terça-feira, 30 de novembro de 2010

Audiência Pública discute na Câmara Municipal de Ilhéus a invasão ao Assentamento Dom Helder Câmara


Na sexta-feira (26), o deputado estadual Bira Corôa presidindo a Comissão Especial de Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa (CEPI) realizou Audiência Pública no Município de Ilhéus para discutir com órgãos do Governo do Estado, entidades, e sociedade civil, a Invasão ao Assentamento Dom Helder Câmara por policiais da 70ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar de Ilhéus) culminado na agressão e tortura da Yalorixá Mãe Bernadete.

Bira Corôa que tem acompanhado todo o processo e deliberações resultantes de encontros realizados entre o governador, a Yalorixá agredida no assentamento e seu marido Moacir, também presente no ocorrido, abriu a Sessão Especial na Câmara Municipal de Ilhéus dizendo que os debates não são de caráter punitivo, pois as investigações e sanções estão a cargo do Estado, mas que seriam apresentados todos os fatos e relatos do acontecido no assentamento em Ilhéus.

“Não é com satisfação que estamos aqui neste momento. Bom seria não existir mais a necessidade destes atos. Estamos qui pelo nosso compromisso com o povo, respeito a todas as vítimas e por não aceitar que atitudes como essas fiquem impunes no estado mais negro fora da África”, destacou o Deputado Bira Corôa.

Em seguida Mãe Bernadete relatou tudo o que vivenciou após a invasão do assentamento Dom Helder Câmara. Disse também que a intolerância e a discriminação racial infelizmente têm aumentado em todo o Estado. “Peço que as autoridades e entidades não se afastem desse caso, pois senão morreremos”, afirmou a Yalorixá. O seu marido, Moacir defendeu a necessidade de reação de toda a população denunciando atos como o ocorrido em Ilhéus. “O que aconteceu conosco não é um fato isolado, são diversos casos de agressões de policiais ao povo de santo no Estado da Bahia”, disse Moacir.

O Coronel Reis representando o comando geral da policia militar afirmou que desvios de conduta ou intolerância religiosa não serão tolerados na companhia. Já o representante da Policia Civil disse que a organização não compactua com coisas erradas. “Temos que exterminar certos modelos mentais existentes na corporação”, pontua o Coronel Batista da policia militar. Também estiveram presentes o Sr. Martiniano Presidente Estadual da CUT, Sr. Marcos Nery Superintendente Substituto do Incra-BA, o Dr. Cupertino representado a Comissão de Direitos Humanos da OAB, a Defensora Pública Dra Silvia, Ministério Público entre outras representatividades.

Durante o evento a Comissão de Mobilização representada pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), Movimento Negro Unificado (MNU), Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), Campanha Reaja, o Fórum Estadual de Juventude Negra e outros reivindicaram resposta ao documento encaminhado ao Governador Jaques Wagner.

Ao final da Sessão o deputado estadual Bira Corôa registrou alguns encaminhamentos como a aprovação de Audiência Pública na Câmara Federal na primeira quinzena de dezembro pelo deputado federal Luiz Alberto, também colocou a Comissão Especial de Promoção Igualdade (CEPI) como instrumento permanente de acompanhamento do caso e fez um apelo às instituições policiais para que estes saiam da audiência com a responsabilidade de zelarem pela vida dos envolvidos. Bira Corôa conclui afirmando que a sociedade deve mostrar o tamanho da sua indignação e sua insatisfação a ações e atos como o ocorrido no Assentamento Dom Helder Câmara.

A crise no Rio e o pastiche midiático

Por Luiz Eduardo Soares

Sempre mantive com jornalistas uma relação de respeito e cooperação. Em alguns casos, o contato profissional evoluiu para amizade. Quando as pergências são muitas e profundas, procuro compreender e buscar bases de um consenso mínimo, para que o diálogo não se inviabilize. Faço-o por ética –supondo que ninguém seja dono da verdade, muito menos eu-, na esperança de que o mesmo procedimento seja adotado pelo interlocutor. Além disso, me esforço por atender aos que me procuram, porque sei que atuam sob pressão, exaustivamente, premidos pelo tempo e por pautas urgentes. A pressa se intensifica nas crises, por motivos óbvios. Costumo dizer que só nós, da segurança pública (em meu caso, quando ocupava posições na área da gestão pública da segurança), os médicos e o pessoal da Defesa Civil, trabalhamos tanto –ou sob tanta pressão-- quanto os jornalistas.

Digo isso para explicar por que, na crise atual, tenho recusado convites para falar e colaborar com a mídia:

(1) Recebi muitos telefonemas, recados e mensagens. As chamadas são contínuas, a tal ponto que não me restou alternativa a desligar o celular. Ao todo, nesses dias, foram mais de cem pedidos de entrevistas ou declarações. Nem que eu contasse com uma equipe de secretários, teria como responder a todos e muito menos como atendê-los. Por isso, aproveito a oportunidade para desculpar-me. Creiam, não se trata de descortesia ou desapreço pelos repórteres, produtores ou entrevistadores que me procuraram.

(2) Além disso, não tenho informações de bastidor que mereçam pulgação. Por outro lado, não faria sentido jogar pelo ralo a credibilidade que construí ao longo da vida. E isso poderia acontecer se eu aceitasse aparecer na TV, no rádio ou nos jornais, glosando os discursos oficiais que estão sendo difundidos, declamando platitudes, reproduzindo o senso comum pleno de preconceitos, ou pagando em torno de especulações. A situação é muito grave e não admite leviandades. Portanto, só faria sentido falar se fosse para contribuir de modo eficaz para o entendimento mais amplo e profundo da realidade que vivemos. Como fazê-lo em alguns parcos minutos, entrecortados por intervenções de locutores e debatedores? Como fazê-lo no contexto em que todo pensamento analítico é editado, truncado, espremido –em uma palavra, banido--, para que reinem, incontrastáveis, a exaltação passional das emergências, as imagens espetaculares, os dramas inpiduais e a retórica paradoxalmente triunfalista do discurso oficial?

(3) Por fim, não posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na mídia: atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises. Na crise, as perguntas recorrentes são: (a) O que fazer, já, imediatamente, para sustar a explosão de violência? (b) O que a polícia deveria fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas? (c) Por que o governo não chama o Exército? (d) A imagem internacional do Rio foi maculada? (e) Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas?

Ao longo dos últimos 25 anos, pelo menos, me tornei “as aspas” que ajudaram a legitimar inúmeras reportagens. No tópico, “especialistas”, lá estava eu, tentando, com alguns colegas, furar o bloqueio à afirmação de uma perspectiva um pouquinho menos trivial e imediatista. Muitas dessas reportagens, por sua excelente qualidade, prescindiriam de minhas aspas –nesses casos, reduzi-me a recurso ocioso, mera formalidade das regras jornalísticas. Outras, nem com todas as aspas do mundo se sustentariam. Pois bem, acho que já fui ou proporcionei aspas o suficiente. Esse código jornalístico, com as exceções de praxe, não funciona, quando o tema tratado é complexo, pouco conhecido e, por sua natureza, rebelde ao modelo de explicação corrente. Modelo que não nasceu na mídia, mas que orienta as visões aí predominantes. Particularmente, não gostaria de continuar a ser cúmplice involuntário de sua contínua reprodução.

Eis por que as perguntas mencionadas são expressivas do pobre modelo explicativo corrente e por que devem ser consideradas obstáculos ao conhecimento e réplicas de hábitos mentais refratários às mudanças inadiáveis. Respondo sem a elegância que a presença de um entrevistador exigiria. Serei, por assim dizer, curto e grosso, aproveitando-me do expediente discursivo aqui adotado, em que sou eu mesmo o formulador das questões a desconstruir. Eis as respostas, na sequência das perguntas, que repito para facilitar a leitura:

(a) O que fazer, já, imediatamente, para sustar a violência e resolver o desafio da insegurança?

Nada que se possa fazer já, imediatamente, resolverá a insegurança. Quando se está na crise, usam-se os instrumentos disponíveis e os procedimentos conhecidos para conter os sintomas e salvar o paciente. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, não é possível continuar a tratar o paciente apenas quando ele já está na UTI, tomado por uma enfermidade letal, apresentando um quadro agudo. Nessa hora, parte-se para medidas extremas, de desespero, mobilizando-se o canivete e o açougueiro, sem anestesia e assepsia. Nessa hora, o cardiologista abre o tórax do moribundo na maca, no corredor. Não há como construir um novo hospital, decente, eficiente, nem para formar especialistas, nem para prevenir epidemias, nem para adotar procedimentos que evitem o agravamento da patologia. Por isso, o primeiro passo para evitar que a situação se repita é trocar a pergunta. O foco capaz de ajudar a mudar a realidade é aquele apontado por outra pergunta: o que fazer para aperfeiçoar a segurança pública, no Rio e no Brasil, evitando a violência de todos os dias, assim como sua intensificação, expressa nas sucessivas crises?
Se o entrevistador imaginário interpelar o respondente, afirmando que a sociedade exige uma resposta imediata, precisa de uma ação emergencial e não aceita nenhuma abordagem que não produza efeitos práticos imediatos, a melhor resposta seria: caro amigo, sua atitude representa, exatamente, a postura que tem impedido avanços consistentes na segurança pública. Se a sociedade, a mídia e os governos continuarem se recusando a pensar e abordar o problema em profundidade e extensão, como um fenômeno multidimensional a requerer enfrentamento sistêmico, ou seja, se prosseguirmos nos recusando, enquanto Nação, a tratar do problema na perspectiva do médio e do longo prazos, nos condenaremos às crises, cada vez mais dramáticas, para as quais não há soluções mágicas.

A melhor resposta à emergência é começar a se movimentar na direção da reconstrução das condições geradoras da situação emergencial. Quanto ao imediato, não há espaço para nada senão o disponível, acessível, conhecido, que se aplica com maior ou menor destreza, reduzindo-se danos e prolongando-se a vida em risco. A pergunta é obtusa e obscurantista, cúmplice da ignorância e da apatia.

(b) O que as polícias fluminenses deveriam fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas?

Em primeiro lugar, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos “arregos” celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente. Deveriam também parar de reproduzir o pior do tráfico, dominando, sob a forma de máfias ou milícias, territórios e populações pela força das armas, visando rendimentos criminosos obtidos por meios cruéis.

Ou seja, a polaridade referida na pergunta (polícias versus tráfico) esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade. Construí-la –isto é, separar bandido e polícia; distinguir crime e polícia-- teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes. E só por isso que ainda existe tráfico armado, assim como as milícias.

Não digo isso para ofender os policiais ou as instituições. Não generalizo. Pelo contrário, sei que há dezenas de milhares de policiais honrados e honestos, que arriscam, estóica e heroicamente, suas vidas por salários indignos. Considero-os as primeiras vítimas da degradação institucional em curso, porque os envergonha, os humilha, os ameaça e acua o convívio inevitável com milhares de colegas corrompidos, envolvidos na criminalidade, sócios ou mesmo empreendedores do crime.

Não nos iludamos: o tráfico, no modelo que se firmou no Rio, é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico. Incapaz, inclusive, de competir com as milícias, cuja competência está na disposição de não se prender, exclusivamente, a um único nicho de mercado, comercializando apenas drogas –mas as incluindo em sua carteira de negócios, quando conveniente. O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, anti-econômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a pidir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção. É excessivamente custoso impor-se sobre um território e uma população, sobretudo na medida que os jovens mais vulneráveis ao recrutamento comecem a vislumbrar e encontrar alternativas. Não só o velho modelo é caro, como pode ser substituído com vantagens por outro muito mais rentável e menos arriscado, adotado nos países democráticos mais avançados: a venda por delivery ou em dinâmica varejista nômade, clandestina, discreta, desarmada e pacífica. Em outras palavras, é melhor, mais fácil e lucrativo praticar o negócio das drogas ilícitas como se fosse contrabando ou pirataria do que fazer a guerra. Convenhamos, também é muito menos danoso para a sociedade, por óbvio.

(c) O Exército deveria participar?

Fazendo o trabalho policial, não, pois não existe para isso, não é treinado para isso, nem está equipado para isso. Mas deve, sim, participar. A começar cumprindo sua função de controlar os fluxos das armas no país. Isso resolveria o maior dos problemas: as armas ilegais passando, tranquilamente, de mão em mão, com as benções, a mediação e o estímulo da banda podre das polícias.

E não só o Exército. Também a Marinha, formando uma Guarda Costeira com foco no controle de armas transportadas como cargas clandestinas ou despejadas na baía e nos portos. Assim como a Aeronáutica, identificando e destruindo pistas de pouso clandestinas, controlando o espaço aéreo e apoiando a PF na fiscalização das cargas nos aeroportos.

(d) A imagem internacional do Rio foi maculada?

Claro. Mais uma vez.

(e) Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas?

Sem dúvida. Somos ótimos em eventos. Nesses momentos, aparece dinheiro, surge o “espírito cooperativo”, ações racionais e planejadas impõem-se. Nosso calcanhar de Aquiles é a rotina. Copa e Olimpíadas serão um sucesso. O problema é o dia a dia.

Palavras Finais
Traficantes se rebelam e a cidade vai à lona. Encena-se um drama sangrento, mas ultrapassado. O canto de cisne do tráfico era esperado. Haverá outros momentos análogos, no futuro, mas a tendência declinante é inarredável. E não porque existem as UPPs, mas porque correspondem a um modelo insustentável, economicamente, assim como social e politicamente. As UPPs, vale dizer mais uma vez, são um ótimo programa, que reedita com mais apoio político e fôlego administrativo o programa “Mutirões pela Paz”, que implantei com uma equipe em 1999, e que acabou soterrado pela política com “p” minúsculo, quando fui exonerado, em 2000, ainda que tenha sido ressuscitado, graças à liderança e à competência raras do ten.cel. Carballo Blanco, com o título GPAE, como reação à derrocada que se seguiu à minha saída do governo. A despeito de suas virtudes, valorizadas pela presença de Ricardo Henriques na secretaria estadual de assistência social --um dos melhores gestores do país--, elas não terão futuro se as polícias não forem profundamente transformadas. Afinal, para tornarem-se política pública terão de incluir duas qualidades indispensáveis: escala e sustentatibilidade, ou seja, terão de ser assumidas, na esfera da segurança, pela PM. Contudo, entregar as UPPs à condução da PM seria condená-las à liquidação, dada a degradação institucional já referida.

O tráfico que ora perde poder e capacidade de reprodução só se impôs, no Rio, no modelo territorializado e sedentário em que se estabeleceu, porque sempre contou com a sociedade da polícia, vale reiterar. Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios –as bandas podres das polícias-- prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.

Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção? Como se refundarão as instituições policiais para que os bons profissionais sejam, afinal, valorizados e qualificados? Como serão transformadas as polícias, para que deixem de ser reativas, ingovernáveis, ineficientes na prevenção e na investigação?

As polícias são instituições absolutamente fundamentais para o Estado democrático de direito. Cumpre-lhes garantir, na prática, os direitos e as liberdades estipulados na Constituição. Sobretudo, cumpre-lhes proteger a vida e a estabilidade das expectativas positivas relativamente à sociabilidade cooperativa e à vigência da legalidade e da justiça. A despeito de sua importância, essas instituições não foram alcançadas em profundidade pelo processo de transição democrática, nem se modernizaram, adaptando-se às exigências da complexa sociedade brasileira contemporânea. O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável. Ineptas para identificar erros, as polícias condenam-se a repeti-los. Elas são rígidas onde teriam de ser plásticas, flexíveis e descentralizadas; e são frouxas e anárquicas, onde deveriam ser rigorosas. Cada uma delas, a PM e a Polícia Civil, são duas instituições: oficiais e não-oficiais; delegados e não-delegados.

E nesse quadro, a PEC-300 é varrida do mapa no Congresso pelos governadores, que pagam aos policiais salários insuficientes, empurrando-os ao segundo emprego na segurança privada informal e ilegal.

Uma das fontes da degradação institucional das polícias é o que denomino "gato orçamentário", esse casamento perverso entre o Estado e a ilegalidade: para evitar o colapso do orçamento público na área de segurança, as autoridades toleram o bico dos policiais em segurança privada. Ao fazê-lo, deixam de fiscalizar dinâmicas benignas (em termos, pois sempre há graves problemas daí decorrentes), nas quais policiais honestos apenas buscam sobreviver dignamente, apesar da ilegalidade de seu segundo emprego, mas também dinâmicas malignas: aquelas em que policiais corruptos provocam a insegurança para vender segurança; unem-se como pistoleiros a soldo em grupos de extermínio; e, no limite, organizam-se como máfias ou milícias, dominando pelo terror populações e territórios. Ou se resolve esse gargalo (pagando o suficiente e fiscalizando a segurança privada /banindo a informal e ilegal; ou legalizando e disciplinando, e fiscalizando o bico), ou não faz sentido buscar aprimorar as polícias.

O Jornal Nacional, nesta quinta, 25 de novembro, definiu o caos no Rio de Janeiro, salpicado de cenas de guerra e morte, pânico e desespero, como um dia histórico de vitória: o dia em que as polícias ocuparam a Vila Cruzeiro. Ou eu sofri um súbito apagão mental e me tornei um idiota contumaz e incorrigível ou os editores do JN sentiram-se autorizados a tratar milhões de telespectadores como contumazes e incorrigíveis idiotas.
Ou se começa a falar sério e levar a sério a tragédia da insegurança pública no Brasil, ou será pelo menos mais digno furtar-se a fazer coro à farsa.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Dia Mundial de Luta Contra a AIDS será comemorado na Assembleia Legislativa


O Dia Mundial de Luta Contra a AIDS será comemorado na Assembleia Legislativa em Audiência Pública promovida pela Comissão Especial de Promoção da Igualdade (CEPI), presidida pelo deputado estadual Bira Corôa. O evento debaterá diversos assuntos relacionados ao tema visando à qualidade de vida dos soropositivos da Bahia. A audiência ocorrerá no dia 30 de Novembro, às 10h, na sala das Comissões Herculano Menezes. Foram convidados para participarem da mesa de debates do evento proposto pela Ong Gapa-Ba - Grupo de Apoio a Prevenção a AIDS da Bahia, Jorge Solla – Secretário Estadual de Saúde, Maricélia Macedo – Coordenadora da Coordenação Estadual de DST-AIDS da SESAB, Maria Socorro – Coordenadora da Coordenação Municipal de DST-AIDS da SESAB, Dr. Rogério Queiroz – Ministério Público Estadual da Bahia, Regina Lasmar - Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS – Núcleo Bahia e Gladys Almeida – Coordenadora do Gapa da Bahia.

Governo dos EUA apoiará projetos

Rio - O Governo dos Estados Unidos, por meio do Consulado Geral americano no Rio, em parceria com a BrazilFoundation e apoio do Governo brasileiro, por intermédio da SEPPIR, lançou nesta segunda-feira (29/11), no Rio, o edital para a seleção de projetos sociais que serão apoiados pelo Plano de Ação conjunto Brasil-Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica – JAPER.

Poderão disputar o financiamento de até R$ 25 mil do Governo dos EUA, organizações da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, com foco na promoção da igualdade racial e étnica, através da educação e da cultura. Três áreas principais serão contempladas: a educação voltada a inclusão racial, o acesso à Justiça e a promoção da equidade étnica e racial na mídia.

O Cônsul Geral dos EUA no Rio, Dennis Hearne, e a Conselheira para Assuntos de Imprensa, Educação e Cultura da Embaixada dos EUA em Brasília, Adele Ruppe, participaram do lançamento do Edital, além de representantes da SEPPIR.

Embora apareça como apoiador, o Governo brasileiro, por meio da SEPPIR, não participa com dinheiro.

Veja, na íntegra, o Edital lançado pelo Consulado americano e conheça os detalhes do Processo Seletivo

EDITAL

Processo Seletivo

I.Apresentação

Os Governos dos Estados Unidos e do Brasil, por intermédio do Plano de Ação Conjunto entre o Brasil e os Estados Unidos - JAPER e a BrazilFoundation, convidam organizações da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, a apresentarem propostas para projetos sociais que serão apoiados de acordo com as normas deste Edital.

Linhas de apoio:

Este Edital tem como foco apoiar projetos voltados à promoção da igualdade racial e étnica, através de educação e cultura, em três áreas principais:

1. Educação voltada à promoção da igualdade racial;
2. Acesso à justiça;
3. Promoção da equidade étnica e racial na mídia.

Prazo para envio de propostas:

30 de novembro de 2010 a 31 de janeiro de 2011. A data de postagem no correio será considerada como comprovante.

Financiamento: Até R$25.000,00, para projetos com duração de 1 (um) ano.
O Plano de Ação Conjunto entre o Brasil e os Estados Unidos - JAPER, assinado em março de 2008, está compromissado com a colaboração profunda e contínua entre os dois governos a fim de eliminar a discriminação racial e étnica e promover a igualdade de oportunidades em ambos os países.

II. Objetivos:

Os projetos poderão ter como objetivos:
• Promoção de acesso de universitários formados a educação complementar em direitos humanos, aperfeiçoamento do idioma inglês, desenvolvimento de capacidades e talentos para liderança, e / ou oportunidades de estágios.
• Desenvolvimento de programas de capacitação para gestores sociais brasileiros em direitos humanos e direito civil internacional e doméstico.
• Execução de programas de prevenção a violência, para jovens em situação de risco social, através de iniciativas culturais e artísticas.
• Criação de oportunidades para jovens em situação de risco social de estágios em ONGs brasileiras envolvidas na promoção da equidade racial.
• Iniciativas que apoiem as estratégias de acesso à justiça das ONGs brasileiras.
• Intercâmbio das melhores práticas para a promoção de equidade étnica e racial na mídia.
• Sempre que possível os projetos também deverão promover a articulação entre líderes e organizações da sociedade civil do Brasil e Estados Unidos, visando integração e o intercâmbio de melhores práticas entre os dois países.

III. Processo de seleção:

O processo de seleção está aberto a todas as organizações de direito privado sem fins lucrativos, de todas as regiões do Brasil, cujas propostas atendam aos critérios abaixo.
1. Critérios gerais de seleção:
• Instituições que possuam no mínimo dois anos de formatação legal e experiência de trabalho.
• Legitimidade da instituição em sua área de atuação.
• Comprovada capacidade técnica e operacional da instituição de desenvolver o projeto proposto e exemplos de projetos semelhantes descritos no formulário de proposta.
• Alinhamento da proposta apresentada com a missão da instituição proponente.
• Adequação da intervenção social proposta às necessidades impostas pela realidade social da comunidade ou público diretamente beneficiado.
• Apresentação de abordagens diferenciadas em relação a outras iniciativas da mesma área de atuação em seu estado ou região.
• Implantação de um modelo de atuação eficaz que possa gerar mudanças sociais e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade ou do público diretamente beneficiado.

2. Comitê de Seleção:

Os projetos finalistas serão avaliados pelo Comitê de Seleção composto por 2 (dois) oficiais do Governo dos Estados Unidos e (2) dois oficiais do Governo brasileiro, através de um (1) representante do Ministério das Relações Exteriores - MRE e um (1) representante da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR.

3. Poderão participar:

Pessoas jurídicas, não-governamentais, de direito privado e sem fins lucrativos, políticos ou religiosos.

4. Não poderão participar:

• Pessoas físicas;
• Partidos Políticos e Igrejas;
• Instituições cujo projeto tenha objetivos político-partidários ou religiosos;
• Instituições do Sistema "S" (SENAI, SESI, SESC, SESI, SEBRAE), que podem, porém, ser parceiras do projeto ou da instituição proponente;
• Universidades e autarquias, que podem, porém, ser parceiras do projeto ou da instituição proponente.

5. Financiamento:

• O JAPER oferece apoio financeiro de até R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) durante um ano. O repasse dos recursos será feito em três parcelas: a primeira após a assinatura do contrato, a segunda seis meses após a aprovação do primeiro relatório e a última após a aprovação do segundo relatório.
• Os orçamentos deverão ser discriminados na planilha anexa ao Formulário.
• NÃO serão aceitas propostas com orçamentos preenchidos em outro modelo de planilha; contudo, detalhamentos em planilhas auxiliares poderão ser acrescentados, caso seja julgado necessário.
• O valor solicitado ao JAPER não poderá ultrapassar R$ 25.000,00 podendo o orçamento total do projeto contar com contrapartidas próprias e de outros parceiros.
• Os projetos deverão ser executados em 12 (doze) meses, a partir da data de assinatura do contrato.
• As organizações apoiadas deverão apresentar dois relatórios semestrais de atividades, acompanhados de prestação de contas do desenvolvimento do seu projeto.

IV. Inscrição:

A inscrição será feita através do envio pelo correio do Formulário de Inscrição e Planilha de Solicitação de Recursos.
O Formulário de Inscrição e a Planilha de Solicitação de Recursos deverão ser preenchidos integralmente e exclusivamente dentro do modelo fornecido pelo JAPER, e disponíveis nos links abaixo:
> Clique aqui para fazer o download do "FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO" (formato Word)
> Clique aqui para fazer o download da "PLANILHA DE SOLICITAÇÃO DE RECURSOS" (formato Excel)
Os formulários preenchidos devem ser obrigatoriamente acompanhados de:

• Cópia dos arquivos em CD-ROM devidamente identificado;

• Cópias simples de:
1. Estatuto e CNPJ da instituição;
2. Ata de Fundação ou da última Assembléia da instituição (enviar o documento que for mais recente);
3. Currículo resumido do responsável pelo projeto;
4. O nome do responsável pela instituição, constante na Ata mais recente, deverá ser o mesmo que constar do Formulário de Inscrição.

ATENÇÃO:
O NÃO ENVIO DE QUALQUER UM DESSES ITENS IMPLICARÁ NA ELIMINAÇÃO DA INSTITUIÇÃO DO PROCESSO DE SELEÇÃO.

O formulário e a planilha deverão ser enviados IMPRESSOS, para o endereço abaixo.

BrazilFoundation
JAPER - SELEÇÃO DE PROJETOS
Avenida Calógeras, 15 - Cobertura
Centro - Rio de Janeiro/RJ
CEP: 20030-070

Não serão aceitos projetos enviados por correio eletrônico (e-mail) ou fax.

V. Prazos:

• O prazo de envio é de 30 de novembro de 2010 a 31 de janeiro de 2011.
• Os projetos enviados fora do período estabelecido serão eliminados do processo de seleção. A data de postagem no correio será considerada como comprovante.
• Nenhum material enviado será devolvido ao término do processo de seleção. NÃO ENVIE

DOCUMENTOS ORIGINAIS.
• Divulgação dos projetos pré selecionados no site da BrazilFoundation: 11 de abril de 2011;
• Assinatura do contrato e repasse da primeira parcela dos recursos: primeira semana de julho de 2011.
O Plano de Ação Conjunto entre o Brasil e os Estados Unidos - JAPER reconhece que os dois países são democracias multiétnicas e multirraciais, cujos laços de amizade são fortalecidos através de experiências participativas. Ambos os países reconhecem e celebram as ricas contribuições de afro descendentes e populações indígenas nas estruturas de suas sociedades.
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, juntamente com Governo brasileiro através do Ministério das Relações Exteriores - MRE e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR, e a BrazilFoundation, são parceiros nesta iniciativa do JAPER.
A BrazilFoundation, desde a sua fundação em 2001, através de seus programas de Seleção Anual, Monitoramento e Avaliação, apoiou financeira e tecnicamente 208 projetos sociais em 24 estados brasileiros nas áreas de Educação, Saúde, Direitos Humanos, Cidadania, e Cultura. Um grande número destes projetos abrange a eqüidade étnica e racial como área temática transversal, oferecendo soluções inovadoras e diferenciadas para os desafios enfrentados por suas comunidades, apresentando assim potencial de transformar a realidade social brasileira.

Fonte: http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?id=2444

Marcelo Freixo: Não haverá vencedores

Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública do Rio terá de passar pela garantia dos direitos dos cidadãos da favela

Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.

Por Marcelo Freixo*

Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida.

Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa.

As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro.

O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores.

Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.

Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz.
Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.
Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas?

É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.

Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza - onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna "guerra" entre o bem e o mal.

Como o "inimigo" mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da "guerra", enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual.

É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.

O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.

Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fábrica, na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente -com as suas comunidades tornadas em praças de "guerra"- não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz.

Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário...

*Deputado estadual (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Artigo extraído do jornal Folha de São Paulo, domingo (28)

domingo, 28 de novembro de 2010

O papel do Coletivo de entidades Negras (CEN) no processo de Regularização Fundiária dos Terreiros de Salvador

A demolição do Oyá Onipó Neto em Salvador no dia 27 de fevereiro de 2008 deixou profundas marcas nas comunidades de terreiros de todo o Brasil. O fato em si causou muita comoção e também a unidade nacional entre religiosos de matrizes africanas.
O fato teve do Coletivo de Entidades Negras (CEN) uma atenção especial sendo que devido a gravidade dos fatos, fiz greve de fome durante quase uma semana em protesto à ação arbitrária ocasionada por prepostos da prefeitura de Salvador.
Ainda em meio à comoção geral e a Audiência Pública na Assembléia Legislativa solicitada pela Comissão especial de Promoção da Igualdade (CEPI), foi criada uma frente em defesa do Terreiro e algumas exigências foram postas. Sendo elas abaixo enumeradas:
1. Pedido de desculpas formal do Prefeito de Salvador e a garantia de que atos como aquele não mais aconteceria com qualquer outro templo religioso de Salvador de qualquer religião que fosse;

2. Reforma do Terreiro Oyá Onipó Neto e a garantia da permanência do mesmo no local;

3. Encaminhamento de um Projeto de Lei a Câmara de Vereadores que garantisse a Regularização fundiária de todos os terreiros de Salvador;

As duas primeiras exigências foram cumpridas quase que de maneira imediata, apesar da certeza de que o prejuízo religioso nunca foi e não será reparado, mas a referente à Regularização Fundiária dos Terreiros de Candomblé foi encaminhada para Câmara de Vereadores através de um Projeto de Lei para apreciação dos vereadores para alteração da Lei Orgânica do Município.

A proposta inicial de emenda a Lei Orgânica que foi enviada à Casa Legislativa pelo Poder Executivo desapareceu e após denúncias a mesma voltou à pauta. O projeto inicial previa originalmente a regularização fundiária apenas para os terrenos ocupados por terreiros de candomblé, mas os vereadores da bancada evangélica pressionaram para que o projeto fosse alterado, de modo a beneficiar também outras denominações religiosas, o que inicialmente gerou resistência por parte dos religiosos de matrizes africanas, haja visto que temos a especificidade de todo o tipo de perseguição religiosa na nossa história, mas como lutamos contra todo e qualquer tipo de intolerância religiosa, por fim acatamos a resolução, apesar de pontuarmos o princípio de reciprocidade.
Salientamos que o projeto de regularização fundiária dos terreiros foi concebido a partir da luta do CEN e de outras entidades do movimento social negro como forma de REPARAÇÂO aos estragos causados a todos os religiosos de matrizes africanas através da demolição do Oyá Onipo Neto e como forma de minimizar o impacto negativo produzido pela atitude intempestiva da ex-secretária municipal de Planejamento, Kátia Carmelo, que comandou a derrubada do templo da Boca do Rio, num ato de intolerância religiosa que repercutiu em todo o país.
O texto de nº 01/09 que altera o art. 14 da Lei Orgânica do Município estendeu os benefícios relacionados à regularização fundiária dos terreiros a outras religiões. Além disso, determina que os terreiros terão que se adequar ao que manda a Lei 7216/07 (que trata do Patrimônio Histórico e Cultural Africano e Afro-brasileiro) para ter acesso ao benefício gerando assim um efeito contrário aos religiosos de matrizes africanas, uma vez que nós, religiosos de matrizes africanas construímos todo este processo e ainda assim somos os únicos a ter que dar provas quanto a nossa pertença religiosa para sermos contemplados, garantia esta que nenhuma outra denominação necessitará dar.
Após muito trololó no dia 21 de dezembro de 2009 foi aprovado em primeira instância na Câmara Municipal o projeto de regularização fundiária dos templos religiosos ficando a votação em segundo turno para ser apreciada no início deste ano, fato este que não aconteceu. Sendo que somente agora, no dia 17 de novembro, próximo a data comemorativa do Dia da Consciência Negra (20 de novembro) é que foi votado em segundo turno e aprovado por unanimidade o Projeto de Regularização Fundiária dos Templos Religiosos.
Os benefícios desta Lei para os Terreiros de Candomblé esta no fato de um avanço significativo na luta do povo de santo.
A regularização fundiária concede o título de posse aos proprietários de todos os templos religiosos de Salvador que ainda não o possuem, estima-se, no que diz respeito aos terreiros de candomblé, um total aproximado de 480 templos, e conseqüentemente garante a isenção de impostos e finalmente a certeza de que atos de intolerância religiosa como o do Oyá Onipó Neto não mais acontecerão iniciando assim um novo momento na história de conquistas dos religiosos de matrizes africanas.
Nós, religiosos de matrizes africanas da cidade de Salvador e com o auxílio dos candomblecistas de todo o Brasil e de outros países do mundo marcamos mais uma vez o nosso nome nas lutas políticas da cidade e de quebra trouxemos benefícios para todas as demais religiões. Cabe agora perguntar a eles quais são as disposições para construir processos baseados em respeito à diversidade religiosa e de parceria na busca cotidiana de um mundo melhor, o que certamente é o desejo de toda e qualquer religião seguindo qualquer que seja o princípio fundamental da criação.

Marcos Rezende
Coordenador Geral do CEN
Ogan confirmado para Ewá do Ilê Axé Oxumarê e Historiador

Participe do Seminário Internacional Quilombos das Américas


Entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro, em Salvador/BA, acontecerá o Seminário de lançamento do projeto “Quilombos das Américas”, que visa atingir negros que têm convivido historicamente com uma situação de extrema exclusão socioeconômica. O objetivo é preservar não apenas os seres humanos, mas também o riquíssimo acervo cultural por eles construído e as identidades desses povos. Criando-se uma rede de políticas públicas, tem-se em vista a promoção da soberania alimentar e a ampliação do acesso aos direitos econômicos, sociais e culturais.

O evento é uma realização da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), por meio do seu Centro Nacional de Pesquisa em Hortaliças (CNPH), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), por sua Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), através da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (DEINT). Conta também com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), da Secretaria Geral Ibero-americana (SEGIB), Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM).

O Projeto tem como referência a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Declaração de Durban e o Plano de Ação da III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, Durban, de 2001; os instrumentos que balizam a efetivação dos direitos territoriais das comunidades afro-rurais em seus países; o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PDHESC); a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil (LOSAN), e os Objetivos do Milênio, estabelecidos na Declaração do Milênio das Nações Unidas.

O “Quilombos das Américas” além de objetivar o acesso a direitos, especialmente no que se refere à educação, a promoção da soberania alimentar por meio da valorização das práticas alimentares e estratégias de produção baseadas no manejo sustentável dos recursos ambientais, também pretende construir uma rede de articulação de políticas públicas e cooperação entre as comunidades afro-rurais do Brasil, Equador, Colômbia e Panamá. As pesquisas nessas comunidades serão realizadas na América Latina e no Caribe.

A abertura do Seminário ocorrerá no dia 30 de novembro, às 18h, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Faculdade de Medicina, localizada no Anfiteatro Prof° Alfredo Thomé Britto, Largo do Terreiro de Jesus no Pelourinho, em Salvador, Bahia.

Os painéis e debates acontecerão nos dias 1º e 2 de dezembro, no Gran Hotel Stella Maris Resort & Conventions, sito à Praça Stella Maris, 200, Stella Maris, também em Salvador.

Saiba mais aqui.

Centro de Cultura Popular traz histórias do negro no Maranhão

Arany Santana receberá título de cidadã soteropolitana


Nascida em Amargosa, a gestora, professora, atriz, fundadora do Ilê-Aiyê, ex-secretária municipal da Reparação e atual secretária do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do Estado, Arany Santana vai aumentando a sua coleção de títulos, troféus e méritos. Na próxima terça-feira, 30 de novembro, às 19h, ela receberá da Câmara Municipal de Salvador, a denominação honorífica de cidadã soteropolitana, em concorrida solenidade que contará com a presença de autoridades, políticos, intelectuais, artistas, além da comunidade do Ilê-Aiyê e de povos de santo.

Para comemorar com Arany sua nova condição de soteropolitana, garantiram presença ao evento o ministro chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araújo, o secretário estadual da Cultura, Márcio Meireles, os deputados Valmir Assunção e Luis Alberto, Jaime Sodré, Godi, Lazzo Matumbi e Margareth Menezes, entre outros.

Biografia

Licenciada em Letras pela UFBa, Arany Santana reúne em seu currículum várias profissões e atividades. Educadora, atriz e gestora, teve importância fundamental na fundação do Movimento Negro Unificado, em 1978.

Estreou a pasta de secretária municipal de Reparação, órgão criado em Salvador em 2003. Sua militância tem início no município de Amargosa, cidade onde nasceu, no interior da Bahia.Especialista em Língua e Cultura Kikóongo e em História da África, formou-se também em teatro pela UFBA. Entre os trabalhos que realizou como gestora, Arany coordenou, durante dois anos, os Centros Sociais Urbanos do Estado da Bahia da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes). Foi assessora especial da Secretaria do Trabalho, Assistência Social e Esporte, coordenadora pedagógica do projeto IMEJA-SMEC “A Arte na Centralidade do Currículo” e professora do Seminário Temático “Diversidade Cultural” pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB) para o Curso de Pedagogia para formação dos professores da Rede Municipal de Ensino.

Ensinou Português e Cultura no Ensino Médio da Rede Estadual de Ensino. Também coordenou o Projeto de Educação e Cultura do Grupo de Capoeira Kilombolas.

Assessorou a Secretaria de Educação do Estado da Bahia em Assuntos Afro, coordenou as ações afro-baianas no Intercâmbio Bahia/Benin-África e foi conselheira representante da Secretaria da Educação do Estado da Bahia no Conselho para o Desenvolvimento da Comunidade Negra – CDCN (1991/1995) e Conselheira, Consultora e Arte – Educadora do Centro de Referência para a Infância e Adolescência – CRIA (desde 1994).

Atuou como consultora do PANGEA para ações de valorização e preservação do Parque São Bartolomeu (1999/2000) e como consultora e educadora da Escola Oficina de Salvador – Projeto de Restauração da Faculdade de Medicina da Bahia (1998/2000). Foi assessora de ensino da Secretaria Municipal de Educação (1989/1990, 1996/1998).

Foi coordenadora pedagógica do Projeto de Arte e Cultura das Escolas Municipais do Bairro da Liberdade – “Escola, cadê a sua história, professora do Programa de Extensão de Educação de Jovens e Adultos da Rede Estadual de Ensino (desde 1997) e técnica de Gerência de Currículo da SEC (1995/1997).

Diretora de Cultura e Arte do Ilê Aiyê desde 1983, Arany coordena a publicação Cadernos de Educação do Ilê Aiyê, vem formando os professores do Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê (desde 1996). Também trabalha como coordenadora Pedagógica da Escola Comunitária “Mãe Hilda”, mantida pelo Ilê Aiyê desde 1988.Pesquisadora dos temas de Carnaval do Ilê Aiyê desde 1985, também organiza e apresenta o Concurso da Beleza Negra do Ilê Aiyê.


Cine, TV e Teatro

No currículo de Arany ainda estão atuações como atriz em filmes de cineastas importantes na história do cinema brasileiro, como no “A Idade da Terra”, de Glauber Rocha, “Jardim das Folhas Sagradas”, de Pola Ribeiro, “A Guerra de Canudos”, de Sérgio Rezende e o mais recente, com previsão de estréia ainda este ano, “Capitães de Areia”, de Cecília Amado.

Arany participou de 18 espetáculos teatrais em Salvador, a exemplo de Baile Pastoril, Cordel Vida e Verso e Castro Alves. Em televisão apresentou, em 88 e 90, o programa de televisão Beleza Black, na TV Itapoan e trabalhou na minissérie Mãe de Santo da Rede Manchete.

No teatro encenou dezoito espetáculos em Salvador, entre eles, Baile Pastoril, Cordel Vida e Verso e Castro Alves.


Prêmios

Entre os prêmios de reconhecimento do seu trabalho Arani recebeu o diploma “Destaque Mulher” (1998 e 2002) da Assembléia Legislativa do Estado, pela atuação nas áreas educacional e artística e no trabalho de preservação e divulgação da cultura negra, o Troféu UJAAMA – Mulher Destaque/ 97 - promovido pelo Olodum - pelos trabalhos realizados na área da cultura e do conhecimento; o Prêmio Itaú – UNICEF pelo Projeto Pedagógico do Ilê Aiyê – 1996 (3º Melhor Projeto do Brasil).

Em 1995, também foi agraciada com o Troféu “Clementina de Jesus”, realizado pela UNEGRO, pelos trabalhos realizados em prol da Comunidade Negra, e, em 2004 recebeu a Medalha 2 de Julho da Prefeitura Municipal de Salvador.

Publicou Diretrizes Curriculares para o Ensino da Educação Artística na Rede Estadual de Ensino, em 1980, e Cronologia dos Reinos Africanos da Costa dos Escravos, em 1988.


Fonte: Correio Nagô


sábado, 27 de novembro de 2010

Moda Afro

Bira Coroa formaliza interesse de concorrer à Prefeitura de Camaçari em 2012


No atual cenário de indecisão e indefinição quanto ao nome que o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), vai apoiar para concorrer a sucessão da Prefeitura de Camaçari , uma nova possibilidade surge. Em entrevista ao site Nossa Metrópole, o deputado estadual reeleito nas eleições deste ano, Bira Côroa (PT), revelou que já formalizou pedido para concorrer às eleições municipais em 2012, pela prefeitura de Camaçari.

O nome de Bira Corôa para a sucessão municipal será avaliado pelo diretório do Partido dos Trabalhadores em Camaçari, de onde partirá a decisão final. Ele já manifestou seu interesse publicamente, mas ressalta: “Sou defensor do processo democrático e por isso vou respeitar e apoiar a decisão do meu partido”, inclui.

Representando a situação, os nomes do secretário de Administração, Ademar Delgado; do secretário de Desenvolvimento Urbano, José Cupertino; e o presidente do Diretório Municipal do PT, Fabio Pereira, são cogitados como possíveis sucessores de Caetano.

Tentando evitar falar do assunto, o prefeito Luiz Caetano (PT) mencionou que não tem preferido e que as discursões sobre as eleições 2012 só vão começar no próximo ano. “Será uma decisão do grupo do PT. O que posso adiantar é que tem que ser alguém que conheça e defenda nosso projeto”, disse Luiz Caetano.

A base oposicionista também estuda vários nomes, mas ainda não decidiu por um candidato. Apenas adianta que um nome será indicado e os demais interessados vão apoiá-lo com o intuito de juntar forças políticas para enfrentar o candidato apoiado por Caetano. Entres possíveis candidatos estão: Maurício Bacelar, presidente municipal do PTN; Tereza Giffoni (PSDB), vice-prefeita; Ferreira Ottomar (PMDB), ex-deputado estadual; e Elinaldo (DEM), vereador.

Redação Nossa Metrópole

Lançamento da cartilha lotou o auditório do MP

No lançamento da cartilha de cotas raciais, evento que lotou o auditório do Ministério Público do Estado, o professor Jorge Portugal, um dos palestrantes, sugeriu que o instrumento que servirá de suporte principalmente para a classe estudantil,seja reproduzido maciçamente. “Temos que fazer desta cartilha um manual de construção do futuro”, ressaltou o educador.

De acordo com o secretário da Reparação, Ailton Ferreira, a cartilha é muito didática, e vai perfeitamente atingir o objetivo que é esclarecer e agregar conhecimento aos estudantes afrodescendentes, quanto aos seus direitos, enquanto for necessário brigar para conquistá-los. “O sistema de cotas não é política de coitadinho, é o veículo utilizado para podermos equilibrar. Assim como as cotas, aSecretaria também tem um prazo para existir. Quando não precisarmos mais de reparação, não fará sentido termos uma secretaria para esse fim”.

Para o subsecretário da Reparação Edmilson Sales, a cartilha tem significado muito importante, pois impede que a juventude tome caminhos sem volta. “Essa cartilha vai evitar que nossos jovens sejam jogados no ‘Navio Negreiro’ de Mata Escura –o gestor se refere à Penitenciária Lemos de Brito – e vai livrar também muitos pais de famílias de buscarem seus filhos no ‘Navio Negreiro’ do Nina Rodrigues. Queremos com esta cartilha que as mães em vez do atestado de óbito, busquem na companhia dos filhos busquem o diploma numa universidade pública”, concluiu Sales.

Conforme o promotor de Justiça, Almiro Sena, que também proferiu palestra no evento ocorrido na tarde da última quinta-feira, o manual que esclarece todos os questionamentos que permeiam o sistema de cotas, intensamente criticado por diversos segmentos, significa para todos nós o essencial das ações afirmativas.“Reitero as palavras do secretário, agora, vocês terão subsídios para argumentar, esta cartilha é um complemento para o entendimento mais profundo”, assinalou o promotor.

Fonte: SEMUR

Vicentinho lança balão de ensaio para assumir a SEPPIR


Mesmo admitindo não ter sido convidado, nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem pela presidente eleita Dilma Rousseff, o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, se auto-lançou para assumir o cargo de ministro chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade (SEPPIR), na sucessão do atual ministro, Elói Ferreira de Araújo.

“Ninguém falou comigo. Todo mundo comenta isso, inclusive na Câmara, mas ninguém me procurou. Eu me sinto honrado por ser lembrado e vou ajudar a presidente Dilma de qualquer maneira seja como deputado ou como ministro”, disse nesta sexta-feira (26/11) durante entrevista à Rádio ABC, ao repórter Leandro Amaral, do Diário on line, do ABC.

O balão de ensaio de Vicentinho – uma maneira incomum de políticos assumirem que disputam cargos no primeiro escalão do Governo – seria uma forma de colocar o PT na disputa pela SEPPIR com um nome de S. Paulo. Até agora, os nomes mais ventilados tem sido os do ex-ministro Edson Santos, do próprio ministro Elói Ferreira de Araújo – que teria planos de permanecer – do Secretário de Ações Afirmativas, Martvs Chagas e do Secretário-Adjunto, João Carlos Nogueira.

Os dois primeiros nomes são do Rio. Martvs é de Minas, e Nogueira, de Santa Cataria – todos do PT.

O PC do B aposta suas fichas no nome da vereadora de Salvador, Olívia Santana, mas também contaria com um nome de expressão em S. Paulo, a cantora e deputada estadual eleita, Leci Brandão.

Mantendo a imunidade

O auto-lançamento de Vicentinho faria parte da estratégia de lideranças negras de S. Paulo que perderam poder desde a queda da ex-ministra Matilde Ribeiro, de recuperar influência na SEPPIR.

Também atenderia a estratégia do PT paulista de garantir o retorno de José Genoíno à Câmara. Genoíno, é um dos acusados do mensalão e, sem mandato, perde a imunidade parlamentar. Com a ida de Vicentinho para a SEPPIR, como primeiro suplente, Genoíno não correria esse risco porque manteria o mandato.

Para assumir a SEPPIR, além de garantir o retorno do grupo de petistas negros de S. Paulo, no ostracismo após a saída de Matilde, Vicentinho, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e ex-presidente da CUT, conta com o fato de ser amigo pessoal e um dos parlamentares mais próximos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi reeleito em outubro com 141.068 votos.



Comandante da PM pede que moradores do Complexo do Alemão fiquem em casa

O comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, deu um ultimato aos traficantes do Complexo do Alemão para que se entreguem e baixem as armas.

Por volta do meio-dia deste sábado, o coordenador da ONG Afroreggae, José Júnior, chegou ao Complexo do Alemão com mais cinco pessoas, sem dizer o que foi fazer no local. Há informações ainda não confirmadas de que ele teria ido ao morro negociar a rendição de traficantes. José Júnior subiu o Alemão sem o acompanhamento de policiais.

De acordo com o comandante da PM, a polícia não voltará atrás na operação e tem equipamentos suficientes para entrar no Complexo do Alemão para tomar o território. Mário Sérgio alertou os moradores da área: pediu que eles não saiam de casa e procurem se abrigar no momento em que a polícia entrar na comunidade.

"A população de bem, nós queremos protegê-los, sem causar danos. Pedimos para a população se manter abrigada e não sair nas ruas. Quem transitar nas ruas e vielas vai ficar sob o risco de fogo", disse o comandante.

De acordo com o balanço divulgado pela PM, desde o início da semana, 74 pessoas foram presas, 123 detidas e 35 mortas. Foram apreendidos 46 revólveres e 11 fuzis.

Mulher presa com 30 mil dólares na mochila
Uma mulher ainda não identificada foi presa pelos militares do Exército - que revistam todos os pedestres que deixam o Complexo do Alemão - com cerca de US$ 30 mil na mochila. O dinheiro e a mulher foram entregues à Polícia Militar e encaminhados à delegacia. Os militares também revistam carros e até crianças. No momento, não há confrontos na região. O comércio na Penha está aberto, e o clima é de aparente tranquilidade. No início da manhã, traficantes trocaram tiros com militares. Segundo imagens divulgadas pela TV Globo, o tiroteio ocorreu na Avenida Itararé, em Ramos.

Os primeiros Terreiros de Camdomblé

A instituição de confrarias religiosas, sob a égide da Igreja Católica, separava as etnias africanas. Os pretos de Angola formavam a Venerável Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora das Portas do Carmo, fundada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Pelourinho. Os daomeanos (gêges) reuniam-se sob a devoção de Nosso Senhor Bom Jesus das Necessidades e Redenção dos Homens Pretos, na Capela do Corpo Santo, na Cidade Baixa. Os nagôs, cuja maioria pertencia à nação Kêto, formavam duas irmandades: uma de mulheres, a de Nossa Senhora da Boa Morte; outra reservada aos homens, a de Nosso Senhor dos Martírios.
Essa separação por etnias completava o que já havia esboçado a instituição dos batuques do século precedente e permitia aos escravos, libertos ou não, assim reagrupados, praticar juntos novamente, em locais situados fora das igrejas, o culto de seus deuses africanos.
Várias mulheres enérgicas e voluntariosas, originárias de Kêto, antigas escravas libertas, pertencentes à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte da Igreja da Barroquinha, teriam tomado a iniciativa de criar um terreiro de candomblé chamado Iyá Omi Àse Aira Intilè, numa casa situada na Ladeira do Berquo, hoje Rua Visconde de Itaparica, próxima à Igreja da Barroquinha.
As versões sobre o assunto são numerosas e variam bastante quando relatam as diversas peripécias que acompanharam essa realização. Os nomes dessas mulheres são eles mesmos controversos. Duas delas chamadas Iyalussô Danadana e Iyanassô Akalá, segundo uns, e Iyanassô Oká, segundo outros, auxiliadas por um certo Babá Assiká, saudado como Essá Assiká no padê do qual falaremos mais tarde, teriam sido as fundadoras do terreiro de Ase Aira Intilè. Iyalussô Danadana, segundo consta, regressou à África e lá morreu. Iyanassô teria, pelo seu lado viajado a Kêto, acompanhada por Marcelina da Silva. Não se sabe exatamente se esta era sua filha de sangue, ou filha espiritual, isto é, iniciada por ela no culto dos orixás, ou ainda, se se tratava de uma prima sua. As opiniões sobre o assunto são controversas e tornamse obejto de eruditas discussões, estando porém todos de acordo em declarar que seu nome de iniciada era Obatossí.
Marcelina-Obatossí fez-se acompanhar nessa viagem por sua filha Madalena. Após sete anos de permanência em Kêto, o pequeno grupo voltou acrescido de duas crianças que Madalena tivera na África, e grávida de uma terceira, Claudiana, que será por sua vez mãe de Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora, Oxum Miua, da qual tive a insigne honra de tornar-me filho espiritual.
Ianassô e Obatossí trouxeram de Kêto, além dessas filhas e netas, um africano chamado Bangboxé, que recebeu na Bahia o nome de Rodolfo Martins de Andrade, e, no padê ao qual me referi acima, é saudado como Essá Obitikô.
O terreiro situado, quando de sua fundação, por trás da Barroquinha mudou-se por diversas vezes e, após haver passado pelo Calabar na Baixa de São Lourenço, instalou-se sob o nome de Ilê Iyanassô na Avenida Vasco da Gama, onde ainda hoje se encontra, sendo familiarmente chamado de Casa Branca do Engenho Velho, e no qual Marcelina-Obatossí tornou-se a mãe-de-santo após a morte de Iyanassô.
Verifica-se ligeira divergência na versão dada por Dona Menininha relativa às origens dos terreiros provenientes da Barroquinha. O nome de Iyalussô Danadana não é mencionado. A primeira mãe-de-santo teria sido Iyá Akalá (distinta de Iyanassô), que, tendo regressado à África, aí mesmo veio a falecer. A segunda mãe-de-santo teria sido Iyanassô Oká (e não Akalá).
Não se sabe com precisão a data de todos esses acontecimentos, pois, no início do século XIX, a religião católica era ainda a única autorizada. As reuniões de protestantes eram toleradas só para os estrangeiros; o islamismo, que provocara uma série de revoltas de escravos entre 1808 e 1835, era formalmente proibido e perseguido com extremo rigor; os cultos aos deuses africanos eram ignorados e passavam por práticas supersticiosas. Tais cultos tinham um caráter clandestino e as pessoas que neles tomavam parte eram perseguidas pelas autoridades.
Por volta de 1826, a polícia da Bahia havia, no decorrer de buscas efetuadas com o objetivo de prevenir possíveis levantes de africanos, escravos ou livres, na cidade ou nas redondezas, recolhido atabaques, espanta-moscas e outros objetos que pareciam mais adequados ao candomblé do que a uma sangrenta revolução. Nina Rodrigues refere-se a certo quilombo, existente nas matas do Urubu, em Pirajá, “o qual se mantinha com o auxílio de uma casa de fetiche da vizinhança, chamada a Casa de Candomblé”.
Um artigo do Jornal da Bahia, de 3 de maio de 1855, faz alusão a uma reunião na casa Ilê Iyanassô: “Foram presos e colocados à disposição da polícia Cristovão Francisco Tavares, africano emancipado, Maria salomé, Joana Francisca, Leopoldina Maria da Conceição, Escolástica Maria da Conceição, crioulos livres; os escravos Rodolfo Araújo Sá Barreto, mulato; Melônio, crioulo, e as africanas Maria Tereza, Benedita, Silvana… que estavam no local chamado Engenho Velho, numa reunião que chamavam de candomblé”. É curioso encontrar nesse documento o nome, pouco comum, de Escolástica maria da Conceição, o mesmo com o qual seia batizada, trinta e cinco anos mais tarde, Dona Menininha, a famosa mãe-de-santo do Gantois, cujos pais, a essa época, sem dúvida, frequentavam ou faziam parte do terreiro de Ilê Iyanassô, onde houve essa ação policial.
Com a morte de Marcelina-Obatossí, foi Maria Júlia Figueiredo, Omonike, Iyálódé, também chamada Erelu na sociedade dos geledé, que se tornou a nova mãe-de-santo. Isso provocou serias discussões entre os membros mais antigos do terreiro de Ilê Iyanassô, tendo como consequência a criação de dois novos terreiros, originários do primeiro; Júlia Maria da Conceição Nazaré, cujo orixá era Dàda Báayànì Àjàkú, fundou um terreiro chamado Iyá Omi Àse Ìyámase, no Alto do Gantois, cuja mãe-de-santo atual, e quarta a ocupar este lugar, é Dona Escolástica Maria da Conceição nazaré, “Menininha”, a última das famosas mães-de-santo da antiga geração. Segundo Menininha, Júlia da Conceição Nazaré, fundadora do Terreiro do Gantois, teria sido a irmã-de-santo, e não filha-de-santo, de Marcelina-Obatossí. Uma personagem importante nos meios do candomblé, chamada Babá Adetá Okanledê, consagrada a Oxóssi e originária de Kêto, teria tido um papel importante quando foi criado o Terreiro do Gantois, Iyá Omi Àse Ìyámase.
Eugênia Ana Santos, Aninha Obabiyi, cujo orixá era Xangô, auxiliada por Joaquim Vieira da Silva, Obasanya, um africano vindo do Recife e saudado Essá Oburô, no Padê ao qual já fizemos alusão, fundaram outro terreiro saído do Illé Iavanassô e chamado “Centro Cruz Santa do Axê de Opô Afonjá”, que foi instalado, em 1910, em São Gonçalo do Retiro, depois do Axê ter funcionado provisoriamente no lugar denominado Camarão, no bairro do Rio Vermelho.
Sob o impulso desta grande Mãe de Santo, o novo terreiro rapidamente igualou – e talvez, mesmo, tenha ultrapassado – em reputação os outros candomblés Kétu.
Maria da Purificação Lopz, Tia Bada Olufandeí, sucedeu, em 1938, a Aninha e deixou, em 1941, o encargo do terreiro a Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora Oxunmiwá, filha espiritual de Aninha Obabiyi.
Pelo jogo complicado das filiações, Senhora era bisneta de Obatossí por laços de sangue e sua neta somente por laços espirituais da iniciação. Em outros termos, Iyanassô Akalá (ou Oká) foi, na geração anterior, ao mesmo tempo, a bisavó e a trisavó de Senhora. As coisas tornaram-se mais complicadas ainda quando Senhora recebeu, em 1952, o título honorífico de Iyanassô, dado pelo Alafin Oyó da Nigéria, por intermédio de uma carta de que tive a honra de ser o portador. Senhora, abolindo o tempo passado, graças a esta distinção, tornou-se espiritualmente a fundadora desta família de terreiros de candomblé da nação de Kétu, na Bahia, confirmando tão elevada posição em 1962, quando foi presidir, seguida de seus Ogans (onde figuravam os colaboradores desta obra, Carybé, Jorge Amado, Waldeloir Rêgo e eu mesmo), o Axexê ou cerimônia mortuária da saudosa, e mais que centenária, Mãe de Santo do Ilê Iyanassô da Casa Branca do Engenho Velho, Maximiana Maria da Conceição, Tia Massi Oinfunké.
Esta dignidade recebida da África por Senhora provocou, diga-se de passagem, comentários e rumores, os “fuxicos”que agitam e apaixonam as pessoas que pertencem a este pequeno mundo, cheio de tradição, onde as questões de etiqueta, de direitos fundamentados sobre o valor dos nascimentos espirituais, de primazias, de gradação nas formas elaboradas de saudações, de prosternações, de ajoelhamentos são observadas, discutidas e criticadas apaixonadamente; neste mundo onde o beija-mão, as curvaturas, as respeitosas inclinações de cabeça, as mãos ligeiramente balançadas em gestos abençoadores representam um papel tão minucioso e docilmente praticado como na Corte do Rei Sol. Os terreiros de candomblé são os últimos lugares onde as regras do bom tom reinam ainda soberanamente.
Após o desaparecimento da saudosa Mãe Senhora, em 1967, duas novas Mães de Santo lhe sucederam à frente do Axê Opô Afonjá. A atual Maria Estella de Azevedo Santos, Odé Kayodê, retornando a tradição de Iyanassô e de Obatossí, foi fazer uma viagem às fontes, na Nigéria e no ex-Daomé.
Após a morte de Senhora, outros terreiros foram criados, originários todos do Axê Opô Afonjá formando uma terceira geração desta família de candomblés que nasceu na Barroquinha. Citemos o Axê Opô Aganju, de Balbino Daniel de Paula, Obaraim, que viajou para África e aí participou das festas para Xangô, com perfeita naturalidade, como se sua família não houvesse deixado aquele país há várias gerações.
Existem numerosos outros terreiros que seguem o ritual Kétu, como o do Illé Mariolajê no Matatu, mais conhecido sob o nome de Alaketu, cuja Mãe de santo atual, Olga de Alaketu, já foi várias vezes à África. Citemos, ainda, o terreiro de Ilé Ogunjá, também no Matatu, do falecido Pai de Santo Procópio Xavier de Souza, Ogunjobí.
Ao lado dos terreiros Nagô-Kétu, há na Bahia os da nação Igexa. O mais digno dentre eles é o de Eduardo Igexa, ou Eduardo Antônio Mangabeira, meio-irmão de Otávio Mangabeira, que foi governador do Estado da Bahia. Durante a década de 50 ele enviou cartas redigidas em perfeito Yorubá a seu distante parente, o Rei de Igexá, que as recebeu de minhas mãos bastante emocionado. Os terreiros Gegê, onde se praticava o culto dos Voduns do Daomé, eram mais raros. O mais conhecido era o do Bogum, da falecida Emiliana Piedade dos Reis, à qual sucedeu a falecida Valentina Maria dos Anjos, Mãe Runhó.
Os cultos Gegê e Nagô se fundiam em terreiros como o de Oxumaré, na Rua Vasco da Gama, dos falecidos Antônio de Oxumaré, Cotinha e Simpliciana.
O ritual dos cultos de origem Bantu era inicialmente diferente das cerimônias Nagôs e Gegês. Misturaram-se, depois, tornando-se bastante próprios. A originalidade destes cultos Bantus é difícil de definir. Não se sabe se os rituais Gegê e Nagô foram ou não influenciados por escravos do Congo e de Angola, já presentes no Brasil em grande quantidade, no final do século XVII. Relações mais constantes estabeleceram-se nos séculos posteriores, entre Bahia e Pernambuco e a Costa dita dos Escravos; a maioria dos cativos desembarcados nestas duas províncias era constituída, então, pelos Gegês e Nagôs (Daomeanos e Yorubás).
Expusemos, em outras obras, as razões comerciais criadas pela presença do fumo na Bahia e em Pernambuco, razões que determinaram a afluência dos Gegês e dos Nagôs a estas duas regiões, a partir do século XVIII, e não às outras partes do Brasil, onde os Congos e Angolas continuaram a ser importados em grande proporção.
A palavra candomblé, que serve para designar, na Bahia, as religiões africanas em geral, parece ser de origem Bantu. É possível que as influências das religiões vindas destas regiões não se restringissem, apenas, ao nome dado às cerimônias, mas tivessem dado aos cultos Gegê e Nagô na Bahia uma forma diferente, em certos detalhes, destas mesmas manifestações na África.
Um estudo em separado do ritual Bantu é tarefa bastante difícil, pois seria necessário fazê-lo em diversos pontos do Brasil, em lugares onde esta influência Gegê-Nagô não se tivesse feito sentir. Na Bahia, temos que nos contentar com a presença de alguns cantos e rítmos de tambores. Seria necessário, também, localizar os termos Bantus ainda conhecidos, termos estes que os participantes de terreiros Bantus têm tendência a exprimir no seu equivalente Nagô, seja por espírito de discriminação, seja para falar numa língua compreensível aos seus interlocutores.
Existem na Bahia o terreiro Congo do falecido Manoel Bernardino da Paixão, o Bate Folha, no bairro de Beiru; o terreiro Angola da falecida Maria Neném do Tumbeuci, também no Beiru, e o de seu Filho de Santo, o falecido Manoel Ciríaco de Jesus, o Tumba Juçara, no Alto do Corrupio, hoje sob a direção da Mãe de Santo Dere.
Destaquemos, finalmente, o caso do falecido Pai de Santo João Alves de Torres, mais conhecido como Joãozinho da Goméa, que deve seu renome ao Caboclo Pedra Preta, e cujo culto, realizado à maneira africana, era dedicado aos ancestrais indígenas, Senhores desta Terra do Brasil. Iniciado no ritual Angola por Jubiabá, Joãozinho for herdeiro de uma Yansã e se orientou, cada vez mais, em direção ao ritual Nagô. Este caso nos parece típico da ascendência exercida pelo ritual Nagô sobre as religiões de etnias diferentes.
Na própria África, as religiões Bantus parecem centradas sobre uma série de devoções aos ancestrais de um grupo familiar reduzido e não sobre o culto de deuses ligados às forças da natureza. É possível que existissem estes tipos de cultos, mas, na Bahia, eles tomaram uma forma bem próxima da concepção Yorubá.
Fonte: Texto adpatado / http://ocandomble.wordpress.com/

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Exército cerca todos os acessos às favelas dos complexos da Penha e do Alemão


Equipes do Exército cercaram todas as entradas das favelas dos complexos da Penha e do Alemão. Pouco antes das 19h, policias militares fecharam os acessos à comunidade e regiões próximas em Ramos, para evitar a fuga dos bandidos. Uma base de operação deve ser montada no local. Os criminosos colocaram gelos-baianos cimentados para bloquear as vias, impedindo a entrada da polícia. No final da Rua Paranhos, bandidos hastearam uma grande bandeira vermelha, de onde atiravam contra os policiais. Pelo menos três militares e seis civis ficaram feridos, entre eles uma criança de dois anos, atingida por um tiro de fuzil no braço esquerdo, dentro de casa. Ela foi atendida no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, e liberada. O fotógrafo Paulo Whitaker, da agência de notícias Reuters, também foi baleado no ombro. O traficante apontado como um dos chefes do tráfico de drogas no Alemão morreu. Outras duas pessoas também morreram durante os confrontos na região, segundo a Polícia Civil. Em um balanço da Polícia Militar, já são 35 os mortos nos confrontos entre policiais e traficantes na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão desde segunda até esta sexta-feira.

Por volta das 22h, a rotina começou a ser restabelecida na Vila Cruzeiro, com a volta da energia elétrica, desligada desde que transformadores da favela foram incendiados. Segundo moradores, os tiros cessaram.

- Ainda bem que a luz voltou, porque muitos moradores também ficaram sem água - explicou uma moradora, referindo-se aos sistemas de fornecimento de água, que dependem da energia elétrica.

Mais cedo, o soldado e paraquedista do Exército, Walbert, foi atingido por estilhaços de granada. Um tenente do 16º BPM (Olaria), identificado apenas como Rafael, foi baleado na panturrilha. De manhã, um sargento da Polícia Militar já havia sido ferido após ser atingido na cabeça por estilhaços, na Estrada do Itararé. O traficante Thiago Ferreira Faria, o Thiaguinho G3, de 24 anos, apontado como um dos chefes do tráfico de drogas no Alemão, morreu. Já o traficante Anderson Roberto da Silva Oliveira, conhecido como Dande, que é da Mangueira e estava escondido no Complexo do Alemão, foi preso.

À noite, o fotógrafo Paulo Whitaker, da agência de notícias Reuters, foi atingido no ombro. Ele usava colete e capacete à prova de balas. O fotógrafo foi levado para o Hospital Pasteur, no Méier. Um pedestre também foi baleado no tiroteio do início da noite. Mais cedo, uma mulher baleada de raspão na barriga na Rua Paranhos em Ramos, no fim da tarde. Luiza de Moraes, 61 anos, estava em casa quando foi atingida. Levada dentro do blindado da PM para o hospital, ela está sendo operada.

Outras duas pessoas ficaram feridas por estilhaços de tiros que atingiram o ônibus da linha 492 (Engenho da Rainha-Centro), da Viação Fábios, que passava pela Estrada do Itararé, em Ramos. O motorista Carlos Augusto Aguiar Silva, de 40 anos, parou o veículo assim que percebeu o disparo. Assustado, os cerca de dez passageiros desceram. Bruna Cássia, de 20 anos, que estava com a filha de 11 meses no colo, foi ferida na perna. Ela chorou muito ao sair do ônibus, que teve o para-brisa quebrado.

O traficante Thiago Ferreira Faria, o Thiaguinho G3, de 24 anos, apontado como um dos chefes do tráfico de drogas no Complexo do Alemão, morreu nesta sexta-feira ao ser atingido por um tiro no tórax em confronto entre traficantes e policiais militares em operação na Favela da Fazendinha.


Depois de ter sido atingido, comparsas dele renderam um casal que passava em um Palio prata pelas imediações do local do conflito e ordenaram que eles o levassem ao hospital. No trajeto, o veículo foi interceptado pela PM, que levou o traficante ao Hospital Getúlio Vargas. Thiaguinho G3 não resistiu aos ferimentos e morreu antes de chegar ao hospital.

De manhã, um sargento da Polícia Militar ficou ferido após ser atingido na cabeça por estilhaços, na Estrada do Itararé, próximo ao Complexo do Alemão, na Penha, Zona Norte do Rio. Ele foi levado para o batalhão, onde recebeu um curativo e passa bem. Bandidos da favela, para onde fugiram dezenas de criminosos da Vila Cruzeiro, também fizeram diversos disparos em direção a um helicóptero da Polícia Civil que sobrevoa a comunidade. A informação é da TV Globo.

Beltrame: 'não podemos recuar'
A polícia não pode recuar nas ações de combate ao crime e, cedo ou tarde, chegará aos criminosos acusados dos ataques ocorridos no estado. Quem garante é o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que em entrevista ao Jornal Nacional, da "TV Globo", comentou sobre as ações realizadas no Rio, nos últimos dias.

Segundo ele, as ações implementadas há dois anos passaram a desenvolver no cidadão o que é mais digno no ser humano: a esperança.

- Como disse uma moradora, o Rio precisa de uma proposta concreta. E o Rio, até pouco tempo atrás, tinha ações pontuais, sem projeto de segurança pública. E agora tem um projeto. A angústia do carioca é a minha angústia. Mas temos nosso horizonte e não podemos recuar - disse o secretário.

Sobre a possibilidade de os traficantes que saíram da Vila Cruzeiro continuarem em fuga e receberem a ajuda de outros bandidos, Beltrame disse que é necessário ocupar os territórios e cedo ou tarde a polícia chegará a esses criminosos, pois quando eles saem de seus territórios ficam vulneráveis.

Soldados que estão no Alemão atuaram no Haiti
O comandante da Brigada de Infantaria Paraquedista, general Fernando Sardemberg, e o 1º Comando de Patrulhamento de Área (CPA), coronel Marcus Jardim Gonçalves, distribuiram a tropa por 44 pontos do entorno dos complexos da Penha e do Alemão. Enquanto uma equipe entrou pelo Morro da Fé, a outra fez o cerco ao Complexo do Alemão pela Rua Canitar, em Inhaúma.

Cerca de 60% dos soldados que estão no Alemão estiveram no Haiti e têm experiência em ações urbanas. Segundo o general, os homens vão atuar somente impedindo que traficantes saiam das favelas. Os militares não farão abordagem a moradores e motoristas.

Sardemberg, que já atuou no Haiti, disse que são 800 homens em 40 viaturas, entre caminhões e carros, e cinco carros de combate equipados com metralhadoras .50. O general acrescentou que a princípio as metralhadoras não serão utilizadas.

Os bandidos atiraram a esmo como forma de provocação. Eles gritaram e mostraram as armas aos Policiais Federais, que estavam na Estrada de Itararé, um dos acessos à comunidade.

Os criminosos ainda fizeram moradores descerem e subirem por uma das ruas de acesso, ao lado da Unidade de Saúde da Família, para vigiar os policiais.
Fonte: O Globo

Na videoteca de CEN: A Rocinha por A Liga

Ela pode ser considerada uma cidade, afinal, são 900 mil metros quadrados com mais de 30 mil habitantes, que dividem o espaço com agências bancárias, supermercados e todo o tipo de comércio.

Essa é a Rocinha, um lugar que nasceu favela, mas se tornou bairro (em forma de lei) com dados fascinantes. O número de desempregados é um pouco menor do que a média brasileira estimada para 2010 (7,7% contra 8%).

Saiba mais desse lugar que recebe turistas para conhecer um espaço que, além de ser a maior favela do Rio, é cheia de energia do povo que quer fazer dela um lugar ainda melhor pra viver.







Subúrbio negro, o filme



Documentário sobre a juventude do subúrbio ferroviário da Península de Itapagipe, em Salvador

A CESE e as redes juvenis do subúrbio, através do Projeto Juventude Cidadã, lançaram em junho deste ano um vídeo contando as lutas anti-racistas e socioambientais enfrentadas pela população negra local do Subúrbio Ferroviário, em Salvador. Após o lançamento e a definição do nome que teve participação e sugestão direta dos jovens da comunidade, foi eleito o nome Subúrbio Negro para intitular o documentário de 27 minutos que narra a história dessas comunidades.

“Este vídeo tem muitos significados. Além de retratar a dura realidade suburbana interpretada por seus jovens e contribuindo para o seu protagonismo, é uma peça importante de divulgação para que busquem novas parcerias”, declara o assessor de projetos da CESE, José Carlos Zanetti.

Atualmente, fazem parte do projeto 4 redes sociais, composto por algumas dezenas de grupos e movimentos sócioculturais que vivem no Subúrbio Ferroviário, dentre eles: o Movimento de Cultura Popular do Subúrbio (MCPS); o Colegiado de Cultura da CAMMPI (moradores de Itapagipe); o Fórum de Entidades do Subúrbio (FES) e a Rede de Protagonistas em Ação de Itapagipe (REPROTAI). O projeto de nome Juventude Cidadã visa fortalecer as redes em suas atividades e contribuir para que desenvolvam institucionalmente capacidades de gestão e incidência política. Esta iniciativa nasceu em 2005, em parceria com a agência holandesa Kerkininactie/ICCO.

Subúrbio Ferroviário
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a juventude brasileira é a maior vítima da violência. A Bahia e sua capital negra, Salvador, não escapam desta lógica perversa, agravada pelo racismo e a intolerância religiosa. Apesar de ser uma capital bela e culturalmente rica, a situação é particularmente grave em seus bairros populares, a exemplo do Subúrbio Ferroviário.

“Os grupos culturais que trabalham com arte-educação e com o diálogo interreligioso oferecem alternativas e esperanças para uma nova existência comprometida com novos formatos de relação gênero e raça, geração de renda e políticas públicas motivadoras de uma cultura de paz”, declara Zanetti.

Fonte: http://www.cese.org.br/index.php?prefixo=det&menu=noticia&id=133

Oficina Gratuita de Fotografia Na Lata em Salvador


Cariocas que pegam mais de um transporte têm medo da violência

Pessoas deixaram o trabalho cerca de duas horas antes do horário.
Metrô, trens e ônibus estão operando com número máximo de passageiros.

Apesar da polícia concentrar os esforços na Vila Cruzeiro e no Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, moradores de diversos bairros da cidade e da Baixada Fluminense, que precisam pegar mais de um transporte para voltar para casa, estão com medo e optaram por deixar o trabalho mais cedo, nesta sexta-feira (26).

Os motoristas que anteciparam a volta para casa e pegaram a Ponte Rio-Niterói encontraram, no fim da tarde, trânsito bastante intenso no sentido Niterói, com 7km de congestionamento, por volta de 17h15. Por volta das 20h, o tráfego permanece lento até a Praça do Pedágio.

Apesar da polícia concentrar os esforços na Vila Cruzeiro e no Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, moradores de diversos bairros da cidade e da Baixada Fluminense, que precisam pegar mais de um transporte para voltar para casa, estão com medo e optaram por deixar o trabalho mais cedo, nesta sexta-feira (26).

Os motoristas que anteciparam a volta para casa e pegaram a Ponte Rio-Niterói encontraram, no fim da tarde, trânsito bastante intenso no sentido Niterói, com 7km de congestionamento, por volta de 17h15. Por volta das 20h, o tráfego permanece lento até a Praça do Pedágio.

Novamente, um sucesso de público

A transmissão ao vivo da operação da Polícia do Rio nas favelas do Complexo do Alemão é um marco na TV brasileira. Ontem o Brasil parou para ver a sequência que a realidade produziu para a série Tropa de Elite.

Pode-se argumentar que já vimos inúmeros programas acompanharem movimentações policiais. No ônibus 174 e no caso da menina Eloá, sequestrada em Santo André pelo próprio namorado, testemunhamos crimes que aconteciam ao vivo diante das câmeras. Tínhamos comentaristas de situações de crise posicionados em estúdios auxiliando a narração.

O diferente ontem foi sentir que éramos nós mesmos que dependíamos daquele desfecho. Com a rotina da cidade completamente transformada pelos eventos, cada telespectador carioca se viu como parte da ação, em vez de simplesmente torcer por um bom ou mau desfecho na vida de terceiros - era difícil ignorar.

Uma sensação parecida com ver um jogo de Copa do Mundo. Em vez de um time representando o país, eram policiais. Em vez de gol, a vibração surgiu no momento em que dois traficantes em fuga a pé foram alvejados.

Éramos NÓS atirando, acenando com bandeiras brancas sobre lajes e nos escondendo dos tiros dentro de casa, contra ELES, que fugiam ou nos afrontavam - como ficou claro na cena em que um dos traficantes que deixavam a pé a Vila Cruzeiro apontou um fuzil na direção da câmera da Globo, em atitude desafiadora.

Em eventos anteriores, era mais nítida a noção de que éramos telespectadores protegidos. A onda de violência, de fato, mudou a rotina de todos. Não eram só as escolas municipais da região conflituosa que interrompiam suas atividades, o que sempre ocorre: empresas encerraram expediente mais cedo, e eventos de entretenimento foram cancelados. A cidade se uniu diante da TV, tentando torcer por si.

Como somos 191 milhões de comentaristas, tanto de futebol quanto de política, divergíamos do esquema, da falta de jogadas ensaiadas, da escalação. Por fim, redistribuída democraticamente e transmitida ao vivo, a fascinante violência do Rio se firmou de novo como sucesso de público.

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