quarta-feira, 30 de março de 2011

Bolsonaro quer explicar ao Conselho de Ética declaração considerada racista




Jornal da Noite
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O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) pediu sua própria convocação pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, para prestar esclarecimentos sobre suas declarações em entrevista ao programa CQC, da TV Bandeirantes, exibido na segunda-feira.

Durante o programa, em resposta à cantora Preta Gil, que perguntou ao deputado o que ele faria se seu filho se apaixonasse por uma mulher negra, Bolsonaro respondeu: “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”. O deputado afirmou em nota divulgada nesta terça-feira que entendeu errado a pergunta e achou que a artista se referia a uma relação homossexual.

"Se eu fosse racista, nunca diria isso na televisão, não sou louco. Mas não tenho qualquer problema com isso, tenho funcionários negros, minha esposa é afrodescendente, e meu sogro é mais negro que mulato", defendeu-se.

Na nota, Bolsonaro ressalta ainda que o próprio apresentador do CQC, Marcelo Tas, ao comentar a entrevista, disse que o deputado não deve ter entendido a pergunta. “Eu fiz a entrevista com um laptop e uma câmera. Se o próprio Tas ou o Gentili [Danilo Gentili, repórter do programa] estivessem lá, teriam refeito a pergunta e nada disso teria acontecido”, argumentou o deputado, lembrando que as perguntas, inclusive a de Preta Gil, foram apresentadas a ele por meio de um computador.

Representações

O deputado Edson Santos (PT-RJ), ex-ministro da Igualdade Racial, entregou nesta terça-feira ao presidente da Câmara, Marco Maia, uma representação para que a Corregedoria da Câmara avalie se o comportamento de Bolsonaro pode ser considerado quebra de decoro parlamentar. "Ele vem tomando atitudes preconceituosas contra homossexuais há muito tempo, e esse comportamento não pode ser relevado", disse.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), fará ofícios à Procuradoria-Geral da República e ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, para que Bolsonaro seja investigado por racismo.

Também o deputado Jean Wyllys (PSol-RJ), coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), disse que tomará providências contra Bolsonaro. "É por isso que precisamos aprovar o projeto que criminaliza a homofobia, porque foi o deputado se referir aos negros e todos viram o absurdo de suas ideias, mas os homossexuais são ofendidos todos os dias", defendeu. O projeto (PL 5003/01) foi aprovado pela Câmara e aguarda análise do Senado.

Bolsonaro se defendeu dizendo que não é homofóbico, mas acredita que "o Estado brasileiro não pode apoiar esse tipo de comportamento que atenta contra a família e o lar dos brasileiros".

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