quarta-feira, 11 de maio de 2011

Racismo abala futebol francês


Depois da crise no último Mundial, selecionador e dirigentes da Federação Francesa de Futebol abrem novo escândalo por quererem limitar acesso de negros, árabes e outros franceses de origem estrangeira às escolas de futebol.

Laurent Blanc, ex-campeão do mundo e selecionador que sucedeu ao polémico Raymond Domenech à frente dos “azuis” franceses, bem como toda a direção da Federação Francesa de Futebol (FFF), enfrentam uma nova borrasca, que se adivinha terrível para o futebol gaulês.
Todos são acusados de racismo por quererem impor quotas limitativas ao acesso de “bi-nacionais” (pessoas nascidas em França de origem estrangeira) às escolas que formam os futebolistas franceses.

Revelações confirmadas
O escândalo foi revelado pelo “Mediapart”, um jornal online dirigido por Edwy Plenel, ex-chefe de redação do “Le Monde”, que teve acesso a gravações de discussões sobre o assunto em reuniões da FFF.
O site acusa Laurent Blanc e diversos dirigentes federativos de quererem impedir franceses de raça negra e árabe de aceder às escolas de futebol.
Nas gravações, efetuadas em novembro de 2010 e cuja veracidade foi confirmada, Laurent Blanc e dirigentes da FFF defendem uma política de “quotas” para a formação de futebolistas a partir dos 12/13 anos.
As revelações provocaram uma polémica colossal em França e até o Governo veio a público condenar a ideia das “quotas”. “É uma ideia estúpida”, disse um ministro.
O selecionador e os dirigentes da FFF terão, aparentemente, cedido à pressão dos que consideram que a seleção francesa é composta por demasiados negros e árabes, em detrimento dos “verdadeiros gauleses”.
Até à eclosão desta polémica, só a extrema-direita denunciava abertamente a diminuta presença de “brancos” na selecção francesa.

Verniz estalou
Laurent Blanc foi patrão da defesa e campeão do mundo pela França em 1998, numa equipa onde apenas quatro ou cinco jogadores eram “franceses de gema”. Na altura, o exemplo do êxito da seleção francesa foi considerado como o espelho da harmonia e da integração, na sociedade francesa, de “gente de todas as raças”.
No entanto, o verniz estalou e a atual controvérsia divide os jogadores campeões do mundo: “franceses de cor”, como Lilliam Thuram, criticaram duramente o projeto das “quotas” da FFF e de Laurent Blanc; “brancos”, como Didier Deschamps, desvalorizaram a importância das declarações do ex-colega, actual selecionador.
A FFF, bem como o Governo, abriram inquéritos sobre este novo escândalo.
Recorde-se que, já na altura do último Mundial, na África do Sul, onde os internacionais franceses chegaram a fazer uma greve aos treinos da seleção, se falava na existência de racismo e mesmo de conflitos religiosos no seio dos “azuis”.

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