segunda-feira, 16 de maio de 2011

“Temos que comemorar 13 de maio como um avanço da luta social e política do povo brasileiro”, diz Bira Corôa em evento do Dia da África


Foi com esse tom que o deputado estadual Bira Corôa (PT) cumpriu a agenda do Dia da África no último fim de semana, em especial no dia 13 de maio, quando se comemora o Dia da Abolição da Escravatura. O deputado participou de atividades na cidade de Camaçari, São Francisco do Conde e Salvador.

Durante a mesa de diálogo “Reescrevendo o 13 de Maio” na cidade de São Francisco do Conde, atividade integrada à programação de comemoração do Dia da África, o deputado Bira Corôa trouxe um panorama geral das condições pelas quais a abolição da escravatura foi realizada, e sugeriu que as comemorações devem ser reflexivas e direcionadas à luta dos povos escravizados, que foram os verdadeiros responsáveis pela libertação. “Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, consolidando a libertação dos escravos e pondo fim à escravidão, ela tirou as correntes físicas, mas não nos deu o direito de propriedade de terra, e até hoje estamos brigando por reforma agrária, e ainda hoje estamos brigando pelo direito de moradia. Não nos deu acessibilidade à escola, porque ainda hoje estamos brigando para ter uma escola pública de qualidade”, avaliou o deputado.

Bira Corôa também lembrou outras leis que foram criadas e que, segundo ele, foram exclusivamente para atender ao mesmo sistema de domínio e contemplar as mesmas elites, como a Lei do Ventre Livre, que veio com o discurso de libertar todas as crianças nascidas a partir da promulgação; e a Lei dos Sexagenários, que previa a liberdade aos escravos e escravas que atingissem a maior idade de 60 anos. “A Lei do Ventre Livre, na verdade, foi constituída para que os senhores de escravos não tivessem que responder pelos custos de criação das crianças naquele momento, e a dos Sexagenários era uma forma de se verem livres do que eles costumavam chamar de ‘fardo’, porque muitas dessas pessoas, com o trabalho forçado, adquiriam vários problemas de saúde”,

Para o deputado, estas leis foram responsáveis pelo surgimento da população de rua, que era exatamente os filhos livres, desprovidos da guarda dos pais, que passavam a utilizar as ruas e formar essa nova população. “A lei de 1888, de 13 de maio, somadas às outras, apenas respondia a uma condição da luta da época, e quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, o Brasil já era o último país do mundo que ainda mantinha a escravidão como forma de trabalho”, acrescentou Bira, depois de explicar que a assinatura somente ocorreu por conta das fortes pressões internacionais contra a escravidão, e dos embargos comerciais que o país sofreria, atendendo, dessa forma, aos interesses dos exploradores e não dos povos escravizados.

Depois de participar do evento em São Francisco do Conde, que acorreu na Câmara de Vereadores com a presença da prefeita Rilza Valentim, vereadores, secretários municipais, estudantes de escolas públicas, representantes de terreiros de candomblé e sociedade civil, Bira Corôa prestigiou, em Salvador, o Círculo de Debate Abaeté Parque Ecológico das Religiões de Matriz Africana, realizado na Casa da Música (Lagoa do Abaeté). O tema central do encontro era o genocídio da juventude negra e contou com a presença de estudantes, professores e representantes de candomblé. A atividade foi uma parceria do Mandato da Igualdade com o terreiro Axé Abassá de Ogum e o grupo Monas Odara.

Fonte: http://www.biracoroa.org/noticias_detalhe.asp?noticia_id=193

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