domingo, 8 de maio de 2011

Mães de santo também recebem homenagem neste domingo na Bahia

Mães por devoção, as Iyalorixás - sacerdotisas e chefes dos terreiros de Candomblé, são aquelas responsáveis por cuidar de seus filhos de santo como verdadeiros integrantes do rebento. Algumas, como Mãe Stella de Oxóssi, 86, uma das mais conhecidas Iyalorixás da Bahia, já perdeu as contas de quantos filhos de santo tem.


Assim como Mãe Stella, Haydeê Damgbose, 69, líder religiosa do terreiro Ilê Axé Lujuomin, diz que "a mãe do axé é mais mãe do que a biológica, porque é a mãe do sofrimento, aquela que acompanha nos momentos difíceis".

A minha relação com as Iyalorixás é das mais deliciosas! Permite que eu tenha várias mães, porque o carinho e as broncas que recebo delas são maternais. Para elas eu conto coisas que não contaria para minha mãe biológica. Às vezes, minha mãe Madalena tem até ciúmes dessa relação. Quando uma das minhas Iyalorixás dizem que são minhas mães, ela reclama e dispara logo que ela é que é a mãe. As demais são mães de santo", conta Carlinhos Brown, cantor e compositor que possui quatro mães de santo.

A relação entre mães e filhos de santo requer respeito e, sobretudo, responsabilidade. Como todos os preceitos da religião, esta é mais uma determinação dos orixás. "Nós temos uma grande responsabilidade com o presente e o futuro daquela pessoa. Você é a mãe espiritual do outro, tudo o que acontece de bom ou ruim com aquela pessoa, nós nos achamos parte daquilo", declara Mãe Stella.

A sacerdotisa do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, iniciada na religião há 70 anos, revela que sempre teve admiração pela sua mãe de santo, a quem sempre quis agradar. Hoje, a Iyalorixá recebe o carinho de todos os filhos do Opô Afonjá.

A mãe 'pelo orixá', como a sacerdotisa prefere denominar a expressão 'mãe de santo', orienta espiritualmente, acompanha as crises existenciais, as dificuldades e os processos de crescimento de cada filho.

"Ela é uma sábia", orgulha-se Graça Rodrigues, 61, que acompanha Mãe Stella há mais de 30 anos. Para o Candomblé, a hierarquia é algo sagrado e verdadeiramente sério, indicado pelos orixás. "A promoção é espiritual, nossa especialização é feita com a vivência", afirma Mãe Stella. "O axé não é clube, tem que estar entregue completamente para cumprir suas obrigações", acrescenta.

"A minha relação com Mãe Carmem (do Gantois) é a mais bonita que pode existir entre uma mãe e uma filha. Sinto vontade de chorar quando falo dela, pois é muito forte esse amor. Parece que eu nasci de suas entranhas. Eu me sinto filha de verdade dela. É colo de mãe, olhar de mãe, conselhos de mãe, abraço de mãe", descreve Mariene de Castro, cantora.

Os mais velhos devem ser respeitados dentro da religião afro-descendente, sobretudo na relação entre mães e filhos. Independente da classe social ou etnia, o Opô Afonjá é frequentado por pessoas simples a personalidades. Dorival Caymmi, Caribé e Jorge Amado foram alguns dos ilustres filhos da casa.

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