segunda-feira, 9 de maio de 2011

Desembargadora Sim! Porque Não?



O Movimento Popular Pela Igualdade Étnica\Racial e Pela Representatividade - Não Fazemos Parte do Problema/Somos a Solução, convida esta entidade para construir uma Campanha que viabilize o empossamento definitivo da juiza Luislinda Valois como desembargadora do Estado da Bahia, devido a sua contribuição socio-politica para a população pobre, em especial a população negra. Estamos sugerindo o seguinte slogan:




Está campanha visa fazer justiça a Drª Luislinda Dias de Valois Santos, juíza desde os nove anos de idade, quando confrontou seu Professor de Artes que lhe sentenciou "Menina, se seu pai não pode comprar o material, deixe de estudar e vá aprender a fazer feijoada na casa dos brancos!". Por não ter dinheiro para comprar o material que lhe pedira. A juíza lhe respondeu: "Não vou fazer feijoada pra branco, não. Vou é ser juíza e lhe prender!".

Parte da profecia foi realizada, filha de Iansã, orixá que simboliza a encarnação de tempestades e raios, tornou-se a primeira juíza negra do país em 1984, foi também a primeira juíza a proferir a primeira sentença contra racismo no Brasil, em setembro de 1993, contra um supermercado que foi obrigado a indenizar uma cidadã, acusada injustamente de furto, em pleno "Estado Democrático de Direito".

Negra, Divorciada e com Dreadlocks, um caldeirão para revelar o preconceito e o racismo brasileiro, é um desafio para o satus quo do judiciário.

Filha de costureira e de motorneiro de bonde, mãe de filho único, que se tornou promotor de justiça em Sergipe, Dr. Luis Fausto, e avó de dois netos.

Nascida e criada na Bahia, um dia após se formar em Direito inscreveu-se no concurso do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), para Procuradora do órgão, passou em primeiro lugar, em todo Brasil, mas foi preterida de atuar na Bahia por não possuir padrinhos político sendo então enviada para o Paraná. Após 8 anos retornou a Bahia.

É a idealizadora do Balcão de Justiça e Cidadania, da Justiça Bairro a Bairro, da Justiça Itinerante da Bahia de Todos dos Santos e do Programa Justiça, Escola e Cidadania, sempre buscando garantir que a população negra tenha acesso aos órgãos do judiciário. Por esse trabalho recebeu em 2006 o primeiro Prêmio de Acesso à Justiça. Atua hoje no juizado da Unijorge, implantado por ela.

Possui todos os requisitos para Desembargadora e tem mais de 25 anos de profissão e mais de 50 anos de serviço público, ininterrupto. Dos 35 desembargadores da Bahia, nenhum tem as características e preserva a cultura e religião negra como LUISLINDA.

Meio século depois de sofrer a primeira discriminação racial direta, o que parecia resquício retardado do Brasil escravista, se repete, com a mesma personagem, evidenciando o quanto o país é racista.

Recentemente, em 2009 ao ser homenageada no 20 de novembro, em Salvador, foi barrada pelos seguranças que exigiam dela uma credencial, o infortúnio foi resolvido. Em 2010 novo racismo explicito: um site de caça estrelas a sentencia como camareira de uma artista global, ao vê-la numa foto onde estava sendo homenageada na novela "Viver a Vida" ao lado da brilhante atriz. O site informa: "Natália do Vale enche de mimos a camareira". Estes infortúnios podem ser solucionados, mas a dor não tem cura e deixa cicatrizes permanentes.

Assim, já passou da hora de fazermos justiça e empossá-la desembargadora.


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