corpo diretivo da Fundação selecionou os 15 nomes que participaram da votação aberta, sendo cinco para cada um dos campos previstos pelo regulamento - o cultural, o social e o religioso. A votação aberta durou dez dias, e foi realizada pela Internet.


AS DEMAIS CONCORRENTES

1. Campo religioso

IRMÃ ESTELITA, a Juíza Perpétua da Boa Morte. Aos 104 anos, é a mais antiga integrante da Irmandade da Boa Morte, confraria feminina afrocatólica composta por descendentes de escravos africanos. Instalada no Recôncavo Baiano, tem forte significado político, social e religioso. Patrimônio Imaterial da Bahia, a Festa da Boa Morte, que acontece este mês, mistura elementos do catolicismo e do candomblé e é considerada uma das mais importantes manifestações culturais do estado.

MÃE CARMEM, a Yalorixá do Terreiro do Gantois. Mãe Carmem é a filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois e irmã caçula de Mãe Cleusa Millet, sua antecessora. Foi iniciada no Candomblé para Oxalá quando ainda era criança. Após a morte de Mãe Cleusa, em 1998, assumiu o Ilê Iyá Omi Axé Iyamassé, o terreiro mais famoso do Brasil, localizado em Salvador (Bahia). Ela traz o segredo do Axé, tendo ao seu lado as duas filhas: Angela de Oxum e Neli de Oxossi.

MÃE MENINAZINHA D'OXUM, a Yalorixá do Terreiro Ilê Omulu e Oxum. Mãe Meninazinha D' Oxum é neta e herdeira espiritual de Iyá Davina, tendo sido declarada Yalorixá antes mesmo de nascer. Fundadora da Sociedade Civil e Religiosa Ilê Omolu e Oxum, localizada em São João de Meriti (RJ), entende ser necessário ampliar a função religiosa da comunidade-terreiro para a de agente disseminador de informação para a população do terreiro e do seu entorno.

MÃE RAILDA, a primeira mãe de santo do Distrito Federal. Railda Rocha Pitta, do Terreiro Opô Afonjá Ilê Oxum, é uma das mais respeitadas lideranças religiosas do País, desenvolvendo um significativo trabalho de auto-afirmação da negritude na capital do Brasil. A religiosa reivindica, dentre outras ações afirmativas, o acesso do povo negro às instâncias de poder, sendo uma intransigente defensora do sistema de cotas.

2. Campo cultural

ELISA LUCINDA. Escritora e atriz, atua, com sucesso, em teatro, cinema e televisão. "A menina transparente", poema de estréia na literatura infantil, recebeu o Prêmio Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Por meio da escrita, como a poesia "Mulata exportação", e da postura cotidiana - não aceitou, por exemplo, alisar o cabelo para interpretar uma médica, em uma novela da Rede Globo de Televisão -, está sempre denunciando os preconceitos e discriminações da sociedade.

D. IVONE LARA. Cantora e compositora carioca, foi a primeira mulher a ingressar, em 1965, na Ala dos Compositores da Escola de Samba Império Serrano. A definição do diretor de shows Túlio Feliciano resume a identidade artística da vencedora do Prêmio Shell de MPB de 2002: "A síntese do samba, aquela que tem o ritmo dos tambores do jongo e a riqueza melódica e harmônica do choro. No seu canto intuitivo está um pouco da África e do negro americano".

LIA DE ITAMARACÁ. Cirandeira pernambucana, Maria Madalena Correa do Nascimento ficou conhecida como Lia de Itamaracá, nos anos 60, quando a cantora e compositora Teca Calazans gravou a quadra "Esta ciranda quem me deu foi Lia/ que mora na Ilha de Itamaracá". Apesar de cantar e compor desde a infância, somente em 1977 gravou o primeiro disco, "A Rainha da Ciranda". Desde 2005, carrega o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco.

SELMA DO COCO. Cantora e compositora pernambucana, Selma do Coco é legítima representante de um ritmo que remonta ao Quilombo dos Palmares. Entre os destaques de sua trajetória artística estão o Prêmio Sharp de 1999, que ganhou com o disco "Minha História"; o Concurso Público do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco, promovido pelo governo do estado, e do qual foi uma das vencedoras; e o 32º New Orleans Jazz & Heritage Festival, do qual foi a principal atração brasileira.

3. Campo social

JUREMA WERNECK. Carioca, nascida no Morro dos Cabritos, em Copacabana, Jurema Werneck começou a participar do movimento de mulheres negras do Rio de Janeiro na segunda metade da década de 80. Graduada em medicina, integra, atualmente, o Conselho Nacional de Saúde e coordena a ONG Criola - uma das trincheiras que usa na luta para vencer o racismo, o sexismo e a lesbofobia, com o objetivo de transformar as relações sociais desiguais e injustas do Brasil.

LUISLINDA VALOIS. A baiana Luislinda Valois é um dos mais contundentes exemplos de resistência e superação. "Aconselhada", aos nove anos, a deixar de estudar para "aprender a fazer feijoada na casa de brancos", tornou-se a primeira juíza negra do Brasil, prolatando a primeira sentença contra o racismo no País. Dentre os diversos projetos que implantou, para levar a Justiça aos negros e pobres, destacam-se os Balcões de Justiça e Cidadania, a Justiça Itinerante e o Fome Zero no Judiciário.

SUELI CARNEIRO. É uma das mais expressivas ativistas do movimento negro brasileiro. Feminista, intelectual, fundou o Geledés - Instituto da Mulher Negra, primeira organização negra e feminista independente de São Paulo, e criou o único programa brasileiro de orientação na área de saúde específico para mulheres negras. Seus artigos - cerca de 150, publicados em jornais, revistas

domingo, 15 de agosto de 2010

Bira Corôa acompanha missa e cortejo de festejos da Boa Morte em Cachoeira


Durante a sua agenda de campanha, o deputado estadual Bira Coroa (13613), candidato a reeleição, esteve neste domingo (15), em Cachoeira, para acompanhar a histórica festa da Boa Morte. A missa e o cortejo que anualmente fazem parte das ruas do município contaram com a presença do deputado e sua comitiva da Luta pela Igualdade.

Também estiveram presentes, o adido cultural da Nigéria Ayó Ayanwale e o candidato a deputado federal, Luiz Alberto (1303) que constrói dobradinha de campanha com Bira Corôa (13613) no Recôncavo baiano. A manifestação, considerada patrimônio nacional, une cultos católicos com manifestações de matriz africana e recebe milhares de visitantes que anualmente acompanham o ritual das irmãs da Boa Morte.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

CEN Brasil convida...

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Muito Obrigado pelos mais de 100.000 acessos!



Gostaríamos de agradecer aos nossos leitores pela confiança e carinho ao longo desses 2 anos 1/2.
Fiquem sempre por perto!
Um forte abraço,
CEN Brasil Comunicação.

Voto em Alaíde do Feijão até para Presidente do Brasil

Cá estamos nós em momentos de eleições, e claro que estamos todos, de uma forma ou de outra, envolvidos no processo político eleitoral do nosso país.
É justamente também neste momento que a Fundação Palmares teve a brilhante idéia de reparar e democratizar as indicações ao Troféu Palmares. Primeiro indicando somente mulheres, e, diga-se de passagem, cada uma mais poderosa que a outra, e depois abrindo ao público a votação, possibilitando assim que possamos exercitar a nossa cidadania um pouco antes do pleito eleitoral nacional.
São três as categorias do Troféu Palmares: religiosa, cultural e social. Sendo que todas as indicadas são de fazer cair o queixo. Mas, quero exclusivamente me dedicar ao Campo Social.
Na verdade quero fazer uma homenagem, ser cabo eleitoral e pedir votos para Alaíde do Feijão.
Sem nenhum demérito às demais, mas pelo que ela representa para mim. E como tomo partido em vários processos, não poderia me furtar neste caso.
Alaíde do Feijão representa aquela mulher de tempos antigos, a tia da comunidade, dos bairros periféricos. Aquela tia que quando a nossa mãe saia para trabalhar ela lá estava a observar os filhos e perguntar o que ele estava fazendo na rua até tal hora da noite e dar bons conselhos. Sempre alerta, cuidou da juventude negra em épocas que o Estado Brasileiro não reconhecia o que era ser negro.
Esta querida mulher sempre sabia como ser dura e doce, enérgica e amável. Carregada de conhecimento tradicional, e forjada na Faculdade da Vida, do Gueto, do Mundo. Alaíde vendeu muito feijão para sobreviver e para garantir ate hoje a sobrevivência de muitos. Mas não falo de um feijão qualquer, a delícia de saborear o Feijão de Alaíde, não é tão somente pelo sabor, mas pela dignidade, pela batalha, pelos temperos espirituais e sentimentais invisíveis, mas atávico à nossa tradição. Pelo bate papo gostoso e aprendizado passado a cada garfada.
Na verdade o sue feijão não alimenta o nosso corpo, mas a nossa alma e a cada dedo de prosa, temos a mais completa certeza de que apesar de tudo, vale a pena viver e pedir a benção a cada momento que Alaíde dá um conselho.
Alaíde é uma ilustre filha da Ilha de Itaparica e conhece o Movimento Negro Baiano mais do que qualquer tese de doutor da academia formal. Ela lê nas entrelinhas, e mais do que isto, posso afirmar, que todo militante negro baiano ao passar por momentos de dificuldade nas suas batalhas diárias foi lá naquele cantinho aconchegante do Pelourinho onde está instalado o Feijão da Alaide, se reconfortar em uma mesinha onde Alaide fica sentada como a esperar para dar consultas com um cuidado e responsabilidade ancestral. Lá diariamente está sentada Alaíde do Feijão, e na sua panela do saber está a receita dos conselhos de mestra, de mãe, de tia de comunidade, de egbomy do Axé.
Alaíde é minha mestra, e este texto pode não garantir um único voto, pode até não ser lido, ou ser tratado de forma descartável frente a minha mediocridade. Mas tem um significado muito especial para mim. Significa dizer para o mundo que Alaíde é minha mãe. A Mãe Preta que cuida, que zela, que passa a mão no telefone para saber como eu estou, por que sumi, o que estou fazendo, para me confortar. Para, através destes gestos me mostrar que a vida é dura, mas que ela ainda é capaz, e muitíssimo capaz de amar e me ensinar a amar e manter a chama viva. E que no final de cada batalha posso ir lá e ela estará pronta e a postos para cuidar das minhas feridas e fazer cicatrizar as dores da alma. Não em postura passiva, mas na sabedoria de quem me mandou para a o campo de batalha, e eu sei muito bem quem comanda a frente.
Este texto é tão somente para dizer e declarar ao mundo a minha querência por Alaíde do Feijão, e principalmente agradecer por tudo!
Alaíde, eu voto em ti com toda a certeza para 3 coisas: ser premiada pela Fundação Cultural Palmares, ser Presidente do Brasil e com mais certeza ainda para ocupar a cadeira do Conselho de Segurança da ONU, pois já te vejo lá, sentada naquele cantinho, dando bons conselhos para o mundo se manter em paz, e quando perguntarem a você como está a sua vida, sei que irá desconversar, como a querer dizer a vida é dura, mas é a que se tem e a que devemos amar e tocar como uma grande orquestra afro. A nos mostrar que a sua passagem por aqui é para se doar, e doar, doar, doar. Ensinando-nos sempre que o amor não tem limites e que apesar de cada não, de cada dor que nos invade somos nós a alegria da cidade.
Alaíde, simplesmente te amo e obrigado por me transformar em alguém melhor para o mundo e mundo muito melhor para mim e muitos outros que podem ate não te conhecer, mas que desfrutam da sua boa energia.

Marcos Rezende
Ogã de Ewá do Ilê Axé Oxumarê
Coordenador Geral do CEN

A bela festa da Boa Morte começa amanhã


Amanhã, todos os caminhos levam à bela e histórica Cachoeira para a abertura dos festejos de Nossa Senhora da Boa Morte.

A irmandade, símbolo da resistência e do brio de mulheres negras, muitas das quais nascidas escravas e que ascenderam socialmente e compraram a liberdade com muito trabalho, a ponto de ostentar esta conquista nas vestes e joias que envergam, nasceu na Igreja da Barroquinha em Salvador, em meados do século XIX.

Porque a irmandade foi para a Cachoeria não se sabe ao certo. Alguns apostam em que elas decidiram proteger o culto católico visível, mas que também e, principalmente, envolve saberes ancestrais de origem africana, da perseguição que se abateu sobre os africanos e seus descendentes após a rebelião dos malês ocorrida na capital baiana em 1835.

Cachoeira se tornou então a sede dessa bela história de uma festa organizada e preservada por uma confraria de mulheres com critérios especiais, como o de ser aceita apenas na maturidade pós 40 anos.

Sabe-se muito da parte católica da festa que é a celebração da dormição, pois segundo a tradição católica, Maria apenas adormeceu enquanto se preparava a assunção do seu corpo e alma aos céus. É a lógica da teologia, afinal o corpo que carregou o próprio Deus encarnado não poderia ser decomposto como acontece com todas as mulheres e homens comuns.

A relembrar essa tradição, as irmãs também rezam para que elas e todos tenham uma “boa morte”, uma aspiração ainda mais desejada em tempos de tanta violência e desrespeito pela vida humana.

Da parte do candomblé que está envolvida na festa não se sabe quase nada, pois segredo é um dos princípios básicos desta confraria. Mas a importância do que se guarda é infinita, afinal entre as irmãs estão ocupantes da alta hierarquia do candomblé baiano.

Até a próxima terça-feira, pois após a festa do domingo ainda tem samba de roda e distribuição de comida, afinal a generosidade é uma marca do povo de santo, Cachoeira estará cheia de turistas novos e outros que retornam, pois é difícil resistir a tanto encanto e brilho.

Sinto, devido a várias circunstâncias, não poder presenciar esta edição da festa na minha Cachoeira natal e que, além do seu belo casario e as mágicas águas do Paraguaçu reúne tantas outras preciosidades: a sabedoria dos ogãs Boboso e Bernardino do Seja Hundé ou Roça do Ventura; a herança da força de Gaiaku Luiza; a resistência da Lira e da Minerva cachoeiranas; a beleza da Ponte Dom Pedro II e da estação ferroviária.

Para quem vai estar lá vale a pena brigar para achar um lugarzinho no que conheço como “restaurante do português”, ali bem pertinho do porto ou dar uma esticadinha até a Pousada Paraguaçu em São Félix, onde até hoje me intriga o filé de pititinga presente no cardápio, mas que não consegui provar pois estive lá durante a baixa estação do pescado.

Quem for retornar para Salvador pode dar uma passadinha em São Brás (no meio do caminho entre Cachoeira e Santo Amaro) onde tem um restaurante com uma comida baiana deliciosa. Mas claro que essas sugestões culinárias só valem para quem não puder esperar a disribuição da comida preparada pela irmandade ou para os horários alternativos.

Vale, antes de conferir a programação da festa aí abaixo, dar uma olhada no blog do professor Cacau Nascimento, especialista na história e antropologia da Irmandade. Cliquem aqui para acessá-lo.

Agora, vejam a programação da festa:

Dia 13/08 – Sexta-feira
18h – Cortejo anunciando a morte de Maria
19h – Missa pelas almas das irmãs falecidas
21h – Sentinela, Ceia Branca na sede da Irmandade

Dia 14/08 – Sábado
19h – Missa simbólica de Corpo Presente de Nossa Senhora da Boa Morte e procissão do enterro..

Dia 15/08 – Domingo
09h – Missa festiva da assunção da Nossa Senhora da Glória seguida de procissão
12h – Almoço das irmãs e convidados, na sede da Irmandade.
14h – Samba de roda no Largo da Ajuda

Dia 16/08- Segunda-feira
20h – Cozido – seguido de samba-de-roda no Largo d’ Ajuda

Dia 17/08 – Terça-feira
20h – Caruru – seguido de samba de roda no Largo d’Ajuda


Fonte: http://mundoafro.atarde.com.br/?attachment_id=3374

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